Angelo Ricchetti: 'Cine Clube de Itapetininga'
Prezada e prezado amante do cinema de autor, tenho o prazer de convidar você para assistir o filme “A ESPUMA DOS DIAS\” pelo Cine Clube ANTONIO LUIZ PEDROSO BALINT, de Itapetininga..
Angelo Lourival Ricchetti
DOMINGO, 18 de SETEMBRO às 15:30 horas em ponto será a exibição do filme “A ESPUMA DOS DIAS” no CINE JANELAS, anexo ao Posto de Saúde Dr. Genefredo Monteiro, Auditório Abilio Victor, PRAÇA 09 DE JULHO, 518 CENTRO. Liberado para os maiores de 14 anos.
Michel Gondry traz uma adaptação da obra de Boris Vian repleta de referências culturais, desde a clássica cena de “Um cão de Andaluz” em que uma personagem tem o olho cortado com uma navalha, aqui bem mais suave ainda que um tanto aflitiva, até o filósofo francês Jean Paul Sartre, que no filme vira Jean Sol-Partre, passando pelas claras referências a Woody Allen.
Com técnicas simples de stop motion associadas a efeitos especiais mais elaborados, o filme cria um universo onírico que rompe completamente com a relação espaço-tempo convencional. Neste ponto a obra se aproxima do realismo fantástico já citado, pois apresenta com extrema naturalidade fatos completamente inusitados, fazendo com que ao abrir mão da necessidade de cenas factíveis, os personagens fiquem livres para mesclar sonho e realidade, característica típica do surrealismo, para concretizar a narrativa.
A ideia do surrealismo, muito bem trabalhada neste filme, é exatamente hipervalorizar metáforas aparentemente sem sentido para narrar fatos cotidianos e mostrar, ou sugerir, deixando a cargo da imaginação daqueles que assistem enxergarem as faces que a tendência romântica dos filmes costuma ocultar. Conforme link abaixo:
http://artigosdecinema.blogspot.com/2013/09/a-espuma-dos-dias-lecume-des-jours.html
Após a exibição, vamos sortear livros e conversar a respeito do conteúdo do filme. Entrada gratuita. Para maiores de 14 anos.
Reserva com Angelo Lourival Ricchetti pelo fone 15 3272 7525, pelo celular e whatsup 15 9 9171 7672 e e-mail aricchetti@yahoo.com Facebook angelo lourival
Celso Lungaretti: 'HÁ UMA SOLUÇÃO MAIS DIGNA PARA LULA E PARA O BRASIL. CONHEÇA O PRECEDENTE.'
CELSO LUNGARETTI ‘ LULA DEVERIA MIRAR-SE NUM EXEMPLO DE GETÚLIO VARGAS. [MAS, NÃO NAQUELE QUE VOCÊS ESTÃO PENSANDO…]
![]() |
| Estaremos assistindo ao melancólico final… |
Noves fora, a denúncia que o Ministério Público Federal apresentou contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um tanto desequilibrada, como a própria Folha de S. Paulo observou no seu editorial desta 5ª feira, 15:
“…[Lula] foi ‘comandante máximo’ do esquema identificado pela Lava Jato, ‘grande general’ da corrupção e ‘maestro da orquestra criminosa’.
…O conjunto de evidências (…) faz concluir que os desvios de recursos públicos ocorriam em nome da governabilidade, da perpetuação no poder e do enriquecimento ilícito.
…A acusação formal, ainda a ser apreciada pela Justiça, representou o anticlímax. Tratava-se, no caso de Lula, de corrupção passiva (R$ 87,6 milhões) e lavagem de dinheiro, envolvendo um tríplex em Guarujá e o armazenamento de bens pela OAS (total de R$ 3,7 milhões).
![]() |
| …de uma jornada que começou tão bem? |
Não que seja pouco ou perdoável, mas causa estranheza que, num esquema descrito com tantas hipérboles, a parte do comandante máximo se resuma a valores inferiores aos obtidos por figuras sem expressão política“.
