Ó meu coração, seja livre

Mohamed Rahal: ‘Ó meu coração, seja livre’

Mohamed Rahal
Mohamed Rahal
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Uma das canções folclóricas mais famosas da música Rai argelina contemporânea, sua letra é do popular letrista Sheikh Mohamed Belkhayati, cujo nome verdadeiro é Mohamed Beladassi. Ele é uma das figuras mais proeminentes da arte beduína e do Rai tradicional na Argélia.

Ele é um distinto poeta folclórico, cantor e compositor do oeste da Argélia, especificamente da província de Chlef. Nascido em 1939, era conhecido no cenário artístico como “Mohamed Belkhayati”, e seus fãs o apelidaram de “O Farid al-Atrash argelino” devido à sua imensa popularidade e talento para cantar e compor. Ele ascendeu à proeminência na década de 1960, atingindo o auge de sua fama e quebrando recordes de apresentações e popularidade em 1968. Seu arquivo musical inclui aproximadamente 2.500 canções, todas escritas, compostas e musicadas por ele. Seus poemas são caracterizados pela profundidade social e pela diversidade de temas, abordando o exílio, a Guerra da Independência da Argélia e tragédias emocionais e sociais.

Entre suas canções mais famosas está “Ya Galbi Barkak” (Ó Meu Coração, Basta), que narra sua experiência na prisão na cidade de Blida. “Como Eram os Dias” é um poema que relembra os bons tempos. Belkhayati é considerado uma escola à parte na poesia popular e na autêntica canção beduína, tendo preservado a identidade cultural argelina por décadas. Muitos artistas revitalizaram seus poemas folclóricos, e sua obra foi popularizada por diversos artistas em diferentes estilos, incluindo o rai argelino e a música beduína. Entre eles, Cheb Khaled, Cheb Azzedine, Cheb Mami e o falecido Cheb Hasni.

A fama do poema: O poema “Ya Galbi Barkak” (Ó Meu Coração, Basta) foi adaptado e revitalizado na música rai em 2004, imbuído de profunda emoção e saudade. A canção, que carrega um forte sentimento de aprisionamento e emoção social, foi oficialmente gravada com o título “Ya Galbi”. No estilo tradicional Oran Rai, mesclado com melodias beduínas de forma emotiva e popular, a música alcançou grande sucesso em shows ao vivo, especialmente durante a turnê de 2005 na Argélia.

Letra:

Ó meu coração, chega de amargura e doçura

Você abandonou quem te amava e seguiu o inimigo

Ó meu coração, chega de amargura e doçura

Você abandonou quem te amava e seguiu o inimigo

Ó meu coração, ó meu coração, ó meu coração

Chega, ó meu coração, ó meu coração

Ó meu coração, chega

Você seguiu um momento após o outro, os dias de Deus são longos

Não é só que eu a conhecia, suas poucas feridas

A letra continua a retratar a reprovação do coração por seguir o desejo apesar de sua crueldade, e relembra a traição e o engano. Você substituiu um momento por outro, com boas intenções, pedindo paciência e esquecimento.Ó Meu Coração, Seja Livre / Mohamed Rahal, Crítico Argelino

Uma das canções folclóricas mais famosas da música Rai argelina contemporânea, sua letra é do popular letrista Sheikh Mohamed Belkhayati, cujo nome verdadeiro é Mohamed Beladassi. Ele é uma das figuras mais proeminentes da arte beduína e do Rai tradicional na Argélia.

Ele é um distinto poeta folclórico, cantor e compositor do oeste da Argélia, especificamente da província de Chlef. Nascido em 1939, era conhecido no cenário artístico como “Mohamed Belkhayati”, e seus fãs o apelidaram de “O Farid al-Atrash argelino” devido à sua imensa popularidade e talento para cantar e compor. Ele ascendeu à proeminência na década de 1960, atingindo o auge de sua fama e quebrando recordes de apresentações e popularidade em 1968. Seu arquivo musical inclui aproximadamente 2.500 canções, todas escritas, compostas e musicadas por ele. Seus poemas são caracterizados pela profundidade social e pela diversidade de temas, abordando o exílio, a Guerra da Independência da Argélia e tragédias emocionais e sociais.

Entre suas canções mais famosas está “Ya Galbi Barkak” (Ó Meu Coração, Basta), que narra sua experiência na prisão na cidade de Blida. “Como Eram os Dias” é um poema que relembra os bons tempos. Belkhayati é considerado uma escola à parte na poesia popular e na autêntica canção beduína, tendo preservado a identidade cultural argelina por décadas. Muitos artistas revitalizaram seus poemas folclóricos, e sua obra foi popularizada por diversos artistas em diferentes estilos, incluindo o rai argelino e a música beduína. Entre eles, Cheb Khaled, Cheb Azzedine, Cheb Mami e o falecido Cheb Hasni.

A fama do poema: O poema “Ya Galbi Barkak” (Ó Meu Coração, Basta) foi adaptado e revitalizado na música rai em 2004, imbuído de profunda emoção e saudade. A canção, que carrega um forte sentimento de aprisionamento e emoção social, foi oficialmente gravada com o título “Ya Galbi”. No estilo tradicional Oran Rai, mesclado com melodias beduínas de forma emotiva e popular, a música alcançou grande sucesso em shows ao vivo, especialmente durante a turnê de 2005 na Argélia.

Letra:

Ó meu coração, chega de amargura e doçura

Você abandonou quem te amava e seguiu o inimigo

Ó meu coração, chega de amargura e doçura

Você abandonou quem te amava e seguiu o inimigo

Ó meu coração, ó meu coração, ó meu coração

Chega, ó meu coração, ó meu coração

Ó meu coração, chega

Você seguiu um momento após o outro, os dias de Deus são longos

Não é só que eu a conhecia, suas poucas feridas

A letra continua a retratar a reprovação do coração por seguir o desejo apesar de sua crueldade, e relembra a traição e o engano. Você substituiu um momento por outro, com boas intenções, pedindo paciência e esquecimento.

Mohamed Rahal

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Safe

Jane Nash: Horror story ‘Safe’

Jane Nash
Jane Nash
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‘You’ll be safe in my hands.’

She wasn’t so sure and even with no other option on offer, shook her head, no.

He glanced over his shoulder and spread his hands, palms up. The trusting Truth Plane.

‘I promise.’

His hands looked odd held waist height while he was sitting in his van, leaning towards the open passenger window. She didn’t like his balding head. A patch of his old skin shone like the side of Aladdin’s lamp. She could see his collar darkening from the beads of sweat running down his neck beneath a crescent of salt and pepper hair. She sensed him to be untrustworthy but what experience did she have at 17?

‘I promise.’

She hesitated until she heard footsteps running down a side street towards the plaza. She wanted to escape her stalker. She nodded and went to climb onto the passenger seat of his small white van.

‘Get in the back. They won’t see you there.’

Her stomach lurched. It was one thing to be a passenger but in the back of the truck?

‘Get. In. The. Back.’

She scrambled into the cave of the back of the van, toppling forward as it moved slightly and took off. Gravity and the lurching of her stomach held her to the metal floor. The scrape of her raw throat from bile’s acid took more of her attention than the chains beside her. She swallowed hard as her mouth filled with saliva. She vomited.

