Jacky Yuen apresenta aos leitores do ROL as metáforas que refletem a antiguidade, geografia, cultura e espiritualidade da grandiosa China!

Jacky Yuen Man-leuk (阮文略), natural de Hong Kong, na área profissional é doutor em Bioquímica (Medicina) pela Universidade Chinesa de Hong Kong e educador em biotecnologia, tendo trabalhado como professor de Química e Biologia no ensino médio, além de bibliotecário escolar.
Na área literária, atua como Diretor de STEAM na Eureka Language Services Limited, consultor acadêmico no Close Reading Studio, consultor do programa The Power of Words da Universidade Chinesa de Hong Kong, e colunista do jornal Ming Pao.
Entre os prêmios recebidos estão o Hong Kong Arts Development Award for Young Artist (Literature) e o China Motie Poetry Award – Poeta do Ano, entre outros.
É autor de dez livros. Em 2026, publicou duas coletâneas de poesia, Propagation e Secondary Succession, e escreve ocasionalmente prosa, ensaios e resenhas literárias.
Jacky Yuen inaugura sua colaboração no ROL com importantíssima e oportuna reflexão Escrever ou não escrever? Eis a questão.
Escrever ou não escrever: eis a questão
Algumas reflexões a partir de um diálogo com Wang Tiankuan (王天寬) e Xiao Yuxiang (蕭宇翔) (escritor taiwanês)

O tema da conversa era ‘O caminho da escrita que eu não segui’. Preparei algumas fotos, apenas para exibi-las de maneira casual; não pretendia comentá-las uma a uma, e muitas sequer chegaram a ser mostradas no final. É preciso sempre guardar algumas boas cartas — caso contrário, não haverá mais espetáculo depois.
Examinei rapidamente um trabalho de férias escrito em 2002. Com receio de falar demais, acabei pulando esse ponto, mas Tiankuan e Yuxiang, meus interlocutores, sugeriram que eu apresentasse aquele poema que havia passado como um relâmpago pela tela dos computadores de todos. Naquela época eu cursava o equivalente ao primeiro ano do ensino médio. O professor, numa iniciativa pouco comum, sugeriu que escrevêssemos um poema ou um texto em prosa a partir de uma fotografia escolhida por nós. É preciso lembrar que, no ensino médio de Hong Kong, ‘escrever poesia’ nunca foi uma opção; sendo uma oportunidade raríssima, não vi motivo para não tentar. Na escola, alguns colegas gostavam de escrever poemas e trocá-los para leitura — quase sempre durante aulas entediantes, quando ficávamos presos às carteiras sem poder nos mover. Os versos eram passados silenciosamente em pequenos papéis, transformando a leitura de poesia numa espécie de jogo proibido. Quem poderia imaginar que, mais de vinte anos depois, escrever poesia se tornaria de fato algo um pouco perigoso? Entre os colegas que escreviam poemas naquela mesma sala de aula, ao que parece, só eu continuei escrevendo — e talvez só eu ainda me preocupe com esse perigo.
Naquele trabalho, escolhi na internet uma foto do colapso das Torres Gêmeas e escrevi um longo poema de luto. No início de 2002, o absurdo e o horror do desastre ainda ecoavam incessantemente na mente; gravei minha incompreensão e repulsa diante da maldade humana em uma sequência de versos longos e curtos cheios de paralelismos, repetições, metáforas, metonímias e rimas — um amontoado de recursos aqui e ali. Hoje, as linhas já não merecem releitura: eram imaturas demais; como se diz, “sem técnica, tudo vira afetação”. Mas o estado de espírito de transformar o bater no teclado em poesia — isso eu nunca deixei de recordar.
Será que alguém pode realmente escrever sobre a dor do outro?
