Professor Jefferson Biajone resgata a memória dos ex-combatentes de Itapetininga

Este ano de 2016 foi profícuo a atividade de resgate da história, dos feitos e da memória dos ex-combatentes de Itapetininga que participaram das revoluções de 1924, 1930 e 1932, bem como a Segunda Guerra Mundial.

 

Nesse sentido, faremos uma retrospectiva às ações desenvolvidas por entidades cívico-culturais em nossa cidade em prol desse resgate, a citar a Associação dos Ex-Atiradores e Amigos do Tiro de Guerra de Itapetininga (AEATGI), o Departamento de História Militar Terrestre do Instituto Histórico Geográfico e Genealógico de Itapetininga, o Núcleo MMDC Paulistas de Itapetininga! As Armas, sucursal da Sociedade Veteranos de 32-MMDC no município e o Portal dos Ex-Combatentes de Itapetininga, bem como sinalizaremos para as ações previstas para ocorrer em 2017, outro ano repleto de expectativas para a continuidade deste resgate que tem contribuído para valorizar Itapetininga pela sua rica história e pujante memória cívica e militar.

 

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Com início pelas ações desenvolvidas em prol da memória de Revolução Constitucionalista de 1932, o Núcleo MMDC de Itapetininga em parceria com o 22º Batalhão de Policia Militar do Interior (22º BPM/I) realizou a 10 de junho de 2016 a Solenidade Comemorativa dos 84 anos da Juventude Constitucionalista do Setor Sul na qual autoridades civis e militares, bem como personalidades de destaque foram homenageadas pela Sociedade Veteranos de 32-MMDC. Já em 15 de Julho, agora em parceria com o curso superior de tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas (ADS) da Fatec Itapetininga, o Núcleo realizou a concessão de um banner ao Monumento e Mausoléu do Soldado Constitucionalista de 1932 existente em São Paulo, também conhecido como o obelisco do parque Ibirapuera.

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Neste pôster MMDC que foi elaborado por alunos de ADS pertencentes ao projeto de iniciação científica Morada de Heróis do referido curso superior da Fatec Itapetininga, há QRCODEs cuja leitura por dispositivo móvel permite acesso a conteúdos sobre a história de vida dos jovens da sigla M.M.D.C., Mário Martins de Almeida, Euclides Miragaia, Dáusio Marcondes de Sousa e Antônio Camargo de Andrade, bem como de Orlando de Oliveira Alvarenga, do mártir Paulo Virginio, do general Júlio Marcondes Salgado e do governador Pedro de Toledo.

 

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Além da elaboração e doação do pôster, a mesma tecnologia QR CODE foi empregada no Cemitério Municipal de Itapetininga em 17 de setembro, quando o Núcleo MMDC de Itapetininga em parceria com a Fatec Itapetininga e o Instituto Histórico Geográfico e Genealógico de Itapetininga realizaram a Solenidade Comemorativa dos 84 anos da Juventude Voluntária Constitucionalista, ocasião em que foram afixados nos túmulos de Fraterno de Mello Almada e Clineu de Mello Almada QRCODE contendo suas histórias de vida e no Cemitério São Paulo (capital) QRCODE contendo a história de vida do ex-combatente Clineu Braga de Magalhães, cujo diário de campanha foi também reeditado e lançado em edição digital comemorativa pelo referido núcleo na mesma data.

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Depois, já no Dia dos Finados de 2016, o Cemitério de Itapetininga recebeu mais quatro placas afixadas em túmulos nele existentes, os dos ex-combatentes de 32 soldado Rafael Nhová Santiago, cabo Durvalino de Toledo e a enfermeira Juliana Fabiano Alves.

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O banner que doado foi pela Fatec Itapetininga em 2014 contendo o caminho otimizado aos quinze túmulos de ex-combatentes itapetininganos e que desde então exposto é ao público no Dia dos Finados recebeu também mais dois QR CODEs adesivados, estes do Coronel Fernando Prestes e de seu filho Dr. Júlio Prestes de Albuquerque.

 

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A expectativa do Núcleo é de que em 2017 os túmulos desses dois ícones itapetininganos recebam também seus respectivos QRCODEs com acesso a suas histórias de vida. Das estatísticas levantadas por Sérgio Augusto Peiretti, um dos acadêmicos da Fatec participantes do projeto Morada de Heróis, mais de 1800 acessos foram verificados na totalidade desses códigos em atividade junto aos túmulos via dispositivo móvel de seus visitantes só no Dia de Finados deste ano.

