Ranielton Dario Colle: 'Epílogos'

Ranielton Dario Colle: ‘Epílogos’

Foi na manhã de um verão quente que ela se apresentou para mim pela primeira vez. Não que não a houvesse visto antes entre meus parentes, amigos e conhecidos, porém nunca antes ela se apresentara de forma tão dura. E na verdade nem fora mesmo naquela manhã que ela chegara, levaria ainda uma semana para que se fizesse presente; todavia ela escolheu aquele momento de um dia ensolarado e belo, para anunciar que estava chegando. Eu tinha então quinze anos de idade…

Minha vida não tinha sido particularmente fácil até então, não por conta de questões financeiras, pois meus pais sempre tiveram o suficiente e nunca nos faltou nada à mesa; mais que isso, quase sempre estudáramos em escolas particulares; tampouco o era por falta de afeto que, apesar de meus frequentes desentendimentos com meus pais e meus irmãos, era algo abundante em meu lar. E depois, tinha alguém a quem eu amava profundamente, muito mais que a todos de minha casa e que eu sei que me amava também, e que morava na casa ao lado. Era minha avó.

Então, não, minha vida não tinha sido particularmente fácil devido a um acidente que regredira minha coordenação motora fina ao estado de um recém-nascido, e isso me condenara a sessões de fisioterapia por tempo indeterminado e a um bullying interminável por parte de outros garotos do colégio, o que teve como resultado um certo complexo de inferioridade e baixa autoestima. Coisa que deve, sem dúvida, ter retardado o meu amadurecimento emocional.

Só que isso não era nada perto dela, do que ela era e viria a representar. E a partir daquele dia lindo de verão, quando ela anunciou sua presença, uma nuvem negra se instalou sobre mim e ofuscou para todo o sempre a clareza da vida; a partir daquele dia toda a simplicidade das coisas foi coberta por uma nuvem cinza e opaca e mesmo os objetivos mais simples pareciam carecer de um significado.

Aquele dia começara de forma normal, era um sábado ou outro feriado, não lembro agora uma vez que o tempo levou para longe a precisão das coisas e a memória custa a guardar determinados detalhes como os números das páginas, todavia o fato é que meus pais e meus irmãos estavam em nossa casa de praia, no Rincão, e eu havia ficado em nossa casa, em Criciúma, para fazer companhia à minha vó.

Eu não dormira em sua casa, não obstante, quando acordei cedo, a primeira coisa que fiz foi abrir a janela para depois ir até lá de modo a tomar seu café, o delicioso café da manhã com bolo que minha amada avó me servia toda manhã: era um ritual único de tempos imemoriáveis que eu não saberia dizer quando começou; o certo, no entanto, é que desde a mais tenra infância eu não tomava café em casa. Eu não gostava do café de minha mãe. E se não houvesse o café da vó eu preferia ir ao colégio em jejum ou beliscar qualquer coisa, mas não tomar café.

Aquele dia, porém, depois de abrir a janela, a ouvi e a meu tio, o irmão de meu pai, conversando e decidi esperar até que ele fosse embora para ir até a sua casa. E assim que ele saiu eu fui até lá. Eu tomei o café e fiz as perguntas habituais… e lembro dolorosamente que ela estava sentindo formigar o seu dedo polegar e até perguntou para mim se eu sabia se era alguma coisa, mas na minha ingenuidade eu disse que não devia ser nada… lembro-me de ela pedir para que eu fosse até o armazém da esquina comprar farinha de milho, da marca que tem uma foto de papagaio na embalagem, porque a outra marca não era boa, fazer seu costumeiro jogo de bicho no barzinho da esquina, na borboleta 371 e no leão 561, e comprar uma carteira de seu cigarro, Continental… e me recordo tão claramente de suas palavras para que, se eu visse o carro de meu tio, para que eu não entrasse, esperasse ele ir embora, porque ele brigava com ela por causa do jogo do bicho e do cigarro. Lembro… e essa foi a última vez que ouvi sua voz.

Quando eu cheguei das compras vi o carro de meu tio estacionado em frente a sua casa, e seguindo sua orientação não fui até lá, mas me dirigi a minha casa e esperei, esperei, esperei exaustivamente, até que o seu carro não estivesse mais lá.

