Jane Nash: Uma viagem nostálgica e esfumaçada aos tempos dourados dos salões de jazz, relembrando os paetês, as penas e o brilho eterno de uma antiga dançarina
Um toque do qual repousa em suas bochechasSeu contorno, instável
Envolve dentes rachados por finas linhas
“Parecíamos nuas”
Ela pisca um olho de pálpebra caída
A sombra azul brilhante
E cintilante
Aplicada de forma desajeitada sobre
A pele cheia de veias
Acima de uma velha máscara de cílios empelotada
Em algum lugar
Na memória esfumaçada ao fundo
De salões de jazz e trupe de dança
Modos da velha escolaAqueles dias em preto e branco
Somos deixados a imaginar
Os paetês e as penas
Desta que já foi uma dançarina
Garota dos leques.
Jane Nash
Fan Girl
‘It was all rather riské’ Her smile Surrounded by scarlet lipstick A dash of which sits upon her cheeks Its outline, unsteady Surrounds teeth cracked with fine lines
‘We looked naked’ She winks a hooded eye The brilliant blue sparkling eyeshadow Clumsily applied over Veined skin Above bitty old mascara
Somewhere In the smokey background memory Of jazz halls and dancing troupes Old school ways Those black and white days We are left imagining The sequins and feathers Of this once dancing Fan girl.
Minha mãe teve que correr Até a loja da esquina No dia anterior Dedos de chocolate Um saco de Smarties Mais um pouco de cobertura Quem poderia imaginar Que o bolo Com um buraco no meio Poderia ser um sucesso tão grande Para uma criança de 9 anos
Cinquenta anos depois Amigos fizeram um bolo Um ato de amor Red Velvet Perfeitamente feito Lindamente apresentado O bolo estava delicioso Mas ainda assim Sem dúvida alguma Faltava-lhe Um buraco no meio.
O alto macho do cisne olhou rio abaixo. O céu estava se fechando, negro, e sua fêmea e os filhotes de cisne estavam amontoados nos juncos.
— Leve-os rio acima — ordenou ele.
Ela se desenrolou e avançou, com os fofos filhotes cinzentos atrás dela, sua curiosidade ganhando peso. O rei dos cisnes se lembrava dessa tempestade do ano anterior e, desta vez, estava determinado a não deixá-la levar nenhuma criatura viva, seja da água ou das margens. Este ano seria uma batalha para a qual ele havia se preparado.
Enquanto voava sobre os canteiros de juncos e as águas agitadas, podia ver novamente a queda e o arrasto do rio, levando-o para mais fundo até que não houvesse ninguém para resgatar; apenas um espaço vazio na margem onde antes um menino havia se sentado brincando, jogando gravetos diante da margem para vê-los acelerar rio abaixo. O riacho agora era um rio, o cruel sangue vital de sua existência. O rei dos cisnes ficou feliz por estar no ar.
Ainda se desenrolando, mal flutuando como feixes de penas de anjo, os seis filhotes de cisne tinham a cor das nuvens que rolavam rapidamente pelo céu. Ele passou sobre eles nos canteiros de juncos, ouvindo sua fêmea estender o chamado:
— Volte para mim.
O som de seu apelo penetrou em seu senso de dever. Ele pousou na margem, estendendo as asas. A tempestade logo desabaria sobre eles.
Perto dali, Jono estava pescando. Tinha oito anos e meio, com cabelos dourados que ficavam presos na gola de sua camisa xadrez vermelha e azul. Suas botas de borracha tinham um padrão de camuflagem azul e seus joelhos nus estavam cobertos de casquinhas, por ter caído das árvores. Ao lado dele estava uma pequena caixa de ferramentas de plástico verde, aberta, com alguns anzóis, tesouras e um saco de larvas vivas como isca. Ele não percebeu a tempestade que se aproximava. Sua cabeça estava cheia dos filhotes de cisne que havia visto durante a tarde e da concentração necessária para pegar uma perca. Ele sabia identificar uma perca.
Jono não percebeu o relâmpago que rasgou o céu, mas, quando o vento chegou, Jono vestiu um suéter tricotado à mão por sua avó, com a cabeça de um cachorro na frente e o corpo continuando até as costas. Uma cauda tricotada pendia das costas como um bônus adicional.
Aos oito anos e meio, sua destreza ainda não estava desenvolvida e ele rapidamente se viu enredado na linha de sua vara de pesca. O anzol e a larva estavam incrustados em algum lugar daquele suéter. Ele o encontrou, mas fisgou a mão no anzol farpado. Começou a chorar.
O rei dos cisnes elevou-se ao céu ao ouvir a situação daquele coração delicado. Poderosamente equilibrado e voando pouco acima da superfície da água, chegou diante de Jono, que prontamente parou de chorar, chocado ao ver uma ave tão magnífica diante dele.
