Artigos sobre a Revolução de 1932 repercutem na região
Revolução C0nstitucionalista de 1932 estudada na região
Os artigos do professor Carlos Carvalho Cavalheiro sobre a participação de Porto Feliz na Revolução Constitucionalista de 1932, publicados pelo jornal eletrônico ROL – Região On Line e pelo jornal impresso ‘Tribuna das Monções’, de Porto Feliz, repercutiram na região.
Devido a isso, o professor Carlos Cavalheiro recebeu um diploma de ‘Colaborador Emérito do Núcleo MMDC’ de Itapetininga Setor SUL (foto).
Os artigos repercutiram pelo fato de que a história da Revolução Constitucionalista nas cidades ainda ser um assunto pouco estudado, conforme salientou o professor e historiador Jefferson Biajone.
Segundo o pr0fessor e historiador Carlos Cavalheiro, “muitos fatos relacionados à Revolução de 32 nas cidades do interior ainda suscitam pesquisas mais aprofundadas e a recuperação dessas histórias alicerçam a memória das cidades”.
Segundo Jefferson Biajone, um dos maiores especialistas sobre a Revolução Constitucionalista de 32, professor da Fatec de Itapetininga, membro da Academia Itapetiningana de Letras e confrade do IHGGI – Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Itapetininga, “o artigo do professor Carlos Cavalheiro mostra que “Porto Feliz presente esteve na RC32 com os melhores de seus filhos alistados no Exército Constitucionalista do Setor Sul, os quais tiveram seu batismo de fogo neste setor”. E encerra cumprimentando o historiador Carlos Cavalheiro “pelo ensaio e em frente para a vitória!”.
Para o presidente do IHGGI, jornalista Helio Rubens, editor do jornal eletrônico ROL – REGIÃO ON LINE, o artigo de Carlos Cavalheiro abriu a possibilidade – incentivada pelo seu instituto! – de professores, historiadores, jornalistas e outros estudiosos estudarem os fatos relacionados à Revolução de 32 ocorridos em em outras cidades da região: “Em Buri, Capão Bonito, Itapetininga e em outras cidades da região ocorreram cenas importantes no campo de luta e foram palco de muita ações heroicas dos paulistas e fatos esses precisam ser registrados, enfatizou, lembrando ainda que “o nosso jornal ROL está com portas abertas para a publicação de artigos relacionados à Revolução Constitucionalista”.
Sônyah Moreira: 'Feminismo x Machismo'
Sonia Moreira
Sônyah Moreira – sonyah.moreira@gmail.com – ‘Feminismo x Machismo’
Esses estereótipos que aparecem no decorrer da história da humanidade chegam a um ponto insuportável, e se lembrarmos da dita conquista da liberdade feminina, tenho vontade de morrer. Veja com a invenção da pílula anticoncepcional a mulher conseguiu o grande feito do controle da natalidade, o poder sobre o corpo, isso foi legal, mas com isso veio outras tantas baboseiras e com isso que pensam terem conquistado liberdade, independência e por ai a fora. Calma! Não sou contra a igualdade dos sexos, afinal somos iguais intelectualmente falando, porém com enormes diferenças entre homens e mulheres. Conquistamos muito que para algumas pessoas eram coisas ou obrigações do universo masculino, podemos agora sair para trabalhar, tudo bem que ganhamos em média 30% a menos que o homem e detalhe desempenhando a mesma função, votar, sentar em uma mesa de bar e beber sozinha, ah! Algumas mulheres têm relacionamento com vários parceiros, porém, nesse item me parece não tem avanço continua igual ao século XIX, como dizia minha avó, moça direita não pode ser falada, e o mais estranho e que isso se percebe entre os mais jovens, está igualzinho sem tirar nem por como no século retrasado. Digo feminismo exacerbado, pois, com toda a conquista veio algumas perdas, cavalheirismo acabou, outro dia em um comércio de materiais para construção, passou por mim um casal, a moça voltou e pegou uma peça de piso enorme na mão e perguntou ao rapaz e esse? Ele olhou e disse é acho que sim, e saiu, ela olhou e disse pensei que fosse me ajudar? Ajudar? Vocês pediram igualdade! Nossa que grosso, pensei comigo. Percebeu como perdemos muito, em primeiro lugar não seremos nunca iguais a um homem, e nem precisamos, nós temos o dom maravilhoso de dar vida ao um novo ser, conseguimos usar o coração na maioria das nossas decisões, fazemos milhões de coisas ao mesmo tempo e provocamos uma DR sem igual e isso enquanto lavamos ou cozinhamos. É mas as conquistas foram boas, tem uma parte das mulheres que acham não precisar mais ser femininas, agora ficou feio saber costurar, bordar, tricotar, crochetar,é a modernidade. Os netos de hoje não poderão desfrutar de um cachecol feito a mão pela vovó, isso da saudade, dos bolinhos de chuva com bastante açúcar. Será que o feminismo quer que apareça um ser assexuado, sem ser feminino nem masculino?Para que tanta igualdade?Não há necessidade de competição, a chamada guerra dos sexos. Podemos ser homem e mulher cada um no seu papel divino, seres humanos simples mortais, o divino feminino e o divino masculino, o ser completo, sem feminismo e sem machismo.
