Saiu na TV TEM: 'Professores do Ceprom param aulas após negociação em Itapetininga'

Centro pagava R$ 24 por hora/aula e nova proposta é de R$ 12, diz grupo. Prefeitura afirma que se reunirá com responsáveis para aulas retomarem.

As aulas do Centro Profissionalizante Municipal (Ceprom) em Itapetininga (SP) foram paralisadas nesta segunda-feira (3) devido a negociações entre a direção do Centro e os professores. Segundo os docentes, a equipe recebia R$ 24 por hora/aula, mas a direção do Centro abriu uma licitação em que oferece R$ 12 pela hora/aula para a contratação dos mesmos ou novos professores.

De acordo com a prefeitura, a Secretaria da Educação deve fazer uma reunião com os responsáveis para as adequações às necessidades do Ceprom. O Executivo diz ainda que não houve dispensa ou demissão dos professores e que não há data definida para assinatura do contrato entre as partes.

Enquanto professores e a direção não se entendem, o Ceprom ficou estagnado nesta segunda-feira. No prédio houve pouca movimentação e a única aula dada foi de informática.

Atualmente, na unidade são oferecidos 20 cursos de graça, ao todo são 17 instrutores. As aulas funcionam em três períodos. São cursos técnicos como eletricidade, costura industrial, mecânica, entre outros. Muitas aulas têm parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

O diretor do Ceprom, Edno Antunes, justifica: “Hoje não está tendo aula, os instrutores que a gente conversou no sábado [1°] estão retornando a partir de amanhã [terça-feira, 4] para ver se melhora esse valor de remuneração e para ver se as coisas voltam a normalizar”, diz.

Para alguns alunos, os novos valores oferecidos pelo Centro podem comprometer a qualidade do ensino. “A gente está naquela ansiedade, não sabe quando vai ter, não existe uma ligação falando quando vai ter. A gente está à mercer, não sabe o que vai acontecer”, completa o estudante Aureo Danúbio.

Carteiras ficaram vazias devido à negociação entre Ceprom e professores (Foto: Reprodução/ TV TEM)
Carteiras ficaram vazias devido à negociação entre Ceprom e professores (Foto: Reprodução/ TV TEM)



Pedro Novaes: 'Fundo do Poço'

Pedro Israel Novaes de Almeida – FUNDO DO POÇO

 

colunista do ROL
Pedro Novaes

O país passa por uma de suas piores crises.

O desemprego e a desconfiança constituem as faces mais angustiantes de nossa situação. Doze milhões de desempregados, considerando apenas os que procuram e não encontram empregos !

O desemprego é desesperador, afetando o ambiente familiar e o próprio circulo de amizades. A sociedade, e muitas vezes a própria família, costuma desvalorizar e evitar o desempregado, e dizem que até o cachorro da casa começa a latir para ele.

Os governos, federal, estadual e municipal, por razões que vão da queda da arrecadação a gestões irresponsáveis, até corruptas, começam a atrasar salários e pagamentos a fornecedores, além de congelar investimentos e tornar precários os serviços públicos.

A menor demanda de produtos contraiu indústrias e comércios, diminuindo o número de empregos formais. Os investimentos, consequências diretas da capacidade de consumo e confiança, ruíram a níveis catastróficos.

Nos supermercados, a qualidade dos produtos passou a ser aspecto supérfluo, sobrepujada, como nunca, pelo preço. Carne moída, ovos, miúdos, frango, suínos e linguiça marcam presença na dieta nacional.

Garis atestam a crise pela diminuição dos resíduos, e solas de sapato vendem mais que combustíveis. Cachorros experimentam rações venezuelanas, empacotadas no Paraguai.

Estudiosos de todo o mundo atestam que o desemprego só começará a ceder em meados de 2017, com o restabelecimento gradativo da produção e comércio, além da retomada dos investimentos.

Com a retração da construção civil, coube à agricultura manter o nível de emprego, logo ela, responsável por expressiva parcela de nossas exportações.

O desemprego torna precárias as relações de trabalho, e os que perdem um emprego tentam outro com menor salário. A inadimplência cresce a níveis estratosféricos, atingindo até contas de água e luz.

Os que mantiveram os empregos cortam gastos e investimentos, temendo ser atingidos pela crise, e escolas públicas recebem legiões de estudantes que frequentavam escolas particulares.

Coroando a situação, os brasileiros demonstram profundo descrédito em instituições, políticos e partidos, como diagnosticado, em letras garrafais, nas urnas de 2016.

Vereadores recém eleitos terão, como prioridade, obrigar prefeitos ao trato responsável do erário, suprimindo gastos supérfluos, reduzindo o número de comissionados e contemplando, a cada centavo, o alívio de alguma necessidade mais urgente da população.

Aprenderemos a cidadania e responsabilidade à medida em que nos aproximarmos do fundo do poço. A solidariedade, contudo, já pode ser exercitada, ajudando os patrícios vítimas de nosso desastre.

pedroinovaes@uol.com.br

O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.




Angelo Lourival Ricchetti: Partes I e II de um livro que conta a história de uma família desde 1400 até 2023. Ficção com base em documentos e narrativas de pessoas rais

angelo-a-08-de-agosto-de-2016-1NOTA DO EDITOR: é com grande satisfação que apresento um novo clunista do nosso jornal. É o ANGELO LOURIVAL RICCHETTI, nascido em São Manuel/SP. Começou como office boy da Mesbla, trabalhou como Técnico da Reforma do Estado no Governo Paulista de 1975 até 2000 e como Assessor Técnico de Gabinete da Casa Civil de São Paulo, de 2000 até 2010.  Participou da primeira escola livre em cinema criada por Assis Chateaubriand em 1958. Concluiu o curso de graduação em Administração Pública em 1974, pela Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo SP. Cursou a disciplina Dramaturgia com bolsa da Secretaria de Estado da Cultura do Governo do Estado de São Paulo no ano de 1998. Atualmente coordena o Cine Clube de Itapetininga e o Grupo de Estudos sobre a Complexidade, ambos do Instituto Julio Prestes, de Itapetininga. É membro da Academia Itapetiningana de Letras e coordena o projeto ‘Literatura Viva’– Oficinas para escritores iniciantes, projeto realizado em parceria com a Secretaria de Cultura e Turismo de Itapetininga e a Academia Itapetiningana de Letras. É também membro dos clubes de leitura ‘Leia Mulheres’ e ‘Clube do Livro’. Está publicando o seu quarto livro: ‘Da arte de se criar pontes’, um romance sobre uma família desde 1400 a 2023, obra de ficção. É membro do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Itapetininga.

