Violência contra a mulher

Renata Barcellos

‘Violência contra a mulher retratada nas literaturas’

Renata Barcellos
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Se as literaturas retratam o homem no seu tempo, na contemporaneidade, um dos temas é a violência contra a mulher. Conforme Ezra Pound (2006,p.36): “[…] se a literatura de uma nação entra em declínio a nação se atrofia e de cai”. Isso significa que esta expressão artística é, enquanto manifestação dos homens, uma forma de comunicação. Talvez não haja equilíbrio social.

Já de acordo Antonio Candido no ensaio O direito à literatura, as literaturas, assim como o sonho (essencial para o equilíbrio psíquico individual), são uma necessidade universal e fundamental para a humanização do homem. O autor defende que o acesso a elas deve ser um direito garantido a todos, pois contribuem para a coesão social e a humanização, combatendo o caos e a desumanização.

Um dos textos literários que aborda o feminicídio é o conto Venha ver o pôr do sol de Lygia Fagundes Telles cuja história é de Ricardo e de Raquel, um casal de ex-namorados que vivencia um último encontro em um cemitério abandonado. Vale a pena conferir!!!

No Brasil, segundo dados oriundos do anuário Brasileiro de Segurança Pública e relatórios de órgãos federais, uma mulher é estuprada a cada 6 ou 8 minutos, no Brasil. Cabe ressaltar que essa informação é baseada apenas nos casos oficialmente registrados. Quantos ainda não o foram? Denuncie!!!! Nunca é tarde!!! Ligue 190 (Polícia Militar), 180 (Ligue 180 / Central de Atendimento à Mulher) ou 100 (Disque Direitos Humanos). Não se cale!!!

Em maio de 2016, no Rio de Janeiro, a barbárie contra uma jovem de 16 anos causou horror à sociedade brasileira. A adolescente foi violentada por 30 homens e a divulgação do ato foi feita pelos próprios estupradores. Antes deste caso e até na atualidade, quantos MAIS não ocorreram? Dez anos depois, recentemente, uma de 17 anos foi atacada por 4 homens. O que está acontecendo no mundo?

Vale ressaltar que, na crônica: Não as matem, de Lima Barreto (pré-modernista), há a denúncia do autor de que o homem se julga no poder de aniquilar a vontade da mulher. Isso foi redigido a mais de um século. A narrativa transcendeu o seu próprio tempo, porque o conteúdo da obra ainda se mantém atual, infelizmente. Ao tratar deste assunto, Barreto esteve à frente da Justiça brasileira no sentido de elucidar a razão do uso da força e da violência contra a mulher.

Na contemporaneidade, de forma avassaladora, ações cruéis só aumentam. Quais são os fatores que levam a tais práticas? Como acabar com estes atos bárbaros? Conforme anuário Brasileiro de Segurança Pública e relatórios de órgãos federais:

  • Recorde de Casos: Brasil registrou mais de 83 mil casos de estupro (incluindo vulneráveis) em 2025, um número que segue em patamares elevados após recordes anteriores.
  • Estupro de Vulnerável: cerca de 70% a 76% dos casos registrados envolvem vítimas menores de 14 anos ou sem capacidade de consentimento.
  • Frequência: estima-se que ocorra um estupro a cada 6 ou 8 minutos, no Brasil, segundo dados de 2023-2025.
  • Dados de 2025: prévia de dados do Ministério da Justiça indicou mais de 83 mil casos, com uma média de 227 vítimas por dia.
  • Tendência de Aumento: em um período de 10 anos (até 2025), a quantidade de estupros aumentou expressivamente, chegando a mais de 70% de alta no acumulado.

Perfil das Vítimas e Agressores

  • Estupro de Vulnerável: cerca de 70% a 76% dos casos registrados são de estupro de vulnerável, que envolve vítimas menores de 14 anos ou sem capacidade de consentimento.
  • Idade: a maioria das vítimas é muito jovem. Dados mostram que 6 em cada 10 vítimas têm até 13 anos.
  • Gênero: 88,7% das vítimas são do sexo feminino.
  • Local e Agressor: a maior parte dos crimes ocorre dentro de casa. Cerca de 70% a 86% dos casos são praticados por conhecidos, familiares, pais ou padrastos.
  • Crianças/Adolescentes: de 2021 a 2023, foram registrados 164.199 casos de estupro contra crianças e adolescentes de 0 a 19 anos.
  • Perfil dos Agressores no Coletivo: em casos de múltiplos agressores, 27,7% dos autores são estranhos, 28,3% conhecidos, e 10,3% parentes. 

Isso ocorre mesmo havendo legislação como a Lei Maria da Penha criada pelo Estado brasileiro, Lei nº11.340, em 7 de agosto de 2006. Já, em 9 de março de 2015 começou a vigorar no ordenamento jurídico brasileiro a Lei nº13.104, no qual passou a prever no Código Penal o crime de feminicídio. Nem assim os índices reduzem. O que está havendo?

Dado o ocorrido, diversas discussões estão em pauta: a educação recebida pelos responsáveis concernente a atos que firam a dignidade feminina ou a integridade de jovens.
O que leva um adolescente a cometer estupro? Como as jovens têm sido orientadas para se defenderem? Será que vivemos em uma cultura do estupro?…

A expressão “cultura do estupro” não é nova. Entrou em uso nas ruas e nas redes sociais com os novos movimentos feministas e depois da publicidade de um estupro coletivo ocorrido em uma comunidade carioca. Ao mesmo tempo em que cresce a denúncia de uma “cultura do estupro”, estamos caminhando para uma cultura anti-estupro.  

Urgem aulas de Educação Sexual a fim de orientar os alunos de que não só as relações sexuais sejam praticadas sob o signo do consentimento e da liberdade, da autonomia e da dignidade de cada um (uma). Mais também de que o estupro ou qualquer ato sexual violento é inaceitável, porque revela um profundo desrespeito à autonomia feminina. Estupro é um ato violentíssimo, uma invasão ao corpo cujos efeitos são devastadores: depressão, períodos longos de silêncio, descuido com o corpo, dificuldade e pânico diante de tentativas de relações afetivas e sexuais, incompreensão, distanciamento…   

A temática deve ser abordada nas instituições de ensino. A conscientização é urgente. Cada professor na sua área de atuação deve discuti-la. Por exemplo:

– Língua Portuguesa e Literaturas: apresentar os textos literários aqui citados. Nas últimas trêssemanas,ministrando estas disciplinas, propus o seguinte:

* na primeira semana: leitura da crônica: Não as matem, de Lima Barreto. Em seguida, a elaboração de um parágrafo sobre a temática abordada.

