Folclore brasileiro

Renata Barcellos: ‘Folclore brasileiro’

Renata Barcellos
Renata Barcellos
Ilustração digital e colorida em estilo de colagem modernista, contendo silhuetas e elementos da cultura e do folclore popular brasileiro.
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22 de agosto é o Dia do Folclore, comemoração que recorda o dia no qual a palavra “folclore” foi usada pela primeira vez no ano 1846. Quem o fez foi o pesquisador britânico William John Thoms (1803-1885). Este uniu as palavras inglesas folk (que significa “povo”) e lore (que quer dizer “conhecimento”). Assim, folclore ganha o significado literal de “conhecimento do povo” ou “aquilo que o povo faz”.

O folclore brasileiro é a rica identidade cultural popular do país. Formado pela mistura de influências indígenas, africanas e europeias, ele engloba mitos, lendas, festas populares, danças, brincadeiras, comidas típicas e crendices passadas de geração em geração. O dia 22 de agosto é dedicado a celebrar essa herança nacional.

Como surgiu o dia do folclore no Brasil?

No Brasil, os debates folclóricos deram origem ao I Congresso Brasileiro, realizado no Rio de Janeiro, em 1951. Muitos estudiosos como João Ribeiro, Renato Almeida, Rossini Tavares de Lima, Luís da Câmara Cascudo, Amadeu Amaral, Édison Carneiro, Mário de Andrade, Sílvio Romero, Lindolfo Gomes e Florestan Fernandes (entre outros) debateram sobre as características atribuídas ao folclore: o anonimato, a transmissão oral, a antiguidade ou tradicionalidade, a sobrevivência e o conceito de civilidade dos povos.

O dia do folclore brasileiro foi definido oficialmente através do Decreto de Lei nº 56.747, de 17 de agosto de 1965, aprovado pelo Congresso Nacional. A partir desta data, conforme definia a lei, o dia 22 de agosto passou a ser celebrado como o Dia do Folclore em todo o país.

A preocupação em sistematizar e divulgar o folclore brasileiro ganhou força no começo do século XX no Brasil. Vale destacar que, durante a Semana de Arte Moderna, em 1922, A tela Lenda Brasileira, de Vicente do Rego Monteiro, e algumas composições de Heitor Villa-Lobos apresentavam alguns elementos nativos/populares. Entretanto, sem o aprofundamento folclórico que viria no final daquela década. Já várias obras com inspiração no folclore brasileiro como Macunaímae as telas de Tarsila não integravam a programação oficial de fevereiro de 1922. Assim, o folclore e as lendas nacionais só ganharam o centro das criações modernistas anos depois, especialmente com o Movimento Antropofágico e a fase Pau-Brasil de Tarsila do Amaral e Mário de Andrade. Anos depois, em 1947, foi criada a Comissão Brasileira de Folclore. E, posteriormente, as comissões estaduais. Em 1951, o 1º Congresso Brasileiro de Folclore foi realizado.

O que fazer para comemorar o dia do folclore?

O Dia do Folclore costuma ser bastante festejado pelas escolas. Algumas das atividades mais comuns que os estudantes podem desempenhar para aprenderem mais sobre a cultura e as tradições típicas de suas regiões são:

  • ler lendas folclóricas em sala de aula;
  • fazer adaptação de uma lenda folclórica em forma de teatro ou musical;
  • reescrever um conto folclórico;
  • aprender sobre a história do folclore e sua importância para a sociedade;
  • apresentar danças temáticas folclóricas;
  • preparar um prato típico folclórico.

Dessa forma, o folclore é uma manifestação cultural viva, vinculada à identidade de um povo e à ressignificação de tradições transmitidas entre gerações. Cabe ressaltar que, em muitos casos, limitada à associação com lendas e mitos, revela a necessidade de ampliação do entendimento sobre a abrangência das manifestações folclóricas, especialmente no que se refere à música, às danças, às brincadeiras e demais expressões culturais. As instituições de ensino deveriam realizar um trabalho efetivo ao longo da Educação básica. A formação de professores também urge reformulação quanto à preparação para trabalhar com esta temática.

Principais Lendas e Personagens

Saci-Pererê: menino negro de uma perna só, gorro vermelho e cachimbo, famoso por fazer travessuras e criar redemoinhos.

Curupira: protetor das florestas, retratado com cabelos vermelhos e pés virados para trás para despistar caçadores.

Iara: sereia das águas doces que enfeitiça homens com seu canto irresistível.

Mula sem Cabeça: mulher transformada em um animal quadrúpede que solta fogo pelas narinas.

Boitatá: cobra de fogo que protege a natureza e persegue quem a desrespeita.

Boto Cor-de-Rosa: jovem charmoso que sai dos rios à noite para encantar pessoas em festas.  

Festas, Danças e Tradições

Festas Populares: festa Junina, Carnaval, Folia de Reis e o Festival de Parintins.

Danças: Maracatu, Jongo, Tambor de Crioula e Frevo.

Brincadeiras: pipa, pula-corda, pega-pega e corrida do saco.

Comidas Típicas: pamonha, bolo de fubá, feijoada e tapioca.

Obras literárias brasileiras que retratam o folclore incluem clássicos de pesquisa de Luís da Câmara Cascudo, releituras infanto-juvenis de Clarice Lispector e Ana Maria Machado e álbuns de personagens populares.

Obras de Pesquisa e Referência

·         Antologia do Folclore Brasileiro, de Luís da Câmara Cascudo: Reúne o principal da tradição oral e dos mitos do país.

·         Lendas Brasileiras para Jovens, de Luís da Câmara Cascudo: adapta lendas populares para novos leitores.

Releituras e Contos Populares

·         Como Nasceram as Estrelas – Doze Lendas Brasileiras, de Clarice Lispector: apresenta doze lendas com o estilo marcante da autora.

·         Abecedário de Personagens do Folclore Brasileiro, de Januária Cristina Alves: lista mais de 100 figuras fantásticas da nossa cultura.

·         Histórias à Brasileira, de Ana Maria Machado: resgata contos tradicionais e mitos do imaginário nacional.

Exemplos de Romances e Obras

·         Macunaíma (1928), de Mário de Andrade: o famoso “rapsódia” modernista mistura mitos indígenas, lendas da Amazônia e o folclore de várias regiões para criar o herói sem nenhum caráter que define a identidade nacional.

·         A Arma Escarlate (2011), de Renata Ventura: um romance fantástico ambientado no Brasil que insere lendas e criaturas do folclore nacional em um enredo urbano de magia.