Existe algum propósito em tudo? Alguma mágica, alguma sincronicidade na vida e no tempo para que sejamos poupados de cenas fortes para as quais não estaríamos preparados? Eu fui até sua casa, a porta estava aberta, eu chamei e nada…chamei de novo, e de novo cada vez mais alto, e nada. Entrei em sua casa, vasculhei os cômodos… entrei em desespero, nada… tentei me acalmar, o meu tio havia estado ali, talvez ela tivesse saído com ele, mas por que eles deixariam a porta aberta?

Naquele tempo não existia telefone celular e eu não tinha para quem ligar, então sentei na varanda e comecei a chorar em desespero, e alguns minutos depois, que poderiam ser horas ou segundos que não fariam diferença, o meu pai chegou… eu disse para ele que a vó tinha sumido e ele me disse que já sabia, que o meu tio tinha o avisado que ela tivera um infarto com princípio de derrame e fora levada para o hospital.

Dor? Acho que essa palavra multifacetada não descreveria o que eu estava sentindo. Talvez um vazio, um espaço aberto, um oco enorme em meu peito. Ela se anunciara e levara todo o propósito de minha vida até então; entretanto, ela não havia chegado ainda, levaria uma semana para que ela chegasse; uma semana na qual seriam nutridas esperanças, tecidos planos uma vez que minha avó precisaria de cuidados doravante… uma semana interminável de vigília no hospital, nos revezando, mas eu querendo ficar mais, vendo seu pobre corpo debilitado liberar fluidos pelas fossas nasais em uma sonda e me sobressaltando com sua tosse… foram oito sofridos dias de coma.

Na penúltima noite de minha avó em nosso plano, eu havia passado ao lado dela no hospital e procurava narrar-lhe o que havia acontecido na novela que ela acompanhava, na esperança de que ela me ouvisse; eu implorava por sua recuperação… em outros momentos pegava um livro que havia encontrado em casa e lia sem, no entanto, conseguir prestar muita atenção nele e ficava recordando das histórias que eu pedia para que ela me contasse sobre a infância de meu pai, em especial a do filhotinho de cachorro que ele encontrara em uma caixa de sapatos boiando num rio e que ela alimentara na mamadeira. Recordações. Naquele dia à tarde, meus pais me convenceram a ir para nossa casa, na praia, descansar um pouco e deixar que minha irmã ficasse com minha avó, embora eu quisesse ficar em Criciúma…

Na tarde do dia seguinte, outro tio meu, irmão de minha mãe, e que portanto não era parente de minha avó, me convidou para dar uma volta na praia… e lá, andando na beira-mar com as ondas batendo em meus pés, eu a conheci.

Lá, na praia, em outro dia ensolarado, meu tio anunciou que ela chegara para a minha avó. Ele me informou, da forma mais delicada possível, que ela havia partido. E eu não chorei. Eu queria, eu juro que eu queria me desmanchar em lágrimas, mas eu não consegui, eu não consegui sentir nada naquele momento: tudo que rondava minha alma era um frio vazio, escuro e racional. Minha avó havia ido, havia sido melhor para ela assim, do contrário ela ficaria sofrendo inválida numa cama. Era melhor não chorar e deixá-la partir. Um ano depois ao visitar seu túmulo no cemitério, me derreti em lágrimas puras, sinceras, e atrasadas…

Desde aquele dia então, daquela tarde ensolarada de verão, Tanatos se afigura em minha vida como a presença constante, ainda que invisível, do absurdo da existência. A certeza da futilidade de toda a vaidade e egoísmo, e da importância de se viver bem…

Desde aquele dia, os dilemas existenciais do “Mito de Sísifo” têm atormentado minha existência na incerteza de um amanhã e na ânsia jamais satisfeita de intensidade, e de vida…

Vinte anos depois foi a vez de meu pai partir após quatro dias em coma, e dessa vez eu chorei; chorei por uma vida, por um sonho, e por uma esperança em um mundo onde talvez somente o nosso engajamento em algo que acreditamos, como defendia Sartre, e a arte, como defendia Camus, é que podem dar um sentido a tudo; chorei, porque num mundo cada vez mais esquecido disso e mergulhado em um consumismo obtuso e uma superficialidade visceral o meu amor pelo meu pai era sincero, apesar de todo o desentendimento que tivemos ao longo de nossos dias.

