José Luiz Nogueira: aniversário de Itapetininga

José Luiz Nogueira: ‘5 de novembro de 2016: 246 anos de nossa querida Itapetininga’

 

maquete

                                        Foto da maquete que está no Centro Cultural – mostrando o Largo da cadeia e ao fundo a Praça da Egreja.·.

                                                                      O autor da maquete também colocou um marco indicando o Pelourinho.

 

No dia 5 de novembro de 1770, a Vila de Itapetininga foi fundada oficialmente.

Na fundação, estavam presentes em volta da capela escravos, índios, brancos e mestiços.

 

São fundadores de Itapetininga: Domingos José Vieira, Simão Barbosa Franco, Salvador de Oliveira Leme e Manuel José Braga.

 

Em 5.11.1770, quando Dom José reinava em Portugal, com a presença de Antônio de Madureira Calheiros (juiz da Vila de Sorocaba), do tabelião e de povoadores, ocorreu a solenidade da fundação da Vila de Nossa Senhora dos Prazeres de Itapetininga, possuidora de igreja em construção e situada na estrada geral que vai para São Pedro do Sul.

 

O erguimento do pelourinho foi anunciado em voz alta pelo alcaide Bento de Oliveira Pinto. Depois da fundação até o dia 7 (sete) ocorreram alguns atos como a demarcação do termo da nova vila que se separa do território do município de Sorocaba e que tem como pontos de referência os rios Sarapuí e Paranapanema. Depois, foi escolhido o local para a Câmara e a cadeia. Posteriormente, houve a demarcação do rossio de 750 braças em quadra para os povoadores fazerem suas casas e plantações.

 

Na lista de presença de todos os mencionados atos, constam estes nomes que, neste livro, estão em ordem alfabética: André Domingues Cardoso (guarda-mor), Ângelo Fernandez de Castilho, Antônio Antunes de Morais, Antônio de Arruda, Antônio Bicudo Cabral, Antônio Coelho da Silva, Antônio Domingues Paes, Antônio Garcia Fontoura (tenente e procurador do Conselho), Antônio Luís Moreira, Antônio de Madureira Calheiros, Antônio Monteiro e Abreu (vereador de Sorocaba), Antônio da Silva Correia, Antônio da Silva Ferreira, Antônio Teixeira de Azevedo, Baltazar Garcia, Bento de Oliveira Pinto, Bernardo José Tavares, Bernardo Pinto, Bernardo Pires, Carlos Mariano de Vasconcelos Noronha, Cláudio Furquim, Domingos José Vieira, Domingos de Meira, Domingos de Oliveira Leitão, Faustino Fernandes Nogueira, Florentino da Cunha, Francisco de Arruda, Francisco de Barros, Francisco Bicudo Xavier, Francisco do Canto de Proença, Francisco Euzébio Seabra, Francisco Luís do Passo, Francisco L. Pompeu, Francisco de Proença, Gaspar Correia de Morais, Gervásio de Campos, Gonçalo A. ou Martins, Gregório João, Inácio Leite de Almeida, Inácio Nunes, Ivo da Silva, Jerônimo da Rocha de Oliveira (tabelião), João de Almeida Moreira, João Gonçalves Pedroso, João Martins Correia (alferes), João Ortiz de Abreu, João Prado da Silva, João Rodrigues do Prado, Joaquim Diniz Anhaia, José Álvares Maciel de Barros, José de Arruda, José Fernandes de Abreu, José de Oliveira, José Rodrigues Guimarães, José Rodrigues de Quevedo, Lourenço Dias, Manuel Álvares de Sousa, Manuel Antunes de Morais, Manuel Cardoso Machado, Manuel da Costa Bicudo, Manuel Francisco Guimarães, Manuel Leme do Prado, Manuel Rodrigues do Prado, Manuel da Silva Correia, Martinho Rodrigues de Alvarenga, Miguel Antônio Mendes Torres, Miguel Fernandes, Miguel Ferreira Diniz, Miguel Martins, Miguel Sanches de Arruda, Nicolau dos Reis, Pascoal Leite de Morais, Pedro Luís Moreira, Pedro Martins de Araújo, Pedro da Silva Guimarães, Salvador Correia, Salvador Rodrigues de Camargo, Salvador da Silva Nunes, Sebastião Rodrigues de Quevedo, Simão Barbosa Franco, Vicente Furquim de Abreu e Vicente de Oliveira.




As melhores fotos de Itapetininga antiga

Osvaldo de Souza Filho: o maior colecionador de fotos antigas de Itapetininga, envia mais cinco exemplos de sua imensa coleção

299-antigo-cemiterio-desativado-em-1898-av-peix-reduzido
299-Antigo-Cemitério-Desativado-em-1898-Av.-Peixoto Gomide

300-igreja-n-s-do-rosario-anos-10-r
300-Igreja-N.S.-do-Rosario-Anos-10

301-pca-mal-deodoro-da-fonseca-1912-reduzida

301-Pça.-Mal.-Deodoro-da-Fonseca-1912

302-igreja-dos-prazeres-pca-duque-de-caxias-anos-10-reduzida
302-Igreja-dos-Prazeres-Pça-Duque-de-Caxias-Anos-10

303-prefeitura-e-chafariz-reduzida

303-prefeitura-e-chafariz




Angelo Lourival Ricchetti: Continuação do livro que conta a história de uma família, desde 1400 até 2023. Ficção com base em documentos e narrativas de pessoas reais

Angelo Lourival Ricchetti:  Continuação do livro ‘DA ARTE DE SE CRIAR PONTES’ 