·         Sagarana (1946), de João Guimarães Rosa: embora seja uma coletânea de novelas, o livro mergulha no realismo mágico do sertão mineiro, repleto de causos, crendices populares, lobisomens e o imaginário místico do povo caipira.

·         O Saci (1921) e outras obras de Monteiro Lobato: pioneiro em dar forma literária aos mitos do folclore brasileiro no Sítio do Picapau Amarelo, onde a Cuca, o Saci e o Curupira convivem com personagens reais.

·         Romances de época de autores como Christopher Kastensmidt e Samir Machado de Machado, que misturam acontecimentos históricos do Brasil Colônia e Império com a presença ativa de seres míticos como o Boitatá e a Mula sem cabeça.

Renata Barcellos

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Dia Internacional dos Povos Indígenas

Renata Barcellos

‘Dia Internacional dos Povos Indígenas:
avanços e retrocessos’

Renata Barcellos
Renata Barcellos

 “Enquanto tiver gente no Brasil, vai ter presença indígena” (Ailton Krenak: filósofo, poeta, escritor e imortal da Academia Brasileira de Letras)

Renata Barcellos e Porakê Munduruku
Renata Barcellos e Porakê Munduruku

O Dia Internacional dos Povos Indígenas é comemorado em 9 de agosto. Foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1994, como instrumento de apoio e de luta pelas causas dos povos originários em todo mundo. A data é dedicada a homenagear e reconhecer as tradições dos povos indígenas, promover a conscientização sobre a inclusão deles na sociedade e dos direitos humanos e relembrar a primeira reunião do Grupo de Trabalho sobre Populações Indígenas da ONU, em 1982.

Assim, reafirmando as garantias previstas na Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas (criada em 2007 pela Organização das Nações Unidas – ONU). O referido documento é composto por 46 artigos, cujo objetivo é apresentar todos os direitos básicos das populações indígenas mundiais. Entre os principais pontos defendidos pela Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas,estão:

  • – igualdade de condições perante as leis internacionais;
  • – autodeterminação dos povos;
  • – combate a qualquer tipo de discriminação;
  • – direito aos territórios;

Atualmente, as comunidades indígenas estão entre as populações mais vulneráveis ​​do mundo. De acordo com dados das Nações Unidas, existem aproximadamente 476 milhões de indígenas em 90 países, representando pouco mais de 5% da população mundial. Utilizam cerca de 22% da área terrestre global. Os povos indígenas de todo o mundo compartilham problemas relacionados à proteção de seus direitos. E continuam a enfrentar a marginalização, a pobreza extrema e outras violações dos direitos humanos.

Lei 14.402/2022 – Art. 1º: institui o dia 19 de abril como o Dia dos Povos Indígenas e revoga o Decreto-Lei nº 5.540, de 2 de junho de 1943.

Segundo o Censo Demográfico de 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há cerca de 1.652.876 pessoas indígenas, no Brasil. Esse número é maior do que o apontado pelo Censo anterior, realizado em 2010. Na época, foram contados mais de 896 mil indígenas. Esse número representa menos de 1% do total da população absoluta do país, com 305 diferentes etnias e 274 línguas, consolidando a pluralidade étnica e linguística dos povos originários.

O Brasil tem 5.568 municípios e 4.832 deles possuem moradores que se identificam como indígenas (86,7% do total). Manaus, capital do Amazonas, é a cidade brasileira com a maior quantidade de indígenas: 71,7 mil pessoas. Em seguida, estão São Gabriel da Cachoeira (com 48,3 mil) e Tabatinga (34,5 mil), ambas também amazônicas.

As regiões Norte e Nordeste concentram aproximadamente 75% da população indígena do Brasil. Os estados com a maior quantidade de pessoas desse grupo são:

  • Amazonas: cerca de 490 mil indígenas
  • Bahia: cerca de 229 mil indígenas
  • Mato Grosso do Sul: cerca de 116 mil indígenas
  • Pernambuco: cerca de 106 mil indígenas
  • Roraima: cerca de 97 mil indígenas

Por outro lado, Sergipe é o estado com a menor população indígena em números totais, registrando pouco mais de 4,7 mil pessoas.

Os dados do Censo 2022 registraram 867,9 mil indígenas vivendo na Amazônia Legal, o equivalente a 51,25% do total. A Amazônia Legalé um recorte geográfico que abrange uma área de aproximadamente 5 milhões de quilômetros quadrados. Fazem parte dela os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e Maranhão.

Lei nº 2.889/1956 (Crime de Genocídio)

  • O que faz: define e pune o crime de genocídio contra grupos nacionais, étnicos, raciais ou religiosos.
  • Ações punidas: matar membros, causar lesão grave física ou mental, ou submeter o grupo a condições de destruição total ou parcial.
  • Contexto:  Brasil ratificou convenções internacionais para tipificar penalmente esses massacres.

Lei nº 6.001/73 – Estatuto do Índio: garante a proteção e a preservação das comunidades indígenas. No Art.1 consta o seguinte: “Esta Lei regula a situação jurídica dos índios ou silvícolas e das comunidades indígenas, com o propósito de preservar a sua cultura e integrá-los, progressiva e harmonicamente, à comunhão nacional”.

Constituição Federal de 1988 reconhece o direito originário dos indígenas sobre as terras, como consta no Art. 216 da CF, “Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira”.

  • Lei nº 14.701/2023 (Marco Temporal)
  • O que faz: estabelece que os povos indígenas só têm direito a demarcar terras que ocupavam em 5 de outubro de 1988.
  • Crítica: lideranças indígenas e entidades como o Greenpeace Brasil batizaram a norma de “Lei do Genocídio Indígena” por entenderem que ela anula direitos originários e estimula conflitos e invasões de territórios.

A Convenção 169 da OIT é um tratado internacional da Organização Internacional do Trabalho que protege os direitos dos povos indígenas e tribais. Ela garante o direito à terra, à cultura própria e a consulta prévia sobre leis ou obras que afetem esses grupos. No Brasil, o texto foi promulgado pelo Decreto nº 5.051/2004.

Lei nº 11.645, sancionada em 10 de março de 2008. Esta altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e define regras para escolas públicas e privadas sobre o ensino das culturas e literaturas dos povos indígenas.

Sônia Guajajara: primeira e atual ministra dos Povos Indígenas do Brasil (ativista e liderança da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil -APIB).

