Parceria entre a Cia. Provisório-Definitivo, Núcleo do Desejo e a produtora Cinematográfica Marcela, 'O Amor e a Peste'

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 Obra criada pelos atores Flavia Couto e Pedro Guilherme é inspirada na vida e obra de Anais Nin e Antonin Artaud, além dos diários escritos pelo próprio casal de atores durante o isolamento social

O projeto, que já foi apresentado como experimento cênico online ao vivo no começo do ano na casa dos atores, com dois fragmentos “Da Vida à Arte” e “Da Arte à Vida”, é agora experimentado em versão única, explorando os limites de linguagem entre o audiovisual, o teatral e as artes plásticas.

Inspirados por Artaud, um dos autores que ao lado de Anaïs Nin impulsionaram a peça, os criadores exploraram a contaminação entre artes – diários, cinema, teatro, artes plásticas, visuais.. Essa nova versão conta com direção da cineasta Marcela Lordy, grande nome da nova safra de diretoras de cinema nacional, da diretora de arte Vera Hamburger, e do premiado compositor Edson Secco. A equipe também é composta pela diretora de fotografia Manoela Rabinovitch, a  montadora Gabriela Bernd e os figurinos de Maria D’Cajas. O Amor e a Peste teve suas filmagens realizadas em setembro de 2021 no Teatro de Contêiner e faz parte do projeto “Cia. Provisório-Definitivo 20 anos” contemplado pelo Proac Lab PRÊMIO POR HISTÓRICO DE REALIZAÇÃO EM TEATRO da Lei Aldir Blanc em 2020.

“Escolhemos o título O Amor e a Peste como extensão dos dois movimentos presentes na peça, que além de refletir sobre os caminhos e tensões entre a arte e a vida, trazem à tona duas polaridades:  Eros – o êxtase do encontro amoroso e o impulso de criação, e Thanatos – a peste, a dissolução das formas de vida, a separação dos corpos dos amantes, os movimentos disruptivos e a pulsão de morte de uma sociedade máquinal.” Comenta Flavia.

O Amor e a Peste nasceu de uma imersão realizada no período de isolamento durante a pandemia, tendo como ponto de partida e inspiração as relações entre vida e arte suscitadas no encontro artístico e amoroso de Antonin Artaud e Anaïs Nin. Esses artistas emblemáticos inspiraram os atores-criadores, o casal de atores Flavia Couto e Pedro Guilherme, a escrever diários, reflexões e inquietações durante o período de isolamento, acerca dos processos vividos por eles, tanto no âmbito da vida, como da criação. O casal de artistas transpõe poeticamente a experiência de viver uma relação afetiva em meio ao confinamento em um apartamento em São Paulo, no Brasil de Bolsonaro, a impotência diante da realidade, a contaminação pela Covid-19, o luto por uma mãe e por uma filha, num extremo da turbulência do momento político-social.

Foram convidados para participar de maneira remota diversos colaboradores de áreas distintas, são eles: Donizeti Mazonas e Maria Fernanda Vomero, a preparadora corporal Lara Dau Vieira e o músico Edson Secco, que assina a trilha sonora original. Agora, nessa versão atual, transposta do confinamento da casa para os palcos vazios, somam-se ao projeto a cineasta Marcela Lordy, a cenógrafa e diretora de arte Vera Hamburger, e a diretora de fotografia Manoela Rabinovitch.