* na segunda semana: Vídeo no YouTube sobre o conto Venha ver o pôr do sol, de Lygia Fagundes Telles. Em seguida, justificar o título e elaborar uma publicidade sobre a temática abordada.

* na terceira semana: leitura do primeiro capítulode Água de Mortas (Editora Patuá, 2017), pela escritora paraense Isadora Salazar. Neste, a temática do feminicídio é abordado.

Biologia: os males no corpo e na alma

Educação Física: defesa pessoal

– História: legislações

São apenas algumas sugestões. Professor, não tenha receio!!! Utilize sua criatividade e aborde a temática!!! Diga não a qualquer tipo de violência!!! E vale ressaltar que se o professor for repreendido pela abordagem da temática também é um ATO DE VIOLÊNCIA!!!! Diga NÃO À FALTA DE LIBERDADE PEDAGÓGICA!!!

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Estupro coletivo

Renata Barcellos: Artigo ‘Estupro coletivo’

Renata Barcellos
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No Brasil, segundo dados oriundos do anuário Brasileiro de Segurança Pública e relatórios de órgãos federais, uma mulher é estuprada a cada 6 ou 8 minutos. Cabe ressaltar que essa informação é baseada apenas nos casos oficialmente registrados. Quantos ainda não o foram? Denuncie!!!! Nunca é tarde!!! Ligue 190 (Polícia Militar), 180 (Ligue 180 / Central de Atendimento à Mulher) ou 100 (Disque Direitos Humanos). Não se cale!!!

    Em maio de 2016, no Rio de Janeiro, o estupro coletivo de uma jovem de 16 anos causou horror à sociedade brasileira. A adolescente foi violentada por 30 homens e a divulgação do ato foi feita pelos próprios estupradores. Antes deste caso e até na atualidade, quantos MAIS não ocorreram? Dez anos depois, recentemente, uma de 17 anos foi violentada por 4 homens. O que está acontecendo no mundo? 

    Vale ressaltar que, na crônica: Não as matem, de Lima Barreto (pré-modernista) há a denúncia do autor de que o homem se julga no poder de aniquilar a vontade da mulher. Isso foi redigido há mais de um século. A narrativa transcendeu o seu próprio tempo, porque o conteúdo da obra ainda se mantém atual, infelizmente. Ao tratar deste assunto, Barreto esteve à frente da Justiça brasileira no sentido de elucidar a razão do uso da força e da violência contra a mulher.

    Assim, verificamos conforme Ezra Pound (2006,p.36):  “[…] se a literatura de uma nação entra em declínio a nação se atrofia e decai”. Isso significa que esta expressão artística é, enquanto  manifestação dos homens, uma forma de comunicação. Talvez não haja equilíbrio social. Já de acordo Antonio Candido no ensaio O direito à literatura, as literaturas, assim como o sonho (essencial para o equilíbrio psíquico individual), são uma necessidade universal e fundamental para a humanização do homem. O autor defende que o acesso a elas deve ser um direito garantido a todos, pois contribuem para a coesão social e a humanização, combatendo o caos e a desumanização. Outro texto literário que aborda o feminicídio é o conto Venha ver o pôr do sol de Lygia Fagundes Telles. Vale a pena conferir os dois!!!

     Na contemporaneidade, de forma avassaladora, ações cruéis só aumentam. Quais são os fatores que levam a tais práticas? Como acabar com estes atos bárbaros? Conforme anuário Brasileiro de Segurança Pública e relatórios de órgãos federais:

  • Recorde de Casos: Brasil registrou mais de 83 mil casos de estupro (incluindo vulneráveis) em 2025, um número que segue em patamares elevados após recordes anteriores.
  • Estupro de Vulnerável: cerca de 70% a 76% dos casos registrados envolvem vítimas menores de 14 anos ou sem capacidade de consentimento.
  • Frequência: estima-se que ocorra um estupro a cada 6 ou 8 minutos, no Brasil, segundo dados de 2023-2025.
  • Dados de 2025: prévia de dados do Ministério da Justiça indicou mais de 83 mil casos, com uma média de 227 vítimas por dia.
  • Tendência de Aumento: em um período de 10 anos (até 2025), a quantidade de estupros aumentou expressivamente, chegando a mais de 70% de alta no acumulado.

Perfil das Vítimas e Agressores

  • Estupro de Vulnerável: cerca de 70% a 76% dos casos registrados são de estupro de vulnerável, que envolve vítimas menores de 14 anos ou sem capacidade de consentimento.
  • Idade: a maioria das vítimas é muito jovem. Dados mostram que 6 em cada 10 vítimas têm até 13 anos.
  • Gênero: 88,7% das vítimas são do sexo feminino.
  • Local e Agressor: a maior parte dos crimes ocorre dentro de casa. Cerca de 70% a 86% dos casos são praticados por conhecidos, familiares, pais ou padrastos.
  • Crianças/Adolescentes: de 2021 a 2023, foram registrados 164.199 casos de estupro contra crianças e adolescentes de 0 a 19 anos.
  • Perfil dos Agressor no Coletivo: em casos de múltiplos agressores, 27,7% dos autores são estranhos, 28,3% conhecidos, e 10,3% parentes. 

    Isso ocorre mesmo havendo legislação como a Lei Maria da Penha criada pelo Estado brasileiro, Lei nº11.340, em 7 de agosto de 2006. Já, em 9 de março de 2015 começou a vigorar no ordenamento jurídico brasileiro a Lei nº13.104, no qual passou a prever no Código Penal o crime de feminicídio. Nem assim os índices reduzem. O que está havendo?

    Dado o ocorrido, diversas discussões estão em pauta: a educação recebida pelos responsáveis concernente a atos que firam a dignidade feminina ou a integridade de jovens.
O que leva um adolescente a cometer estupro? Como as jovens têm sido orientadas para se defenderem? Será que vivemos em uma cultura do estupro?…

    A expressão “cultura do estupro” não é nova. Entrou em uso nas ruas e nas redes sociais com os novos movimentos feministas e depois da publicidade de um estupro coletivo ocorrido em uma comunidade carioca. Ao mesmo tempo em que cresce a denúncia de uma “cultura do estupro”, estamos caminhando para uma cultura antiestupro.