O que se pode depreender disso tudo é que Lula ainda pode sustentar uma batalha jurídica, mas perdeu a batalha política.
Nem o mais fanático dos petistas deve, a esta altura, duvidar de que a corrupção grassou solta e desmedida durante os governos do seu partido. Cidadãos mais bem informados sabem que nada daquilo foi diferente do que já existira no passado, salvo, talvez, em termos de escala: o volume da roubalheira e a desfaçatez das saídas pela tangente parecem ter aumentado um pouco.
Independentemente de as digitais do Lula serem ou não encontradas nas armas dos crimes, o cidadão comum concluirá que ele deu seu consentimento para a bandalheira. Afinal, a imagem desligada (para sermos delicados) de Dilma era tão acentuada que muita gente acreditou na sua boa fé quando ela disse ignorar tudo que estava rolando à sua volta.
Mas, a imagem do Lula é bem diferente, de rústico mas ladino, um homem do povo que PhD nenhum faz de bobo. Sua esperteza e jogo de cintura o tornavam o modelo do que todos os humilhados e ofendidos gostariam de ser; elas, contudo, o condenam agora.
![]() |
| Ainda é possível a volta por cima? Difícil… |
Seja qual for a sentença do juiz Sérgio Moro, a ser anunciada dentro de meses, avalio que a eleição presidencial de 2018 já está perdida para Lula; mesmo que lhe permitam disputá-la, não conseguirá reerguer-se politicamente em tão pouco tempo, apoiado por um partido em frangalhos e tendo contra si a máquina do poder.
Em 2022, sim, terá transcorrido o tempo necessário para que se dissipe boa parte da carga negativa de tudo que a mídia vem trombeteando ultimamente. Será que os brasileiros o elegeriam para começar o terceiro mandato com 77 anos de idade? É uma incógnita. E ainda há muita água para passar debaixo da ponte até lá.
Acabam de ser lançados, de uma vez só, os 10 episódios da 2ª temporada da série televisiva Narcos, que mostram a queda do império de Pablo Escobar, golpeado de todos os lados por forças que, quando se uniram, tornaram-se muito superiores às suas (o cartel de Cali mais traficantes menores, os contra que enfrentavam os guerrilheiros nas selvas, a polícia colombiana, o DEA e a CIA estadunidenses, etc.).
Escobar, foragido com o único sicário que lhe restou, não admite render-se às autoridades, o que lhe poderia salvar a vida e garantir asilo para sua família no exterior.
Os inimigos, com idêntica obstinação, não descansam até matá-lo, embora tivesse deixado de representar um verdadeiro perigo: jamais conseguiria voltar à tona após ter afundado tanto.
![]() |
| Isolado em São Borja, Vargas se preservou. |
É mais ou menos a situação do Lula. Deveria fazer como Getúlio Vargas em 1945, quando foi afastado do poder (ditatorial) que exercia por forças políticas nacionais e pela pressão dos EUA, então avessos a governantes assemelhados aos que derrotara nos campos de batalha.
O compromisso que Vargas firmou com eles para não sofrer processo, nem perder os seus direitos políticos ou ser obrigado a deixar o país: hibernar.
Isolou-se na sua estância gaúcha, não disputando a eleição presidencial daquele ano nem participando da campanha eleitoral (lançou apenas uma mensagem de apoio a Eurico Gaspar Dutra, que foi amplamente divulgada e bastou para os seus devotos saberem em quem deveriam votar). Passado o quinquênio de hibernação, voltou à ativa, elegeu-se presidente –aos 69 anos!– e marchou para a tragédia.
A hibernação também me parece a melhor solução para Lula, desde que seus inimigos se convençam de que ele realmente chegou ao fim da linha e não façam questão cerrada de dar-lhe o tiro de misericórdia, como os inimigos de Pablo Morales fizeram.