Concepção cênica

Ao partir da criação de Flavia e Pedro, Marcela imprime sua marca registrada como cineasta ao navegar entre áreas e linguagens. Ela convida a diretora de arte Vera Hamburger para também colaborar nessa construção cênica e audiovisual. Vera, como bagagem ao projeto, além da vasta experiência e referência em direção de arte no cinema brasileiro, traz como contribuição a sua pesquisa: o laboratório Fronteiras Permeáveis. Vera se dedica nos últimos anos a lançar um novo olhar sobre a criação cenográfica e direção de arte, ao colocar a plasticidade do cenário em conjunto com a do corpo do ator. O laboratório imersivo conduzido por ela aliou-se ao trabalho corporal e a concepção estética que já vinha sendo elaborada pelos atores-criadores. Além disso, soma-se na busca da plasticidade do movimento, os figurinos de Maria D’Cajas conhecida pela produção em dança, ao dar movimento e contorno ao vestuário cênico. Edson Secco, assina a trilha sonora, compositor reconhecido internacionalmente pela produção em cinema brasileiro, mas que também se dedica as artes da cena, ao ter suas composições presentes na dança, teatro e performance. Assim, nessa zona mista de produções diversificadas entre áreas e linguagens temos também na equipe a diretora de fotografia Manoela Rabinovitch e, como segunda câmera e montagem, Gabriela Bernd, com vasta experiência nas intersecções entre artes e linguagens. A fotografia acrescenta-se a iluminação entre o cinematográfico e cênico de Vinícius Andrade.  Com essa equipe principal, entre diversos outros integrantes, O Amor e a Peste é um convite a esse mergulho nos espaços intersticiais, na experimentação entre linguagens, artes, tempos, ficções e realidades em uma pesquisa e construção ininterrupta firmada entre os atores-criadores Flavia Couto e Pedro Guilherme ao longo de 3 anos na consolidação desse projeto.

 

Sinopse

A peça que se dividia em dois fragmentos realizados em dias distintos na versão caseira, apresenta hoje em sua composição cinematográfica um roteiro único, mas no qual ainda pulsam esses dois movimentos. O movimento “Da Vida para a Arte” percorre as oscilações do  encontro amoroso de Anaïs Nin e Antonin Artaud. Um encontro permeado de um erotismo fantasmático, que permite o espelhamento do casal de atores Flavia Couto e Pedro Guilherme no momento atual, em que partilham a experiência de viver uma relação afetiva em meio ao confinamento de uma pandemia desgovernada. O segundo movimento “Da Arte para a Vida”, transpõe o abismo de um fim de encontro afetivo para os destroços de um país, ele dá um salto no tempo, transpassando e costurando tempos, entre uma Paris de 1933 numa efervescência do nazismo, imersa na mediocridade e uma São Paulo de 2021 asfixiada pela pandemia em um Brasil de bestas de verde-amarelo.

A versão cinematográfica da peça tem um roteiro único mas que flui como um rio entre dois movimentos, entre o ápice e a queda, entre luzes e trevas, entre tempos, entre abismos, entre um gozo e um luto. O encontro entre Anais e Artaud se reflete no do casal de atores Flavia e Pedro, a ficção invade a realidade, uma ficção composta a partir de vestígios deixados por artistas de outra época, mas que encontram sua cicatriz no momento atual. Os personagens e atores se contaminam, se misturam, construindo pontos de convergência entre textos, que conduzem o discurso da peça.

CIA. PROVISÓRIO- DEFINITIVO

Criada em 2001 por formandos em Artes Cênicas na ECA-USP, a Cia. Provisório-Definitivo comemora 20 anos. Cia. premiada, em 2018 representou o Brasil no Festival Damai Super Live em Chengdu, na China, com AS ESTRELAS CADENTES DO MEU CÉU SÃO FEITAS DE BOMBAS DO INIMIGO – duas indicações para o Prêmio Shell 2013 (Melhor Direção e Melhor Iluminação). Sua última montagem, A(G)ORA – O ONTEM QUE ME FEZ SER HOJE foi recentemente apresentada de forma on-line comemorando os vinte anos de grupo. Ela prosseguiu nas comemorações com o solo O DESEJO DO OUTRO, de Pedro Guilherme com atuação do mesmo, também exibida de forma on line. DADESORDEMQUENÃOANDASÓ foi contemplada com o Prêmio Zé Renato de Teatro – 2015 e o Proac Circulação – 2017. O espetáculo GANGUE foi o grande vencedor do Prêmio FEMSA em 2013, sendo premiado em três categorias (Melhor Espetáculo Jovem 2012, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Atriz Coadjuvante), PELOS ARES venceu o Prêmio de Melhor Peça Infantil no Cultura Inglesa Festival (2010); e FAMÍLIA DRAGÃO foi indicada ao Prêmio FEMSA 2009 de Melhor Ator Coadjuvante. Já TODO BICHO TUDO PODE SENDO O BICHO QUE SE É ganhou o Prêmio Funarte Petrobrás para Montagem de Textos Inéditos e indicação ao Prêmio FEMSA 2007 de Melhor Autor – Pedro Guilherme. Seu espetáculo de estreia, VERDADES, CANALHAS, foi premiado em todos os festivais que participou. A Cia. tem na sua trajetória seis espetáculos adultos, cinco infantis e um espetáculo jovem. Participou de inúmeros festivais e projetos de circulação teatral.

