{"id":78293,"date":"2026-02-06T09:27:20","date_gmt":"2026-02-06T12:27:20","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=78293"},"modified":"2026-02-06T09:27:34","modified_gmt":"2026-02-06T12:27:34","slug":"entre-lencois-calcadas-e-carnavais","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalrol.com.br\/?p=78293","title":{"rendered":"Entre len\u00e7\u00f3is, cal\u00e7adas e carnavais"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"http:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F78293&print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"http:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F78293&print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Clayton Alexandre Zocarato<br><br>Entre len\u00e7\u00f3is, cal\u00e7adas e carnavais: Uma cr\u00f4nica cr\u00edtica sobre o desejo brasileiro<br><br><\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"966\" height=\"1288\" data-attachment-id=\"66477\" data-permalink=\"http:\/\/jornalrol.com.br\/?attachment_id=66477\" data-orig-file=\"http:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/6d8a5754-eec0-4de2-a6ee-8187eb15498b.jpg\" data-orig-size=\"966,1288\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"6d8a5754-eec0-4de2-a6ee-8187eb15498b\" data-image-description=\"&lt;p&gt;Clayton A. 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Zocarato<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"784\" height=\"1168\" data-attachment-id=\"78294\" data-permalink=\"http:\/\/jornalrol.com.br\/?attachment_id=78294\" data-orig-file=\"http:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/download.jpg\" data-orig-size=\"784,1168\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"download\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"http:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/download.jpg\" src=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/download.jpg\" alt=\"Imagem criada por IA do Grok - 06 de fevereiro de 2026, \n\u00e0s 09:23 PM - https:\/\/grok.com\/imagine\/post\/205a63c0-343b-45f5-84e3-d27291e0f6a3\" class=\"wp-image-78294\" style=\"aspect-ratio:0.67123745819398;width:362px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/download.jpg 784w, http:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/download-768x1144.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 784px) 100vw, 784px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Imagem criada por IA do Grok &#8211; 06 de fevereiro de 2026, <\/em><br><em>\u00e0s 09:23 PM<\/em> &#8211; <em>https:\/\/grok.com\/imagine\/post\/205a63c0-343b-45f5-84e3-d27291e0f6a3<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">O brasileiro aprendeu cedo que o corpo \u00e9 um territ\u00f3rio p\u00fablico. Antes mesmo de saber ler, j\u00e1 sabe dan\u00e7ar; antes de saber conjugar verbos, j\u00e1 aprendeu a rebolar. O corpo fala, grita, provoca.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ele se esfrega nos \u00f4nibus lotados, se exibe nas praias, se vende nos comerciais de cerveja, se absolve no Carnaval e se confessa no domingo \u00e0 missa. O sexo, aqui, nunca foi apenas sexo: \u00e9 linguagem, \u00e9 moeda simb\u00f3lica, \u00e9 resist\u00eancia e, muitas vezes, \u00e9 fuga.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 algo de paradoxal neste pa\u00eds que se diz moralista, conservador e de &#8216;fam\u00edlia tradicional brasileira<strong>&#8216;<\/strong>, mas que pulsa erotismo em cada esquina. O Brasil vive uma sexualidade que \u00e9 ao mesmo tempo desenfreada e reprimida, celebrada e punida, explorada e negada.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Somos um povo que goza e culpa, que deseja e se envergonha, que consome sexo como entretenimento, mas condena quem ousa viv\u00ea-lo fora do roteiro social aceit\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa rela\u00e7\u00e3o amb\u00edgua n\u00e3o nasce do nada. Ela \u00e9 heran\u00e7a. O Brasil foi gestado no estupro colonial, no contato violento entre europeus, ind\u00edgenas e africanos escravizados. O corpo, desde o in\u00edcio, foi instrumento de domina\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A mulher ind\u00edgena erotizada nos relatos dos colonizadores, o corpo negro hipersexualizado e desumanizado, o senhor branco exercendo poder tamb\u00e9m entre len\u00e7\u00f3is. O sexo aqui nunca foi neutro; sempre foi pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto a Igreja tentava impor culpa e pecado, a realidade tropical insistia em suar. O clima, a miscigena\u00e7\u00e3o, a vida nas ruas, tudo conspirava contra a moral importada da Europa.<\/p>\n\n\n\n<p>Criou-se, ent\u00e3o, um teatro: em p\u00fablico, recato; na pr\u00e1tica, permissividade. Esse teatro atravessou s\u00e9culos e ainda hoje estrutura nossa hipocrisia coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p>O brasileiro n\u00e3o odeia o sexo \u2014 odeia ser confrontado com a verdade de que o deseja.