Professor Carlos Cavalheiro publica artigo em e-book da UERJ

O artigo escrito e apresentado pelo professor Carlos Carvalho Cavalheiro é parte de uma pesquisa de Doutorado em Comunicação e Cultura

Foto do arquivo pessoal de Carlos Carvalho Cavalheiro
Foto do arquivo pessoal de Carlos Carvalho Cavalheiro

Um rio de possibilidades: a comunicação rebelde dos pescadores da área urbana de Sorocaba” é o título do artigo do professor Carlos Carvalho Cavalheiro, publicado nesta semana (dia 09 de março) no e-book Comunicar o tempo – Memórias, vivências e visões, publicado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Faculdade de Comunicação Social.

Organizado pelos professores Ana Carla Longo, Guilherme Alves, Julia Barroso, Luís Fellipe dos Santos e Rafael Malhado, o livro é resultado das apresentações realizadas em 2024 durante a ocorrência do Simpósio Territórios, Tecnologias e Culturas (Tetecul).

O artigo escrito e apresentado pelo professor Carlos Carvalho Cavalheiro é parte de uma pesquisa de Doutorado em Comunicação e Cultura, e tem como tema a cidade compreendida como um sistema comunicacional em interação com seus habitantes. Desse modo, se debruça sobre a seguinte questão: a prática da pesca no rio Sorocaba, em área urbana, pode ser considerada como uma forma de comunicação rebelde? O objetivo é compreender de que maneira as práticas de pesca nessa área se configuram como formas críticas de interação com a cidade.

Cavalheiro é doutorando em Comunicação e Cultura pela Universidade de Sorocaba (UNISO), sendo Bolsista CNPq pelo Observatório de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Sorocaba, o qual, por sua vez, tem se debruçado sobre os múltiplos aspectos que envolvem o rio Sorocaba. O professor Carlos Carvalho Cavalheiro resolveu pesquisar a ação da pesca como uma forma de comunicação, a qual denominou de ‘comunicação rebelde’, uma ‘rebeldia de persistência’, em que o corpo e o território tornam-se os principais dispositivos de contranarrativa frente ao apagamento histórico e ao racismo estrutural.

Carlos Carvalho Cavalheiro utiliza os pescadores do Rio Sorocaba no IV TETECUL (2024) para exemplificar a ‘comunicação rebelde’ como um ato de resistência que contesta o planejamento urbano focado no capital. A pesquisa demonstra que a presença desses pescadores nas margens poluídas atua como uma “rasura” na paisagem moderna, exercendo o ‘direito à cidade’ através do fazer cotidiano, e não por meios digitais. A prática da pesca, com seu silêncio e presença, transforma-se em um emissor da mensagem rebelde, segundo o trabalho apresentado no evento.

O conceito de comunicação rebelde tem sido desenvolvido e aprimorado pelo professor Carlos Carvalho Cavalheiro e por seu orientador no Doutorado, o professor Dr. Paulo Celso da Silva.
Cavalheiro e Silva têm se valido de diversos teóricos nessa construção, como Joice Berth, Paulo Freire, Michel de Certeau, David Harvey entre outros.

O livro ‘Comunicar o tempo – Memórias, vivências e visões’ pode ser acessado gratuitamente pelo link: https://drive.google.com/file/d/1S4-DN2zVrinSOFoPmWx8F-myAlufaV0Y/view
Carlos Carvalho Cavalheiro é professor da rede pública municipal de Porto Feliz, onde leciona História desde 2006. É historiador, tendo se destacado na produção historiográfica regional, abarcando cidades como Sorocaba, Porto Feliz, Itu, Capivari dentre outras. Paulo Celso da Silva é Doutor e Mestre em Geografia pela USP e desenvolve projetos de pesquisa que abordam as políticas públicas de alcance tecnocomunicacional na smartcity: principalmente no projeto 22@barcelona no campo das Geografias da comunicação. Atualmente, é coordenador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura pela UNISO.