NÚCLEO DO DESEJO

O “Núcleo do Desejo” é fundado por Flavia Couto tem a colaboração de diversos artistas como Antônio Januzelli, Pedro Guilherme, Donizeti Mazonas, Maria Fernanda Vomero, convidados para criação/pesquisa de projetos sobre o erotismo nas artes e buscando uma escrita da cena que foge do convencional, utilizando de diários, cartas, poesia e investigando a alquimias entre narrativas poéticas, políticas e estéticas audiovisuais, corporais na cena teatral.

2021 – O Amor e a Peste (experimento cênico online); 2020 – O Tablado Lírico de Hilda Hilst parte 2 – e  O Tablado Lírico de Hilda Hilst parte 1- – Programação online da biblioteca Mário de Andrade; 2019 – Escrituras Desejantes – Abertura de Processo no Teatro Zanoni Ferrite em 17/08/2019 – São Paulo.  ProAc Bolsa de Aprimoramento – Curso intensivo e residência no Théâtre Le Colombier com Roberta Carreri do Odin Teatret e Fabio Sforzini do Théâtre des Grands Chemins. Les Cabannes. França. 2019/2018/2017 Anais Nin à flor da Pele Direção: Aline Borsari. Festival MigrActions – no Théâtre de l’Opprimé – Paris. SESCs, Circulação em todos Centros Culturais Banco do Nordeste, Mostra Poéticas da Resistência. Esteve em Cartaz no Viga Espaço Cênico e na Oficina Cultural Oswald de Andrade na cidade de São Paulo e estreou em 2017 em Paris no Teatro Regard du Cygne. 2016 – Floema. De Hilda Hilst – Direção Donizeti Mazonas. Esteve em cartaz na Casa do Sol – Instituto Hilda Hilst e no Viga Espaço Cênico.

CINEMATOGRÁFICA MARCELA

Fundada em 2012 pela cineasta Marcela Lordy, a Cinematográfica Marcela é uma produtora de cinema, televisão e projetos multiplataforma de caráter cultural comprometidos com inovação de linguagem. A produtora consolida parcerias para realizar as obras de sua autoria. Ao longo dos últimos anos, foi coprodutora do curta ‘aluga-se’, com a bigBonsai e produtora associada do documentário ‘OUVIR O RIO: uma escultura sonora de Cildo Meireles’, do Instituto Itaú Cultural e Movie&art, ambos exibidos e premiados em festivais nacionais e internacionais. Também é coprodutora dos longas metragens de ficção ‘O Livro dos Prazeres’, com a bigBonsai e a Rizoma Films e ‘Aline’, com a Klaxon Cultura Audiovisual e a Kromaki.

 

Serviço:

Local: Canal do You Tube “O Amor e a Peste”

https://www.youtube.com/channel/UC_tWR2mprFau7qvdtIupZlQ

Exibições de 26 de novembro a 05 de dezembro

De sexta a domingo, sempre às 21h

Duração: 61 minutos

Classificação: 14 anos

Gratuito

 

Ficha técnica:

Experimento cênico audiovisual realizado em sistema colaborativo

Concepção e roteiro: Flavia Couto e Pedro Guilherme

Direção: Marcela Lordy

Provocação de roteiro e cena:

Marcela Lordy e Vera Hamburger – Laboratório Fronteiras Permeáveis

Direção de arte e cenografia: Vera Hamburger

Figurinos: Maria D’Cajas

Ateliê e Acervo: D’ Cajas | vestuário cênico & taylormade

Visagismo – Flavia Couto, Maria D’Cajas e Pedro Guilherme

Direção de fotografia: Manoela Rabinovitch

Iluminação: Vinícius Andrade

Segunda câmera: Gabriela Bernd, Flavia Couto e Pedro Guilherme

Montagem: Gabriela Bernd

Trilha sonora : Edson Secco

Assistente de Edição de Som: Marcelo Machado

Som direto: Leo Grego

Assistência de iluminação e operação de projeção: Pablo Perosa

Assistência de produção: Paloma Dantas

Cenotécnicos: Fábio Lima, Pedro Augusto, Pedro Guilherme.