A mim me parece que superestimam em muito os poderes do Super Lula. Duvido, p. ex., que ele conseguisse fazer os 77 anos o que Vargas conseguiu aos 69, reassumindo o poder. Oito anos, para um idoso, valem por 16 ou 24…
A época do lulismo acabou. Eu gostaria que, na linha dos brasileiros cordiais que éramos (e, infelizmente, estamos deixando de ser), fosse adotada solução semelhante à de 1945, com Lula permanecendo em casa no aconchego da família, seja hibernando por alguns anos ou aposentado em definitivo da política. Seria mais digno, para ele e para o País. Chega de ódio!!!
OUTROS POSTS RECENTES DO BLOGUE NÁUFRAGO DA UTOPIA (clique p/ abrir):
“MORRA TEMER” É UM SLOGAN… TEMERÁRIO. E SE UM IMBECIL TOMAR AO PÉ DA LETRA?
A NOSSA LUTA CONTRA A VITÓRIA DO RUIM
JULGAMENTOS POLÍTICOS NÃO PRECISAM LIMITAR-SE AO QUE ESTÁ NOS AUTOS
DOIS PERDIDOS NUMA NOITE SUJA – O EPÍLOGO.
A HIPOCRISIA ESCANCARADA NO JULGAMENTO DO CORRUPTO
CONHEÇA O VILÃO QUE RETIRA DOS HUMANOS A SUA VONTADE SOBERANA E PASSA A TELEGUIÁ-LOS COMO ZUMBIS
BOULOS E LINDBERGH PEDEM DESMILITARIZAÇÃO DO POLICIAMENTO. ESTÃO CERTOS… COM DÉCADAS DE ATRASO!
Pedro Novaes: 'Sem solução'
Pedro Israel Novaes de Almeida – ‘SEM SOLUÇÃO’
O crack, droga que mais escraviza, segue viciando multidões.
As cracolândias aumentam a cada dia, amontoando viciados como se fossem zumbis, à espera da morte que sabem não tardar. Não se aplica, ao crack, o argumento de que a droga afeta tão somente o usuário, não justificando lotar prisões e concentrar esforços públicos que pouco resolvem e muito corrompem, em se tratando da maconha.
O apelo aos delírios do crack faz de seus usuários ladrões e assassinos potenciais, capazes de tudo para conseguirem uma porção da droga. Tal impulso gera próspera indústria e rentável comércio, nada obstante envolver consumidores em sua maioria miseráveis.
O viciado em crack é, antes de tudo, um doente, com elevada e pouco controlável dependência física e psíquica. A cura nem sempre é fácil, dependendo sempre da colaboração do usuário e abnegação do cuidador.
As cracolândias liquidam seu entorno, intranquilizando moradores e afugentando o comércio. Milhares de brasileiros, moradores próximos, vivem em regime de recolhimento compulsório, aprisionados nas próprias residências, do anoitecer ao amanhecer, período em que a multidão de desvalidos toma conta das ruas e gera o triste quadro de terra selvagem, sem lei.
Experiências as mais diversas já foram executadas, como a tentativa de conduzir a multidão a dormitórios públicos, ofertar-lhes serviços de varrição e limpeza, remunerados, reservar hotéis inteiros a pernoites de viciados, etc. etc., mas todas demonstraram-se ineficientes, enquanto isoladas.
As conduções coercitivas para tratamento, e mesmo a oferta de tratamentos voluntários, não geram curas capazes de conter o aumento da população de viciados. O aprisionamento geraria verdadeiros campos de concentração.
Nas cracolândias, o tráfico persiste, apesar de vez ou outra contido por operações policiais, que geram condenações e novas modalidades de oferta da droga, em um círculo vicioso.
Os governos e a própria sociedade parecem incapazes de garantir o mínimo de cidadania aos que habitam as proximidades das cracolândias. Pequenas cracolândias surgem diariamente, em algum ponto de praças e jardins, sob viadutos, ou em terrenos baldios e prédios abandonados.
Chegamos à lua, dominamos tecnologias outrora impensáveis, mas somos incapazes de resolver o problema das populações zumbis. O tráfico desafia governos e acaba por corrompe-los.
