Artigo do Dr. José Otávio Vasques Ayres: 'Terceira Idade – problemas de ouvido'

DR JOSÉ OTÁVIO VASQUES AYRES : ‘TERCEIRA IDADE – PROBLEMAS DE OUVIDO’

médico ouvido

ORELHAS
Ferimentos que não cicatrizam devem ser examinados, pela possibilidade de câncer de pele, especialmente em pessoas de pele mais clara e que se expuseram muito ao sol.

OUVIDO EXTERNO
ROLHA DE CERUME. Com a idade aumenta a ocorrência de rolha de cerume, que produz perda de audição e zumbido. Algumas vezes pode predispor à infecção do ouvido externo. Em caso de acúmulo, remover sempre com um médico especialista. DICA: não colocar hastes flexíveis (cotonetes) pois empurram o cerume mais para dentro , podem promover infecções e até mesmo a perfuração timpânica.

OUVIDO MÉDIO
OTITE MÉDIA AGUDA: a queda de imunidade, que provem do envelhecimento, favorece o surgimento de infecção de ouvido médio , especialmente durante quadros de gripe ou resfriado. DICA: nestes quadros de gripe ou resfriado, lavar bastante o nariz com soro fisiológico, pois a infecção vai do nariz para os ouvidos.

OUVIDO INTERNO
Com o passar dos anos, temos uma somatória de fatores que propiciam alterações de funcionamento do ouvido interno: o próprio envelhecimento do órgão auditivo (cóclea) e do labirinto. Também podem contribuir alterações comuns na faixa etária, como: Diabetes, hipertensão arterial , elevação de triglicérides, colesterol, ácido úrico. O uso de alguns medicamentos: AAS, anti-inflamatórios, diuréticos, anti-hipertensivos, antibióticos, quimioterapia, sildenafil (viagra) e outros. Tabagismo também contribui para o quadro. Alterações da cóclea promovem perda de audição e zumbidos. Alterações de labirinto produzem vertigem, tonturas, náuseas e vômitos. DICA= Manter sob controle as alterações descritas, com controle médico frequente.

PERDA DE AUDIÇÃO
É denominada PRESBIACUSIA . Ela ocorre por: 1 Degeneração da cóclea que é o órgão auditivo. A pessoa vai escutando cada vez menos, sendo mais intensa nos sons agudos, ficando mais difícil de escutar as consoantes do que as vogais. Neste caso, a princípio, escuta-se bem, mas confunde-se, por exemplo, pato com lado, dado, fato. 2 Perda da discriminação da audição: ocorre por alteração da parte neurológica da audição. A pessoa escuta, mas não compreende o que foi falado. TRATAMENTO: não há tratamento medicamentoso. Quando for necessário, deve-se usar aparelho auditivo.

QUANDO INDICADO, PRECISO REALMENTE USAR O APARELHO AUDITIVO? Ainda existe preconceito e resistência ao uso de aparelhos auditivos. Este é um problema que vivencio com frequência. Não devemos esperar um quadro severo de perda da audição para iniciar o uso de aparelhos auditivos! A partir de um determinado nível de perda, começa a ocorrer uma diminuição irreversível da região cerebral utilizada para a audição. Quando aguardamos tempo demais, ocorre o prejuízo da compreensão do que foi ouvido: mesmo colocando aparelho, a pessoa escuta, mas já não compreende. Este prejuízo vai além. A perda desta área cerebral implica em perda de outras áreas, levando à perda cognitiva, ou seja, acelera a degeneração cerebral senil !! Escutar bem ajuda manter o funcionamento do cérebro !! Por isto, quando o otorrinolaringologista indicar o uso do aparelho auditivo, ele é realmente necessário. Muitas pessoas adiam até não mais conseguir comunicar-se. Neste momento a adaptação já fica bastante prejudicada.

