Novo horário show da cantora Céu no Sesc Sorocaba

A apresentação será dia 15, aniversário da cidade

 A cantora e compositora Céu traz ao Sesc Sorocaba, no feriado de aniversário da cidade, dia 15 de agosto, às 18h, o show de seu quarto álbum de estúdio, Tropix. Com capa que expõe foto de Luiz Garrido, o disco tem produção assinada por Pupillo com Hervé Salters, tecladista e compositor francês do projeto General Elektriks.

 

O repertório deste show é basicamente formado por músicas inéditas e autorais da cantora, que brinca com beats. Com o novo trabalho, Céu começou a mais ousada reinvenção de sua carreira. Tropix é um disco sintético, noturno, reluzente. Perfume do Invisível, a faixa de abertura, começa com a cadência mole e vocais de apoio que remetem diretamente à faixa-título de seu segundo disco, Vagarosa. Mas logo em seguida entram a guitarra disco music e o beat de pista de dança. De repente, ela se desvencilha das diferentes camadas orgânicas que compunham seu universo musical para entrar num mundo de timbres frios, linhas de baixos pontiagudas, viço robótico, ciclos repetitivos, eletrônica vintage.

 

Salto no escuro

 

Tropix é um mergulho neste universo de texturas artificiais e que atravessa diferentes experimentos sônicos da segunda metade do século passado: o trip hop dos anos 90, a discoteca do final dos anos 70, o R&B dos anos 80, o casamento do hip hop com a música eletrônica. No entanto, não é uma viagem no tempo. O novo disco de Céu é um olhar do século 21 e traça uma genealogia pessoal de um mundo musical específico, um processo semelhante à viagem jamaicana feita em seu disco-irmão Vagarosa. Este disco de 2016, segundo a cantora, é uma incógnita, um desafio autoproposto como todos seus discos, um salto no escuro.

 

Em vez de cercar-se de diferentes músicos e produtores para lhe auxiliar nessa jornada, Céu preferiu trabalhar com a banda enxuta, com apenas três músicos. A cantora e compositora se estabeleceu como uma das principais vozes da atual música brasileira ao quebrar uma série de paradigmas relacionados ao papel da mulher neste cenário. Ela não é a musa inspiradora, tampouco uma intérprete à mercê de produtores e compositores, nem sequer uma cantora cuja escola foi a bossa nova. Ela mesma compõe suas músicas, escolhe seus rumos musicais e as fronteiras por onde pode desbravar. Sua formação musical vai do jazz ao hip hop, passando pelo samba, reggae, música caribenha, africana e nordestina.

 

O espetáculo acontece no Anfiteatro da unidade e os ingressos estão esgotados, porém, no dia do show (15/8), dependendo das condições climáticas, novos ingressos poderão ser colocados a venda, a partir das 14h, na Central de Atendimento. Para os interessados, às 13h do dia do evento, será divulgado no portal (www.sescsp.org.br/sorocaba) e nas redes sociais oficiais do Sesc Sorocaba se haverá ou não a venda de novos ingressos. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (15) 3332-9933 ou no portal sescsp.org.br/sorocaba.

 

Serviço: Céu – Show Tropix

Data: dia 15 de agosto (segunda-feira), às 18h.
Local: Anfiteatro do Sesc Sorocaba
Endereço: Rua Barão de Piratininga, 555, Jardim Faculdade.

Estacionamento:

Para credenciados no Sesc = R$ 4,00 a primeira hora e R$ 1,00 por hora adicional.

Não credenciados = R$ 8,00 a primeira hora e R$ 2,00 por hora adicional.




A leitora Sonia Moreira escreve: 'A quarta dimensão'

Sônyah Moreira   –  sonyah.moreira@gmail.com – A quarta dimensão

 

quara (Copy)Novamente peço que separem minhas palavras de qualquer denominação religiosa, considerem apenas como idéias filosóficas, assim sendo, como moradores de um planeta em evolução, criaturas em busca de seu criador, que estão aqui nessa dimensão espessa, onde o campo magnético da terra nos faz ficar presos ao solo, precisamos disso, nossa constituição física requer dessa forma, tem que ser assim até a hora de nossa libertação, é preciso nos preparar com a transmutação de nosso ser egocêntrico.

A morada definitiva de nosso espírito está além da atmosfera, na quarta dimensão, precisamos dar um salto quântico para atingir esse estágio de consciência, a preparação está no templo sagrado em nosso intimo, em nossa centelha divina.

