Os primórdios da existência
Taghrid Bou Merhi: Poema ‘Os primórdios da existência’


No princípio, o silêncio sonhava com horizontes distantes,
e a noite do nada aguardava imóvel, desconhecida.
Nenhuma estrela subia trêmula aos céus,
e o tempo ainda não havia aberto suas portas à viagem.
O mar do vazio expandia-se mudo,
guardando em suas profundezas o estremecer dos mistérios e dos pensamentos.
Até que o rosto do universo respirou uma canção,
e sua chama fez vibrar as eras e a história.
A escuridão rompeu-se diante do primeiro clarão das estrelas,
como se fosse a primeira letra escrita pela criação.
A luz floresceu pelos espaços infinitos,
e tornou-se vencedora sobre a longa noite.
Girou o barro das origens,
dele nasceram montanhas, mares e chuvas.
A terra era como uma criança em sua galáxia,
olhando ao redor com sonhos e imagens dentro do peito.
Então despertou a mão dos dias,
moldando do pó um ser cuja alma carregava o destino.
Ele caminhou trazendo perguntas nos olhos:
o que existe além do céu? Onde repousa o espírito?
Escutava os rios em silêncio,
tentando compreender quem dera início ao invisível.
E o vento respondeu:
“O universo é uma canção entoada por aqueles que possuem o poder do mistério.”
O mar das noites murmurou:
“Não há limites para o que as almas escondem em seu interior.”
Tudo possui um segredo que o colore,
até mesmo as estrelas têm histórias ocultas em seu silêncio.
Segue teu caminho,
pois a vida é um milagre que renasce no fim de cada estrada.
Não acredites que a morte seja o encerramento,
ela é apenas uma porta para outro florescimento.
A criação é um rio contínuo de respirações,
ligando o barro das origens ao coração humano.
E o universo continua criança em sua contemplação eterna,
procurando o próprio segredo — ainda escondido nas profundezas do infinito.