DR JOSÉ OTÁVIO VASQUES AYRES




Artigo de Celso Lungaretti: 'QUEM JUSTIFICOU A CHACINA DO 'CHARLIE HEBDO' É CÚMPLICE MORAL DO MASSACRE DE ORLANDO'

CELSO LUNGARETTI: ‘OS TERRORISTAS ISLÂMICOS SÃO RÉPROBOS DA HUMANIDADE!’

 

 


Orlando, EUA: 50 mortos em nome da volta à Idade Média.
Meus leitores habituais já sabem que tenho ojeriza profunda aos fanáticos religiosos que exumaram e exacerbaram o terrorismo clássico. Vale a pena explicar os motivos.
Ao contrário de considerável parcela dos articulistas ditos de esquerda, li muito Marx, Engels, Lênin e Trotsky nos meus anos de formação política. E aprendi que a abolição do capital e o fim da sociedade de classes seriam o coroamento da marcha civilizatória, o final de uma longa caminhada das trevas para as luzes, do tacão da necessidade para a plenitude da liberdade.
Então, como os autores citados, só posso considerar patética a tentativa de fazer o relógio da História retroceder à Idade Média, quando os pastores de cabras aceitavam que a idiotia religiosa regesse cada esfera da vida social e da moral individual, e acreditavam que dizimar infiéis lhes abriria as portas do paraíso.
Barbárie cega e faca amolada
Desde o aiatolá Khomeini, sou totalmente contrário ao oportunismo da má parte da esquerda que, trocando o marxismo pela geopolítica, alinha-se com os inimigos da civilização, apenas porque, casualmente, estão na contramão de EUA, Israel, França ou qualquer outro vilão da vez.
Quem justificou a chacina do Charlie Hebdo é cúmplice moral da matança na cidade estadunidense de Orlando. Considero simplesmente aberrante a esquerda, filha do iluminismo, dar as mãos a quem quer anular o iluminismo e todas as suas consequências!
Também me irrita profundamente a forma como os terroristas de Alá ajudam a indústria cultural a incutir no cidadão comum a paranoia face aos diferentes. Num momento em que o capitalismo putrefato o expõe aos piores rigores econômicos e à vingança da natureza, a existência de um bicho papão é mais do que conveniente para quem pretende mantê-lo submisso e conformado, encarando as catástrofes climáticas como fatalidades, a desigualdade como ordem natural das coisas e a polícia como protetora, suportando sem chiar as  agruras nossas de cada dia.
Morticínios fazem lembrar os horrores nazistas
O que a indústria cultural insidiosamente incute nos seus públicos, martelando sem parar? A sensação de que tudo vai bem na vidinha de todos até que surge qualquer ameaça externa, como assassinos seriais, zumbis ou… terroristas. Os papalvos devem prezar a normalidade e temer unicamente aquilo que a quebre. É onde se encaixam, como uma luva, as bestiais matanças perpetradas pelo Estado Islâmico.
Desconheço autoproclamados inimigos do sistema mais convenientes para o dito cujo do que os carniceiros de Alá. O ataque pirotécnico da Al Qaeda ao WTC deu pretexto a uma longa e terrível temporada internacional de estupro dos direitos humanos, da qual finalmente estávamos emergindo quando o EI entrou em cena para fornecer novos e valiosos trunfos propagandísticos para os trogloditas da direita. Se depender dos jihadistas, a guerra ao terror nunca acabará.
Por último, os verdugos de Alá, com seus atentados covardes contra civis e suas repugnantes execuções de prisioneiros, agridem de tal forma a sensibilidade dos cidadãos equilibrados que facilitam a disseminação de preconceitos contra qualquer forma de resistência armada a governos totalitários.
Execução por apedrejamento: crueldade extrema!
A direita deita e rola nesse clima de rancor cego, que propicia a satanização dos combatentes que, em situação de extrema inferioridade de forças, desafiaram heroicamente o terrorismo de estado nos anos de chumbo; propiciou a satanização de Cesare Battisti, mediante a afixação de um rótulo que nem sequer fora utilizado no momento dos acontecimentos (a Justiça italiana não o acusou nem condenara como terrorista). Serviu para socar-nos goela adentro uma lei que permitirá enquadrar as mais inofensivas formas de protesto como crimes gravíssimos.
Sou veterano de uma organização armada que erigia como inimigos apenas os torturadores, assassinos e dirigentes da ditadura militar, fazendo tudo para evitar que civis e os inconscientes úteis apanhassem as sobras dos confrontos. Preferíamos sacrificarmo-nos do que sacrificar os inocentes. Então, é chocante ao extremo para mim constatar a falta de um mínimo resquício de solidariedade, de compaixão, de empatia com outros seres humanos, nesses autômatos de Alá.
Os atentados do ano passado em Paris e o que acaba de ser desfechado em Orlando foram típicos de nazistas, de psicopatas! Os que matam humoristas por fazerem blague com a sisudez dos fanáticos e homossexuais porque encontram o amor de uma forma diferente da prescrita por um mercador em meio à barbárie e às trevas do primeiro milênio, não passam de réprobos da humanidade!
Há 6 meses em Paris: restaurantes como alvos!
A abordagem psicanalítica do escritor português João Pereira Coutinho (vide íntegra aqui) tem tudo a ver:
…quando olho para o rosto dos terroristas, o que vejo é a felicidade da matança. Eles não matam apenas por uma religião (que mal estudaram) ou por razões geopolíticas (que nem sequer entendem).
Eles matam porque gostam de matar… A parte bestial do ser humano não pode ser abolida da nossa natureza… Quando provamos a loucura da guerra, emergimos como o primeiro homem, o homem das cavernas.
…embalados pelo conforto da paz, somos incapazes de entender, muito menos aceitar, a felicidade (…) de homens como nós que provaram e gostaram do sangue. E que exatamente por isso querem mais e mais e mais –até que a morte nos separe.