Ailton Krenak: primeiro escritor indígena a ingressar na Academia Brasileira de Letras (ABL): ambientalista, filósofo e escritor. Eleito em 5 de outubro de 2023 e tomou posse em 5 de abril de 2024.

Depoimentos

Altaci Kokama (primeira professora indígena da UnB, pré-candidata à Deputada Distrital pelo PT): “A situação atual dos *povos originários no Brasil em 2026* é de avanços em algumas áreas e retrocessos/desafios ainda muito grandes em outras”.

Luana Guarani – Cunhã Pará Potÿ: “Enfrentamos grandes desafios. O preconceito, a invisibilidade, a perda de territórios, as dificuldades de acesso a direitos básicos e a desvalorização de nossas culturas continuam fazendo parte da realidade de muitos povos indígenas. Em diversos lugares, somos vistos apenas pelas lentes dos estereótipos, quando, na verdade, somos povos vivos, diversos, contemporâneos e protagonistas de nossa própria história.

Ser indígena não significa viver preso ao passado. Continuamos preservando nossas identidades, nossas línguas, nossos costumes e nossa espiritualidade, ao mesmo tempo em que ocupamos universidades, espaços de decisão, escolas, centros culturais e diferentes profissões. Nossa identidade não é definida pelas roupas que usamos ou pelo lugar onde vivemos, mas pelo pertencimento ao nosso povo, à nossa ancestralidade e aos nossos modos de existir”.

Maria Lídia Tupinambá (pedagoga maranhense, conselheira da Educação Escolar Indígena, vice-presidente do Conselho Estadual da Mulher do Maranhão, Assessora Especial de Assuntos Indígenas da Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular – SEDIHPOP – e Coordenadora Nacional da RENIU – Rede de Articulação de Indígenas em Contexto Urbano e Imigrantes): “o Dia Internacional dos Povos Indígenas representa um momento de celebrar conquistas históricas e reafirmar a luta permanente pela garantia dos direitos dos povos originários.

A criação do Ministério dos Povos Indígenas, sob a liderança da ministra Sônia Guajajara, marcou um novo momento na história do Brasil ao reconhecer a necessidade de um órgão específico para formular, articular e fortalecer políticas públicas voltadas aos povos indígenas. A atuação da ministra consolidou o protagonismo indígena nos espaços de decisão, ampliou o diálogo entre o Estado e as comunidades, fortaleceu a defesa dos territórios, das culturas e dos direitos originários, além de conferir maior visibilidade às demandas históricas dos povos indígenas.

Da mesma forma, a eleição de Ailton Krenak para a Academia Brasileira de Letras representa um marco para o reconhecimento da produção intelectual indígena, demonstrando que os saberes ancestrais e as narrativas dos povos originários ocupam, cada vez mais, espaços de destaque nas instituições brasileiras, fortalecendo a diversidade, a memória e a identidade nacional”.

Porakê Munduruku (indígena em retomada no contexto urbano da Região Metropolitana de Belém, escritor, roteirista e coordenador do Tekó – Coletivo de Artivismo Indígena), afirma: “Celebrar o Dia Internacional dos Povos Originários exige encararmos de frente a dura realidade com a qual ainda nos deparamos. Ainda sangramos com invasões territoriais e a violência colonial e xenófoba na Amazônia e demais territórios indígenas.

Embora a presença de um Ministério dos Povos Indígenas e a histórica ocupação de uma cadeira na Academia Brasileira de Letras (ABL) representem vitórias políticas e simbólicas fundamentais para ecoar nossas vozes nas estruturas institucionais, tais avanços não podem mascarar a urgência da demarcação de terras, do combate ao garimpo ilegal e da garantia de dignidade e direitos fundamentais para os parentes que resistem tanto nas aldeias quanto nas periferias urbanas”.

A partir do exposto acima, podemos constatar a criação de legislações e datas comemorativas como a do dia 9. Entretanto, apesar de conquistas, o que observamos é ainda a exclusão dos povos indígenas. Pensemos:

– Convivemos no quotidiano com indígenas de diferentes etnias?

– Os indígenas assumiram funções nas diversas áreas onde convivo?

– Estudo (ei) literaturas produzidas pelos povos indígenas?

– Escritores indígenas são divulgados devidamente nos eventos culturais?

Que, nesta data de 2026, possamos reconhecer a luta histórica dos povos indígenas!!! Estes que resistem ao apagamento, à violência e à invasão de seus territórios. Diariamente, enfrentam ameaça às suas terras, à sua existência e aos seus direitos.

O Brasil precisa reescrever sua história, sobretudo no que tange ao povo originário. Só a partir da constituição de 1988, teve seus direitos reconhecidos “no papel”, porque, na prática, ainda é latente e urgente a luta por seu protagonismo, seus direitos pela terra, seus direitos políticos… Infelizmente, vozes indígenas são silenciadas e há a constante  invisibilização. Levantar a bandeira pelas causas deles é não só defendê-los como também proteger o futuro da humanidade e a preservação do planeta.

Renata Barcellos

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Feiras literárias

Renata Barcellos: ‘Feiras literárias’

Renata Barcellos
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As feiras literárias surgiram na Europa do século XV. A primeira foi a de Frankfurt (Alemanha) criada há mais de 500 anos. Estão relacionadas à invenção da prensa por Gutenberg. O marco inicial deste modelo tem como foco o comércio de livros e os direitos autorais.

As Feiras literárias são eventos culturais literários que acontecem anualmente em diversas cidades e  estados. O foco principal é incentivar a formação de novos leitores. Assim, contribuindo para o fortalecimento da cultura. Deveriam ser eventos essenciais para a formação cultural de um povo. Geralmente, são organizadas pelos setores públicos e privados, de maneira que o evento também tem finalidade comercial e ajuda no aquecimento do mercado editorial

Escritores independentes são importantes figuras nestas atividades. Nelas, os autores reconhecidos ou não optam pela autopublicação e têm a oportunidade de fazerem contato direto com seus leitores, aumentarem o seu público e “turbinarem” as suas suas redes sociais e seus canais de vendas das suas obras. 

Séculos depois, já, no XX, houve a expansão de feiras pela Europa, como Madri (1933) e Bolonha (1964), aproximando o público dos escritores.

Os maiores destaques internacionais incluem a Frankfurter Buchmesse, na Alemanha,; a London Book Fair, na Inglaterra; a Feira do Livro de Bolonha, na Itália, a Feira de Guadalajara, no México.