Se somos incapazes de compreender verdadeiramente o outro, qual é então o sentido da escrita? Não queremos que nos acusem de ‘consumir’ a catástrofe; mas, se não é consumo, o que é? De que maneira deveria existir uma ‘escrita não consumidora’? Afinal, ‘consumo’ é necessariamente um termo pejorativo? Em vez de dizer que escrevemos sobre a dor do outro, não seria possível dizer que, em essência, trata-se de uma dor pessoal digerida, absorvida, assimilada? Se toda escrita é uma forma de consumo — de si ou do outro —, então ler a dor do outro seria um segundo nível de consumo? “O inferno são os outros”: literatura e olhar seriam as duas faces da mesma moeda. Não importa como você a lance ao ar; ao cair, uma face aparece, mas a outra está sempre ali, por trás. E mais ainda: depois de ir e voltar do inferno, após retornar ao mundo humano para encarar a memória, o passado que foi observado e consumido não deveria atravessar o tempo para protestar contra o eu de hoje? Onde a caneta alcança, tudo vira inferno — é assim?
Naquele trabalho recebi a nota ‘A-‘, um resultado bastante bom. Na enorme sala de informática subterrânea, o professor projetou os trabalhos na tela branca pendurada na parede. No escuro, a imagem das torres desabando foi ampliada ao máximo — aterradora — e observada por toda a turma. Outro trabalho que também recebeu ‘A-‘ foi um poema sobre o conflito israelo-palestino. Já não consigo lembrar os detalhes do texto — afinal, se passaram vinte anos —, mas lembro que era um poema intenso, profundamente triste. Lembro do sangue nas pessoas da fotografia; parecia que havíamos encarado diretamente, um a um, os buracos sangrentos no corpo de outros seres humanos. Aquele colega depois parou de escrever. Anos mais tarde, envolveu-se em movimentos sociais, entrou para a política, ocupou cargos importantes — e sofreu por isso. O caminho da escrita que não percorremos muitas vezes só se revela quando olhamos para trás. Mas, como escreveu Frost em ‘O caminho não tomado’, os caminhos tomados e não tomados são, na prática, incomparáveis. O caminho não seguido torna-se um enigma eterno; um eu real e um eu fictício se separam na bifurcação.
Na conversa da noite passada, mencionei um artigo recente de Hon Laichu (韓麗珠, escritor de Hong Kong) sobre a cidade H, intitulado ‘O trem do tempo’. A velocidade das mudanças em H é tal que somos facilmente arremessados para o pretérito — ou até para o mais-que-perfeito —, e quando nos damos conta, tudo já se tornou irreconhecível. A saída encontrada pela escritora foi saltar o quanto antes para o vagão do futuro.
Curiosamente, no ano passado um veterano da literatura me disse algo muito parecido. Ele sabia que eu havia escrito muitos poemas sobre H, mas não sabia que H ainda me era estranha — como uma ilha eternamente inalcançável. Você chega infinitamente perto, observa por anos, mas a ilha continua mudando de forma, impossibilitando qualquer desembarque verdadeiro. H está diante dos olhos de todos nós, mas nunca a vimos de fato. O veterano me disse: já escrevemos tanto sobre seu presente e seu passado; é hora de escrever seu futuro. Fiquei ruminando suas palavras, rasgando-as em múltiplas leituras equivocadas: ‘escrever para o futuro’, ‘escrever o futuro dela’, ‘escrevê-la dentro do futuro’, ‘escrevê-la para o futuro’. Este é o desvio da escrita que estamos escolhendo — mas trata-se de uma escolha ou de uma necessidade?
Mu-yu (沐羽, escritor de Hong Kong) questiona, por meio do romance: em relação a Hong Kong, temos o direito de não escrever? E então me ocorreu um pensamento súbito: talvez escrever e não escrever sejam, justamente, dois estados diferentes da escrita. Quando Mu-yu escreve romances, ele não está “aqui”. Esse “jovem escritor, difícil de imaginar que ainda não tenha 30 anos”, disse na entrevista: “Quando não estou no local, se escrevo ensaio ou crítica teórica, a questão da veracidade se impõe; então considero o romance. Mas ao escrever romance, surge outra pergunta: se eu escrever com facilidade — ou mal —, isso não seria uma exploração das pessoas que estão no local?” Se já é assim com o romance, o poeta se encontra ainda mais num impasse. O que é, afinal, o ‘local’? Um terreno de areia e pedra, ou o campo de visão de um coração?
