José Antonio TorresImagem criada por IAdo Bing – 1º de julho de 2025, às 08:36 PM
Quantas vezes diante de você Eu não soube o que dizer e me calei. A voz ficava presa, os pensamentos confusos. Não conseguia organizá-los e me abrir para você.
Quando chegava perto de você, Meu coração, cheio de amor, Disparava de ansiedade, Feito um louco alucinado.
Quantas vezes ensaiei o que precisava falar, Mas na hora em que a encontrava, Tal e qual um menino assustado, me perguntava: E agora, o que dizer? Tanto tempo desperdiçado por insegurança.
Depois de muito sofrer com essa angústia, Entendi que essa atitude precisava mudar. O destino engendrou um acaso. Será mesmo?
Sem qualquer planejamento, Nos encontramos e começamos a conversar. Não sei se o fato de não haver a ansiedade de um encontro marcado, Me fez relaxar.
A conversa fluiu e você pegou a minha mão. Um gesto casual. Nesse momento, apertei firmemente a sua mão e disse: ‘a amo!’ Saiu assim, leve, fácil… cheio de ternura.
Quase desfaleci quando você, Com um sorriso doce, E, olhando no fundo dos meus olhos, falou: ‘Eu também! Sempre desejei ouvir isso de você’.
Como somos tolos. A vida é tão mais simples do que imaginamos… Quanto tempo perdemos por medo de abrir o coração. Quantos momentos de felicidade deixamos de vivenciar… Ambos desejávamos a mesma coisa. Um não falava, e o outro só precisava ouvir.
Bruna Rosalem” A vida acontece, ela não para. Mas ela exige que seja sentida!” Imagem criada por IA do Bing – 30 de junho de 2025, às 23:26 PM
“Não se pode criar experiência, é preciso passar por ela.“ Albert Camus
Em um mundo em que as informações estão tão atropeladas, imediatistas, palavras rápidas no julgamento de pessoas e situações altamente conclusivas, superficiais, chegando como uma avalanche que atravessa nosso cotidiano, minuto a minuto, impulsionado pela velocidade e amplitude que as redes sociais alcançam, ao simples deslizar de dedo na tela, passando de notícia em notícia, eventos, ocorrências, agenda cultural para o final de semana, cotação do dólar, o destino de viagem do momento, ou ainda, notícias de guerras em outros países, desastres, acidentes, mortes e assassinatos, isso tudo em fração de segundos, diante dos olhos, o que então permanece? Apenas fragmentos, restos, resquícios completamente esquecíveis, descartáveis. Não há tempo e espaço para que algo se torne uma experiência marcante, sentida, significada.
Este ritmo frenético colocado em cena nos permite refletir sobre a dificuldade dos tempos atuais com relação à duração de algo que nos atravessa e faz efeito, marca, move, transforma. E para que isso aconteça é necessário voltar a sentir, pensar, meditar na preciosidade das palavras e suas significações e entregar-se à observação, contemplar, imaginar, divagar. Nem que seja por algumas horas, deixar de filmar, postar, repostar, curtir, compartilhar e comentar.
A intenção aqui não é ditar como as coisas deveriam ser, mas propor que não percamos a capacidade que temos de inferir significado às experiências e ser transformados por ela. Mesmo passageiras, o importante é apontar para que o fica impresso e elaborar sobre isso.
Afinal, tudo o que vemos neste mundo não perdura, é finito. Porém, a sensação que se tem é de que o tempo de permanência parece estar mais encurtado do que nunca, e isso pode afetar nossa inscrição de maneira subjetiva na narrativa de nossa história enquanto segmentação passado/presente/futuro como pressuposto de existência e continuidade do ser.
Somos seres feitos de encontros, perdas, memórias. De experiências, vivências boas e ruins, que podem nos ensinar a cada ciclo. Muitas vezes é fazer da dor uma nova maneira de enxergar as coisas e as relações ao redor. O sujeito precisa sofrer. Não transpassar, não saltar, não fugir do que gera sofrimento, mas tentar tornar o tormento passageiro em aprendizagem.