Podemos ser aquele complexo ser duas metades o côncavo e convexo, que se encaixam perfeitamente, os seres divinos como nós, criaturas feitas imagem e semelhança de seu criador não precisa de diferenças, vamos caminhar juntos desempenhando nossos papéis.
E cavalheirismo é educação, gentileza é requisito básico e independente de sexo, podemos sempre ajudar semelhante, ou com ações ou com palavras de ternura e carinho.
Feminismo ou machismo somente nos enfraquece como seres humanos, guerras, disputas e cobranças não nos levarão a lugar algum, com isso nos distanciam cada vez mais do objetivo comum, que é ser feliz e fazer feliz quem estiver ao nosso lado, independente de opções sexuais, sejamos apenas a metade de alguma coisa, que com outra se completa, uno com o divino.
Sônyah Moreira – sonyah.moreira@gmail.com
Pedro Novaes: 'Jornais de Outrora'
Pedro Israel Novaes de Almeida – JORNAIS DE OUTRORA
Pedro Novaes
Os jornais de outrora são inesquecíveis.
O envio, hoje realizado pela internet, era feito pela colagem do material datilografado em grande papel branco, levado pessoalmente à gráfica. Articulistas, forçosamente datilógrafos, eram fregueses contumazes dos aparelhos de fax da região.
Ao traduzir o texto do fax ao papel branco, funcionários, não raro, e sempre inadvertidamente, acabavam trocando ou omitindo palavras. Autores tinham grandes dificuldades em explicar que Deus não é mau, e o bandido nem sempre é bom.
A coluna social era intensamente vigiada, para evitar comentários que podiam gerar confusão, bem como fotos em que apareciam, em destaque, autoridades e respectivas amantes.
A coluna policial não tinha as frescuras de hoje, em que o cidadão preso em fragrante, réu confesso, deve ser nominado simplesmente como “suspeito”.
Na parte dos esportes, as derrotas da equipe local acabavam sempre creditadas a erros de arbitragem ou má fase. As cartas à redação eram publicadas quando não quilométricas.
Era preciso verificar se tais cartas eram de fato manifestações espontâneas ou mensagem encomendada pelo elogiado. Erros de português eram consertados, quando possível avaliar a mensagem enviada.
Colaboradores não se cansavam de enviar artigos, alguns maravilhosos e outros sofríveis. A recusa na publicação de algum artigo podia significar a perda de um leitor, até mesmo anunciante.
Nas redações, o ambiente era de correria e camaradagem, e todos, com raras exceções, viviam em virtuosa pobreza. Quando do fechamento da edição, não faltava algum curioso para a elaboração do horóscopo.
Os proprietários de jornais das pequenas e médias cidades pareciam andar uniformizados: um surrado paletó, um carro quase aposentado, papel e caneta. Ainda hoje, o responsável pela coluna social, ou política, é a chave do sucesso de jantares e promoções do jornal.
Naquele tempo, havia a convivência pacífica entre adeptos de diferentes ideologias, e hoje notamos a crescente partidarização das redações, com enorme perda de qualidade e confiabilidade da publicação.
A partidarização é uma ameaça constante a rádios, TVs locais e jornais, iludindo leitores, autores e anunciantes, até ganharem a fama de “parciais”, caminho certo ao descrédito e até encerramento de atividades.
As redações são ambiente estressados e felizes. Continuem !
O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.