 

Ainda em 2016, outro projeto do Núcleo MMDC realizado em parceira com a Fatec Itapetininga foi o da elaboração da edição comemorativa de CRUZES PAULISTAS (1936), obra considerada a Bíblia da Revolução de 32 e que neste ano completou oitenta anos da publicação de sua edição impressa. A nova edição, que será 100% digital e de acesso gratuito, será lançada nas comemorações dos 85 anos da Revolução em 9 de Julho de 2017 e, em 2018, é intenção dessa duas entidades ter CRUZES PAULISTAS nas história de vida de seus 628 ex-combatentes de 32 retratados disponibilizada 100% em audiobook, a primeira iniciativa do país relativa ao resgate da memória de 32 na modalidade auditiva.

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Com relação às ações que foram desenvolvidas em prol da memória de Segunda Guerra Mundial, o Portal dos Ex-Combatentes de Itapetininga, em parceria com a Associação dos Ex-Atiradores e Amigos do Tiro de Guerra de Itapetininga (AEATGI) realizaram a elaboração e instalação de QR CODE contendo o histórico de vida dos pracinhas Victório Nalesso e Argemiro de Toledo Filho, quando ambos tiveram seus nomes concedidos ao Museu do Tiro de Guerra de Itapetininga e a Sala de Instrução desta organização militar durante a solenidade comemorativa do 1º ano de aniversário da AEATGI em 31 de outubro de 2016.

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No Dia de Finados de 2016, o Portal teve afixado no Cemitério de Itapetininga QRCODE contendo o histórico da participação dos 34 pracinhas itapetininganos na Segunda Guerra Mundial e para o ano de 2017, nas comemorações dos 72 anos do Dia da Vitória (8 de maio) previstas estão a concessão da medalha pracinha itapetiningano a personalidades diversas e a inauguração da Galeria dos Ex-Combatentes da Segunda Guerra Mundial na versão digital que também por QR CODE tornará o Tiro de Guerra de Itapetininga o primeiro do país em possuir semelhante galeria.

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As entidades aqui citadas agradecem a todos que direta e indiretamente colaboraram para o resgate da história, dos feitos e da memória dos ex-combatentes de Itapetininga nas ações que foram relatadas durante 2016 e deseja a todos um feliz natal e próspero 2017!




CELSO LUNGARETTI E DALTON ROSADO: 'O FIM DE UM DOS MAIS BELOS SONHOS REVOLUCIONÁRIOS DO SÉCULO 20'

 CELSO LUNGARETTI – O OUTONO DO PATRIARCA CHEGA AO  FIM: FIDEL CASTRO ESTÁ MORTO.

A entrada vitoriosa em Havana, no início de 1959.

Fidel Castro, comandante da revolução cubana e principal dirigente do país durante 47 anos, faleceu na noite de 6ª feira, 25.
Foi personagem marcante da segunda metade do século 20, mas sua estrela vinha se apagando desde o fim da União Soviética e do bloco socialista por ela encabeçado.
Em seguida foram suas forças físicas que declinaram, a partir da primeira hemorragia que sofreu em 2006, como consequência de uma doença nos intestinos.
Foi então que, sabendo-se impossibilitado de “assumir uma responsabilidade que requer mobilidade e entrega total”, ele, dignamente, trocou a farda pelo pijama.

Havia liderado uma heroica revolução em 1959 e depois tentou romper o isolamento a que os Estados Unidos submeteram Cuba incentivando guerrilhas similares noutros países do continente americano (enquanto Che Guevara tentava a sorte no Congo, igualmente em vão).
O resultado acabou sendo o mais indesejado possível: a ocorrência de banhos de sangue e a proliferação de ditaduras direitistas, pois os EUA cuidaram ciosamente de evitar a propagação do mau exemplo no seu quintal. [Êxitos verdadeiros, Cuba só colheu em lutas de libertação nacional, ao ajudar, com tropas, munições e outros recursos, países africanos que confrontavam o colonialismo português.]

Fidel e o Che, no melhor momento de ambos.

Curvando-se à evidência dos fatos, Castro foi obrigado a domesticar sua revolução para garantir-lhe a sobrevivência, ainda que desfigurada.
Desistiu de exportá-la e a institucionalizou, repetindo os mesmos desvios autoritários e burocráticos que engessaram a congênere soviética (a qual, com seu ímpeto transformador estancado, acabou sendo retirada de cena em 1989).
Aposentado compulsoriamente, Fidel durou até os 90 anos, mas os últimos dez não contam: tornara-se um inativo político.
Foi grande um dia, mas decerto não se interessava pelo rock, daí ter passado batido pelos conselhos de Pete Townshend (“Prefiro morrer antes de envelhecer”) e Neil Young (“É melhor consumir-se em chamas/ do que definhar aos poucos”).
O Che escutou: morreu na hora certa.
SEU PERFIL ERA DE LIBERTADOR – Castro nunca pretendeu revolucionar o mundo, como Marx, Lênin ou Trotsky. Aspirava apenas a ser o libertador de Cuba, livrando-a da ditadura corrupta de Fulgêncio Batista, que fizera da ilha um centro de entretenimentos para turistas ricos interessados em prostituição, jogatina, canciones calientes, drogas… e discrição.