'Aprender História é brincadeira'

Aprender História é brincadeira na EMEF. Cel. Esmédio

 
Aprender História pode ser uma atividade lúdica e interessante. Ao menos é assim com os alunos dos 7ºs anos da EMEF. Coronel Esmédio, em Porto Feliz (SP).
Aproveitando a temática desenvolvida durante o bimestre – Expansão Islâmica, Incas, Maias e Astecas – os alunos desenvolveram jogos de tabuleiros, cartas e RPG (Role-Playing Game ou Jogo de Interpretação de personagens), os quais foram apresentados, para avaliação, nos dias 8 e 9 de junho. Os jogos, além de possuírem a estética relacionada aos temas históricos, possuem regras que relembram as situações vividas no passado.
O projeto se desenvolveu numa parceria do professor de História Carlos Carvalho Cavalheiro com diversos parceiros da comunidade, tanto interna quanto externa à escola. O apoio da equipe Gestora, liderada pela diretora Ernides Martelini e vice-diretora Carine Dumont, além da coordenadora pedagógica Carolina Botignon foi o primeiro
passo para que a proposta pudesse criar vida.
Outro apoio essencial foi dado pelo bibliotecário José Eduardo Bertoncello que além de criar uma página na internet para comunicação entre a Biblioteca Municipal e os alunos, forneceu ainda toda a estrutura básica para a criação dos jogos, com a explicitação passo a passo de como deveria ser “construído” um jogo. A participação dos pais dos alunos também foi importante nesse processo todo, quer acompanhando os estudantes durante as orientações na Biblioteca Cesário Motta Junior, quer auxiliando em casa na realização da tarefa que envolveu pesquisa e a construção dos jogos.
A atividade foi realizada com sucesso e os jogos surpreenderam pela criatividade e envolvimento dos alunos. Por exemplo, um jogo de xadrez foi criado todo com motivação referenciada no Império Inca. Assim, em vez da tradicional peça do “cavalo”, esta foi substituída pela lhama, animal que vive na região andina, onde os incas habitavam. Do mesmo modo, o rei foi “convertido” no Imperador Inca e assim por diante. Os alunos moldaram as peças, uma a uma, em argila.
Outro jogo de tabuleiro e cartas que serve como exemplo foi um sobre a Expansão Islâmica, no qual os estudantes se restringiram a um fato histórico específico, a Batalha de Poitiers, ocorrida em 732, na qual Carlos Martel, liderando o exército franco, venceu os mouros que tentavam expandir seu império que já atingira a Península Ibérica. Utilizando-se de uma estratégia militar, Carlos Martel fez com que suas tropas permanecessem num local elevado e combateu a cavalaria dos muçulmanos apenas com infantaria, um dos raros casos na História. Os estudantes, assim, fizeram uma maquete do local de batalha, assentando o tabuleiro do jogo em cima dessa maquete.
Desse modo, de forma significatvia, os estudantes ficaram mais estimulados a pesquisar a História afim de construir os jogos.



