O ébrio
Evani Rocha: Poema ‘O ébrio’


Amanheceu ali na esquina úmida e lodosa.
Tinha na boca um gosto de zinabre.
A pele encrespada e fria
Pelo sereno da madrugada.
Todos já se foram…
Apenas a penumbra permanecia…
Há pouco ele se arrasta pelos becos da cidade morta.
Ainda tenta beber o último gole,
Mas suas mãos trêmulas não suportam o peso do cálice.
No horizonte, o sol quase desponta
Em meio a um barrado cor de sangue…
É o anúncio de um novo dia!
Permaneceu ali:
Cabisbaixo e embriagado,
Não só pelo álcool,
Mas pela angústia que lhe açolava o peito.
Nada a lamentar, nem forças para gritar…
O mundo emudeceu!
Sem jeito de ignorar a resignação…
Então, debruçou-se sobre os joelhos,
Vencido pela solidão,
E deixou o tempo dele se encarregar!
Evani Rocha
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