Crise dos mísseis: Cuba humilhada.

Os tão alardeados paredóns (as execuções de inimigos, durante a guerra de guerrilhas e depois da tomada do poder) inserem-se perfeitamente na tradição sanguinária das rebeliões latino-americanas.
Até então, Fidel pouco mais era do que um caudilho típico da região, o filho de latifundiários que abraça a causa dos pobres e se torna seu general. Chegou a declarar enfaticamente que não havia “comunismo nem marxismo em nossas idéias, só democracia representativa e justiça social”.
A hostilidade exacerbada dos EUA ao novo governo acabou jogando-o nos braços da URSS, pois só a outra potência mundial poderia dar-lhe alguma chance de sobrevivência face ao poderoso vizinho que lhe impunha um embargo comercial, apoiava invasões armadas e promovia atentados terroristas (vários planos mirabolantes da CIA para matar ou desmoralizar Castro fracassaram).

A contrapartida ao guarda-chuva protetor foi a completa submissão da ilha às imposições soviéticas, com a adoção do modelo stalinista de socialismo num só país: economia totalmente estatizada, autoritarismo político e submissão da classe trabalhadora à burocracia que a deveria, isto sim, representar.
Aparentemente, Castro ainda tentou escapar dessa armadilha, ao concordar com os planos de Che Guevara para levar a revolução à África e, principalmente, levantar a América do Sul.
Com a execução a sangue-frio do Che e o extermínio dos principais movimentos revolucionários latino-americanos, Fidel teve de se conformar com o isolamento em relação a seus vizinhos e a dependência de um aliado distante e arrogante.

Sucesso incontestável: o sistema de saúde cubano.

Ao monumental sapo engolido em 1962, quando Nikita Kruschev nem se deu ao trabalho de consultar Cuba antes de acertar com os EUA a desmontagem das bases de mísseis instaladas na ilha, seguiram-se outros, sempre indigestos e, ainda assim, digeridos.
Para compensar, Castro obtinha ajuda econômica que lhe permitiu oferecer condições de existência minimamente dignas para o conjunto da população, com destaque para as realizações marcantes em educação e saúde.
Se pessoas mais capazes e empreendedoras se ressentiam por estarem sendo impedidas de obter a condição diferenciada que seu potencial lhes asseguraria alhures, acabando por emigrar de um jeito ou de outro, é certo também que a grande maioria considerava sua situação melhor do que era antes.
Daí a gratidão e carinho que tributava a Fidel, apesar da falta de liberdade e da gestação de uma odiosa nomenklatura, reproduzindo a distorção soviética: onde todos deveriam ser iguais, a burocracia partidária e governamental concedia privilégios indevidos aos seus membros, tornando-os mais iguais.
APÓS O FIM DA URSS, A AGONIA LENTA – A situação, que começara a mudar com a Perestroika, tornou-se crítica após a derrubada do muro de Berlim e o fim do socialismo real no Leste europeu.

Cubanos fugindo de bote: a mídia ocidental adorava.

Ao deixar de ser sustentada pela União Soviética, que lhe injetava recursos e a utilizava como um cartão postal do (que ela pretendia ser o) comunismo, Cuba atravessou uma gravíssima crise econômica, até reaprender a andar por suas próprias pernas.
Daí as fugas da ilha com barcos improvisados terem chegado ao auge na década de 1980, para júbilo da mídia ocidental. Até o remake de Scarface (d. Brian De Palma, 1983) a incluiu, fazendo uma marota atualização do filme original (d. Howard Hawks, 1932).
O pior acabou passando, mas os tempos heroicos também. O povo cubano não era o mesmo que se orgulhava de haver reconquistado sua dignidade, com a ilha deixando de ser bordel dos estadunidenses. Tais lembranças haviam se tornado muito distantes. E a penúria, muito presente.
Então, o debilitamento da saúde de Fidel veio a calhar para que Raul Castro, governante menos carismático mas também menos identificado com excessos do passado, lançasse e fosse implementando sua abertura lenta, gradual e segura (o paralelo com a flexibilização do regime militar brasileiro sob Ernesto Geisel tem tudo a ver…), visando ir normalizando pouco a pouco suas relações econômicas com os países capitalistas.