Poetas que escrevem incansavelmente sobre Hong Kong — como Liu Waitong (廖偉棠, escritor de Hong Kong). Basta mencionar seu nome para que todos respondam com aquela ressonância típica de reencontro entre velhos amigos. Um dos participantes da conversa o comparou a Du Fu (杜甫, antigo poeta chinês), o que me fez pensar imediatamente em ‘Visão da Primavera’ e “A Canção dos Carros de Guerra”: o próximo e o distante, o pequeno e o grande, o curto e o longo, além daquele enquadramento fixo à maneira do ‘Oficial de Shihao’.
Du Fu também teria uma ‘escrita do não escrever’? Talvez seja um mistério. Menciono Liu principalmente porque ele escreveu muitos poemas dialogando com autores antigos, ou assumindo a voz de outro para falar a alguém — a ponto de causar mal-entendidos, levando muitos a acreditar que certo poema era realmente de um poeta russo. Além da imitação, ele também cria retratos de personagens fictícios.
Esqueço a causa inicial, mas em certo ponto da conversa, mencionar o nome de Liu Waitong tornou-se quase inevitável. Seus poemas sobre nossa cidade naturalmente também foram alvo de questionamentos. Alguns escritores disseram que ele escreve “de forma diferente do que se espera de poemas sobre Hong Kong”, que “transmite sempre uma impressão de observador — mesmo narrando a história de Hong Kong, não se coloca como participante”, que “em termos técnicos, são bons poemas; mas há certa distância em relação à sensibilidade dos hongkongueses; pelo menos, para um poeta local vivendo o mesmo tempo e espaço, é difícil manter tamanha abstração”. Liu respondeu com um texto longo; permitam-me recortar apenas o título, que já serve como resposta concisa: “Minha poesia busca a distância”. Trata-se de uma distância de imaginação, de um horizonte elevado.
A poesia não pode, então, ocultar a identidade e recuar o eu para uma posição posterior, como faz o romance? Li pouco de Fernando Pessoa, mas sua escrita por meio de heterônimos já tem mais de cem anos. Hoje, se ainda precisamos assumir qualquer culpa concreta por ‘escrever poesia’, isso é simplesmente absurdo. Penso em um amigo distante, um exilado de sua própria terra, país B. Hoje ele vive de forma tranquila e confortável. Conversamos recentemente online; ele perguntou quando eu poderia ir visitá-lo — algo que também não sai da minha mente. E, claro, há muitas outras pessoas e coisas que também ocupam meus pensamentos.
Yuxiang respondeu a uma pergunta do público online sobre compreender a dor do outro: ao menos existem Primo Levi e Paul Celan. Não sei se eles acabaram trilhando ‘aquele caminho’ realmente por causa de sua condição de sobreviventes — por terem encarado o abismo, ou por terem conseguido sair dele. No fim, como se a morte tivesse chegado, o sofrimento foi encerrado com a própria morte.
O complemento textual que Yuxiang escreveu hoje é brilhante; não vou reproduzi-lo aqui. Imagino que sua ideia seja que, no fim, o tratamento dos grandes escritores se assemelha à música que chega ao ponto do ‘som máximo que se torna silêncio’, ou ao reconhecimento final entre lágrimas. Não sei se entendi corretamente; afinal, como ele disse, “reconhecer a pequenez da literatura e manter-se imperturbável — isso é o mais elevado”.
Minha resposta foi: há três caminhos na escrita — três caminhos que não se excluem mutuamente: autodestruição, silêncio, transcendência. Não discutirei a autodestruição. Quanto ao silêncio, penso que se aproxima do ‘não escrever’: é o ‘Silêncio — aqui é o cume de tudo’, de Yang Mu; é a obscuridade última; é o sino de um templo envolto em chuva e neblina. Quanto à transcendência… bem — é transcendência.