Para podermos despertar esse novo eu, o caminho é estreito, a senda está a nossa frente, porém, só a enxergaremos no momento certo, na maturidade espiritual que todos alcançarão sem dúvida na hora exata, perceba que você está nesse mundo, mas não pertence a ele, sinta as vibrações de sua angustia, a saudade de algo desconhecido, o desespero por vezes inexplicável que sente, a rosa deve estar a ponto de brotar, o vaso está apertado, suas raízes anseiam por espaço, o botão quer eclodir, precisa ser manuseado com carinho, aqui e agora o espaço é finito tudo terá seu fim, a aurora que você almeja é infinita, o mundo ao qual pertence é o paraíso que por descuido caímos, o divino feminino e o divino masculino precisam e devem se completar nessa jornada de volta a morada dos deuses.

Perceba que por inúmeras vezes você sente que é um estranho num ninho diferente de sua espécie, estamos aqui, porém não somos daqui, não pertencemos a esse lugar, precisamos retornar ao lar.

O Santo Graal metaforicamente falando, apenas será encontrado na ressurreição, no renascimento do novo homem, acendendo a chama da vida eterna, o momento é agora para despertar e começar a trilhar o caminho de volta para quarta dimensão. Encontrar a Shangrilá, ou o paraíso perdido de onde nunca deveríamos ter caído, escolham o nome que acharem melhor, porém, o caminho é o mesmo para todos.

 

Sônyah Moreira   –  sonyah.moreira@gmail.com




Big Band do Conservatório de Tatuí recebe Fábio Leal, dia 30

Concerto será a partir das 20h, no teatro Procópio Ferreira

A Big Band do Conservatório de Tatuí – instituição do Governo do Estado de São Paulo e Secretaria da Cultura do Estado – recebe o guitarrista Fábio Leal para concerto especial no próximo dia 30 de agosto, terça-feira, às 20h. A apresentação, sob coordenação de Celso Veagnoli, será no teatro Procópio Ferreira (à rua São Bento, 415).

O concerto traz obras compostas ou especialmente arranjadas por Fábio Leal. A abertura será com Zelig, seguida por Dorisamba e Sentir, três composições de Leal. Outras quatro músicas receberam arranjos assinados por ele: Forró no Escuro (Luiz Gonzaga), Trem Das Onze (Adoniran Barbosa) e Garota de Ipanema (Tom Jobim). Também integra o concerto “Tira Mão de Mim”, de Arismar do Espírito Santo, com arranjo de Diego Garbin.

A Big Band do Conservatório de Tatuí foi fundada em 1975, com objetivos de unir alunos de nível avançado e professores da instituição. Por ter uma formação versátil, o grupo apresenta uma grande variedade de gêneros musicais – de músicas feitas para animar festas dançantes a musica instrumental contemporânea, do jazz tradicional à música brasileira de vanguarda. O grupo já acompanhou cantores como Leny Andrade, Tânia Alves, Benito di Paula e Décio Cardoso. Atualmente, a Big Band tem como meta a pesquisa de repertórios inovadores e a divulgação da música instrumental com compromisso de qualidade, recebendo convidados e se apresentado ao lado dos mais importantes instrumentistas.

A Big Band tem coordenação, desde 2010, de Celso Veagnoli, também professor de saxofone do Conservatório de Tatuí e colaborador na criação e formatação do curso de MPB/JAZZ da instituição.

Fábio Leal – O solista especialmente convidado é Fábio Leal, um dos mais criativos arranjadores, compositores e guitarristas da atualidade. Iniciou seus estudos musicais aos 15 anos com Aldo Landi. Estudou na ULM (Universidade Livre de Música Tom Jobim) e no Conservatório de Tatuí. Há mais de dez anos vem desenvolvendo uma nova concepção de guitarra brasileira – tanto no campo da improvisação como da composição.

Em 2000, formou o grupo Mente Clara, que lançou seu primeiro CD em 2007. Em 2002, tocou no Festival de Jazz em Havana (Cuba) e, em 2006, participou do projeto “Obra viva: Homenagem a Tom Jobim”, com direção de André Marques e que teve como intérpretes Elza Soares, Thalma de Freitas, Max de Castro, Danilo Caymmi e Rosa Passos. Leciona desde 1995 e atua como professor de prática de conjunto e guitarra no Conservatório de Tatuí.