Do que se trata esta obra de ficção? Ela foi escrita com base em dados e informações de muitas pessoas e dados colhidos em páginas da Internet. Narra a vida de uma família desde 1400 até o ano de 2023, conforme os dados foram sendo encontrados e aproveitados para a escrita de ficção, bem como acontecimentos possíveis ou imaginados em algumas cidades.

Link de acesso: https://www.facebook.com/artedesecriarpontes/

DA ARTE DE SE CRIAR PONTES – PARTES I e II

Obra de ficção com base em textos escritos por Uth com a ajuda da sua esposa Lucila de Campos Mello Ricchetti

Por Kainã Ricchetti e comentários de Lolou Ricchetti

(foto do Uth e Lucia)

– O que me reserva o destino? Perguntei a mim mesmo.

– Destino não existe! São suas ações que criam o seu viver e o da humanidade. Respondeu o meu lado oculto.

– Existem, porém, os acasos… E as necessidades… Respondo apreensivo.

 

Capítulo primeiro

– Vô Lolou, o que são esses textos nesses arquivos?

Ele me olha bem nos olhos e não responde.

Fica pensativo e depois me diz que são fatos e observações do meu bisavô, pai dele e não gostaria de falar disso.

Eu me chateio, por ser muito curioso.

Faço um trato com ele: se me deixar ler prometo que não conto para ninguém. Ele dá uma gargalhada:

– Duvido muito. Perceba que já tem muita coisa escrita no mundo todas as horas. Para que escrever mais? Estes textos são pessoais, dos meus pais que já morreram. Se for contar para alguém pense bem. Fale antes comigo.

Ele está mentindo, eu sei. Há textos, fotos, arquivos, músicas dele e não apenas do pai dele, todos esses arquivos digitais, sem ordem alguma no muito velho computador dele.

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Assim, por várias vezes, enquanto não volto para as aulas na Faculdade de Arquitetura na capital do Estado, São Paulo, eu me encontro com meu vô Lolou para ler os arquivos, ver as fotos e, de vez em quando, ele me revelar os segredos desses arquivos.

Com o consentimento dele vou gravando e copiando aqui no meu micro computador. Este equipamento grava voz e transforma em texto, mas sempre preciso revisar, pois algumas palavras falham.

Não sei por que comecei isso tudo. Deve ser mera curiosidade.

Mas tem uma coisa que é um absurdo! Estamos em 2023 e meu avô usa um computador antigo. Agora que a tecnologia de informação cabe em qualquer mini objeto, por meio de chips e programas, eu não entendo a paixão dele por essa velha máquina de 1990.

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Embora seja inverno, o dia está claro, agradável. Itapetininga sempre foi uma região mais fria do sudoeste do Estado de São Paulo. Como é uma cidade com certo encanto para os que nasceram aqui ou moram aqui, ganhou o apelido de “Itapelinda”.

Chego à casa de Lolou e está junto dele a minha prima Laura mostrando a sua última pintura. Fico admirando e reconheço que ela é uma excelente pintora. Primeiro ela pinta em tela e depois usa o meio digital para fazer lindas imagens a cores.

Nesta pintura ela retrata a cores muito vivas o rosto do vô Lolou, um senhor velho é verdade, de mais de oitenta anos, porém cheio de vida nesses olhinhos azuis na pele clara do rosto que tudo enxergam e nunca param. Meu avô é baixinho e meio gordinho. Sou fisicamente diferente dele, Moreno, magro, mais alto. Não encontrei muitos parentes nossos que fossem como ele é.

Laura está com 16 anos. Lembro-me dela quando ela era bem criança e as pessoas tinham o costume de perguntar:

– O que você vai ser quando crescer? Ela respondia, com orgulho:

– Eu já sou uma artista!

Depois sua mãe, minha tia Amanda, disse que artista só depois que morria ganhava dinheiro. Que largasse mão de se pensar como artista.

Por um tempo a Laura não quis mais se julgar artista. Mas depois compreendeu que alguns artistas ganhavam um bom dinheiro ainda em vida.

Deixo de olhar a tela do micro computador de Laura para apreciar a entrada no quarto do vô Lolou de Mariana, minha outra prima, muito linda, modelo fotográfico de várias agências internacionais, com esse rosto e esse corpo maravilhoso, e com apenas 20 anos. Ela vem avisar:

– Vô não se esqueça de que tem que estar às nove da noite na inauguração do novo Centro de Descondicionamento Alimentar!

Acho estranho isso. Pergunto a ela o que é isso.

– É um local da Prefeitura Municipal de Itapelinda e das Ongs (Organizações Não Governamentais) para que as pessoas troquem sua alimentação por outra mais saudável e também aprendam a se socializar mais.

– Mas a prefeitura não usa meios digitais para isso?

Lolou responde rapidamente:

– Mesmo sendo tudo digital ainda a presença física, e até por isso, ela é muito valiosa e apreciada.

Acho muito diferente de tudo que sei sobre prefeituras, em especial as do Estado de São Paulo, Brasil. Tento saber mais.

– Mas que projeto é esse? Somente para os velhos? Vovô está com problemas?

Lolou dá uma gargalhada enquanto Mariana explica.

– Todas as pessoas de todas as idades podem frequentar. Depois eu mostro para você isso. Você fica longe de Itapetininga, é isso que acontece, não sabe mais nada.

Mariana é uma das moças mais lindas que conheço. Ela me dá um beijo no rosto:

– Kainã tenho de sair. Vou experimentar as roupas e sapatos para o desfile de moda da semana quem vem.

Pergunto onde vai ser. Ela dá uma risadinha:

– Roma, para o papa!

Não sei se Mariana está brincando comigo. De fato ela tem apartamento lá.

Ela sai enquanto admiro a beleza do corpo dessa prima. Puxo conversa com Laura, aqui do meu lado.

– Sempre pintando?

– Você gostou da minha nova pintura?

– Gostei sim, Laura, é bem bonita. Ela sorri me dá um beijo na testa e também sai. Fico sozinho com o vô.

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Vovô Lolou me mostra vários arquivos de pessoas com sobrenome similar a Ricchetti que ele encontrou pela Internet.

– Estes são Riquetti nobres inclusive com brasões para os quais há links. Primeiro são as Maison (Casas), veja algumas:

Comte de Caraman, puis Comte Caraman et Baron de Caramant et Pair de France, puis Marquis de Caraman et Pair de France, puis Duc de Caraman et Pair de France, Victor Marie Joseph Louis de Riquet (1786-1837), Baron de Riquet et de l’Empire, Maurice Gabriel Joseph de Riquet (1765-1835), Comte de Caraman, Baron de Riquet et de l’Empire, François Joseph Philippe de Riquet (1771-1842), Prince de Chimay, Joseph Marie Guy Henri Philippe de Riquet (1836-1892), Prince de Chimay, Prince de Caraman, Grand d’Espagne, Ministre belge, Victor Riquetti (1715-1789), Marquis de Mirabeau, Economiste, Gabriel Honoré Riquetti (1749-1791), Marquis de Mirabeau, Homme politique, Boniface Riquetti (1754-1792), Marquis de Mirabeau, Homme politique et militaire.