Texto Pandêmico João Paulo Charleaux

Finalização de som: Sonideria

Músicas: Os lagartos estão a espreita, O dia em que minha terra Sangrou, Asfalto, Chaise de mars, Tensão, Banheiro Nazista, Trovoada.

Produção executiva: Flavia Couto e Pedro Guilherme

Ficha técnica do experimento cênico online “O Amor e a Peste” – realizado na casa dos próprios atores entre fevereiro e abril de 2021

Direção, dramaturgia e atuação: Flavia Couto e Pedro Guilherme

Provocadores cênicos: Donizeti Mazonas e Maria Fernanda Vomero

Trilha sonora: Edson Secco

Figurinos: Maria D’Cajas

Colaboração em corpo cênico: Lara Dau Vieira

Operação de vídeo e som: Paula Arruda

Arte gráfica: Flavia Couto




Peça online ao vivo Terra Medeia, da sueca Sara Stridsberg, estreia dia 22 de maio pela Plataforma Teatro

Espetáculo é uma continuação de parceria artística entre artistas brasileiros e suecos que começou no bem sucedido Dissecar uma Nevasca

“Até onde podemos segurar a mão de Medeia?”

Bim de Verdier

Com direção da sueca Bim de Verdier (que assina a tradução ao lado de Nestor Correia), o texto Terra Medeia, da também sueca Sara Stridsberg, ganha montagem online a partir de 22 de maio. A atriz Nicole Cordery vive a personagem-título e é acompanhada pelos atores André Guerreiro Lopes, Bim de Verdier, Daniel Ortega, Renato Caldas e Rita Grillo.

O espetáculo acontece ao vivo e os atores se dividem entre, Brasilança e Suécia. Nicole Cordery e Renato Caldas estão em cena no estúdio de João Caldas, renomado fotógrafo de teatro, localizado no bairro de Perdizes, em São Paulo, que neste momento também assina a direção de arte e as filmagens. Bim de Verdier faz o espetáculo da Suécia, Rita Grillo da França e André Guerreiro Lopes e Daniel Ortega e de suas casas no Brasil. 

Sinopse

Em Terra Medeia, a autora Sara Stridsberg acompanha de perto a tragédia clássica escrita por Eurípedes há quase 2500 anos. No entanto, o mito antigo é situado no mundo contemporâneo e, ainda assim, fora de tempo e espaço. Nesse enredo, onde a realidade se mistura com o sonho, Medeia é uma imigrante que, abandonada por seu marido, também perde o direito de viver no país dele.

A ideia do projeto surgiu do bem sucedido espetáculo da mesma autora que aconteceu em 2015: Dissecar uma Nevasca. Com o bom recebimento do público e crítica, as idealizadoras Bim de Verdier e Nicole Cordery decidiram fazer mais um trabalho juntas, da mesma dramaturga e com a mesma equipe. “Tivemos um desejo de entrar de novo num mundo criado por Sara Stridsberg, de trabalhar outra vez com as palavras, imagens e personagens dela”, conta Bim.

Sara Stridsberg é uma escritora e dramaturga sueca multipremiada, que alcançou repercussão internacional. Seus textos são traduzidos em mais de 25 idiomas. Em seus romances e peças teatrais, Sara trata de mulheres em luta por sua liberdade e contra as condições que a sociedade impõe. Suas histórias abraçam questões existenciais, psicológicas e políticas, convidando o leitor/espectador a examinar os temas de múltiplas perspectivas.

Terra Medeia foi escrita originalmente para o Teatro Nacional da Suécia, onde estreou em 2009. “Estudamos vários textos e já há alguns anos havíamos considerado uma encenação de Terra Medeia, quando nos foi pedida uma proposta de peça sueca para montar em São Paulo. Naquela época escolhi Dissecar uma Nevasca, porque tive a maior resistência em mergulhar no mundo cruel de Medeia. Mas os tempos mudam e a escolha do espetáculo é algo que fazemos em diálogo com o que se passa no mundo em volta: Quem conta o quê e como para quem? Da necessidade de levar questões candentes para o palco surgiu a coragem de acompanhar a viagem da Medeia”, conta Bim, que avança:

“Fiz a proposta para Nicole que não tardou em aceitar. Já estávamos com ensaios presenciais agendados, quando chegou a pandemia. Eu tive outro período de resistência, os obstáculos pareciam intransponíveis, mas Nicole aplicou o projeto para a Lei Aldir Blanc, no eixo Premiação (47/2020) e recebeu a verba que possibilita o privilégio de estarmos juntos novamente. Todas as etapas desse projeto foram discutidas e contempladas por mim e Nicole juntas e é graças à premiação, estamos conseguindo realizar a encenação dessa história.

Medeia é sempre Medeia. Alguém tem que ser Medeia

A peça ilustra como alguém rejeitado no amor e na sociedade pode perder o chão e se tornar perigoso. “Medeia faz de tudo para encontrar alguma solução. Ela se revolta, quer justiça, chora e esperneia, exige sua vida de volta. Ela quer fugir do destino, mas alguém tem que ser Medeia. Medeia é sempre Medeia”, diz Bim.

A autora não escreve sobre pessoas extremas, mas sobre pessoas sensíveis em situações extremas. Medeia é uma entre nós. Nessa condição podemos nos encontrar. “Eu quero criar personagens rodeados de mundos inteiros. Somos soberanos e presos, intelectuais e perdidos, tudo ao mesmo tempo”, conta a dramaturga Sara Stridsberg.

A atriz Nicole Cordery fala sobre a urgência de colocar a personagem nos dias de hoje. “Estamos vivendo tempos trágicos. Não é por acaso que muitos artistas no mundo todo estão se voltando para as tragédias gregas. Aprendemos com elas. As pessoas precisam se reunir, mesmo que de forma virtual, para chorar seus mortos, para lamentar seus destinos. Tem uma fala da peça que diz: “Você vai ser lembrada no futuro. Vão lembrar de Medeia. Você continuará sendo o fogo e a ferida.” E é impressionante como Medeia virou um símbolo da mulher no limite de sua humanidade. É uma personagem complexa. Mas pela ótica de Sara, extremamente humana.”

Bim complementa:  “A base da história é mítica, mas o mundo atual traz questões candentes que tornam urgente colocar Medeia no aqui e agora. Terra Medeia pode ser vista como um pesadelo, não só de uma mulher, mas da Terra inteira. É uma tragédia que conta sobre a própria Terra e sobre a sociedade, que não oferece proteção para quem está em perigo e busca refúgio. Um mundo onde o mais frágil e o mais valioso pode ser sacrificado e descartado”, conclui.

Sobre a direção, por Bim de Verdier

“Teatro é encontro e investigação. Sua linguagem é universal. Essas duas frases são a base do meu dirigir. Quando falo em encontro, incluo o público e a equipe como um todo. Incluo também o texto, o mundo fictício da história e o mundo real à nossa volta. Juntos saímos numa viagem. A vida na Terra que investigamos é, ao mesmo tempo, algo muito grande e muito sensível. Em ”Terra Medeia” somos guiadas por perguntas como ”É possível salvar uma outra pessoa?”, ”Até onde podemos segurar a mão de Medeia?”. No começo dessa viagem não sei onde vamos chegar, mas acredito que com confiança e sensibilidade vamos chegar longe.