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Um último suspiro na Golden Gate Bridge

COLUNA  PSICANÁLISE E COTIDIANO

Bruna Rosalem: ‘Um último suspiro na Golden Gate Bridge’

Bruna Rosalem
Bruna Rosalem
Golden Gate Bridge - Imagem de domínio público
Golden Gate Bridge – Imagem de Domínio Público (www.publicdomainpictures.net)

Socorro, alguma alma, mesmo que penada.
Me empreste suas penas.
Já não sinto amor nem dor,
Já não sinto nada.

Socorro, alguém que me dê um coração, 
Que esse já não bate nem apanha.
Por favor, uma emoção pequena, 
Qualquer coisa.

Composição de Alice Ruiz, cantada por Arnaldo Antunes – Socorro/1998, Álbum ‘Um som’

Por indicação de um cinéfilo que admiro muito, resolvi assistir ao documentário americano A Ponte’ (The Bridge). É uma produção de 2006 dirigida por Eric Steel que retrata ao longo do ano de 2004, filmagens posicionadas em dois pontos ocultos diferentes da ponte Golden Gate em São Francisco, Califórnia, nos Estados Unidos, de pessoas das mais diversas idades, gêneros, etnias, culturas, classes sociais, que decidiram tirar suas vidas naquele lugar, mais do que em qualquer outro lugar do mundo. São dados realmente alarmantes: naquele ano, mais de 24 suicídios puderam ser registrados.

Além das terríveis e desoladoras cenas das pessoas se jogando da ponte, a equipe de produção gravou várias entrevistas com amigos, familiares e testemunhas tentando dar alguma explicação sobre as possíveis motivações que levaram seus entes queridos a desistir da vida. São histórias que perpassam por depressão, abuso de substâncias e transtornos mentais. 

A fala das pessoas próximas aos que cometeram suicídio parece expressar um grande e avassalador ponto de interrogação, pois jamais se saberá ao certo que fator ou fatores determinantes fizeram aqueles sujeitos não conseguirem vislumbrar nenhum tipo de saída para seus tormentos que não fosse a morte. Ainda mais triste é carregar sentimentos de culpa, remorso, impotência diante do que parecia ser inevitável. Os testemunhos que acompanhamos no documentário doem tanto quanto assistir ao momento do salto fatal. É angustiante pensar na vida dos familiares e amigos que muito pouco ou nada puderam fazer para impedir um fim tão trágico. Não importa quantos anos se passem, a pergunta sempre ecoa: Por que ele (a) não era feliz? Outras questões também surgem: O que fizemos para ele (a)? Onde erramos? Por que não vimos sinais? Por que não o (a) salvamos? São indagações que permanecem sem respostas.

Na época, o documentário provocou muita ira e indignação entre o público em geral, pois o diretor Eric Steel foi acusado de sensacionalismo por expor de forma tão crua um tema extremamente sensível. Polêmicas à parte, fato é que testemunhar pessoas se jogando da ponte, sem efeitos de borrões ou cortes, é realmente difícil de ver. Chega a ser indigesto. A vontade é de sair correndo e impedir o ato. Como espectadora, além da sensação incômoda de assistir uma pessoa real se jogar, pois você sabe que não é um ator ou atriz, nada foi possível fazer. A única coisa que resta é a reflexão sobre as muitas significações sobre vida e a morte. 

Uma pessoa em especial me marcou demais: um senhor vestido com roupas confortáveis como se tivesse saído para caminhar numa linda manhã de sol. Vestia bermuda e camiseta, tênis, boné e óculos de sol. O clima era ameno e havia uma brisa refrescante. Ele se aproximou da ponte sem nenhuma cerimônia, olhou rapidamente para baixo, transpassou as pernas para o lado de fora e, como num ato simples e trivial, deixou seu corpo cair. Seu boné e óculos voaram no ar. Confesso que esta imagem perdurou por dias em minha mente.

Depois dessa experiência, permanece o convite a revisitar as razões que te faz viver, o que te fortalece, o que te mobiliza, o que, no fundo, te faz vencer a morte.

