Artigo de Ivan Fortunato: 'Este mês jaz um grande professor: tributo a Girafales'

Ivan FortunatoIvan Fortunato – Este mês jaz um grande professor: tributo a Girafales

 

“Somente uma vez me enganei”, disse o grande mestre, “uma vez que pensei estar enganado”. Esta e tantas outras frases proferidas pelo professor Girafales me acompanharam por décadas, desde a premier do programa Chavo del Ocho, na década de 1980, no Sistema Brasileiro de Televisão. Há poucos dias faleceu Rubén Aguirre, o ator que imortalizou os bordões do mestre-linguiça nos quadros de humor pastelão da Vila. A saudade que ele deixa é enorme. Por isso, nos limites desta coluna, pretendo apenas registrar meus pêsames à família, aos amigos e a todos os fãs, pois também pranteio em luto.

Sou admirador declarado de Roberto Bolaños, in memorian, o criador de Chaves, Chapolin e as demais personagens que me divertem por décadas. Importante destacar que a mente criativa de Bolaños não fez nada sozinha, sendo necessário apontar que a dedicada performance de cada um de seus amigos-colegas-atores que deram vida ao Seo Madruga (in memorian), a Bruxa Clotilde do 71 (in memorian), o Quico, o Sr. Barriga/Nhonho, a Dona Florinda/Pópis, o Professor Girafales… o Godines, o Sr. Furtado, o Seo Jaiminho (que sempre quis evitar a fadiga, também in memorian), o Tripa-Seca, o SuperSam (“time is money”), o Homem Nuclear e tantos e tantos outros, incluindo, claro, o Chaves do Oito e o Chapolin Colorado (não contávamos com sua astúcia!).

Assim, com essa tietagem, nunca perco um só momento de recordar as cenas mais célebres, os episódios mais marcantes (como Acapulco, cidade que fiz questão de visitar e de adentrar, eclipsado, no hotel onde a trupe filmou suas peripécias), os bordões, os eternos quatorze meses de aluguel devidos, as canções… e, obviamente, o professor que tanto padeceu na escola com seus queridos, mas bagunceiros, alunos – posso fazer uma observação?

Vaidoso, o mestre nunca aparecia sem terno, gravata e chapéu. Ostentava sempre seu charuto, marca registrada da personagem, que lhe garantia presença e status. Galanteador, jamais visitaria a amada sem um mimo ou, como costumava dizer, um “humilde presentinho”. Não recusava uma xícara de café, se não fosse muito incômodo, claro, e adorava quando havia um delicioso bolo lhe esperando.

Com o Professor Girafales aprendi a contextualizar as contingências da vida, perguntando causa, motivo, razão ou circunstância.

Com o Professor Girafales aprendi que existem alunos bons, regulares, maus, péssimos… e o Quico.

Com o Professor Girafales aprendi a importância da “calistenia” para a prática desportiva.

Com o Professor Girafales aprendi a beleza de se apaixonar, a ponto de perder a fala e o ar na presença da pessoa amada.

Com o Professor Girafales, Chaves, Seo Madruga… Rubén, Bolanõs, Jamón, aprendi a rir mais das coisas banais e prosaicas do cotidiano, pois são elas que colorem a própria vida, aumentando o bem-estar e a sensação de estar vivo. Talvez por isso, a Vila do Chaves e as aventuras do Chapolin Colorado ainda façam rir quem assiste, mesmo sabendo repetir todas as falas e antecipar seus movimentos: de uma forma bastante simples, sutil até, essas pessoas e suas personagens conseguiram fazer de suas trapalhadas momentos de diversão. Por isso, neste momento soturno, é preciso lacrimejar o luto. Não obstante, jamais podemos nos olvidar do júbilo manifesto em suas estripulias que, mesmo sem querer querendo, tanto nos ensinaram sobre a alegria de viver. Esse será o melhor reconhecimento de que sua jornada nesta passagem terrena foi cumprida. Com êxito.




Artigo de Celso Lungaretti: 'NUNCA HAVERÁ DESCULPA PARA OS QUE FIZERAM DESABAR TAMANHA TEMPESTADE EM CIMA DE UM MÚSICO!!!'