José Coutinho de Oliveira: 'Essência no catolicismo'
José Coutinho de Oliveira: Nobilística
Como fruto das pesquisas feitas por causa do nosso programa na rádio AM de Apiaí, que já acabou : “Pedagogia para o futuro” surgiram três importantes características da igreja católica. Descobrimos então que a Igreja católica é a favor da união com o Estado, o chamado Estado confessional como era no império. Leão XIII e São Pio X publicaram encíclicas defendendo aquela união. Hoje vemos que no Estado laico o que existe é a prática do relativismo, a equiparação das opiniões. A Igreja católica é contra esse relativismo pois crê que suas propostas se baseiam em dois mil anos de história, a 1ª comunhão facultativa, por exemplo, se baseia num pensamento de Sto. Agostinho, o último dos antigos e o primeiro dos modernos: “Eu posso obrigar alguém a comungar mas não a crer”. Outra luta da igreja é contra o aborto. O relativismo quer iludir-se de que a verdade não está ao nosso alcance, o que não deixa de ser um agnosticismo, um agnosticismo que leva a considerar a fé como descartável. Outro princípio defendido pela Igreja Católica é o da “subsidiariedade do Estado” eu particularmente chamo de “coadjuvância”, ou seja, o Estado deve deixar à iniciativa privada as atividades que ela sabe melhor desempenhar, ou seja, produzir. Isto não quer dizer contudo, Estado zero. Podemos confirmar essa informação na encíclica “Quadragesimo anno” de 15/5/1931 do Papa Pio XI. Essa encíclica comemora os 40 anos da encíclica ” Rerum novarum” de Leão XIII, carta magna da doutrina social da igreja católica. Outro princípio é a defesa da necessidade da seleção para a ocupação dos cargos, ou seja, a Igreja crê que alguns nascem mais aptos a funções mais complexas. Baseia-se a igreja nesse ponto em São Tomás: “Nos seres naturais vemos que as espécies são gradativamente ordenadas; assim, os compostos são mais perfeitos do que os elementos, as plantas do que os minerais, os animais do que as plantas, as plantas do que os minerais; e em cada uma dessas classes encontram-se espécies mais perfeitas do que as outras. Sendo, pois a divina sabedoria a causa da distinção das coisas para a perfeição do universo, também será causa da sua desigualdade.. Pois não seria perfeito o universo se nas coisas só se encontrasse um grau de bondade.” Suma Teológica I, q 47, a.2.
Estudantes conhecem um pouco da História de Porto Feliz
Os estudantes dos 8ºs anos de EMEF Coronel Esmédio tiveram uma experiência enriquecedora: puderam compartilhar da experiência, das lembranças e das informações de pessoas ligadas a entidades próximas à unidade escolar
Carlos Cavalheiro Foto André Pinto 26.03.2016
Com o objetivo de produzir conhecimento para subsidiar as redações da Olimpíada de Língua Portuguesa, os professores Carlos Carvalho Cavalheiro (História) e Fabiana Gutierrez Ruiz de Almeida criaram o projeto “Memórias do entorno”.
Os estudantes foram instados a entrevistar moradores, comerciantes, diretores de clubes, maestros de Bandas entre outros, e o resultado desse trabalho foi a produção de pequenos vídeos-documentários.
Os entrevistados foram: Jorge Savioli, diretor do Esporte Clube União; Jorge Brasílio, proprietário do Bar do Jorge; Márcia Castelucci, Diácono Silvio Buzzo e Mara, da Irmandade de São Benedito; o diretor financeiro do Esporte Clube Operário Araritaguaba; os Maestros Ricardo de Macedo Ghiraldi (Banda Bandeirantes) e Joelson dos Santos Gomes (Banda União); Márcia Castelucci, proprietária do Antiquário Monções; José Dumont, proprietário do Armazém São Judas Tadeu; os proprietários do restaurante Belini e Ivan Sampaio do GRES Acadêmicos da Barra.
O projeto iniciou-se em abril deste ano e durante todo o primeiro semestre ocorreram as entrevistas.
Utilizando os recursos da sala de informática da escola ou recursos próprios os estudantes editaram as entrevistas e transformaram em vídeos curtos.
Com isso, o conhecimento das memórias do entorno da escola – que se localiza na região central da cidade – puderam ser compartilhadas entre os estudantes, reforçando o vínculo com a comunidade e permitindo o florescimento do sentimento de cidadania e de pertencimento comunitário.
As informações coletadas serviram ainda de subsídio para a composição de textos que concorrem dentro da Olimpíada de Língua Portuguesa.
Cine Clube de Itapetininga apresentará o filme 'AUGUSTINE'
DOMINGO, 16 de outubro às 15h30 em ponto será a exibição do filme ‘AUGUSTINE’
A apresentação será no Cine Janelas, anexo ao Posto de Saúde Dr. Genefredo Monteiro, Auditório Abilio Victor, Praça 9 de Julho, 518, Centro de Itapetininga.
Liberado para maiores de 16 anos.
Entrada gratuita.
