Mãe do coração
Marli Freitas: Crônica ‘Mãe do coração’


Hoje, como em tantos outros dias, me pego pensando: ‘Deus é bom, eu sou grata’. Basta abrir a primeira janela do nosso tempo, Marli mãe e Marli filha. Foi um encontro inesperado. Como meu pai dizia, “Menina você tem asas nos pés”, pois corria, não andava. A mente era mais rápida do que meus pezinhos delicados de menina miúda e, assim, vivia de joelhos e cotovelos ralados.
Bem, foi assim, ventando na rua Osvaldo Cruz, rumo à quadra de esportes que você, minha segunda mãe – também Marli, surgiu à minha frente. Com jeito de menina poesia, paralisei no espanto e me perguntei, ‘o que aquela mulher tão linda e elegante poderia querer comigo?’. Silenciei e ouvi aquelas doces palavras:
– Como você se chama?
Eu respondi, quase gaguejando, que também me chamava Marli.
E ela continuou:
– Você está indo aos jogos, então, diga a eles, que estamos abrindo uma loja de artigos para vestuário em geral e se chama Bazar Rilyane.
Meu coração vibrou me dizendo, que aquela linda mulher precisava de mim e dei seguimento à missão de propagar a boa nova.
Este seria um encontro casual, mas já estava escrito no coração de Deus, que ela seria a minha segunda mãe.
O segundo encontro que me levou a ela, também parecia um acaso, mas uniu nossas vidas para sempre. Já havia passado como ajudante de doméstica em alguns lares e experimentado a casa dos padrinhos, mas, num domingo, tive a inspiração de pedir à madrinha para ir à missa. Vesti uma jardineira branca, presente da minha mãezinha de sangue (in memoriam) e a memória afetiva me levou de volta à casa materna, que era vizinha da minha mãe do coração.
Novamente a menina que tinha asas nos pés, fez ventar o beco estreito, que dava acesso à rua e, quando me dei conta, estava nos braços de ‘Maria’, uma mulher que nasceu para ser anjo. Foram poucas palavras e no mesmo dia me tornei babá da minha irmã caçula do coração. Fato que me aproximou da mulher mais linda, forte e perfeita, que pude ver na vida.
O seu olhar me acolheu e, dentro de um mês, eu não era mais babá, mas a sua filha do coração. Nos encontramos no coração uma da outra e muitas memórias afetuosas foram criadas, porém, sei que só o amor é capaz de explicar os encontros, a vontade de cuidar, de se entregar ao espanto, à paciência e às exigências de querer bem a outra pessoa.
O que posso dizer é que estava escrito que seria assim. Muitos arriscam em dizer que me pareço mais com você do que com os meus progenitores, mas eu sei que sou abençoada com duas mães e as amo por completo.