SÉTIMO PEDAÇO DO ROMANCE DA ARTE DE SE FAZER PONTES
(continuação)
<> 
Desse momento em diante iria começar a maior luta de minha vida.
A família dela não queria o nosso namoro.
Nessa ocasião eu dirigia a entrega de jornal “O Movimento” juntamente com o João Macedo.
Eu havia contado a ele a minha felicidade e eu queria entregar os jornais rapidamente para encontrá-la na missa.
Mas muito mais rapidamente a mãe dela (D. Catita) soube do namoro e contou ao marido (Sr. Bento) e ambos começaram a combater o nosso idílio. 
Prenderam a Lucila em casa e mandavam as irmãs menores me vigiar. A Marina, logo abaixo de Lucila também namorava o meu amigo Lauro e os pais não queriam o namoro.
A Lalá recebia da mãe duzentos reis para contar se nós nos encontrávamos e eu dava outros duzentos reis para ela não contar nada. E ela contava tudo recebendo dos dois lados.
Afora as meninas ainda havia um espanhol, cria da casa que na mocidade fora o acompanhante do Sr. Bento quando percorria as fazendas.
O nome dele era Leão Morales. Para nos vigiar ele procurava os lugares escuros e nada. Nós estávamos bem no claro e rindo do modo do pobre homem.
Também nos olhavam o Sr. José da Silva Teles, a mãe de Nonhô Unzer e outros.
Nós nos encontrávamos nas casas de colegas da escola. Na casa da Silverinha e Hercília Araújo, filhas de Francisca Gerônimo Araújo, sempre nos encontrávamos.
O diretor da Escola Normal era outro que nos denunciava.
Não tínhamos saída para nada.
O diretor Dr. Homero de Alcântara Silveira (o diretor da E. Normal) chegou a pedir a Lucila em casamento e também arrumou uma classe no Jardim da Infância para ela (não estava ainda formada professora). Lucila, não dando esperanças ao Doutor. Ele veio a casar com outra colega chamada Silvia Rafanelli, filha do Sr. Rafanelli, gerente do Banco Francês-Italiano.
O “Dr.” fazia intrigas com o meu irmão Hermínio para ele ficar contra nós.
No Clube Recreativo havia um “rinque” para a patinação e eu patinava lá. Na parte de baixo do Clube havia uma mesa de ping-pong e as meninas do ginásio iam disputar as partidas e a Lucila ia também.
Num desses dias assisti a um caso que muito me desgostou.
O tal Genésio queria voltar com a Lucila e como ela não queria mais nada com ele, o tal, muito nervoso devolveu o romance que ambos escreviam. A Lucila chorou e eu fiquei muito chateado com a cena. Quis acabar ali mesmo o nosso namoro. A Lucila deu-me umas explicações e eu acabei esquecendo o incidente.
<> 
Estamos em contato, Vô Lolou e eu por meio do Skype, um produto antigo, mas ainda muito bom para troca de som e imagem à distância. Reina um silêncio inquietante, rompido pelo Lolou. Aqui no meu apartamento as luzes ainda não foram acesas e tudo está envolvo em uma penumbra. Vem um som de música eletrônica do apartamento vizinho.
– Eu menti ontem quando falei sobre primeira visão da morte.
– Mas nós dois havíamos combinado que iríamos falar de vida, de amor…
– Sim, sim, vamos, mas preciso corrigir meu erro. Eu sei que não vou contar tudo sobre mim. Mas o que contar tem que ser contado certo.
– O que é certo para você pode ser errado para mim, que diferença faz?
– E o que é verdade para você pode ser falso, mentira, para mim! Porém eu vou revelar a você algo que ninguém sabe.
– Nesse caso tudo bem. Gosto que confie em mim. Prometo que não conto… vamos deixar as promessas de lado. Conte, por favor.
– Na casa do Santuário nós já éramos três irmãos, eu, o José Eduardo e uma nascida há poucos meses, a Vera Maria. Uma vez estávamos brincando na sala da casa. Ela estava lá em um canto, minha mãe perto dela, conversando com uma vizinha e mais para cá o Zé Eduardo e eu brincando de puxar um tapete.
Acontece que esse tapete, na outra ponta, era onde estava sentada a Vera Maria. Meu irmão foi buscar um brinquedo no quarto. Estando sozinho resolvi dar um puxão no tapete para mais perto de mim. Minha irmã caiu e bateu a cabeça no chão. Minha mãe gritou, socorrendo a menina. Ela ficou dois dias em coma, beirando a morte. Todas as atenções eram para a Vera Maria. Lembro-me dela em um caixão pequeno de defunto. Não sei se era isso mesmo ou já estava alucinado por uma culpa que nunca mais me deixou.
– Mas ela não morreu que eu saiba.
– Não morreu. Parece que de repente, meus pais chorando, os parentes todos ali na sala escura, ela começou a melhorar e sair do coma. De tão culpado eu me senti que fiquei mais de trinta anos sem conseguir olhar para ela, falar com ela. Essa foi uma das minhas culpas, houve outras.
– Vamos falar de vida agora, de amor, certo Vô Lolou?
– Sim, sim vamos.
– Tem essa parte da devolução do livro que um namorado devolve por estarem escrevendo juntos e ela não querer mais voltar com ele por já estar namorando com o bisavô Uth. Ele ficou muito chateado. Seu pai sempre teve essa devoção por livros?
– Creio que não era devoção. Antes de eu começar a estudar no primeiro ano ele me obrigava a ler livros. Para ele era preciso que eu fosse o primeiro aluno da classe para orgulho dele. De modo geral os Ricchetti de São Manuel e seus descendentes tem orgulho de serem dessa família. Devia começar os estudos escolares já sabendo ler, escrever, fazer contas etc. A relação dele com os livros sempre foi algo como uma ferramenta para ter sucesso.
– Nesse caso por que ele ficou chateado com a devolução do livro que estava sendo escrito por sua mãe e um antigo namorado?
– Eu não sei. O que presenciei muitas vezes é que ele cuidava de minha mãe a ponto dele escolher tudo por ela.
Ele tinha muitos ciúmes dos outros que se aproximavam da Cila. Ela era católica praticante, mas depois de casada, meu pai a impedia ir à missa, “namorar o padre”. No começo ele ia também a acompanhava, mas o costume eram os homens saíram antes do sermão.
Para meu pai o padre não podia saber mais do que ele, pois nem podia casar como ia orientar as moças? Ele se dizia crente no espiritismo. Eu creio que naquele tempo a sociedade era mais machista do que hoje é.
– Mas você e todos os seus irmãos foram batizados.
– Fomos sim e cheguei a ser coroinha, expulso junto com os colegas, pegos que fomos quando roubávamos vinho da eucaristia no meio da semana e nos embriagávamos. Sempre tive problema com bebida alcoólica, depois falo disso.
– A sua mãe se formou em que?
– Não se formou. Depois de casada deixou o curso normal sem terminar. O desejo maior dela, ser professora, foi barrado pelo meu pai.
– Era para a gente conversar sobre vida, sobre amor e, no entanto, Vô Lolou você está traçando um quadro horrível do seu pai. Você não o amava?
– Sim e ainda o amo, mesmo morto, pois reconheço a fibra dele de lutar para que não morrêssemos de fome, tão pobres nós éramos.
Ele lutou muito para que cada um de nós tivesse o mínimo de estudo para “vencer na vida”.
Meu pai, ao contrário de mim que sempre fui muito covarde, enfrentou com coragem tudo que vinha atrapalhar nossa vida.