Quanto a Fidel, acabou tendo seu destino atrelado à bipolarização do poder mundial, que, enquanto durou, permitiu-lhe inflar demais o balãozinho cubano. Mas os ventos mudaram e, no fim da linha, o esperava a agonia lenta.

Última aparição em público

Em circunstâncias quase sempre dificílimas, Castro fez o melhor que pôde por seu povo e seu país – não pelo marxismo ou pela revolução mundial, que nunca foram suas verdadeiras devoções.
Quando se puder avaliar seu papel sem exageros propagandísticos e tiroteios ideológicos, deverá ser reconhecida, sobretudo, sua vontade inquebrantável, que o fez ser reconhecido como um titã, apesar da ínfima importância geopolítica da nação que representava.

O século 20 finalmente terminou. E o atual, em termos de grandes personagens históricos, é um deserto.
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DALTON ROSADO A ERA FIDEL

“Condenem-me. Não importa. 

A história me absolverá.”

(Fidel Castro, ao ser julgado  

pelo assalto ao quartel 

de Moncada).

No mundo todo, os inconformados com a tirania do capitalismo (que mantém cerca de 80% da população mundial em situação de pobreza crônica) viram com esperança a primeira experiência marxista tradicional ser vitoriosa nas Américas, a partir da deposição revolucionária do corrupto e submisso títere dos Estados Unidos, Fulgêncio Batista, pelos guerrilheiros do Movimento 26 de Julho (1), comandados por Fidel Castro, em janeiro de 1959.

Após a definição ideológica do governo de Fidel, houve uma tentativa de invasão estadunidense da Baía das Porcos, por meio dos contrarrevolucionários cubanos e mercenários latinos que financiou e armou; foi bravamente rechaçada pelo povo cubano, que conseguiu vencer a farsa.
Os Estados Unidos não queriam passar recibo ao mundo de seu tradicional belicismo intervencionista, em ação num país que se revoltara contra o corrupto de carteirinha que lhes servia de aliado. Cuba era a ilha do turismo e da jogatina nos cassinos onde tudo terminava em corrupção, embalada pela maravilhosa salsa cubana, regada ao rum nacional e aos famosos charutos de fabricação local.
Tal ousadia às portas da Meca do capitalismo mundial quase desencadeou uma guerra nuclear, esquentando a guerra fria cujo contraponto era a União Soviética. A instalação de misseis soviéticos na ilha caribenha era uma resposta à instalação de mísseis estadunidenses na Turquia.
A tensão chegou a tal ponto que John Kennedy e Nikita Kruschev tiveram enorme dificuldade para evitar que os falcões de seus respectivos países iniciassem uma guerra nuclear cujos resultados seriam catastróficos para a humanidade.

A crise que abalou o mundo

Tudo terminou com um acordo de retirada dos mísseis de Cuba e da Turquia (2), mais o compromisso de não invasão da ilha, o que significou um enorme constrangimento para o poder imperialista, que daí em diante passou a utilizar embargos financeiros, atentados e medidas diplomáticas para o combate a Fidel e seu governo.

O que os marxistas tradicionais não sabiam (por desconhecerem o Marx crítico dele mesmo) é que o regime de Fidel era tão capitalista quanto o imperialismo dos EUA, que tanto julgavam combater.
Divergências havia apenas na forma política de organização do governo e na forma de extração de mais-valia, que, ao invés de ser feita por empresas privadas cubanas e estrangeiras, seria agora patrocinada (de patrão, mesmo!) pelo Estado dito comunista. Ignorava-se e ainda se ignora a mecânica autotélica da forma-valor que não permite distribuição equânime da riqueza abstrata.

O heroísmo do povo cubano é uma lição deixada para a posteridade sobre o que um povo imbuído de sentimentos superiores de emancipação é capaz de fazer. Este é o maior legado deixado por Fidel Castro, Che Guevara, Camilo Cienfuegos, Raul Castro e tantos outros que lutaram e viram o sangue guerrilheiro jorrar em Sierra Maestra e nas ruas cubanas, enfrentando as barbaridades do exército regular para, ao final, derrotá-lo.

Não se podem negar os ganhos de povo cubano, que tem os melhores índices de IDH quando comparados com os demais países caribenhos, com os centro-americanos, os americanos do sul e o México. Não se podem negar a vitalidade e capacidade dos atletas (majoritariamente) negros de Cuba, a conquistarem tantas medalhas olímpicas; nem os ganhos de sua etnia completamente alfabetizada, num país em que seus ancestrais foram alvo da escravização direta.  Não há como se deixar de aclamar Cuba como o país do preto Doutor, entre outros ganhos sociais.