Fez participações ao lado de grandes nomes da música instrumental brasileira como Fernando Corrêa, Nenê, Vinicius Dorin, André Marques, Mônica Salmaso, Teco Cardoso, além da Cambanda Jazz Combo (com direção de Paulo Flores) e Banda Savana (com regência do maestro Branco). Em 2009 gravou o segundo CD do grupo Mente Clara e seu primeiro trabalho solo intitulado “Fábio Leal Quarteto”.




Um dia No dia de Ana Luiza vai a Biblioteca do Parque Villa-Lobos

O jornalista Reinaldo Canto apresenta a criançada seu novo livro que mescla dois universos: o infantil e o ambiental e a contação ficará por conta de Marie Serafim

 

No próximo domingo, Dia dos Pais (14/08), a Biblioteca do Parque Villa Lobos será palco do lançamento do livro “Um dia (no dia) da Ana Luiza – Uma Aventura Ambiental” do jornalista Reinaldo Canto.

A divulgação contará com uma roda de conversa no qual o autor, Reinaldo Canto, falará sobre o processo e desenvolvimento do livro. Terá um espaço reservado à leitura da obra pela jornalista e poetisa, Marie Serafim, que também recitará alguns de seus poemas.

A trama gira em torno de Ana Luiza que descobre, por meio das emoções dos nossos recurso naturais, quanto é importante cuidar do nosso meio ambiente e transmitir essa mensagem às demais pessoas da mundo, principalmente, para as crianças que serão o futuro do planeta.

O livro estará disponível para ser adquirido e autografado pelo autor da obra. O evento será das 11h às 13h.

 

Mais informações:

e-mail: comunicacao.chiadobrasil@gmail.com (contatar Maria Claudia Franchi)

e-mail: reicanto@gmail.com (Reinaldo Canto)

http://www.umdiadaanaluiza.com.br/

https://www.facebook.com/Ecocanto21/

Assessoria de imprensa: Marie Serafim (mariadocarmos.s@gmail.com




Artigo de Celso Lungaretti

NOVO LIVRO ESCLARECE EPISÓDIOS POLÊMICOS DA CAÇADA AOS GUERRILHEIROS DO LAMARCA EM JACUPIRANGA

No pior momento da ditadura de 1965/85, quando os militares levaram o terrorismo de estado às últimas consequências, a esquerda brasileira respondeu com as três principais modalidades de luta armada que estavam sendo praticadas em situações semelhantes no mundo inteiro:

– a guerrilha urbana, com as expropriações de bancos, a tomada de emissora e colocação de mensagens de protesto no ar, o sequestro de diplomatas para trocá-los por presos políticos, o justiçamento dos piores inimigos, etc., influenciada por movimentos revolucionários da América do Sul;

– a guerrilha rural enraizada na população (Araguaia), com o objetivo de evoluir para exército popular, conforme as lições maoístas; e

– a guerrilha de movimentação constante e impacto principalmente propagandístico (provar que as tropas regulares poderiam ser derrotadas), inspirada na experiência cubana.

As três chegaram a conquistar êxitos expressivos, mas acabaram sendo esmagadas por forças extremamente superiores em efetivos e recursos, que travaram uma guerra suja sem limites de nenhuma espécie e foram beneficiadas pela euforia da população com o efêmero desafogo econômico iniciado em 1970, após um longo período de vacas magras.

Os historiadores e jornalistas lançaram depois muitos livros sobre as duas primeiras, enquanto a terceira foi abordada apenas en passant, como parte da história de Carlos Lamarca, o capitão do Exército que se tornou comandante revolucionário.

 
Pinho não evitou temas melindrosos

Foi para preencher esta lacuna que o veterano jornalista Celso Luiz Pinho escreveu 1970, a guerra no Vale do Ribeira (Editora Gregory, 2016, 256 p.), seu projeto mais ambicioso, após ter esmiuçado outra revolução esquecida, a revolta paulista de 1924;  os combates na frente Norte durante a Revolução Constitucionalista de 1932; e a trajetória de um personagem histórico dos mais controversos, o tenente João Cabanas. Há uma nítida linha de coerência perpassando a escolha destes quatro temas.