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Vô Lolou me diz que é citado o Canal Du Midi, uma obra que deu o título de nobre ao autor. Esse canal, inaugurado em 1861, por meio de ligações entre vários rios e lagos, fez surgir uma estrada aquática entre o cento da França e os portos de mar. Representou a possibilidade de escoamento das safras pelos agricultores. Atualmente serve também com uma estada aquática para turismo.

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Lolou abre arquivos sobre a Itália e os da Famiglia Ricchetti e assemelhados, quanto ao sobrenome, que varia muito conforme as fontes, sendo o primeiro arquivo o de um Ricchetti de família judia:

“Joseph Shalit ben Eliezer Riqueti (Richetti) was a Jewish-Italian scholar born at Safed, and who lived in the second half of the 17th century at Verona, where he directed a Talmudical school. He was the author of Ḥokmat ha-Mishkan or Iggeret Meleket ha-Mishkan (Mantua, 1676), on the construction of the First Temple. He also published a map of Palestine which Zunz supposes to have been prepared as one of the illustrations of a Passover Haggadah.

Besides his own works Joseph edited Ḥibbur Ma’asiyyot (Venice, 1646), a collection of moral tales, and Gershon ben Asher’s Yiḥus ha-Ẓaddiḳim, to which he added notes of his own (Mantua, 1676). He is possibly the earliest author to mention the Midrash ha-Gadol, although it is not clear whether he was referring to the Yemenite work currently known by that title.”

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Ainda sobre a questão de serem os Ricchetti de origem judaica, ele mostra uma notícia:

“Elia Enrico Richetti Elia Enrico Richetti Rav Elia Enrico Richetti è nato a Milano il 6 giugno 1950. Dopo aver conseguito la Maturità classica presso le Scuole della Comunità Ebraica di Milano, si è iscritto alla facoltà di Lingue e Letterature Straniere presso l’Università degli Studi di Milano (mai completata) e, lavorando come ufficiante di culto presso la Sinagoga Centrale di Milano e funzionario dell’Ufficio Rabbinico, ha preparato in due anni, privatamente, l’esame di quarto anno del Collegio Rabbinico Italiano (Roma), e lo ha superato con la media del 9,5/10…”.

Ha pubblicato articoli su diversi giornali e periodici, ebraici e non ebraici, italiani; è autore di un saggio su “Le Mitzwòt al femminile” (1993), nonché di qualche breve studio su “La Rassegna Mensile di Israel”. Ha curato e cura l’edizione di formulari liturgici ebraici, ed ha in corso di stampa una sua traduzione annotata del trattato “Sanhedrìn” della Mishnà.

Appassionato cantore di liturgia ebraica, è esperto nei riti di diverse Comunità ebraiche in Italia, di alcune delle quali sta registrando e preservando i canti.

È attualmente Rabbino della Sinagoga di Via Eupili a Milano, e collabora con le case editrici che si occupano di editoria ebraica.

(cópia de notícia de jornal reproduzida da Internet em fevereiro de 2014)

Lolou diz mais:

– Este rabino foi o chefe da Comunidade dos rabinos na Itália em 2014, se não me engano.

E por falar de judeus também tinha um recorte de notícia dizendo sobre os túmulos dos judeus mortos pelos nazistas na Segunda Grande Guerra Mundial. Um deles, na Hungria, dizia “Família Ricchetti”, mas com a bagunça que ficou aqui no meu computador, eu não encontro.

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Enquanto ele mostra essas antiguidades eu não consigo esquecer o que a Mariana falou sobre um tal centro.

– Lolou me fale mais sobre esse tal de Centro. Depois você me mostra essas coisas velhas ai.

– Depois, depois… Primeiro vamos ver o passado, antes que eu morra e tudo isso suma!

Dou uma risada alta porque ele é velho, é verdade, mas se tem a impressão que é um ser imortal, pela saúde e comportamento.

– Mas você é imortal meu vovô!

– Sou imortal por ser sócio da Academia Itapetiningana de Letras. Sou imortal na memória, ao menos por curto tempo, de vocês que conhecem ou por alguma coisa que eu tivesse feito. Não fiz nada e então sou também bem mortal! E ele agora é ele que dá uma risada.

– Como diz a vó Júlia você vai viver mais de cem anos. Mas me diz uma coisa que não entendi. Os Ricchetti são judeus? São nobres? São ricos?

– Não sei bem sobre isso. Talvez fossem ricos por serem judeus. Mas com a vinda para o Brasil, ou mesmo na Itália, pode ser que tenham abandonado a religião e os costumes dos judeus. Pelo o que sei quase todos que conheço são católicos.

– E são ricos?

– Eu diria que todos foram ou são de classe média para média alta. Menos meu pai Uth que sempre foi pobre.

– Tem alguém, além daqueles nobres franceses, que são nobres?

– Minha avó paterna, Maria Giovanna D’Andrea, antes de casar, vivia no Palácio do Rei Humberto I. que sucedeu a Vitor Emanuele, porque sua mãe era ama de leite da filha dele. Quando se casou com um dito “plebeu” como o maestro Ricchetti, não teve mais os requisitos para ser nobre. Mas ela sempre agiu como se fosse nobre. Lembro-me de minha avó Maria Joana, como era chamada, indo até em casa levar alguma coisa que ela pegava na Casa Ricchetti e se deparar com minha mãe Lucila servindo polenta para os filhos. Com seu dialeto italiano e o português que mal aprendeu a falar, ela disse:

– “Questo” é para porcos comerem…

Mas agora chega de conversa e suposições. Vamos ver mais das “coisas” velhas que pesquisei na Internet. Mesmo sem as fontes que esqueci de ir anotando, eu acredito nessas informações.

Fazer o quê? Ele quer mostrar, que mostre então.

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– Veja agora um Ricchetti cientista:

Charles Robert Richet nasceu em 26 de agosto de 1850 e morreu em quatro de dezembro de 1935 em Paris. Aos 37 anos de idade foi nomeado lente catedrático de Filosofia da Faculdade de Medicina de Paris.

Conhecido como o fundador da Metapsíquica, desempenhou um papel fundamental no processo de desvendar o desconhecido mundo dos fenômenos anímicos. Em 1905, então presidente da Sociedade de Investigações Psíquicas – Londres propôs o nome de Metapsíquica a este conjunto de conhecimentos.