Aonde vai a Cuba de Raul ?

Mas há que se reconhecer o fato de ser uma economia de mercado, na qual todas as categorias capitalistas estão presentes (trabalho abstrato, dinheiro, mercadoria, mercado, capital, Estado, política, riqueza abstrata, enfim, tudo que se traduz na forma-valor), daí necessitar de uma inserção mercadológica; daí padecer também quando ocorre a debacle do capitalismo globalizado.
Aliás, suas agruras aumentam em função da maior vulnerabilidade, pois é apenas uma pequena ilha que sofre com os embargos econômicos que lhe são oficialmente impostos pelos Estados Unidos e é alvo do preconceito capitalista de muitos outros países.

As restrições à liberdade de opinião e de locomoção bem demonstram a fragilidade de um pequeno sistema capitalista de Estado que nunca abdicou da força e do arbítrio como formas de sustentação política contra o capitalismo liberal e que, em tempos de crise globalizada, tende a passar pelas dificuldades inerentes ao estágio do limite da capacidade de expansão aumentada da forma-valor, principalmente na periferia capitalista. Cuba socialista, que é uma das versões políticas do capitalismo, sofre as consequências da crise deste mesmo capitalismo do qual faz parte.

A superação das relações sociais capitalistas não pode ter sucesso num único país, ainda que tenha extensão continental, como é o caso do Brasil, da China, da Rússia, dos Estados Unidos, da Austrália, etc.; e muito menos numa pequena ilha, uma vez que a produção de bens e serviços indispensáveis a uma cômoda e sustentável vida social mundial depende da interação transnacional de produção a partir das riquezas naturais existentes de formas diferenciadas em cada país.
Muito do que temos aqui, certamente não haverá noutro lugar e vice-versa; somente com um sistema de trocas sem mensuração econômica poderemos satisfazer nossas necessidades de modo sustentável. Isto não significa, entretanto, que devamos abdicar das tentativas localizadas de vida fora do mercado como embrião do que virá.

“Resultados” não são aqueles com que Che sonhava…

Uma produção de bens e serviços que não se baseie em mercado, mas num sistema de cooperação transnacional para a satisfação de necessidades, implica um novo conceito de vida e, consequentemente, a existência de uma estatura humana superior, solidária, contributiva, que em tudo difere daquilo que a lógica capitalista nos impõe.

Conseguiremos alcançar tal estágio? Creio que sim, desde que amparados por conceitos teóricos que demonstrem o equívoco no que estamos incidindo; e que confronte a cruel realidade social (que cada vez mais se torna bárbara, por conta do anacronismo de uma forma de relação social que chegou ao seu ponto limite de saturação). A realidade se aproximando da teoria poderá gerar saídas antes inimagináveis (as tais janelas revolucionárias de que fala Celso Lungaretti).

Tenho divergências conceituais profundas com o marxismo-leninismo cultuado por Fidel, ainda que consiga identificar nele boas intenções, o que não me impede de constatar seus equívocos fundamentais. Daí divergir de muitos dos conceitos de Fidel expressos em sucessivas frases e discursos, dentre as quais pinçamos as que abaixo citamos sucintamente e comentamos:

a) “Pátria ou morte, venceremos!”, com a qual passou a terminar os seus discursos, repetindo uma antiga frase da luta de independência cubana à colonização espanhola, capitaneada por José Marti. O conceito de pátria diverge do universalismo marxista do qual Fidel se dizia defensor;

O slogan caducou; é da etapa das revoluções burguesas.

b) “Socialismo ou morte! Marxismo-leninismo ou morte!”, sem compreender que o politicismo e o socialismo marxista-leninista jamais romperam com as categorias capitalistas. Portanto, talvez sem o saber, Fidel fazia a apologia do capitalismo, ainda que sob a forma de capitalismo de Estado;

c) “Jamais me aposentarei da política, da revolução e das ideias que tenho. O poder é uma escravidão e eu sou seu escravo”. Esta frase é a que melhor explica as contradições conceituais e os equívocos de Fidel. Primeiramente a política enfeixa uma ideia conceitual sistêmica e de Estado que é contrarrevolucionária; em segundo lugar, quem pensa deve estar aberto às mudanças que o pensar proporciona, pois a inflexibilidade do pensar é a antítese do próprio pensar e, portanto, contrarrevolucionária; e por último, considero que todo poder é escravista e a escravidão é contrarrevolucionária. O despotismo escravista é a marca mais característica do poder.        