Urgem aulas de Educação Sexual a fim de orientar os alunos de que não só as relações sexuais sejam praticadas sob o signo do consentimento e da liberdade, da autonomia e da dignidade de cada um (uma). Mais também de que o estupro ou qualquer ato sexual violento é inaceitável, porque revela um profundo desrespeito à autonomia feminina.

Estupro é um ato violentíssimo, uma invasão ao corpo cujos efeitos são devastadores: depressão, períodos longos de silêncio, descuido com o corpo, dificuldade e pânico diante de tentativas de relações afetivas e sexuais, incompreensão, distanciamento…  

De acordo com Sofia Débora Levy (psicóloga clínica, bacharel e licenciada em Psicologia e em Letras Português-Hebraico,  Professora, Consultora, Mestre em Psicologia/UFRJ, Doutora em História das Ciências, Técnicas e Epistemologia/UFRJ com Pós-Doutoramento em Memória Social/ UNIRIO. 

Membro da Sociedade Brasileira de Psicologia, é Representante para a Memória do Holocausto do Congresso Judaico Latino-Americano; membro do Conselho de Educação da StandWithUs-Brasil; Associada Fundadora  do Memorial às Vítimas do Holocausto/RJ; e Vice-Presidente  do Memorial Judaico de Vassouras.

Autora de vários livros, como “Sobre Viver -vol. 1 e 2”, “Holocausto: vivência e retransmissão” e “Por dentro do trauma”, além de artigos e capítulos de livros publicados, profere palestras sobre Psicologia Clínica e Social, Holocausto, trauma, violência, saúde mental e relacionamentos num exercício contínuo de reflexão crítica humanística), “estupro é considerado crime hediondo pela legislação brasileira (Lei No. 8072/1990). Um crime perverso pois o corpo, o pênis, é usado como arma para ferir. Motivação do estupro: sensação de poder através do abuso do outro.

No caso da jovem estuprada num apartamento em Copacabana para onde foi chamada por seu ex-namorado, quatro outros rapazes maiores de idade participaram do crime.  E, ao final , após a saída da jovem do prédio, conforme as câmeras gravaram, comemoraram com sinais de vitória. A perversão continua nesse comportamento covarde em que os agressores comemoram sem se importar por ter marcado a vida de uma jovem dessa forma”. Quem quiser saber mais sobre o corpo usado como arma, assista ao vídeo da psicóloga disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=bn58Tf8MNpc.  

Renata Barcellos

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Que país é este?

Renata Barcellos: ‘Que país é este?’

Renata Barcellos
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Renata Barcellos e Campos - Arquivo pessoal
Renata Barcellos e Campos – Arquivo pessoal

Depois dos festejos de Reveillon e Carnaval, de fato, agora, iniciamos o ano de 2026. Ufa, em dois meses, tantos acontecimentos fora e dentro do país. Quantos casos de denúncia, quantos atos de atrocidades!!! É preciso ter fôlego, sermos RESILIENTES para superarmos tantas “pedras no caminho”.

Externamente, os conflitos só se agravam. Escândalo na realeza… Quem tem razão? Quem sofre e “paga caro” até com a própria vida é a população. Os dirigentes estão “encastelados”.

Já, no Brasil (país do Carnaval, em todos os sentidos), no centro das discussões, o Supremo Tribunal Federal (STF) está em um cenário de intensa polarização interna e crise de credibilidade, marcado por divergências sobre conduta ética, investigações envolvendo parentes de ministros e conflitos de interesses, especificamente no Caso Master.  Você tem conhecimento das funções de um ministro?

Ainda aqui, onde “tudo tende a terminar em pizza”, os assaltos, os furtos… continuam. A violência contra a mulher só aumenta. Um dos casos é o da menina de 12 anos. Os ministérios dos Direitos Humanos e da Cidadania e das Mulheres criticaram a decisão da 9ª câmara Criminal Especializada do TJ/MG que, por maioria, absolveu um homem de 35 anos condenado em 1ª instância a nove anos de prisão por estupro de vulnerável contra uma menina de 12 anos, com quem vivia como casal em Indianópolis, no Triângulo Mineiro. O “entendimento” adotado pelo colegiado não seria um afronta à lógica de proteção integral assegurada às crianças e adolescentes? Devido à pressão social, tiveram de revogar a decisão inaceitável.                A sociedade estava indignada.

Esse é um exemplo de como parte dos genitores não tem vínculo de afeto com os seus filhos. Estão os abandonando, os maltratando, os vendendo, os abusando ou os deixando serem violentados por dinheiro, vingança, desavença… Que mundo é este?

Crianças estão usando transportes sozinhos. Adolescentes indo a consultas médicas desacompanhados. Quantos casos temos conhecimento de abuso em transportes e consultórios? E, no carnaval, quantos grupos de adolescentes indo a blocos desacompanhados e até de madrugada nas ruas?

Quando o assunto é sala de aula, a situação só piora. Basta verificarmos a estatística. Quantos docentes estão de licença por problemas físico e ou psicológico? O ano letivo iniciou há um mês e como está a saúde dos docentes? Estes são heróis! Entramos em sala de aula com 40 ou mais alunos. Vale destacar que entre eles há os com múltiplas especificidades. Entretanto, nós professores não somos capacitados para lidar com cada um deles. Missão impossível.

  • 2026 está só iniciando. Precisamos sobreviver. Sejamos resilientes!!! Se ficarmos estagnados, seremos “atropelados”.

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Carnaval e violência contra a mulher

Renata Barcellos

‘Carnaval e violência contra a mulher: entrevista com Dra. Mery Janes Corbiceiro Fonseca’ 

Renata Barcellos
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Provavelmente, o carnaval tem sua origem em festas pagãs, como os realizados em honra de Baco (deus do vinho), as saturnais romanas e as Lupercalia, ou aqueles que tiveram lugar em homenagem ao touro Ápis, no Egito. Dessa forma, estudos estimam que o primeiro culto que mais tarde seria conhecido como o Carnaval foi feito anos antes de Cristo, quando os agricultores se reuniram no verão, com os rostos mascarados e corpos pintados inteiramente em torno de uma fogueira para celebrar a fertilidade e produtividade do solo, bem como afastar os maus espíritos da colheita.