Artigo de Hamilton Octávio de Souza: 'Luta contra a direita exige clareza da situação e do projeto'

Foto Hamilton (2) (1) (Copy)Hamilton Octavio de Souza – ‘Luta contra a direita exige clareza da situação e do projeto’

A mobilização das ruas precisa se comprometer com objetivo além do “Fora Temer” e visar a organização dos trabalhadores para mudança radical do modelo político-econômico dominante.

 

Hamilton Octavio de Souza

 

Ninguém mais duvida de que a crise brasileira envolve aspectos políticos, econômicos, éticos e sociais de enorme complexidade, os quais atrapalham a real identificação de boa parte de suas origens, consequências e possíveis desdobramentos e superações. Vivemos uma conjuntura embaralhada de tal maneira que no corre-corre dos acontecimentos muitas vezes tomamos decisões e miramos alvos de menor relevância para o enfrentamento da crise. Somos tragados por fatos e factoides produzidos no Palácio do Planalto, no Congresso Nacional, no Supremo Tribunal Federal, na Operação Lava Jato e na mídia e redes sociais. Temos gasto energia supérflua e corremos o risco de chegar a lugar nenhum, reproduzir o que está aí e não mudar a situação atual.

As manifestações contra o governo (interino, provisório, transitório) de Michel Temer, que ocorrem desde o início de maio em várias partes do país, expressam motivações e objetivos diferentes. Os setores influenciados pelo PT e PCdoB, derrotados no Congresso Nacional e afastados temporariamente do governo devido ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, estão nas ruas para denunciar o “golpe” e tentar reverter o julgamento da presidente no Senado. No caso de nova derrota institucional, devem assumir de forma rotineira o papel de oposição ao governo federal e se preparar para as eleições municipais deste ano e, principalmente, para as eleições gerais de 2018. Estão nesse bloco as organizações identificadas com o lulismo, como PT, PCdoB, Frente Brasil Popular, CUT, CMP, MST e UNE.

Boa parte da cúpula desses partidos e movimentos considera difícil a retorno da presidente Dilma Rousseff ao governo, já que depende de forte guinada de posição no Senado e, mais do que isso, a construção de novo bloco de apoio parlamentar e a reconquista da confiança junto ao empresariado e demais atores políticos e econômicos nas instituições do Estado e na sociedade civil. Mesmo que o desempenho do governo Temer seja muito ruim, as forças que atuaram no afastamento de Dilma, inclusive a grande imprensa empresarial-burguesa, tendem a defender o governo Temer e confirmar a queda definitiva de Dilma.