Richet definiu a Metapsíquica como a “ciência que tem por objeto fenômenos mecânicos ou psicológicos, devido a forças que parecem inteligentes, ou a poderes desconhecidos, latentes na inteligência humana”.

Richet como fisiologista de nome internacional, se destingiu por seus trabalhos no campo da soroterapia e pelo descobrimento da anafilaxia, que lhe renderam o prêmio Nobel de Medicina em1913.

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Minha vó Maria Julia entra no quarto já dando ordens:

– Todo mundo fora do quarto, vamos! Preciso dar uma boa arrumada aqui.

E nos empurra para fora do quarto. Saíamos para a frente da casa na pracinha para tomar um pouco desse sol de inverno.

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De volta ao quarto Lolou continua:

– Olhe essa raridade! Este antigo arquivo mostra os da família, os mais antigos que foram possíveis de se encontrar. Eu achei usando links pela Internet.

  1. Nicola l’Erario, died 26 October 1760 in Casteluccio Valmaggiore Bovino Italy167.

He married 49. Margarita Stefanelli.

  1. Margarita Stefanelli, died Unknown.

Children of Nicola l’Erario and Margarita Stefanelli are:

i.Angelo l’Erario, born 1736; died 9 March 1816 in Casteluccio Valmaggiore Bovino Italy168; married Teresa d’ Imperio; died Unknown.

ii.Anna l’Erario, born 1751 in Casteluccio Valmaggiore Bovino Italy; died 24 July 1811 in Casteluccio Valmaggiore Bovino Italy169

iii.Vincenzo l’Erario, born 1760 in Casteluccio Valmaggiore Bovino Italy; died 29 August 1835 in Casteluccio Valmaggiore Bovino Italy; married Serafina Ricchetti.

  1. Nicola Ricchetti, born 1718 in Castelluccio Valmaggiore Bovino Italy; died 10 April 1770 in Casteluccio Valmaggiore Bovino Italy170. He was the son of 100. Domenico Ricchetti. He married 51. Caterina Giannini.
  2. Caterina Giannini, born 1736 in Celle Italy; died 28 December 1802 in Casteluccio Valmaggiore Bovino Italy170.

Children of Nicola Ricchetti and Caterina Giannini are:

i.Angelo Ricchetti, born 1756 in Castelluccio Valmaggiore Bovino Italy; died 4 September 1840 in Castelluccio Valmaggiore Bovino Italy171; married Elisabetta Agriesti; born 1768 in Faeto Italy; died 27 February 1802 in Castelluccio Valmaggiore Bovino Italy172.

ii.Giovanna Ricchetti, born 1771 in Celle Italy; died 24 November 1817 in Casteluccio Valmaggiore Bovino Italy173; married Leonardo Checchia; born 24 February 1765 in Casteluccio Valmaggiore Bovino Italy174; died 29 January 1829 in Casteluccio Valmaggiore Bovino Italy175.

iii.Serafina Ricchetti, born 1763 in Casteluccio Valmaggiore Bovino Italy; died 9 July 1843 in Casteluccio Valmaggiore Bovino Italy; married Vincenzo l’Erario.

iv.Rosa Ricchetti, born 20 March 1767 in Casteluccio Valmaggiore Bovino Italy176; died Unknown; married (1) Pietro Checchia; born 1761 in Faeto Italy; died 18 November 1817 in Casteluccio Valmaggiore Bovino Italy177; married (2) Giovanni Gatti 1835 in Castelluccio Valmaggiore Bovino Italy; born 18 May 1765 in Casteluccio Valmaggiore Bovino Italy178; died Unknown. More About Rosa Ricchetti:Baptism: 20 March 1767, Casteluccio Valmaggiore Bovino Italy178.

More About Giovanni Gatti:Baptism: 18 May 1865, Casteluccio Valmaggiore Bovino Italy178

v.Lucia Ricchetti, born 1764; died 8 December 1803 in Castelluccio Valmaggiore Bovino Italy179; married Michele Giannetta; born 1762; died 4 December 1831 in Castelluccio Valmaggiore Bovino Italy180.

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Peço licença para o vô Lolou, pois estou com sede. Na verdade não aguento mais ele me mostrar essas postagens antigas. O que ele pretendeu armazenando isso?

Vou até a cozinha, apanho um copo limpo chego perto da torneira e quando vou encher o copo, minha prima Laura me impede.

– Não tome essa água assim! E tira o meu copo da minha mão. Fico surpreso.

– Mas é água tratada pela Companhia Estadual de Águas! Por que não posso?

Laura leva meu copo até uma torneira de um pote, explicando:

– Esta água aqui, além de mais fresca, já não tem flúor.

Pela minha cara de não ter entendido nada, ela continua.

– “Como nosso vô sempre fala, a ‘burrocracia” trata todos como iguais e nós não somos. Acontece que o Governo do Estado segue uma lei que é preciso colocar flúor na água porque as crianças precisam dele para se livrar de cáries.

– E isso está correto. Qual é o problema?

– Acontece que quem sabe quanto de flúor deve ser adicionado é o dentista, ele ou ela, que atende a criança. O governo, considerando todo mundo igual, coloca um tanto por cento para cada um dos cidadãos e com isso intoxica as pessoas com o flúor que causa muitos problemas para a saúde e para a vida de cada um de nós.

Bebo a água sem flúor. Até que o gosto parece melhor. Ela continua.

– A nossa prefeitura nos instrui como tirar o flúor da água antes de fazer qualquer coisa com ela. E tem o atendimento pessoal de dentistas que dizem aos pais quanto de flúor deve ser adicionado a cada filho. Em Itapetininga foi lançado em 2003 um livro, Flúor e outros vilões da Humanidade, pelo médico. Artur Antonio Chagas Monteiro.

Fico pensado que prefeito é esse! Que gente é essa de Itapelinda que não reconheço mais! Cada vez mais há algo que preciso compreender sobre a cidade, o prefeito, os outros…

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Volto para o quarto de estudo do Lolou para fazer mais perguntas sobre o prefeito, mas ele nem me deixa falar. Entusiasmado com os “tesouros” que achou na Internet sobre os velhos Ricchetti, Riquet, Richetti, Riquetti, logo recomeça:

– Há também um arquivo sobre outro Richetti, cuja descendência não está clara, ou seja, quem foram seus pais e parentes.

Pasquale Richetti, nascido em 1866, foi criado por uma família de Cesiomagiore e se chamava o pai adotivo Beniarmino Bortoluz! Pasqualie ficou com esta família até ir para o exército.

Depois se casou e imigrou para o Rio Grande do Sul, no Brasil, um pouco antes de 1887. Dele surgiu uma família imensa em terras gaúchas e posteriormente em Santa Catarina e Paraná.

Vovô Lolou fala que conheceu muitos membros dessa família, mas que vai contar depois sobre isso.

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Meu vô sai do quarto a chamado do meu pai Leon que quer falar com ele sobre sua preocupação por ser carteiro. Eu sei disso, pois pai Leon já comentara comigo que as correspondências raramente são escritas para serem entregues. Cada vez mais se usam os meios digitais para isso. Parece que a profissão de carteiro, como tantas outras, vai desaparecer. E meu pai, procura ouvir pessoas para ver como deve agir no caso de ficar desempregado.

É minha vez de fuçar os arquivos.

Encontro também uma referência no arquivo de senhora que imigrou para o Estado de Minas Gerais;

Arquivo Público Mineiro – APM

SA-862 – RICHETTI – Chefe da família: RICHETTI Felicitá – 35 anos

Livro: SA-862 pag.: 149v – Data: 05/04/1892 (Data de entrada na Hospedaria) – Nacionalidade: Italiana

Dependentes: RICHETTI Giovanna – 10 anos – filha, RICHETTI Annunziata – 8 anos – filha, RICHETTI Emilio – 5 anos – filho, RICHETTI Antonio – 3 anos – filho.

Embarcação: Aquitaine – Microfilme: Rolo 01- http://

Meu vô escreveu um comentário de que conheceu uma jovem Richetti pelo Orkut, antiga rede virtual de relacionamentos, natural do Estado de Minas Gerais, descendente de Felicitá. Mas, como muitos outros Ricchetti, não quis dar mais informações.

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Vou abrindo outros arquivos de texto e de foto, inclusive alguns que me parecem serem da intimidade dele. Minha curiosidade é tanta que mal percebo meu vô voltando. Rapidamente fecho os arquivos. Lolou senta ao meu lado e me indica um texto proveniente de um e-mail sobre um outro Angelo Ricchetti:

Ciao Angelo. Come tè, io mi chiamo Angelo Ricchetti nato a Troia (FG) il 07-12-1955, e anche mio nonno si chiamava Angelo Ricchetti figlio di Giuseppe Ricchetti. Mio nonno e nato a Castelluccio Valmaggiore, in Provincia Di Foggia nel 1881. Quasi tutti i Ricchetti che vivono in Provincia di Foggia prendono origine da Castelluccio Valmaggiore. Se vedi su Google Maps la distanza di San Bartolomeo in Galdo (BN) e Castellluccio Valmaggiore (FG) e di più o meno 50 – 60 km. Io con la mia famiglia, vivo a Troia (FG) a 15 km da Castelluccio Valmaggiore. Forse e possibile che ci sia un legame con i nostri antenati. Un Sincero Saluto

Vedi Angelo, allego una mappa stradale.

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Ao final do arquivo vô Lolou escreveu: Angelo Ricchetti, falecido em acidente de carro em 10 de março de 2015, na estrada que leva a Troia. Seu companheiro de infortúnio foi Mario Ragazzi. Na minha infância eu tinha como amigos dois meninos da Família Ragazzi. Coincidência?

Ele me conta:

– Este acidente me faz lembrar de outro em São Manuel quando eu estava lá de férias da Faculdade. Foi com meu primo Ulysses, filho de minha tia Helena Alves Ricchetti. Minha prima, Maria Helena, já casada, veio de carro de Marília, onde morava até a entrada de São Manuel sem saber que seu irmão, que ela estimava muito, havia morrido. Diziam apenas ter sofrido um acidente de carro. Até hoje eu ainda escuto os gritos alucinantes dela em meus sonhos ao ver o irmão no caixão sem metade do rosto.

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Vô Lolou diz que o seu avô paterno se chamava Angelo Ricchetti, filho de Lorenzo Ricchetti e Angela Turso, batisado na Paróquia de Castelluccio Valmaggiore, em 02/08/1866 e sua avó era Maria Giovanna D’Andrea, filha de Matteo D’Andrea e Isabella Reino, batisada na Paróquia de San Bartolomeio in Galdo, em 14/03/1869. Eles se casaram na Paróquia de San Bartolomeo in Galdo, em 18/02/1889.

Pergunto se os avós dele eram imigrantes. Ele me olha por um tempo para depois dizer:

– Você precisa estudar mais, Kainã. Pelo visto não sabe nada da força do capitalismo, da industrialização, do efeito no mundo, na Europa, na Itália e no Brasil dessa mudança que houve do sistema feudal para o capitalismo.

Eu fico aturdido. O que será que deixei de estudar? E o que isso que ele falou tem com os arquivos dele?

Meu avô dá uma gargalhada!

– Por que está rindo? Você me assusta, sabe?

– Estou me divertindo com sua cara de quem está bem por fora de assuntos importantes para se compreender a vida das pessoas hoje em dia. Vou explicar, não precisa ficar chateado com minha risada.

Fico quieto. Quem sabe eu começo a entender o que esse velhinho está querendo de mim que não deve ser apenas arrumar os arquivos digitais dele.

– Os meus antepassados italianos viveram momentos de vida tanto na fase do feudalismo como na fase posterior, do capitalismo, da industrialização. Deixa-me encontrar aqui nos meus arquivos um texto ótimo que explica bem.

Ele procura e encontra. Diz para eu ler. Eu leio:

O século XIX foi marcado por uma intensa expulsão demográfica na Europa. O alto crescimento da população, ao lado do acelerado processo de industrialização, afetaram diretamente as oportunidades de emprego naquele continente.

A transição entre um modelo de produção feudal para um sistema capitalista afetou diretamente as condições sociais no continente europeu. As terras ficaram concentradas nas mãos de poucos proprietários, havia altas taxas de impostos sobre a propriedade, fazendo o pequeno proprietário se endividar com empréstimos.

Na segunda metade do século XIX, a Península Itálica estava dividida em vários reinos, que eram Estados independentes. Alguns destes reinos eram, inclusive, governados de forma autoritária por famílias reais da Áustria e da França. A Igreja Católica também tinha grande poder político em algumas regiões.

Neste contexto, não havia unificação de leis, moeda, língua e sistema político. Portanto, ainda não havia um país com nome de Itália com poder centralizado.

O Risorgimento (em português: Ressurgimento) é o movimento na história italiana que buscou entre 1815 e 1870 unificar o país, que era uma coleção de pequenos Estados, submetidos a potências estrangeiras.

wikipedia.org/

– Pronto. Já li. Mas o que isso tem de importante?

Ele dá um murro na mesinha do computador e me olha com raiva;

– Tudo que estou mostrando é sobre a Família Ricchetti, italianos então tem de entender o pano de fundo, o que está por trás das histórias de vida destes nossos antepassados. Ninguém vive isolado do seu contexto, da sua realidade humana. Quando o capitalismo começa a ganhar força por meio de revolução burguesa, começa também a destruir o modo de vida que existe. Tudo vai mudando por bem ou por mal. Leia mais um pouco e aprenda!

Durante o século XIX, a expansão do capitalismo e dos ideais políticos liberais alcançou diversas partes da Europa promovendo um tempo de grandes transformações. Na Península Itálica, essas mudanças ganharam força quando a grande burguesia nacional se mostrou interessada em unificar os territórios com o objetivo de ampliar seus mercados e lucros. No entanto, a região era dividida em vários estados absolutistas ou tinha parte seus territórios dominados por outras nações.

No Brasil, a Inglaterra interessada no assalariamento dos empregados, necessidade primeira para o capital, forçou o término da escravidão dos negros africanos. O governo, precisando substituir a mão de obra escrava, facilita a vinda dos imigrantes da Italia, tanto os que perderam suas terras, como os artesãos urbanos, resultado do avanço do capitalismo tanto na Europa como na América, de modo geral.

Mundo Educação/

Leio e busco entender essas frases certamente escritas por algum estudioso. Leio mais um trecho.

A partir da década de 1870, foram impulsionados pelas transformações socioeconômicas em curso no Norte da península itálica, que afetaram, sobretudo, a propriedade da terra. Um aspecto peculiar à imigração em massa italiana é que ela começou a ocorrer pouco após a unificação da Itália (1861), razão pela qual uma identidade nacional desses imigrantes se forjou, em grande medida, no Brasil.

Wikipédia, a enciclopédia livre.

Acho que começo a compreender esse tal “pano de fundo” que o Lolou falou.

– Então quer dizer que nossos antepassados viviam lá nos seus locais muito bem, mas com essa pressão externa começaram a passar fome e tiveram que sair para outros lugares. É isso?

– Viva! Está começando a pensar, meu sobrinho Kainã! Tem uma frase interessante registrada em algum local do meu computador que é quando um italiano, sabe-se lá quem, pergunta para o Ministro de Estado da Itália por que precisa deixar a terra pátria. Achei! Leia.

“Que entendeis por uma Nação, Senhor Ministro? É a massa dos infelizes? Plantamos e ceifamos o trigo, mas nunca provamos pão branco. Cultivamos a videira, mas não bebemos o vinho. Criamos animais, mas não comemos a carne. Apesar disso, vós nos aconselhais a não abandonarmos a nossa Pátria? Mas é uma Pátria a terra onde não se consegue viver do próprio trabalho?”

WEBER Cidadania Italiana/

Então se precisa criar uma nova pátria aqui no Brasil e outros lugares do mundo. Entendeu?

– Entendi vô Lolou. Entendi também que seu avô, meu bisa, então resolvi imigrar para o Brasil.

– Errado!

Ele fica bravo e de novo esmurra a mesinha coitada que não tem nada a ver com a raiva dele com um neto ruim de entender as coisas.

– Seu avô veio de vapor, navio, de primeira classe, com passagem comprada. Ele tinha dinheiro, era de uma família burguesa já. Enquanto os outros viajavam nos porões do navio, passando mal, frio, fome, alguns morrendo. Eram pobres, alguns pequenos agricultores arruinados pela expansão dos latifúndios, outros pequenos negociantes, artífices, o governo do Brasil pagando a passagem deles. Enquanto a Italia se tornava nação ela expulsava mais da metade dos que lá vivam para lugares como o Brasil, proibido que estavam de ter mão de obra escrava, por causa da Inglaterra industrializada, com trabalhadores assalariados. Mas agora já estou repetindo o que você já leu.

– Tudo bem, vô, é um reforço para minha aprendizagem.

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(continua)

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Sergio Diniz da Costa: 'Jornal da APEVO'

Matérias publicadas na ultima edição

Cultura

LITERATURA, ARTES & CURIOSIDADES

outubro de 2016

 

artespoesia2Poesia

Cora Coralina, pseudônimo de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, (Cidade de Goiás, 20 de agosto de 1889 — Goiânia, 10 de abril de 1985) foi uma poetisa e contista brasileira. Começou a escrever os seus primeiros textos aos 14 anos e, apesar da pouca escolaridade, uma vez que cursou somente as primeiras quatro séries, é considerada uma das mais importantes escritoras brasileiras. Seu primeiro livro foi publicado 1965 (Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais), quando já tinha quase 76 anos de idade. Mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano do interior brasileiro, em particular dos becos e ruas históricas de Goiás. Cora não deixou de escrever poemas relacionados com a sua história pessoal, com a cidade em que nascera e com ambiente em que fora criada. Senhora de poderosas palavras, escrevia com simplicidade e seu desconhecimento acerca das regras da gramática contribuiu para que sua produção artística priorizasse a mensagem ao invés da forma. Preocupada em entender o mundo no qual estava inserida, e ainda compreender o real papel que deveria representar, Ana parte em busca de respostas no seu cotidiano, vivendo cada minuto na complexa atmosfera da Cidade de Goiás, que permitiu a ela a descoberta de como a simplicidade pode ser o melhor caminho para atingir a mais alta riqueza de espírito. (Para saber mais: https://pt.wikipedia.org/wiki/Cora_Coralina>.Acesso em: 11/09/2016). De sua autoria, ‘Aninha e suas pedras’

 

Não te deixes destruir…

Ajuntando novas pedras

e construindo novos poemas.

 

Recria tua vida, sempre, sempre.

Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.

 

Faz de tua vida mesquinha

um poema.

E viverás no coração dos jovens

e na memória das gerações que hão de vir.

 

Esta fonte é para uso de todos os sedentos.

Toma a tua parte.

Vem a estas páginas

e não entraves seu uso

aos que têm sede.