Certa vez escutei de uma paciente que lidava com a morte de perto, dizia ela, pois trabalhou por muitos anos em Unidade de Tratamento Intensivo, as conhecidas UTI´s. Afirmava com veemência: “Eu fazia de tudo para salvar uma pessoa! Queria o suspiro de vida! Aí sim eu me sentia bem. Porém, logo depois me perguntava: por que esta pessoa quer tanto viver?”.

Se pensarmos, é realmente uma questão pertinente. Deixo o convite à reflexão em aberto.

Bruna Rosalem

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Didatologia para utilização em redes sociais

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Artigo

‘Didatologia para utilização em redes sociais’

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo

Em tempos tive a possibilidade de assumir a responsabilidade de escrever e publicar uma reflexão sobre os benefícios e malefícios das redes sociais, concretamente, sobre o Facebook. Critiquei, e continuarei a reprovar, intransigentemente, com profunda convicção, as intervenções escritas, icónicas, pictóricas que ofendem a dignidade da pessoa humana bem-formada, apesar de “só consultar tais perfis quem assim o deseja”, segundo alegam alguns utilizadores de tais incursões de baixo e inqualificável nível ético-moral.

No mesmo artigo, manifestei, igualmente, o meu apoio a todas as pessoas que utilizam esta aplicação para encontrarem familiares, amigos, colegas de várias atividades, divulgarem conhecimentos, tecnologias, combinarem encontros, trocarem opiniões sobre os mais diversos e decentes temas, que se repercutem, universalmente: para o bem; ou para o mal, conforme as utilizações que se fazem.

Pretendo, nesta reflexão, destacar as virtualidades positivas do Facebook, solidarizar-me com os utentes que escolhem este meio de comunicação para: divulgarem os seus conhecimentos; publicarem as matérias sobre os temas científicos, culturais, literários, tecnológicos; e quaisquer outros que acrescentem riqueza ao património axiológico mundial, desde logo, ao nível da Cidadania, Direitos Humanos, Felicidade, Paz, Bem-Comum, entre muitos outros.

Naturalmente que é aceitável, porventura, desejável, que se elaborem e publiquem trabalhos de índole crítica, porém, com objetivos construtivos, sem entrar no domínio do irracional, dos “esquemas da mais baixa moral” e, principalmente, sem invocar/exibir as diversas práticas de pedofilia, pornografia, orgia e outras aberrações antiéticas e antimorais.

Os utilizadores do Facebook estão em permanente observação, em qualquer parte do mundo, no ciberespaço, por milhões de pessoas, entidades públicas e/ou privadas. É, até, compreensível que assim seja, para que se saiba: “quem é quem?”; “quem está com quem?”; “quem faz o quê?”; “quem apoia, o que gosta e com quem gosta de conversar?” porque a resposta a estas questões, conduz-nos imediatamente ao velho provérbio: “Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és”.

Em bom rigor, se uma determinada pessoa, sistematicamente: dialoga, acompanha, concorda, apoia, certo tipo de outras criaturas, e se estas revelam comportamentos extrovertidos, atentatórios de princípios, valores e sentimentos nobres, é possível que, mais tarde ou mais cedo, tal pessoa venha a ser como aquela com quem se tem relacionado em atitudes de baixo nível educacional, cultural, civilizacional e ético-moral, podendo vir a ser provável que quem regularmente se relaciona e acompanha, por exemplo, com indivíduos do mundo do crime, acabem por se afundar nesse mesmo universo tenebroso.

É muito frequente que os utilizadores do Facebook, para determinados fins legais, justos e legítimos, de troca de informações decentes, peçam e aceitem as denominadas ‘amizades’, como se afigura de bom gosto, e educação sociocultural, agradecer a aceitação de uma afeição Facebookiana, com a colocação de um simples ‘gosto/curto/like/adoro/amo’, expressões universalizadas, que se colocam sobre fotos e frases de quem nos aceitou como amigo. É uma espécie de cortesia.