Lembro quando ele recebia o salário da Prefeitura de São Manuel e passava em um bar antes de chegar em casa comprando croquetes de carne para todos nós. A maior parte dos outros dias não podia comprar carne. Minha mãe era muito criativa e inventava pratos com massas, com mistura para comermos junto com o arroz feijão.
– Entendo. Ser pobre é uma situação horrível. Parece que os pobres perdem seus sentimentos, ficam embrutecidos.
– Concordo em parte, pois ricos são brutos também. Mas isso é outro lado da história.
Meu pai detestava me encontrar fora de casa quando chegava, ainda mais se eu estava jogando futebol na frente do Santuário com outros meninos tão pobres quanto eu. Éramos tão pobres todos nós jogadores que a gente pintava no corpo, a camisa do time, as meias…
Várias vezes esqueci do horário que ele chegava da Prefeitura e quando o via, começava a tremer de medo. Ele me mandava entrar em casa, tirava a cinta e me batia dizendo que eu não podia ficar com esses meninos da rua.
– Uma relação de amor e ódio você tinha para com ele.
– Eu e a maior parte das crianças, pois os pais naqueles tempos seguiam o costume das “palpadas” para se educar.
– Meu pai também me batia quando era menor. Mas não vou falar mal dele porque ele foi sempre um lutador.
– Fiquei chateado por contar essas coisas do meu pai e de mim. Acho melhor nós dois encerrarmos essa conversa sobre o texto do seu bisavô.
Não quero mais falar sobre isso. Fico amargurado. Sinto-me injusto para com a memória do meu pai.
– Também não estou gostando… Melhor pararmos mesmo. Vamos conversar outras coisas menos essas coisas de família.
<> 
Uma semana depois, por curiosidade, voltei a ler o texto do Uth Ricchetti. Não ia comentar nada com Lolou. Queria conhecer melhor uma personalidade complexa como o pai dele.
<> 
(Décimo texto do Uth Ricchetti)
Em 1932 arrebentou uma revolução em São Paulo e eu estava lá passeando.
Cheguei a me alistar no batalhão “Borba Gato” onde já estavam o meu irmão Fausto e os seus cunhados. Quando o meu irmão Fausto soube do meu alistamento me desligou do batalhão e eu voltei para São Manuel (eu estava com vinte anos).
Chegando em São Manuel eu e uns amigos formamos um batalhão Samanuelense.
Havia aqui muitos discursos para convocar os moços para defender São Paulo.
Minha futura sogra não sabia que o próprio filho dela e eu já estávamos organizando um batalhão e quando o promotor público Dr. Orlando de Sá Cardoso estava convocando a mocidade eu falei alto:
– Eu não vou para morrer coisa nenhuma.
E minha sogra indignada respondeu do palanque:
– Só os sangues de barata não irão.
Ora, eu, sangue de barata? Um moleque ativo que sempre fui? O pulador de cerca da chácara da Nicota Gato, onde furtava as laranjas? 
O pai dessa Nicota Gato era um bom atirador de bodoque (estilingue), pois até o “Dito louco” já havia recebido uma bodocada nas nádegas, porque ao pular a cerca ficou preso num galho da laranjeira.
Mais tarde o velho arrumou um cachorrão, mas nós tirávamos um pau da cerca e o cachorro saia para dar suas voltas e aí nós entravamos tranquilos.
Roubávamos bananas na plantação da “Estrela”, propriedade dos Duarte (mãe da Dona Linda Brolo).
Tomávamos banhos numa cachoeira que estava proibida a entrada para as pessoas estranhas.
Onde hoje é a Escola Agrícola, era uma fazenda e lá roubávamos os ovos das galinhas e os colonos corriam atrás da gente.
Na parte alta da cidade, no pasto do Pascoalino de propriedade de Pascoal Raimo (ao lado do cemitério), pegávamos cachos de bananas verde e enterrávamos para amadurecer.
Com uma cinta no pescoço do animal, montávamos os cavalos e morríamos de medo de um touro preto que havia por lá.
Certa vez o meu amigo Lauro de Oliveira e eu estávamos vigiando enquanto os outros roubaram e o tal touro apareceu, então nós trepamos numa árvore e o bichão ficou embaixo e só saiu dali quando os outros chegaram e desviaram a atenção do bruto. A árvore era um coqueiro.
Quando nossos pais souberam foi aquela sova, mas assim mesmo continuávamos a enfrentar o que para nós era o perigo.
Meu futuro cunhado Fernando fazia parte da turma, o primo Carlito Campos Mello também e às vezes outro irmão da Lucila, o Álvaro.
Mal sabia Dona Catita, mãe da Lucila, que dia depois jurávamos amor eterno diante de um crucifixo:
– Meu Jesus nos uma na vida e na morte! 
E ele nos uniu e continuamos unidos.
<> 
Fico imaginando o amor do Uth pela Lucila sem saber se posso dizer também “o amor da Lucila pelo Uth”. Mas como ela aceitava esse poder que ele tinha sobre ela? Todas as jovens, ou quase todas, eram assim submissas aos maridos? Pelo amor que recebiam as mulheres nessa cultura machista não se rebelavam? Não aguento ficar pensando sem saber alguma resposta. Vou criar coragem e falar com meu avô Lolou. Mas quando ligo o notebook uma mensagem já está lá na minha tela:
– Prezado neto Kainã, depois de refletir cheguei à conclusão que podemos continuar a conversar sobre o texto do meu pai. Afinal eu estou me portando como uma pessoa adulta que procura entender como foi a vida dele, de meu avô, de meus parentes.
Para entender preciso fazer uma reflexão como e porque as pessoas agiam como agiram. Não são nossos tempos atuais.
Agora, em 2023, são outros tempos, outras estruturas de poder, o mundo ficou pequeno, as pessoas todas têm mais informações, há muitas e variadas influências e não podemos julgar fazer juízos de valor, sem antes compreender bem como as pessoas agiam sob um paradigma com valores e razões que não são de hoje.
Temos novos paradigmas.
Quando ler o que escrevi, por favor, diga se deseja continuar ou desistir.
– Pode ser coincidência vô Lolou, mas ia lhe escrever sobre isso mesmo. Fico cheio de dúvidas. Não entendo aqueles comportamentos.
– Que bom que estamos nos entendendo. Vamos continuar então.
Eu conto a meu avô que já pesquisei um pouco na história e na geografia para saber mais sobre o café, os barões do café, os políticos desde a proclamação da Republica,
Estudei o mapa, o relevo, etc. para entender um pouco mais sobre a produção agrícola de São Manuel, no centro do mapa do Estado de São Paulo, Brasil.
Li bastante sobre a imigração italiana, sobre as famílias que tinham uma existência de séculos atrás com valores tradicionais tão diferentes dos italianos que vieram “fazer a América” como diziam esses italianos. Na prática, tiveram de abandonar as suas terras por causa da grave crise do 1900.  Digo a Lolou:
– Eu me sinto mais preparado também por estar conhecendo mais sobre a China como primeira nação mais importante do planeta, em todos os sentidos, pela população que já é um terço de todas as populações das demais nações, com sobrevivem e como tem de preservar o ambiente com a falta de petróleo, de água, de território.
– Porque a China?