 

Artes (pintura, teatro, música, dança…)

 artes3

Taiguara (Chalar da Silva) (Montevidéu, 9 de outubro de 1945 — São Paulo, 14 de fevereiro de 1996) foi um cantor e compositor uruguaio e naturalizado brasileiro, filho do bandoneonista e maestro Ubirajara Silva. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1949 e para São Paulo, posteriormente, em 1960. Largou a faculdade de Direito para se dedicar à música. Participou de vários festivais e programas da TV. Fez bastante sucesso nas décadas de 60 e 70. Autor de vários clássicos da MPB, como Hoje, Universo do teu corpo, Piano e Viola, Amanda, Tributo a Jacob do Bandolim, Viagem, Berço de Marcela, Teu sonho não acabou, Geração 70 e Que as Crianças Cantem Livres, entre outros. Considerado um dos símbolos da resistência à censura durante a ditadura militar brasileira, Taiguara foi um dos compositores mais censurados na historia da MPB, tendo 68 canções censuradas. Os problemas com a censura o levaram a se autoexilar na Inglaterra em meados de 1973.  Em 1975, voltou ao Brasil e gravou o Imyra, Tayra, Ipy. O espetáculo de lançamento do disco foi cancelado e todas as cópias foram recolhidas pela ditadura militar das lojas em apenas 72 horas. Em seguida, Taiguara partiu para um segundo autoexílio que o levaria à África e à Europa por vários anos. Quando finalmente voltou a cantar no Brasil, em meados dos anos 80, não obteve mais o grande sucesso de outros tempos, muito embora suas músicas de maior êxito tenham continuado a serem relembradas em flashbacks das rádios AM e FM. Morreu em 1996 de falência múltipla de órgãos em decorrência de um câncer na bexiga. (Para saber mais: https://pt.wikipedia.org/wiki/Taiguara)

 

tati

Tati Quebra-Barraco, nome artístico de Tatiana dos Santos Lourenço (Rio de Janeiro, 20 de setembro de 1979) é uma funkeira carioca, conhecida por suas músicas baseado em palavrões e trocadilhos de duplo sentido. Atualmente é uma das principais expoentes do funk carioca. Foi criada na periferia do Rio de Janeiro, na favela da Cidade de Deus. Em entrevista à revista Veja, disse ter como inspiração musical a cantora pop norte-americana Britney Spears. Hoje mora em um luxuoso apartamento na Cidade de Deus. Seu DVD ganhou o prêmio “DVD de Ouro” do programa Domingo Legal. A cantora tem projeção internacional e já fez diversos shows no exterior, principalmente na Alemanha e nos Estados Unidos. Em 25 de maio de 2015, O funk carioca, basicamente ligado ao público jovem, tornou-se um dos maiores fenômenos de massa do Brasil. Na década de 1980, o antropólogo Hermano Vianna foi o primeiro cientista social a abordá-lo como objeto de estudo, em sua dissertação de mestrado que daria origem ao livro O Mundo Funk Carioca (1988)

(Para saber mais: https://pt.wikipedia.org/wiki/Tati_Quebra-Barraco e https://pt.wikipedia.org/wiki/Funk_carioca)

    

voce-sabia

voce-sabia2

  Você sabia que... 

As balas de goma têm por ingrediente chave na receita a gelatina? E que a gelatina, componente muito usado na indústria alimentícia, farmacêutica e em outras tantas áreas também quase sempre tem origem animal e é obtido a partir do colágeno? O colágeno, por sua vez, é conseguido quando fervemos os ossos, a pele e qualquer órgão que contenha tecido conjuntivo de determinados animais, normalmente porcos, vacas, cavalos e aves. Isso significa que, antes de ser devidamente processada e virar aquela mistura incolor (ou levemente amarelada), insípida (quando pura) e praticamente inodora que conhecemos como gelatina, a matéria-prima empregada pelos fabricantes de doces é obtida em abatedouros e curtumes a partir de processos que soam bem perturbadores! (Você sabia? http://www.vocesabia.net/curiosidades/voce-nunca-mais-vai-comer-balas-de-goma-depois-de-ver-como-elas-sao-feitas/>. Acesso em: 11/09/2016)

 

Se você, leitor, deseja entrar em contato com o colunista para sugestões e ideia, escreva para sergiodiniz.costa2014@gmail.com

 

Um mega abraço e até a próxima edição!

                                                                          Sergio Diniz da Costa

 




José Coutinho de Oliveira: 'Nobilistica'

foto-jose-coutinhoJosé Coutinho de Oliveira – ‘Filosofia comparada’

Há um princípio da parapsicologia que diz que novas ideias surgem simultaneamente em pontos diferentes da Terra. Não devemos portanto admirar se um provérbio romano se parece com um provérbio famoso de Lao Tse, fundador do taoismo. Mas comecemos então primeiro com o que parece ser o mais antigo, o de Lao Tse. Lao Tse escreveu um famoso livro que se chama Tao te king e nesse livre ele diz que “Quanto mais leis e mandamentos existirem, mais bandidos e ladrões haverá.” Depois desse provérbio vem o romano que diz quase a mesma coisa: “plurimae leges, pessima respublica”: quando são muitas as leis, é péssimo o governo. Atualmente nós os neoliberais dizemos: maior liberdade, menor criminalidade, ou seja, o preço de muitas leis é a alta criminalidade. Outra importante comparação na filosofia é entre a “epoché” dos céticos e o “wu wei” (inação ou ação mínima) de Lao Tse. A epoché é o direito que a pessoa se dá de não opinar quando inquerido e o wu-wei quer dizer quase a mesma coisa, ou seja, de que não interfiramos ou interfiramos minimamente no rumo das coisas. Hoje sabemos que posto isto ao pé da letra poderemos mesmo incorrer até em crime de omissão. Já dentro do liberalismo econômico temos palavras diferentes para o mesmo princípio, ou seja, há autores que falam do “princípio da subsidiariedade”, eu particularmente chamo de coadjuvância, ou seja, o Estado deve deixar aos particulares o que eles fazem melhor, ou seja, produzir.

José Coutinho de Oliveira

Graduado em Letras e Pedagogia

jocodeol@gmail.com




Após 14 anos Itapetininga retoma Festival de Teatro

VI Festi acontecerá entre os dias 9 e 14 de outubro

 

festiA Secretaria de Cultura e Turismo em parceria com o Grupo Teatral Tapanaraca retomam o Festival de Teatro de Itapetininga – Festi.

O evento será entre os dias 9 e 14 de outubro, com apresentações gratuitas todas as noites, a partir das 20h, no Centro Cultural e Histórico ‘Brasílio Ayres de Aguirre’.

O secretário de Cultura e Turismo de Itapetininga, Mauricio Hermann, fala da importância em apoiar um evento como este. “É muito importante essa parceria entre o Poder Público e os grupos de teatro da cidade. A ideia é fazer do Centro Cultural um espaço democrático para toda a comunidade”. Hermann ainda diz que o objetivo do VI Festi é valorizar e fortalecer o teatro regional, além de estimular a cidade a presenciar um evento cultural

Fábio Jurera, diretor do Tapanaraca e idealizador da retomada do projeto, lembra que desde 1994 aconteciam festivais de teatro esporadicamente, mas há mais de dez anos eles não ocorrem mais. “O festival já existia, mas o formato é novo, algo inédito na cidade. Apesar disso, temos a ideia da continuidade”, explica.

De acordo com Jurera, a seleção dos espetáculos foi feita levando-se em conta a identidade teatral e grupos que tinham trabalho a mostrar. O VI Festi também contará com três jurados muito bem conceituados, com um olhar técnico e estético e muitos anos de experiência.