Manifestar gratidão, elogiar educadamente, proferir uma opinião gentil, afinal só é possível entre pessoas cultas, educadas, de boa-formação ético-moral e, principalmente, empenhadas em relações sociais de elevado nível civilizacional, que nada têm a ver com as intervenções de outros estratos da sociedade que, para se tornarem ‘engraçadamente mal-educados’, recorrem ao: insulto, à insinuação sexista, tudo isto encoberto numa “cândida garotice”.

O Facebook é, excluindo os exageros indecentes, exibicionistas e mal-educados, de algumas pessoas, de muito duvidosa reputação, a todos os níveis, da dignidade humana, um recurso tecnológico que se julga necessário rentabilizar, pela positiva, ou seja: partilhar a excelência do que de melhor existe na sociedade cultural, política, religiosa, empresarial, científica, tecnológica, financeira, económica, enfim, num universo que se deseja humanista, no respeito de “todos por todos”, de resto, não se pode ignorar que as nossas crianças, hoje em dia, são imensamente inteligentes e, ainda com pouca idade, já sabem manejar um computador e entrar na internet, bem como em todas as redes sociais.

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente Vitalício (Não Executivo) do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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Louvor à vida

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
Artigo: ‘Louvor à vida’

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo

A interação entre: pessoas que se respeitam, e querem bem; entre povos soberanos que não interferem nas decisões uns dos outros; e entre nações que não recorrem à ingerência interna, umas das outras, das opções que tomam, é, provavelmente, um dos caminhos a seguir, para se alcançar a paz, porque é inadmissível qualquer tipo de intervenção que prejudique uma população inteira.

No passado, tal como ainda hoje; «O colonialismo, novo ou velho, que reduz os países pobres a meros fornecedores de matérias primas e mão de obra barata, gera violência, miséria, emigrações forçadas e todos os males que vêm juntos … precisamente porque ao pôr a periferia em função do centro, nega-lhes o direito a um desenvolvimento integral. (…) Digamos não às velhas e novas formas de colonialismo. Digamos sim ao encontro entre povos e culturas. Bem-aventurados os que trabalham pela paz.» (PAPA FRANCISCO, 2016:113-114).

Sempre que existe uma predisposição para a interação, tendo por objetivo valores superiores que dignificam a pessoa humana, e lhes proporciona melhores condições de vida, então, nestas condições, poder-se-á afirmar que as pessoas, os povos, as nações estão a trabalhar para o bem comum, considerando este como: «O conjunto das condições de vida social que permitem, tanto aos grupos como a cada membro, alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição.» (Gaudium et Spes, 26, in Ibid.:119).

A pessoa humana passa, rapidamente, por este mundo terreno. Se não tiver o bom senso e a clarividência para compreender esta sua frágil, e efêmera condição, e pensar, que jamais desaparecerá da face da Terra, portanto, poder envolver-se em todos os planos maléficos e diabólicos, contra os seus pares, mais tarde ou mais cedo, aperceber-se-á que se equivocou e, quanto tal acontecer, será demasiado tarde para arrepiar caminho, e enveredar pelas práticas do Bem.

Deverá ser, sempre na convergência de boas ideias, de boas práticas e de objetivos nobres, que o mundo habitado por esta humanidade, poderá melhorar, para que todas as pessoas, independentemente de quaisquer ideologias, orientações, faixas etárias, estatutos e desempenho de atividades diferenciadas, tenham, justa e merecidamente, uma qualidade e nível de vida, de acordo com a sua condição superior de “Ser Humano”.

O bem-estar geral não se constrói no conflito, na guerra, na perseguição e, muito menos, isoladamente, porque: «Uma nação que procura o bem comum, não pode fichar-se em si mesma; as redes de relações abonam a sociedade. Assim no-lo demonstra o problema da emigração dos nossos dias. Hoje é indispensável o desenvolvimento da diplomacia com os países vizinhos, que evite os conflitos entre povos irmãos e contribua para um diálogo franco e aberto dos problemas.» (Ibid.:121-122).