Freud escreveu certa vez sobre a ideia de transitoriedade (1916). Enquanto dialogava com um poeta, este dizia estar triste pela constatação de que toda a exuberância da paisagem natural que observava, assim como toda a beleza criada pelos humanos, estaria fadada à extinção, à finitude. Continua ele, diz que tudo aquilo que um dia foi amado e admirado ao longo de sua vida parecia-lhe desprovido de valor por estar fadado à transitoriedade.
Freud contesta esta afirmação colocando que justamente pelas coisas não serem eternas é que as fazem privilegiadas. Atribuímos mais valor àquilo que um dia deixará de existir. Por serem efêmeros, os objetos e as relações objetais que estabelecemos durante a complexa jornada da existência, podem se tornar valiosos. É, muitas vezes, na contingência que reside o belo, o surpreendente, o admirável. Freud nos traz a relação da transitoriedade com a escassez do tempo onde a possibilidade do fim eleva o valor da fruição.
Diante desta passagem, é possível dizer que para atribuir realmente valor de experiência e fruição é necessário que exista, mesmo que ilusória, a ideia de permanência para que isto marque, imprima e gere efeitos de significação. Então, será que a ideia de transitoriedade defendida por Freud e contestada pelo poeta se aplicaria na contemporaneidade?
Será que há espaços de vivência, de entrega, de experimentação, de sentir na carne e na alma? Para residir o belo, o surpreendente e o admirável assim apontado por Freud durante o percurso da vida, trazendo para os tempos atuais, será necessário refletir sobre a maneira como construímos nossas relações com o outro, com as coisas, com a natureza?
Afinal, retomando ao início deste texto, o que de fato está permanecendo em nós? Estamos vivendo apenas de dejetos espalhados por onde passamos? Ou apenas replicando o que escutamos? Imitando fazeres? Vomitando palavras vazias? Expurgando? Medicando-se em demasia para esquecer, soterrar, ‘desmemorizar’ nossos processos de luto, frustrações e decepções?
A questão que se coloca é: o que estamos fazendo com nossa existência para que ela seja valiosa, valorosa?
Fernando Pessoa nos diz:
Eu amo tudo o que foi, Tudo o que já não é, A dor que já me não dói, A antiga e errônea fé, O ontem que dor deixou, O que deixou alegria
Só porque foi, e voou E hoje é já outro dia.
O tempo passa, outro dia chega, o sol é sempre pontual e a lua inaugura mais uma noite. A vida acontece, ela não para. Mas ela exige que seja sentida!
Sergio DinizImagem criada por IA do Bing – 29 de junho de 2025, às 14:40 PM
“O escritor é, indubitavelmente, um criador de mundos. Mundos incorpóreos. Pequenos ou imensuráveis. Mundos refletidos num singelo comentário nas redes sociais, e-mails e cartões de felicitações, ou num livro best-seller.”
Os seres humanos nunca tiveram, em toda a história da humanidade, tanta facilidade para aprender a ler, escrever e pesquisar quanto estão tendo nos tempos atuais. E isso porque o Ensino Público se universalizou, as bibliotecas (inclusive as comunitárias) se multiplicaram e as fontes de pesquisa, encontradas por meio de um dos maiores instrumentos para tal fim – o Google, dentre outros – estão acessíveis num simples clicar do mouse.
Apesar disso, o mundo atual, pelo menos no Brasil, traz uma gritante contradição: por um lado, o número absurdo dos denominados analfabetos totais (11,4 milhões, segundo o IBGE), ou seja, aquelas pessoas que não têm qualquer nível de alfabetização.