Será que estamos utilizando corretamente o instrumento da educação, para conscientizar nossas crianças e jovens da gravidade do problema ?
O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.
A leitora Sonia Moreira escreve: 'Hora de sair de cena!'
Sônyah Moreira – sonyah.moreira@gmail.com – ‘Hora de sair de cena!’
Esses dias assistindo a um filme que relata a substituição de um grupo de homens experientes por outros mais jovens, e como sempre pensando e divagando no contexto. Não tem jeito uma hora teremos que sair de cena, passar o bastão, pendurar a chuteira, e outros tantos adjetivos que podemos encontrar. Vejam, mas não é tarefa fácil, afinal temos que encontrar discípulos, coisa rara nos dias de hoje, ora por não quererem aprender, pois acham que sabem tudo, ora pelo egoísmo exacerbado da maioria das pessoas em não dividir o que aprendeu pela vida. Na antiguidade era extremamente comum as pessoas preocuparem-se com a continuidade do conhecimento, passavam de geração em geração. Estatisticamente falando dentro de uma organização o funcionário ao ensinar outra pessoa, passa apenas 30% do seu conhecimento, isso se ele dominar plenamente suas funções imaginem então um que sabe menos ainda o que poderá ensinar? Não passará nada, pois o que menos sabe é ainda mais egoísta, é o cara que sofre só em pensar que outro pode ocupar seu espaço, mal sabe ele que quanto mais distribuímos o que aprendemos, mais aprenderemos, pessoas solidarias com as outras tendem a ter ajuda para subir e serem promovidas com maior rapidez, o tão afamado trabalho em equipe, não se restringe somente a dividir tarefas, e sim conhecimento. A verdade é que temos sim que sair de cena, não poderemos ficar eternamente em nossos papéis de protagonistas, obviamente não estou dizendo para que ninguém se isole, existem diversas maneiras de continuarmos atuando, porém, podemos aplicar nossos conhecimentos nos bastidores, deixar as luzes da ribalta para aqueles cuja sua jornada está ainda nos primeiros passos, e com certeza chegará como nós ao ápice. Vamos torcer para que esses futuros substitutos encontrem com mais facilidade sucessores, pois somente chegará a mestre quem souber encontrar discípulos para que seu legado seja levado por gerações. Ao sair de cena deixemos as cortinas prontas para um novo ato, lembre-se que o espetáculo tem que continuar mesmo sem você, e torça para que seja com menos erros e mais acertos.
O sair de cena que exemplifiquei nessa crônica, não significa de maneira alguma no sentido de deixar de viver, e sim distribuir sua vivência, compartilhar suas experiências, seus acertos e seus erros que com certeza foram muitos, e que serviram para te elevar, para te impulsionar, dizer ao mundo e aos mais jovens que tudo é válido, os acertos e os erros, cada minuto da vida, e aproveitar para eternizar o seu legado.
O sair de cena, é deixar o egoísmo de lado, é acreditar que tem pessoas tão ou melhores que você, é perceber que na vida tudo tem um ciclo, uma duração, um limite, um começo, um meio e um fim.
Curve-se diante do novo, aceite as mudanças necessárias, agradeça as conquistas, e comece tudo de novo, aprendendo mais do que ensinando, percebendo que a roda da vida não para, recomece quantas vezes for preciso.
Portanto, ensine, compartilhe, ajude com sua experiência a melhorar o mundo a sua volta, lembre-se que por mais insubstituível que você acha que é não ficará para semente, não será eterno, querendo ou não, você terá que dizer adeus!
Aplausos a todos que sabem sair de cena com o glamour de uma estrela de Hollywood.
Sônyah Moreira – sonyah.moreira@gmail.com
Sergio Diniz da Costa: 'Os fortes, os bravos e os imprescindíveis'
SERGIO DINIZ DA COSTA: ‘OS FORTES, OS BRAVOS E OS IMPRESCINDÍVEIS’
Consulto minhas mensagens de e-mail e, dentre elas, deparo-me com uma notícia alvissareira: uma amiga noticiando a sua colação de grau num curso que lhe trará uma ascendência no serviço público.
Segundo ela, compartilhava comigo ‘um momento de felicidade conquistado com muita garra e suor’. E narra que, por duas vezes quase desistiu do curso, mas seguiu em frente, motivada pelo lema de sua filha (uma poetisa mirim de 12 anos): ‘Insista, persista e nunca desista’.
E ela me questiona se essa filha não teria sido um anjo, colocado por Deus em sua vida.
Respondi a ela, felicitando-a e comentando que eu também, quando fiz o curso de Direito, também pensei em abandoná-lo, por várias e justificadas razões. Entretanto, com a mesma garra e suor que ela, segui em frente.
Eu tinha, então, dois anjos em minha vida: uma filha de 3 anos quando iniciei o curso e, no penúltimo ano, o nascimento de outra, que demandavam-me um tempo e preocupação, disputados com a peleja diária profissional. Elas, contudo, pela pouca idade, não tinham um lema; elas eram-me o lema incentivador.
Refletindo sobre a notícia da vitória, apesar das dificuldades, e a figura dos anjos terrenos, lembrei-me de um poema estudado nos bancos escolares, e que na época me impressionou e me motivou muito: ‘Canção do Tamoio’, de autoria de Gonçalves Dias, poeta, advogado, jornalista, etnógrafo e teatrólogo brasileiro. Um grande expoente do romantismo brasileiro e da tradição literária conhecida como ‘indianismo’. Sua primeira estrofe é retumbante: ‘Não chores, meu filho;/ Não chores, que a vida/ É luta renhida:/ Viver é lutar./ A vida é combate,/ Que os fracos abate,/ Que os fortes, os bravos/ Só pode exaltar. (…)’
E ainda envolvido com a emoção compartilhada, também me recordei de um pensamento que lançou raízes em minha alma, de autoria do dramaturgo, poeta e encenador alemão, Bertholt Brecht: ‘Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis.’
A vida, é, realmente, luta renhida, disputada, combatida. Viver, de fato, é lutar. Principalmente quando digladiamos contra a injustiça, a falta de ética e de solidariedade humana, numa contenda que os fracos abate, mas que os fortes exalta.
Não obstante, assim como minha amiga, mais do que lutar por um dia, e ser bom; mais do que lutar por um ano e ser melhor, tenho lutado a vida inteira. E assim pretendo continuar, sempre, até quando as forças físicas e mentais me proporcionarem, pois, matriculado na Escola da Vida, não posso aceitar ser apenas bom ou o melhor de mim mesmo, quando posso – e devo – tornar-me indispensável, imprescindível.
Creio, minha amiga vencedora, que é isso que os nossos anjos nos desejam, também!
Celso Lungaretti: 'CASSAÇÃO DE UM CORRUPTO ISOLADO OU MERO SACRIFÍCIO DO 'PRIMUS' PARA SALVAREM-SE OS 'PARES'?'
DOIS PERDIDOS NUMA NOITE SUJA – O EPÍLOGO. [ou O CORRUPTO E A INCAPAZ
Cunha, o corrupto, percebeu para onde os acontecimentos marchavam e, sondado pelosimpichadores, emitiu sinais de que contribuiria para o defenestramento de Dilma, a incapaz.
De repente, amontoaram-se os processos contra o corrupto, com certa autoridade passando a atuar celere e implacavelmente em tudo que lhe dizia respeito, enquanto continuava arrastando os trâmites relativos a outros enlameados de primeira grandeza.
O corrupto entendeu o recado e, adotando postura diametralmente oposta à que tencionava, colocou em banho-maria as dezenas de pedidos de abertura do processo de impedimento na Câmara Federal.
A barganha convinha às duas partes: eu não te detono, tu não me detonas.
Aí, incomodados com a péssima repercussão pública deste toma-lá-dá-cá, os jenios integrantes do staff presidencial decidiram tentar a mágica de fulminar o corrupto sem que a incapaz fosse sacrificada também.
Como em quase todas as maquinações de tais colecionadores de derrotas, o resultado foi desastroso. O corrupto, ao perceber que estavam selando sua sorte, preferiu cair atirando.
E agora a segue pelo mesmo caminho. Merecidamente.
À guisa de prêmio de consolação, poderá contar aos netinhos que fechou o caixão político da incapaz.
Para o simbolismo ficar 100% perfeito, só faltou não haver o intervalo de 13 dias entre o tchau, querida! e o tchau, querido!.
Pois, na verdade, morreram abraçados, a que deixou o país quebrado e o que deixou a imagem da Câmara em frangalhos.
[clique aqui e ouça a canção de despedida que Eduardo Cunha fez por merecer]
A HIPOCRISIA ESCANCARADA NO JULGAMENTO DO CORRUPTO
“Até tu, Brutus?”
(Júlio César, imperador romano, ao
ser apunhalado por antigos aliados,
inclusive seu afilhado Marco Brutus)
O libelo acusatório do deputado federal Eduardo Cunha, a sua defesa e o seu julgamento equivaleram a um tonitruante espetáculo circense sem graça (e que me perdoem pela analogia os valorosos artistas de circo). O enfim cassado é a mais clara tradução do significado da instituição parlamentar brasileira, forte concorrente ao título de campeã mundial da hipocrisia.
Todos os membros da institucionalidade constituída pelos poderes do Estado proclamam à exaustão a importância de suas instâncias para a democracia, como se essa última fosse o inquestionável estágio da busca da isonomia soberana da participação social. A repetida necessidade desta afirmação somente evidencia a inconsistência daquilo que é afirmado.
Mas, o que é mesmo a democracia e seus representantes parlamentares?
Inculcam-nos certos valores, martelando-os ad nauseam, como se fossem sacralizados e a sua contestação, um sacrilégio, passível de condenação ao fogo do inferno. O conceito de democracia e seu parlamento é um deles.
O que dizer de uma instituição como o parlamento brasileiro, no qual (conforme Cunha admitiu, sem nenhum pejo, na tribuna) cerca de 1/3 dos membros estão sendo processados por corrupção?
O que dizer desses julgadores de dedo sujo a apontarem para um seu colega mais hábil na corrupção (sabe-se que que muitos deles recebiam propinas e favores do próprio Cunha), condenando-o hipocritamente?
O que dizer do processo eletivo maculado pela compra de votos, com o poder econômico elegendo deputados a bel-prazer? Pode-se obter votação expressiva mesmo não contando com a mínima penetração popular e sendo absolutamente desconhecido pela grande maioria dos seus eleitores, desde que se possua recursos suficientes para encher as urnas com os votos originários dos chamados currais eleitorais, em perfeita comunhão de interesses com prefeitos igualmente corruptos…
O que dizer da escolha de Cunha para presidir a Câmara dos Deputados, processo no qual tiveram papel revelante os milhões surrupiados em tenebrosas transações envolvendo empresas estatais e companhias privadas, numa relação direta de apadrinhamento com o governo?
Um dos deputados que defendiam Cunha disse, sem temer as palavras e de um modo que não alteraria o gráfico de nenhum detector de mentiras, que estava ali fazendo uma defesa confortável do acusado porque não tinha dor de consciência, ou seja, se considerava igual ao dito cujo e por isto estava a apoiá-lo, diferentemente dos seus pares.
A sua altivez contrastava com a hipocrisia de muitos desses pares. Talvez tenha sido o momento de maior lucidez, pelo reconhecimento explícito do que estava a ocorrer naquela encenação circense, na qual se sacrificava um corrupto para se salvar a instituição corrompida e os demais corruptos, seus pares.
Na meca do capitalismo mundial, os EUA, o candidato que mais arrecada fundos para a sua campanha é tido como aquele que detém maior prestígio eleitoral capaz de leva-lo à vitória, numa demonstração explícita de que é o poder econômico a síntese e a essência desse engodo chamado democracia.
No Brasil, apesar de tudo ocorrer da mesma forma, a justiça eleitoral encena um arremedo de combate ao poder econômico, mera pantomima para inglês ver. Lá nos States não há tanto cinismo, pelo menos.
A democracia é antidemocrática e o espetáculo teatral da cassação de Cunha não passou do final de longos meses de encenação de uma ópera bufa, servindo como a explicitação insofismável de que a democracia, tanto quanto o capitalismo, constituem uma inversão da realidade.
Deputados eleitos sem a legitimidade de soberania de vontade dos que o escolheram, beneficiários em sua grande maioria de tudo que é maracutaia descoberta ou encoberta neste Brasil de tantas desigualdades sociais, travestiram-se de julgadores da corrupção: uma ironia somente cabível num sistema que nega o mais ínfimo senso de justiça social! Esses são os representantes do povo.
Costumo dizer que o Estado existe para regulamentar, manter e induzir a existência do capitalismo, o qual é uma forma de relação social segregacionista. Em assim sendo, todos os seus construtos institucionais se formatam à sua imagem e semelhança.
A análise que ora fazemos da forma e conteúdo do parlamento brasileiro (e mundo afora, ainda que possa haver melhor qualificação nos países onde a dependência do povo em relação ao poder econômico é menos acentuada e o nível de escolaridade, maior), se estende às outras esferas do poder.
O poder Executivo é o centralizador das ações administrativas do Estado e, por isto mesmo, aquele que detém as funções básicas do Estado acima referidas.
O poder Judiciário e a força de coerção estatal para o cumprimento das leis legiferadas pelo parlamento, com a composição ideológica que ora tem. Portanto, o Judiciário se transforma no cutelo dos poderosos, ainda que seus membros lavem as mãos tal como Pilatos no credo, e como se estivessem cumprindo aquilo que lhes foi determinado pela lei advinda da vontade popular, por representação de legislador eleito pelo povo. Daí resulta que o direito e sua aplicação pelo Judiciário, como tudo no mundo capitalista, seja a inversão da realização do ideal de justiça.
O capital é opressor e o Estado, enquanto seu instrumento jurídico-institucional, não passa da face legitimadora da opressão.
O parlamento, consequentemente, não poderia ser diferente do que é. (Por Dalton Rosado)
OUTROS POSTS RECENTES DO BLOGUE NÁUFRAGO DA UTOPIA (clique p/ abrir):
‘SALVADORES DA PÁTRIA’ DE ONTEM E HOJE
LÍDER DA ‘PASSEATA DOS 100 MIL’ EM 1968, VLADIMIR PALMEIRA PEGA O PT NA MENTIRA.
NINGUÉM LIGOU: O IMPEACHMENT SAIU BARATO EM TERMOS DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS.
“RECONHECER ERROS E RESTABELECER O DIÁLOGO SERIA O COMEÇO DA RECONSTRUÇÃO”
PEDRO CARDOSO: “SALVEM O POVO SÍRIO!”
NEM A LEI DA FICHA LIMPA NEM A PROIBIÇÃO DE DOAÇÕES EMPRESARIAIS REDIMIRÃO NOSSAS ELEIÇÕES
CONHEÇA O VILÃO QUE RETIRA DOS HUMANOS A SUA VONTADE SOBERANA E PASSA A TELEGUIÁ-LOS COMO ZUMBIS
BOULOS E LINDBERGH PEDEM DESMILITARIZAÇÃO DO POLICIAMENTO. ESTÃO CERTOS… COM DÉCADAS DE ATRASO!
LACERDA, GETÚLIO E EU.
A PERMANÊNCIA DA LEI DE SEGURANÇA NACIONAL DA DITADURA É UMA AMEAÇA QUE NÃO PODEMOS IGNORAR