NEM VITOR NUZZI DECIFROU O ENIGMA VANDRÉ, NEM A ESFINGE O DEVOROU.

Por Celso Lungaretti, no blogue Náufrago da Utopia.
Desde 1985 Vitor Nuzzi se interessava pela trajetória do cantor e compositor Geraldo  Vandré, o principal expoente da resistência musical à ditadura militar durante os anos 60 (na década seguinte, tal papel seria desempenhado por Chico Buarque). Segundanista de Jornalismo, descobriu em 1985 o telefone do artista e disse estar querendo conversar com ele sobre um trabalho para a faculdade. 
Foi recebido no apartamento que Vandré ainda possui na rua Martins Fontes, próximo ao prédio que durante muitas décadas sediou o jornal O Estado de S. Paulo, na capital paulista. A conversa foi cordial, mas breve.
Quando Vandré se tornou septuagenário, em setembro de 2005, Nuzzi  temeu que ele mergulhasse cada vez mais no esquecimento; decidiu, então, assumir como sua a tarefa de apresentá-lo às novas gerações.
Foi um trabalho longo e abrangente como bem poucas biografias brasileiras. Entrevistou mais de 100 pessoas (inclusive esta que vos escreve), garimpou informações em 51 livros e 29 jornais/revistas. Com isto, pôde reconstituir nos mais ínfimos detalhes a história do artista.
Cheguei, em tempos idos, a indagar-lhe o que faria com tudo isto, já que Vandré dificilmente daria aval para a publicação e as biografias não-autorizadas eram um risco que as editoras não queriam assumir depois de Roberto Carlos impugnar judicialmente uma que contou verdades indigestas a seu respeito. Nuzzi disse que iria tocando seu trabalho, deixando para o final a escolha de uma linha de ação. Tinha esperança de que a liberdade de opinião e de expressão acabassem prevalecendo.
Nuzzi: algumas dúvidas subsistiram.
Acabou pagando 100 exemplares do seu bolso e distribuindo-o aos amigos, em maio de 2015. Um mês depois, contudo, o Supremo Tribunal Federal  fulminou por 9×0 a censura que figuras públicas queriam impor a quem fizesse abordagens independentes sobre elas, ao invés dos textos expurgados e bajulatórios que os Roberto Carlos da vida preferem ler.
E a odisseia de Nuzzi, depois dos mesmos 10 anos que durou a descrita por Homero, teve final feliz, com o lançamento, no final do ano, de Geraldo Vandré: uma canção interrompida (Karup, 2015, 352 p.)
É um trabalho de fôlego e muito bem escrito; tem qualidade superior, na minha opinião, à das obras congêneres de biógrafos famosos como Fernando Moraes e Rui Castro. Quem não acompanhou a trajetória de Vandré, certamente se deslumbrará. 
E mesmo os contemporâneos de sua trajetória ficarão conhecendo muita coisa nova. Recomendo enfaticamente, ainda que o autor tenha feito a ressalva de que “vão continuar misteriosos” muitos pontos obscuros acerca do exílio e comportamento posterior de Vandré.
“Ele foi um rei, e brincou com a sorte“…
Acredito, contudo, que seria impossível, mesmo com o extremo profissionalismo e detalhismo de Nuzzi (a ponto de distribuir, junto com A canção interrompida, um relato mimeografado sobre as crônicas que Vandré escreveu durante alguns meses para um jornal de Campinas, certamente porque não deu tempo para acrescentar este capítulo ao livro), decifrar todos os enigmas da vida de quem insiste até hoje em permanecer enigmático. 
Até porque Nuzzi, nascido em 1964, escreveu sobre muitas coisas de que só tomou conhecimento a posteriori. Talvez não haja, p. ex., conseguido consultar os números antigos mais cruciais do jornal Folha da Tarde, que foi um veículo simpático à esquerda até que, como um porta-voz dos patrões admitiu há cinco anos, sua linha foi diametralmente alterada em 1969, tendo a direção sido entregue “a jornalistas entusiasmados com a linha dura militar” (vários deles eram policiais)”, como “uma reação da empresa à atuação clandestina, na Redação, de militantes da ALN”. 
Mas, foi nesse jornal que já não existe com tal nome (teve como sucessor o Agora São Paulo) e cuja memória é geralmente identificada com o impopular papel desempenhado a partir de 1969, que acompanhei, em 1967 e 1968, episódios como o da vitória da banal Sabiá no III Festival Internacional da Canção da Rede Globo, quando a ridícula decisão de júri provocou a maior vaia da história dos festivais de MPB. 
…”Hoje ele é nada, e retrata a morte”.