As cinco peças inscritas receberão premiações nas categorias de melhor ator/atriz coadjuvante, ator/atriz revelação, melhor maquiagem, figurino, iluminação, sonoplastia, direção e melhor espetáculo. Além disso, os atores   egrupos receberão prêmios especiais.

A cerimonia de premiação será na sexta-feira, às 20h, iniciando-se com a apresentação de encerramento. O Festi terá sua identidade na premiação. “O troféu será em formato de ferradura, em referência à tradição tropeira da cidade”, conta Fábio.

Conheça os espetáculos que participarão do VI Festi:

Manifesto do Subconsciente – Cia Studio 8 Encena (Itapevi)

O Pequeno Príncipe –  Quatro Cantos (Quadra)

Vestido de Chita – Grupo Engenhoca Teatral (Sorocaba)

Malévola de Oz – Grupo Estrelas da Imaginação (São José dos Campos)

A Velha Amorosa –  Cia das Bocas/Cia Ai dos Dois (São José do Rio Preto)

Festejo

Paralelamente ao Festi, acontecerá o Festival Jovem – Festejo, voltado para os estudantes. Os cinco espetáculos serão à tarde, às 15h.

O Centro Cultural fica no Largo dos Amores, s/n. Telefone 3273-4523.




Celso Lungaretti: 'SAIBA POR QUE NINGUÉM GANHOU A ELEIÇÃO DO GRANDE DESENCANTO'

  CELSO LUNGARETTI – O GRANDE VENCEDOR DA ELEIÇÃO PAULISTANA: NINGUÉM

O tucano João Doria foi o primeiro candidato a prefeito da cidade de São Paulo a liquidar a fatura no 1º turno, desde que as eleições brasileiras passaram a ter dois turnos, em 1992.

Mas, com seus 3.085.187 votos, Doria perdeu para Ninguém: a soma dos votos em branco, nulos e das abstenções totalizou 3.096.304 eleitores que não se sentiram suficientemente motivados a ponto de votarem em qualquer dos candidatos.

Adiante poderemos quantificar com mais precisão o desencanto do eleitorado com as opções políticas que lhe são oferecidas, mas já se sabe que aumentou significativamente desde as últimas eleições municipais. E nem poderia ser de outra maneira, depois de a presidente da República ter conduzido o país a uma recessão terrível e haver sofrido impeachment.

Quanto ao grande perdedor, não há nenhuma dúvida: foi o Partido dos Trabalhadores, com desempenho pífio nas capitais e cidades mais importantes.

Talvez o caso de São Paulo seja o mais significativo para entendermos o porquê da queda do PT.

Estava no poder com Fernando Haddad, um professor universitário que, sem recursos suficientes para investir em grandes projetos, apostou suas fichas em pequenas mudanças baratas, na linha do politicamente correto:

Pedalou, pedalou, pedalou… e não chegou a lugar nenhum
  • desestimular o uso do carro próprio, mediante uma redução exagerada do limite de velocidade nas ruas e avenidas, além de exageradíssima nas marginais, vendendo a medida como uma solução para reduzir as mortes no trânsito (só que as estatísticas utilizadas para tentar convencer os motoristas não foram exatamente confiáveis e fizeram a cabeça de pouquíssimos deles);
  • estimular, em contrapartida, o uso de bicicletas, mas isto numa cidade em que elas não se prestam para o percurso diário da casa para o emprego e vice-versa (o trânsito é pesado, as distâncias longas e a topografia inadequada) e mediante a criação, tão apressada quanto irresponsável, de ciclovias as mais precárias, nas quais pedestres acabaram sendo amiúde atropelados.

Adorado em alguns bairros de classe média sofisticada, Haddad se tornou o mais rejeitado dos prefeituráveis: à véspera do pleito, 41% dos entrevistados pelo Ibope afirmaram que não votariam nele de jeito nenhum.

Mesmo com Lula entrando em sua propaganda gratuita na reta final para tentar salvá-lo, Haddad, com seus 16,7% dos votos válidos, ficou abaixo do desempenho habitual dos candidatos petistas. Foi o eleitorado do partido que encolheu como consequência dos desastres recentes ou Haddad que não conseguiu empolgar parte dele? É outra dúvida que só poderemos dirimir adiante.

Esquerda terá agora de encarar a crise global…

O certo é que motoristas não trafegam na máxima velocidade permitida por quererem imitar personagens dos filmecos de Hollywood, mas sim por causa das dificuldades que enfrentam na luta pela sobrevivência.

Não será fazendo as marginais voltarem ao tempo das diligências que se livrará o planeta do efeito-estufa, mas sim erradicando de vez o veículo individual. Quando as catástrofes provocadas pelas alterações climáticas nos golpearem para valer, dentro de algumas décadas (talvez bem poucas!), aí começarão a ser tomadas medidas realmente capazes de deter a marcha da insensatez.

Mas, com a enorme população atual da Terra e com alguns recursos naturais se esgotando rapidamente, será apenas a supressão dos automóveis que salvará a espécie humana? Penso que não.

Para começar, nas cidades com maior extensão territorial as bicicletas não dariam conta de todas as funções preenchidas pelos carros. Seria, portanto, necessária uma verdadeira revolução no transporte coletivo (que atualmente, em São Paulo, já nem deve ser comparada a sardinha em lata, está mais para navio negreiro…).

Talvez seja solução melhor, computadas todas as vantagens e desvantagens, a recolocação das pessoas nas proximidades dos seus locais de trabalho, como acontecia no início da industrialização com as vilas operárias.

…e as catástrofes ambientais.

Mas, e a crise econômica permanente do capitalismo, que não nos dá mais trégua (ao contrário dos séculos passados, quando as crises eram cíclicas, alternando-se com períodos de prosperidade), apenas saltando de país para país, numa ciranda infernal?! Quanto tempo levará até o xeque-mate, quando desabaremos numa depressão que fará a da década de 1930 parecer brincadeira de criança?

E a dificuldade cada vez maior para assegurarmos recursos indispensáveis à vida humana, começando pela água potável?

Enfim, a derrocada de Haddad é emblemática da do PT como um todo. Convém para o partido atribuir suas desgraças à perseguição que lhe estaria sendo movida pelo Judiciário, mas muito mais relevante é o fato de que o capitalismo começa a vazar por todos os lados, aproximando-se da hora da verdade, quando se decidirá quem vai morrer e quem vai sobreviver: ele ou nós?

A aposta do PT era diminuir a pobreza destinando aos coitadezas algumas migalhinhas a mais dos banquetes dos ricaços, fazer pequenos retoques na maquilagem do capitalismo, introduzir paliativos espertinhos como as ciclovias e a velocidade reduzida do Haddad.