De outro lado, mas na mesma linha, e talvez ainda pior do que esse dado é aquele que reflete o chamado ‘analfabetismo funcional’ (cerca de 29% da população brasileira entre 15 e 64 anos, de acordo com o Inaf), que é “ incapacidade que uma pessoa demonstra ao não compreender textos simples. Tais pessoas, mesmo capacitadas a decodificar minimamente as letras, geralmente frases, textos curtos e os números, não desenvolvem habilidade de interpretação de textos e de fazer operações matemáticas” (Wikipédia).
Portanto, no Brasil, significativa parte da população, de uma forma geral, ou não sabe escrever, ou, quando sabe, escreve mal. E, dos que sabem ler, escrevem mal porque também leem mal (e aqui significa ler textos sem muita qualidade literária) e desconhecem regras básicas da própria língua. E tudo isso alinhavado com uma falta generalizada de conhecimentos gerais.
O ato de escrever, no entanto, é um ato religioso. E, quando digo “religioso” evidentemente não estou querendo identificá-lo a qualquer denominação religiosa em particular. Refiro-me, por analogia, ao respeito que, semelhantemente ao ato de entrega entre um ser humano e o Deus cultuado por ele, o escritor, de forma amadora ou profissional, deve ter com o destinatário de seus textos e reflexões.
E, por respeito, entendo não apenas a mensagem do texto em si, elaborada de forma a chegar ao destinatário claramente, sem ruídos, mas, também, dentro do próprio processo de elaboração textual, o qual se inicia às vezes como uma ideia vaga e, paulatinamente, vai ganhando contornos.
O escritor é, indubitavelmente, um criador de mundos. Mundos incorpóreos. Pequenos ou imensuráveis. Mundos refletidos num singelo comentário nas redes sociais, e-mails e cartões de felicitações, ou num livro “best-seller”.
O ato de escrever é a oração do escritor, na qual ele, no silêncio de seu espaço físico reúne, em torno de sua alma, o cabedal de conhecimentos e sentimentos adquiridos nas experiências da vida. Para o escritor, o papel é a alva toalha do altar, a pena, o aspersório, e o texto final, a sua bênção!
Você vai escrever um comentário no Facebook ou comentar uma bela mensagem recebida num e-meio? Ou, ainda, escrever algumas palavras felicitando por um aniversário, um nascimento ou uma formatura? Escreva, sim! Mas faça de seu singelo texto um quadro de Da Vinci ou a escultura de Michelangelo, pois o tempo e as pessoas passarão, mas você, em seu texto, ecoará na eternidade!
Estudantes da ‘Coronel’ visitam Fazenda Capoava e museus em Itu (SP)
Estudantes da ‘Coronel’ visitam Museus e Fazenda Capoava em Itu (SP)
O Espaço Memória está instalado numa construção de pau a pique em estilo bandeirista, abrigando um grande acervo que ilustra importantes períodos da história paulista e constituindo-se como importante fonte de estudos e pesquisas para historiadores, estudantes e curiosos
Estudantes dos 8ºs e 9ºs anos da EMEF. Coronel Esmédio, de Porto Feliz, participaram de uma excursão, no dia 25, quarta-feira, para a cidade vizinha de Itu.
Na programação, iniciada às 9h, os estudantes visitaram o Museu Fama, oportunidade em que conheceram obras de artistas afamados da arte contemporânea como Eduardo Kobra. Grafiteiro e muralista, Kobra é um dos mais destacados artistas contemporâneos. O que poucas pessoas sabem é que ele é brasileiro e de Itu.
Nascido em 1975, o artista ficou conhecido nos anos 2000 por suas intervenções urbanas na cidade de São Paulo. Dentro do Museu Fama, Kobra tem seu ateliê e sala de exposições. Os estudantes participaram também de uma imersão a partir da obra de José Spaniol, intitulada ‘Tiamm Schuoomm Cash!’, barcos e bambus.
O passeio terminou com a visita à Exposição do Museu Asas de um Sonho, em homenagem a Santos Dumont. Esse museu é um anexo do Museu Fama. De lá os estudantes se dirigiram ao Museu da Convenção Republicana, onde foram recepcionados pela museóloga Aline Zanatta.