– Porque a Cinthya é nascida lá e me conta e em termos de estudos de Arquitetura eu preciso saber tudo isso, tanto o passado como o presente e imaginar o futuro.
Percebo que o mundo cada vez mais precisa de pontes para a locomoção de pessoas e cargas, grandes e necessárias obras arquitetônicas que pretendo criar e será o foco dos meus estudos.
– Construir pontes? Você fala de pontes materiais? Mas é preciso outras formas de pontes…
Não entendo o que ele diz de outras formas de pontes e não quero falar sobre isso e sim sobre o namoro. Mais cedo ou mais tarde vou ter mesmo que falar. Crio coragem, respiro fundo e digo:
– Estou namorando a Cinthya, agora é sério. O desejo dela é fazer pós-graduação para a construção de pontes usando tecnologia de ponta.
– E você?
– Sou apaixonado por pontes e pretendo trabalhar em alguma empresa de construções de pontes gigantescas!
Com cuidado começo a falar sobre minha namorada.
Você vai gostar da Cinthya, Lolou. E ela me ajuda muito a compreender tudo que preciso. Ela quer conhecer essa pessoa com quem tanto falo.
– Nosso acordo vai por água abaixo?
– Pode confiar nela. É uma jovem compenetrada de suas responsabilidades e nos amamos.
– Vou aceitar, embora não sei como ela vai guardar segredos, o que vai pensar de mim escrevendo sobre meus parentes desse modo tão cruel.
– No próximo sábado, quando formos, eu e ela, para Itapelinda vou leva-la para que você possa conhecê-la.
– E eu a ela… Vamos deixar as perguntar para o fim da semana então.
Fico aliviado que o Lolou está aceitando abrir as guardas, como falamos no Box, para irmos mais fundo nesse conhecimento. Menos apreensivo continuo a ler. Será que esse material daria um romance? Um ‘“novo” Julieta e Romeu?
<> 
(Décimo primeiro texto de Uth Ricchetti)
Dias depois o Sr. Eliseu Augusto Teixeira pagava um vagão de passageiros que foi engatado num trem e nos levava para São Paulo e tomamos lugar no Batalhão Esportivo.
Embarcamos no dia 19 de junho. Na estação alguns membros das nossas famílias e as namoradas.
Eu estava preocupado, pois deixara mamãe chorando e o meu irmão Hermínio muito nervoso.
Despedi-me da Lucila e seu irmão Fernando despedia-se da Araci Padovam, filha de Cirilo Padovam (já falecido na época).
A Lucila me deu uma linda medalha de Nossa Senhora da Aparecida que perdi numa retirada brusca.
Ao chegar em São Paulo, alguns foram para Duque de Caxias antiga Quintaúna. Foram eles: Francisco Borges, Otávio Pascoal, Elias Francisco Araújo (Chicão), Gino, Menocchi, Domingos Felipe, Otto Kermer, Zito Zergelli.
Essa primeira turma somava cento e sessenta entre mais velhos, os moços e menores como o Mário Portes e eu. O Mário, menor de 16 anos, não foi recebido, precisava autorização do pai.
O irmão dele, Argemiro Portes trabalhava no Correio aéreo. Era quem recebia e enviava as nossas cartas da trincheira.
O Argemiro recebeu cartas do pai pedindo para o Mário voltar, pois a mãe estava de dieta de parto e muito nervosa.
Vim trazer o Mário e queria encontrar com a Lucila, mas a sua amiga Silveirinha falou que a Lucila não queria falar comigo. Era mentira.
No dia seguinte, antes do meu embarque a Lucila veio encontrar-se comigo e muito chorosa dizendo que não fosse por que ela estava com forte pressentimento de que algo iria me acontecer e fui ferido mesmo nos dois pés e no peito por isso baixei no hospital para tratamento. 
Quando cheguei em São Paulo o Batalhão Esportivo havia partido e eu fui procurar um outro que ia para o Este onde estavam os meus companheiros.
Alistei-me no Batalhão de Comércio que se incorporou depois no sétimo de Emergência.
Quando estávamos para partir soube que o Mário Portes estava no Batalhão dos Estudantes do Comércio e como eu conhecia o Capitão (do Batalhão) pedi para dispensar o Mário Portes, pois esse Batalhão ia se incorporar a Coluna Dalton de Oliveira que ia para o sul.
Levei o Mário para o meu Batalhão que seguiu para a cidade de Amparo para retomá-la dos inimigos que haviam ocupado um dia antes.
Chegamos à noite e a cidade estava às escuras. O Mário seguiu para um morro enquanto eu fui para outro morro. Quando amanheceu entramos num fogo cerrado. Conseguimos afastá-los, mas eles vieram novamente com uma força maior.
Chegaram: Infantaria, a cavalaria e Artilharia. Eles nos cercaram onde o nosso Tenente foi um herói. Ele disse:
 – Sargentos (eu era um deles) vou enfrentar com a metralhadora e vou fazer fogo de barragem para vocês se retirarem com os seus homens.
E foi aí que pudemos fugir,
Nunca mais vi o tenente, Deve ter morrido, pois o cerco foi forte.
Retiramos para a cidade de Pedreiras. Quando chegamos não vi o Mário Portes e fiquei muito nervoso.
Eu e os meus homens íamos procurá-lo, mas ele chegou com outros homens.
O capitão por minha desobediência de querer voltar e procurar o companheiro deu ordens de prisão, juntamente com todo o meu grupo (eu era sargento). Fomos para um vagão que seguia para Campinas no dia seguinte. O Capitão tirou a minha divisa e a do cabo.
<> 
Estou indo de São Paulo para Itapetininga de carro com a minha namorada e seu veloz carro. Aproveito para ligar meu notebook e falar com Lolou.
– Vovô Lolou estamos a caminho! Logo mais estaremos ai. Avise a família toda.
– Estamos aguardando. Já está aqui em casa o seu pai Leon Francisco, sua mãe a Carla, sua irmã Amanda e suas filhas Mariana e Laura. A Maria Júlia, sua avó também está querendo conhecer a Cinthya. Todos estão. Mas você está dirigindo o carro e teclando? Não faça isso! É um grande risco!
– Calma, vô, quem está levando o carro e a Cinthya.
– Tudo bem. Diga a ela que a Maria Julia, minha esposa está falando que será bem vinda à nossa casa.
– Não desligue vô, deixa dizer que li a parte do seu pai na Revolução de 1932. Fiquei admirado! Ele foi um herói!
– Sem dúvida! Mas conversamos depois.
<> 
Relato de Maria Júlia para mim sobre a ansiedade do marido, vendo vovô Lolou toda hora indo ver pela janelinha da frente da casa se Cinthya e eu estávamos chegando:
– Já deviam estar chegando… Júlia, será que aconteceu alguma coisa na estrada?
– Calma! Você sempre está imaginando coisas… Pior que só pensa ruim. Já vão chegar. Deixa de toda hora ir olhar se o carro já apareceu…
– Júlia, o carro dela não é com o nosso. É moderno, veloz. O almoço já está pronto Amanda?
– Não venha me apressar que tudo estará pronto na hora que tiver que estar. Vá ver se o Leon e Carla estão querendo para o almoço.
<> 
O dia está maravilhoso! Muito sol, pouca poluição, pouco trânsito, quando entramos na cidade de Itapelinda. Já estamos chegando à casa do Lolou. Vejo que estão todos a postos, bem vestidos. Meus pais, minha avó Julia, minha irmã Amanda, as filhas minhas primas, a Mariana e a Laura. Parece que todos estão prontos para uma festa! Sinto um frio na espinha. Do meu lado está a minha primeira e espero que única namorada, muito nervosa.
– Kai estou bem? Meu cabelo está despenteado. Me sinto feia, Kai. Ela diz olhando-se rapidamente no espelhinho do carro.