Já, segundo alguns historiadores, as origens das festividades do carnaval remontam à antiga Suméria e Egito há mais de 5.000 anos, com celebrações similares no Império Romano, onde o costume se espalhou por toda a Europa. E foi trazido para a América pelos navegantes espanhóis e portugueses a partir do século XV. A primeira concentração carnavalesca está localizada no Egito. A festa era nada mais do que dança, canto, e os participantes usavam máscaras e fantasias como um símbolo de ausência de classes sociais. Seguindo a tradição chegou à Grécia. No século VI a.C., era costume de andar de barco com rodas (navalis carrus) onde as pessoas dançavam todos os tipos de dança.

Em Roma, foi dedicado à deusa egípcia Ísis, espalhando o culto dos celtas e os alemães.

As cerimônias foram um ponto comum. Foram associados com os fenômenos espirituais, astronomia e ciclos naturais, e manifestados através de expressões tais como a dança, música, sátira, máscaras e desordem. Em uma sociedade com muitas diferenças sociais, as partes apresentaram-se para a necessidade de liberdade para todos. Ricos e pobres se misturam durante o carnaval não reconhecido. Em seguida, surge o de Veneza e, depois, os de outros lugares do mundo. E com suas características (máscaras, fantasias, carros alegóricos, desfiles, bailes etc.) adaptadas aos costumes de cada país.

Entretanto, infelizmente, neste período que deveria ser de alegria, é marcado por tristeza para muitas mulheres que sofrem algum tipo de violência. De acordo com estatísticas, metade das brasileiras (50%) já sofreu assédio sexual durante o Carnaval. Sete em cada dez mulheres têm medo de sofrer assédio na festa. E 73% têm receio de passar por essa situação pela primeira vez ou novamente. Entre mulheres negras, os índices são ainda mais altos. Devido ao aumento a cada ano, desde dezembro de 2023, o Brasil criou a Lei nº 14.786, que institui o protocolo “Não é Não – Mulheres Seguras” em todo o território nacional. A legislação estabelece medidas obrigatórias para casas noturnas, boates, espetáculos musicais realizados em locais fechados ou shows com venda de bebida alcoólica. A lei define como constrangimento qualquer insistência física ou verbal após a mulher manifestar discordância. E reconhece como violência o uso de força que resulte em lesão, dano ou morte, conforme o Código Penal.

Entre os direitos garantidos às vítimas estão a proteção imediata pela equipe do local, o afastamento do agressor e o acompanhamento por pessoa de sua escolha. Os estabelecimentos devem manter ao menos um funcionário capacitado para aplicar o protocolo, afixar informações visíveis sobre como acioná-lo e divulgar os contatos da Polícia Militar e do Ligue 180.

A Secretaria de Estado da Mulher do Rio de Janeiro preparou seis passos fundamentais que podem salvar vidas:

    1.    Peça ajuda a quem estiver por perto e acione a polícia pelo 190 ou pelo botão de emergência do App Rede Mulher: não se cale!

    2.    Se presenciar um caso de importunação, ofereça ajuda: finja conhecer a vítima e tente retirá-la daquela situação.

    3.    Se houver perigo, ou se a mulher estiver desacordada, ferida ou com o agressor em ação, ligue para o 190 ou acesse o botão de emergência do app Rede Mulher.

4. Se for vítima de alguma violência, guarde informações sobre o fato: anote dia, horário, nome e contato de testemunhas e, se possível, registre foto ou vídeo do agressor.

5.    Faça o Registro de Ocorrência na Delegacia da Mulher ou na delegacia mais próxima.

6.    Procure um dos 53 centros especializados de atendimento à mulher no estado, disponíveis no app Rede Mulher ou no site www.secmulherrj.rj.gov.br.

Outras medidas importantes para quem vai curtir o Carnaval:

– Mantenha sua bebida coberta, até um guardanapo pode evitar que joguem alguma droga no seu copo.  

– Compartilhe sua localização durante deslocamentos, faça contato com um familiar ou amigo durante o percurso. Não é Não! Respeite a Decisão.

Dra. Mery Janes Corbiceiro Fonseca - Arquivo pessoal
Dra. Mery Janes Corbiceiro Fonseca – Arquivo pessoal

A seguir, entrevista com Dra. Mery Janes Corbiceiro sobre violência contra a mulher.

Minibiografia de Dra. Mery Janes Corbiceiro: psicanalista Clínica, Coach, Consteladora Familiar, Pedagoga, Pós graduada em Terapia de família. Casada há 34 anos, mãe de dois filhos e avó de uma neta. Apaixonada pelos animais e por Jesus.

1.Quando surgiu seu interesse por Terapia Familiar?

Dra. Mery Janes Corbiceiro: Meu interesse pela Terapia Familiar surgiu ao longo da minha carreira como professora, que me levou à compreensão de que o sofrimento humano raramente é isolado. Ao longo desse processo, percebi que muitos conflitos emocionais, comportamentais e relacionais estão profundamente ligados às dinâmicas familiares, aos vínculos afetivos e às histórias que atravessam gerações. A Terapia Familiar possibilita olhar o indivíduo dentro de um contexto maior, promovendo compreensão, diálogo e caminhos mais saudáveis para todos os envolvidos.

2. A partir de seus atendimentos, quais fatores motivam a violência contra a mulher?

Dra. Mery Janes Corbiceiro: A violência contra a mulher é um fenômeno complexo e multifatorial. Entre os fatores mais recorrentes estão padrões culturais machistas, desigualdade de poder nas relações, histórico familiar de violência, dificuldades emocionais não elaboradas, uso abusivo de álcool ou drogas, ciúmes patológicos e a dificuldade do agressor em lidar com frustrações. Muitas vezes, a violência é sustentada pelo silêncio, pela dependência emocional ou financeira e pela naturalização do abuso ao longo da história. 

Pormuito tempo a educação   utilizou a punição física como método de ensino , levando a criança apreender  que quem ama , também bate e se ela apanhou é culpa sua, fez algo errado. Hoje não é mais o pai e nem a mãe é o parceiro que se tona o agressor.