Na oportunidade, os estudantes receberam informações sobre o Casarão que abrigou a Convenção Republicana de 1873, da qual participaram fazendeiros de diversas cidades, incluindo Porto Feliz. Também obtiveram informações sobre as monções e sobre a fabricação das canoas chamadas de batelões.
O passeio terminou na Fazenda Capoava, de Itu, onde foram recepcionados pelos monitores Viana e Igor. Após o lauto almoço servido na Fazenda, com direito a sobremesa, os estudantes da escola Coronel conheceram a história da Fazenda e do casarão que é datado de 1750. Visitaram, ainda, o Espaço Memória da Fazenda, destinado a preservação da memória local. Viana discorreu sobre a história da produção cafeeira na região e, em especial, da própria Fazenda Capoava.
O Espaço Memória está instalado numa construção de pau a pique em estilo bandeirista, abrigando um grande acervo que ilustra importantes períodos da história paulista e constituindo-se como importante fonte de estudos e pesquisas para historiadores, estudantes e curiosos.
O auge da visita à Fazenda foi a apresentação dos animais que vivem lá em cativeiro, alguns dos quais resgatados da venda ilegal. Os estudantes puderam ver de perto, ainda, animais que são considerados repulsivos por parte das pessoas. Viana e Igor mostraram que esses animais, como sapos e cobras, são como quaisquer outros. Basta respeitá-los em seus habitats.
Essa atividade faz parte do projeto ‘De Olhos nos Bichos’, criado em 2004 pelo biólogo Ayo Miranda com a missão de propagar a importância da conservação da fauna não somente na Fazenda Capoava, mas também nas propriedades vizinhas e junto à comunidade local. Esse e outros projetos ambientais são realizados por meio da Ecos, empresa de lazer e meio-ambiente.
A Fazenda Capoava de Itu é aberta ao turismo, incluindo o pedagógico com visitas monitoradas para escolas. Além disso, oferece também hospedagem para quem se interessar.
O projeto de excursão dos estudantes da EMEF. Coronel Esmédio para a cidade de Itu foi realizado pelo professor de História da unidade, Carlos Carvalho Cavalheiro, e contou com o apoio da Equipe Gestora da escola.
Fotos da visita
Estudantes da ‘Coronel’ visitam Museus e Fazenda Capoava em Itu (SP)
Estudantes da ‘Coronel’ visitam Museus e Fazenda Capoava em Itu (SP)
Estudantes da ‘Coronel’ visitam Museus e Fazenda Capoava em Itu (SP)
Estudantes da ‘Coronel’ visitam Museus e Fazenda Capoava em Itu (SP)
Estudantes da ‘Coronel’ visitam Museus e Fazenda Capoava em Itu (SP)
Estudantes da ‘Coronel’ visitam Museus e Fazenda Capoava em Itu (SP)
Estudantes da ‘Coronel’ visitam Museus e Fazenda Capoava em Itu (SP)
Estudantes da ‘Coronel’ visitam Museus e Fazenda Capoava em Itu (SP)
Estudantes da ‘Coronel’ visitam Museus e Fazenda Capoava em Itu (SP)
Estudantes da ‘Coronel’ visitam Museus e Fazenda Capoava em Itu (SP)
Estudantes da ‘Coronel’ visitam Museus e Fazenda Capoava em Itu (SP)
Estudantes da ‘Coronel’ visitam Museus e Fazenda Capoava em Itu (SP)
Estudantes da ‘Coronel’ visitam Museus e Fazenda Capoava em Itu (SP)
‘Entre o apego e o amor: ecos da empatia no silêncio do outro’
Clayton ZocaratoImagem criada por IA do Bing – 27 de junho de 2025, às 09:57 PM
Há uma linha tênue, quase invisível, que separa o amor da prisão.
Emocionalmente, caminhamos muitas vezes com os olhos vendados, acreditando que amar é segurar com força, que cuidar é não deixar partir.
