{"id":78787,"date":"2026-02-28T14:40:44","date_gmt":"2026-02-28T17:40:44","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=78787"},"modified":"2026-02-28T14:41:09","modified_gmt":"2026-02-28T17:41:09","slug":"nokhwa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalrol.com.br\/?p=78787","title":{"rendered":"Nokhwa"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"http:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F78787&print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"http:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F78787&print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Bruno Marqu\u00eas Areno: &#8216;Nokhwa&#8217;<br><br><\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1995\" height=\"2560\" data-attachment-id=\"77744\" data-permalink=\"http:\/\/jornalrol.com.br\/?attachment_id=77744\" data-orig-file=\"http:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/IMG_9654-1-scaled.jpg\" data-orig-size=\"1995,2560\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"IMG_9654 (1)\" data-image-description=\"&lt;p&gt;Bruno Marques Areno&lt;\/p&gt;\n\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;Bruno Marques Areno&lt;\/p&gt;\n\" data-large-file=\"http:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/IMG_9654-1-scaled.jpg\" src=\"http:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/IMG_9654-1-scaled.jpg\" alt=\"Bruno Marques Areno\" class=\"wp-image-77744\" style=\"aspect-ratio:0.7793111446132437;width:186px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/IMG_9654-1-scaled.jpg 1995w, http:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/IMG_9654-1-935x1200.jpg 935w, http:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/IMG_9654-1-768x986.jpg 768w, http:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/IMG_9654-1-1197x1536.jpg 1197w, http:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/IMG_9654-1-1596x2048.jpg 1596w\" sizes=\"auto, (max-width: 1995px) 100vw, 1995px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Bruno Marques Areno<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1536\" data-attachment-id=\"78788\" data-permalink=\"http:\/\/jornalrol.com.br\/?attachment_id=78788\" data-orig-file=\"http:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1d32514d-143e-4523-8cc8-d4741f3a6406.jpg\" data-orig-size=\"1024,1536\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"1d32514d-143e-4523-8cc8-d4741f3a6406\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"http:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1d32514d-143e-4523-8cc8-d4741f3a6406.jpg\" src=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1d32514d-143e-4523-8cc8-d4741f3a6406.jpg\" alt=\"Imagem criada por IA do ChatGPT - https:\/\/chatgpt.com\/s\/m_69a2bbacdcb08191b18be63a90e8c5ae\" class=\"wp-image-78788\" style=\"width:358px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1d32514d-143e-4523-8cc8-d4741f3a6406.jpg 1024w, http:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1d32514d-143e-4523-8cc8-d4741f3a6406-800x1200.jpg 800w, http:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1d32514d-143e-4523-8cc8-d4741f3a6406-768x1152.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Imagem criada por IA do ChatGPT &#8211; https:\/\/chatgpt.com\/s\/m_69a2bbacdcb08191b18be63a90e8c5ae<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">O que os unia era aquele som proveniente do simples acto de descascar o amendoim. O sopro do ar nem mesmo dava para escutar. Como de costume, as mulheres, vestidas de capulanas e len\u00e7os coloridos, estavam sentadas na mesma esteira de palha, enquanto os homens depositavam os seus corpos volumosos sobre os troncos dos coqueiros abatidos h\u00e1 v\u00e1rias luas.