3. Qual a diferença entre psicóloga, psicanalista e Consteladora familiar?

Dra. Mery Janes Corbiceiro: A psicóloga é uma profissional formada em Psicologia, com registro no Conselho Regional, habilitada para avaliação psicológica, diagnóstico e atendimento clínico, utilizando diferentes abordagens científicas.

A psicanalista atua a partir da teoria psicanalítica, focando nos processos inconscientes, na história de vida e nos conflitos internos, podendo ter formação em Psicologia ou áreas afins, com especialização em Psicanálise.

A consteladora familiar trabalha com a abordagem das Constelações Familiares, que busca identificar padrões sistêmicos e emaranhamentos familiares que impactam a vida da pessoa. Cada atuação tem objetivos e métodos diferentes, podendo inclusive ser complementares, desde que respeitados os limites éticos e profissionais.

4- Mensagem a quem está sofrendo violência doméstica:

Dra. Mery Janes Corbiceiro: Você não está sozinha, e a violência nunca é culpa sua. O medo, a vergonha e a confusão fazem parte desse processo, mas é possível romper o ciclo. Buscar ajuda é um ato de coragem, não de fraqueza. Existem profissionais, serviços e redes de apoio preparados para acolher, orientar e proteger você. Sua vida tem valor, sua dor é legítima e você merece viver com respeito, dignidade e segurança. Quem ama não machuca, cuida. Indico a série MAID e o filme:  É assim que acaba.

“Não é Não”!!! Respeite a Decisão!!!

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Volta às aulas!? Alegria ou desespero?

Renata Barcellos: ‘Volta às aulas!? Alegria ou desespero?’

Renata Barcellos
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Renata Barcellos - Foto do arquivo da autora
Renata Barcellos – Foto do arquivo da autora
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Este período é de retorno às aulas. Adaptação dos pequenos, apresentação de alunos maiores, reunião com os responsáveis e com os professores. Estes às voltas com planejamentos. Muitas vezes, trabalhamos com colegas descompromissados, não se interessam em realizar um planejamento integrado ou (ao menos) que todas as turmas daquela disciplina tenham uma determinada ementa a ser cumprida a cada bimestre / semestre.

Pior ainda quando se lida com assédio moral e/ou sexual de gestores, colegas de trabalho ou alunos. Precisando ter aquele famoso ‘jogo de cintura’ para preparar o terreno (espírito) por todo o ano letivo. E isso só está começando!!! Disque 100 (direitos humanos/assédio geral), o Ligue 180 (específico para mulheres), ou o Ministério Público do Trabalho (MPT) de sua região.

Mais complicado é a sociedade pensar que voltamos de uma ‘longa’ férias desestressados… Na realidade, saímos um ‘caco’, temos nossos problemas particulares a lidar e resolver ao longo do ano letivo e dos dias de ‘descanso’. E, próximo ao retorno, para muitos (dependendo do ambiente de trabalho) já começam a passar mal. Entram em PÂNICO. Tomam medicação ou procuram um médico não para os exames de rotina mas para suportar a pressão do ano letivo. Triste realidade. O corpo docente agoniza de corpo e alma.

Após o período de planejamento, iniciamos com os alunos. Algumas turmas pela primeira vez, outras não…. Dependendo da relação professor x aluno, outro estresse se inicia. Entrarmos em uma sala de aula para construir conhecimento e não para ser ofendido, assistir a cenas de violência entre alunos ou deles para conosco. Sala de aula é para ser um ambiente harmônico, não um ringue, campo de batalha como parece em muitos casos.

Na maioria das vezes, trabalhamos em um espaço físico INADEQUADO. Sem recursos (quadro, ventilador…). Com este calor DESUMANO, como ministrar aulas sem ventilador, água…? E lembrando que, em média, são 45 alunos. Salas lotadas. Quando há disciplina que demanda uso de tecnologia, são diversos alunos por computador, notebook. Como lidar com isso e ainda ser uma aula produtiva?e início de ano letivo 2026, ao leitor (professor, aluno), reflitam sobre sua realidade. Comente aqui abaixo da matéria… E aos responsáveis, tenham paciência com professores e gestores despreparados para lidar com salas superlotadas e com alunos com diversas especificidades. Para cada um, uma abordagem, diversos formulários a serem preenchidos sobre seu desempenho… Quantas horas precisam ter o dia de cada um de nós???

Muitos professores têm uma carga horária de 40 horas ou (até mesmo de 60). Como aguenta? A garganta aguenta?… Sinceramente, não sei. Em qual momento prepara e ou corrige as atividades? Nosso salário é baixo. Por isso, muitos têm esta sobrecarga. E com isso, muitas vezes, não há tempo para a formação continuada. Mesmo com a oportunidade maior de oferta de ser online, estamos exauridos. Sem fôlego para leituras, elaboração das atividades propostas… Lamentável cada vez mais a situação da categoria!!!

Para os professores comprometidos, entrar em sala de aula e se deparar com turma apática, desinteressada é como uma ‘apunhalada’ mortal. Passamos o ano letivo destruídos por tentar diversos recursos e nada motivar determinados alunos e ou turmas. No caso do terceiro ano do Ensino Médio, pior ainda, porque procuramos incentivar a continuarem os estudos. Cada um na sua área de conhecimento, aborda os conteúdos mais cobrados nas avaliações externas.

No meu caso, como professora de Língua Portuguesa e de Literaturas, preparando para a tão temida produção textual (ao longo do ano, redigindo diversos possíveis temas) e orientando as leituras de obras sugeridas para realização das provas externas e, concomitante, a leitura de obras da escola literária a ser trabalhada. Urge que alunos (e também professores) leiam contos, poemas, romances… dos clássicos aos contemporâneos. Enquanto professora destas duas áreas do conhecimento, está muito difícil conscientizar os alunos da importância do domínio da Língua Portuguesa, de sermos poliglota no nosso idioma como bem disse Bechara.

E de convencê-los a ler textos literários ou não. Sobretudo, devido a tanto texto midiático, a tanta poluição visual como bem disse Italo Calvino (particularmente em sua obra ‘As Cidades Invisíveis’, 1972). Nesta, aborda não só como o excesso de placas ou outdoors, mas também uma degradação da experiência urbana, a perda da identidade dos lugares e a saturação de imagens que escondem a verdadeira essência da cidade. Ele explora a dualidade das metrópoles modernas: o lado visível, turístico e atraente versus o lado oculto, caótico e abandonado.