Função inicial: troca comercial de publicações e negociação de mercado editorial. As

Evolução no Brasil

Anos 1950: surgiram as primeiras feiras populares de São Paulo (1951) e a Feira do Livro de Porto Alegre (1955), pioneira ao ar livre.

Anos 1970–1980: aparecem as grandes bienais comerciais, como a Bienal de São Paulo (1970) e a do Rio de Janeiro (1983).

Anos 2000: formato de feira literária cultural se multiplica pelo país (inspirado pelo sucesso da FLIP, em Paraty), focando em debates, praças públicas e formação de leitores.

Nos últimos anos, tem aumentado significativamente o número de feiras literárias no Brasil. Em todos os estados do país, elas têm ganhado visibilidade e conquistado outros espaços para além dos grandes centros urbanos, como as pequenas cidades. Primeiro, vale destacar que as feiras, bienais e festas se tornaram “fenômenos de marketing”. O objetivo de incentivo à leitura cede lugar à promoção pessoal (redes sociais, contatos) e à comercialização do escritor. Para participar destes eventos, o gasto é alto e o retorno… Do trasporte ao espaço para lançamento – à divulgação da obra. Se não for reconhecido, poucos prestigiarão.

Outro ponto relevante a ser mencionado é a referente ao homenageado. Muitas vezes, são a escritores já falecidos ou a um de outra região. O que deveria ser um momento para valorizar a “prata da casa”, reconhecer os do local, fazê-los serem conhecidos em sua região, convida-se um de outro lugar, além do investimento ser muito maior (hospedagem, alimentação…). E os indígenas? Quantos são escritores? Precisam ter seu espaço garantido! Devem ser lidos, ouvidos… assim como qualquer outro brasileiro.

Uma sugestão para a escolha  do  tema  e  do homenageado  para  as  próximas edições é   ser  feita  com  a  participação da sociedade por meio de votação virtual, já que somos seres  tecnológicos. E, com isso, poderia haver maior adesão e  interação do público até para se definir o local de cada edição. Deveria ser de fácil acesso para ter a participação do público em geral. Enquanto não houver a reformulação (de fato) destes eventos, não se atingirá os reais objetivos: promover a leitura, formar o leitor crítico, identificar e valorizar artistas locais.

Abaixo à comercialização das atividades culturais! Alguns exemplos por parte de diversas instituições são a cobrança de taxa para realização de inscrição de concursos literários ou pleitear vaga de uma cadeira, preços abusivos para participação em antologias, anuidades com valor de quase um salário mínimo…

Enfim, a presença de escritores contribui para o desenvolvimento de suas carreiras (contratos de tradução, direitos de publicação etc.) sobretudo para tirá-los do anonimato. A realização de feiras literárias proporciona um  debate  sobre as ações promovidas para a formação de leitores e a valorização  daqueles pertencentes ao local.  Além  do  incentivo ao universo literário,  propicia o turismo da região. Abaixo à comercialização da cultural!!! Diga sim à valorização do incentivo cultural!!!

Afinal, fica o questionamento para reflexão: na atualidade, existe alguma feira literária de fato? Se conhecer, escreve nos comentários!!! Devemos divulgar!!!!

Renata Barcellos

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Rampa, o Paraíso Escondido

Renata Barcellos

“Exposição e espetáculo: ‘Rampa, o Paraíso Escondido’”

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Card da exposição e espetáculo: ‘Rampa, o Paraíso Escondido
Card da exposição e espetáculo:Rampa, o Paraíso Escondido

Entre os dias 14 e 17 de junho de 2026, o público de São Luís teve a oportunidade de conhecer e se encantar com a exposição fotográfica ‘Rampa, o Paraíso Escondido’, realizada no Golden Shopping Calhau, com visitação aberta das 10:00 às 22:00. Esta apresentou um olhar sensível sobre o povoado de Rampa, localizado no município de Humberto de Campos (MA).

Foi revelado através das imagens, a beleza de suas paisagens, seus rios, sua cultura, sua religiosidade e os modos de vida de uma comunidade que mantém viva sua relação com a natureza e suas tradições. Quem foi apreciar, com certeza, ficou com vontade de conhecer a região. “Partiu, Rampa!?”

A abertura do evento foi marcada pelo espetáculo teatral ‘Rampa, o Paraíso Escondido’, pesquisa e criação de Josimael Caldas. O multiartista realizou três apresentações emocionantes, envolvendo o público em uma experiência poética de memória, identidade e pertencimento.

Em cena, Rampa ganhou voz e corpo através da personificação do território. Assim, conduziu os espectadores por uma viagem pelo rio Maparí, pelas manifestações culturais, pela fé em São Sebastião e pelas histórias de um povo que carrega no cotidiano a força de suas raízes.

Com música ao vivo, poesia, expressão corporal e projeções fotográficas, o espetáculo despertou a atenção de diferentes públicos e recebeu uma resposta extremamente positiva dos visitantes. Humbertuenses que estiveram presentes vivenciaram um momento de reconhecimento e emoção ao verem sua terra representada artisticamente, fortalecendo o sentimento de orgulho e pertencimento. Lindo espetáculo “pluriartes”!!!!

A exposição e o espetáculo transformaram o espaço em um encontro de memórias, afetos e celebração da identidade cultural de Rampa. Assim, mostrou como a beleza de um lugar também vive nas histórias das pessoas que o constroem. Mantenhamos viva a história de nossa região!!! Transmitamo-na aos nossas crianças e jovens!!!!

A mostra fotográfica é um produto do longa-metragem documentário “Josimael Caldas: a trajetória de um artista no teatro maranhense”. Aguardemos!!! Em breve, será apresentado ao público, ampliando o registro da trajetória artística e da relação deste multiartista com sua terra natal. Já curiosa para assistir ao próximo projeto!!!

Enfim, ‘Rampa, o Paraíso Escondido’ foi um show das diversas expressões artísticas!!!! Mais que uma exposição e um espetáculo, foi uma homenagem à memória, à cultura e à riqueza humana de um território. Esta região merece continuar revelando seus encantos.

Realização: Governo Federal através do Ministério da Cultura e lei Aldir Blanc

Apoio: Governo do Estado através da Secretaria de Estado da Cultura

Produção: Egger Consulting

Informações sobre o povoado de Rampa

Localização: município de Humberto de Campos, na região dos Lençóis Maranhenses, no norte do estado do Maranhão. O município integra a mesorregião Norte Maranhense e a microrregião dos Lençóis Maranhenses.