<\/p>\n\n\n\n<p>As m\u00e3os calosas de cada homem e cada mulher estavam cheias de amendoim por descascar. Quem nada fazia, mesmo, era Preetekete, um idoso de seus 108 anos de idade, cuja vis\u00e3o n\u00e3o suportara ver tanto desgosto, e decidira abandonar os olhos negros e melanc\u00f3licos do velho, para que este, pouco sofresse e muito sentisse. <\/p>\n\n\n\n<p>Como uma sacola de segredos, sempre colado ao Preetekete, estava Nokhwa, um rapaz que nem mesmo o velho que o adoptara, conhece ao certo, quantos anos tinha. Sempre que este perguntasse a sua idade, o velho chegava at\u00e9 a dizer que o rapaz j\u00e1 feito homem, com o rosto banhado de barba aos 9 anos. H\u00e1 dias que se atreve at\u00e9 a afirmar que o jovem Nokhwa tinha 50 anos. Decepcionado, este mantinha-se em sil\u00eancio, dizendo nadas.<br><br>Enquanto os outros descascavam o amendoim, o velho virou-se para o jovem, e disse, num tom provocat\u00f3rio:<br><br>\u2015 Nokhwa!?<br>O jovem olhou para o idoso e protestou:<br><br>\u2015 Quantas vezes tenho que dizer ao vov\u00f4 que o meu nome agora \u00e9 Chico. Chico Bernab\u00e9u! \u2013 Insistiu, enquanto deixava o amendoim na peneira.<br><br>\u2015 Nokhwa Preetekete \u2013 tamb\u00e9m insistiu o idoso, enquanto i\u00e7ava uma caba\u00e7a cheia de farinha de mapira. <br><br>\u2015 Os esp\u00edritos escolheram esse nome para ti. A tua m\u00e3e deu aos filhos nomes long\u00ednquos e como resultado, os esp\u00edritos arrancaram-lhe os filhos. Quando voc\u00ea nasceu, uma mulher disse o seguinte, para sua m\u00e3e: &#8220;ola nokhwa, ola!&#8221;.<br><br>\u2015 Por que \u00e9 que a mulher disse \u00e0 minha m\u00e3e que eu era a morte? \u2015 perguntou o rapaz.<br><br>\u2015 Porque todos os filhos que a sua m\u00e3e dera a luz, morriam no terceiro dia. Voc\u00ea foi o \u00fanico que n\u00e3o morreu\u2014 disse o velho, indicando-lhe com a m\u00e3o onde um dos dedos fora decepados e continuou \u2014 porque o nome que lhe foi dado, pelos esp\u00edritos, foi aceite. Pousou a caba\u00e7a de farinha de mapira na esteira e sentou-se.<br><br>\u2015 O senhor conheceu a minha m\u00e3e? \u2015 Perguntou o rapaz, curioso. O velho olhou com olhos desconfiados, como quem n\u00e3o esperava escutar aquela quest\u00e3o.<br><br>\u2015 Eu j\u00e1 disse: Apanhei voc\u00ea no lixo. Tudo que sei de si, foi-me contado por gente que conheceu a sua m\u00e3e. \u2013 A resposta do anci\u00e3o saiu gaguejada, na pressa da l\u00edngua.<br><br>\u2015 Ultimamente j\u00e1 n\u00e3o sei em quem acreditar! \u2013 Suspirou, o jovem e continuou, dizendo:<br><br>\u2015 Os mais antigos do bairro dizem que sou filho de uma feiticeira. Uma mulher diab\u00f3lica que enganou o filho de um grande feiticeiro com um jovem pescador com quem a minha m\u00e3e fugiu para as terras da Ilha de Mo\u00e7ambique. Como castigo, o feiticeiro lan\u00e7ou uma praga sobre ela.<br><br>O jovem parou a narra\u00e7\u00e3o para recobrar o f\u00f4lego. Apreciou o sil\u00eancio dos presentes, procurando nega\u00e7\u00e3o ou assentimento nos seus olhares. Depois, continuou.<br><br>\u2015 Sabe qual foi a maldi\u00e7\u00e3o, vov\u00f4? Que ela se comportasse feito uma gata ou porca, e no terceiro dia depois do parto, a meia-noite, enquanto todos estivessem a dormir, ela devorasse os seus pr\u00f3prios filhos. <\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 O velho, as mulheres e os outros homens, nada diziam. Somente escutavam, boquiabertos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2015 Tamb\u00e9m foi-me dito que o senhor \u00e9 tio da minha m\u00e3e, e que fugiu comigo, das terras da Ilha de Mo\u00e7ambique at\u00e9 aqui, s\u00f3 para salvar-me da minha pr\u00f3pria m\u00e3e, e que como consequ\u00eancia da f\u00faria da minha m\u00e3e, o senhor ficou cego. Disseram-me que a tua cegueira, vov\u00f4, \u00e9 resultado da maldi\u00e7\u00e3o que minha m\u00e3e lan\u00e7ou sobre ti.