Ao mostrar como um punhado de aprendizes de guerrilheiros logrou escapar (com baixas) de um cerco de milhares de militares, os quais não hesitaram sequer em efetuar bombardeios com napalm que poderiam atingir a população civil, Pinho fez uma espécie de passo-a-passo dos acontecimentos, baseado em farta coleta de documentos e publicações e numa série impressionante de entrevistas, realizadas com personagens dos dois lados e com moradores da região. Afirma na introdução que se empenhou a fundo para evitar que seu texto fosse contaminado por ideologias e tendenciosidades.

Esta postura imparcial lhe permitiu lançar novas e poderosas luzes sobre dois assuntos muito polêmicos: como e por que foi executado o refém que os fugitivos tomaram; e a quem cabe, realmente, a responsabilidade pela delação da escola de guerrilha de Lamarca, imputada durante 35 anos a um bode expiatório, sem que a comprovação de sua inocência no finzinho de 2004 viesse acompanhada por um desvendamento total do episódio.

Foi sobre tudo isto que conversei com Pinho. Eis a entrevista:

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Região extensa e mata fechada facilitaram a fuga

CELSO LUNGARETTI – Por que escrever sobre os acontecimentos de 1970 no Vale do Ribeira quase meio século depois?

CELSO LUIZ PINHO – Foi um fato marcante na história do Brasil e, em minha opinião, até hoje continua mal explicado. Naquela época, as pessoas ouviam falar de que algo, e algo grande, estava ocorrendo na região, mas tinham poucas informações. Ainda agora é assim. Para se ter uma ideia, eu mesmo, quando prestei o serviço militar obrigatório em cidade a mais de cem quilômetros da Capital, poucos anos depois dos fatos ocorridos no Vale do Ribeira, recebi pouquíssimas informações a respeito e estas se restringiam basicamente ao seguinte: o Lamarca fugiu de Registro levando um caminhão cheio de fuzis do Exército. A coisa não foi bem assim.


Outros escritores já divagaram sobre o mesmo assunto. Em que seu livro é diferente?

 É verdade. O Elio Gaspari, o Jacob Goerender, o Emiliano Oldack e outros mais também escreveram sobre a guerrilha do Vale do Ribeira e foram escritos muito bons que, a bem da verdade, me serviram como fontes de consulta. Todavia, deram apenas uma pincelada no assunto. Eu procurei oferecer um enfoque mais detalhado, para que o leitor tivesse uma visão abrangente dos fatos.

 
Estrada fechada durante as operações militares 


E como foi sua pesquisa?

 Reuni uma série de documentos, matérias jornalísticas, trechos de processos judiciais etc. Também conversei com algumas pessoas, dos dois lados, que participaram das operações. Mas, o melhor mesmo foi ter viajado ao teatro de operações e entrevistado diversos moradores de Jacupiranga e Cajati e ouvido deles suas lembranças ou informações orais transmitidas por seus parentes.


Em sua opinião, qual o trecho mais interessante do livro?

 Bem, as operações no Vale do Ribeira foram o ápice do entrelaçamento de diversos outros fatos anteriores que ocorreram em São Paulo e no antigo estado da Guanabara e, parece uma contradição, mas a meu ver, o caso do desvio dos fuzis do 4º Regimento de Infantaria é o assunto que mais me chama a atenção.


E o que tem a ver o furto das armas no 4º RI com a Guerrilha no Vale do Ribeira?

 Em primeiro momento, parece não ter nada em comum os dois fatos. No entanto, não dá para se falar em Guerrilha no Vale do Ribeira sem falar no Lamarca e, não dá para falar em Lamarca sem lembrar o fato ocorrido no quartel do Exército em Osasco. E olha que as duas cidades estão separadas por mais de duzentos quilômetros.

 
Lamarca quando jovem…


O que exatamente houve no Vale?

 Veja, ninguém ignora que em 1964 houve a queda do presidente Goulart e, em decorrência, o governo do país ficou em mão dos militares. Logo após o golpe, vieram os Atos Institucionais e muitas pessoas, dos mais diversos ramos de atividade, foram cassadas. A grosso modo, podemos dizer essas pessoas se aglutinaram em diversos grupos e queriam a volta do estado de direito. Esses grupos, em sua maioria, entenderam ser necessário lutar por seus interesses não apenas com palavras, pois que estas, talvez a longo prazo, alcançassem os objetivos propostos, contudo havia um imediatismo. 