Engrossam as manifestações contra o governo Temer amplos setores da sociedade críticos ao governo Dilma e ao PT, especialmente a juventude, estudantes, intelectuais e funcionários públicos, mas que no processo do impeachment foram sensibilizados pela denúncia do “golpe” e pela defesa genérica da democracia – do chamado Estado Democrático de Direito, que nada mais é do que a base jurídica do sistema fundamentado no liberalismo político e na economia capitalista. Estão nas ruas porque não querem retrocessos nos direitos e conquistas sociais e nas liberdades democráticas. Não querem Temer, mas também não se identificam plenamente com o governo da presidente afastada, com o PT e com o lulismo. Apenas não querem o conservadorismo e a direita no governo federal.

 

Luta de massas

Embarcaram também nessa jornada do “Fora Temer” as forças de esquerda que não estão empenhadas no “Fica Dilma” ou “Volta Dilma” em julgamento pelo Senado, como saída para o “Fora Temer”, mas reforçam essa luta pela democracia na expectativa de que o movimento de massas possa crescer contra a direita, inclusive após a eventual cassação ou renúncia de Dilma Rousseff, de maneira a fortalecer a luta geral da classe trabalhadora. Estão nesse grupo principalmente os integrantes e correntes mais combativas do PSOL, PCB, outras organizações socialistas, movimentos populares distanciados do lulismo e militantes independentes de esquerda. O PSTU e seus aliados têm posição própria contra todas as lideranças dos partidos da ordem dominante, inclusive contra o governo Temer.

Parte dessas forças defende a realização de eleições gerais ainda em 2016, na tentativa de mudar a composição do Congresso Nacional e de ter alguma liderança nova e promissora na Presidência da República. Outra parte aposta no avanço da luta de massas até a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte, que possa mudar as leis, o sistema político-partidário e promover uma renovação das lideranças políticas.

Todas essas forças têm noção clara de que estão na luta contra a direita, sabem que o governo Temer representa os setores conservadores e a reaglutinação do bloco afinado com o neoliberalismo, com as elites e com as oligarquias do capital nacional e estrangeiro. Por isso mesmo precisam ter muita clareza sobre o que fazer além do “Fora Temer”, qual o projeto a ser defendido pelas oposições de esquerda agora e no futuro.

 

Eleições de 2018

O PT não esconde que por trás da denúncia do golpe e da campanha do “Fora Temer” tem uma preocupação estratégica relativa ao futuro do partido nas eleições gerais de 2018. Embalado no marketing da luta por “democracia” e “resgate da legitimidade do governo”, a campanha eleitoral de 2018 pode significar, para os petistas, a recuperação do espaço político perdido no fracasso do governo Dilma, nos processos de corrupção da Operação Lava Jato e nos casos de envolvimento espúrio da maior liderança do partido com as empreiteiras OAS, Odebrecht e Camargo Corrêa.

A denúncia do “golpe” cumpre várias funções. A primeira delas procura atribuir ao processo de impeachment uma conotação de ação ilegítima e antidemocrática da oposição de direita, de tal maneira que o foco seja colocado nos adversários e não no próprio governo Dilma Rousseff. A segunda tenta tirar do governo Dilma e do PT a necessidade de autocrítica sobre os erros da gestão e sobre os equívocos políticos e éticos praticados nos 13 anos de lulismo. A denúncia de “golpe” serve para jogar uma cortina de fumaça no fracasso do PT no governo e desconversar sobre a autocrítica que o partido deve aos trabalhadores e ao povo brasileiro.

Uma questão que precisa ser colocada agora é a seguinte: O povo brasileiro acreditou no projeto do PT nas eleições de 2002, 2006, 2010 e 2014, mas por que esse projeto naufragou e deixou o país no caos econômico, com milhões de desempregados, com educação e saúde em frangalhos, com programas sociais estagnados e toda a máquina pública arrebentada? Por que a direita aliada do PT ganhou força nos governos do PT e acabou por abater o próprio PT causando graves danos para o povo brasileiro?