<br><\/p>\n\n\n\n<p>\u2015 Isso s\u00f3 s\u00e3o fal\u00e1cias. \u2013 Disse o velho, enquanto limpava da sua cara, o suor que aos poucos inundava a sua negritude facial. Acrescentou, dizendo:<br><\/p>\n\n\n\n<p>\u2015 Nokhwa! Eu adoptei voc\u00ea aqui, bem nas proximidades do rio L\u00fario. As pessoas que viram a sua m\u00e3e o abandonando na margem do rio, disseram que ela vivia em Chi\u00f9re. \u2013 O idoso, nervoso, voltou a empurrar o suor e deu continuidade a sua justificativa.<br><br>\u2015 Por que \u00e9 que eu enganar-lhe-ia? N\u00e3o seria capaz de proibir o seu direito de conhecer a sua m\u00e3e.<br><br>\u2015 O senhor tem medo de me ver morto. Sabe muito bem que ela ir\u00e1 devorar-me.<br><br>\u2015 Que medo, que nada! \u2013 Perguntou, Preetekete, um tanto euf\u00f3rico. Disse mais: vi tanta coisa nesse mundo, Nokhwa, que nada mais me assusta. Eu vi coisas que voc\u00ea n\u00e3o imaginou vez alguma.<br><br>\u2015 Como o qu\u00ea, vov\u00f4? Como uma mulher placenta, que devora os seus filhos no terceiro dia, depois de dar a luz?<br><br>\u2015 De novo, essa hist\u00f3ria?<br><br>A voz do velho saltou da garganta, ruidosa e irritada. Mas, tra\u00eddo pelas emo\u00e7\u00f5es, bem do fundo dos olhos esbranqui\u00e7ados, gotas de l\u00e1grimas surgiram. Com a voz rouca, Preetekete indagou:<br><br>\u2015 \u00c9 a verdade, o que tu queres saber? \u2013 A pergunta armadilhou ao jovem. Ficou com a boca costurada. Esperou tanto por aquele momento, as m\u00e3os decepadas tremiam. Mal conseguia mover os l\u00e1bios carnudos.<br><br>\u2015 Responda!<br><br>\u2015 Sim, vov\u00f3. Eu quero saber da verdade\u2014 disse o jovem com l\u00e1bios tr\u00e9mulos. O velho ergueu os olhos, e n\u00e3o se contentou em apenas erguer os olhos, n\u00e3o, apertou-os e disse:<br><br>\u2015 Est\u00e1 bem. Prepare-se para ouvir.<br><br>O vento parou, as folhas nos ramos das mangueiras se calaram, e o tempo fez suspense. A lua guardou alguns raios por tr\u00e1s das nuvens, para preparar o ambiente.<br><br>\u2015 Eu n\u00e3o sou seu av\u00f4\u2014 retirou o rap\u00e9 da boca\u2014 E muito menos tio da sua m\u00e3e. Sabes quem sou? \u2014 O velho lan\u00e7ou os olhos para a escurid\u00e3o, agora fixava o jovem. Devorava-o com os seus olhos de cego, como se pudesse ver. \u2014 Queres saber? Tens coragem para ouvir? Insistiu o velho, num grito rouco de espantar a alma.<br><br>Os olhos de Preetekete rasgavam o rosto de Nokhwa. O jovem abanou a cabe\u00e7a, como forma de dizer que n\u00e3o. Ent\u00e3o, o anci\u00e3o se aproximou do rapaz, e revelou:<br><br>\u2015 Eu sou o velho Feiticeiro. Aquele que a tua m\u00e3e enganou. Fui eu, o primeiro homem da tua m\u00e3e. Fui eu quem lan\u00e7ou o feiti\u00e7o contra ela. Fui eu.<br><br>Enquanto o velho falava, gritando, Nokhwa, assustado, procurou amparo nos homens e nas mulheres que descascavam amendoim. Mas eles n\u00e3o faziam outra coisa, sen\u00e3o descascar o amendoim. Pareciam aut\u00eanticos rob\u00f4s. Ali\u00e1s, desde que a conversa come\u00e7ara, o quase homem n\u00e3o ouviu aquela gente soltar uma s\u00f3 palavra. Nem mesmo pestanejar. E foi naquele momento que Nokhwa se lembrou que o av\u00f4 s\u00f3 permitia que aqueles homens e mulheres descascassem o amendoim, a meia-noite.<br><br>Quando o sol nascia, ningu\u00e9m mais via aquelas pessoas.<br><br>\u2015 Por que \u00e9 que olhas para eles? \u2013 perguntou, o idoso.