Caro leitor (alunos, gestores, professores, responsáveis…), sejamos solidários e resilientes. Que possamos ter um ano letivo produtivo!!! Diga sim à PAZ e NÃO à violência!!!

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Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro

Renata Barcellos: ‘Instituto Histórico e Geográfico brasileiro’

Renata Barcellos
Renata Barcellos
Instituto Histórico e Geográfico do Brasil
Foto por Renata Barcellos

No Brasil, a história dos Institutos Históricos e Geográficos (IHGs) começa com a criação desta instituição em 1838. Esta ocorre por iniciativa de membros da elite intelectual e política, incluindo figuras imperiais, a fim de construir uma identidade nacional, preservar a memória e consolidar a identidade brasileira pós-independência. Teve como modelo uma instituição francesa muito semelhante, criada em 1834. D. Pedro II foi um grande incentivador, cujo resultado foi a formação de uma rede de institutos estaduais e municipais. Hoje, estes atuam na preservação da cultura e história locais. O mais antigo é o fundado no Rio de Janeiro em 21 de outubro de 1838, por iniciativa dos maçons: marechal Raimundo José da Cunha Matos e cônego Januário da Cunha Barbosa. Estes redigiram a proposta de criação desta instituição. A justificativa da criação foi seu caráter pedagógico que beneficiaria a administração pública e traria “esclarecimento” a todos os brasileiros. Destacaram ainda as dificuldades as quais estavam sujeitas as investigações acerca da história da pátria devido à carência desta instituição, a fim de centralizar os documentos que se encontravam espalhados pelas províncias do Império.

  • Objetivo Principal: reunir, organizar e preservar documentos para escrever uma “história nacional”, a fim de pensar o Brasil como nação, consolidar a identidade nacional e fomentar pesquisas históricas e geográficas.

2. O IHGB e a Construção da Nação:

  • Atividades Iniciais: criação de Arquivo, Biblioteca e Museu; financiamento de pesquisas; publicação da Revista do IHGB; correspondência com instituições estrangeiras.
  • Monopólio Histórico: por décadas, o IHGB deteve o monopólio da produção de conhecimento histórico no país. 

3. A Rede de Institutos:

  • Expansão: o IHGB estimulou a criação de entidades congêneres nas províncias (hoje estados), como o Instituto Arqueológico e Geográfico Pernambucano (1862) e o de Minas Gerais (1907). 
  • Descentralização: no século XX, universidades e outros centros surgiram, mas os IHGs mantiveram sua importância, focando na memória local e regional. 

4. Legado e Função Atual:

  • São pilares na preservação de bibliotecas, arquivos e museus.
  • Coordenam uma rede nacional (Sistema Nacional de Institutos Históricos) e mantêm intercâmbio com instituições globais.
  • Continuam sendo referências na pesquisa e valorização do patrimônio cultural brasileiro, atualizando sua missão de pensar o Brasil. 

Curiosidades 

  • Instalações do primeiro IHGB: Em 1839, aos cuidados de D. Pedro II, o Convento do Carmo abrigou o IHGB. E a inauguração das novas instalações ocorreu em 15 de dezembro de1849, na rua Teixeira de Freitas, região da Glória, Rio de Janeiro.
  • Influência de Von Martius: o concurso de 1846 para escrever a história do Brasil foi vencido pelo alemão Karl Friedrich Von Martius com a proposta intitulada Como se deve escrever a história do Brasil. Nesta, propôs um modelo focado na harmonia entre as três raças (indígenas, brancos, negros) e o território, influenciando gerações. Escrito em 1843, ele propõe que a história indígena merece atenção, pois integra a história do Brasil. De acordo com ele, uma sugestão seria a elaboração de um dicionário da língua indígena principalmente o Tupi, por parte de linguistas integrantes do Instituto, tratando o idioma enquanto documento a ser conhecido e pesquisado.
  • Conexões Internacionais: mantêm intercâmbio com instituições estrangeiras, como a Academia Portuguesa de História e a Real Academia de la Historia da Espanha.
  • Alguns dos atuais gestores:

Artur Cláudio da Costa Moreira (educação: Artes Cênicas, Expressão Corporal, Técnicas Comerciais, Administração, Economia e Matemática. Formação: Ciências Econômicas, especialização em Recursos Humanos e Matemática. Liderança e Gestão: Direção de entidades culturais e atuação estratégica no IHG São João del-Rei, coordenando projetos editoriais, documentais e de preservação histórica. Artes e Comunicação: Experiência em direção teatral e locução radiofônica, unindo técnica cênica à divulgação doutrinária espírita com foco em impacto social e cultural. Pesquisa e Formação: Especialista dedicado ao resgate histórico e acadêmico, com sólida competência em redação oficial, administrativa e análise crítica de acervos): “O Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei (IHG-SJDR) consolida-se como uma das mais prestigiadas instituições culturais de Minas Gerais. Atuando como o legítimo “guardião da memória” de uma cidade central para o ciclo do ouro e para a identidade mineira, o Instituto é o elo entre o passado colonial e o compromisso com as futuras gerações.

Fundação e Contexto Histórico

Fundado em 1º de março de 1970, o IHG-SJDR nasceu da mobilização de intelectuais, historiadores e cidadãos são-joanenses. Um dos catalisadores de sua criação foi a tentativa desesperada (embora sem sucesso) de impedir a demolição da Secular Igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, à época pretendida pelo Padre Jacinto Lovatto. Apesar da perda do templo, o episódio reforçou a necessidade urgente de um órgão dedicado ao estudo e à salvaguarda sistemática do patrimônio barroco e das tradições centenárias da região.

Natureza Jurídica e Administrativa

Legalmente constituído como pessoa jurídica de direito privado e sem fins lucrativos, o Instituto é uma associação de duração ilimitada, inscrita no CNPJ sob o nº 18.994.319/0001-45. Com sede e foro em São João del-Rei, é regido por estatuto próprio, registrado em cartório, e funciona como uma entidade civil mantida pela dedicação de seus sócios efetivos, correspondentes e honorários.

Natureza Jurídica e Administrativa

Legalmente constituído como pessoa jurídica de direito privado e sem fins lucrativos, o Instituto é uma associação de duração ilimitada, inscrita no CNPJ sob o nº 18.994.319/0001-45. Com sede e foro em São João del-Rei, é regido por estatuto próprio, registrado em cartório, e funciona como uma entidade civil mantida pela dedicação de seus sócios efetivos, correspondentes e honorários”.