Se o PT não fizer ampla e profunda autocrítica de seus erros e equívocos, a luta de resistência ao “golpe”, pela democracia, contra o governo da direita, tende a não acrescentar o necessário aprendizado político e apenas favorecer o retorno do lulismo em 2018 nos mesmos moldes do período 2003 a 2016, que deixou o país na atual situação. A classe trabalhadora tem o direito de saber qual é a política de alianças e o projeto dos que lutam contra o governo Temer, se seguem o mesmo esquema de conciliação de classes que levou Lula e Dilma ao governo federal ou se defendem agora proposta diferente. Afinal, o lulismo continua apostando na conciliação com o capital e no “presidencialismo de coalizão” com os partidos tradicionais da direita?

 

Projeto revolucionário

É essencial que as forças de esquerda que participam das manifestações do “Fora Temer”, “Fora Cunha”, “Fora Jucá”, “Fora Renan”, tenham projeto político mais avançado de transformação social do que aquele que foi aplicado pelo lulismo e que foi fragorosamente derrotado pela direita. Vale lembrar que o programa adotado pelo atual governo Temer, que enfrenta resistência na sociedade, nada mais é do que o programa que o segundo governo Dilma tentou impor em 2015 e foi amplamente rechaçado pelo povo.

Está claro que não basta derrubar ou cassar políticos marcados pela corrupção e/ou pela incompetência e/ou pela falta de compromisso com o povo brasileiro. Também não basta focar a crítica e o ataque a um ou outro partido político, pois, no geral, todos têm reproduzido os mesmos vícios. Tentar fazer uma reforma política na conjuntura é correr o risco de entregar ouro para o bandido, na medida em que os políticos e os partidos que dominam o Congresso Nacional, os governos estaduais, as assembleias legislativas, as prefeituras e as câmaras municipais, estão interessados apenas em manter seus privilégios e seus esquemas de poder. Qualquer mudança real, profunda e verdadeira, precisaria primeiramente implodir o atual sistema político-partidário-eleitoral, precisaria contar com a força do povo, a rebelião popular, a organização e a luta da classe trabalhadora de baixo para cima.

Não basta mudar governantes dos mais variados partidos se todos estão aprisionados ao modelo econômico dominante. A luta da esquerda, dos trabalhadores, da juventude e do povo brasileiro deve estar centrada além do “Fora Temer”, “Fora Dilma”, “Fora Lula”, “Fora Cunha”, “Fora Renan”, “Fora X”, “Fora Y”. A esquerda precisa ter projeto político para a transformação econômica e social do Brasil com objetivos inegociáveis, entre os quais a efetiva redução das desigualdades, o acesso imediato aos direitos fundamentais, o fortalecimento do poder popular, a concreta melhoria de todos os serviços públicos, o aprofundamento real da democracia e a abolição de todas as formas de exploração dos trabalhadores.

O compromisso maior da esquerda deve ser com a construção de uma sociedade justa, igualitária, livre, democrática e soberana. Os militantes da esquerda socialista que se empenham nessa luta precisam ter a ousadia de propor ações verdadeiramente revolucionárias. Precisamos nos livrar dos projetos do passado, que prometem muito e nada fazem. Não devemos ser massa de manobra de mais do mesmo. É preciso mudar de verdade, ter claro que a mudança que o povo brasileiro reclama se chama revolução. Esse é o projeto, nada menos do que isso.

 

Hamilton Octavio de Souza é jornalista e professor.

 




Fatecs prorrogam inscrição para o Vestibular 

A inscrição foi prorrogada até  dia 13

A inscrição para o processo seletivo das Faculdades de Tecnologia (Fatecs) do Estado de São Paulo para o segundo semestre de 2016 foi prorrogada até as 15 horas da próxima segunda-feira, 13 de junho.

Para se inscrever, exclusivamente pelo site www.vestibularfatec.com.br, o candidato deve preencher a Ficha de Inscrição e o questionário socioeconômico, imprimir o boleto e pagar a taxa no valor de R$ 75 (em dinheiro) em qualquer agência bancária.