E foi na Folha da Tarde que tomei então conhecimento, num artigo de autoria do grande radialista Walter Silva (o Pica-Pau, falecido em 1999) desta informação abaixo, que eu aproveitaria numa longa reportagem escrita para a revista Especial em 1980:
Walter Silva ainda foi responsável por ter deixado um gravador ligado na sala do júri do III Festival Internacional da Canção, em 1968, no Maracanãzinho, no Rio, e depois denunciar a impostura na edição de 2ª feira do jornal paulista Folha da Tarde, provando que o presidente do júri, Donatelo Grieco, pressionara seus colegas para que não premiassem músicas que fazem propaganda da guerrilha. Este alegava que, caso contrário, haveria retaliações da ditadura. Era uma referência à música Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores (ou, simplesmente Caminhando, de Geraldo Vandré.
Nuzzi obteve a confirmação de que houve mesmo pressão dos militares sobre os organizadores do festival, mas publica também declarações dos membros do júri negando terem sido pressionados. Cabe uma pergunta: pessoas famosas admitiriam que lhes faltou coragem para premiar a canção política mais importante da História brasileira, ignorando o clamor do público, como se fossem estetas numa torre de marfim? 
Walter Silva denunciou: foi mesmo marmelada!
Por toda a convivência pessoal e profissional que já tive com essa gente, eu diria que afinaram e hoje tentam salvar suas imagens. Se há algo que o jornalismo me ensinou, foi a nunca dar 100% de crédito a entrevistado nenhum.
Também é inverossímil ao extremo que os responsáveis pelo FIC, com a espinha flexível que era marca registrada dos profissionais da Globo nos anos de chumbo, tivessem ousado guardarem para si as ameaças dos fardados, torcendo para que, espontaneamente, o júri não premiasse nem a Caminhando, nem a América, América, de César Roldão Vieira (outra que a caserna impugnara). Fala sério…
Lamentavelmente, tive em mãos esse recorte da Folha da Tarde há 35 anos, mas não o possuo mais. Se armazenasse tudo que citei nos meus textos, precisaria de um quarto só para isso.
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SEQUESTRADO NO AEROPORTO  
E INTERNADO DURANTE 58 DIAS NUMA
CLÍNICA CARIOCA. PARA QUÊ?
Quanto ao comportamento esquisito e errático de Vandré desde que voltou do exílio em 1973, todas as informações que Nuzzi levantou são conclusivas quanto ao fato de que Vandré não foi torturado antes de deixar o Brasil e dificilmente o terá sido na volta negociada para o País.
Tão aguardada, tão frustrante.
Estava em más condições psicológicas e com a saúde debilitada nos últimos tempos de exílio. Foi sequestrado discretamente pela ditadura no aeroporto e, um mês depois, a Globo o exibiu no Jornal Nacional como se estivesse desembarcando naquele instante.
Parece ter ficado 58 dias (antes e depois da entrevista ao JN) recebendo tratamento psiquiátrico. E, ao revê-lo em 1980 (estivera com ele em junho de 1968, quando ainda fazia correções na letra da Caminhando), papeamos durante horas no apê da rua Martin Fontes. Eis a impressão que me causou:
Reparei que ele continuava lúcido, ao contrário das versões de que teria ficado xarope por causa das torturas. Mas, perdera a concisão e clareza. Seus raciocínios faziam sentido, mas davam voltas e voltas até chegarem ao ponto. Para entender a lógica do que ele dizia, eu precisava ficar prestando enorme atenção. Era exaustivo.
O mais importante que ele disse: estaria na mira de organizações de extrema-direita, inconformadas com o gradual abrandamento do regime.
A censura finalmente liberara Caminhando, que fazia sucesso na voz de Simone. Vandré explicou que tinha de passar-se por louco pois, se ele tentasse voltar à tona junto com a música, seria assassinado.
Entrevista ao Globo News deixou os admiradores perplexos
Ou seja, ainda não estava tão aniquilado como o veríamos, com imenso pesar, naquela entrevista concedida em 2010 ao canal Globo News.
A menos que algum militar, algum médico ou algum enfermeiro abra o bico, jamais saberemos o que aconteceu com Vandré enquanto esteve internado (rigorosamente isolado dos demais pacientes) numa clínica do bairro de Botafogo, RJ. 
Reafirmo a convicção que formei após assistir àquele melancólico programa, de que ele foi submetido a uma lavagem cerebral, A terapeuta brasileira Adriana Tanese Nogueira, radicada nos EUA, considerou plausível:
É como se, de alguma forma, tivessem conseguido reprogramar o cantor de modo a manter sua aparente sanidade mas atuando em modo diferente.
Celso Lungaretti sustenta a tese da lavagem cerebral, não em sentido amplo, mas estrito. Ela acontece quando se submete uma pessoa a uma condição de total dependência de seus carcereiros.
Adriana Tanese: mente reprogramada.
Estes controlam tudo o que a pessoa faz, desde o que e quando ela come e vai ao banheiro, até o sono e todos seus movimentos. Dá para imaginar o que isso significa? Estar totalmente à mercê do inimigo cruel?
Após um tempo assim, por instinto de sobrevivência e busca de sentido (para não ficar louca), a vítima passa do sentimento de pânico e abandono total àquele de buscar conivência com seus algozes. Se, além dos cuidados materiais pelos quais a vítima passa, são-lhe ministrados também cuidados psicológicos, tipo ensinar-lhe o que ela deve pensar e acreditar, temos um prato cheio para compreender a esquisita entrevista de Geraldo Vandré à Globo.
Já o perfil de Vandré que se depreende da enxurrada de depoimentos de pessoas que o conheceram melhor do que eu me fez perceber que era totalmente infundada a hipótese que levantei, de que ele haveria entrado (ou fingido estar) em parafuso por não estar suportando o fato de que seu comportamento diante do inimigo ficara bem abaixo da imagem que tinha de si mesmo.
Levei a sério demais a constatação de que, dos compositores engajados daquela época, ele era o único a se colocar, na 1ª pessoa, como personagem de suas letras. Todos os demais contavam histórias genéricas, tendo como heróis o morro, povo, os camponeses, os operários, Che Guevara, Zumbi, Tiradentes, etc.
Caetano também sofreu muito com o exílio
Em Aroeira, o narrador (Vandré) declara estar “escrevendo numa conta/ pra juntos a gente cobrar/ no dia que já vem vindo/ que este mundo vai mudar”. E alerta os marinheiros (os colonizadores portugueses) que está próxima “a volta do cipó de aroeira/ no lombo de quem mandou dar”.
Bonita é uma guarânia na qual um presumível guerrilheiro tenta explicar à sua amada que não a pode tomar naquele instante e (como poderá morrer seguindo o destino que escolheu) talvez ela só venha novamente a saber dele “se um dia encontrares alguém/ que te cante meus versos”.
Há outras. A mais explícita de todas, Terra plana, traz este desafio que o combatente lança a um militar: “Se um dia eu lhe enfrentar/ Não se assuste, capitão/ Só atiro pra matar/ E nunca maltrato não/ Na frente da minha mira/ Não há dor nem solidão/// E não faço por castigo/ Que a Deus cabe castigar/ E se não castiga ele/ Não quero eu o seu lugar/ Apenas atiro certo/ Na vida que é dirigida/ Pra minha vida atirar”.
A canção interrompida me fez cair a ficha: Vandré havia dado um duro danado para se tornar artista vitorioso e era exatamente isto que ele queria ser. Acreditava nos ideais da esquerda e era favorável à luta armada, mas nunca como causas às quais se pretendesse engajar como militante. Cansava de repetir que sua atuação não era partidária.
A sensibilidade de artista o levava a incluir tais fantasias em suas músicas, mas ele apenas se colocava imaginariamente no lugar dos revolucionários e dos guerrilheiros. Não queria ser uma coisa nem outra.
Daí ter-lhe pesado tanto o fardo que passou a carregar em suas andanças de judeu errante pelo mundo: se formiga aguentaria, mas, cigarra, não estava preparado para tais rigores,  O exílio o desconstruiu antes mesmo de os militares o terem à sua mercê; e isto, certamente, lhes facilitou a tarefa de reprogramá-lo, como disse a Adriana.
E lá se foi outra das fantasias que nos ajudavam a manter a sanidade durante aqueles anos terríveis! Ainda assim continuo lamentando —e muito!— que esse extraordinário artista tenha caído numa armadilha da História, acabando por ser destruído. 
Nunca haverá desculpa para os que fizeram desabar tamanha tempestade em cima de um músico, apenas por ele ter composto uma canção que expressou o sentimento de todo um povo. 
Como bem lembrou o Benito de Paula, “esse trapo, esse homem um dia foi um rei”.
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Artigo de Celio Pezza: 'O 1º Concílio de Nicéia'