Augustine: Histeria e paixão, comentário de Cloves Geraldo. Os primórdios das pesquisas sobre a histeria são o esteio da narrativa deste filme de estréia da cineasta francesa Alice Winocour. O uso do som neste “Augustine” contribui para o entendimento da doença que acomete a garçonete de 19 anos. É como se o espectador, neste filme de estréia da cineasta francesa Alice Winocour, escutasse seu debater interior enquanto ela se contorce perante clientes do restaurante ou os médicos que a tratam no Hospital Pitié Salpêtriere, em Paris. É este som que irá explicitar sua relação com o neurologista Jean-Martin Charcot (1825/1893) e oscilar entre suas convulsões e a manipulação, mostrando tênue linha divisória entre o real e o encenado. http://vermelho.org.br/coluna.php?id_coluna_texto=5379&id_coluna=13
Lugar: França. Tempo: final do século XIX. Eis a jovem empregada doméstica, Augustine (Soko), têm um intenso ataque – que consiste em ir ao chão se debatendo – enquanto serve em um jantar na casa de seus patrões. Em seguida, acompanhamos ela ser levada pela prima a um hospital local para ser avaliada. Sem muitas explicações, o médico do plantão afirma que a moça precisa ficar internada para alguns exames mais específicos. Um pouco mais a frente descobrimos que a instituição onde Augustine se tornou paciente não é um simples hospital, mas uma espécie de sanatório de responsabilidade do professor Jean-Martin Charcot (Vincent Lindon). A enxuta abertura de Augustine citada nesse primeiro parágrafo remonta um passado distante sobre Charcot, pioneiro nos estudos neurológicos, e sua paciente mais famosa, Augustine. http://www.cinemadetalhado.com.br/2013/07/resenha-de-filme-augustine.html
Após a exibição, será sorteado um livro e haverá conversar a respeito do conteúdo do filme.
Reserva com Angelo Lourival Ricchetti pelo fone 15 3272 7525, pelo celular e whatsup 15 9 9171 7672 e e-mail aricchetti@yahoo.com Facebook Angelo Lourival Ricchetti
Angelo Lourival Ricchetti: Continuação do livro que conta a história de uma família, desde 1400 até 2023. Ficção com base em documentos e narrativas de pessoas reais
Angelo Lourival Ricchetti: Continuação do livro ‘DA ARTE DE SE CRIAR PONTES’
(primeiras partes já publicadas: http://www.jornalrol.com.br/angelo-lourival-ricchetti-primeira-parte-de-um-livro-que-conta-a-historia-de-uma-familia-desde-1400-ate-2023-ficcao-com-base-em-documentos-e-narrativas-de-pessoas-rais/)
(continuação)
– Tudo bem, vô, é um reforço para minha aprendizagem.
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A minha prima Laura entra na sala e traz correspondência para o Lolou.
– Vô tem um formulário aqui para seu preenchimento e tenho de devolver para o moço da Prefeitura de
Itapetininga que trouxe.
– Me deixa ver.
Ele pega da mão da neta, olha, abre um sorriso:
– Pode deixar Laura que vou lá fora com ele para preencher.
O Lolou sai. Olho aquela prima artista e pergunto o que é esse formulário.
– As pessoas que moram aqui em Itapelinda tem um dia agendado para fazer a medição na Secretaria de Saúde
da Prefeitura para avaliar o seu nível de saúde. Depois o vô conta mais para você.
– Mas porque isso não é feito por meio da rede social da Prefeitura de Itapetininga?
– Nem todo mundo usa Internet. Ou porque são velhos demais para isso ou porque são analfabetos digitais.
Fico pensando o que será isso. Será que meu vô está com alguma doença grave. Creio que ela percebe que não
estou satisfeito com a resposta e continua.
– Eu também tenho o meu dia para isso. Você também devia ter, mas agora mora em São Paulo…
Ela dá um sorriso meio triste meio alegre e sai. Que Itapelinda é essa que eu não conheço mais?
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(Capítulo segundo)
Abro no computador do Lolou agora vários textos do pai dele Uth Ricchetti. O primeiro tem como título
“Prólogo” e me parece que deve ter sido escrito pelo próprio Lolou Ricchetti.
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Prólogo – Imaginando…
A banda, com a regência do maestro Angelo Ricchetti, no coreto no centro do jardim principal de São Manuel,
Estado de São Paulo, Brasil, termina a valsa Danúbio Azul e a criançada que roda em volta do coreto no
compasso da valsa, vai ao encontro de seus familiares sentados nos bancos ao redor do coreto.