The van sped up. There was nothing to hold on to and her long hair was now threaded with pieces of sick around her face.

Her eyes adjusted to the lack of light in the back. She became aware of a shackled foot. She followed the leg up to the face of a boy, whom she estimated to be possibly 8 years old.

His eyes were wide open exposing the sclera all around his black pupils. Don’t worry, she whispered loudly to him, wiping stray vomit from her chin. The boy reached across to her and she held out her hand in return. His fingernails were encrusted with dirt, his skin smeared in patches, black.

His nails like talons ripped into her from the inside of her elbow cutting through the flesh like a hot knife to butter, all the way down to her wrist. Blood sprayed out over his face and began to sop the grimy metal floor.

She screamed as he sprang towards her, affixing himself to her wrist, blood covering his pallid, ecstatic face. She tried to shake him off but was frozen, her mind screaming to move but nothing in her body responded. She found her voice and screamed out to the driver

‘You said, I’d be safe in your hands.’

‘You’re not in my hands.’

The leech child drained her. She lay in her own vomit, looking at the ceiling of the van. He made busy with her arteries and veins. I don’t want to become a vampire she thought until she realised that was a silly childhood myth.

Jane Nash

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O angolano hoje

Ismaél Wandalika: Poema ‘O angolano hoje’

Soldado Wandalika
Soldado Wandalika
Imagem criada pelo ChatGPT

‎O ANGOLANO HOJE‎

É controverso de seu ato
‎Confuso no compasso
‎Anda de mãos dado com o passado…
‎Feliz em seus intensos delírios…

‎O angolano hoje sorri nas entrelinhas 
Cria um espetáculo fulminante
‎para humilhar seu semelhante
‎Impõe-se ao sucesso de seu irmão almejando vê-lo em baixo
‎Usa a artimanha do destino para inibir a felicidade conjugal…
‎É dualista no seu trilho matinal
‎Reveste-se de ilusões no toque que encena o sorriso divinal

‎O ANGOLANO HOJE

‎Quando possuí um cargo artilha laço   
‎Passa pisando todos como se fosse possuidor do universo e suas constelações
‎O Poder sobe-lhe ao pescoço…
‎Fala sem modo…
‎Utiliza a tela para exibir sua arrogância…

‎O ANGOLANO HOJE

‎Atrasa a vida de seus compatriotas
‎Negligenciando decisões coletivas
‎Negocia terras e heranças coletivas
‎Cava seu túmulo burlando seu Semelhante que também luta almejando dias melhores!
‎Sorri das dores alheias
‎Sobrevive aos caos de sua herdade

‎O ANGOLANO HOJE

‎Não tem nada a perder
‎Entrega-se sem pavor ao  prazer
‎Morre todos dias no renascer de suas pelejas!
‎Come a poeira do ocidente sem pudor
‎Possui hematomas gerados na Pele do tambor…

‎O ANGOLANO HOJE

‎Reflete seus atos depois dos arrependimentos…
‎Vive pelo estômago que rasgou seu peito
‎Faz tudo pelos lucros
‎Vaza seus íntimos vídeos
‎Reclama de tudo mas quando lhe é dado o poder faz igual a todos…
‎Outrora conservador de princípios
‎Hoje moderno rei da falácia
‎Na mídia fala pelos números
‎A sombra da mulemba condena seus próprios atos…
‎Reage com irá ao visualizar sua entrevista no podcast…

‎O ANGOLANO HOJE
‎É controverso de seu ato
‎Confuso no compasso
‎Anda de mãos dado com o passado…
‎Feliz em seus intensos delírios…

‎O ANGOLANO HOJE

Soldado Wandalika

Poeta e escritor angolano mentor do projeto Luso internacional POETAS DA ILUSÃO

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Da Crise à Inovação

Alexandre Rurikovich Carvalho

Da Crise à Inovação: A Experiência da FEBACLA na Implantação dos Eventos Virtuais Durante a Pandemia da Covid-19

Alexandre Rurikovich Carvalho
Alexandre Rurikovich Carvalho
Da Crise à Inovação: A Experiência da FEBACLA na Implantação dos Eventos Virtuais Durante a  Pandemia da COVID-19 retrata a trajetória de superação e inovação da FEBACLA diante dos desafios  impostos pela COVID-19. A imagem destaca a transformação de uma crise sem precedentes em um  legado institucional, evidenciando o pioneirismo da Federação na realização de solenidades virtuais e  seu compromisso permanente com a promoção da cultura, das ciências, das letras e das artes. Imagem  criada por IA.  

Resumo 

A pandemia da covid-19 provocou uma das maiores crises sanitárias da história  contemporânea, afetando profundamente as atividades culturais, acadêmicas e  científicas em todo o mundo. O presente artigo relata a experiência da Federação  Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes (FEBACLA) na implantação de  eventos virtuais como estratégia para assegurar a continuidade de suas atividades  institucionais durante o período de isolamento social. A partir de uma vivência  marcada por desafios pessoais e institucionais, demonstra-se como a inovação  tecnológica, aliada à colaboração de parceiros e ao compromisso com a promoção da  cultura, possibilitou a criação de um novo modelo de atuação que permanece  consolidado mesmo após o fim das restrições sanitárias. O estudo evidencia que a  experiência da FEBACLA contribuiu para ampliar o acesso às atividades acadêmicas e  culturais, servindo de referência para outras instituições. 

Palavras-chave: Covid-19; Eventos Virtuais; FEBACLA; Cultura; Inovação; Google  Meet.

Introdução 

A pandemia da covid-19 representou um dos acontecimentos mais marcantes da  história contemporânea, produzindo impactos que ultrapassaram a esfera da saúde  pública e alcançaram praticamente todos os setores da sociedade. Em questão de  semanas, países inteiros interromperam suas atividades econômicas, educacionais,  religiosas, científicas e culturais, em um esforço coletivo para conter a propagação de  um vírus até então desconhecido. A velocidade com que a doença se espalhou  surpreendeu governos, instituições e organismos internacionais, exigindo decisões  rápidas e medidas de emergência sem precedentes na história recente. 

No Brasil, assim como em diversas partes do mundo, o cotidiano da população foi  profundamente alterado. O isolamento social, o fechamento de espaços públicos, a  suspensão de eventos presenciais e as restrições de circulação modificaram a  dinâmica das relações humanas e institucionais. As atividades culturais,  tradicionalmente fundamentadas no encontro entre pessoas, foram especialmente  afetadas, levando inúmeras instituições à paralisação de suas programações e ao  cancelamento de projetos cuidadosamente planejados. 

Para as organizações voltadas à promoção da cultura, da ciência, das letras e das  artes, o cenário era de absoluta incerteza. Não havia previsões sobre quando as  atividades poderiam ser retomadas nem garantia de que os modelos tradicionais de  realização de eventos continuariam viáveis. Muitos acreditavam que seria necessário  aguardar o término da pandemia para reconstruir o trabalho institucional desenvolvido  ao longo de décadas. 