Quando se reflete sobre a necessidade de convergência de sinergias, tendo por objetivo o bem-estar geral, pretende-se sobrepor o coletivo ao individual, muito embora se defenda que se cada pessoa estiver bem, então, o mais provável, é que toda a comunidade também se sinta mais confortável, e esta situação é a que mais interessa a todas as pessoas, porque, salvo melhores e comprovadas opiniões, só temos uma vida física, por isso, é de bom senso, usufruí-la bem.

Pensa-se que: «O bem-estar que faz referência apenas à abundância material tende a ser egoísta, tende a defender interesses parciais, a não pensar nos outros e a deixar-se levar pela tentação do consumismo. Assim entendido, o bem-estar, em vez de ajudar, incuba possíveis conflitos e desintegração social; instalando-se como perspetiva dominante, gera o mal da corrupção que faz desamimar imensamente e causa tanto dano.» (Ibid.:120).

Acontece, em todo o caso, que a vida é, ao que tudo indica, experienciada uma só vez, pelo menos na sua dimensão física. Todas as iniciativas que possam conduzir a que cada pessoa alcance uma vida melhor, em todos os seus principais aspetos, serão sempre bem-vindas, apoiadas e coparticipadas, dá-se a importância em congregar o máximo de sinergias, e desenvolver as melhores estratégias para termos condições e motivos para glorificarmos a vida humana, em primeiro lugar, e depois a vida de todos os seres que connosco coabitam neste Planeta.

A vida será tanto mais confortável e digna quanto a soubermos vivenciar, a cada instante, em cada dia, semana, mês e ano, por isso, é necessário que não se invoquem sempre, e quase que exclusivamente, direitos, porque estes implicam deveres e vice-versa, até porque de outra forma, talvez nem conseguiríamos uma sublime vivificação, apenas própria do Ser Humano.

Bibliografia

PAPA FRANCISCO (2016). Proteger a Criação. Reflexões sobre o Estado do Mundo. 1ª Edição. Tradução, Libreria Editrice Vaticana (texto) e Maria do Rosário de Castro Pernas (Introdução e Cronologia), Amadora-Portugal:20/20 Nascente Editora.

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

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A matriarca de toda manifestação cultural

Natália Tamara
Artigo: ‘A matriarca de toda manifestação cultural’

Natália Tamara
Natália Tamara
"A Literatura nos oferece um saboroso banquete"
“A Literatura nos oferece um saboroso banquete”
Criador de imagens do Bing

Considerando que a Literatura é uma manifestação artística humana, entende-se então que suas ramificações permeiam de forma objetiva e subjetiva toda uma unidade ‘sígnica’ representativa, que compreende desde um indivíduo, grupo, comunidade, até o conceito de sociedade.

A Literatura nos oferece um saboroso banquete, põe à nossa frente uma mesa audaciosa, que nos remete a cores e sabores, levando-nos a sensações extraordinárias. Tal gula, quando saciada, deixa o ser humano em sério perigo de adquirir uma doença rara, denominada de ‘senso crítico’. Segundo Todorov, em Literatura em Perigo: “Assim como a filosofia e as ciências humanas, a literatura é pensamento e conhecimento do mundo psíquico e social em que vivemos”. (2009-p. 77); compreende-se então que a Literatura não diz respeito apenas a um mero componente curricular do ensino médio, ela vai muito além do que sua nomenclatura pode contemplar.

A Literatura esteve na Taverna com Álvares de Azevedo e os seus, esteve no Navio Negreiro, bradou no peito do poeta dos escravos, dançou ofegante a valsa de Casimiro de Abreu, chorou a solitude de Florbela Espanca, conheceu a intimidade de Cecília Meireles, olhou pela fechadura da dúvida a traição de Capitu. Degustou com Dionísio/Baco os melhores vinhos, amou e morreu nos braços apaixonados de Shakespeare, e, modesta que é, fingiu ser quem não é pelos olhos de Fernando Pessoa, carregando nas costas todo o sentimento do mundo, que já não cabia mais no peito de Drummond.

