Pena
Virgínia Assunção: Poema ‘Pena’


Há pessoas que não ferem pela força,
Mas pela arte de fingirem ser do bem.
Vestem-se de ovelhas em pele de lobo,
E não se preocupam se machucam alguém.
Confesso: não desperta em mim revolta.
Pois a revolta exige que se tenha algum valor.
O que essas pessoas de fato, provocam
É pena, silêncio tecido de pesar e torpor.
Estranha palavra essa: pena.
No coração, compaixão; na lei, punição.
Talvez não tenham sentidos tão diferentes:
Pois quem inspira pena, já vive em condenação.
Porque o pior dos presídios não tem grades,
Nem juiz, sentença, ou qualquer legislação.
Está na mente de quem engendra as maldades
E faz da própria vida a sua eterna prisão.