Foi nesse contexto que a Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências,  Letras e Artes (FEBACLA) e o Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e  Históricos (CSAEFH) passaram a enfrentar um dos maiores desafios de suas  trajetórias. A necessidade de preservar a missão institucional, manter viva a produção  cultural e assegurar a continuidade das atividades acadêmicas exigiu coragem,  criatividade e capacidade de adaptação diante de um cenário completamente novo. 

O presente artigo apresenta um relato fundamentado na experiência vivenciada  durante esse período, demonstrando como uma crise sem precedentes tornou-se  também uma oportunidade de inovação institucional. Mais do que registrar  acontecimentos históricos, busca-se refletir sobre o papel da tecnologia, da  cooperação humana e da perseverança na construção de novos caminhos para a  promoção da cultura, evidenciando como uma solução inicialmente emergencial  transformou-se em um modelo consolidado de atuação que permanece relevante até  os dias atuais. 

O impacto da pandemia na atuação institucional 

No início de março de 2020, a FEBACLA possuía um calendário institucional  cuidadosamente organizado, contemplando solenidades acadêmicas, concessões de  honrarias, conferências e encontros culturais em diferentes regiões do Brasil. Entre os  compromissos já confirmados destacavam-se dois importantes eventos, um na cidade  de Florianópolis, capital do Estado de Santa Catarina, e outro na cidade de Niterói,  no Estado do Rio de Janeiro. Ambos representavam não apenas solenidades  protocolares, mas oportunidades de fortalecer a integração entre acadêmicos, escritores, pesquisadores, artistas e personalidades comprometidas com o  desenvolvimento cultural brasileiro. 

Entretanto, em poucos dias, o avanço da covid-19 alterou completamente essa  realidade. O aumento acelerado do número de casos levou autoridades sanitárias e  governamentais a adotarem medidas rigorosas para conter a disseminação da doença.  As recomendações para evitar aglomerações rapidamente evoluíram para  determinações oficiais que proibiram a realização de eventos presenciais,  interromperam atividades culturais e restringiram praticamente toda forma de reunião  pública. 

A decretação do lockdown marcou um dos momentos mais dramáticos daquele  período. Cidades inteiras passaram a funcionar sob severas limitações de circulação,  estabelecimentos permaneceram fechados e milhões de pessoas foram obrigadas a  permanecer em suas residências. A cultura, cuja essência reside justamente no  encontro entre pessoas, foi profundamente impactada. Teatros, centros culturais,  auditórios, bibliotecas e instituições acadêmicas suspenderam suas atividades por  tempo indeterminado. 

Na condição de Presidente da FEBACLA e Diretor do Centro Sarmathiano de Altos  Estudos Filosóficos e Históricos, acompanhei cada uma dessas mudanças com  enorme apreensão. O desafio não consistia apenas em cancelar eventos previamente  organizados, mas em compreender como preservar a continuidade de uma instituição  cuja missão sempre esteve fundamentada na valorização da produção intelectual,  artística e científica por meio do contato direto entre seus membros e da realização de  solenidades presenciais. 

O sentimento predominante era de incerteza. Não existiam respostas claras sobre  quanto tempo durariam as restrições nem sobre os impactos que aquela crise  produziria nas instituições culturais. Projetos cuidadosamente planejados precisaram  ser suspensos, agendas foram desfeitas e inúmeras iniciativas ficaram  temporariamente impossibilitadas de acontecer. Diante daquele cenário, parecia que  todo o trabalho desenvolvido ao longo dos anos havia sido abruptamente  interrompido. 

Apesar das dificuldades, tornou-se evidente que a missão institucional da FEBACLA  não poderia ser interrompida indefinidamente. Era necessário encontrar novos  caminhos para continuar promovendo a cultura, reconhecendo o mérito acadêmico e  mantendo vivo o diálogo entre pesquisadores, escritores, artistas e intelectuais. Essa  necessidade seria o ponto de partida para uma das mais importantes transformações  da história da instituição. 

A luta pessoal contra a covid19

Enquanto a FEBACLA enfrentava os desafios decorrentes da paralisação das  atividades presenciais, vivi uma experiência que marcou profundamente minha  trajetória pessoal e institucional. Fui contaminado pela covid-19 justamente em um  dos períodos mais críticos da pandemia, quando o sistema de saúde brasileiro  enfrentava enorme pressão diante do crescimento acelerado do número de pacientes. Os hospitais do Estado do Rio de Janeiro encontravam-se superlotados. Tanto a rede  pública quanto a rede privada operavam próximas do limite de sua capacidade, tornando extremamente difícil o acesso a atendimento médico e leitos hospitalares. As  notícias divulgadas diariamente retratavam um cenário de sofrimento coletivo, com  famílias separadas pelo isolamento, profissionais de saúde trabalhando  exaustivamente e milhares de vidas sendo perdidas em um curto espaço de tempo. 

Nesse contexto, enfrentei uma intensa batalha pela sobrevivência. A doença revelou  toda a sua gravidade, impondo limitações físicas, incertezas e momentos de profunda  angústia. Como milhões de pessoas ao redor do mundo, experimentei o medo diante  de uma enfermidade cujos efeitos ainda eram pouco conhecidos pela comunidade  científica. A sensação de fragilidade humana tornou-se uma realidade concreta. 

Sob a perspectiva da minha fé, compreendi aquele período como uma travessia  pelo “vale da sombra da morte”. Foram dias de sofrimento, reflexão e esperança,  nos quais a confiança em Deus tornou-se fonte permanente de fortalecimento  espiritual. A recuperação, após quase dois meses de intensa luta, foi recebida como  uma dádiva divina e como a confirmação de que minha missão de servir à cultura, ao  conhecimento e à sociedade ainda não havia sido concluída. 

A experiência da enfermidade transformou profundamente minha maneira de  compreender o papel das instituições culturais em momentos de crise. Sobreviver à  pandemia significou também assumir uma responsabilidade renovada diante da  missão institucional da FEBACLA. A partir daquele momento, tornou-se ainda mais  evidente que seria necessário encontrar alternativas capazes de manter viva a  produção cultural, fortalecer os vínculos entre os acadêmicos e oferecer esperança  em um período marcado pelo isolamento e pela incerteza. 

Foi justamente dessa combinação entre a experiência pessoal, a superação da doença  e o compromisso com a continuidade institucional que nasceu a determinação de  buscar soluções inovadoras. A luta pela própria vida acabou tornando-se também um  impulso para reinventar a forma de fazer cultura, demonstrando que, mesmo diante  das maiores adversidades, é possível transformar dificuldades em oportunidades de  crescimento e renovação. 

O nascimento dos eventos virtuais 

Após quase dois meses de recuperação da covid-19, uma inquietação passou a  ocupar meus pensamentos diariamente. A pandemia havia interrompido  completamente o calendário institucional da FEBACLA e do Centro Sarmathiano de  Altos Estudos Filosóficos e Históricos. O cenário nacional permanecia marcado por  incertezas, não existia qualquer previsão para a retomada dos eventos presenciais e  inúmeras instituições culturais encontravam-se completamente paralisadas. 

A grande pergunta era inevitável: como manter viva uma instituição cuja essência  sempre esteve baseada no encontro entre pessoas? 