Fidel Castro é história pessoal e conceitual relevante, como personagem icônica do século XX, pelo exemplo que encerra. Estou convencido de que seus erros e acertos servirão para a compreensão do que se apresenta hoje em termos de futuro, principalmente quanto à natureza capitalista do regime socialista cubano e, consequentemente, sobre a necessidade de superarmos todas as categorias capitalistas que hoje, mais do que nunca, corroem a vida social. 

Requiescat in pace, Fidel, pois, apesar de tudo, como dizia Rui Barbosa, “maior que a tristeza de não haver vencido é a vergonha de não ter lutado.” (por Dalton Rosado)

  1. nome alusivo ao fracassado assalto ao quartel de Moncada, em 26 de julho de 1953, primeira ação guerrilheira de Fidel Castro.
  2. a dos mísseis soviéticos de Cuba, ostensiva; a dos misseis estadunidenses da Turquia, discreta. Os EUA faziam questão de posar de vitoriosos para fins propagandísticos, enquanto os soviéticos não se importavam com as aparências.



Celso Lungaretti: 'O FIM DA ÓPERA BUFA SE APROXIMA. COMECEMOS A JUNTAR OVOS E TOMATES PODRES…  '

 CELSO LUNGARETTI – A ‘OPERAÇÃO SALVA CORRUPTOS’ TROCADA EM MIÚDOS

Jornalões manchetearam que nesta 5ª feira (24) os deputados federais darão um pulo do gato para tirar a maioria dos políticos do alcance da Operação Lava-Jato, num momento em que a apocalíptica delação premiada da Odebrecht pende como uma guilhotina sobre a cabeça de uma infinidade deles.

Aparentemente, os líderes dos principais partidos se teriam mancomunado para lhes lançarem uma boia, a Operação Salva Corruptos. Com exceção do PT, ainda uma incógnita: sua bancada estaria dividida meio a meio entre adversários e apoiadores da tramoia, não se sabendo para qual lado penderia. 

Quanto às pequenas agremiações, a Rede e o PSOL resistiriam à tentativa de inclusão de cavalos de Troia no pacote de medidas contra a corrupção que que a comissão  especial da Câmara Federal aprovou na 4ª feira (23). O que, claro, teria efeito apenas moral, pois ambos reúnem apenas 2% dos deputados.

Se o objetivo da manobra é claro, a sua formatação está sendo noticiada de maneira confusa. Vamos colocar os pingos nos is.

O texto aprovado tipifica o Caixa 2 eleitoral e estabelece pena de dois a cinco anos de prisão para os candidatos que receberem ou usarem doações não declaradas ao TSE.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, os encalacrados anônimos tentarão aprovar em plenário um projeto substitutivo incluindo “a anistia à prática do caixa 2 nas campanhas eleitorais e a previsão de punir magistrados e integrantes do Ministério Público Federal por crime de responsabilidade”.


Folha de S. Paulo foi na mesma direção: 

…o texto da emenda estabelece na legislação que não sofrerão punição aqueles que receberam doações, contabilizadas ou não, de valores, serviços e bens para atividades eleitorais e partidárias realizadas até a data da entrada em vigor da regra.

Esse texto abre margem para livrar grande parte dos alvos da Operação Lava Jato, já que os políticos que receberam recursos desviados da Petrobras, via empreiteiras, têm argumentado que usaram esse dinheiro em campanhas ou atividades partidárias, declaradas à Justiça ou não –essa segunda hipótese é o chamado caixa dois.

A grande imprensa parece ter deixado de consultar juristas antes de colocar no ar o besteirol que os repórteres escutam de políticos, pois até um primeiranista de Direito sabe que não há necessidade nenhuma de anistiarem-se crimes cometidos antes da promulgação de novas leis, já que nenhuma delas retroage para prejudicar acusados. Esta é uma cláusula pétrea de nossa Constituição.

A verdadeira patifaria seria outra: revogar, na prática, o artigo 350 do Código Eleitoral, que não faz alusão explícita a Caixa 2 mas é aquele no qual atualmente pode ser enquadrado tal delito:

Art. 350. Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, para fins eleitorais: 

Pena – reclusão até cinco anos e pagamento de 5 a 15 dias-multa, se o documento é público, e reclusão até três anos e pagamento de 3 a 10 dias-multa se o documento é particular.

Ou seja, a intenção dos conspiradores não seria a de evitar que a nova lei atingisse quem a infringiu antes que existisse (uma tolice, em termos legais!), mas sim a de anistiar sub-repticiamente aqueles que infringiram o artigo 350 do Código Eleitoral, vigente desde julho de 1965.