<\/p>\n\n\n\n<p>A modernidade n\u00e3o resolveu isso; apenas sofisticou. A ind\u00fastria cultural transformou o desejo em mercadoria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Corpos esculturais vendem carros, perfumes, planos de internet. O funk, o sertanejo universit\u00e1rio, a publicidade e as redes sociais erotizam o cotidiano at\u00e9 a exaust\u00e3o. O sexo virou performance, espet\u00e1culo, ranking. Quem transa mais, quem atrai mais, quem exibe melhor. A intimidade virou vitrine.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, paradoxalmente, quanto mais se fala de sexo, menos se fala de afeto. O brasileiro aprendeu a desejar sem necessariamente se responsabilizar. Ama-se o corpo, n\u00e3o a pessoa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Consome-se a experi\u00eancia, descarta-se o v\u00ednculo. A sexualidade desenfreada muitas vezes n\u00e3o \u00e9 liberdade, mas sintoma: uma tentativa desesperada de preencher vazios emocionais, desigualdades sociais, frustra\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas.<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista sociol\u00f3gico, o sexo no Brasil funciona como v\u00e1lvula de escape. Em um pa\u00eds marcado por viol\u00eancia, pobreza e falta de perspectivas, o prazer imediato oferece um al\u00edvio moment\u00e2neo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia que o Carnaval \u2014 essa explos\u00e3o coletiva de corpos, \u00e1lcool e permissividade \u2014 anteceda a Quaresma, tempo de conten\u00e7\u00e3o e culpa. O gozo vem antes do castigo. Sempre veio.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m a dimens\u00e3o filos\u00f3fica do problema. O brasileiro raramente foi educado para pensar o desejo. Vive-o de forma impulsiva, quase instintiva, sem reflex\u00e3o \u00e9tica profunda.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Falta-nos uma cultura do eros como constru\u00e7\u00e3o consciente. Oscilamos entre o hedonismo raso e o moralismo punitivo, sem conseguir sustentar um meio-termo maduro. Ou tudo pode, ou nada deve. O resultado \u00e9 confus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa confus\u00e3o aparece nas estat\u00edsticas de viol\u00eancia sexual, nos relacionamentos abusivos naturalizados, na dificuldade de di\u00e1logo sobre consentimento, prazer e limites. Aparece tamb\u00e9m na solid\u00e3o disfar\u00e7ada de liberdade sexual. Nunca se transou tanto e nunca se esteve t\u00e3o s\u00f3. O toque virou banal; a escuta, rara.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso dizer: a sexualidade brasileira n\u00e3o \u00e9 problem\u00e1tica por ser intensa, mas por ser mal elaborada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Falta educa\u00e7\u00e3o sexual que v\u00e1 al\u00e9m da biologia e do medo da gravidez. Falta discutir desejo, poder, g\u00eanero, respeito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Falta entender que sexo n\u00e3o \u00e9 apenas descarga, mas encontro \u2014 e todo encontro exige responsabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O naturalismo cru da nossa realidade mostra corpos em movimento constante, mas mentes pouco preparadas para lidar com as consequ\u00eancias.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Mostra homens ensinados a provar masculinidade pela quantidade de conquistas, mulheres pressionadas a serem ao mesmo tempo desej\u00e1veis e recatadas, e dissid\u00eancias sexuais empurradas para a margem ou fetichizadas.<\/p>\n\n\n\n<p>No fim, o brasileiro ama o sexo porque ama a vida, mas aprendeu a viver essa vida de forma fragmentada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez o desafio n\u00e3o seja frear o desejo, mas alfabetiz\u00e1-lo. Transformar a puls\u00e3o em escolha, o impulso em consci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso n\u00e3o acontece, seguimos entre len\u00e7\u00f3is e cal\u00e7adas, gozando e julgando, desejando e negando \u2014 um pa\u00eds inteiro tentando se satisfazer sem nunca, de fato, se compreender.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 ainda um elemento inc\u00f4modo que raramente se assume com honestidade: o prazer, no Brasil, tamb\u00e9m \u00e9 hierarquia. Nem todos gozam do mesmo modo, nem com a mesma legitimidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O sexo &#8216;desenfreado<strong>&#8216;<\/strong> \u00e9 celebrado quando vem do corpo jovem, padr\u00e3o, branco ou pr\u00f3ximo disso, heterossexual e midiaticamente aceit\u00e1vel. Fora desse recorte, o desejo vira esc\u00e2ndalo, doen\u00e7a, pecado ou piada.<\/p>\n\n\n\n<p>A velhice erotizada causa nojo, o corpo gordo desejante causa riso, o corpo trans causa medo. O brasileiro diz amar o sexo, mas s\u00f3 aceita certos corpos desejando.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse filtro moral disfar\u00e7ado de gosto pessoal revela o quanto nossa sexualidade continua atravessada por estruturas de poder. Michel Foucault j\u00e1 alertava: n\u00e3o \u00e9 a repress\u00e3o que silencia o sexo, mas a forma como ele \u00e9 administrado.