– Você está linda! Dou um beijo nela, não nos lábios, no lado do rosto, porque ela está dirigindo. Agora estacionou. Todos saem da casa sorrindo e muito curiosos. Quando saio do carro minhas primas batem palmas e gritam:
– Kainã vai casar! Kainã vai casar!
Fico mais nervoso ainda e olho para Cinthya que está sorrindo e me agarra pelo braço para sentir mais segurança.
Todo mundo abraça todo mundo. Alguns vizinhos vem olhar o que está acontecendo. Penso: porque tudo isso? Vamos apenas anunciar nosso namoro!
Maria Julia começa a empurrar todo mundo para dentro da casa:
– Vamos entrando senão o almoço esfria! E a Amanda caprichou bastante!
Meu vô se adianta, pega as mãos de Cinthya e as minhas:
– Seja bem vinda Cinthya!
Ela olha, sorrindo para ele que. O olhar dele permanece no olhar dela por um breve tempo. Ele sorri.
<> 
O almoço consta de bacalhau e batatas feito pela avó Maria Júlia e arroz de forno com salmão grelhado feito pela minha tia Amanda. Minha namorada adora muito o que lhe é oferecido e, aos poucos, está encantando a todos com sua graça e com seu modo franco de falar.
Anda pela casa toda conhecendo cada cantinho, as muitas fotos mostradas pela Mariana e Laura que se degradiam para mostrar e falar com ela.
Muitas histórias vão sendo contadas. No corredor se depara com as fotos dos antepassados da vó Maria Júlia e do vô Lolou. Quer saber detalhes das fotos.
Quando foi possível senta-se finalmente no sofá da sala de estar com vários de nós ao seu redor. Fala de sua comunidade na China, nos usos e costumes que deixou por lá, de suas saudades, de como o Brasil, São Paulo e outros lugares conquistam sua admiração.
<> 
Agora estou mostrando como é a cidade para ela. Vamos de carro mas paramos várias vezes e descemos do carro. Eu mesmo estou “me mostrando” a minha cidade para mim. Porque está diferente! Digo isso para Cinthya e ela pergunta:
– Por que está diferente? Quanto tempo você não vem aqui?
– Faz três anos que moro em São Paulo Meu pai Leon Francisco e minha mãe Carla pagam minha despesa lá. Assim pude fazer cursos e me preparar para fazer a Faculdade. Venho poucas vezes a Itapetininga.
– Mas o que você está estranhando na sua cidade?
– Primeiro: parece que as pessoas estão mais alegres, mais felizes. Segundo: há muitos poucos carros nas ruas. Antes tudo ficava muito congestionado.
– Tem muita ciclovia pelo que reparo. As pessoas me parecem bem saudáveis. Não são pessoas gordas como encontramos em São Paulo.
– Há vários centros esportivos. Antes havia bem poucos. Estou achando diferentes também esses avisos nas lojas, no comércio, alertando para os planos de Munícipio Saudável. O que será isso?
– Na China houve algo parecido quando eu era menina. Bem antes havia acontecido uma chamada Revolução Cultural para a mudança de usos e costumes que não levassem em conta o socialismo.
A segunda dita revolução faz menos de 10 anos. Eu ainda vivia lá, antes de vir para o Brasil com meu pai.
– Mas aqui não é a China. Quando voltarmos vamos falar com o Lolou.
<> 
Vô Lolou tenta não dar importância sobre o que está acontecendo. Diz que foram eleitas pessoas diferentes com outras idéias. Estava começando a haver mudanças. Nada imposto, tudo partindo de conversar e convencer as pessoas. Tem havido muita reação contra as passeatas, os discursos na Câmara, os encontros populares com os governantes. Jornais, rádios, a TV da antiga Rede Globo tem se manifestado contra essas mudanças.
– O que vem a ser esse plano de Município Saudável, vô? Eu pergunto ao mesmo tempo em que no íntimo pergunto a mim mesmo como não reparei e nunca soube disso tudo que ele conta.
– Não fiquem muito entusiasmados com isso. Não é um plano e sim um conjunto de planos. Talvez fracasse e na próxima eleição esse prefeito e companheiros na Câmara não sejam reeleitos.
– Sêo Lolou, me conte um pouco desses planos, por favor! Cinthya pede com aquele jeitinho faceiro de mocinha vinda da China.
– Vou falar por alto, moça. Alguns planos são fáceis e estão sendo implantados. Porém esse prefeito e vereadores tem muita audácia. Precisa de muita coragem para dizer à população e às lideranças escolhidas para transformar a agropecuária que usa agrotóxicos, a divisão das grandes terras agrícolas, rumo ao que se pode chamar de respeito total ao meio ambiente, à saúde e sua preservação, extinguindo as grandes pastagens, as extensas plantações de produtos com uso intenso de agrotóxicos, a eliminação de alimentos industrializados e a troca por alimentação vegetariana.
– Isso é mesmo. Fico imaginando as pessoas que lucram com essas coisas como vão reagir.
– Está muito no começo ainda. Não se sabe se vai dar certo. Por enquanto o que está sendo feito está dando algum resultado já. Os planos são decenais. E estamos ainda nos primeiros cinco anos!
– E tudo isso em menos de 10 anos? Como vai ser possível? Vô Lolou explica:
– A maior parte da população foi sendo atingida pela educação para a vida, os agricultores, os comerciantes, as poucas indústrias foram sendo doutrinadas pelo mal que fazem ao ambiente e à saúde. As pessoas com interesses na situação anterior se rebelaram e fizeram de tudo para que os candidatos aos cargos públicos não fossem eleitos. Mas eles foram e com o apoio da maior parte dos residentes em Itapelinda iniciaram os processos de inovação.
Minha namorada rí em todos os momentos, sempre admirada. Impressionada começa a falar como seu país inovou totalmente o modo de viver lá, como a vida humana passou a ser respeitada mais do que os demais valores, como passou a ser a primeira economia mundial conservando o meio ambiente, a natureza e o sentido profundo de se viver com responsabilidades.
Mas sua terra de nascença precisava da ajuda de outras nações, pois seu território não podia mais conter a população crescente, mesmo com a restrição de filhos por casal.
Além disso, todos os recursos naturais precisavam de métodos para não se esgotar rapidamente.
A educação comunitária e geral se voltou para incentivar descobertas, pesquisas, atividades que poupassem o uso desses recursos. Há muitos projetos de reciclagem de lixo, bem como propostas de não se produzir tanto lixo.
Foi considerado crime grave o consumismo desenfreado, característica dos países dominados pelo capitalismo selvagem. E termina assim:
– Então fico muito emocionada com o que está acontecendo aqui nesta cidade, neste município e como poderemos compartilhar e estreitar as relações de Itapetininga com a China!
<> 
Quase 10 horas da noite. Mariana e Laura vem buscar a Cinthya para conhecer seus amigos e amigas, bem como a casa dos meus pais.
Ficamos eu e meu vô no quarto de estudos do Lolou para conversarmos.
– Mas aqui não é a China. Quando voltarmos vamos falar com o Lolou.
<> 