A literatura está nos bares, nas calçadas do dia a dia, está nos lares, no beijo dos enamorados, está na poesia marginal de Sérgio Vaz, se mostra esplendorosa na escultura ‘escriturária’ do mestre Olavo Bilac. Podemos evidenciar esta postulação em O Demônio da Teoria de Compagnon, onde o autor expõe: “No sentido restrito, a (Literatura, fronteira entre o literário e o não literário) varia consideravelmente segundo as épocas e as culturas” (199-p. 30).

A senhora Literatura, outrora vista apenas como fonte de deleite, por vezes sacramentada no papel de instruir o leitor, tem por sua verdade um poder moral perante a sociedade. Compagnon vem reafirmar tal conceito em Literatura Para Quê?: “Uma segunda definição do poder da literatura, surgida com o Século das Luzes e aprofundada pelo romantismo, faz dela não mais um meio de instruir deleitando, mas um remédio. Ela liberta o indivíduo de sua sujeição às autoridades, pensavam os filósofos; ela o cura, em particular, do obscurantismo religioso. A literatura instrumento de justiça e de tolerância, e a literatura (leitura), experiência de autonomia contribuem para liberdade e para responsabilidade do indivíduo” (2009-pp.33,34).

Contudo, é de extrema naturalidade que a visibilidade de literatura esteja atrelada a todos os moldes de uma sociedade; interligada diretamente com o campo artístico e cultural. Desta forma, podemos conceber a Literatura como a Matriarca de todas as manifestações culturais.

Natália Tamara

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O LIVRO SECRETO DO ESCRITOR

Especialista Lilian Cardoso reúne perspectivas sobre o mercado literário brasileiro, dicas de marketing e workbook para autores

Capa do livro de Lilian Cardoso, "O livro secreto do escritor", pelo Grupo Editorail Citadel
Capa do livro ‘O livro secreto do Escritor‘, de Lilian Cardoso

Há quem pense que a criatividade é um dom – ou a pessoa nasce criativa, ou nunca terá tal capacidade.

No entanto, essa é uma habilidade que pode ser desenvolvida com o tempo e, principalmente, com os estímulos corretos.

Quando o assunto é a carreira na escrita, a criatividade é essencial, mas vai além de criar histórias!

É preciso saber como desenvolver uma narrativa capaz de comunicar e prender a atenção dos leitores.

Ou seja, fazer com que cheguem até a última página.

Quem pode contribuir com dicas de criatividade para novos escritores é a especialista no mercado literário há 15 anos e autora best-seller, Lilian Cardoso.

Autora da primeira obra completa sobre como escrever, publicar e divulgar um livro de qualidade, ela pode comentar ferramentas e conteúdos que ajudarão os escritores a tirar boas histórias do papel.

Obra une técnicas e conselhos indispensáveis para escritores

Por que alguém iria querer ler este livro?” Essa pergunta provavelmente passa pela cabeça de todo escritor ou aspirante.

Todo livro nasce de uma ideia e percorre muitas etapas até chegar às mãos do leitor, mas poucos sabem sobre esse processo.

Em O livro secreto do escritor, a autora, jornalista e especialista em marketing literário Lilian Cardoso oferece aos profissionais da área importantes ferramentas para vencer desafios com estratégia e conquistar espaço concreto em um mercado cada vez mais competitivo.

A publicação do próprio livro, pela Citadel Grupo Editorial, é o desejo de muitos autores, que por vezes não sabem por onde começar e, sem auxílio técnico ideal, caem em empreitadas que podem atrasar e complicar os caminhos para a conclusão de um projeto literário.

Capas mal executadas, falhas na revisão, atrasos de prazos, infelizmente, são problemas comuns para quem inicia a carreira independente.

Em cada capítulo, Lilian apresenta técnicas, exercícios e métodos capazes de orientar os autores em todas as etapas.

Antes de começar a desvendar os segredos de uma obra best-seller, o leitor-escritor descobrirá um pouco da história da autora, que trabalha há quinze anos no mercado literário.