Sempre trabalho muito próxima aos atores e equipe. Criamos juntos. Aponto direção e garimpo diamantes. Os atores constroem com muita pesquisa e paixão as personagens, eu e a equipe criamos situações e me coloco sempre em jogo. Acredito em Nina Simone quando fala ”Freedom is no fear”. Confio que sem medo alcançamos impulsos mais interessantes, autênticos e/ou honestos. Estou acostumada a ver os impulsos que vem direto dos corpos em movimento. A falta que sinto disso agora, me desafia. Tenho que procurar novos caminhos, tenho que andar na corda bamba e em momentos desse processo cheguei até a esquecer que estamos em lados diferentes do Atlântico.

Tenho em ”Terra Medeia” um texto teatral muito rico na mão, estou a serviço dele para lhe fazer justiça. Para através dele e dos corpos dos atores, junto com a equipe, criar imagens que dialoguem com o público. Que são reconhecíveis e relevantes. Convido o público e o elenco para se encontrar num mundo de várias camadas, onde existem personagens complexas, onde o pensamento dicotômico é ultrapassado. Quero que cada pessoa no público sinta a sua importância para que esse acontecimento possa acontecer.  Que o público entre no espaço do espetáculo e divida um olhar com a gente.

Tornar invisível é uma eficiente técnica de dominação, visibilizar é o seu oposto. Em Terra Medeia vamos ver a história de uma mulher sensível e forte, amando e odiando, desistindo e resistindo, multifacetada. ”Aqui está ela, Medeia!”, fala a Deusa no espetáculo porque a arte tem o poder de manter os mortos vivos por mais um tempo.

Estamos vivendo numa era complicada. Equilibramos na beira de um abismo, muitas vezes com a sensação de que cairemos sós, sem ninguém presente para nos amparar. Nunca precisamos tanto da arte como numa época de crise. É assim em tempos como esse que sopramos vida numa tragédia clássica simplesmente para ficar juntos diante disso, chorar juntos pode ser melhor do que chorar só. Encontrar-se no espaço teatral, físico ou virtual, traz esperança. Juntos paramos o tempo para sentir, valorizar e refletir sobre a condição humana”.

Ficha técnica 

Texto: Sara Stridsberg

Tradução: Bim de Verdier e Nestor Correia

Direção: Bim de Verdier

Elenco:

André Guerreiro Lopes…………….Jasão

Bim de Verdier………………………..Mãe e Deusa

Daniel Ortega………………………….Médico

Nicole Cordery………………………..Medeia

Renato Caldas………………………….Creonte

Rita Grillo……………………………….Babá

Direção de Arte, Fotografias e Filmagens: João Caldas

Equipe de Captação de imagens, edições e Transmissão: Marcela Horta, João Caldas e Andréia Machado

Operação de Vídeos ao Vivo: Marcela Horta

Contrarregra: Madu Arakaki

Composição Original de Trilha sonora: Leo Correia de Verdier

Direção de produção: Selene Marinho

Produção executiva: Marcela Horta

Designer Gráfico: Leonardo Miranda

Assessoria de Imprensa: Pombo Correio

Produção: SM Arte Cultura / Cordery e Viana Produções Artísticas

Consultoria de Figurino: Julia Correia de Verdier

Execução vestidos Medeia: Flávio Mothé

Participação especial (Voz da Princesa): Anna Zepa

Consultoria em Áudio: Alexandre Martins

SERVIÇO

Estreia 22 de maio, 17h.

Temporada 22 de maio a 13 de junho, sábados e domingos, às 17h.

Retirada de ingressos e transmissão pelo site Pataforma Teatro www.plataformateatro.com

Ingressos gratuitos.

Duração: 80 minutos.
Classificação indicativa:14 anos.

 
 
 
 




O leitor participa: Vanessa Queirós Alves, de Curitiba (PR): 'Família e escola: uma parceria fundamental'

“Muito se fala sobre a importância de duas instituições pilares da sociedade que é a família e a escola, porém precisamos cada vez mais pensar em como essas esferas podem se articular de maneira efetiva em prol do desenvolvimento das crianças.”

 

Muito se fala sobre a importância de duas instituições pilares da sociedade que é a família e a escola, porém precisamos cada vez mais pensar em como essas esferas podem se articular de maneira efetiva em prol do desenvolvimento das crianças.