Antes, eu nunca havia realmente compreendido ‘Leningrado’, de Mandelstam. Até que, em certo período, eu acordava de madrugada e, mais ou menos no mesmo horário, o andar de cima começava a fazer barulho — portas abrindo e fechando, mesas e cadeiras sendo arrastadas. Só então entendi de verdade o que significa “esperei a noite inteira por um hóspede querido”. O mesmo vale para Brecht, Zagajewski: seus poemas nos mostram o que é ‘o mais elevado’. Coincidentemente, eu os li em traduções de Huang Canran ou Li Yiliang. Convenci-me de que ali reside o que chamamos, na literatura, de força da ‘transcendência’.
Meu sonho de ser professor nasceu no ensino médio, mais ou menos na mesma época em que comecei a tatear as pedras do rio da poesia. A todo ex-aluno que pretende se tornar professor, digo: ao subir ao púlpito, você é um performer — mas não para interpretar outro papel. No convívio diário, você não consegue enganar seus alunos. O que você precisa é dar vida ao eu que é professor. Às vezes penso que, de algum modo, é preciso tornar-se ‘outro’ para então, numa segunda transformação, tornar-se verdadeiramente si mesmo.
Na poesia, é o mesmo. Dias atrás, uma ex-aluna apaixonada por cosplay respondeu no Instagram a uma pergunta anônima: por que criar outro nome e se chamar por ele? Ela respondeu que, assim como escritores criam pseudônimos, cosplayers também costumam ter um nome exclusivo para essa identidade. Senti orgulho dela: uma resposta segura, sem arrogância nem submissão. Professores também são assim — alunos raramente os chamam pelo nome. E o ritual de cumprimentar a turma ao entrar na sala é como atravessar um limiar simbólico.
Rituais, como a cerimônia antes de filmar ou o sacrifício ritual antes do banquete, podem ou não ser necessários sempre — depende da situação —, mas como poderiam ser desprovidos de sentido? Escritores também não teriam rituais de abertura da escrita, que tornem mais legítimo escrever sobre o outro ou sobre si? No caminho da escrita que não percorremos, será que também precisamos vestir um pesado casaco e um chapéu de pele, como um Mandelstam exilado na Sibéria? Não sei russo, mas esses rituais parecem existir: por exemplo, dar um título ao poema; se não houver título, chamá-lo simplesmente de ‘Sem título’. Na poesia russa, muitos poemas realmente não têm título, e os tradutores costumam usar o primeiro verso seguido de reticências como título provisório.
Em 2004, fui estudar química no Brooklyn College por quase um ano. Para mim, Nova York é eternamente vibrante e solitária, bela e melancólica — como H. A diferença é que em H não neva, enquanto o vento e a neve de Nova York são suficientes para fazer alguém duvidar da vida. Quando o metrô atravessa as imponentes pontes de ferro entre as ilhas, a luz do sol atravessa os vidros e projeta cintilações intermitentes no vagão — como uma magia que congela o tempo. O universo me observa por essa fresta. E o pôr do sol, com aquela cor de gema meio cozida, você sabe que em breve irá iluminar H, no extremo oriente — o cenário dos meus sonhos noturnos, onde vivem meus familiares e colegas.
Foi nesse ano que entendi: eu acabaria voltando para H, essa cidade de mudanças vertiginosas. Assim, o ‘eu’ se dividiu entre o eu em Nova York e o eu que voltou ‘para cá’ para estudar — tornando-se mutuamente outros, cada qual portador da prova de estar ou não estar no local. Afinal, o que é o local? Um terreno de areia e pedra, ou o campo de visão de um coração?
Não lembro a data exata. Num fim de semana, entediado, caminhei sozinho até o extremo sul de Manhattan. Passei por Wall Street e cheguei finalmente ao local do World Trade Center. Já haviam se passado mais de três anos desde o colapso. Entre morte e sobrevivência, uma fenda por onde a luz vazava continuava a se alargar. Ali, no local, eu quase podia ouvir o som das placas do tempo se rasgando — entre o céu e o mundo humano. Espiei através da cerca de arame: havia um enorme buraco escavado, cercado de aço bruto e concreto.