 

Rannie, 12/04/2017.

Uma homenagem à minha avó, Tereza Cechinel Colle…




EMEF. Coronel Esmédio, de Porto Feliz, realiza Páscoa Solidária

A Escola Coronel Esmédio, de Porto Feliz, realizou na última quarta-feira, dia 12, a “Páscoa Solidária”, um evento que mesclou gincana de atividades físicas e intelectuais com a reflexão do verdadeiro sentido da Páscoa cristã: o sentimento de solidariedade.

 A Escola Coronel Esmédio realizou na última quarta-feira, dia 12, a “Páscoa Solidária”, um evento que mesclou gincana de atividades físicas e intelectuais com a reflexão do verdadeiro sentido da Páscoa cristã: o sentimento de solidariedade.

Para tanto, a escola contou com o envolvimento de seus profissionais, bem como da participação da comunidade que, sensibilizada com o projeto, ofertou a sua ajuda para o sucesso do evento.

Alunos de todos os anos escolares daquela unidade participaram de desafios criados pelos professores e coordenadores pedagógicos, competindo em exercícios de habilidade física – como cabos de guerra e arremesso de bola ao cesto – bem como em desafio de perguntas e respostas de conhecimentos gerais.

Ao final das competições, os alunos puderam apreciar sorvete de massa e pirulito de chocolate. Depois, cada equipe, formada por cerca de cinco alunos, praticaram o exercício da solidariedade, dividindo um ovo de páscoa entre eles. “Não tínhamos condições financeiras de ofertar um ovo para cada aluno. Mas, a solução encontrada reforçou o espírito de páscoa e da solidariedade, o que, para nós, enquanto instituição voltada para a educação foi um sucesso”, comentou a diretora da escola, Michelle Alexandra Alves Pinho.

A comunidade participou efetivamente para a concretização do evento. A empresa de ônibus Polaz doou verba utilizada na compra de barras de chocolate para a manufatura de pirulitos, que foram distribuídos a todos os estudantes da escola. O restante do material para a confecção dos pirulitos e embalagens foi doado pela diretora e vice-diretora da instituição. O Desportivo Brasil fez a doação de 150 ovos de páscoa, enquanto a Fábrica de Vassouras Bandeirantes, de Regina Célia Vitro Toledo, doou copos e colheres para o sorvete de massa. A inspetora de alunos Ellen Cristina Ribeiro foi a responsável pela doação de uma porção de sorvete para cada um dos participantes.

A Gincana teve ainda a participação dos professores da Escola “Coronel”. A equipe gestora da escola é formada pela diretora Michelle Alexandra Alves Pinho, pela vice-diretora Mariana Gomes Genestra Romano e pelas coordenadoras pedagógicas Selma Morro Correa e Andréia Dagmar.

  

 




Curso de Educação Patrimonial está aberto para inscrições em Itapetininga

CURSO DE EDUCAÇÃO PATRIMONIAL COMEÇA EM MAIO

O curso é uma iniciativa do IHGGI – Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Itapetininga, e será coordenado pelo professor Pedro Torres.

As inscrições já estão abertas e poderão ser feitas pessoalmente, no Centro Cultural Brasil-Estados Unidos (Casa Kennedy) ou pelo endereço eletrônico  consultoriasrodrigues@gmail.com, com pagamento previsto na primeira aula.

A curso conta com o apoio da Secretaria Municipal da Cultura, do INICS, da AIL – Academia Itapetiningana de letras e do ITP – Instituto Tigre Paulista e o CCBU-Casa Kennedy.

Com ‘1º CURSO DE AGENTE DIFUSOR DE EDUCAÇÁO PATRIMONIAL’, a Casa Kennedy pretende formar alunos especializados em conceitos inerentes á Educação Patrimonial, tema de especial relevância para a compreensão do meio ambiente cultural e será ministrado pelo professor Julio Barros (foto), técnico em Preservação Arquitetônica, Graduado em Restauração e Conservação de Bens Móveis e Imóveis, com especialização no Exterior em Identificação e Tratamento de Madeira, em Pedagogia, em Pós em Psicopedagogia Institucional, em Direito Ambiental e em Gestão de Projetos.