Colunista do ROL
Celio Pezza

Célio Pezza – Crônica # 317

Em maio de 325 DC, teve início na cidade de Nicéia, perto de Constantinopla, o primeiro evento ecumênico que daria origem à religião católica.

Na época, o imperador de Roma, Constantino, que estava com o império em crise, viu que uma aliança com os cristãos poderia aumentar seu poder e decidiu fazer do cristianismo a religião oficial do império.

Em 313 DC, ele promulgou o Édito de Milão ou Édito da Tolerância, onde acabou com a perseguição religiosa aos cristãos.

Foi o início da Igreja-Estado.

Na época existiam muitos textos religiosos e alguns conflitantes, o que prejudicava a própria expansão da Igreja.

Foi neste ambiente confuso que ele convocou no ano de 325 DC o 1º. Concílio Ecumênico, com o objetivo de criar regras únicas para a Igreja Romana, tomando os devidos

cuidados para que estas viessem ao encontro de seus interesses.

Era necessário criar uma versão única ou oficial e foi o que Constantino fez.

Ele convocou bispos e representantes religiosos de todas as províncias para o palácio de Nicéia e proporcionou toda espécie de mordomias aos participantes.

O Concílio se iniciou em 20 de maio com perto de 318 representantes da igreja e terminou em 19 de junho, com menos participantes.

Questões doutrinárias foram discutidas como questões de Estado e as controvérsias não eram aceitas.

Ali foi definida a divindade de Cristo e da Santíssima Trindade, e os bispos que se opuseram foram exilados.

Foi oficializado o domingo como o dia de descanso semanal, ao invés do sábado, como era anteriormente, e mudaram a data de comemoração da Páscoa, que era comemorada na mesma data da Páscoa dos judeus.

Uma das mais importantes mudanças foi oficializar um cânone novo, somente com os evangelhos aceitos como verdadeiros.

Aí nasceu o Novo Testamento, com somente quatro evangelhos, ou seja, Marcos, Lucas, Mateus e João.

Consta que, como os bispos não chegavam a um acordo, Constantino ordenou que deixassem no chão todos os evangelhos, se recolhessem aos seus aposentos e ficassem em orações até o dia seguinte, pedindo pela interferência divina.

A sala foi trancada e somente o imperador ficou com a chave.

No dia seguinte, os quatro evangelhos já mencionados apareceram “milagrosamente” em cima do altar e ninguém podia questionar a vontade divina ou a palavra do imperador.

Os outros evangelhos foram considerados apócrifos, hereges, queimados e banidos de todo reino.

Quem fosse pego com um exemplar, seria condenado à morte e seus bens confiscados para a nova Igreja-Estado.