Área territorial do município: de aproximadamente 1.714,625 km², com população de cerca de 25 mil habitantes segundo o Censo 2022 do IBGE.

Geografia da região: apresenta relevo predominantemente plano e baixo, típico das áreas costeiras maranhenses, favorecendo a existência de campos inundáveis, igarapés, manguezais e lagoas sazonais. O clima é tropical quente, com períodos chuvosos e secos bem definidos, característica comum do litoral norte maranhense.

Vegetação do município: composta por formações de Cerrado, vegetação costeira, áreas de manguezal e ecossistemas de transição entre o litoral e o interior do Maranhão. As paisagens locais apresentam campos abertos, vegetação rasteira, áreas alagáveis e forte influência dos ventos litorâneos.

Economia: pesca artesanal, agricultura familiar e extrativismo, atividades tradicionais presentes em grande parte das comunidades rurais do litoral maranhense.

Minicurrículo: JOSIMAEL CALDAS: pedagogo, graduado pela universidade estadual do maranhão. capacitação em projetos culturais pela fundação Getúlio Vargas. Professor de artes cênicas, ator e diretor teatral. É membro da Academia Atheniense de Letras e Artes – ATHEART, cadeira nº 10, tendo como patrono o conterrâneo Humberto de Campos, e membro da Sociedade de Cultura Latina do estado do Maranhão.

ENTREVISTA

1 – O QUE TE MOTIVOU A ORGANIZAR A EXPOSIÇÃO E ESPETÁCULO “RAMPA, O PARAÍSO ESCONDIDO”?

Josimael Caldas: A motivação para organizar a exposição e o espetáculo “Rampa, o Paraíso Escondido” nasceu a partir da realização do longa-metragem documentário Josimael Caldas: A Jornada de Um Artista no Teatro Maranhense”.
Durante o processo de gravação do documentário em Rampa, minha terra natal, o encontro com as paisagens, as belezas naturais e os modos de vida da comunidade, despertou um novo olhar sobre esse território tão rico em memória, cultura e afetos. As imagens registradas durante as filmagens revelaram um lugar de grande beleza: o rio Maparí, os caminhos, a vegetação, os espaços de convivência e a relação harmoniosa entre o povo e a natureza.

Essas fotografias ultrapassaram o registro documental e passaram a contar uma história própria, inspirando a criação de uma exposição que pudesse apresentar ao público a essência e os encantos de Rampa.
A partir dessa inspiração visual, surgiu também o espetáculo teatral, como uma forma de transformar essas memórias em poesia, movimento e emoção. Em cena, Rampa ganha voz e se apresenta como território vivo, revelando suas tradições, sua fé, sua ancestralidade e a força de um povo que mantém suas raízes.

Assim, a exposição e o espetáculo “Rampa, o Paraíso Escondido” tornam-se desdobramentos do documentário, ampliando sua narrativa e compartilhando com o público a beleza de um lugar que muitas vezes permanece desconhecido, mas que guarda histórias, paisagens e sentimentos que merecem ser revelados e preservados.
É uma homenagem à minha terra natal, uma celebração da memória e uma forma de mostrar que Rampa não é apenas um lugar no mapa: é um território de identidade, pertencimento e encantamento.

2 – QUAL FOI A RECEPTIVIDADE PELOS MORADORES DO POVOADO DE RAMPA?

Josimael Caldas: A receptividade dos moradores de Rampa e dos humbertuenses foi extremamente positiva e marcada por muita emoção e sentimento de pertencimento. O público recebeu a exposição e o espetáculo “Rampa, o Paraíso Escondido” com encantamento, reconhecendo nas imagens, na narrativa teatral e nas memórias apresentadas a riqueza de sua própria história.

Muitos espectadores se emocionaram ao ver a beleza das paisagens, dos rios, da natureza e dos elementos culturais que fazem parte do cotidiano da comunidade. Para os rampenses presentes, a experiência representou um momento de valorização da sua identidade, de reconhecimento das suas raízes e de orgulho por ver sua terra natal apresentada artisticamente.
Percebeu-se no olhar do público a conexão afetiva com o território: as lembranças da infância, os costumes, a fé em São Sebastião, os encontros comunitários e a relação com a natureza despertaram memórias coletivas. A exposição e o espetáculo não foram vistos apenas como uma apresentação artística, mas como uma homenagem à história e à vida de um povo.

A resposta dos moradores de Rampa e dos humbertuenses reforçou a importância de iniciativas que valorizam a cultura local, fortalecem o sentimento de pertencimento e revelam ao público a beleza de um lugar que carrega uma grande riqueza humana e cultural.

Viva Josimael Caldas!!!

Renata Barcellos

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Você conhece o Cacuriá?

Renata Barcellos: ‘Você conhece o Cacuriá?
Vamos cacuriar?

Renata Barcellos
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Sandra Barcellos e Uilmar Junior
Sandra Barcellos e Uilmar Junior

Você conhece o Cacuriá? Eu só conhecI há quinze dias em uma festa junina organizada pelo amigo Uilmar Junior, no condomínio onde mora, em São Luís. Lá, após apresentação musical e de degustar deliciosas guloseimas (arroz de cuxá, torta de camarão…), assistmos (eu e Campos) à apresentação do Cacuriá de Dona Cecília, do bairro da Vila Palmeira (@cacuria_de_cecilia). Este foi fundado em 1991 por Dona Cecília, ex-caixeira de Seu Lauro, em Vila Palmeira, São Luís (MA).

Surgimento:  Cacuriá surgiu a partir do Carimbó das caixeiras, relacionado às festas do Divino Espírito Santo. Traz memória, ancestralidade, música, corpo e comunidade. É uma dança folclórica maranhense criada na década de 1970 como a parte festiva após as celebrações da Festa do Divino Espírito Santo. Popularizada por figuras como Dona Tetê, a dança se tornou atração principal das Festas Juninas do estado.

Criador: De acordo com a jornalista maranhense Inara Rodrigues, escritora do livro “Vem cá curiar o cacuriá!”, a dança foi criada em 1973, na capital, por Alauriano Campos de Almeida, folclorista conhecido como “Seu Lauro”. Outros já dizem que foi por Dona Filoca e Seu Lauro, em 1975, na cidade de Guimarães, e, posteriormente, levado para a capital, São Luís.

Coreografia: Os pares brincantes dançam em roda (chamada de cordão). . Caracteriza-se pelo ritmo contagiante, passos marcados em pares (conhecidos como “umbigadas”)., coreografias sensuais, rebolados e com movimentos sensuais, A dança é marcada pelo som das caixas do Divino (pequenos tambores)., banjo, violão e flauta, com letras conhecidas (disponíveis em https://www.letras.mus.br/cacuria-de-dona-tete/).

Dona Teté do Cacuriá: nascida Almerice da Silva Santos em São Luís (MA), em 1924, foi cantora, compositora e percussionista essencial para a cultura popular maranhense. Iniciou sua carreira artística aos 50 anos, destacando-se nas festas dedicadas ao Divino Espírito Santo.

No site da Fundação Cultural Palmares, consta o Cacuriá de Dona Teté.

“nascida Almerice da Silva Santos em São Luís (MA), em 1924, foi cantora, compositora e percussionista essencial para a cultura popular maranhense. Iniciou sua carreira artística aos 50 anos, destacando-se nas festas dedicadas ao Divino Espírito Santo. Em 1986, fundou o grupo Cacuriá de Dona Teté, reinventando o ritmo tradicional com percussões vibrantes e coreografias inovadoras, levando-o do Maranhão a outros estados. Reverenciada como dama da cultura popular, inspirou gerações e garantiu a preservação e renovação da tradição afro-cabocla até seu falecimento, em 2011”.

Período: geralmente, é praticada durante as festas juninas e o encerramento das festividades do Divino Espírito Santo. 

Reconhecimento: considerada Patrimônio Cultural Imaterial do estado do Maranhão.

Curiosidade: o termo também pode ser usado popularmente por algumas pessoas no Norte e Nordeste com o sentido de “curiar” ou “espiar” — ou seja, olhar algo de longe ou bisbilhotar.

Música: As letras costumam ter duplo sentido e são acompanhadas por um refrão animado. Este são são curtos, repetições e muito ritmo. As músicas tradicionais, imortalizadas por grupos como o Cacuriá de Dona Teté, celebram a cultura, a natureza e os costumes locais como este a seguir:

                Festa do Divino

Fui na festa do Divino
Me convidaram pra entrar
E veio dançando o carimbó
E cantando o cacuriá(2x)”

Grupos: Os principais grupos existentes em São Luís e na Região Metropolitana são:

Cacuriá de Dona Teté: o mais tradicional e famoso do estado. Criado a partir do legado de Almerice da Silva Santos (Dona Teté), é a maior referência da cultura popular e arrasta multidões nos arraiais.

Cacuriá do Candinho: um dos maiores grupos da região, com sede na Região Metropolitana (em Paço do Lumiar), conhecido por apresentações enérgicas e grande sucesso nas redes sociais.

Cacuriá Assa Cana: sediado no tradicional Quilombo da Liberdade, em São Luís, este grupo é um importante Ponto de Cultura e difusor das toadas e tradições maranhenses. Instagram: @cacuria.assacana

Nas Literaturas: as literaturas literárias ou não sobre o Cacuriá focam no resgate histórico, na antropologia da performance e na preservação desta manifestação cultural através de livros e artigos acadêmicos:

“Vem cá curiar o cacuriá!” (2015): escrito pela jornalista maranhense Inara Rodrigues, este livro-reportagem detalha a origem da dança e foi vencedor do Prêmio João Lisboa de Jornalismo Literário. A obra desmistifica algumas narrativas, registrando que a dança foi criada em 1973 na capital por Alauriano Campos de Almeida, conhecido como “Seu Lauro”.

Registros Antropológicos: autores e pesquisadores como Luciana Hartmann (autora da obra “Cacuriá – dinâmicas de uma tradição dançada”- fruto de estudo sobre o grupo “Cacuriá Filha Herdeira”) e Inara Rodrigues (autora do livro “Vem cá curiar o cacuriá!”) documentam a tradição, sua origem com o “Seu Lauro” em 1973 e sua popularização por Almerice da Silva, a Dona Teté.

Academias e Ensino (Anais da Anpuh e Monografias UFMA): trabalhos acadêmicos, como os “Anais do Simpósio Nacional de História” da Anpuh, exploram o uso de “cantigas de caixeiras” em sala de aula, demonstrando o valor pedagógico do Cacuriá na educação infantil e o seu papel como patrimônio cultural imaterial.

Assim, a dança costuma ser abordada não só em pesquisas literárias e acadêmicas como também em obras de ficção voltadas para as literaturas infanto-juvenil. Alguns exemplos:

Fábio Sombra: reconhecido escritor e membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, ele aborda a dança e o contexto das festas juninas na obra “Cacuriá – A Música e a Criança”.

Gabriel Ben: na obra infanto-juvenil “Dora, uma menina nordestina”, o autor utiliza o sonho da protagonista para resgatar memórias regionais, incluindo menções explícitas ao ritmo e à dança criada por Dona Teté.

Renata Barcellos

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Convergências e Divergências

EXPOSIÇÕES

Convergências – A Poesia Virtual de Tchello D’Barros
Mostra individual e itinerante de poemas visuais

Poemas sem Palavras, de Juliano Lobato
Mostra Itinerante de Poemas Virtuais

Card da exposição Convergências e Divergências - A Poesia Virtual de Tchello D'Barros
Card da exposição Convergências – A Poesia Virtual de Tchello D’Barros

Card da exposição Poemas sem Palavras, de Juliano Lobato
Card da exposição Poemas sem Palavras, de Juliano Lobato

Caro leitor, nesta exposição, podemos constatar que cada obra apresentada funciona como um experimento único sobre a capacidade dos signos de gerar novos signos. Isso por se tratar de um processo contínuo de associações, deslocamentos e ressignificações.

A produção de Lobato aproxima-se de um aspecto da semiótica contemporânea: o de compreendê-la como semiose ilimitada. Isso pelo fato de se compreender que nenhum signo possui significado definitivo, pois todo significado gera novas interpretações.

Cabe dizer também que na produção de Lobato apresenta uma correlação entre Intensivismo e Poema-Processo. Talvez seja esta contribuição o que há de mais singular na sua exposição. O Intensivismo, formulado por Wlademir Dias-Pino, já apontava para uma poesia baseada na intensidade da informação visual e não na linearidade da leitura verbal.

Já o Poema-Processo radicalizou essa perspectiva ao libertar definitivamente o poema da palavra. E, a partir desses dois movimentos, Lobato vai além mar ao mergulhar profundamente nesses novos horizontes. Enquanto pesquisadora desta vertente literária, ouso dizer que Wlademir Dias-Pino deve estar muito satisfeito com a produção de Lobato.

Para Juliano Lobato, apresentar a exposição em Cuiabá tem significado especial. “Cuiabá ocupa um lugar importante na história da poesia visual brasileira, sendo berço de artistas e movimentos que influenciaram gerações. Expor essas obras ao público é uma forma de reconhecer essa herança cultural e fortalecer o diálogo entre a produção contemporânea e a comunidade.

Além de apresentar ao público a produção contemporânea de dois importantes nomes da poesia visual brasileira, as exposições também buscam aproximar os mato-grossenses do legado de Wlademir Dias-Pino, referência internacional da arte e da literatura experimental e um dos principais expoentes das vanguardas poéticas surgidas em Mato Grosso”. Vale a pena conferir!!!

Serviço

Exposição: Convergências

Artista: Tchello D’Barros

Exposição: Divergências – Cada leitor é o verdadeiro autor da poesia de cada poema

Artista:
Juliano Lobato

Período: 7 a 21 de junho de 2026

Local: Museu do Morro da Caixa D’Água Velha, Cuiabá/MT

Entrada: Gratuita

Classificação:
Livre

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São Luís: celeiro cultural

Renata Barcellos: ‘São Luiz: celeiro cultural’

Renata Barcellos
Renata Barcellos

A cidade de São Luís – mais conhecida como ILHA DO AMOR – é fascinante nos seus diversos aspectos: culinária (ah, a caldeirada, o arroz de cuxá; geografia (os lindos casarões na velha São Luís, com seus belos azulejos; literatura (grandes escritores e pesquisadores)…  Neste início de mês junino, tive o privilégio de participar de alguns eventos culturais de excelência.

– Café Literário: a Academia Olindense de Letras (AOL), em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Olinda Nova do Maranhão, realizou o Café Literário, um momento especial de incentivo à leitura, à escrita e à valorização dos talentos estudantis do município. O evento contou com a presença do prefeito Valdenir Penha Diniz, da secretária municipal de Educação: Maria de Lourdes Abrantes Batista, membros da Academia Olindense de Letras, educadores, estudantes e convidados.

Um dos destaques da programação foi a participação da aluna Laynara Raquel Pinheiro Ferreira, da U.E. Capitão Antônio Serra Freire, cujo texto apresentado foi o poema “Além da Profundidade do Mar”. Vale destacar que a jovem poetisa foi reconhecida pela Comissão Julgadora como vencedora por aclamação. Também houve o depoimento inspirador da estudante Maria Clara da Silva Soares, participante do Congresso Internacional de Robótica, realizado na Coreia do Sul (mais conhecida como FIRA roboworld Cup, em 2025), compartilhando sua experiência e conquista internacional.

– Academia Maranhense de Letras (da qual sou membro correspondente): gostaria de agradecer ao espaço concedido para apresentar o Projeto Com a Palavra o Autor com a participação de escritores afro-brasileiros e indígenas. Aqui, reunimos os maranhenses: Consuelo Travassos, Iramir Alves Araujo, RAIMUNDA Frazão, Ray Brandão, Rita De Cássia Oliveira e Wanda Cristina Cunha.

Este foi resultado de uma prática pedagógica proposta a alunos do terceiro ano do Ensino Médio. Uma parte da apresentação está disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=V7MfFm3tv9k&t=10s

O EBOOK DISPONÍVEL GRATUITO: https://drive.google.com/file/d/132aElYGsRfyhazWQI2E7qpIihaoxUNbX/view?usp=sharing

A mesa-redonda contou com a participação de dois acadêmicos Hemily Caroliny Nunes e Ramiro José Castro, da Academia Maranhense de Letras Infantojuvenil (AMLIJ). De acordo com a presidente desta instituição Sharlene Serra, a contribuição deles foi “um importante momento de valorização da juventude nos espaços de produção cultural e literária do Maranhão.

Durante o encontro, os jovens acadêmicos compartilharam suas vivências dentro da AMLIJ e destacaram como a Academia tem contribuído para a propagação de crianças e adolescentes escritores, leitores e agentes de transformação social. Em suas falas, ambos ressaltaram que a existência da AMLIJ ampliou as possibilidades de participação da juventude nos ambientes literários.

Mais do que incentivar a escrita, a Academia abriu portas para que seus acadêmicos fossem reconhecidos como produtores de cultura, ocupando espaços historicamente reservados aos adultos”.

– CAAHS (Centro de Atendimento Educacional Especializado para Altas Habilidades ou Superdotação SEMED/ São Luis-MA): eu e Campos fomos conhecer esta instituição. Lá, uma grata surpresa: encontramos a confreira Luzinete Silva (Mestre em Educação, escritora, mediadora no Centro de Atendimento a estudantes com Altas Habilidades/Superdotação…) e a gestora Fernanda Serra. De acordo com a mediadora, o CAAHS “atende alunos com esse perfil identificados nas escolas municipais. A equipe realiza oficinas nas escolas e encaminha os estudantes de destaque para a gestão e especialista do CAAHS que avalia e posteriormente o aluno passa a ser atendido  no contraturno.

Sob a orientação de mediadores, são oferecidas oficinas de Tecnologia Criativa, Robótica, Artes, Xadrez, Lógica-Matemática , Educomunicação e Escrita Criativa e — esta última mediada por Luzinete Silva e Mikaele Dutra, com orgulho de ter duas de suas estudantes na Academia Maranhense de Letras Infanto-juvenil, e outros talentos.

Conforme Sharlene Serra (escritora,  educadora e presidente da AMLIJ), já desempenhou a função de facilitadora da área Verbal-Linguística, esta instituição tem “como missão identificar, estimular e potencializar talentos em diferentes áreas do conhecimento. Também destaca que o incentivo às potencialidades dos estudantes é fundamental para que talentos sejam reconhecidos, desenvolvidos  e estimulados desde cedo.

Instagram: @caahssemedma

– Cerimônia de Certificação e Premiação: Programa Escola Sustentável 2026: eu e Campos fomos prestigiar a bela iniciativa da prefeitura com este evento. Urge mais iniciativas como esta, a fim de conscientizar nossos jovens para serem cidadãos conscientes quanto ao meio ambiente. Os cerimonialistas foram os estudantes: Celk Ryan Licar da Silva e a de Escrita Criativa e Educomunicação, Lívia Cantanhede Brasil.