A duração total do curso é de 12 horas e as aulas serão dadas sempre às quintas feiras às 19 horas, uma por semana, dias 4, 11, 18 e 25 de maio na Casa Kennedy (Centro Cultural Brasil-Estados Unidos), à Rua Prudente de Moraes, 716 – Fone 15/3271-0955, onde devem ser feitas as inscrições.

O valor cobrado é quase simbólico: apenas R$ 80,00 (oitenta reais) pelo curso inteiro.

Ao final serão fornecidos Certificados de Participação aos que merecerem (mínimo de 70% de comparecimento).

Turmas com um máximo de 20 alunos.

Público alvo

professores, pesquisadores, historiadores, membros de ONGs de Preservação e Educação Ambiental, estudantes em geral, arquitetos Urbanistas, Técnicos Em Edificações, Turismólogos, Historiadores, Arqueólogos e outros.

Proposta

Este curso se propõe:
– Abordar o marco legal e conceitual da Educação Ambiental/Meio Ambiente Cultural – trazer o aluno ao entendimento do processo e importância da Educação Patrimonial ferramenta de preservação do meio ambiente cultural no Brasil
– Preparar os professores e outros profissionais para trabalharem como multiplicadores deste conhecimento
– Construir agentes culturais preparados para contribuir na preservação dos acervos materiais e imateriais
– Apresentar e discutir projetos que obtiveram sucesso no uso desta ferramenta, verificar a importância e necessidade destes instrumentos nos projetos de Gestão do Patrimônio Cultural, Restauração e Conservação de Bens Móveis e Imóveis, Arqueologia e além do artefato legal promover um ‘Agente Difusor’ de cidadania e da democratização do acesso à cultura, encerrando no aprendizado da construção de projetos experimentais de Educação Patrimonial.

Mais informações: com o Prof. Antonio Andrade, na Casa Kennedy: 15/3271-0955

Profissão

Segundo o professor Julio Barros, que tem 44 anos de vida profissional, o curso de Difusor da Educação Patrimonial pode trazer excelentes resultados para os alunos, inclusive permitindo a profissionalização na área.

Segundo o presidente do IHGGI, jornalista Helio Rubens de Arruda e Miranda, ‘Educação Patrimonial’ é uma matéria que precisa ser aplicada com técnica e esta se aprende com quem sabe: o professor Julio Ramos e que quem for certificado poderá se tornar um profissional da área”




Tatui: Secretaria da Educação apresenta novo 'Programa mais Educação'

SECRETARIA DE EDUCAÇÃO APRESENTA NOVO
FORMATO DO ‘PROGRAMA NOVO MAIS EDUCAÇÃO’

 

A Secretaria Municipal de Educação dea Prefeitura de Tatui apresentou aos pais de alunos, coordenadores de escolas municipais e voluntários o novo formato do “Programa Novo Mais Educação”. O evento aconteceu no dia 3 de abril, no Centro de Artes e Esportes Unificados “Fotógrafo Victor Hugo da Costa Pires” – CEU das Artes.

Criado pelo Ministério da Educação (MEC), o Programa Novo Mais Educação tem o objetivo de melhorar a aprendizagem em Língua Portuguesa e Matemática no Ensino Fundamental, por meio da ampliação da jornada escolar de crianças e adolescentes, desenvolvendo atividades nos campos de Artes, Cultura, Esporte e Lazer, impulsionando a melhoria do desempenho educacional mediante a complementação da carga horária em 15 horas semanais no turno e contraturno escolar.

Em Tatuí, quatro escolas municipais participam do Programa: “José Galvão Sobrinho”, “José Tomas Borges”, “João Florêncio” e “Aparecida Sallum”, incluindo as escolas rurais “Luiz Paes de Almeida” e “Carlos Alberto Lourenço”. De acordo com Renata Rossi, coordenadora geral do Mais Educação em Tatuí, a intenção é contribuir para a alfabetização, reduzir o abandono e a reprovação, melhorar os resultados de aprendizagem e ampliar o período de permanência dos alunos na escola.

Foto: Reunião dos professores aconteceu no CEU das Artes.

 




Celio Pezza: Samadhi – parte 1

 

Celio Pezza: Crônica # 350 – Samadhi – parte 1

 

Samadhi pode ser traduzido como contemplação ou meditação profunda.

No yoga é a última etapa, quando se atinge a compreensão da existência e a comunhão com o universo.