Em 1945, foram encontrados, nos Manuscritos do Mar Morto, vários desses evangelhos apócrifos cristãos produzidos entre os anos 100 e 200 DC, que mostram

outras versões interessantes sobre este período da História, como o evangelho de Tiago, Tomé, Judas e outros.

Neles, Jesus tem um lado bem mais humano, Madalena é uma grande líder e Judas não é um traidor.

Um ano após o Concílio, o imperador mandou matar seu filho, o marido e o filho de sua irmã e matou sua mulher Fausta.

Ele retardou o seu batismo até as vésperas de sua morte, pois diziam que o batismo o salvaria de todos os pecados cometidos.

Após sua morte, em 337 DC, foi enterrado com honras de quem se tornara o 13º apóstolo.

Ele foi representado, na iconografia eclesiástica, recebendo a coroa diretamente das mãos de Deus, tamanha sua bondade para com a Igreja.

 

Célio Pezza

Junho, 2016




Sergio Diniz da Costa: 'Saltimbancos'

 

Sergio Diniz da Costa

‘SALTIMBANCOS’

O semáforo fechou. Um daqueles que duram em torno de 70 segundos. Uma eternidade para quem está atrasado para algum compromisso. Principalmente quando o dia está tórrido e o carro não tem ar-condicionado!

Imediatamente, três jovens ocupam a frente dos carros. Entretanto, não são pedintes. São artistas de rua e, aparentemente felizes, começam a exibir sua arte. Basicamente, o malabarismo.

Sincronizados com o tempo de abertura do sinal, exibem seu talento e, em seguida, passam de carro em carro, esperando receber algum dinheiro. Regra geral, apenas centavos. E recebidos como se fossem pequenas fortunas.

Eu nunca deixo de contribuir com esses jovens, modernos saltimbancos.

E esta palavra, no momento trazida pela memória, me leva a uma brevíssima incursão pela História. A tradição dos saltimbancos e suas apresentações vêm de longa data, sendo encontradas em antigas civilizações no Egito, na Grécia e em Roma.* Mas, a mim, esses artistas me foram apresentados por meio de filmes sobre a Idade Média, assistidos ainda na adolescência. A Idade Média, que teve início na Europa com as invasões germânicas (bárbaras), no século V, sobre o Império Romano do Ocidente. Essa época estende-se até o século XV, com a retomada comercial e o renascimento urbano.**

Os saltimbancos eram trupes de mímicos, ventríloquos, ilusionistas e equilibristas, entre outros, que, com o fim do Império Romano e o início da Idade Média, no século 5, começaram a se apresentar em feiras e praças pela Europa, divertindo as multidões. Deslocavam-se de cidade em cidade, sobrevivendo de contribuições espontâneas.***

Além de proporcionar opções de entretenimento para os camponeses e para a nobreza, os saltimbancos ajudaram a espalhar e modificar a cultura local através da divulgação de novas ideias e crenças. Suas apresentações foram especialmente eficazes em espalhar a fé cristã no continente europeu. O circo, como o conhecemos hoje, tem sua origem nas atividades desses artistas.

Em termos de apresentações teatrais, todavia, sofriam perseguição da Igreja, na época muito poderosa, a ponto de escolher o que as pessoas podiam representar, de preferência textos cristãos. E os saltimbancos não queriam saber desse engessamento cultural, preferindo a disseminação da liberdade criativa.

Perseguidos pela Igreja e sendo tratados como fora-da-lei, os saltimbancos começaram a usar máscaras, para não serem reconhecidos.****

Hoje, felizmente, os artistas que mantiveram esse tipo de arte já não sofrem mais o mesmo tipo de perseguição. Por outro lado, sua arte praticamente não se distingue de outras profissões informais, e de baixíssima remuneração, como os ‘guardadores de carro’ e os ‘flanelinhas’.

Nem todos esses artistas têm a oportunidade de estar num ‘Cirque Du Soleil’. Seu picadeiro são as ruas sem glamour, com uma plateia apática e, às vezes, ofensiva.

