Cia Cria Mundos realiza oficina cultural voltada a crianças de 7 a10 anos
Card da oficina infantil gratuita ‘Meu Corpo Conta Histórias‘Ivanise de Carlo
Cia Cria Mundos realiza a oficina cultural ‘Meu corpo conta histórias’, voltada a crianças de 7 a 10 anos, no dia 11 de julho (sexta-feira), das 13h às 15h, na Biblioteca do CEU das Artes ‘Prof. Flávio Vespasiano Di Giorgi‘, localizada no Parque das Laranjeiras, em Sorocaba.
A oficina é gratuita e será conduzida por Ivanise de Carlo, atriz, artista visual e arte-educadora. A atividade propõe a exploração do corpo como instrumento de criação e expressão, por meio de jogos teatrais, mímicas e uso de objetos do cotidiano.
A ação integra o projeto ‘Histórias com a Mafralda‘, contemplado pelo edital 2024 da Lei de Incentivo à Cultura (LINC), uma iniciativa da Prefeitura de Sorocaba, por meio da Secretaria de Cultura (Secult).
As vagas são limitadas e as inscrições serão realizadas no local, no dia da oficina.
Elaine dos Santos: “Os nossos, os outros: ‘O vergalho’”
Elaine dos SantosImagem criada por IA do Bing – 04 de julho de 2025, às 10:04 PM
Não ousaria tecer digressões sobre a obra literária produzida por Machado de Assis na exiguidade de um breve ensaio, mas os seus textos são fonte constante de inspiração para refletir sobre o ser humano e a nossa sociedade.
Recentemente, na região central do Rio Grande do Sul, houve um crime (creio que é a palavra mais adequada), em que um agricultor, lenhador, teria investido contra a polícia ambiental e foi morto com três tiros – as imagens foram captadas por câmeras de segurança interna da propriedade, mas nem todas as ações ficam claramente evidenciadas.
A primeira impressão que emergiu (parafraseando Chapolin Colorado: “Quem poderá nos salvar” se a polícia mata? Teria havido uma denúncia feita por vizinhos de desmatamento ilegal, teria sido mera coincidência a presença da polícia ambiental na propriedade. O agricultor teria se agitado, investido contra os dois policiais com um machado.
A segunda questão, que me foi posta pela esposa de um ex-aluno, foi: por que nos choca tanto a morte de um igual se, no Brasil, pessoas são mortas diariamente pelas forças de segurança, quer seja por tiros dirigidos diretamente a elas ou por balas perdidas em tiroteios?
O narrador seguia pela rua e ouviu os impropérios ditos por um homem ao seu escravo. Achegou-se e encontrou o seu ex-escravo Prudêncio, já alforriado, a bater sem medida em um escravo que adquirira. Solicitou que Prudêncio perdoasse o escravo, o que ele fez sem demora, demonstrando resquícios da submissão absolutamente servil.
Brás Cubas seguiu o seu caminho e passou a tecer reflexões sobre a cena que assistira, sobre a (re) duplicação da violência e ponderando que Prudêncio, que fora seu escravo, cobrava com juros a violência que sofrera.
O Brasil é um país forjado na força, na violência. Os portugueses quando aqui chegaram, quando começou o efetivo povoamento, por volta de 1530, principiaram uma verdadeira chacina do povo indígena que não se resignava à escravidão. Por outro lado, inúmeras mulheres indígenas foram sexualmente violentadas, nasceram mestiços sem pai.
Aliás, esse modo de agir acabou encontrando eco exatamente entre os senhores de engenho, que emprenhavam as suas melhores escravas para, com os filhos mestiços delas, aumentarem a mão de obra nas fazendas. Há registros que se pode buscar na própria História oficial, que escravos homens eram escolhidos para engravidar escravas mulheres para que nascessem crianças mais saudáveis para o trabalho.
Mentalmente, revisito a História do Rio Grande do Sul, que foi feita sob o lombo de cavalos, o estado mais meridional do Brasil, um dos últimos a ser ocupado, região em que vivo na atualidade.
Primeiro, vieram bandeirantes que expulsaram jesuítas portugueses. Quando os jesuítas espanhóis estabeleceram os Sete Povos das Missões, era o tempo dos tropeiros paulistas que vinham em busca do gado para produzir charque e das mulas para o transporte nas Minas Gerais. Nesse caso, valiam-se das mulheres indígenas como empregadas, como amantes, abandonando-as quando partiam, muitas delas encontrando-se grávidas.
A violência entre nós, como ao escravo Prudêncio, que pertencera a Brás Cubas, faz parte do imaginário social. Nos últimos anos, parece ter sido banalizada, bem como a morte – mas a morte do outro: do negro, do homossexual, da mulher. Que estranha sociedade formamos que somente a morte ‘do nosso’, do branco, do agricultor, do reconhecido como trabalhador, consegue nos assustar, comover?