— Seja corajoso — falou o rei dos cisnes.
Não ocorre a uma criança de oito anos e meio que cisnes não falam e, naquele momento, o menino respondeu:
— Ele pegou minha mão — e ergueu a mão esquerda para ser examinada.
O anzol estava enterrado na pele entre o dedo médio e o primeiro dedo.
— Isso parece dolorido.
A voz profunda da ave acalmou o menino, como se ele tivesse podido acariciar os cabelos do menino. Lágrimas e manchas de sujeira do rio lavavam o rosto angelical do menino. Seus olhos, safiras profundas e reluzentes, acompanharam a ave enquanto ela caminhava desajeitadamente atrás dele. O cisne estava cabeça a cabeça, da mesma altura que o menino.
— Abaixe sua vara de pesca e, com a mão direita, você vai cortar a linha. Deixe o anzol em sua mão.
Diante disso, Jono soluçou.
— Faça o que eu digo. Faça isso, faça isso agora.
A chuva podia ser ouvida à distância. Jono estava tão concentrado em conseguir manejar a tesoura e cortar a linha que se esqueceu do telefone celular que sua mãe havia colocado no bolso externo de sua mochila para emergências.
— Meu nome é Jono — disse o menino enquanto colocava a tesoura no chão.
— Eu sou o Rei dos Cisnes — respondeu o macho.
— E este é o meu rio.
A pele das pernas do menino se arrepiou. Usar shorts já não parecia uma boa escolha e ele desejou estar usando sua calça jeans.
— É hora de voltar para casa.
O rei dos cisnes o afastou da margem do rio com uma cutucada.
— É hora de ir para casa. Agora.
Jono levantou-se e, na confusão e no drama do tempo tumultuado, não conseguia se lembrar do caminho para casa. O céu escureceu e a pequena trilha de grama pisoteada que levava ao seu local de pesca havia desaparecido na atenção do vento. Ansioso para não desobedecer ao rei dos cisnes, Jono caminhou para o interior, sua pequena caixa de ferramentas de plástico em uma das mãos, a outra mão estendida em um ângulo desajeitado ao seu lado, como uma asa quebrada.
Jono sentou-se sob uma árvore ancestral, seus galhos labirínticos oferecendo algum pequeno alívio da chuva que agora estava presente. Ele estava perdido. O cisne voou através do pasto e pousou diante dele.
— Suba nas minhas costas.
Jono olhou fixamente para ele.
— Deixe sua caixa e suba nas minhas costas. Deixe suas pernas penduradas atrás das minhas asas e cuidadosamente envolva seus braços ao redor do meu pescoço e do meu corpo.
A ave recuou em direção ao menino que, encantado, fez o que lhe fora dito.
Um relâmpago dividiu o céu negro e iluminou a imagem mágica de um menino segurando desajeitadamente um grande cisne. Os cachos de linho do menino estavam empurrados para trás, afastados de seu rosto. Ele percebeu um grupo de patos que se curvaram diante do assombro dos sinais da ave e do menino enquanto eles passavam sobre suas cabeças.
Pouco tempo depois, e agora completamente encharcado, o rei dos cisnes mergulhou para baixo atrás do velho celeiro junto à casa da família de Jono.
— Desça. Você está seguro aqui.
Mas Jono foi descuidado e, em sua pressa, prendeu o anzol de sua mão esquerda no peito do rei dos cisnes e rasgou carne e penas. O cisne afastou-se, sibilando para Jono, que rapidamente correu para sua casa, de repente assustado com aquela poderosa criatura.
Nos canteiros de juncos, uma orgulhosa fêmea protegia seus filhotes da tempestade, mantendo-os sobre suas costas, usando as asas como barreiras contra os elementos. Ela levantou a cabeça para ver seu amor, seu rei, chegar ao seu lado. Podia sentir o gosto do sangue dele no ar enquanto ele voava em sua direção.
— O menino.
Sua voz ressoou como o trovão, despertando algumas das bolas de penugem e penas.
— Você fez o que tinha de fazer. O menino não estava seguro.
A fêmea olhou para ele, seu próprio coração doendo, cheio de amor e proteção por aquelas seis bocas famintas.
— Você salvou este aqui — continuou ela suavemente.
O rei dos cisnes conseguia se lembrar da tempestade anterior. Lembrava-se de um menino um pouco mais velho, caindo nos juncos e sendo levado pela correnteza, assustado demais para estender a mão para o cisne que havia voado até ele para ajudá-lo a permanecer flutuando.
— Não foi culpa sua — disse ela, lendo sua mente.
— É o meu rio.