O semáforo reabriu. E a luz verde me traz de volta ao presente. Um rosto simpático, sorridente ainda está entre os carros, e próximo do meu. Rapidamente, entrego-lhe uma nota de dois reais, a qual ostenta a imagem de uma tartaruga. Ele olha para a nota e comenta, agradecido: ‘Eu amo os animais!’

Devolvo-lhe o sorriso, engato a marcha e prossigo meu caminho, com um misto de leveza e peso na alma. Não consigo deixar de pensar que, para aquele talentoso artista de rua, talvez uma tartaruga tenha-lhe sido o animal mais precioso daquele dia.

 

Sergio Diniz da Costa – sergiodiniz.costa2014@gmail.com

 

*eHow Brasil. http://www.ehow.com.br/saltimbancos-idade-media-fatos_214415/>.Acesso em: 14/06/2016.

** Sua Pesquisa.com. http://www.suapesquisa.com/idademedia >. Acesso em: 14/06.2016.

***Mestres da História, com professor Edenilson Morais. http://mestresdahistoria.blogspot.com.br/2009/12/os-saltimbancos-artistas-medievais-que.html>.Acesso em: 14/06/2016.

****História do Teatro. Teatro Mambembe. http://www.canalkids.com.br/arte/teatro/mambembe.htm>. Acesso em: 14/06/2016.




A leitora Sonia Moreira escreve: 'História… Saudades!'

Sônyah Moreira – sonyah.moreira@gmail.com – História… Saudades!

Lendo uma reportagem sobre bondes do Brasil do início do século passado, (fonte O Globo) percebi quanto nosso país despreza a sua história. Ouvi certa vez, na escola, “Quem não conhece a sua história corre o risco de cometer os mesmo erros” “Que um país sem história é um país sem cultura”.

Voltando ao nosso assunto principal, os bondes, esses respeitáveis senhores, foram implantados em nosso país em 1859, e rodaram no Rio de Janeiro até a década de 60, quando foram considerados estorvos para o transito, foram sentenciados à fogueira, queimados para serem vendidos como sucatas para indústrias siderúrgicas.

A ironia é que agora, passados 150 anos, querem implantar o pomposo VLT, (Veículo leve sobre trilhos), e com um custo de bilhões, o legal disso tudo é perceber que toda modernidade baseia-se na antiguidade.

Como toda história tem um herói, alguns dos distintos bondes brasileiros, foram salvos por um grupo de americanos entusiastas da história, coincidência? Acredito que não! Os nossos românticos bondes foram trazidos por empresas americanas, e para lá voltaram e com sua estirpe majestosa, rodam com turistas ávidos por história são cuidados com esmero e respeito que merecem. E só pra variar um pouquinho a história, os pioneiros que trouxeram esse benefício na época para o Brasil chegaram à bancarrota por conta das inúmeras intervenções do governo. Parece uma maldição ou praga, sei lá, e eles os mesmos erros, os nossos governantes continuam a atrapalhar os empresários, são os sócios majoritários das empresas e sem contribuir com nada, há coisas que não mudam, nem em séculos!

Cheguei à conclusão que de fato é verídica a frase que diz que “País sem história é país sem cultura”, é só olhar para nossa breve história de apenas 500 anos. Continuamos caindo nas mesmas esparrelas, elegendo os filhos, netos e bisnetos de políticos, que nada fazem para melhorar as condições da população, são contra as idéias de progresso quando não obtêm algum tipo de benesse. Leiam e comprovem que se dependesse de alguns políticos do passado, hoje estaríamos às escuras, nem eletricidade teria que dirá os românticos bondes, estaríamos em cima de lombo de mula, ou carro de boi. Que venha a modernidade, porém, não se esqueçam da antiguidade, da história… Saudades!

Ah! E quem quiser matar saudade dessas relíquias ou experimentar a sensação de voltar ao passado, é fácil, dá uma chegadinha no estado Connecticut – EUA.

 

Sônyah Moreira – sonyah.moreira@gmail.com




Olimpíada de História em Porto Feliz: não foi desta vez.

As equipes de alunos da EMEF. Coronel Esmédio, de Porto Feliz, que competiam na Olimpíada Nacional em História do Brasil, promovida pela UNICAMP não alcançaram a nota para poder participar da última fase da competição. Mas faltou pouco.