O Vestibular oferece 15.325 vagas – esse número inclui 1.800 vagas para a modalidade a distância – distribuídas entre as 66 Fatecs. O exame será no domingo 3 de julho.

Novidade

* Três Fatecs vão ampliar os cursos oferecidos:

Fatec Barueri – Logística (40 vagas, tarde);

Fatec Itapetininga – Gestão Ambiental (40 vagas, manhã);

Fatec São Sebastião – Logística (40 vagas, manhã. As disciplinas do
4º ao 6º semestres serão ministradas no período noturno).

Inscrições

Para concorrer a uma das vagas do Vestibular, o candidato deve ter concluído ou estar cursando o Ensino Médio ou equivalente, desde que no ato da matrícula comprove a conclusão do curso.

No ato da inscrição é possível escolher um curso em primeira opção e colocar como segunda opção: o mesmo curso (presencial ou EaD) de primeira opção em outro período na mesma Fatec; ou o mesmo curso (presencial ou EaD) de primeira opção em qualquer período de outra Fatec; ou ainda qualquer curso (presencial ou EaD) com o mesmo conjunto de disciplinas prioritárias (a relação dos cursos estará nainternet no momento em que o candidato for definir a segunda opção), em qualquer Fatec e período.

O candidato com deficiência, que precise de condições especiais para fazer a prova, deve mencionar sua necessidade na ficha de inscrição eletrônica. É necessário encaminhar o laudo médico, emitido por especialista, por meio de um link específico na área do candidato até as 15 horas do dia 13 de junho.

O Manual do Candidato, que traz datas, normas e orientações para o processo seletivo, está disponível no site para download gratuito.

Inclusão Social

O Sistema de Pontuação Acrescida do Centro Paula Souza concede acréscimo de pontos à nota final obtida no exame, sendo 3% a estudantes afrodescendentes e 10% a oriundos da rede pública. Se o candidato estiver nas duas situações, recebe 13% de bônus.

É indispensável que o candidato verifique se realmente tem direito à pontuação acrescida, pois a matrícula não poderá ser realizada e a vaga será perdida caso as informações não atendam às condições estabelecidas em sua totalidade.

Outras informações pelos telefones (11) 3471-4103 (Capital e Grande São Paulo) e 0800-596 9696 (demais localidades) ou pelo sitewww.vestibularfatec.com.br

Guia das Profissões Tecnológicas

O Centro Paula Souza lançou o Guia das Profissões Tecnológicas,publicação que apresenta os 72 cursos superiores de tecnologia oferecidos pelas Fatecs, na última sexta-feira, dia 3.

Uma das propostas do Guia é oferecer ao vestibulando a chance de conhecer quais assuntos serão estudados durante a graduação tecnológica. Com essa informação, o candidato poderá escolher o curso mais adequado ao seu perfil e às suas expectativas. O manual destaca também as possibilidades de cada carreira e exemplos de atuação do tecnólogo no mercado de trabalho.




Artigo de Sergio Diniz da Costa: 'Mariposas e Borboletas'

Sergio Diniz da Costa
Sergio Diniz da Costa

Sergio Diniz da Costa: ‘MARIPOSAS E BORBOLETAS’

 

            O centro das cidades, nos dias úteis e no horário comercial, concentra uma quantidade significativa da população que, em sua roda-viva diária, dirige-se ao trabalho, às compras, para realizar algum negócio específico ou, ainda, simplesmente, como alguns aposentados, sentar nos bancos da praça para prosear ou apreciar a movimentação das pessoas.

Eu sempre gostei de andar pelas ruas do centro da minha Sorocaba. Principalmente após a aposentadoria e, com ela, me dedicar exclusivamente à carreira literária.