Durante anos, a FEBACLA havia percorrido diferentes regiões do Brasil realizando  solenidades de posse acadêmica, concessões de honrarias, conferências,  lançamentos de livros e encontros destinados à valorização da cultura, das ciências,  das letras e das artes. Todo esse trabalho parecia subitamente ameaçado por uma  crise sanitária sem precedentes. Foi justamente quando as perspectivas pareciam se esgotar que surgiu uma sugestão  que mudaria definitivamente a história da instituição. 

O amigo, irmão e escritor Celso Ricardo de Almeida propôs que a FEBACLA  passasse a realizar seus eventos por meio da plataforma Google Meet. À primeira  vista, a proposta pareceu extremamente ousada. A ideia de substituir solenidades  presenciais, marcadas pelo protocolo acadêmico e pela interação direta entre  autoridades, acadêmicos e convidados, por encontros inteiramente virtuais parecia um  desafio difícil de ser superado. 

Minha primeira reação foi de cautela. Naquele momento, poucas instituições utilizavam plataformas digitais para cerimônias oficiais, e praticamente inexistiam referências de  solenidades acadêmicas realizadas integralmente pela internet. Era natural surgirem  dúvidas quanto à aceitação do público, à manutenção da solenidade do protocolo  institucional e à própria viabilidade técnica da proposta. 

Entretanto, a experiência tecnológica de Celso Ricardo de Almeida revelou-se  decisiva. Com dedicação, paciência e espírito colaborativo, ele conduziu o processo  de implantação da plataforma, orientando os participantes, solucionando dificuldades  técnicas e desenvolvendo um modelo de realização de eventos que preservava a  formalidade característica da FEBACLA. Sua atuação foi fundamental para que os  primeiros encontros virtuais fossem realizados com segurança e organização,  assumindo a responsabilidade pela operação da plataforma durante as solenidades. 

O sucesso das primeiras experiências demonstrou que a tecnologia poderia ser  utilizada não como substituta da convivência humana, mas como instrumento capaz de  manter viva a missão institucional da FEBACLA em um dos momentos mais difíceis da  história contemporânea. 

Contudo, a consolidação desse novo modelo não foi resultado do esforço isolado de  uma única pessoa. Diversos colaboradores colocaram seus conhecimentos, tempo e  dedicação a serviço da instituição, formando uma verdadeira rede de cooperação  construída em torno do compromisso comum de preservar a cultura brasileira. 

Entre essas pessoas merece especial reconhecimento a inesquecível Drª Carmen  Rejane Cella, que exercia a função de Delegada Cultural da Presidência da  FEBACLA na Região Sul do Brasil. Sua participação foi marcada pelo permanente  incentivo à continuidade das atividades institucionais e pela confiança de que a cultura  não poderia sucumbir diante das limitações impostas pela pandemia. Seu entusiasmo,  sua sensibilidade e sua visão institucional fortaleceram a implantação dos eventos  virtuais justamente quando ainda predominavam as dúvidas sobre esse novo formato. 

Foi também por iniciativa da Drª Carmen Rejane Cella que o poeta, escritor e amigo  Iratan Martins Curvello passou a integrar a equipe responsável pelas solenidades  virtuais. Indicado para exercer a função de cerimonialista oficial dos eventos virtuais da FEBACLA, Iratan assumiu essa responsabilidade com extraordinária competência,  refinada elegância e profundo respeito ao protocolo acadêmico. 

Sua voz serena, sua postura equilibrada e seu domínio da condução cerimonial  contribuíram decisivamente para preservar o elevado padrão de solenidade que  sempre caracterizou as cerimônias da FEBACLA. Mesmo diante de um ambiente  totalmente virtual, conseguiu imprimir formalidade, acolhimento e dinamismo às solenidades, demonstrando que a excelência do cerimonial não depende  exclusivamente do espaço físico, mas sobretudo da competência daqueles que o  conduzem. 

Graças ao empenho conjunto de Celso Ricardo de Almeida, da Dra. Carmen Rejane  Cella, de Iratan Martins Curvello e de diversos colaboradores que participaram desse  processo, a FEBACLA conseguiu superar uma das maiores crises de sua história  institucional. O que inicialmente parecia apenas uma solução provisória começava a  revelar-se um caminho promissor para o futuro da instituição. 

Da solução emergencial ao novo modelo institucional 

À medida que as restrições sanitárias foram sendo gradualmente flexibilizadas,  acreditava-se que os eventos presenciais retomariam naturalmente o protagonismo  das atividades institucionais. Afinal, durante toda a sua trajetória, a FEBACLA  construiu sua identidade por meio de solenidades realizadas em auditórios, câmaras  municipais, escolas, universidades, centros culturais e diversas instituições  espalhadas pelo território brasileiro. 

Minha expectativa era exatamente essa. Imaginava que, encerrado o período mais  crítico da pandemia, os eventos virtuais cumpririam sua missão emergencial e  deixariam de ser necessários, permitindo o retorno definitivo ao modelo tradicional. 

Entretanto, a realidade mostrou-se completamente diferente. 

Mesmo com a reabertura gradual das atividades presenciais, um número significativo  de acadêmicos, escritores, artistas, pesquisadores e personalidades continuou  demonstrando preferência pela modalidade virtual. Muitos participantes destacavam a  facilidade de acompanhar as solenidades diretamente de suas residências, sem a  necessidade de longos deslocamentos, gastos com hospedagem ou limitações  impostas pela distância geográfica. Essa mudança de comportamento revelou que a  experiência vivenciada durante a pandemia havia transformado a maneira como  muitas pessoas passaram a compreender e participar das atividades culturais e  acadêmicas. 

Outro aspecto que contribuiu decisivamente para essa consolidação foi a estrutura  administrativa criada pela FEBACLA para atender aos participantes à distância. As  honrarias passaram a ser cuidadosamente confeccionadas e encaminhadas pelos  serviços postais para diferentes estados brasileiros e, posteriormente, também para  outros países, permitindo que os agraciados participassem das cerimônias em tempo  real e recebessem seus diplomas, medalhas e comendas com segurança,  preservando toda a dignidade e o simbolismo das distinções concedidas pela  instituição. 

Gradualmente, percebeu-se que o ambiente virtual não diminuía a importância do  reconhecimento institucional. Pelo contrário, ampliava significativamente o alcance  das atividades da FEBACLA, tornando possível reunir, em uma única solenidade,  participantes provenientes de diversas regiões do Brasil e do exterior, algo que  dificilmente seria alcançado em encontros exclusivamente presenciais. A tecnologia  deixou de ser apenas um recurso emergencial para tornar-se uma importante aliada  da democratização da cultura, permitindo que pessoas antes impossibilitadas de  participar das solenidades pudessem integrar-se plenamente à vida acadêmica da  Federação.

Durante esse processo de consolidação institucional, ocorreu também uma importante  transição na condução do cerimonial. Em razão da renúncia de Iratan Martins  Curvello, que passou a dedicar-se integralmente ao desenvolvimento de relevantes  projetos culturais na histórica cidade de São Francisco do Sul, em Santa Catarina,  tornou-se necessária a escolha de um novo mestre de cerimônias para dar  continuidade ao trabalho desenvolvido. 

Foi então que outro grande colaborador passou a desempenhar papel de enorme  relevância nessa trajetória: o jornalista, escritor e amigo Sergio Diniz da Costa

Assumindo a condução do cerimonial dos eventos virtuais da FEBACLA, Sergio Diniz  da Costa rapidamente conquistou o reconhecimento dos participantes pela segurança  com que conduzia as solenidades, pela clareza da comunicação, pelo respeito aos  protocolos acadêmicos e pela elegância na apresentação institucional. Sua atuação  representou a continuidade do elevado padrão estabelecido desde os primeiros  eventos virtuais, assegurando estabilidade ao novo modelo organizacional que vinha  sendo construído e contribuindo para fortalecer a identidade institucional da  FEBACLA no ambiente digital. 

Paralelamente, os eventos passaram a alcançar um público ainda maior graças à  importante parceria firmada com a TV Channel Network, responsável pela  transmissão das solenidades por meio de seu canal oficial no YouTube. Essa parceria  representou um novo marco na evolução dos eventos virtuais da FEBACLA,  ampliando significativamente sua visibilidade institucional e permitindo que familiares,  amigos, convidados, acadêmicos, pesquisadores e espectadores de diferentes  regiões do Brasil e do exterior acompanhassem as cerimônias ao vivo,  independentemente de sua localização geográfica. 

Nesse contexto, merece especial reconhecimento o trabalho do jornalista Ale Abdo,  CEO da TV Channel Network, cuja dedicação, profissionalismo e compromisso com  a difusão da cultura foram decisivos para o fortalecimento dessa parceria institucional.  Ao disponibilizar a estrutura técnica da emissora e oferecer suporte permanente às  transmissões, Ale Abdo contribuiu para elevar a qualidade audiovisual das  solenidades, assegurando que cada evento fosse realizado com elevado padrão  técnico e ampla projeção pública. Sua colaboração consolidou-se como um  importante diferencial para a FEBACLA, permitindo que as cerimônias  ultrapassassem os limites da plataforma de videoconferência e alcançassem um  público muito mais amplo por meio das transmissões ao vivo no YouTube. 

Além de ampliar a audiência, a transmissão pela TV Channel Network proporcionou  um relevante legado institucional: a preservação do registro audiovisual das  solenidades, constituindo um importante acervo histórico da FEBACLA. Cada  cerimônia passou a integrar a memória da instituição, permanecendo disponível para  consulta, pesquisa e divulgação, fortalecendo o patrimônio documental e histórico da  Federação. 

O resultado dessa evolução foi a consolidação de um modelo híbrido de atuação  institucional. A FEBACLA passou a realizar tanto eventos presenciais quanto  solenidades virtuais, respeitando as preferências e possibilidades de seus  participantes. Longe de representar uma solução temporária, os eventos virtuais  transformaram-se em uma importante ferramenta de democratização do acesso à  cultura, permitindo que pessoas de diferentes regiões e realidades participassem  ativamente da vida acadêmica da instituição.

Passados seis anos desde o início da pandemia, esse modelo permanece  plenamente consolidado. A experiência demonstrou que a inovação tecnológica,  quando utilizada com responsabilidade, planejamento e sensibilidade institucional,  não substitui a riqueza do encontro presencial, mas amplia horizontes, fortalece  vínculos e torna a cultura mais acessível. A trajetória da FEBACLA evidencia que  momentos de profunda crise também podem produzir legados duradouros, capazes  de transformar desafios em oportunidades e de inspirar outras organizações culturais  a repensarem suas formas de atuação. 

Ao longo desse processo, tornou-se evidente que o sucesso dos eventos virtuais foi  resultado da união de pessoas comprometidas com um ideal comum. A contribuição  do escritor Celso Ricardo de Almeida, responsável pela implantação da plataforma  Google Meet; da saudosa Dra. Carmen Rejane Cella, cujo incentivo foi fundamental  nos primeiros momentos dessa transformação; do poeta Iratan Martins Curvello, que  conferiu elevado padrão ao cerimonial das solenidades; do jornalista e escritor Sergio  Diniz da Costa, que deu continuidade a esse trabalho com competência e distinção;  e do jornalista Ale Abdo, CEO da TV Channel Network, que ampliou  significativamente a projeção institucional da FEBACLA por meio das transmissões ao  vivo, integra de forma permanente a memória histórica da Federação. Cada um, em  sua área de atuação, contribuiu decisivamente para que um projeto nascido em meio  a uma das maiores crises da humanidade se transformasse em um modelo  consolidado de promoção da cultura, das ciências, das letras e das artes, deixando  um legado que continuará inspirando as futuras gerações. 

A consolidação de um legado 

A implantação dos eventos virtuais pela FEBACLA representou muito mais do que  uma resposta circunstancial às restrições impostas pela pandemia da covid-19. Com  o passar dos meses, tornou-se evidente que a experiência vivenciada em 2020 havia  inaugurado uma nova etapa na história institucional da Federação, ampliando suas  possibilidades de atuação e estabelecendo um modelo inovador de promoção da  cultura, das ciências, das letras e das artes. 

A concretização desse novo paradigma teve início em 25 de julho de 2020, data que  passou a ocupar um lugar de destaque na memória institucional da FEBACLA.  Naquele dia foi realizada a primeira Sessão Solene Virtual da Federação, reunindo  autoridades acadêmicas, intelectuais, escritores, artistas e convidados de diferentes  regiões do Brasil por meio da plataforma Google Meet. A solenidade contemplou a  posse de novos acadêmicos e a outorga de títulos honoríficos, comendas e medalhas  institucionais, preservando integralmente o protocolo, a formalidade e a dignidade que  sempre caracterizaram os atos oficiais da FEBACLA. 

Mais do que uma cerimônia administrativa, aquele encontro constituiu um momento  profundamente simbólico. Em um período marcado pelo isolamento social, pelo medo,  pelas perdas humanas e pelas incertezas quanto ao futuro, a realização da primeira  solenidade virtual representou uma mensagem de esperança e de continuidade. Cada  pronunciamento, cada juramento de posse, cada homenagem concedida e cada  manifestação de carinho entre os participantes revelavam que a cultura permanecia  viva, mesmo diante de uma das maiores crises sanitárias da história da humanidade. 

A emoção esteve presente durante toda a cerimônia. Muitos participantes relataram a  alegria de reencontrar amigos e confrades, ainda que por intermédio das telas dos  computadores e dispositivos móveis. Outros manifestaram gratidão pela oportunidade 

de ingressar na FEBACLA ou de receber uma honraria em um momento tão delicado  da história mundial. As expressões de solidariedade, fraternidade e esperança  transformaram aquela solenidade em um acontecimento memorável, reafirmando que  os vínculos humanos e acadêmicos são capazes de superar as barreiras impostas pela  distância física. 

O êxito da primeira sessão virtual fortaleceu a convicção de que a tecnologia poderia  ser utilizada como instrumento de aproximação e não de afastamento entre as  pessoas. A experiência demonstrou que era plenamente possível preservar a  solenidade dos atos acadêmicos, o rigor do cerimonial e o respeito às tradições  institucionais, mesmo utilizando plataformas digitais. Esse resultado incentivou a  continuidade do projeto e serviu como base para o aperfeiçoamento dos eventos  realizados nos meses e anos seguintes. 

À medida que novas solenidades eram promovidas, a adesão do público crescia de  forma consistente. Acadêmicos, escritores, pesquisadores, artistas e personalidades  de diferentes estados brasileiros, e posteriormente de outros países, passaram a  participar regularmente das atividades da FEBACLA. O formato virtual eliminou  barreiras geográficas, reduziu custos de deslocamento e ampliou significativamente o  acesso às cerimônias, tornando a Federação ainda mais presente na vida cultural  brasileira. 

Passados seis anos desde a realização daquela primeira sessão solene, os eventos  virtuais permanecem plenamente integrados ao calendário oficial da FEBACLA.  Atualmente, a instituição adota um modelo híbrido, conciliando solenidades  presenciais e virtuais, permitindo que cada participante escolha a modalidade mais  adequada às suas possibilidades. Longe de representar uma solução temporária, essa  forma de atuação consolidou-se como uma política institucional permanente, capaz de  ampliar o alcance das ações da Federação sem renunciar à excelência de seus  protocolos e tradições. 

Outro aspecto relevante desse legado foi seu efeito inspirador sobre outras  organizações culturais e acadêmicas. A experiência pioneira desenvolvida pela  FEBACLA demonstrou que era possível realizar solenidades oficiais de elevado nível  por meio das plataformas digitais, preservando o respeito às normas cerimoniais e  garantindo ampla participação do público. Com o passar do tempo, diversas  instituições passaram a adotar modelos semelhantes de atuação, evidenciando a  contribuição da FEBACLA para a modernização das práticas culturais no Brasil. 

Ao analisar retrospectivamente essa trajetória, percebe-se que a pandemia impôs  enormes desafios, mas também impulsionou profundas transformações institucionais.  O que nasceu como uma alternativa emergencial converteu-se em um legado  permanente, reafirmando a capacidade da FEBACLA de inovar sem abandonar seus  princípios, de preservar suas tradições sem resistir às mudanças e de continuar  promovendo a cultura mesmo diante das circunstâncias mais adversas. 

A história dos eventos virtuais da FEBACLA demonstra que a inovação, quando  sustentada pelo compromisso com a missão institucional, pelo espírito de cooperação  e pela dedicação de seus colaboradores, é capaz de transformar dificuldades em  oportunidades e de construir um patrimônio histórico que permanecerá como  referência para as futuras gerações de acadêmicos, pesquisadores, artistas e  promotores da cultura brasileira.

Considerações finais 

A pandemia da covid-19 impôs desafios sem precedentes às instituições culturais,  acadêmicas e científicas em todo o mundo. Entretanto, também revelou a  extraordinária capacidade de adaptação, criatividade e inovação das organizações  comprometidas com a preservação do conhecimento, da cultura e da memória  coletiva. 

A experiência da FEBACLA demonstra que momentos de profunda crise podem  transformar-se em oportunidades de crescimento institucional quando existem  liderança, espírito de cooperação, coragem para inovar e compromisso permanente  com a missão que norteia a organização. 

Aquilo que nasceu como uma resposta emergencial às restrições sanitárias  consolidou-se como uma nova forma de promover a cultura, a ciência, as letras e as  artes, ampliando significativamente o alcance das ações institucionais e permitindo  que pessoas de diferentes regiões do Brasil e do exterior participassem ativamente da  vida acadêmica da Federação. 

Mais do que preservar suas atividades durante um período crítico da história, a  FEBACLA fortaleceu sua presença nacional e internacional, ampliou sua capacidade  de integração entre pesquisadores, escritores, artistas e intelectuais e contribuiu para  demonstrar que a tecnologia pode ser utilizada como uma poderosa aliada da difusão  cultural quando orientada por valores humanísticos e institucionais. 

A realização da primeira Sessão Solene Virtual, em 25 de julho de 2020, representou  um marco histórico não apenas para a FEBACLA, mas também para o movimento  cultural brasileiro. Naquele momento, em meio às incertezas provocadas pela  pandemia, demonstrou-se que era possível preservar a dignidade dos atos  acadêmicos, a solenidade do cerimonial e o simbolismo das honrarias mesmo em  ambiente virtual. A emoção vivenciada naquela cerimônia permanece como uma das  mais significativas lembranças da história da instituição e simboliza a capacidade  humana de superar adversidades por meio da união, da esperança e da perseverança. 

Os resultados alcançados ao longo desses anos evidenciam que a experiência da  FEBACLA ultrapassou os limites de uma solução tecnológica. Ela consolidou um novo  paradigma de atuação institucional, fundamentado na inclusão, na democratização do  acesso às atividades culturais e na eliminação das barreiras geográficas que, durante  décadas, limitaram a participação de muitos acadêmicos e personalidades da cultura  brasileira. O modelo híbrido atualmente adotado demonstra que tradição e inovação  não são conceitos opostos, mas elementos complementares capazes de fortalecer as  instituições e ampliar seu alcance social. 

Outro aspecto que merece destaque é o papel desempenhado pelas pessoas que  acreditaram nesse projeto desde seus primeiros passos. A construção desse legado  somente foi possível graças ao trabalho coletivo de colaboradores que colocaram seus  conhecimentos, sua dedicação e seu espírito de serviço a favor da missão institucional  da FEBACLA. Cada contribuição, seja na implantação da plataforma tecnológica, na  organização administrativa, na condução do cerimonial ou na transmissão das  solenidades, tornou-se parte integrante da memória histórica da instituição e reafirma  que as grandes realizações são sempre fruto da cooperação entre pessoas  comprometidas com um ideal comum.

Ao longo dessa trajetória, a FEBACLA também exerceu um papel pioneiro ao  demonstrar a viabilidade das solenidades acadêmicas virtuais em um momento em  que poucas instituições haviam adotado esse formato. A experiência acumulada ao  longo dos anos contribuiu para inspirar outras organizações culturais, acadêmicas e  literárias a incorporarem recursos tecnológicos em suas atividades, ampliando o  acesso à cultura e fortalecendo redes de cooperação em âmbito nacional e  internacional. 

Sob uma perspectiva pessoal, esta trajetória representa muito mais do que uma  realização administrativa. Depois de enfrentar a covid-19 e vivenciar um dos  períodos mais difíceis de minha vida, compreendi que a continuidade desse trabalho  constituía não apenas um dever institucional, mas também uma missão renovada. A  superação da enfermidade e a consolidação dos eventos virtuais reforçaram minha  convicção de que Deus, em Sua infinita misericórdia, concedeu-me uma nova  oportunidade para continuar servindo à cultura, à educação, à história e à sociedade  brasileira. 

Ao registrar esta experiência, busca-se não apenas preservar a memória institucional  da FEBACLA, mas também oferecer um testemunho histórico sobre a capacidade de  reinvenção das organizações culturais diante das adversidades. As futuras gerações  encontrarão, nessa trajetória, um exemplo de que os maiores desafios podem dar  origem às mais significativas conquistas quando há determinação, união, planejamento  e compromisso com valores permanentes. 

Por fim, a história dos eventos virtuais da FEBACLA reafirma uma importante lição: a  cultura jamais pode ser interrompida. Ela encontra novos caminhos, adapta-se às  circunstâncias históricas e continua cumprindo sua missão de aproximar pessoas,  preservar a memória, promover o conhecimento e fortalecer os laços de fraternidade  entre os povos. Esse legado, construído em meio a uma das maiores crises da  humanidade, permanecerá como parte indissociável da história da FEBACLA e como  uma contribuição efetiva para a evolução das práticas culturais e acadêmicas no  Brasil. 

Referências 

BRASIL. Ministério da Saúde. Painel Coronavírus. Brasília: Ministério da Saúde, 2020- 2023. 

CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. 24. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2022. 

CENTRO SARMATHIANO DE ALTOS ESTUDOS FILOSÓFICOS E HISTÓRICOS.  Registros administrativos e memoriais institucionais. Acervo institucional, 2020- 2026. 

FEDERAÇÃO BRASILEIRA DOS ACADÊMICOS DAS CIÊNCIAS, LETRAS E ARTES  (FEBACLA). Documentação institucional, atas, registros administrativos e  memoriais históricos. Acervo institucional, 2020-2026. 

LÉVY, Pierre. Cibercultura. 3. ed. São Paulo: Editora 34, 2010. 

NORA, Pierre. Entre memória e história: a problemática dos lugares. Projeto História,  São Paulo, n. 10, p. 7-28, 1993.

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A EDUCAÇÃO, A CIÊNCIA E A  CULTURA (UNESCO). Repensar as políticas para a criatividade: enfrentar a cultura  como um bem público global. Paris: UNESCO, 2022. 

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Coronavirus Disease (COVID-19):  Dashboard. Genebra: World Health Organization, 2020-2023. 

SANTOS, Boaventura de Sousa. A cruel pedagogia do vírus. Coimbra: Edições  Almedina, 2020. 

SANTOS, Milton. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência  universal. 31. ed. Rio de Janeiro: Record, 2021.

Alexandre Rurikovich Carvalho

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Marizela Ríos Toledo

Alexander Anchia

Entrevista com la poeta mexicana Marizela Ríos Toledo

Logo da Seção Entrevistas ROLianas
Logo da seção Entrevistas ROLianas

Conozco a la poeta mexicana Marizela Ríos Toledo con una trayectoria poética importante en su país.

Poeta de lo cotidiano, de lo existencial de lo hondo y profundo. Tuve la posibilidad de compartir personalmente con la poeta durante el Encuentro de Poesía: Tras las Huellas del Poeta, celebrado durante el 2016 en Chile.

Desde esa fecha hemos compartido aventuras poéticas.

Aquí está la entrevista que le hicimos.

Marizela Ríos Toledo - Arquivo pessoal
Marizela Ríos Toledo – Arquivo pessoal

1-En pocas palabras o en palabras poéticas. ¿Quién es Marizela Ríos Toledo? 

Soy una mujer  mexicana de la etnia zapoteca vinculada al poema de vida de mi origen: flor y canto. La poesía, la literatura en mí, son raíz y sangre. 

2-¿Por qué escribes poesía, ¿qué te lleva a esa “locura”, si pudiésemos pensar de eso en estos tiempos?

Escribo poesía como acto de fe, porque creo en el poema como organismo que fluye, que no deja de moverse y busca cautivar con voz e imagen, un breve momento que vincule el ser y el no ser. Creo en lo humano que también es lenguaje y movimiento y en repetidas ocasiones es alguien que no es. La poesía lo transfigura, el cometido de la palabra causa el efecto.  

3- ¿Cómo debe escribirse o concebirse la poesía, para sobrevivir en estos tiempos posmodernistas?

La poesía no depende sólo del tiempo o de la moda, es una necesidad humana. En la posmodernidad hay varias dificultades para los que escribimos poesía: hay mayor rapidez que contemplación. La abundancia de voces nos hace pensar que todo está dicho. La mercadotecnia valora lo que vende no lo que permanece. Entonces, ¿cómo sobrevivir como poeta? Sin duda, no pensar en sólo publicar, sino aprender a mirar y comprender que todo lo que existe, lo que es más allá de la materia, es poesía. Escribir siempre, incluso cuando nadie parece escuchar. La poesía empieza cuando nos negamos a dejar de asombrarnos. El poema es un instrumento que funciona para cuestionar la realidad. Es mejor considerar que la tarea de la poesía consiste en encontrar un lenguaje que nos haga respirar el presente. Para sobrevivir en la poesía, se necesita ser fiel a la necesidad de hacerlo.

4- ¿Cuáles han sido tus referentes poéticos, o quiénes te han influenciado?

Son innumerables los enfoques y tendencias que en mí han influido: desde Simias de Rodas, Los poetas malditos, Arthur Rimbaud, César Vallejo, Vicente Huidobro, Anne Sexton, Octavio Paz, Gabriel Zaid, Rafael Cadenas,  Simone de Beauvoir Incluyo a Silvia Kristeva que me ha ayudado a darle apertura en la poesía a la abyección, que en el arte se exalta. 

José Luis Ruiz Abreu, Marizela Ríos Toledo e Mariza TRejo Sirvent
José Luis Ruiz Abreu, Marizela Ríos Toledo e Mariza TRejo Sirvent – Arquivo pessoal

5- Sería utópico hacerlo, pero si por un momento tomásemos el tratado de Nietzsche en cuanto a lo Dionisiaco y Apolíneo y pudiésemos ubicar en lo Dionisiaco a Sabines y en lo Apolíneo a Octavio Paz, ¿a cuál estilo te acercarías más con tu poesía, o buscarías un punto medio?

Octavio Paz, él tiende a construir el poema como una forma de conocimiento, sus imágenes son meticulosamente cuidadas, su reflexión filosófica es constante, Se interesa por el tiempo el lenguaje, la conciencia; hace parecer que piensa mientras escribe. 

6- ¿Cuál libro tuyo nos recomiendas para un lector primerizo y cuál es más apropiado para un lector ávido y amante de la lectura de la Poesía?

1.- Ad Libitum: estrategias de poesía: largo aliento, poemas visuales, poemas trabajados como flash o instantánea. Vida y muerte están presentes.

  2.- Poesía en fuga: lenguaje directo, busco rescatar palabras que han llegado a convertirse en mercancía sin idealizar el pasado, sino para impedir que desaparezcan de la experiencia humana al convertirse  extremadamente sensibles o románticas.

7- Finalmente déjanos unas dos estrofas de un mismo poema o de diferentes poemas para el público lector que podamos degustar.

EVA

Aborrezco tu nombre
Cargo la indignación de convertir en polvo
el azar que anhelo
y no enfrascarme en la rutina de cargar
con lo que no quiero ser.

No hay existencia que mw aloje,
no perdurarán mis vísceras en la nada.

Creada para ser perfecta, desplazándose con laxitud,
el hombre aprueba tu proporción

Abres la mano para atrapar el fruto
Sin saber de tu sometimiento.

Aquí estoy,
cuando el corazón engaña y niega la muerte que desea.

¿Qué temor esconde la serpiente?
¿Eres la que se desliza y rezume en su semblante
los miedos que anteceden a su imagen?

¿Soy yo la que atestigua tu ingenuidad,
la que sonríe y miente,
la cobarde que te cree ajena
y te siente junto al alma?

¿Somos todas?”
¿<<Aquellas<< las de <<ahora<<, las arrinconadas
somos tú?

Me cuesta encontrarme, extravié la perspectiva,
no alcanzo a distinguir más allá de los edificios
que frente a mí persisten,
no encuentro la luna que desde el tragaluz,
con una mirada acortaba su distancia.

Pesa tu nombre, Eva.
Me asfixia tu manzana.

LEVIATÁN

¿Cómo le explico al obstinado árbol de la vida
que comparto cautiverio con la serpiente?
¿Que mi temblor es la corazonada
que eterniza en el cerebro el vuelo de la mariposa?

La sal trago para reparar mi abatimiento.
Sibarita mi cerebro, escucha el zumbido de la arteria
que persiste en su prontuario imaginado.

El diablo, que está a punto de atraparme,
dudo que me conozca,
es ceniza de otro fuego.

Mi suerte tiene el olor del mar,
es la roca que la tendencia del cangrejo elige.

Imposible huir, soy
la serpiente
la mariposa
la sal
el miedo

Es mi código,
el argumento guardo para que nadie me rodee.
Estoy excluida del rumor y no encuentro enigma en el silencio.
Confieso que toda ciudad me cautiva. Estimula su lengua,
no me sorprende su falta de misterio.

Cada espacio acicala la realidad que salta o se sumerge en un escombro,
en un claro.
Al mismo tiempo que el miedo grita en su guarida.

Que el diablo deje en libertad mi confundido paraíso.

Alexander Anchia

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Miti e utopie

Elisa Mascia: ‘Miti e utopie’

Elisa Mascia
Elisa Mascia
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La vita è in ogni momento appesa a un filo. Ricordarlo è d’obbligo soprattutto quando si è concentrati su utopie e miti irraggiungibili. Avere ferma consapevolezza dell’ essere in bilico costante tra qui ed ora con i piedi ben piantati nel presente
è una lodevole presa di coscienza, espressione di maturità del singolo individuo.

Nella sintesi perfetta il pensiero è perentorio. È d’uopo riflettere e meditare per scandire i rintocchi degli attimi in cui non ci si sposta dal sostare sulla soglia.

Non si procede né si retrocede. Applicabile in qualsiasi circostanza o situazione della vita.

Elisa Mascia

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Adágio e seu ouvido absoluto

Eduardo Cesario-Martínez

‘Adágio e seu ouvido absoluto’

Eduardo Cesario-Martínez
Eduardo Cesario-Martínez
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Adágio Allegro, desde menino, fora diagnosticado com algo raro. Não que fosse doença, porém, após alguns anos, passou a deixar a mãe colérica. Acredite ou não, o moleque havia nascido com ouvido absoluto. Isso mesmo! Absoluto!

          Por conta de tal característica, Adágio conseguia não somente distinguir todos os sons, mas também apontar, certeiro como as flechas impossíveis de Robin Hood, a nota musical. Todavia, não pense você que o menino falava apenas “dó”. Não mesmo!  Tacava logo “dó menor sustenido!”

          De tão afamado ficou, alguém teve a providencial ideia de apelidá-lo de Diapasão. A princípio, Adágio ficou furioso e, dizem, só parou de berrar quando percebeu o som do próprio choro em si bemol menor. No final das contas, acabou gostando da alcunha, que percebeu ser sua sina. 

          Já aos 10 anos, Adágio havia se tornado músico respeitado na banda do bairro. Tocava de tudo, desde flauta até trombone, passando por trompete e clarinete. Clarinete, sim, senhor! O guri era um prodígio. 

          Aos 12, não teve jeito de segurar o ímpeto do pirralho. Queria porque queria ser o maestro. E quem seria besta em não acatar tal desejo? Afinal, Afonso, que há quase seis décadas comandava aquela trupe, estava sem forças para manter a batuta firme. Resultado: aposentaram o velho. 

          Nas mãos firmes de Adágio, a antes banda de bairro, agora havia se transformado em uma orquestra. A fama correu a cidade inteira, até que chegou aos ouvidos do prefeito e, em seguida, aos do governador. Todos desejavam tirar uma casquinha da fama daquele prodígio. Diziam até que havia gente importante do exterior querendo levá-lo embora. 

          Pois foi justamente nesse tempo em que o governador, em conluio com o prefeito, pensou numa ideia quase infalível para manter Adágio na região. Uma namorada! Sim, isso mesmo! Isso porque, até onde se sabia, o rapaz, agora com 20 anos, estava solteiro. Solteiro e desimpedido.

          Os políticos inventaram um concurso de beleza para, assim, escolher a futura namorada de Adágio. Obviamente, ninguém sabia que aquele evento era para tal. Seja como for, houve centenas de inscrições, mesmo porque a premiação não era das piores e, além disso, a vencedora receberia um troféu, sem contar a faixa de rainha da beleza. 

          Para encurtar a história, o concurso aconteceu logo no mês seguinte. As finalistas, uma mais linda do que a outra, se esforçaram além da conta. Entre loiras e morenas, ganhou a única ruiva. Jéssyka! Uma belezura!

          Dois dias após a coroação, Jéssyka foi convidada para uma recepção no amplo salão da sede do governo estadual. A moça, assim como todas as rainhas, foi ladeada por algumas damas de companhia, que foram escolhidas pelo governador, que, esperto que só, mandou trazer as quatro últimas colocadas no concurso. Dessa forma, pensou, a beleza da rainha ficaria ainda mais evidente. 

          Adágio também foi convidado para a festança. Ele, além de comandar a orquestra naquele evento, iria se sentar à mesa com a rainha da beleza. Tudo arranjado, era questão de tempo para que os dois pombinhos se sentissem atraídos um pelo outro. 

          Conversa vai, conversa vem, Adágio, sempre com os ouvidos atentos, parece não ter gostado da voz esganiçada de Jéssyka. Ademais, a rainha da beleza também parecia ter outros interesses além de manipuladores de batutas. Dava até para ouvir os pensamentos do governador e do prefeito, que, antes confiantes, agora carregavam só lamúrias. 

          Jéssyka, cuja soberba lhe havia subido à cabeça, decidiu se levantar e ir embora. Aquela situação era uma afronta para uma rainha. Não uma rainha qualquer, diga-se de passagem. Rainha da beleza! Pois se levantou e, apenas com um olhar para as suas damas, disse para que todas a acompanhassem. E foi o que fizeram, mas ocorreu um incidente com a Berenice, justamente a última colocada do concurso. 

          Assim que a Berenice ergueu seu corpo ligeiramente roliço, eis que se ouviu um som vindo do seu orifício mais ao sul. Imediatamente, olhares repreendedores surgiram de todos os lados. A moça, sem ter onde enfiar o rosto de tão envergonhada, foi salva por Adágio, que ficou encantado. Tanto é que, após seis meses de namoro, os dois ficaram noivos e, parece, vão se casar no próximo ano. 

          Percebo que você ainda está aqui me lendo. Na certa, está curioso para saber como é que o Adágio salvou a Berenice daquele imbróglio. Pois bem, eis as palavras do gajo:

— Nem mesmo um saxofone consegue fazer um fá sustenido tão bonito.

Eduardo Cesario-Martínez

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