Vô Lolou tenta não dar importância sobre o que está acontecendo. Diz que foram eleitas pessoas diferentes com outras idéias. Estava começando a haver mudanças. Nada imposto, tudo partindo de conversar e convencer as pessoas. Tem havido muita reação contra as passeatas, os discursos na Câmara, os encontros populares com os governantes. Jornais, rádios, a TV da antiga Rede Globo tem se manifestado contra essas mudanças.
– O que vem a ser esse plano de Município Saudável, vô? Eu pergunto ao mesmo tempo em que no íntimo pergunto a mim mesmo como não reparei e nunca soube disso tudo que ele conta.
– Não fiquem muito entusiasmados com isso. Não é um plano e sim um conjunto de planos. Talvez fracasse e na próxima eleição esse prefeito e companheiros na Câmara não sejam reeleitos.
– Sêo Lolou, me conte um pouco desses planos, por favor! Cinthya pede com aquele jeitinho faceiro de mocinha vinda da China.
– Vou falar por alto, moça. Alguns planos são fáceis e estão sendo implantados. Porém esse prefeito e vereadores tem muita audácia. Precisa de muita coragem para dizer à população e às lideranças escolhidas para transformar a agropecuária que usa agrotóxicos, a divisão das grandes terras agrícolas, rumo ao que se pode chamar de respeito total ao meio ambiente, à saúde e sua preservação, extinguindo as grandes pastagens, as extensas plantações de produtos com uso intenso de agrotóxicos, a eliminação de alimentos industrializados e a troca por alimentação vegetariana.
– Isso é mesmo. Fico imaginando as pessoas que lucram com essas coisas como vão reagir.
– Está muito no começo ainda. Não se sabe se vai dar certo. Por enquanto o que está sendo feito está dando algum resultado já. Os planos são decenais. E estamos ainda nos primeiros cinco anos!
– E tudo isso em menos de 10 anos? Como vai ser possível? Vô Lolou explica:
– A maior parte da população foi sendo atingida pela educação para a vida, os agricultores, os comerciantes, as poucas indústrias foram sendo doutrinadas pelo mal que fazem ao ambiente e à saúde. As pessoas com interesses na situação anterior se rebelaram e fizeram de tudo para que os candidatos aos cargos públicos não fossem eleitos. Mas eles foram e com o apoio da maior parte dos residentes em Itapelinda iniciaram os processos de inovação.
Minha namorada rí em todos os momentos, sempre admirada. Impressionada começa a falar como seu país inovou totalmente o modo de viver lá, como a vida humana passou a ser respeitada mais do que os demais valores, como passou a ser a primeira economia mundial conservando o meio ambiente, a natureza e o sentido profundo de se viver com responsabilidades.
Mas sua terra de nascença precisava da ajuda de outras nações, pois seu território não podia mais conter a população crescente, mesmo com a restrição de filhos por casal.
Além disso, todos os recursos naturais precisavam de métodos para não se esgotar rapidamente.
A educação comunitária e geral se voltou para incentivar descobertas, pesquisas, atividades que poupassem o uso desses recursos. Há muitos projetos de reciclagem de lixo, bem como propostas de não se produzir tanto lixo.
Foi considerado crime grave o consumismo desenfreado, característica dos países dominados pelo capitalismo selvagem. E termina assim:
– Então fico muito emocionada com o que está acontecendo aqui nesta cidade, neste município e como poderemos compartilhar e estreitar as relações de Itapetininga com a China!
<> 
Quase 10 horas da noite. Mariana e Laura vem buscar a Cinthya para conhecer seus amigos e amigas, bem como a casa dos meus pais.
Ficamos eu e meu vô no quarto de estudos do Lolou para conversarmos.
<> 
– Lolou pode confiar nesta moça. Faremos um juramento, certo?
– Que juramento?
Eu e Cinthya juramos juntos que tudo que estamos conversando sobre seus antepassados não será comentado para mais ninguém, a não ser com concordância sua.
– Duvido.
<> 
A Laura, a Mariana e a Cinthya voltam dos passeios. Passa da meia noite. Conto para minha namorada do juramento. Lolou está passando pelo corredor e ela o chama:
– O Kai já me explicou tudo. Eu juro senhor Lolou! O que sei a respeito dos textos, dos comentários são muito importantes para sua família. São muito importantes para muitas pessoas, mas a decisão sobre uma publicação em forma de livro ou virtual precisa ser tomada por nós pensando bem em nossa responsabilidade e na imagem de sua família.
O Lolou, embora ele nunca vá admitir, também está tomado pela simpatia de Cinthya.
– É, concordo, pode ser que não valha a pena, o esforço, o sacrifício, ao menos o meu, pois estou emotivamente envolvido com os textos e comentários. Se, ao final, valer a pena, for para ajudar outras pessoas e não houver ninguém prejudicado, podemos pensar em publicação. Mas falta muito ainda a ser lido e comentado, não é?
– Que bom que você Lolou entende o que estamos propondo! A participação da minha namorada (quase que falo “futura noiva”, porém paro rápido) vai ser importante. Você vai perceber. E ela agora é da família, ou quase.
Vovô sorri. E explica:
– Eu tive um colega e amigo da Faculdade, o Manoel Cesário Simões, que uma vez me disse, que eu era da família dele. De fato conheci todos da família dele, inclusive uma jovem cantora que depois ficou conhecida internacionalmente. E também, mais tarde, outra jovem cantora e compositora.
Eu digo a ele que vamos continuar a ler e comentar. O que não ficar bom, excluímos sem dó em nossas notas. Lolou não concorda com isso:
– Isso não admito! Vamos respeitar os textos escritos pelo meu pai Uth Ricchetti. Não sei por que ele escreveu. Ainda precisamos pensar nessa questão. Em cerca de um ano, ele, certamente narrando de memória os fatos e achados à minha mãe, e ela escrevendo, nos deixaram todos esses textos. Ficar como estão é uma opção também, enquanto não soubermos por que ambos nos deixaram esse legado.
Nos levantamos os três e vamos dormir. Antes a Amanda anuncia que vamos tomar a sopa de feijão, amanhã, que é uma das maravilhas da culinária da minha tia. Como é inverno e está bem frio, a sopa vem em boa hora.
<> 
Acordo bem cedo e já vou ler outro texto do Uth quando Cinthya acorda e fica me observando.
– O que foi? Está me admirando minha beleza?
– Ah bobinho! Bela sou eu!
Ela se levanta e bem me beijar.
– Gosto muito daqui! O ar parece tão limpo, o silêncio me faz escutar os menores barulhos…
– É por isso que sempre trago de São Paulo quando venho aqui um vidrinho e uma gravação. Eu falo misteriosamente. Ela me olha sem entender:
– O quê? Me explica, não estou entendendo nada. Eu dou uma gargalhada:
– Quando começo a sentir esse não poluído começo a passar mal e então abro o vidrinho que tem o ar poluído de São Paulo e aspiro um pouco…
Ela fica brava:
– Você é mesmo um bobão! E a gravação para que serve?
– Quando esse silêncio começa a me incomodar eu ouça a gravação dos ruídos de São…
Não consigo terminar. Ela joga um travesseiro em cima de mim, dando risada.
<> 
(continua)