<br><br>\u2015 Como sabes que eu olhei para eles? Voc\u00ea \u00e9 cego! \u2013 Assustado, o rapaz ainda conseguiu ripostar, apesar de sentir o est\u00f4mago amarrotado.<br><br>Preetekete sorriu, e disse:<br><br>\u2015 A minha cegueira \u00e9 de morcego. Riu alto, deixando a merc\u00ea, os seus dentes escuros como a noite \u2014 a tua m\u00e3e, deu-me olhos de morcegos; merda!\u2014  disse o velho libertando da sua boca saliva de cor da noite, e o jovem sente um arrepio.<br><br>\u2015 E n\u00e3o adianta olhar para eles, rapaz. Est\u00e3o mortos. Suas almas est\u00e3o nestas conchas que eu trago na minha mukhova, aqui na minha cintura. \u2013 O velho ergueu a camisa suada e mostrou um cintur\u00e3o de conchas e missangas multicolores \u2013 \u00c0 eles, fa\u00e7o-lhes meus escravos. V\u00eas aquela mulher de olhos castanhos e de pele clara como tu?<br><br>Nokhwa torceu o pesco\u00e7o para a direita. Olhou para a mulher. N\u00e3o s\u00f3 descobriu que ela tinha os olhos id\u00eanticos aos seus, mas tamb\u00e9m que os l\u00e1bios da mulher eram carnudos e escuros como os seus. Gelado, olhou de volta para o velho.<br><br>\u2015 Ela \u00e9 a sua m\u00e3e. Est\u00e1 morta pelo que fez com os meus olhos, e por me ter abandonado. Sabe: ela queria um jovem que n\u00e3o cheirasse rap\u00e9. Abandonou-me porque sou velho \u2015disse o velho em tom repleto de raiva. Mas como eu a amava, levei voc\u00ea comigo, poderia ter deixado voc\u00ea morrer, mas n\u00e3o, eu tinha que possuir algo que me lembraria essa ingrata, e isso \u00e9 voc\u00ea Nokhwa\u2014 dizia o velho vitorioso, estendendo os bra\u00e7os para o ar.<br><br>O jovem levantou-se. Fixou os olhos na antiguidade de pele e ossos, abriu as m\u00e3os e agarrou-lhe pelo pesco\u00e7o com uma for\u00e7a brutal. Preetekete tentou gritar, mas a sua voz quase n\u00e3o dava para escutar. Ele parecia um pato sendo asfixiado. O primeiro galo cantou, os homens e mulheres do amendoim desapareceram da esteira somente permaneceram o velho e o jovem.<br><br>O corpo do idoso n\u00e3o mais possu\u00eda vida. E quando menos o rapaz esperava, entram no quintal duas mulheres, que habitualmente traziam \u00e1gua quente para o Preetekete se banhar.<br><br>Assustadas, deixaram cair as bacias com \u00e1gua, uma queimando a outra, e nem sequer sentiram dor, pois n\u00e3o havia maior dor que aquilo: ver um neto assassinando o seu pr\u00f3prio av\u00f3, aquele que o encontrara por a\u00ed, abandonado, um beb\u00e9 condenado \u00e0 morte.<br><br>\u2015 Socorro, socorro, socorro! &#8211; gritaram as mulheres, euf\u00f3ricas.<br><br>Sem demora, o quintal ficou repleto de gente. O jovem continuava ainda com as m\u00e3os no pesco\u00e7o do velho. Olhou para os lados, mas n\u00e3o viu ningu\u00e9m descascando amendoim. Nokhwa caiu ao ch\u00e3o, sem hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\"><br>Bruno Marqu\u00eas Areno<\/h3>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-electric-grass-gradient-background has-background\"><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/brunomarques.areno.5?locale=pt_BR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"Facebook\">Facebook<\/a><\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-electric-grass-gradient-background has-background\"><a href=\"https:\/\/wa.me\/+258844643108\" title=\"WhatsApp\">WhatsApp<\/a><\/h3>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/\" title=\"Voltar\">Voltar<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/JCulturalrol\/\" title=\"Facebook\">Facebook<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\"><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que os unia era aquele som proveniente do simples acto de descascar o amendoim. 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