Hoje, como nos tempos de doutorado, quando analisamos o romance ‘O matador‘, de Patrícia Melo, eu tenho medo dessa sociedade. Enquanto comentávamos a obra de Patrícia Melo, uma colega disse: “Mas eles (os pobres, os nascidos na periferia) não têm apego à vida!” Outra colega replicou: “Como tu consegues afirmar isso? Eles, os outros, também tiveram uma mãe que os amou, sonhos que se frustraram, desejos não realizados.” Somos, enfim, todos humanos. Por que essa relação sempre tão violenta e tão ‘comum’?
Irene da RochaImagem criada por IA do Bing – 05 de junho de 2025, às 00:42 AM
Sonhar contigo, mesmo além do oceano, Imaginar tua pele, quente e morena, Te ouvir como eco de uma voz serena, Desejar teus beijos em meu rosto insano.
Respirar ofegante, o coração em declínio, Seus braços entrelaçados, dúvida e desejo, Apenas tua presença faz o tempo enlevo, E transforma o silêncio em ritmo divino.
Aguardo esse instante, sonho e esperança, Tão vívido, quase utopia que encanta, Vida segue seu rumo, com esperança,
Mas minha razão insiste em que vale a pena, Crer nesse amor que o coração revela, Um sonho verdadeiro, pura e serena.
Joelson MoraImagem criada pelo Bing – 04 de julho de 2025, às 16:49 PM
Na noite passada, tive um sonho diferente de todos que já vivi. Não apenas pela nitidez das imagens, mas pelo que senti: um chamado. Um portal se abriu dentro de mim e me levou a um lugar onde o tempo não tem pressa e onde o espaço se curva diante do mistério.
No sonho, eu estava num quarto de hotel — símbolo de um momento transitório, talvez um trecho da vida em que me encontro. Dormia… até que acordei. O som da água correndo me puxou para fora do sono. Mas, ao me levantar, o quarto não era mais o mesmo: em seu lugar, um multiverso espelhado, com um corredor infinito, paredes luxuosas e uma torneira de prata jorrando sem parar.
Ao tentar fechar o fluxo, uma mão tocou a minha. Um senhor de olhos azuis, expressão serena e presença ancestral disse apenas:
“Como tudo começou, Joelson.”
E então acordei.
Esse breve momento abriu um espaço poderoso de reflexão: Como tudo começou? E o que isso diz sobre quem somos?
O ponto de partida está dentro
A pergunta do sonho ressoa como uma chave para o autoconhecimento. Muitas vezes buscamos respostas no mundo exterior, mas o verdadeiro “começo de tudo” está dentro de nós — no silêncio, nas memórias mais profundas, nos traumas que moldaram crenças, e nos sonhos que esquecemos de sonhar acordados.
A jornada do autoconhecimento é justamente esse retorno ao ponto de origem, onde deixamos de ser apenas o que nos disseram e passamos a lembrar de quem sempre fomos.
Sonhos como esse funcionam como gatilhos de consciência. Uma “mudança de chave” não acontece apenas com grandes eventos, mas com pequenos despertares: uma leitura, um toque, uma pausa, uma pergunta.
Despertar é isso: lembrar-se de que há algo mais.
A boa notícia é que não estamos sozinhos. Hoje temos acesso a ferramentas poderosas de transformação:
Cada uma dessas práticas nos ajuda a limpar a torneira aberta dentro de nós, por onde escorrem memórias antigas, emoções represadas e energias estagnadas.
Para trilhar esse caminho, é preciso abrir mão das velhas verdades que nos ensinaram a carregar:
– “Você não é capaz.”
– “Precisa agradar a todos.”
– “Sentir é fraqueza.”
– “Não mude, é perigoso.”
Essas vozes não são nossas. Elas foram semeadas por histórias passadas, por medos herdados e por modelos que já não nos servem. Desapegar-se é libertar-se.
Vivemos em um campo vibracional. Tudo emite frequência: nossos pensamentos, palavras, atitudes. Quando nos alinhamos com a essência, atraímos o que vibra na mesma sintonia: pessoas, oportunidades, milagres.
Se você sente que está em um momento de despertar, preste atenção aos sinais. A vida sussurra nos detalhes: na água da pia, no espelho do corredor, no toque de um ancião. Tudo está se conectando — mesmo aquilo que ainda não entendemos.
Talvez o homem do sonho represente a parte mais antiga e sábia de mim — ou de nós. Talvez ele seja o “eu superior”, o espírito guardião, ou uma lembrança de que somos feitos de algo eterno.
E talvez tudo comece, de fato, quando paramos e escutamos.
Como tudo começou?
Talvez com um sonho.
Talvez com um toque.
Talvez com essa leitura.
Mas o mais importante é: você está pronto para continuar.