Nem sempre as flores, e aqui podemos trocar flores por palavras, vencem os canhões, como dizia o Vandré. Assim, para formar pessoal e fazer frente à ditadura instalada, era preciso gente com alguma especialização. Via de regra, essa especialização era feita fora do país, porém havia o inconveniente, com todos os perigos e custos, em mandar pessoas para fora e trazê-las de volta em segurança, mesmo porque, simplesmente, não se pegava um avião e ia para Cuba. A coisa era mais complexa e exigia até viagens para a Europa para, só depois, ir para o destino final. Então, a ideia primordial era formar combatentes no próprio território nacional. 


Esse pessoal, uma vez formado, seria utilizado em diversas áreas a serem criadas. É importante lembrar que alguns dos grupos acreditavam que a derrubada do governo militar deveria começar pelo campo, outros, no entanto, achavam que as ações urbanas trariam melhores resultados. De qualquer modo, seja para o campo ou para a cidade, o combatente deveria ter uma preparação básica.


Mas antes já houve ações de guerrilha no Brasil.

 Com certeza, porém não se pode dizer que foram sucessos, já que pontuais. Haja vista o desastre de Três Passos e Caparaó, em que podemos observar uma espécie de improviso de ações, sem uma coordenação maior.

…e já na fase de procurado vivo ou morto.


E o Lamarca?

 Bom, ele tinha lá suas ideias e resolveu colocá-las em prática. E uma das formas foi justamente a instalação da uma escola, talvez a primeira, de formação de combatentes revolucionários em território nacional nos moldes cubanos.  Pelo que se entende, a VPR achou ser ele, na época, a pessoa melhor qualificada para os objetivos pretendidos. Desta forma, o campo de treinamento foi instalado no Vale do Ribeira.


Em Registro?

 Acho que já é hora de se desfazer esse engano. Na verdade, o campo de treinamento foi instalado em Jacupiranga e não em Registro. Para ser mais exato, foi no distrito de Cajati, que hoje é uma cidade autônoma. Registro foi apenas um ponto de referência, já que, na região, era a única cidade que tinha alguma infraestrutura para abrigar tropas e equipamentos militares em larga escala. Dai o motivo das ações receberem o nome de Operação Registro.


E por que naquela região?

 Vários fatores contribuíram para a escolha de Jacupiranga, entre eles, podemos dizer a mata fechada, ideal para se atingir as metas propostas, e a forte influência política de pessoas importantes da região.

 
Capturados: Darcy Rodrigues e José Lavecchia.


As metas foram atingidas?

 Acredito que não. Apenas uma única turma foi formada, melhor dizendo, parcialmente formada. A existência da escola de guerrilha, um segredo guardado a sete chaves, vazou, culminando com sua invasão pelas forças militares e, como se sabe, as duas bases que formavam o núcleo foram abandonadas por Lamarca e os demais. 


Durante a retirada, quatro dos alunos, pessoas já experientes, foram presas e mais uma série de coisas ocorreram, mas um fato que não se pode negar é a forma sensacional com que Lamarca e mais alguns saíram da região, apesar dos bombardeios realizados pela FAB.


Como foi esse vazou?

 Talvez seja esse o aspecto mais obscuro do assunto. No livro, eu explico, ou pelo menos tento explicar. O fato é que, a meu ver, pessoas inocentes levaram a culpa.


O Jacob Gorender escreveu carta a um grande jornal paulista nesta linha, mas não esclareceu de quem realmente seria a culpa. E você, esclarece?

 Acredito que o meu livro é o que chega mais próximo disto. Reuni as informações hoje existentes sobre os atos dos personagens que poderiam ter revelado ao DOI-Codi a localização da escola de guerrilha e interpretei-as de forma que as peças não só se encaixassem perfeitamente no quebra-cabeças, como houvesse uma coerência básica com a cronologia dos acontecimentos. 

 
Vingança. E 3 tiros foram pelas costas!


Meu objetivo não foi o de acusar ninguém, até porque se tratava de uma situação-limite e aquelas pessoas estavam sendo submetidas a torturas físicas e psicológicas as mais terríveis. Mas forneço aos leitores elementos suficientes para eles terem uma boa noção do que ocorreu e tirarem suas conclusões, inclusive sobre a participação de cada personagem.  Uma coisa é certa: os militares não chegaram ao campo de treinamento através de informações recebidas por bolinha de cristal.


E quanto aos erros, houve muitos?