Mas o amor verdadeiro não se agarra — ele acompanha.
É presença, não posse.
É liberdade partilhada, não cárcere a dois.
E neste ponto, surge a pergunta que reverbera como eco num vale: o que é amor, e o que é dependência que se veste de afeto?
A dependência emocional é um vazio que grita no silêncio de quem não aprendeu a se bastar.
Não é entrega, é pedido de socorro.
É a ânsia de ser completado por outro quando o próprio espelho está rachado.
O amor, por sua vez, não exige completude — ele reconhece que somos inteiros, ainda que feridos.
Amar não é precisar do outro para respirar, mas desejar que o outro respire livre, mesmo longe do nosso peito.
O verdadeiro amor não pede para ser salvo, ele caminha lado a lado com a autonomia.
Ele acolhe, mas não invade.
Neste entrelaçar de afetos, a empatia surge como ponte.
A capacidade de se colocar no lugar do outro é o que sustenta o amor para além da paixão cega.
Empatia é arte silenciosa de leitura: saber ver o que o outro não diz, compreender os gestos, os medos, as pausas.
É preciso, antes de tudo, ‘ler’ o outro com os olhos da alma.
Não apenas escutar, mas escutar profundamente.
Ver o não-verbal.
Sentir o peso das entrelinhas.
Pois cada ser é um universo particular, com sua própria história, com feridas que talvez nunca cicatrizem, com alegrias que só brilham em certas luzes.
Ler o outro é também reconhecer que não somos espelhos, mas janelas.
Que o outro pensa, sente, age e ama de formas que talvez jamais compreenderemos por completo.
E ainda assim, é preciso respeitar.
Não há amor sem escuta.
Não há escuta sem empatia.
Não há empatia sem humildade.
Nesta leitura sensível do outro, compreendemos também a importância de aceitar as esferas multiculturais que moldam a identidade de cada ser.
O amor que se ancora apenas na semelhança é frágil.
É na diferença que o amor amadurece.
Aceitar a cultura do outro, sua visão de mundo, sua espiritualidade ou ausência dela, seus silêncios e ritos, é um exercício constante de humanidade.
Não se ama tentando moldar o outro à imagem de nossas certezas.
Ama-se aceitando que cada pessoa carrega dentro de si uma biblioteca escrita em língua própria — e que jamais teremos todos os códigos para decifrá-la.
Por isso, o valor do outro não se mede pela utilidade que ele tem em nossa vida, mas pelo simples fato de existir.
O outro é fim em si mesmo.
Nunca meio. Amar é saber admirar à distância, respeitar o tempo do outro, cultivar a presença sem sufocar.
É compreender que ninguém nasce para ser prisão de ninguém, e que amar é, acima de tudo, libertar.
Em tempos onde a pressa devora os vínculos e a solidão veste disfarces digitais, talvez o gesto mais radical seja desacelerar para realmente ver o outro.
Ver com os olhos, com o toque, com o tempo, com o silêncio.
E se for amor, ele não exigirá sacrifícios, mas escolhas conscientes.
Não pedirá por preenchimentos forçados, mas será convite constante ao florescimento mútuo.
Entre o apego e o amor há um espaço sagrado, onde vive a empatia.
Onde se aprende que amar não é depender, mas caminhar junto, mesmo quando os caminhos divergem.
E nesse espaço, talvez, resida o mais humano dos sentimentos: aquele que não prende, mas liberta.
Amar não é ocupar o espaço vazio do outro, mas oferecer abrigo onde ele quiser repousar.
Há quem confunda amor com preenchimento, com anestesia das dores, com a segurança ilusória de um ‘para sempre’ fabricado na urgência de não estar só.
Mas o amor verdadeiro não é remédio para solidão — é partilha da liberdade.
Ele nasce não da falta, mas da abundância.
Não do medo de perder, mas da coragem de permitir que o outro seja o que é, mesmo quando isso nos desafia a desaprender o que sabíamos sobre amar.