Ela bicou um pouco de musgo e o arrancou das pedras junto às pedras acima da linha da água. Colocou-o no pequeno buraco em seu peito, danificado pelo anzol de pesca.
— Esta não é nenhuma penalidade que você precise pagar — seus tons suaves lembraram-lhe que sua casa era ao lado dela.
— É o meu rio. Posso garantir que isso nunca mais aconteça — e ele afundou ao lado dela, grato por seus olhos, por suas atenções e por suas forças.
— O menino está seguro agora.
E ele descansou a cabeça entre os feixes de penas de anjo aninhados sobre as costas dela. A excitação causada pela cabeça daquele macho de cisne, aconchegando-se em meio ao que até então fora o berçário deles, despertou todos eles, e seus guinchos excitados trouxeram conforto a ele.
Janeiro, com seu frio amargo, anuncia despedidas sem arrependimentos Fevereiro inunda você e a mim de sensações Março, reparando os estragos deixados pelos ciclones Abril, enviarei mais histórias, boas histórias Maio, o velho cão completa 13 anos, mais um ano juntos Junho, meus amigos chegam do sul para me alimentar Julho, um retiro frugal de uma artista, em antecipação a Agosto, um reencontro tão doce, tão profundo Setembro, na esperança de publicação Outubro, escapamos para festivais e canções Novembro, o velho cão ainda late Dezembro, diferente do ano passado, passaremos juntos
2026 — PARTE 2
Quando me perguntaram o que eu esperava, ocorreu-me que as cacatuas-negras estavam diminuindo em número. Embora desfolhem as árvores, estão desaparecendo. Espero uma aquarela de sua magnificência, de sua natureza e de seu porte.
Quando me perguntaram o que eu esperava, percebi que a blue heeler completará treze anos, aposentada de seu trabalho de assistência, com a visão enfraquecendo. Será que ela ainda conseguirá me ver?
Quando me perguntaram o que eu esperava, notei o quanto as crianças haviam crescido rapidamente. Os aniversários voltam a chegar. A música mudou do meu tempo para este tempo. Olho-me no espelho e vejo mais linhas surgindo.
Quando me perguntaram o que eu esperava, a esperança saltou à vista. O câncer foi mantido afastado, o sucesso floresceu, os entes queridos jamais serão esquecidos, e eu e você, ainda juntos.
“Pete, Pete”. It looked like I was daydreaming I’m sure, but I wasn’t even there at all.
He texted me what he was visualizing. A moment of telepathy or was it cosmic integration? Dreaming? Imagining? Fuck it. I wasn’t there and yet he watched me in the coffee shop a little way down the streets from the Law Courts. So strange to see me behind glass mottled with raindrops. Me, who lives ten thousand miles away.
Hence the texting. Was it to remind me of something or was I reminding him? No birthdays, anniversaries, celebrations, deaths or memorials but there I appeared in his line of vision.
I hate it when that happens. When someone conjures me into their reality. I have never given permission. I think it’s rather rude, to encourage the building of false memories, the extension of delusions.
I thought living ten thousand miles away would prevent this loss of privacy, in other words, the consequences of cosmic peccadillos. I’m wondering whether he’s wondering whether he sees me as some optical echo from a shared history. Like glances at the same glasses, colour of lipstick, hair tumbling over the back of a winter coat from a knitted turquoise hat, the odd doppelgänger and the laughter of a cousin.
Wind ruffles my hair. Waves push out, suck in and carry illusions created by the Moon. I’m convinced we are still Hera’s playthings and delusions skip from our eyes to make tides turn and loved ones miss each other.
Jane Nashhttps://gemini.google.com/app/f02dc8c4ab9f2042?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all
I’m fishing this lake, my fly, a tiny wrapped hook and feather, dancing on the surface, in the cold, quiet. Relentless, inexperienced. I cast out over the water. This metaphor for life does not evade me.
For hours, my teacher simply observing. I want to be shown the angles of line to the sky, how to tickle a trout if it deigns to appear. But instead, I’m left to stand. The wind lifts, the rain descends. This metaphor for life does not evade me.
Jane Nashhttps://gemini.google.com/app/c458e366999487e7?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all
It arrives, a box containing two smaller boxes within. He doesn’t open both of them, only one. He glances at the label on the second box. He opens the first box. It contains what he has ordered. He smiles to himself.
The label on the second box predicts its contents. That’s all it is, a prediction. But what if it is the wrong label? What if the contents are different to the original order?
He decides not to look inside incase its contents are different. It doesn’t occur to him that he might be pleasantly surprised. The odds are good that the box does indeed contain his order but still he can’t be completely sure. He rationalises that he does like surprises and so places the box at the back of his cupboard for a rainy day when he is in need of a surprise.