 Houve. E de ambas as partes. Na minha modesta opinião, a VPR errou em adquirir o sítio naquela região, bem próxima a uma estrada de rodagem e com presença freqüente de caçadores e curiosos. Persistiu no erro ao reinstalar a escola em uma segunda área muito próxima à primeira, e utilizando os préstimos da mesma pessoa que, embora simpatizasse, não tinha maior comprometimento com a Organização. 


Outro erro foi a morte do tenente da Força Pública, fato bem explorado pela repressão. Acho que o Lamarca não avaliou a repercussão negativa que causaria, caso fosse descoberta. De qualquer forma, eu vejo que, a partir da fuga do Vale do Ribeira começou o declínio do Lamarca dentro da VPR.


Declínio?

 Sim. Dentro da VPR começou um movimento de diminuição de seu prestígio, tanto que depois de um tempo ele foi para o MR-8, mas sem poder de comando.


Em sentido mais amplo, podemos dizer que tudo teve origem com a queda do presidente João Goulart. O clima político de hoje lembra os fatos ocorridos após a queda de Jango?

 Pergunta difícil de responder. São dois momentos históricos com alguma semelhança, mas com grandes diferenças factuais. Atualmente, estamos sendo governados pelo vice-presidente. Ou seja, a presidente de direito (ou presidenta, como ela prefere ser chamada) está afastada temporariamente e corre o sério risco de não mais retornar. 

 

Também no Vale do Ribeira utilizou-se o napalm


Isso, é claro, faz com que surjam pessoas descontentes. Mas, creio que não haverá fatos que ensejem ações radicais, mesmo porque tenho notado uma grande diferença entre a esquerda de meio século atrás e a esquerda de hoje.


Que diferença?

 Naquele tempo, era um terrível pecado qualquer pessoa se dizer ideologicamente de esquerda. Na época, era impensável uma pessoa usar na lapela um botão ou broche com a foice e o martelo ou mesmo uma estrela vermelha, embora muitas delas, sob grandes riscos pessoais, tenham vestido a camisa. 


Hoje, são outros tempos. A esquerda está abertamente integrada na sociedade e já não há a necessidade de, digamos assim, um mascaramento, porém eu acho que os jovens de meio século atrás eram mais resolutos. Talvez resultado da forte influência dos acontecimentos na França daquele tempo.


Quer dizer que a esquerda de hoje está mais fraca?

 Eu não diria mais fraca, todavia eu diria que a juventude de hoje está um tanto quanto desiludida com os rumos tomados. No livro eu cito uma frase de um ex-guerrilheiro que esteve no Vale do Ribeira, o Sobrosa, dizendo assim “aqueles que querem mudar uma sociedade, não podem agir como a sociedade que querem mudar”. 

O que nós vemos agora? Sem generalizar, uma grande quantidade de pessoas públicas, com formação de esquerda, agindo exatamente como agiram as que lhes antecederam. É por isso que ouvimos das pessoas do povo aquela famosa frase: “sai um, entra outro e tudo continua do mesmo jeito”.

JORNALISTA RESPONSÁVEL: CELSO LUNGARETTI – MTb 13.428 – SJPESJ 7.140 – lungaretti@gmail.com

CONTACTO C/ O AUTOR: cluizpinho@uol.com.br 

CONTATO C/ A EDITORA:  comercial@editoragregory.com.br – tels. (11) 4508-2048/68




Colunista do ROL Carlos Cavalheiro lança novo livro em Sorocaba

Lançamento do livro ‘A História de Julieta Chaves, a ‘Santinha’ de Sorocaba

 
Nova Imagem (35) (Copy)Convidamos para o lançamento do livro que traz a biografia dessa menina que foi assassinada em 1899 e a quem o povo de Sorocaba atribui a fama de milagreira.
O livro é de autoria de Carlos Carvalho Cavalheiro e Flávia Aguilera.
 
Quando?
26 de agosto de 2016 (sexta-feira), às 19h30
 
Onde?
Biblioteca Infantil de Sorocaba
Rua da Penha, 673 – Centro



Artigo de Ivan Fortunato: 'Vamos conhecer e ajudar a UIPA de Itapetininga"

Ivan Fortunato: ‘Vamos conhecer e ajudar a UIPA de Itapetininga”‘

 

“Animais de rua: Se você não ajuda na solução então é parte do

problema” (autoria desconhecida)

A frase com que inicio esta coluna foi encontrada na página do facebook da UIPA (1) de

Itapetininga. Confesso que quinze dias atrás, desconhecia o trabalho dessa instituição, uma