A nota de corte anunciada pela Comissão Organizadora do evento foi de 2742,9065.
A equipe da EMEF. Cel. Esmédio que mais pontuou foi a Mega com 2599,6801, ou seja, uma diferença de 143,2264 pontos.
A equipe Mega é formada por Leonardo Dumont Rodrigues de Almeida, Vinicius Soares de Camargo e Kelly Aiya Kanatani.
As outras equipes que participaram tiveram as seguintes notas: Equipe CVD 16 (Caroline Oliveira de Araújo, Vitoria Eduarda Prado de Paula, Daniele Vaz da Silva), com 2498,7508 pontos; Equipe Beta 16 (Erik Ryan Martorano, Robert Luciano Assolai Euzébio, Luis Augusto de C. Sotilo), com 2443,9664 e Equipe CME(Caroline Vitoria Pedro Marques, Mariana de Oliveira Cardoso, Evelyn Armelinda Barati da Silva), com 2369,6103 pontos.
Apesar de não ter alcançado a 6ª e última fase, nenhuma das equipes sentiu-se frustrada. Isso porque os estudantes reconhecem que o maior ganho foi o do conhecimento. A ONHB possibilitou a eles o acesso a fontes e informações que dificilmente teriam oportunidade se não fosse a participação nesse evento. Além disso, a visão de mundo dos estudantes foi ampliada.
Além disso, as equipes, que estão no 9º ano do Ensino Fundamental, concorreram com alunos que estão cursando até o 3º ano do Ensino Médio, de escolas particulares, públicas, técnicas, militares, atreladas a Universidades, devocionais.

De fato, além de concorrer com estudantes com três a quatro anos a mais de estudo, os alunos do ensino fundamental das escolas públicas concorrem com unidades mais bem aparelhadas e com melhor estrutura como é o caso de escolas particulares, militares, técnicas e até vinculadas a Universidades.

As equipes da EMEF. Coronel Esmédio foram orientadas pelo professor Carlos Carvalho Cavalheiro.



Cine Clube de Itapetininga apresentará o filme 'COMER O QUE no CINE JANELAS

A exibição é gratuita e será na quinta feira, 23, às 19h30   no Cine Janelas

QUINTA FEIRA, 23 de JUNHO às 19:30 horas em ponto, será a exibição e o debate do filme ‘COMER O QUE’, no CINE JANELAS, anexo ao Posto de Saúde Dr. Genefredo Monteiro, Auditório Abilio Victor (Praça 9 de Julho, 518 – centro, Itapetininga/SP)
Liberado para os maiores de 16 anos.
Segundo o coordenador do Cine Clube, Angelo Ricchetti, “cada um tem uma receita para se sentir bem à mesa: a presença de amigos e familiares, a experiência de comer algo novo, a certeza de ingerir um alimento saudável e natural. Há quem queira alimentar corpo e alma. Ou apenas manter o bom funcionamento da máquina humana”.
‘Comer o quê?’ Apresenta, em 60 minutos, o cotidiano de uma série de personagens ligados ao mundo de alimentação, de chefs consagrados a produtores rurais, passando por especialistas em nutrição, economia e gastronomia.
Alex Atala, Bela Gil, Helena Rizzo, Marcos Palmeira, Marcio Atalla entre outros, apresentam à atriz e nutricionista Graziela Mantoanelli as diversas dimensões e possibilidades da boa alimentação
Com direção de Leonardo Brant, o filme serve ao público um ‘banquete’ de sabores, imagens, reflexões e emoções, de maneira leve e despretensiosa.
Afeto, saúde, cultura, indústria e educação formam equações possíveis entre desfrute e cuidado, consciência e espontaneidade, equilíbrio e bem estar.
Após a exibição, haverá sorteio de livros e conversas a respeito do conteúdo do filme.
Direção: Leonardo Brant. Com a colaboração de Caio Amon e Graziela Mantoanelli
Reserva com Angelo Lourival Ricchetti pelo fone 15 3272 7525, pelo celular e whatsup  15 9 9171 7672  e 
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