Ainda assim, continuaria sendo farsesco sustentar que os crimes desvendados pela Operação Lava-Jato visassem apenas o financiamento de campanhas eleitorais. Mas, no Brasil, quem tem influência política e grana para bancar os melhores advogados consegue fazer prevalecer qualquer entendimento, até de que o sol gira em torno da Terra…

De quebra, a proposta de punição dos abusos de autoridade seria uma óbvia forma de intimidação do Sergio Moro e dos procuradores que investigam o mar de lama, alertando-os de que perderam sua utilidade e agora mais lhes convém recuarem discretamente para o fundo do palco.

Esperemos o final da ópera bufa, cuidando de juntar muitos ovos e tomates podres, pois tudo indica que eles se farão necessários.




10º Prêmio Ozires Silva de Empreendedorismo Sustentável

A premiação reconhece os melhores projetos nas áreas de empreendedorismo e sustentabilidade de todo o país

 

ozires_2Já estão abertas as inscrições para a 10ª edição do Prêmio Ozires Silva de Empreendedorismo Sustentável, iniciativa do Instituto Superior de Administração e Economia (ISAE). Realizado anualmente, o prêmio homenageia um dos grandes empreendedores da história brasileira e é considerado uma das grandes celebrações do empreendedorismo sustentável, reunindo projetos de todos os cantos do país que contribuam para o desenvolvimento da sociedade.

Em sua décima edição, o Prêmio Ozires Silva de Empreendedorismo Sustentável está dividido em quatro categorias (Empreendedorismo Social, Empreendedorismo Ambiental, Empreendedorismo na Educação e Empreendedorismo Econômico) que abrangem três modalidades: Empresarial (Empresa de Micro e Pequeno porte, Empresa de Médio porte, Empresa de Grande-Médio e Grande porte), Comunidade Acadêmica (Graduação e Pós-Graduação) e Pessoa Física. Além disso, nessa edição o prêmio apoia os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), lançados pela Organização das Nações Unidas (ONU).

 

O Prêmio Ozires Silva de Empreendedorismo Sustentável chega ao seu décimo ano de história reconhecendo ideias e projetos que contribuem para a melhoria de vida de milhares de brasileiros. “Ao longo desses anos, ficou claro para nós que o conjunto das iniciativas destacadas pela premiação traz uma mudança de paradigmas. Isso é motivador e nos empolga, dando a certeza de que com criatividade e incentivo, os empreendedores brasileiros podem construir uma sociedade digna e justa para todos”, comemora Norman de Paula Arruda Filho, presidente do Instituto Superior de Administração e Economia (ISAE).

 

Sobre Ozires Silva

 

Formado em engenharia pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Ozires Silva traz um longo histórico de contribuição para o desenvolvimento do país, principalmente para o avanço da indústria aeronáutica brasileira. Foi um dos fundadores da Embraer, presidente da Petrobras e, posteriormente, ministro da Infraestrutura. Já publicou cinco livros e recebeu diversas condecorações internacionais.

 

As inscrições para o 10º Prêmio Ozires Silva de Empreendedorismo Sustentável são gratuitas e podem ser realizadas até o dia 07 de dezembro por meio do site do prêmio (www.isaebrasil.com.br/premio). Os grandes vencedores serão conhecidos na festa de premiação, que será realizada em Curitiba, no dia 08 de fevereiro de 2017. Mais informações pelo e-mailpremio@isaebrasil.com.br ou (41) 3388-7817.

 




Centro Cultural de Itapetininga traz exposição com temática ambiental

Centro Cultural está aberto para visitação de terça a sexta-feira, das 9h às 18h, com entrada gratuita

O Centro Cultural e Histórico ‘Brasílio Ayres de Aguirre’ será palco de mais uma exposição de artes plásticas. A artista Elze Arruda trará a exposição Entrelaços, paralelamente ao lançamento de seu novo livro, um álbum de poesias e pinturas. As obras estarão abertas para visitação a partir deste sábado, dia 26, até dia 23 de dezembro, sexta-feira.

“A exposição traz uma proposta de vínculo com o ambiente natural, chamando para o entrelace de todos com o planeta, como num abraço”, explica a artista Elze. São cerca de dez pinturas e uma escultura, que foi criada com reaproveitamento de materiais, transmitindo a percepção da reutilização. O objetivo é que o visitante tenha uma experiência com todos os sentidos.

Elze Arruda, que trabalha na concepção deste projeto há cinco anos, é envolvida com artes desde a infância, tendo a pintura e a escultura como carros chefe de sua produção. Aos dezoito anos realizou sua primeira exposição e em 2015, esteve com suas obras em um museu francês. Quem comprar seu livro também ganhará um CD com poesias.