– Cia. de Artes Beto Bittencourt: eu e Campos fomos conhecer o espaço cultural (uma prévia da inauguração, com abertura do espaço para 20 alunos e professores) idealizado pela confreira Joana Bittencourt. Neste dia, foram recebidos alunos do Centro de Atendimento de Altas Habilidades e Superdotação (CAAHS).

Lá, eles e nós fomos recepcionados com uma bela programação: desde a apresentação do projeto “Viva! Teatro de Bonecos e Biblioteca Mário Meirelles”, Visita guiada à Biblioteca Mário Meirelles e ao acervo de bonecos teatrais a um momento interativo com os alunos com a apresentação da peça teatral com bonecos: DONA BARATINHA E OUTROS BICHOS DO LIXO – com os atores Nila Bittencourt e Leonel Alves.

E com a presença dos artistas restauradores: Leonel Alves, Nila Bittencourt e Andrews Barros. Segundo Joana Bittencourt (escritora, teatróloga, compositora, Gestora Ambiental e educadora ambiental. Pós-graduação em Arte mídia e educação e em Arte mídia e Educação), a Sociedade Artística e Cultural Beto Bittencourt foi fundada “em 5 de setembro de 1999.

Criada, inicialmente,  para dar continuidade ao trabalho com bonecos, do saudoso artista bonequeiro Beto Bittencourt, falecido em 15 de agosto daquele ano. Dentro da Sociedade, funcionam o Teatro de Bonecos, Artes cênicas, Artes plásticas, Produções Literárias, Oficinas de bonecos, Ponto de Cultura e Ponto de Leitura. A maioria dos bonecos de Beto Bittencourt, em torno de 120 peças, havia sido doada ao Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho, hoje estão no museu Casa de Nhozinho.

As demais peças ficaram com a família, e são estas obras que foram restauradas e se encontram expostas na sede da Companhia, 32 bonecos, sendo: 8 pássaros, 8 marionetes, 3 mamulengos, 2 bonecos de pé, 1 gigante, 10 bonecos fantoches pequenos. Além destes, estão expostos vários núcleos de bonecos produzidos pela Companhia Beto Bittencourt, sendo a maioria fantoches na técnica papel machê e outros de espuma. São em torno de 250 bonecos. Todo a obra exposta faz parte do projeto VIVA TEATRO DE BONECOS E BIBLIOTECA MATIP MEIRELLES: CULTURA  E IDENTIDADE PARA TRANSFORMAR. Patrocinado pela FAPEMA. O projeto contempla também a Biblioteca Dinâmica Mário Meirelles, com aproximadamente três mil livros”.

Como professora de Literaturas, me deleitei com o acervo de 3.000 exemplares organizado por temáticas: literaturas brasileiras, estrangeiras (logo que entrei, me deparei com Les Fleurs de Mal de Baudelaire), literatura maranhense…

– Coletivo de Escritores Maranhenses (CEM): foi com imensa satisfação ser convidada pela presidente do CEM (Ray Brandão) para ser a escritora entrevista do mês. Ainda mais por ter sido realizado na Galeria Trapiche (Casa de Graça Aranha) cuja gestão é do grande amigo e artista Uilmar Junior. Lá, vivenciamos um fim de tarde agradabilíssimo de troca de experiências.

De acordo com Ray Brandão (escritora, poeta, trovadora, prefaciadora e professora de Língua Portuguesa, atualmente, ocupa a função de presidente do Coletivo de Escritores Maranhenses…), o Coletivo de Escritores Maranhenses – CEM – “nasceu em 2022, da união de escritores independentes que começaram com saraus intimistas e hoje realizam eventos de maior porte, ocupando importantes espaços literários do estado através de parcerias com a Biblioteca Pública Benedito Leite, Biblioteca Municipal José Sarney, SESC, Galeria Trapiche, entre outros.

Movido por vontade e garra, desenvolve trabalho contínuo por visibilidade e reconhecimento dos seus escritores no cenário da literatura maranhense. Entre seus projetos estão o Brincareler, núcleo de Literatura Infantil que une o brincar ao ler com mediação e contação de histórias; o Poetizando nas Escolas, que leva poesia e formação literária para adolescentes do Ensino Médio e EJA; e o Negritude Maranhense, dedicado à valorização da produção literária negra do estado.

O coletivo também realiza os saraus Poetizando a Ilha do Amor, com homenagens à São Luís, e Voando em Bando, sarau dedicado aos escritores cordelistas do CEM para leituras coletivas e trocas literárias. Sediado na capital, mas com escritores correspondentes de várias cidades, o CEM é plural e tem como missão levar a literatura adiante, criar pontes entre escritores e leitores, ocupar espaços e formar novos públicos”.

– Casa Josué Montello: Em seguida, eu e Campos fomos à Casa Josué Montello. Não poderíamos deixar de visitar o espaço e dar um abraço na gestora Joseane.

– Mesa-redonda EGO E VAIDADE: no canal BarcellArtes

Com a participação de psicólogos, escritores, atriz, ativista cultural Jammy Said e com a fundadora da AIAP: Tatiana Azevedo

Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=b-X4FTPfhn8&t=2s

– Café da manhã no Asilo de Mendicidade: Por fim, eu e Campos fomos ao evento para prestigiar. Este teve por objetivo angariar recursos para a instituição. Foi idealizado pelo presidente Paulo Fialho e sua esposa, a fraterna Isabel Fialho. Tive a oportunidade de não só de conhecer todo o espaço como também de conversar com o casal.

O Asilo de Mendicidade de São Luís foi fundado em 21 de abril de 1919 (situado na Rua das Paparaubas, nº 16, no bairro Jardim São Francisco) por maçons da Loja Maçônica Renascença Maranhense. 

Objetivos: proporcionar qualidade nos serviços assistenciais aos idosos, incluindo higienização, atividades físicas e cognitivas, assistência médica abrangente, organização de eventos comemorativos para integração e respeito às crenças religiosas individuais.   

Público Alvo: acima de 66 anos. Hoje, 21 residentes (11 homens e 10 mulheres) recebem cuidados para preservação da saúde física, mental e desenvolvimento social, moral e espiritual, sempre em um ambiente de liberdade e dignidade.                                             

Contatos para doação: 9832271214 / 98 988641119

Email: lardoidoso@outlook.com

Site: https://asilodemendicidade.com.br

Instagram: @asilodemendicidade

Convite Arraial: 04 de julho de 2026, a partir das 16h00

Renata Barcellos

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