Ele é muito importante agora, face aos problemas de nossa época.

Não temos ideia de quem somos, porque estamos nesse mundo e para onde vamos.

Vivemos no medo e no caos.

Esquecemos do Samadhi e nossa existência está focada no ego. Esse ego constrói formas nas quais você sempre precisa de mais alguma coisa; mais dinheiro, mais poder, mais amor, mais paz, mais de tudo.

Isso tudo faz parte da construção do ego, pois ela é só o impulso de repetir. Dessa forma, a maior parte dos humanos é como um rebanho de gado, que vive e morre em uma subjugação passiva, dentro de uma matriz de ilusões. Nós já nascemos dentro de uma estrutura biológica condicionada, sem auto despertar da consciência. Crescemos com uma máscara e desempenhamos papéis ao longo da vida; quando você desperta, você não acredita que é a máscara que está usando.

A mente pode estar ligada a uma armadilha para o consciente, uma prisão, mas, na verdade, não é que você esteja em uma prisão e sim que você é a prisão. Essa prisão é uma ilusão e se você se identifica com a ilusão, você está preso. Quando você luta contra a ilusão, você assume que ela é real e, portanto, você continua dormindo e lutando contra um sonho.

Samadhi é o despertar desse sonho, dessa prisão, dessa construção do ego. Despertar não é sair da matriz e sim não se identificar com ela, pois ela não existe.

O filósofo francês René Descartes ficou famoso pela frase “Penso, logo existo”. Essa frase aprisiona o mundo ocidental e ajuda na sua queda.

Já Buda, na cultura oriental, foi além da mente e do pensar. Ele foi buscar a verdade na meditação profunda, bem além da mente.

No filme Matrix existe uma civilização inserida em um programa de computador que cria nos humanos a ilusão de um mundo de sonhos e você vive dentro dele, só produzindo energia para as máquinas que criaram o programa.

A diferença é que as máquinas somos nós! Nós criamos desejos que nunca acabam pois não podem ser satisfeitos. Nós passamos a vida nessa prisão, construindo algo para amanhã e depois morremos. Quando você está na frente de um espelho, nunca vai mudar a imagem, pois ela é você. Você é a fonte. Se você não mudar, nada mudará.

Muitos dizem que para manter o mundo em paz precisamos combater os nossos inimigos, mas as lutas para a paz criam mais de tudo aquilo que queremos combater.

No mundo atual temos guerras contra o terrorismo, contra as doenças, contra a fome, contra tudo. Na verdade, qualquer guerra é contra nós mesmos, pois todas são de nossa criação.

Nós queremos o ar limpo mas continuamos a poluir e respirar venenos; nós procuramos pela cura do câncer, mas não mudamos os hábitos alimentares e continuamos a comer comida envenenada.

O mundo interno é onde essa revolução deve acontecer e somente quando sentirmos o mundo interno podemos vir para o externo.

Até lá, nada do que fizermos vai mudar o caos criado pela mente. Guerra e paz vão continuar juntas e nesse mundo de ilusões, uma não pode viver sem a outra, da mesma forma que a luz não vive sem a escuridão.

Qualquer solução que venha da mente e do ego, é dirigida pela ideia de que existe um problema e a solução se torna um problema cada vez maior.

Apesar dos melhores esforços o câncer e as guerras estão aumentando.

O que está errado na nossa abordagem?

 

Célio Pezza  /  Abril, 2017                                                                 Continua na parte 2




Museu Paulo Setubal, de Tatui, exibirá filmes aos domingos

 

DOMINGOS DE ABRIL TERÃO EXIBIÇÃO DE FILMES NO MUSEU PAULO SETÚBAL

O Museu Histórico Paulo Setúbal exibirá, durante os quatro domingos do mês de abril, às 14h, o Cinema Ponto MIS, em parceria com o Museu da Imagem e do Som de São Paulo.

Serão exibidos dois filmes simultaneamente: o curta-metragem “Antes de Palavras” e o longa-metragem “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”. Eles ficam em exibição no auditório e podem ser apreciados por qualquer pessoa. Para agendamento de grupos, é necessário entrar em contato com a Administração do Museu, pelo telefone (15) 3251-4969.

O Museu Paulo Setúbal está situado na Praça Manoel Guedes, 98.