À frente, erguia-se uma grande cruz improvisada com trilhos quebrados. Tirei fotos, mas minha atenção se fixava naquele buraco de vários andares. Se fosse apenas um vazio estático, tudo bem — não tenho nenhuma obsessão especial por túmulos. Mas havia máquinas trabalhando no subsolo, escadas metálicas descendo até o fundo, rampas para veículos pesados. O World Trade Center já tinha estações de metrô e do PATH; os trilhos estavam enterrados profundamente, mas agora um trecho ficava exposto à luz do dia. De tempos em tempos, um trem surgia de um lado, atravessava o buraco e desaparecia novamente no outro.
A cada cinco anos escrevo um poema de luto sobre o World Trade Center: setembro de 2006, 2011, 2016, 2021. Não é um hábito obrigatório — não fiz promessa a ninguém, e qualquer escritor sabe que cinco anos são mais do que suficientes para mudar de rumo. A menos que se diga que isso é uma resposta reiterada àquele adolescente que ficou parado, atônito, diante do buraco no sul de Manhattan; uma resposta àquele estudante ingênuo que, sob o pretexto de fazer um trabalho escolar, acreditava que um poema rimado pudesse questionar alguma coisa.
O que essa contemplação afinal nos traz? Apenas constrangimento e impotência? Žižek conta, no prefácio da edição chinesa de O sublime objeto da ideologia, uma história em que Hitler se apavora e se enfurece ao cruzar, inesperadamente, o olhar de soldados feridos através da janela do trem. Mas isso, no fim, é obra do próprio Hitler. A literatura seria mais parecida com a história mencionada por Žižek sobre o violinista russo Mikhail Goldstein, que tocou para soldados nas trincheiras. Após o concerto, ouviu-se do lado inimigo um pedido em russo: queriam ouvir Bach. Bach é ‘transcendente’: conecta temporariamente lados em guerra, mas não interrompe o conflito. Quando a música termina, a guerra inevitavelmente retorna. Žižek diz que “essa apresentação não só não impediu os disparos, como sustentou a continuidade do combate, ao fornecer um pano de fundo cultural comum”. Será que nossos poemas acabam sendo apenas esse “breve e sublime momento de suspensão”? Então, por que escrevemos poesia?
Sobre a relação ambígua entre poesia e tanques, inúmeros poetas já tentaram responder — não ouso falar demais. Heaney, por exemplo, disse: “Em certo sentido, a eficácia da poesia é zero — nenhum poema jamais deteve um tanque. Mas, em outro sentido, ela é infinita.” Para Heaney, “o mais importante é a energia da resposta”. No fim das contas, voltamos a Frost, autor de ‘O caminho não tomado’, pois Heaney cita sua definição de poesia: “uma pausa momentânea contra a confusão”.
De todo modo, não acho que devamos acatar ordens alheias que decretam o fim da escrita literária. Com que direito interferem na literatura? Guardamos nossos poemas em gavetas. Lembro daqueles versos passados às escondidas na sala de aula — como as lembranças são belas. Hoje, vinte anos depois, quero entregar-lhe um bilhete escrito à mão e dizer: este é o meu poema; guarde-o bem, pois quero arquivá-lo no meu próprio passado.
Mas quando você encara os buracos criados pelos seres humanos — na superfície da terra, como o local do World Trade Center ou cidades vazias e ruínas; nos corpos, como naquela foto do conflito israelo-palestino ou nos vídeos vindos da Ucrânia e de tantos outros lugares; ou ainda os buracos nas estantes, nos livros e jornais, na memória coletiva, na própria linguagem humana —, ao perceber que esses buracos estão por toda parte, então a pergunta retorna: escrever ou não escrever? Construímos a autodestruição, o silêncio ou a transcendência — literária, corporal e humana — por meio do ‘escrever’ ou do ‘não escrever’? Essa é, de fato, a questão.
Jacky Yuen Man-leuk
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