Ao conhecer a trajetória da fundadora da agência que mais divulga livros no Brasil, a LC – Agência de Comunicação, o escritor-leitor compreenderá aspectos essenciais para a própria carreira, como iniciar o marketing antes mesmo da publicação do livro.

De dicas práticas e explicações sobre as etapas da produção aos alertas sobre plágio, direitos autorais e presença virtual – em plataformas como Amazon KDP –, a obra entrega ao escritor um arcabouço sintonizado com as mudanças no mundo editorial e nas tecnologias.


‘Todos nós temos algo para contar a partir das nossas experiências que pode tocar e inspirar outras pessoas.
Não importa o tamanho ou a natureza da sua mensagem, ela merece ser ouvida.
As palavras têm o poder de criar conexões, despertar emoções e fazer a diferença na vida de alguém. ‘

(O livro secreto do escritor, p. 69)


WORKBOOK, UMA EXPERIÊNCIA

O nome do livro não é uma referência a um suposto conteúdo secreto nele contido, mas à parte destinada aos comentários do autor, como um diário.

A cada capítulo, ele é convidado fazer anotações sobre objetivos, prazos e insights, a começar pelo cronograma inicial do projeto, bem como expectativas e inspirações, além de exercícios práticos sobre os assuntos abordados.

Com interessantes insights sobre o mercado literário, o comportamento dos leitores e sobre o próprio ofício da escrita, O livro secreto do escritor prepara o autor para novos voos.

Não importa o gênero literário escolhido, nem se é iniciante ou experiente, seguro de si, sonhador ou tímido: as lições evidenciadas por Lilian Cardoso permitirão ao autor testemunhar por si mesmo o poder das próprias palavras.

FICHA TÉCNICA
Título: O livro secreto do escritor: da página em branco ao best-seller
Autor: Lilian Cardoso
Editora: Citadel Grupo Editorial
ISBN: 978-65-5047-253-5
Formato: 15,2 x 22,9 cm
Páginas: 304
Preço: R$ 59,90 (físico); R$ 34,90 (e-book)
Onde encontrar: Amazon

SOBRE A AUTORA

Lilian Cardoso é mãe da Catarina e uma canceriana que ama estar entre a família e os amigos.

Imagem da escritora Lilian Cardoso, autora de "o livro secreto dos escritores" pelo Grupo Editorail Citadel
Lilian Cardoso

Em 2008, descobriu outra paixão que mudou a sua vida: o mercado do livro. Jornalista com especialização em cultura, fundou aos 26 anos em 2010 a primeira agência no Brasil 100% voltada à divulgação de livros.

Hoje a LC – Agência de Comunicação faz parte do maior grupo da América Latina de prestação de serviços em marketing editorial e consultorias para editoras e autores.

De romances a títulos técnicos, de novos autores a best-sellers, trabalhou com a sua equipe em mais de 4 mil campanhas literárias.

Em 2019, ela saiu dos bastidores dos lançamentos para dar início a um projeto que já era um sonho antigo: o curso Escritores Admiráveis.

Assim, tornou-se uma das profissionais mais influentes do setor pela sua conta no Instagram e é reconhecida por workshops e eventos on-line gratuitos que já impactaram mais de 100 mil autores.

SOBRE A EDITORA

Transformar a vida das pessoas.

Foi com esse conceito que o Citadel Grupo Editorial nasceu.

Imagem de Lilian Cardoso com varios de seus livros "O livro secreto do escritor" pelo Grupo Editirial Citadel

Mudar, inovar e trazer mensagens que possam servir de inspiração para os leitores.

As obras propõem reflexões sobre atitudes que devem ser tomadas para quem quer ter uma vida bem-sucedida.

A editora trabalha com escritores renomados como Napoleon Hill, Sharon Lechter, Clóvis de Barros Filho, entre outros.

Com essa ideia central, a Citadel busca aprimorar obras que tocam de alguma maneira o espírito do leitor.