Os filmes – O curta-metragem “Antes de Palavras” tem classificação de 12 anos, com direção de Diego Carvalho Sá e retrata fragmentos de uma aproximação entre dois adolescentes.

“Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”, dirigido por Daniel Ribeiro e, também, com classificação de 12 anos, é um premiado filme nacional. Ele retrata a vida de Leonardo, adolescente cego em busca de sua independência, o seu cotidiano, a sua relação com sua melhor amiga, Giovana, e a sua forma de ver o mundo, que ganham novos contornos com a chegada de Gabriel.




Jorge Paunovic: 'A padaria, o Zezo e o país'

Jorge Paunovic: ‘A padaria, o Zezo e o país’

                                   Pela manhã, como faço diariamente, vou à padaria para comprar aquele pão fresquinho para tomar o café da manhã quando encontro o Zezo que instantaneamente ao me ver deixa a fila e vem conversar comigo com aparência indignada.
                                   – Puxa vida tenho lido suas matéria e parece que esqueceu que vive no Brasil…?
                                   – Não Zezo de forma alguma; assisto os noticiários diariamente e acompanho o que está acontecendo no país e no mundo.
                                    – Pois é, mas não vejo nenhuma linha sua sobre o que está acontecendo no Brasil, a podridão que todo o dia aparece na televisão. Veja por exemplo que esta operação lava jato está fazendo, limpando o país dos corruptos e todos os dias temos novidade.
                                    – Zezo, acredito que a população anda cansada de ouvir tanta coisa errada e a necessidade de escrever sobre outras coisas e até notícias boas, por que há muita gente no país fazendo coisas boas, que devem ser realçadas. Afinal, acredito que notícia ruim o pessoal já enjoou.
                                   – Não é notícia ruim não, disse Zezo. É falar o que estes políticos fizeram com a nossa pátria. Não quiseram fazer o pan-americano? Fizeram diversas obras no Rio de Janeiro dizendo que iriam aproveitar nas Olimpíadas e no entanto, quebraram tudo e refizeram. Depois fizeram a Copa do Mundo e as Olimpiadas com inúmeras obras que viraram Elefantes Brancos, dando prejuízo. E aí,  o Rio de Janeiro está falido e a culpa é dos funcionários, já viu isso? Cadê o legado que iam deixar? O que o povo está vendo é um estado quebrado cheio de dívidas.
                                   – Zezo, você tem que ver que de certa forma essas competições trouxeram turistas que gastaram dinheiro, os hotéis, os restaurantes e as lojas tiveram lucro com esses eventos.
                                   – Tem que mostrar o outro lado, disse Zezo. Quiseram sediar essas competições em razão das empreiteiras ou será que esses escândalos surgiram do nada? Tem que mostrar que a classe política lá no alto trabalha pouco, ganha muito e não faz nada para o povo. Tem que mostrar que foram eles que quebraram o país e agora querem que o trabalhador pague a conta. O BNDES emprestou dinheiro para meio mundo e agora está com dificuldades para receber e nós e é que pagamos o pato? Tem que falar, tem que mostrar, o que fizeram com a economia e vem ministro dizer que temos que apertar o cinto? Só nós, os trabalhadores? E  eles? Vão apertar o cinto, vão trabalhar mais dias? Vão abrir mão de certas regalias para economizar? O pior de tudo isso é que certas pessoas que ajudaram a quebrar o país agora se dizem salvadores da pátria. Pode isso? Ainda tem gente que parece que não mora no país e não está sentindo na pele as dificuldades na economia. Tem também uns projetos que estão querendo aprovar, como a lista única nas eleições, financiamento público de campanha e por aí vai e ‘nóis’, como ficamos?
                                   – Zezo, precisamos ter calma, afinal o governo está trabalhando: a inflação caiu e o país está voltando à normalidade e temos que ter esperança de que tudo vai melhorar.
                                    – Fique o senhor com a esperança e com seus pãezinhos, que eu vou continuar de olho e apontando tudo que está errado aí, cobrando o que tem que ser feito e exigindo que o dinheiro dos impostos seja respeitado e bem aplicado. Um bom dia e não se esqueça: de vez em quando, ‘descer o pau’ naquela gente que só sabe fazer malfeito, como dizia aquela ex. Assim quem sabe aqueles que ainda apoiam os que faziam coisas erradas acordem.