Há por vezes uma transferência da educação que seria papel da família à escola. E muitas vezes a escola reclama da falta de participação das famílias na vida escolar dos alunos e se vê sobrecarregada, pois além de conteúdos das mais diversas disciplinas, se vê obrigada a ensinar às crianças valores básicos como respeito, honestidade, responsabilidade, entre outros.

A questão é que não podemos ficar em um jogo de culpados e de transferência de atribuições, mas sim buscarmos parceria e integração. A escola como lugar sistematizado de construção de conhecimento deve buscar cada vez mais planejar ações e estratégias para envolver as famílias no processo educativo. Não basta somente chamar os pais para reclamar dos alunos, ou para entregar boletins, mas sim para feiras, exposições, cafés filosóficos ou poéticos e também investir na formação das famílias, pois muitas se encontram confusas e perdidas frente aos desafios que a sociedade moderna as impõe. É importante a escola promover palestras e formações sobre a questão dos limites na formação da cidadania, uso indevido de drogas, bullying, uso responsável de redes sociais, depressão, enfim tantos temas que, pela troca de experiência entre escola e família, podem ser melhor esclarecidos, prevenidos e trabalhados com nossas crianças e adolescentes.

Por sua vez, as famílias também devem pensar mais na formação ética de seus filhos. Ensinar e cobrar valores essenciais na formação do ser humano, buscar ler e pesquisar sobre o desenvolvimento das crianças e adolescentes e participar mais da vida escolar de seus filhos, acompanhar trabalhos e tarefas de casa, perguntar sobre o que estão aprendendo, ligar ou ir à escola mesmo que a mesma não as chame, pois assim os alunos percebem que de fato a educação tem importância e relevância na vida deles. Além disso, é importante trabalharmos com questões de direitos e deveres, onde as pessoas entendam suas responsabilidades e que isso faça parte da formação de cada um desde a infância. Cuidado com horários, normas, regras e rotina são essenciais na formação de toda pessoa e devem ser ensinados desde o início do desenvolvimento infantil.

Dessa forma, se faz necessário entender à importância da parceria entre escola e família e que essa interação tenha lugar privilegiado no planejamento escolar e até em novas políticas públicas que visem esse fim. E como salientava Içami Tiba “O ambiente escolar deve ser de uma instituição que complemente o ambiente familiar do educando, os quais devem ser agradáveis e geradores de afetos. Os pais e a escola devem ter princípios muito próximos para o benefício do filho/aluno”. Pois, somente com essa parceria conseguiremos construir uma educação eficaz e uma formação integral de nossos alunos para realmente formarmos cidadãos que atuem no mundo de forma colaborativa e responsável.

 

Vanessa Queirós Alves – vanessa.a@uninter.com

Professora do curso de Pedagogia do Centro Universitário Internacional – Uninter.




Polo UAB Votorantim, em parceria com a SEED de Votorantim, promovem, no dia 09 de agosto (4.ª feira), às 19h00, o evento beneficente, literário e filosófico 'Um bom caldo de Filosofia'

O evento ‘Um bom caldo de Filosofia’ contará com a presença do escritor e colunista do ROL Élcio Mário Pinto, que apresentará seu projeto ‘O escritor em todos os cantos’

 

No dia 09 de agosto (4.ª feira), às 19h00, o polo UAB – Universidade Aberta do Brasil – de Votorantim, em parceria com a Secretaria de Educação promovem o evento beneficente, literário e filosófico ‘Um bom caldo de Filosofia’, que contará com a presença do escritor e colunista do ROL Élcio Mário Pinto, o qual apresentará seu projeto ‘O escritor em todos os cantos’.

Com vagas limitadas, as inscrições se encerraram no dia 04 de agosto.

O evento, apesar de ser gratuito, conta com a contribuição de 2 litros de leite, que serão doados para a Casa de Belém.

Após a conversa, será distribuído um delicioso caldo aos participantes.

 

Quando

09 de agosto (4.ª feira), às 19h

Local 

UAB Votorantim – Av. Ver. Newton Vieira Soares, 291 – Centro, Votorantim – SP

Telefone

3247-2663