A dependência emocional, por outro lado, é um pedido inconsciente de salvação.
É a criança ferida que ainda mora em nós, esperando que o outro venha curar o que nunca pôde ser dito.
Dependência é um tipo de amor órfão, que se agarra com desespero por não saber se o amanhã será possível sem o outro.
Mas o amor, o amor real, não grita por socorro — ele sussurra.
Ele não arrasta, caminha junto.
Ele não invade, convida. Ele não exige, oferece.
E nesse delicado espaço entre ser e estar com o outro, mora a empatia — esse gesto ético de sentir com o outro.
Empatia não é concordar, nem se anular, mas abrir-se como casa sem trancas, permitindo que o outro entre sem precisar pedir licença.
É aceitar que o outro não cabe em nossas gavetas emocionais, nem em nossos rituais aprendidos.
Cada ser humano é um idioma inteiro, com sua própria gramática de afetos, suas pausas, suas exclamações e seus silêncios sagrados.
E amar, nesse sentido, é tornar-se tradutor poético do outro, ainda que jamais se compreenda tudo.
Ler o outro é um ato quase espiritual.
Não basta ouvir as palavras; é preciso escutar o que treme nas entrelinhas.
Perceber que às vezes o silêncio é um pedido de acolhimento, que o afastamento pode ser cuidado, que um olhar desviado pode conter o grito de quem já não sabe pedir ajuda.
A empatia exige presença radical: estar ali, inteiro, mesmo quando não há o que dizer.
E, talvez, sobretudo respeitar que o outro não nasceu para nos explicar seus abismos.
Nas trocas humanas, o que nos liga não é a simetria, mas o reconhecimento da diferença.
O amor que nasce do espelho é frágil; o que nasce do abismo compartilhado é eterno.
Por isso, é urgente compreender as multiculturas do sentir.
Cada pessoa carrega o mundo em sua bagagem invisível: religiões e ateísmos, costumes e resistências, afetos herdados e recusas conscientes.
Amar alguém é também amar o solo que o gerou — suas raízes, suas revoltas, suas flores e suas cicatrizes.
É entender que toda cultura é um modo de respirar o mundo, e que ninguém é obrigado a respirar como nós.
O outro tem valor por ser outro, não por ser nosso.
E é isso que a dependência emocional esquece: ela transforma o outro em função.
Já o amor verdadeiro o reverencia como fim.
Um fim que não precisa justificar sua existência, que não precisa corresponder a expectativas para merecer ternura.
O amor é sempre um sim.
Não um sim submisso, mas um sim escolhido, renovado no tempo, forjado no barro da convivência.
Viver o amor é compreender que não somos donos de ninguém — e que ser companhia é muito mais do que estar presente: é saber quando calar, quando sair, quando voltar.
É saber partir com leveza, se necessário, para que o outro não se quebre ao tentar seguir.
Há uma sabedoria antiga que diz: “Se for amor, será leve, mesmo nos dias pesados”. E talvez seja isso.
O amor que liberta não é aquele que nos isenta das dores, mas aquele que nos ensina a senti-las juntos.
É o que floresce nas margens, que dança mesmo quando a música muda.
É o que não finge eternidade, mas constrói presença.
Amor não é um lugar onde se chega, é o caminho que se trilha com cuidado, onde ambos aprendem a dançar com as sombras do outro.
Que saibamos, então, cultivar essa escuta poética, essa presença sem cárcere, esse afeto sem algemas.
Que ao amar, sejamos casa — e não gaiola.
Que sejamos rio — e não represa.
Que o amor nos encontre inteiros, e não famintos.
E que, acima de tudo, possamos sempre lembrar: amar é reconhecer no outro não um pedaço que nos falta, mas um universo que nos desafia a crescer.
Texto Apresentado, em 26 de junho de 2025, no Sarau Poético – Literário da Escola Estadual de Ensino Médio de Novo Horizonte (SP), ‘Professor Mário Florence’.