Celso Lungaretti: 'O PODER ECONÔMICO CONTINUARÁ DITANDO AS REGRAS E TRUMP LOGO DEIXARÁ O MACACÃO DE PALHAÇO DE LADO, VOLTANDO A COMPORTAR-SE COMO QUEM VESTE TERNO DE EMPRESÁRIO…'

 CELSO LUNGARETTI:  ‘TRUMP VAI SER O LULA DA DIREITA: ANTES OS RUGIDOS DE CAMPANHA, DEPOIS OS MIADOS NO PODER’

O que teria acontecido caso Lula houvesse sido eleito em 1989?
Alguém acredita que, realmente, 800 mil empresários fariam as malas para deixar o País, de acordo com o prognóstico alarmista do presidente da Fiesp, Mário Amato?

Nem a pau, Juvenal! O poder econômico trataria é de iniciar logo o enquadramento do Lula que, a julgar pela maneira como procedeu ao finalmente chegar , não oporia muita resistência ao descarte das bandeiras utilizadas para ganhar a eleição.

Desde o sindicalismo, sua trajetória era feita de acordos, com uma greve aqui e ali para que as montadoras, alegando aumento de custos com a mão-de-obra, pudessem contornar os congelamentos de preços impostos pelos ministros da ditadura; se em 1989 os mandachuvas do mercado houvessem sentado com o Zé Dirceu para acertar os ponteiros como fizeram em 2002, nossa História teria avançado mais depressa… para o mesmo lugar.

O Brasil não se tornou comunista sob Lula, a Itália não voltou ao fascismo sob Berlusconi e é quase impossível os Estados Unidos serem piores sob Trump do que foram durante a guerra ao terror do Bush, quando justiçadireitos humanos e respeito à soberania das nações viraram balelas no país que mais prega a democracia.

Nos três casos, vale ressaltar, os negócios continuaram sendo tocados conforme a lógica férrea do neoliberalismo dominante, pois há bom tempo o que realmente importa na economia deixou de ser decidido pelos chamados dirigentes políticos, hoje reduzidos a meros fantoches do poder econômico.

As extravagâncias de certos presidentes e premiês se limitam ao varejo, já que no atacado eles não têm permissão para botar as patas. Ou alguém acredita que Trump conseguirá ressuscitar o protecionismo de mercado num país que tanto lucra com o livre comércio, correndo o risco de que ele venha a isolar-se juntamente com o Reino Unido, enquanto Europa e Ásia estariam deitando e rolando?

Por que supormos que, com Donald Trump, virá o apocalipse? Bem mais plausível é que, tendo atingido o objetivo de chegar à Casa Branca, ele tire o macacão de palhaço e volte a se comportar como quem veste terno de empresário.
Parece que, lembrando o grande Shakespeare, continuamos obnubilados pelas tempestades de som e fúria significando nada com que nos hipnotiza a indústria cultural.

A embalagem do capitalismo nos EUA vai mudar um tantinho, mas o produto continuará igual. E o que realmente importa é o seguinte: seu prazo de validade já expirou.
Está na hora de deixarmos de desperdiçar tempo com bobagens e encararmos nosso verdadeiro problema, qual seja o de evitarmos que a agonia do capitalismo, com sua degringola econômica e catástrofes ambientais, arraste a espécie humana para a extinção..

OUTROS POSTS RECENTES DO BLOGUE NÁUFRAGO DA UTOPIA (clique p/ abrir):

PARA BOM ENTENDEDOR, GILMAR MENDES ANTECIPOU QUE SÓ DILMA SERÁ CONDENADA NO TSE.




Coluna Sergio Diniz da Costa no jornal da APEVO

Coluna Sergio Diniz da Costa no jornal da APEVO

Cultura

LITERATURA, ARTES & CURIOSIDADES

novembro de 2016

 

artesPoesia

artes-1

Fabiano Calixto (Garanhuns, Pernambuco, 1973) é considerado um dos mais importantes poetas brasileiros contemporâneos. Publicou os livros de poesia Algum (1998), Fábrica (2000) e Um Mundo Só Para Cada Par (2001). Seus últimos livros publicados foram Música Possível (2006), pela coleção Ás de Colete da editora paulistana CosacNaify, Sanguínea (2007, 34 Letras) e Pão com bife (2007), um livro de poesia para crianças, pela editora SM (São Paulo). Colaborou com diversas revistas, dentre as quais Inimigo Rumor (Rio de Janeiro/ RJ), Cult (São Paulo/ SP) e Serta (Madrid, Espanha). Figura nas antologias Na Virada do Século – Poesia de Invenção no Brasil (Landy, 2002) e na antologia de poesia brasileira contemporânea, publicada no número 9 da revista norte-americana Rattapallax. É co-editor, com os poetas Ricardo Domeneck, Angélica Freitas e Marília Garcia, da revista Modo de Usar & Co. Participou da feira de livro da Venezuela em 2014.

 

 

Dele, o Poema n.º 15:

a fotografia

sobre a cristaleira (lembrança

da avó) toma conta

da sala

 

(teus olhos,

pequenos sóis tornando

mais beleza o universo

de luzes

que é teu rosto,

umedecem

os meus)

 

lá fora

a tarde cai

 

os pássaros

não suspeitam

do conteúdo

desta carta

 

e nesta caligrafia

— noite marítima

soprando brisas

sobre esta folha

de amarelos múltiplos —

caminhas comigo

artes6

artes7

que a água-viva é considerada a criatura mais letal do mundo? Encontrada na Ásia e na Oceania, a água-viva-caixa-australiana mata pelo menos 100 pessoas por ano. O veneno do animal chega ao coração, ao sistema nervoso e às células da pele da vítima em questão de minutos, por isso as chances de sobreviver são pequenas.