Dilercy Aragão Adler (psicóloga, doutora em Ciências Pedagógicas, mestre em Educação e Associada Efetiva do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (IHGM), tendo exercido a Presidência da instituição no quadriênio 2021–2025): “O IHGM, Casa de Antônio Lopes, foi fundado em 20 de novembro de 1925, nos moldes do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). Seu diferencial reside no fato de ter sido criado intencionalmente por iniciativa de Antônio Lopes, no ano do centenário de nascimento de Dom Pedro II, grande mecenas da cultura, da ciência e das artes no Brasil.

Treze anos e cinco meses após a fundação do IHGB, Dom Pedro II recebeu oficialmente o patronato da instituição, sendo reconhecido como seu Patrono e Protetor. Em 2025, iniciaram-se as comemorações do Centenário do IHGM e do Bicentenário de nascimento de Dom Pedro II.Em 2007, Dilercy Aragão Adler recebeu o honroso convite da então presidente, Profa. Eneida Vieira da Silva Ostria de Canedo, para ingressar no IHGM, ocupando a Cadeira nº 1, patronada por Claude d’Abbeville. Trata-se de um frade capuchinho autor da obra Histoire de la mission des Pères Capucins en l’Isle de Maragnan et terres circonvoisines (1614), reconhecida como o primeiro livro a descrever detalhadamente a região do Maranhão.

Em 2012, apresentou o projeto “Mil Poemas para Gonçalves Dias”, desenvolvido em São Luís, Caxias e Guimarães, com ampla participação de escritores do Brasil e do exterior. O projeto compreendeu duas antologias, uma de poemas e outra de estudos e pesquisas sobre Gonçalves Dias, além de extensa programação nas três cidades. Na programação de São Luís, teve como marco a fundação da Academia Ludovicense de Letras, a Academia da cidade de São Luís, fato considerado histórico diante do intervalo de 401 anos entre a fundação da cidade e a criação de sua Academia de Letras”.

Paulo Roberto de Sousa Lima (sociólogo, pela FAFICH/UFMG (1968); Professor universitário (Faculdade de Educação – UFMG: 1969 a 1988); Professor/Pesquisador e Consultor em Gestão Pública (FJP – 1981-1985); Professor em Gestão em Saúde Pública (ESMIG/FUNED: 1986/2004); Militante social em gestão comunitária (Instituto Macunaíma – Casa de Cultura/Escola de Cidadania – Belo Horizonte e Biblioteca da Comunidade – Tiradentes-MG: 2004-2015); Historiador, membro do IHG-SJDR (desde 2015, titular da Cadeira Perpétua nº 02, cujo patrono é o emboaba José Mattol); Presidente do IHG-SJDR (2018-2023); Membro da Academia de Ciências e Letras da Ordem dos Cavaleiros da Inconfidência Mineira e da Academia de Letras João Guimarães Rosa, da PM-MG): “Um olhar sobre o estado da arte dos atuais Institutos Históricos e Geográficos brasileiros, com os quais tenho interagido, nos permite reconhecê-los como legítimos herdeiros, desde o século XIX, da tradição europeia de estudos, via pesquisa em campos específicos de conhecimentos, já que antecederam a criação, no início do século XX, de Universidades no Brasil. Isto os torna credores do reconhecimento como entidades cuidadoras e geradoras de conhecimentos históricos, socioeconômicos e ambientais que foram significativos para a cultura nacional”. 

Tereza Cristina Cerqueira da Graça (doutora em educação, vice-presidente do Instituto e editora-gerente da sua revista): “O Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, fundado em 1912, é a instituição de guarda da memória mais antiga do Estado. Desde então, tem reunido os mais expressivos intelectuais de Sergipe e estimulado a produção de estudos sobre nossa terra. Inclusive publicando trabalhos de pesquisa sobre a história, a geografia e a cultura sergipana na sua revista também centenária, uma vez que teve sua 1a edição em 1913 e até hoje está ainda em circulação. Publicou a última edição agora em dezembro de 2025 e, recentemente,  recebeu a classificação A na avaliação da Capes/Qualis. Também abrigamos um dos maiores acervos de documentos, jornais e livros antigos do Estado, servindo aos pesquisadores e á comunidade em geral”.

Renata Barcellos

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A poesia visual de Jairo Fará

Renata Barcellos: ‘A poesia visual de Jairo Fará’

Renata Barcellos
Renata Barcellos
Jairo Fará e Renata Barcellos – Foto por Renata Barcellos

Minicurrículo: Jairo Faria Mendes (Jairo Fará): escritor, artista visual, jornalista e professor do Curso de Jornalismo da UFSJ. Pós-doutor em Jornalismo pela Universidade de Coimbra (Portugal) e em Comunicação Social pela Universidade Estadual de São Paulo (Unesp).  Autor de livros sobre jornalismo como O Ombudsman e o Leitor (O Lutador, 2001), Minas Impressas (Literíssima, 2023) e Barão de Itararé: Riso é Resistência (Literíssima, 2024), além de obras literárias como Cidadezinha Biruta (Literatura infantil, Páginas, 2019), O Ovo do Minerim (poesia, Jararaca Books, 2011), Livro de Bolso (livro-objeto, 2014), Minas são Moitas (microlivro, 2024), Trégua e Paz (microlivro, 2025), Passe pela Catraca (poesia, Literíssima, 2026) de peças teatrais, roteiros e participações em inúmeras coletâneas.

Em 2022, lançou o CD de música e poesia Outras Esquinas (em parceria com Vaninho Vieira). Encontra-se com muitos projetos na gaveta e nos pensamentos, mas prefere viajar no mundo da poesia.

A partir da produção de Jairo Fará e da análise de seus textos, constatamos tratar-se de um artista multifacetado. Ao analisar sua produção, visualizamos como ele reordena as letras e as constituem em outros termos. Ele imprime cor em seus textos, seja no sentido real, seja no figurado. Utiliza o recurso do humor e aborda temáticas artísticas, literárias, sociais… O “olhos de águia” (como o caracterizaremos a partir da análise de sua obra), verificamos como explora as suas inúmeras possibilidades (orais e escritas) e de imagens, de modo que as linguagens verbal e icônica se complementem. Com muita técnica, ele utiliza os mais variados suportes e meios de difusão. Assim, criando suas surpreendentes soluções de apresentação da poesia.