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, administra-se o desejo com uma m\u00e3o que estimula e outra que pune. Incentiva-se a excita\u00e7\u00e3o, mas controla-se quem pode exerc\u00ea-la plenamente. O prazer, aqui, n\u00e3o \u00e9 democr\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas periferias, o sexo \u00e9 sobreviv\u00eancia, afirma\u00e7\u00e3o, fuga. Nos bairros ricos, \u00e9 performance, terapia, capital simb\u00f3lico. Em ambos os casos, raramente \u00e9 sil\u00eancio compartilhado, cuidado m\u00fatuo ou constru\u00e7\u00e3o lenta.<\/p>\n\n\n\n<p>A pressa tamb\u00e9m \u00e9 social. O pa\u00eds do <strong>&#8216;<\/strong>jeitinho<strong>&#8216;<\/strong> n\u00e3o aprendeu a esperar, e isso inclui o corpo do outro. Quer-se tudo r\u00e1pido: o flerte, o toque, o orgasmo, o descarte. O sexo vira consumo r\u00e1pido em um mercado saturado de est\u00edmulos.<\/p>\n\n\n\n<p>A pornografia, amplamente acess\u00edvel e pouco debatida, educa mais do que qualquer escola. Ela ensina gestos, expectativas irreais, viol\u00eancias normalizadas. Ensina que o outro \u00e9 objeto, que o prazer \u00e9 desempenho, que consentimento \u00e9 detalhe.<\/p>\n\n\n\n<p>O brasileiro aprende a transar antes de aprender a conversar. Aprende a invadir antes de aprender a perguntar. Depois, se espanta com os n\u00fameros de abuso, ass\u00e9dio e viol\u00eancia dom\u00e9stica, como se fossem desvios individuais, e n\u00e3o sintomas coletivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista hist\u00f3rico, isso tamb\u00e9m dialoga com nossa dificuldade de elaborar limites. Um pa\u00eds que nunca resolveu bem sua rela\u00e7\u00e3o com autoridade, lei e cidadania tampouco resolveria bem sua rela\u00e7\u00e3o com o corpo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Oscilamos entre permissividade ca\u00f3tica e repress\u00e3o violenta. Quando o sexo \u00e9 livre demais, vira terra de ningu\u00e9m; quando \u00e9 proibido demais, vira obsess\u00e3o. N\u00e3o constru\u00edmos uma \u00e9tica do desejo \u2014 improvisamos.<\/p>\n\n\n\n<p>Filosoficamente, talvez o maior drama seja nossa incapacidade de sustentar o vazio. O sexo, muitas vezes, entra como anestesia existencial. Transa-se para n\u00e3o pensar, para n\u00e3o sentir, para n\u00e3o encarar o sil\u00eancio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A cama vira esconderijo. Mas o prazer que n\u00e3o nasce do encontro com o outro dificilmente gera sentido.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ele alivia, mas n\u00e3o transforma. E o brasileiro, cansado de promessas n\u00e3o cumpridas \u2014 pol\u00edticas, sociais, afetivas \u2014 aceita o al\u00edvio como se fosse liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No fundo, essa sexualidade intensa revela um povo faminto: de toque, de reconhecimento, de pertencimento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um povo que aprendeu a usar o corpo como grito porque nunca foi realmente ouvido. O problema n\u00e3o est\u00e1 no desejo em si, mas na aus\u00eancia de escuta, de elabora\u00e7\u00e3o, de consci\u00eancia hist\u00f3rica sobre o pr\u00f3prio prazer.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez o verdadeiro esc\u00e2ndalo n\u00e3o seja o quanto o brasileiro transa, mas o quanto ele evita pensar sobre isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Pensar d\u00e1 trabalho, exige revis\u00e3o, quebra mitos confort\u00e1veis. \u00c9 mais f\u00e1cil rir, julgar ou fingir naturalidade. Enquanto isso, seguimos repetindo padr\u00f5es antigos com roupas modernas, chamando de liberdade aquilo que muitas vezes \u00e9 s\u00f3 repeti\u00e7\u00e3o inconsciente.<\/p>\n\n\n\n<p>A sexualidade brasileira, portanto, n\u00e3o pede censura nem exalta\u00e7\u00e3o cega. Pede maturidade. Pede coragem para olhar o pr\u00f3prio desejo sem folclore, sem glamour, sem culpa autom\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Pede que o prazer deixe de ser espet\u00e1culo e volte a ser experi\u00eancia humana. At\u00e9 l\u00e1, continuaremos nus em p\u00fablico e vazios em privado, dan\u00e7ando entre a excita\u00e7\u00e3o e a frustra\u00e7\u00e3o, como quem goza, mas nunca descansa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Clayton Alexandre Zocarato<\/h3>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-electric-grass-gradient-background has-background\"><a href=\"https:\/\/wa.me\/17992491192\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"WhatsApp\">WhatsApp<\/a><\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-electric-grass-gradient-background has-background\"><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100092188444999&amp;locale=pt_BR\" title=\"Facebook\">Facebook<\/a><\/h3>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/\" title=\"Voltar\">Voltar<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/JCulturalrol\/\" title=\"Facebook\">Facebook<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O brasileiro aprendeu cedo que o corpo \u00e9 um territ\u00f3rio p\u00fablico. 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