 

artes3Artes (pintura, música, dança…)

 

A arquitetura renascentista representou, depois da modalidade românica, um momento de rompimento na história da arte arquitetônica, nos seus mais diversos aspectos, ou seja, nos recursos utilizados por esta esfera no âmbito da criação; nos seus meios de expressão e no seu corpo teórico. Este estilo predominou no continente europeu ao longo dos séculos XIV, XV e XVI, no contexto caracterizado pelo movimento conhecido como Renascimento, que inovou especialmente nos campos cultural e científico. Não é à toa que uma das principais marcas desta arquitetura seja uma distribuição espacial matemática das edificações. Esta arquitetura primou especialmente pelo resgate da Antiguidade Clássica. Assim, tudo que pertencia ao mundo antigos dos gregos e romanos era aproveitado na concepção arquitetônica renascentista – a busca da Beleza mais perfeita, a disposição ordenada dos elementos de um prédio, a tradução da esfera das ideias nas linhas dos edifícios, os arcos de volta-perfeita, a influência da composição formal da Natureza, vista como modelo de perfeição, a singeleza das obras, a forte presença dos aspectos humanistas, a utilização sistemática da perspectiva, entre outros elementos. As principais edificações deste período são igrejas, residências construídas no perímetro externo da cidade, fortalezas que assumiam um papel bélico, entre outras. O arquiteto mais conhecido desta época é Filipo Brunelleschi (ver imagem), que ao mesmo tempo atuava nos campos da pintura, da escultura e da arquitetura. Entre suas obras principais estão a cúpula da Catedral de Florença e a Capela Pazzi (ver imagem). (Para saber mais: http://www.infoescola.com/artes/arquitetura-renascentista/)

artes4

 

artes5

 

 

Se você, leitor, deseja entrar em contato com o colunista para sugestões e ideias, escreva para sergiodiniz.costa2014@gmail.com

 

Um mega abraço e até a próxima edição!

                                                                                                  Sergio Diniz da Costa




Sergio Diniz da Costa: ‘ETÉREAS: MEUS DEVANEIOS POÉTICOS – III’

Sergio Diniz da Costa: ‘ETÉREAS: UM NOVO HORIZONTE’

 

Sergio Diniz da Costa
Sergio Diniz da Costa

(COSTA, Sergio Diniz da. Etéreas: um novo horizonte. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2015)

 

MANOEL DE BARROS*

Manoel não se foi

Foi é construir casas de barro

Como se fora um João

Um João Alguém

Que ninguém vai esquecer

Pois, do barro, fez Deus o homem

E do homem, a poesia.

 

(Uma singela homenagem ao poeta mato-grossense Manoel de Barros

(Cuiabá, 19 de dezembro de 1916  — Campo Grande, 13 de novembro de 2014)

um poeta brasileiro do século XX, pertencente, cronologicamente, à Geração de 45,

mas formalmente ao pós-Modernismo brasileiro, se situando mais próximo das vanguardas

europeias do início do século e da Poesia Pau-Brasil e da Antropofagia de Oswald de Andrade.

 

………………………………………………………………………..

 

AURORA

 

Vem, aurora do dia,

E traz consigo, também,

A aurora da vida.

Ilumina-nos,

Com o sol da manhã

E a prece da esperança.

 

………………………………………………………………………

 

BEIJA-FLOR

 

Beija-flor

Beija flores

Com cores.

 

Voa como a luz

Que induz

E seduz

 

E nesse voar

Em cruz

No cruzeiro

Me puz

Como a estrela

Que reluz.

 

……………………………………………………………………..

DEDILHANDO

 

As cordas acordam

Num acordo mútuo

E recordam, que hoje,

É dia de vibrar.

 

……………………………………………………………………….

 

A MOÇA E O PÁSSARO

 

Um pássaro, no alto do galho

Canta e encanta

Lá embaixo, no chão,

Uma moça desencanta

E, nessa permuta de sentimentos,

O canto e o encanto se vão.

 

……………………………………………………………………..

 

COMPOSITOR

 

De tuas mãos brotam letras

Da alma emanam músicas.

São letras que bailam

Na melodia

Da noite ou do dia.

 

Faz da vida infinita pauta

Faz das cordas e teclados

Dos sopros e percussão

A sinfonia do riso, do choro

Dos sonhos e imaginação.

 

……………………………………………………………………

 

TROVERSANDO

 

Ouço trovões ao longe…

Talvez seja a chuva benfazeja

Tão esperada, tão bendita.

Talvez seja, porém,

O ribombar de um tambor

Que algum deus do Olimpo

Fez soar, sob clamor…

 

Ouço trovões ao longe…

Talvez batalhas distantes

Talvez só imaginação

Ou, talvez, indignação

De quem não espera em vão.

 

…………………………………………………………………….

 

POUSO E REPOUSO

 

Pousa, nobre ave,

Pousa neste galho

Que te faz um ninho

E canta, como se cantasse

Pela última vez.

E, quando te fores,

Leva contigo a sombra

Desta árvore

E de meus amores.

 

……………………………………………………………………

 

 

EFÊMERO

 

Somos todos viajantes

Nestas plagas terrestres.

Caminhantes, andantes,

De perto, ou distantes.

Somos um sopro, um alento

Despertos ou sonolentos

Somos todos viajantes

Que, num instante,

Ancião ou infante

Sem chorar, mas rir

Um dia,

Temos de partir.

 

 

 




Jose Coutinho de Oliveira: Nobilistica

Jose Coutinho de Oliveira – Glossário filosófico

foto-jose-coutinhoAo nos reencontrarmos com a filosofia grega eis que surgem no cenário algumas palavras chaves para a compreensão dos sistemas: axioma= provérbio;axiologia= teoria dos valores;  agnosia= reconhecimento dos limites do conhecimento; aleteia= verdade; aretê= virtude; anamnese= recordação de ensinamentos que tínhamos aprendidos antes de nossa encarnação, é a teoria socrática da pré-existência da alma, defendida também por Orígenes; agathon= ideia suprema para Platão na teoria das ideias que se identifica com o bem e também com o sol; apatia= indiferença; autarquia= autonomia; ataraxia= imperturbabilidade; Calípolis= cidade imaginária da República de Platão;dianoética= virtudes intelectuais, de dianóia= intelecto;  devir= com Aristóteles é a passagem da potência(aptidão) para o ato (realidade); demagogia= enganação; enteléquia= plenitude; estoico = apático; eudemonia= felicidade; eudemona= feliz; epoché= termo dos céticos que reserva à pessoa o direito de não opinar; epistemologia ou gnosiologia= teoria do conhecimento; gnose= conhecimento; idealismo= crença de que o real e portanto o permanente se encontra no céu;mediania= na ética de Aristóteles é o meio termo entre a falta e o excesso; ontologia= que chamo de caracteriologia; polis= cidade; politeía= democracia também para Aristóteles, que poderia se corromper em demagogia; polites= cidadão; realismo= tese de Aristóteles oposta a de Platão, ou seja, de que o visível é real; sofocracia= em Platão a governo dos sábios; teoria= hipótese dedutível; teorético= perícia. Na âmbito da filosofia da educação temos paideía, paideia em português, instrução.

José Coutinho de Oliveira