O termo poesia experimental (nome que se dá a toda e qualquer forma de poesia moderna que utiliza recursos fora do texto versificado tradicional, aquele tipo de escrita que se ligava a um mundo em desaparecimento, ou, ao menos, em transformação) se desenvolveu por dois caminhos: da poesia sonora e o da poesia visual. Esta englobou todas as formas de recursos gráficos que a poesia moderna havia incorporado, enquanto a poesia sonora reuniu em seu interior todos os tipos de trabalhos com o som que os movimentos poéticos modernos tinham produzido. (MENEZES, 1998, p.15).

De acordo com E. M. de Melo e Castro (1993), a poesia visual aparece de uma forma consistente quatro vezes na história da arte ocidental: durante o período alexandrino, na renascença carolíngea, no período barroco e no século XX. Datando de 300 anos antes de Cristo e realizadas na Alexandria, as tecnofanias3 de Sírnias de Rodes constituem os primeiros poemas visuais conhecidos. São elas: “O Machado”, “As Asas” e “O Ovo”.

Quem é Jairo Fará? O que é Poesia Visual? Qual a relevância deste poeta? São perguntas que você, leitor, deve estar se fazendo… O que podemos lhe advertir: cuidado, você corre o risco de ter seu olhar extasiado com as múltiplas linguagens exploradas e, por consequência, seus olhos queiram percorrer as várias esferas da Poesia Visual deste poeta. Não hesite!!! Alumbre-se!!!

Uma característica própria da Poesia Visual é o hibridismo entre linguagem verbal e icônica e de gêneros textuais. A partir disso, a polêmica: qual o limite dos gêneros textuais? Entre poesia e artes? Segundo Menezes (1991, p.11), quando se pensa em Poesia Visual, devemos associá-la com o espírito de experimentação, ou seja, o desejo de ousar, de utilizar diferentes recursos para compô-la. E isso o poeta domina; a cada trabalho é capaz de surpreender seu leitor de modo diferenciado, como se fosse a primeira vez.

De acordo com Lopes (2007), podemos inferir que o poeta dispõe-se da linguagem como forma de buscar novas expressões, utilizando recursos que possibilitam transgredir a forma tradicional da palavra escrita. O poeta não só explora a linguagem comum, mas também a desvia do uso convencional, transformando-a em uma outra linguagem, a da poesia. O desvio e a transgressão da linguagem são a desverbalização da palavra, um modo de transformá-la em palavra imagética.

Podemos dizer ainda que a experimentação deste autor vai além do aspecto visual que adentra a profundidade do signo. Ele mobiliza elementos da contemporaneidade, dentre eles, a metalinguagem (a linguagem usada para descrever e explicar a própria linguagem, nos seus mais diferentes estilos: gramatical, artístico, musical, informacional etc. A sua poesia explora a capacidade poética por meio de diversos recursos.

Trata-se de uma produção intersemiótica (base linguística relacionada às Artes Visuais), a fim de abordar temáticas diversas em termos de sua consciência crítica e de seu posicionamento na sociedade. Conforme Perrone (2003), a criação intersemiótica é definida como “a interação de signos linguísticos variados: a palavra impressa em múltiplas representações tipográficas e espaciais, o verso ilustrado, o projeto gráfico, a fotografia e a mistura disto tudo”.

Assim, o poeta possibilita o trânsito da poesia por novos espaços, com novos leitores e novos olhares. Sua produção é diferenciada dos outros poetas da mesma vertente de poesia pelo fato de ele apropriar-se da linguagem, de recursos e de suportes na forma singular como leva o leitor ao “espanto”. Sobre isso, conforme Smith, a Poesia Visual é “o espanto do falante perante a própria língua, concretizado em evento estético na frágil fronteira entre percepção óptica e linguística” (1983). Isso em quem lê/vê sua obra devido à forma como desbrava a linguagem em suas múltiplas possibilidades de expressão.

Por fim, a produção poética de Jairo Fará configura-se como um espaço de confluências de diferentes linguagens e formas de veiculação (redes sociais – livro digital – videopoema – exposições – publicações impressas …). O leitor comunga com a poesia e penetra no poema tendo a possibilidade de produzir sentidos diversos e a recriar em outros gêneros textuais. E é esse refazer ou reconstruir poético do leitor que revela o homem reflexivo e criativo no universo disponibilizado pela comunicação.

A Poesia Visual é um espelho de nossa cultura contemporânea e o retrato contundente dos caminhos que a literatura pode trilhar na era tecnológica. Que este ensaio tenha despertado o prazer da leitura e instigado a reflexão sobre os temas aqui abordados!

Dicas de eventos: o poeta visual Jairo Fará está com uma exposição na galeria de arte do Museu Regional de São João del Rei (para quem ainda não conhece a cidade, vale a pena conferir), no período de 10 de dezembro de 2025 a 22 de fevereiro de 2026. Nesta, estão poemas clássicos, que já participaram de várias exposições como o “Poomo”, “Poemaço”, “Meia Homenagem a Drummond” e “Cuidado com o Não”. E poemas mais recentes como “Minifúndio”, “O Pregador”, “Poema Não Objeto” e “Papelão Social”. A exposição já recebeu mais de 2 mil visitas, em pouco mais de um mês. Um destaque é o poema-interativo “Poetize Aqui”, um mapa do Brasil em tamanho A2, no qual os visitantes escrevem seus poemas ou suas ideias.

E o lançamento do livro “Passe pela Catraca”. Este ocorrerá dia 7 de fevereiro, na Casa Literíssima, em BH. O livro está sendo produzido pela Editora Literíssima, sem custo nenhum para o autor. Por enquanto, está ocorrendo a pré-venda. E em São João del Rei, será lançado dia 25 de fevereiro, na Taberna do Omar. Nos dois lançamentos, os poetas presentes poderão ler seus poemas. O livro é o resultado dos últimos 15 anos de trabalho do poeta Jairo Fará. São 80 páginas coloridas, com poemas visuais, poemas verbais e textos de prosa poética.

Leia a entrevista e análise de poema visual no ebook gratuito: https://drive.google.com/file/d/132aElYGsRfyhazWQI2E7qpIihaoxUNbX/view?usp=sharing

Renata Barcellos

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