O Centro Cultural está aberto para visitação de terça a sexta-feira, das 9h às 18h. Informações pelo telefone 3272-3401.




Nobilistica: 'Roman Jakobson II'

foto-jose-coutinhoJosé Coutinho de Oliveira – Roman Jakobson II

Nosso objetivo nesse artigo é dar continuidade e concluir o artigo sobre esse linguista publicado neste jornal (Apiaí tem) do dia 17 de outubro do ano passado. Diz-nos sua biografia que além de linguista, Roman Jakobson era pensador e crítico. Foi um dos fundadores do Círculo Linguístico de Praga em 1926. Nasceu a 11/11/1896 e faleceu em 18/7/1982 em Boston, Massachusetts. Pois bem, dissemos que Jakobson chegou às famosas funções da linguagem através dos seis elementos da teoria da comunicação. Faltou se dizer todavia que a cada elemento daquela teoria correspondia uma função. A ênfase no emissor se dá o nome de função emotiva ou expressiva; a ênfase no referente ou contexto se dá o nome de função denotativa, preferencial ou cognitiva; a ênfase na mensagem se dá o nome de função poética ou estética; a ênfase no contato ou canal se dá o nome de função fáctica ou fática; a ênfase no código se dá o nome de função metalinguística; a ênfase no receptor se dá o nome de função conativa ou apelativa. Pudemos ver enfim que numa mesma comunicação podem coexistir diversas funções, mas uma delas prevalecerá. E para encerrar gostaríamos de voltar a falar sobre a dicotomia (dualidade) sincronia x diacronia de Saussure (socir). Vejamos então da lei que envolve o assunto encontrado no vol. 8, pg. 327 da Barsa/73: ” Todos os fatos sincrônicos para a Gramática de hoje são diacrônicos para a Linguística de amanhã.” Por essas razões estamos desconfiados que os dicionários lexicais são na verdade contemporâneos, pois parece-nos que a sincronia está na fala e não na escrita. É na fala que surgem os neologismo.

José Coutinho de Oliveira
Classificado cavaleiro comendador da Soc.Bras. de Heráldica e Humanística



Celio Pezza – 'Black Friday'

Colunista do ROL
Celio Pezza

Célio Pezza – Crônica # 336 – Black Friday

A expressão Black Friday (sexta feira negra) foi usada pela primeira vez em 1869, quando um grupo de investidores nos EUA tentou controlar o mercado do ouro, na Bolsa de Valores de Nova York, causando uma queda brutal no preço, uma forte recessão econômica e quebrando instituições financeiras numa sexta feira.

Também há quem diga que o termo foi criado em 1960, por policiais da Filadélfia, em referencia ao trânsito caótico um dia após o feriado de Ação de Graças.

Outra teoria diz respeito à saúde financeira das empresas, que aumentavam o seu faturamento neste dia e saíam do vermelho.

Em inglês, estar no vermelho (in the red) significa prejuízos e estar no preto (in the black) significa lucros.

Como logo após o feriado do Thanksgiving (Dia de Ação de Graças), as lojas saíam do vermelho pelas fortes vendas, a data passou a ser conhecida como Black Friday.

A partir do ano 2.000, essa data passou a ser a mais importante do mercado americano em termos de compras e foi eleita como a data de inicio das compras de Natal, onde as lojas oferecem grandes descontos e vendem muito.

No Brasil, apesar de não existir o feriado de Thanksgiving, o mercado se aproveitou da data americana e começou a fazer o Black Friday no mesmo dia.

Em 2016, a data oficial será 25 de novembro mas, esse evento, que deveria ser de somente um dia, acontece em vários dias aqui no Brasil e é comum vermos propagandas anunciando que o Black Friday vai até a próxima semana ou que já começou, dias antes da data oficial.

Aqui também começou a ser chamada de Black Fraude, pois muitas lojas aumentam os preços e dão descontos fictícios, lesando o consumidor.

Pesquisas feitas em anos anteriores, pelo Programa de Administração de Varejo, da Fundação Instituto de Administração, mostraram uma série de produtos que ficaram mais caros nesse dia, apesar do apelo enganoso dos grandes descontos.

Para combater essa fraude nas vendas pela internet, a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico criou um selo de credibilidade e recomenda que comprem somente das lojas que possuem esse selo.

Outra curiosidade é que um site americano chamado Black Friday Death Count, contabiliza os mortos e feridos nas lojas durante esse dia, onde o povo americano vai à a loucura, em busca dos preços baixos.

 

Célio Pezza   /   novembro, 2016