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Direitos humanos. Prerrogativas inalienáveis

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo:
Artigo
‘Direitos humanos. Prerrogativas inalienáveis’

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo

O exercício da Cidadania, responsável e plenamente assumida pelos munícipes, é uma condição essencial para a construção de uma comunidade verdadeiramente democrática, no seio da qual cada cidadão, cada grupo, cada instituição pode desenvolver a sua atividade profissional, política, religiosa e de lazer, sem receio de qualquer tipo de perseguição, repressão ou vingança.

O município, no contexto rural e semiurbano, constituído pelas suas aldeias e freguesias, respetivamente, no ordenamento territorial português, (por grandes bairros, nos espaços urbanos nacionais e brasileiros), é o território intermédio que tem o seu suporte geográfico e populacional no conjunto das pequenas localidades: que o integram; que o caracterizam pela diversidade; pela genuinidade de valores, usos, costumes e tradições; enfim, pela sua simplicidade rural.

É a partir da pequena célula territorial, vulgarmente designada por freguesia ou aldeia, que emana a dimensão cultural, no seu sentido mais profundo e antropológico. É aqui que, generosamente (ou não), se pode (e deve) usufruir dos mais elementares direitos e cumprir, obviamente, com os correlativos deveres, em liberdade e respeito pelas ideias de cada cidadão, independentemente das suas opções políticas, religiosas ou estatutos: social, profissional e económico.

Compete: a todos os munícipes em geral; e aos titulares de cargos públicos, em particular; sejam eles por eleição, nomeação ou concurso, darem exemplos inequívocos de boas-práticas de cidadania, manifestados por atos de compreensão, tolerância e cooperação leal com todos os cidadãos, sem exceção.

A prática, consolidação e defesa dos mais elementares Direitos Humanos devem pautar a intervenção política, e cívica, dos governantes, decisores e executivos políticos, empresariais e religiosos, precisamente por intermédio das instituições que representam.

Concorda-se, e defende-se, que a cidadania plena envolve: não só a reivindicação e fruição de direitos; mas também o cumprimento cabal de deveres. Numa ou noutra situação, a assunção inequívoca e pronta das respetivas responsabilidades. Os Direitos Humanos são prerrogativas inalienáveis de todo o cidadão, da pessoa investida na sua completa dignidade, como tal, respeitada por toda a comunidade em geral e, particularmente, pelos detentores do poder, qualquer que este seja.

A relação que se deseja estabelecer, entre o cidadão-munícipe ou cidadão-freguês (nas freguesias), com os serviços da respetiva autarquia, deve configurar um ambiente saudável, leal e de recíproca colaboração entre o utente do serviço público, os funcionários e os dirigentes, tendo por base de sustentação de todos os atos dos interlocutores, a preocupação pelo respeito dos direitos que assistem aos intervenientes, não só na relação institucional, como, igualmente, no relacionamento social e privado.

No conjunto dos Direitos Humanos, dispersos por documentos universais, que englobam direitos específicos designadamente: refugiados, expatriados, perseguidos políticos, crianças, mulheres, idosos, grupos étnicos diferentes da população do país de acolhimento, entre outros grupos, que certamente são do conhecimento dos que governam, decidem, executam e sancionam, aqui com relevância para os autarcas, cumpre refletir sobre a situação da mulher, quanto ao exercício, e/ou, à defesa dos seus direitos e, se necessário, à sua própria proteção física e psicológica.

Poder-se-ia trazer para este apontamento o comprovativo estatístico dos maus-tratos e discriminação sobre as mulheres: domésticos, profissionais, políticos, religiosos e até de cidadania, mas será suficientemente esclarecedor o acompanhamento das notícias, frequentemente publicadas pelos órgãos de comunicação social, muitas publicamente comprovadas, infelizmente, com crescente e preocupante regularidade, indiciando grande impreparação por parte de muitos casais na resolução dos seus problemas diários, na maior parte dos casos, por culpa do homem que, perante as primeiras dificuldades, abandona o compromisso assumido: no Registo Civil; no Altar-Mor ou, simplesmente, na palavra dada, pelas promessas de amor e de fidelidade.

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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