Uma jovem chega apressada, quase sem fôlego: Pai, pai, nasceu! É um bambino! O maestro abre um meio
sorriso e bate com a batuta no suporte onde jaz a partitura:
– Senhores músicos, minha filha Linda diz que meu novo filho é nascido! Mas vamos continuar a alegrar os
adultos e crianças aqui com nossa música!
Os músicos aprontam seus instrumentos, sorrindo e se entreolhando.
Angelo Ricchetti, empunhando a batuta vai se lembrando dos filhos todos e agora mais este. Desde a Itália, das
várias viagens, indo e voltando, a primeira vez, sozinho, depois trazendo a esposa e filha Linda, levando
Henrique, o primeiro filho macho a conhecer sua terra, trazendo os instrumentos musicais, formando esta
banda, trazendo música para os italianos desta terra.
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Agora localizo no computador do vô Lolou um conjunto sequencial de textos do Uth Ricchetti.
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(Primeiro texto do Uth Ricchetti).
Eu, Uth Ricchetti, nascido no dia 11 de outubro de 1911 em São Manuel. No exato momento em que eu vinha
ao mundo, meu pai, que era maestro, estava ensaiando a primeira banda de minha terra natal. Foi o meu
nascimento na Rua 15 de novembro, nº 112 (hoje a casa foi demolida e em seu lugar há um grande
supermercado). Meu pai chamava-se Angelo Ricchetti – o maestro como era conhecido. Foi também jornalista,
sendo diretor-gerente do jornal “O Movimento”. Minha mãe era de prendas domesticas como se falava
naqueles tempos. Minha Santa Mãe chamava-se Maria Joana, Teve seis filhos: – Linda, nascida na Itália,
Henrique, Fausto, Helena, Hermínio e eu, o caçula de todos. Os cinco samanuelenses.
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Volto no dia seguinte e espero por Lolou. Ele chega de sua caminhada matinal e deita-se na cama ao lado do
computador. Abro o arquivo e pergunto como ele sabe sobre esse coreto e esse nascimento.
Ele informa que sempre as crianças e os pais e parentes, bem como as bandas de música, eram assim. Conclui:
– Quer dizer, ao menos eu me lembro de mim desde muito cedo pulando ao redor do coreto enquanto a banda
tocava. Também me lembro de quando saia de São Paulo Capital e vinha visitar meus pais, de ver as crianças,
famílias, bandas agindo dessa forma. Talvez até hoje seja assim.
– Então você inventou essa cena! Como poderia saber desse fato depois do nascimento e como realmente
aconteceu?
Meu vô dá um sorriso maroto:
– Deve ter sido assim mesmo como eu imaginei. Ou você acredita que a verdade não pode ser inventada? (Fico
sem graça) Se é para inventar então vamos inventar só o que foi bom, vamos esquecer tudo de mal que
aconteceu.
– Esconder as ruindades? Eu pergunto irritado. Nada disso, me conte tudo sem esconder nada! Meu avô larga o
corpo no sofá:
– Que seja então! Mas que ninguém fique sabendo. Olhe lá! E, por falar nisso, quem disse que você pode ficar
lendo os arquivos do meu pai?
– Você pediu para eu organizar seus velhos arquivos. Como posso fazer isso sem ler ou ver?
– Como assim sem ver?
Explico para ele que há muitas fotos bem interessantes e garanto que ninguém mais vai ver esses textos e fotos.
– Certo! Mas eu não quero que ninguém mais leia!
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Meu avô está com 83 anos e eu faço 21 anos daqui a pouco. Ele deve saber mesmo das coisas mais do que eu.
Deve saber que eu o respeito muito, embora discorde muito dele em certas coisas.
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De repente faço uma descoberta extraordinária:
– Essa noite de 11 de outubro de 1911 foi também quando tudo começou para mim!
Meu avô franze a testa:
– Como assim?
– Se meu bisavô não tivesse nascido seus filhos, seu pai, você mesmo também não teriam nascido. Muito menos
minha mãe, sua filha e, portanto, eu!
Lolou dá uma risada e me dá um tapa na minha cabeça:
– Imagine então o seu tataravô Angelo Ricchetti e antes dele outros Ricchetti se não tivessem nascido! Deixa de
graça! Continue vendo os textos do meu pai Uth, se quiser.
– Que nome estranho, eu digo, nunca encontrei alguém com esse nome. Vô me conta porque o maestro colocou
no seu filho esse nome.
– Esse é o nome arcaico da nota dó, de dó, ré, mi, etc. Cada nota representava pelo monge beneditino francês
chamado Guido de Arezzo, nascido nos fins do século X, que aproveitou um hino cantado em louvor a São
João Batista.
Em suas estrofes eram cantados os seguintes versos em latim: