Artigo de Celso Lungaretti: 'OS ANOS QUE PASSEI ESTIGMATIZADO E A VOLTA POR CIMA'

O ÚLTIMO ATO DE UM DRAMA HISTÓRICO QUE COMEÇOU HÁ 46 ANOS 

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Veículos revistados: sem resultados concretos.

“Jogaram a viola no mundo,

mas fui lá no fundo buscar”

(José Carlos Capinam)

Com a chegada às livrarias do livro 1970, a guerra no Vale do Ribeira, no início do mês que vem, estará sendo finalmente revelada a verdade sobre como os órgãos de repressão da ditadura ficaram conhecendo a localização exata da escola de guerrilha da Vanguarda Popular Revolucionária em Jacupiranga (SP), ponto de partida da fracassada Operação Registro, quando mobilizaram quase 3 mil homens para a caçada a um punhado de guerrilheiros e nem assim evitaram que escapasse aquele a quem mais queriam agarrar. 

Sou parte desta história: durante 34 anos me apontaram como o autor da delação. 

Num primeiro momento, em companhia de Massafumi Yoshinaga, como se vê neste manifesto de setembro de 1970. Tal versão não se sustentou pois, embora o nissei houvesse rompido publicamente com a VPR, nada tinha a ver com a queda da área e seu nome estava sendo citado como mera retaliação.

No processo da foto famosa da Dilma…

A minha suposta culpa foi tão propalada entre militantes, simpatizantes e admiradores da esquerda que, quando finalmente deixei os cárceres militares, nada havia a fazer. A imprensa, sob censura, não publicaria a minha versão, nem eu tinha como fazê-la circular nos círculos esquerdistas. 


Então, sob intensa estigmatização, só me restou o caminho do isolamento numa das comunidades alternativas que pululavam então. Alheio às invencionices sobre mim que abundavam lá fora e apoiado por pessoas que acreditavam em mim, superei os traumas e me reconstruí (o Massafumi, coitado, sucumbiu ao linchamento moral, acabando por enlouquecer e se matar).


Cheguei, na segunda metade da década de 1970, a receber proposta de outro agrupamento de esquerda (a VPR fora dizimada e os sobreviventes a dissolveram): divulgaria declarações minhas sobre as torturas que me haviam sido infligidas (no DOI-Codi/RJ quase enfartei e na PE da Vila Militar/RJ sofri lesão permanente), reabilitando-me para que pudesse retomar a militância, em escalão inferior.

O acordo emperrou na minha exigência de contar também que estava sendo feito de bode expiatório no tocante à delação da escola de guerrilha. Era compreensível que quisessem preservar a aura de heroísmo e martírio da VPR, mas eu não estava disposto a passar para a História como o vacilão que destruíra o sonho do comandante Carlos Lamarca.

…eu era outro dos réus.


Quando a sanha ditatorial arrefeceu e a grande imprensa começou a me procurar, pude enfim denunciar pormenorizadamente as torturas que sofrera, mas os focos das reportagens eram outros e o caso de Jacupiranga não interessou a nenhum veículo. 

Em meados de 1994, o jornalista e escritor Marcelo Paiva imputou-me tal delação, em reportagem que saiu na capa do caderno de Variedades da Folha de S. PauloRetruquei, ele treplicou e encerramos a polêmica com um artigo cada.

Inicialmente, ele repetiu a versão simplificada: eu tinha estado na área, sabia a localização e a revelara ao DOI-Codi.


A minha réplica trouxe informação nova para o público de esquerda: eram duas as áreas. Eu fizera parte da equipe precursora que fora preparar o terreno para a chegada dos aprendizes, mas o sítio adquirido pela VPR fora considerado inadequado, com o trabalho sendo transferido para outro lugar.

Na fase de torturas

Decidida a desocupação da área 1, fui incumbido de criar um serviço de Inteligência no Rio de Janeiro. Isto porque, desconhecendo a localização da área 2, mesmo que fosse preso não colocaria a atividade principal em risco. 

Em 2004, tomei conhecimento de um relatório de operações do II Exército que corroborou totalmente a minha versão, apresentando a seguinte cronologia dos acontecimentos:

  • no dia 16/04/1970 eu revelei ao DOI-Codi/RJ a existência e localização da área 1;
  • no dia 17, o DOI-Codi/SP enviou duas equipes para lá;
  • no dia 18, ambas voltaram para São Paulo trazendo a informação de que a área efetivamente existia, mas estava abandonada, sem atividades guerrilheiras;
  • no mesmo dia 18, a partir de nova prisão efetuada pelo DOI-Codi/RJ, foi descoberta a existência de uma segunda área, esta sim ativa, na mesma região.

Carta do principal historiador da luta armada brasileira, Jacob Gorender, publicada na Folha de S. Paulo, deu-me razão:

“A respeito dessa segunda área, nenhuma responsabilidade cabe a Celso Lungaretti, que ignorava a sua existência. Sua vinculação com o episódio restringiu-se, por conseguinte, à informação sobre a área que sabia desativada, fornecida, segundo afirma, sob tortura irresistível”.

Enfim, toda a verdade.

As pessoas mais interessadas e bem informadas passaram a reconhecer a minha inocência. E, repugnando-me o papel de apontar outrem para sofrer estigmatização no meu lugar, preferi manter a coisa no pé em que Gorender a deixou; eu saíra da berlinda e ninguém nela entrou. O nome da pessoa responsável só aparecia na web (num ou noutro artiguete da extrema-direita, que só fanáticos leem).

As emoções, com o tempo, vão sendo substituídas pela reflexão serena. Percebi que tais detalhes eram, na verdade, irrelevantes. Fundamental havia sido a extrema disparidade de forças que nos tangia inexoravelmente para a derrota final, não a forma como cada batalha foi perdida.


É uma ingenuidade acreditar que os bons serão sempre recompensados e os maus castigados, mas foi este primarismo emocional que tornou necessárias válvulas de escape como a busca sôfrega de culpados nos quais concentrar as pedras, uma espécie de catarse face ao inconformismo com um desfecho difícil de engolir. Daí para ser satanizado também quem não era culpado e quem era menos culpado, foi só um passo.

E, tendo passado pelos trituradores de carne da repressão política, jamais me permitirei julgar o comportamento de nenhum prisioneiro político forçado a dizer o que não queria. Mas, o pecado da pessoa cujo ato me foi atribuído por 34 anos é outro: o da total falta de solidariedade para com um companheiro que foi ao inferno no lugar dela. Fraquezas na sala de tortura são compreensíveis, mas não a atitude de alguém que, em segurança e com todo conforto, decidiu que um inocente sofreria no seu lugar.

Sou um homem de princípios: considerei que me cabia apenas o papel de esclarecer a minha participação. Mas, até por senso de justiça, torcia para que toda a verdade acabasse sendo resgatada e exposta.

O ideal, para mim, seria que o fizessem aqueles a quem concerne tal papel: historiadores, jornalistas ou escritores.

Demorou, mas isto acabou ocorrendo. E, curiosamente, por alguém que, parcial ou totalmente, preenchia os três requisitos: Celso Luiz Pinho, um jornalista que escreve livros sobre episódios históricos.




Saiu na Folha de São Paulo: 'Mesmo após redução do Fies, duas de cada dez vagas não são ocupadas'

Veja o que está acontecendo com o FIES, programa que foi reduzido pelo Governo Federal

PAULO SALDAÑA
ANGELA PINHO
DE SÃO PAULO

O apagão no Fies desde o ano passado é maior do que o anunciado pelo governo federal –tanto pela gestão Dilma Rousseff (PT) como pela de Michel Temer (PMDB).

Mesmo após a limitação de vagas a menos de metade das oferecidas em 2014, no auge do programa de financiamento estudantil, mais de duas em cada dez que foram abertas no ano passado e no primeiro semestre de 2016 não foram nem mesmo preenchidas –128.933 de 564.226.

A principal explicação está ligada às novas exigências na seleção e regras que reduzem a subvenção do Fies. Na prática, os candidatos manifestam interesse, mas muitos não efetivam os contratos (por não atenderem aos critérios ou por desistirem posteriormente).

Em 2015, 8% das vagas disponíveis não foram preenchidas. No primeiro semestre de 2016, esse índice subiu para 41%, atingindo 102 mil das 250 mil vagas divulgadas. Os dados foram obtidos via Lei de Acesso à Informação.

Apesar desse alto índice, a nova equipe do Ministério da Educação abriu para o segundo semestre a possibilidade de somente 75 mil contratos.

Ainda não há balanço sobre esse montante, mas a estimativa do Semesp (Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior) é de que a proporção de preenchimento ficará em torno de 45%.

“O medo do desemprego e a falta de confiança no futuro fazem potenciais ingressantes do programa desistirem do ensino particular”, diz o consultor Carlos Monteiro.

CURSOS

O Fies garante empréstimo com condições facilitadas para o aluno cursar o ensino superior em instituição privada. No primeiro semestre, por exemplo, 550 mil se candidataram a 250 mil postos.

Os cursos disponíveis, porém, não interessaram a todos os candidatos, e a seleção dos considerados aptos para o programa se tornou mais rígida. A situação é reflexo das mudanças no Fies introduzidas a partir de 2015.

Após um boom no número de contratos, com custo de até R$ 14 bilhões para os cofres públicos num ano, o governo decidiu estipular um limite para o número de financiamentos disponíveis.

Na esteira do ajuste fiscal, o Ministério da Educação também instituiu um teto de renda para os candidatos e passou a exigir deles um desempenho mínimo no Enem: tirar 450 pontos na prova objetiva e não zerar na redação.

Os juros subiram de 3,4% para 6,5% ao ano, e a proporção da mensalidade financiada passou a variar de acordo com o preço do curso e da renda do estudante.

“Quem tem renda não tem nota e quem tem nota não tem renda”, afirma Janguiê Diniz, presidente da ABMES (Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior).

A dificuldade de obter 100% de financiamento também influi, diz Rodrigo Capelato, secretário-executivo do Semesp. “O aluno se inscreve, mas, quando vai fechar o contrato, vê que o percentual é baixo e desiste”, afirma.

Além disso, diz, os cursos com maior demanda, como direito e administração, têm poucas vagas, já que o governo federal decidiu priorizar áreas consideradas estratégicas, como as de formação de professores e engenharias.

SISTEMA

Outro problema é a dificuldade em usar a plataforma de inscrição instituída no ano passado. “Muitas vezes o interessado não tem experiência para preencher o formulário, e não recebe auxílio”, diz o consultor Monteiro. O sistema, desde a criação, enfrenta ainda problemas técnicos.

O estudante Sérgio Nascimento, 37, diz que desistiu da inscrição no Fies após não conseguir nem completar o cadastro –por morar com a tia e o sistema não ter campo específico para a informação.

Hoje, para cursar jogos digitais na Universidade Cruzeiro do Sul, usa financiamento privado –de empresa que relata alta de cinco vezes na procura após o novo Fies.

OUTRO LADO

Segundo o Ministério da Educação, “não há um único fator que explique a ociosidade das vagas” do Fies.

Por meio de nota, a pasta afirma que, após o encerramento do atual processo seletivo, no dia 17, um novo edital será divulgado para preencher as vagas remanescentes.

A gestão do ministro Mendonça Filho (DEM) não explicou por que foram oferecidas apenas 75 mil vagas depois de 102 mil sobrarem no primeiro semestre deste ano.

Disse apenas que garantiu essas vagas e a renovação dos cerca de 2 milhões de contratos “mesmo em um contexto de ajuste econômico”.

O ministério lembrou ainda que o público do programa foi ampliado no ano passado, quando o limite máximo de renda familiar do candidato subiu de 2,5 para três salários mínimos per capita.

De acordo com a nota, as mudanças no Fies introduzidas a partir do segundo semestre de 2015 têm o objetivo de “eliminar distorções” e reduzir o subsídio por aluno de forma a “favorecer a sustentabilidade do programa”.

O objetivo, diz o ministério é tornar possível que, “no médio prazo, os novos entrantes sejam financiados, em sua maioria, pelos formados”.

As regras que fizeram o Fies encolher no ano passado foram instituídas após o número de contratos do programa disparar a partir de 2010.

Naquele ano, o governo reduziu os juros para taxas abaixo da inflação e autorizou que contratos fossem fechados ao longo do ano todo.

Com isso, o número de contratos firmados por ano saltou de 76,2 mil para um pico de 731 mil em 2014.

REGRAS

Os estudantes inscritos no programa começam a pagar o financiamento 18 meses após a formatura e têm 13 anos para quitar a dívida (no caso de cursos de quatro anos).

Auditoria da Controladoria-Geral da União com dados de 2014 indicou que 47% dos contratos em fase de amortização naquele momento estavam inadimplentes.

O prazo de carência da maioria dos contratos firmados a partir de 2010 ainda não terminou.




Saiu na TV Tem: 'Sesi apresenta espetáculo teatral '700 Mil Horas' em Itapetininga'

Atração ocorre nesta sexta-feira (19) e sábado (20), a partir das 20h.

 Classificação é para maiores de 14 anos; entrada gratuita.

Teatro aborda sobre existencialismo e cotidiano (Foto: Divulgação/Lívia Simardi)Teatro aborda sobre existencialismo e cotidiano (Foto: Divulgação/Lívia Simardi)

O espetáculo teatral “700 Mil Horas” vai ser apresentado de graça no Sesi de Itapetininga (SP).  nos dias 19 e 20 de agosto, a partir das 20h. A classificação é para maiores de 14 anos.

A peça é feita pela Companhia Luis Louis. O espetáculo propõe que o público viva 700 mil horas em 60 minutos. Para interagir, um cronômetro é acionado no inicio da encenação para garantir que o elenco não perca a hora. Entre os temas tratados estão: existencialismo e cotidiano.

A sede da entidade está localizada na avenida Padre Antônio Brunetti, 1.360, na Vila Rio Branco. Os ingressos podem ser retirados antecipadamente pelo canal Meu Sesi.




EXCLUSIVO: Entrevista com o professor Jefferson Biajone sobre os cinco anos do MMDC

Com exclusividade absoluta o ROL obteve uma entrevista com o fundador do Núcleo MMDC de Itapetininga, professor Jefferson Biajone.

bandeira (1)Em entrevista ao nosso jornal, o professor Jefferson Biajone diz que fundou o núcleo MMDC de Itapetininga em 12 de julho de 2011 para “resgatar e preservar a memória e os feitos dos paulistas que participaram na Revolução Constitucionalista de 1932 no Setor Sul do Estado de São Paulo, em especial a luta empreendida por voluntários itapetininganos nos combates que se deram em várias cidades da região”. Nesta entrevista, o professor conta que importantes realizações  foram obtidas no resgate da epopeia de 32 no setor sul por conta do apoio de várias personalidades e entidades, apesar de sua maior dificuldade nesses trabalhos residir na ausência de pesquisadores interessados em retratar o movimento revolucionário paulista. O professor encerra sua entrevista apontando para a importância de se estudar o passado para que possa projetar o futuro.

Como ferramenta de trabalho, Jefferson Biajone emprega a internet, ao manter o portal do Núcleo MMDC de Itapetininga (http://mmdc.itapetininga.com.br), local no ciberespaço onde divulga pesquisas e publica trabalhos historiográficos relacionados à epopeia de 32 no Setor Sul.

Jefferson Biajone é docente da Faculdade de Tecnologia (Fatec) de Itapetininga, onde leciona disciplinas na área de Matemática e de Inglês. É doutor em Ensino, mestre em Educação e licenciado em Matemática e Letras. Acadêmico titular da cadeira de nº 14, patrono Domingos José Vieira, da Academia Itapetiningana de Letras e membro benemérito do IHGGI – Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Itapetininga. Pertence também à Associação dos Ex-Atiradores e Amigos do Tiro de Guerra de Itapetininga (AEATGI) entidade que auxiliou na fundação em 2015. Residente em Itapetininga desde 2011, o professor, em parceria com intelectuais e mecenas locais, teve (re)editado os livros “Itapetininga: heróis, feitos e instituições” (Regional, 2012); “Patriotas Paulistas na Coluna Sul: edição comemorativa dos 90 anos da Revolução de 1924” (Regional, 2014); “Heroísmo Desconhecido: edição comemorativa dos 90 anos da Revolução de 1924” (Edição digital, 2014); “Continência a Morte: edição comemorativa dos 70 anos do Dia da Vitória” (Regional, 2015) e “Cruzes Paulistas: edição comemorativa dos 80 anos de Cruzes Paulistas” (Edição digital, 2016) e “Cruzes Paulistas: edição comemorativa dos 85 anos da revolução constitucionalista de 1932 ” (Regional, 2017).

Além dos livros que resgatam históricos de ex-combatentes nas revoluções de 1924, 1930, 1932 e Segunda Guerra Mundial, há também o trabalho de homenagem que realiza, o que tem envolvido a afixação de placas alusivas à condição de hospitais de campanha, enfermaria, paiol de munições, aquartelamentos e teatro de operações de diversos estabelecimentos e localidades históricas no município e região; a afixação de placas de homenagem em túmulos de ex-combatentes com acesso aos seus históricos de vida via QR CODE (Projeto Morada de Heróis) e a inauguração de monumentos em solenidades cívicas diversas, a citar os monumentos aos Bravos de Itapetininga que lutaram por São Paulo, a 3 de outubro de 2011, na sede do 22º BPM/I; aos Heróis Itapetininganos de 1932 e 1945, a 10 de Julho de 2012, no Cemitério Municipal de Itapetininga; Praça 9 de Julho, a 24 de maio de 2012, em Buri; aos Heróis de Buri que lutaram por São Paulo, a 16 de Julho de 2012, em Buri; Praça Campina de Heróis, a 17 de Maio de 2014, em Campina do Monte Alegre;  Praça Osvaldo Raphael Santiago, a 9 de Julho de 2014, em Itapetininga; aos Gaviões de Penacho: aviação constitucionalista, a 15 de Julho de 2014, em Campina do Monte Alegre; ao Soldado Constitucionalista Octávio Seppi, a 8 de Julho de 2015, na Floresta Nacional de Capão Bonito; Taquaral Abaixo – a última trincheira do Setor Sul, a 17 de Outubro de 2015, em Capão Bonito e aos Gaviões de Penacho – Aviação Constitucionalista, a 1º de Julho de 2017, em Itapetininga.

Seus trabalhos de resgate da memória e dos feitos de ex-combatentes também se debruçam sobre o histórico da participação de itapetininganos na Força Expedicionária Brasileira (FEB) durante a Segunda Guerra Mundial (1944-1945). Para tanto, fundou e realiza a gestão do Portal dos Ex-combatentes de Itapetininga (http://pec.itapetininga.com.br) que em parceria com o Tiro de Guerra 02-076 do município, mantém desde 2011 a Galeria dos Ex-combatentes da FEB que contem informações sobre cada um dos 34 itapetininganos que lutaram nos campos da Itália durante a Segunda Guerra Mundial, o que é feito tanto presencial quanto digitalmente para visitação. Nas comemorações do Dia da Vitória de 2017 (8 de maio), a galeria se tornou a primeira do país a ser 100% acessível via leitura de QR CODE por dispositivo móvel, um trabalho realizado por acadêmicos do curso superior de tecnologia em Análise de Sistemas sob sua orientação na Fatec Itapetininga, cujo projeto embrionário, o Morada de Heróis, já havia sido obtido destaque nacional (Jornal Hoje de 02/11/2015) e premiado em congresso internacional sobre sistemas de informação e gerenciamento de tecnologia na Universidade de São Paulo.

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Eis a íntegra da entrevista:

ROL) Há cinco anos o senhor foi um dos fundadores do Núcleo de Itapetininga do MMDC. Qual era o eu objetivo?
Resgatar a memória e os feitos dos paulistas que participaram da Revolução Constitucionalista de 1932 (RC32) no interior do Estado de São Paulo e propiciar a Sociedade Veteranos de 32-MMDC, entidade da qual somos sucursal oficial em Itapetininga, a expansão de seus trabalhos por meio da rede mundial de computadores, porquanto esses nucleos são 100% digitais, não possuindo, portanto, sede fisica e integrados são por pesquisadores da RC32 locais, que por meio da internet postam e divulgam os resultados de suas pesquisas históricas sobre esse que foi o maior movimento civico da história do Estado de São Paulo.
ROL) Nesse tempo de existência, o Núcleo conseguiu quais resultados positivos?

Nesses últimos cinco anos de fundação do núcleo MMDC, podemos citar as principais realizações a seguir: 1) o resgate e divulgação na rede mundial de computadores da memória e dos feitos das histórias de vida de dezenas de ex-combatentes voluntários e militares da Força Pública e do Exército Brasileiro em 24 municipios do interior do Estado de São Paulo, incluindo na capital. 2) A inauguração de oito monumentos em homenagem aos revolucionarios de 32 em quatro municipios históricos da região, a saber, Itapetininga, Buri, Capão Bonito e Campina do Monte Alegre. 3) A colocação de dezenas de placas de ex-combatentes em túmulos de cidadãos que vivenciaram essa condição na revolução e que sepultados estão em cemitérios de itapetininga e São Paulo. 4) A colocação de placas contendo QR Codes em túmulos de ex-combatentes que permitem acesso a história de vida desses cidadão via dispositivo movel, um trabalho realizado em parceria com a Fatec de Itapetininga, o Portal dos Ex-Combatentes de Itapetininga e com o Instituto Histórico Geográfico e Genealogico de Itapetininga. 5) A colocação de dezenas de placas comemorativas da condição de quartel general, hospital de sangue, enfermaria e quartel de tropas durante a RC32 nos predios do DER, E.E Peixoto Gomide, Loja Maçônica Firmeza, CRI, Clube Venâncio Ayres, Cemitério Municipal e no Tiro de Guerra de Itapetininga. 6) A realização de palestras e entrevistas em variadas entidades culturais locais e regionais. 7) A publicação de artigos, ensaios, livros acerca da revolução em variadas mídias. 8) A concessão de diplomas de honra ao mérito e medalhas em grau post mortem a ex-combatentes falecidos em combate e 9) A realização de dezenas de eventos comemorativos acerca da RC32 em Itapetininga e em outras cidades da região. Mais recentemente foi realizada a concessão de um banner contendo QR Codes que dão acesso ao histórico de vida dos jovens do MMDC ao monumento e mausoléu do Soldado Constitucionalista de 32 em São Paulo.

ROL) Como ele se mantém e quais as principais dificuldades que enfrenta? 
O núcleo não possui sede fisica e os gastos que possui são com relação a elaboração de honrarias, o que é rateado entre seus integrantes. Nossa maior dificuldade, contudo, é encontrar mais pesquisadores e entusiastas da causa que almejem realizar pesquisas, sair a campo, escrever e publicar textos sobre a epopeia de 32. É fundamental que os interessados em se juntar ao núcleo pertençam à Sociedade Veteranos de 32-MMDC e sejam 100% voluntários porquanto todo nosso trabalho de resgate e manutenção da memória dessa revolução é sem fim lucrativo algum e em absoluto voluntário.
ROL) Quais são os projetos que estão sendo desenvolvidos pelo Núcleo?
Em 2016 estão previstos o lançamento do Diário de Campanha do voluntário Clineu Braga de Magalhães, falecido em combate em Capão Bonito e a publicação da edição 100% digital da obra considerada a Bíblia da RC32, qual seja, Cruzes Paulistas, ampliada e revista com o apoio de alunos e professores de tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas da Fatec de Itapetininga.
ROL) Porque é importante preservar a história?

A cultura de um povo é o seu maior patrimônio, assim sendo, preservá-la é resgatar a história, perpetuar valores e possibilitar com que as novas gerações não vivam sob as trevas do esquecimento que está sempre a ameaçar a memória e os feitos das gerações passadas. Cabe a todo cidadão cultuar o seu passado para que possamos todos ter um referencial para o futuro.




Saiu na TV Tem: 'Escola da Família oferece bolsas para universitários na região de Itapetininga'

Interessados podem se inscrever até domingo (14) no site do programa. Candidato deve estar matriculado em um curso de graduação

Candidatos devem acessar o Portal do Bolsa Universidade (Foto: Hariele Quara/Semcom)
Candidatos devem acessar o Portal do Bolsa Universidade (Foto: Hariele Quara/Semcom)

A Secretaria da Educação de São Paulo está com inscrições abertas para universitários interessados em participar do programa Escola da Família. Há vagas disponíveis na região de Itapetininga (SP) e os interessados podem se inscrever até domingo (14) no site do projeto.

Para concorrer, o candidato deve estar regularmente matriculado em um curso de graduação em instituição privada de ensino superior conveniada à secretaria; não ser beneficiário de bolsa de estudos ou financiamento; não possuir ensino superior completo; e ter disponibilidade para cumprir a carga de oito horas aos sábados ou domingos.

Pelo trabalho, a secretaria custeia 50% do valor da mensalidade do curso do estudante até o limite de R$ 500. O restante é assumido pelas instituições de ensino superior parceiras.

O programa
A proposta é que os universitários, supervisionados por professores e coordenadores das unidades, auxiliem na elaboração de ações e projetos para crianças, adolescentes, adultos e idosos e trabalhem com os voluntários nas oficinas e atividades desenvolvidas em cada escola.

Os estudantes selecionados serão encaminhados para as escolas de acordo com a pontuação, a quantidade de vagas disponíveis no curso de graduação e o número de vagas por região. Oregulamento completo pode ser consultado no momento da inscrição e o início das atividades dos novos bolsistas está previsto para 3 de setembro.




Saiu na TV Tem: 'Sesi de Itapetininga vai receber o espetáculo teatral 'Impermanência''

Peça vai ser apresentada nos dias 12 e 13 de agosto. Evento começa a partir das 20h nos dois dias. Entrada é gratuita

O Sesi de Itapetininga (SP) vai receber o espetáculo teatral “Impermanência” nos dias 12 e 13 de agosto.

O evento será realizado a partir das 20h nos dois dias.

A entrada é gratuita e a classificação é livre.

A peça traz como tema a reflexão sobre o mundo e as mudanças diárias.

A atração tem duração de 40 minutos e o espetáculo será feito pela Companhia Eclipse Cultura e Arte.

A unidade fica na avenida Padre Antonio Brunetti, 1.360, Vila Rio Branco. Os ingressos podem ser reservados pelo dispositivo Meu Sesi, no portal da entidade. Mais informações pelo (15) 3275-7920.




Artigo de Pedro Novaes: 'Rafaelas'

Pedro Israel Novaes de Almeida – RAFAELAS

colunista do ROL
Pedro Novaes

Dizem, cinicamente, que vencer é um detalhe, e o importante é competir.

Rafaela Silva, nossa judoca medalhista olímpica, deixou o anonimato, a discriminação e os olhares desconfiados pelo detalhe de conseguir uma medalha de ouro, lutando e vencendo as melhores do mundo.

A Rafaela que virou estrela, saudada em todos os ambientes, teria as mesmas virtudes, caso algum detalhe das lutas impedisse seu acesso ao pódio. Seria a mesma Rafaela, nada festejada e muito ignorada.

A Olimpíada é repleta de Rafaelas, que trazem muitas e heroicas  histórias de vida, e deixaram as arenas disfarçando o choro e amaldiçoando os detalhes. Saem das disputas para a desconsideração pública.

Rafaelas existem aos milhões, tão desconsideradas que sequer sonham em ocupar os pódios do reconhecimento popular. São mulheres brancas, negras, amarelas, de todas as cores e classes sociais, que seguem vida afora, enfrentando e por vezes vencendo os rounds da vida.

O povo adora os vencedores, com o mesmo ardor com que menospreza os valores e exemplos que não rendem notoriedade. Somos, ainda, horda medieval.

Importantes atributos e virtudes, como a honestidade, ética, responsabilidade e fraternidade, já raros, são pouco divulgados, ficando restritos ao mais íntimo dos ambientes. É dificílimo encontrar um logradouro público com o nome de alguém cuja biografia seja: formou bons cidadãos, trabalhou, ajudou os próximos e foi solidária.

Rafaelas raramente são eleitas, e sequer arriscam candidaturas. É inusitado vê-las em cargos comissionados ou desfilando, sob aplausos, com uma tocha olímpica qualquer.

São simplesmente Rafaelas, avós, mães, irmãs, tias ou primas, lutadoras da vida.

Rafaela Silva deve ter seu valor reconhecido, pela distância e circunstâncias que percorreu, da saída ao ponto de chegada. No fundo, deve estranhar tantos aplausos, elogios e homenagens, nascidos de um simples detalhe.

Convém valorizarmos as Rafaelas da vida, e aplaudi-las mesmo que não alcancem os pódios da notoriedade.

pedroinovaes@uol.com.br

O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.