Organização Não-Governamental (ONG), que existe em defesa dos animais abandonados e

molestos. Importante destacar que uma ONG é uma iniciativa coletiva, em prol de alguma causa

social, cultural ou ambiental, que busca solucionar problemas que deveriam ser sanados pelo

Poder Público. No Brasil, onde a carga tributária é excessiva e poderia muito bem dar conta da

nossa saúde, educação, segurança… abrangendo, nesse rol, o cuidado com a vida de todos, sejam

crianças, adultos, idosos, filhotes, adultos, cães, gatos, cavalos…

UIPA.01 (Copy)

Deixando essa lamentável constatação de lado, o propósito aqui é o de cumprimentar o

belíssimo trabalho das pessoas que se organizaram para cuidar dos animais desamparados, sem

teto e maltratados de nossa Itapetininga e região. A UIPA – União Internacional Protetora dos

Animais – é, segundo seu site institucional (2) a ONG mais antiga do nosso País, tendo sido

inaugurada no ano de 1895. Hoje, milita em várias cidades, incluindo Itapê. A história oficial

narrada neste site é que tudo começou quando um estrangeiro queria denunciar maus-tratos a

um cavalo, no centro paulistano, e indignou-se quando soube que não havia, no Brasil, nenhuma

sociedade destinada a proteção dos animais. Curiosamente, uma das bandeiras mais recentes da

UIPA de Itapetininga é em prol dos cavalos, que “não são escravos”!

Particularmente, sou favorável à adoção de animais encontrados na rua. Minha

“filhotinha” foi encontrada, na segunda quinzena de março, na praça que fica no encontro das

Avenidas Padre Antônio Brunetti com a Cinco de Novembro, lá na Vila Rio Branco: uma

gatinha, que ainda não tinha desmamado, estava sozinha e assustada, miando entre os arbustos,

como que querendo ser resgatada; hoje, em meados de agosto, está uma “lady”, bem alimentada,

castrada, vacinada, vermifugada e muito amada. Não obstante, também sou adepto à compra de

um animal de raça, sempre esperançoso que será tratado/a com todo cuidado e carinho.

Assim, como sigo muitas páginas dedicadas aos animais de estimação nas redes sociais,

vi compartilharem a respeito de uma feira de adoções de filhotes, aqui na cidade de Itapetininga.

Achei interessante e pensei em ajudar. Não fiz muito, confesso, pois apenas doei ração para

cachorros e gatos. Mas, fui visitar a sede, que fica na Vila Mazzei, poucos minutos de carro a

partir do centro da cidade.

UIPA.02 (Copy)

 

A recepção da UIPA é muito bonita e alegre. Muito mais que isso, pois a ONG realiza

trabalho sério e conta com pessoas engajadas no cuidado dos animais, tanto dos que estão sob

sua guarda quanto daqueles que foram largados nas ruas e/ou não foram adotados. Assim, no dia

da sua primeira feira de adoção, quem chegava era bem recepcionado, anotava o nome no

caderno de visitas e era acompanhado por um/a voluntário/a até a tenda onde estavam os lindos

filhotes, vacinados, vermifugados e cheirosos, prontos para serem levados para casa, após

receberem orientações e um mimo de uma das empresas que apoia a UIPA.

 

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No interior da sede, uma verdadeira festa! Dezenas de belíssimos cachorros e gatos e

um cavalo (um que eu vi e tirei fotos, incluindo uma selfie) muito bem alimentados, tratados e

em abrigos adequados faziam muita festa quando visitados de perto!

UIPA.04 (Copy)   UIPA.05 (Copy)UIPA.06 (Copy)UIPA.07 (Copy)

 

 

 

 

 

A UIPA Itapetininga é exemplo de amor e cuidado. Mais: é exemplo de compaixão,

solidariedade e respeito. Cuidar da vida é o que fazem por lá. Da minha parte, bastou uma única

visita de poucos minutos para que compreendesse a seriedade do seu trabalho. Ganharam um fã

e mais um para ajudar na preservação de tão lindas vidas. Fica a dica: comece a seguir nas

redes sociais, curta e compartilhe. Mas, reserve uma hora para conhecer os peludos e se divertir,

muito. Se for possível, claro, leve um pouco de ração, pois há muitas bocas para serem

alimentadas.

Parabéns a todos que se envolvem com a UIPA!

(1) https://www.facebook.com/uipa.itapetininga

(2) http://www.uipa.org.br/