Uma das vantagens de não precisar mais ‘matar um leão por dia’ ─ prática essa metaforicamente incorreta, aliás! ─ é, justamente, ter a liberdade de se fazer o que mais gostamos. No meu caso, observar as pessoas, tentando captar o que pensam ou sentem. Um verdadeiro trabalho de ‘investigador da alma humana’!

Há algum tempo, comecei a observar uma, em particular. Uma mulher! Postada sempre na mesma esquina, da mesma rua. Todavia, sem qualquer produto visível, supostamente sendo colocado à venda.

Idade imprecisa, nem jovem ou velha, demais.

O corpo, muito longe do que, hoje, parece ser ─ ou fazem-nos acreditar que o seja ─ o ‘ideal’, ditado pela Moda.

As roupas, aparentemente de grife nenhuma e um tanto quanto exíguas, deixando à mostra um pouco mais aquilo que pessoas mais recatadas e conservadoras considerariam ‘aceitável’.

O rosto, carregado com uma maquiagem feita sem arte, talvez por ter sido produzida com produtos baratos ou por pura falta de conhecimentos desse ofício.

O rosto, refletindo um brilho no olhar que me pareceu enigmático, e um sorriso que, num primeiro momento, me pareceu malicioso.

E ali, na mesma esquina, da mesma rua do centro, ela parece mais um detalhe da paisagem urbana. Um detalhe que, provavelmente, poucos notam ou se detêm nele.

O olhar brilhante e o sorriso, misteriosos, maliciosos, porém, aos poucos foram me mostrando que se detinham em algumas pessoas em especial: os homens!

Ao ter essa percepção, finalmente percebi a realidade de sua presença: ela era o próprio produto colocado à venda! E, imediatamente, lembrei-me da primeira vez que ouvi um adjetivo aplicável a esse tipo de mulher: ‘mariposa’!

Mariposa! Mariposa!… Uma mariposa ali, no centro da cidade.
E em plena luz do dia!

Passei, então, a refletir sobre a palavra e do inseto que a representa. E me lembrei de uma aula de Biologia, quando estudávamos os insetos.

As mariposas ─ as de maior tamanho, também conhecidas como ‘bruxas’ ─, fazem parte da ordem científica Lepidoptera, que significa ‘asas escamosas’. O nome deriva das escamas que caem das asas em forma de pó quando tocadas. A maioria delas tem hábitos noturnos.

Lembrei-me, também, que as mariposas têm muito em comum com as borboletas. Ambas fazem parte da mesma ordem científica e começam suas vidas como lagartas famintas antes de se transformarem em suas versões adultas, voadoras. E ambas se alimentam do néctar das flores.

As mariposas e as borboletas, todavia, têm algumas diferenças. Uma delas é o comportamento das mariposas de voar em círculo em torno das luzes (fototaxia), particularmente as artificiais, comportamento esse ainda não totalmente explicado pela ciência.

Ademais, há diferenças, entretanto, de natureza simbólica. A borboleta é considerada o símbolo da transformação, da felicidade, da beleza, da inconstância, da efemeridade da natureza e da renovação. E, para a psicanálise moderna, é o símbolo do renascimento. A mariposa, por sua vez, por ser um inseto geralmente de hábitos noturnos, simboliza a morte, bem como a força destruidora da paixão.

Voltando dessa ‘aula de reminiscências’, observei, mais uma vez, aquela mulher. Olhei mais atentamente para seu rosto. E, de repente, tive a impressão de que aquele olhar ainda detinha um brilho, mas era uma cintilação diferente, distante. E o sorriso já não mais me parecia malicioso, porém, ingênuo.

Nesse momento, parecia que não via mais uma mariposa, mas uma lagarta; uma lagarta que talvez um dia poderia ter escolhido se transformar numa borboleta. Uma borboleta leve, multicolorida, admirada!

E a única luz, em direção à qual voejaria, seria a do sol.

Aquela esquina, daquela rua, seria tão somente um lugar por onde ela passaria e, momentaneamente, pousaria, até que algum transeunte, um poeta a notasse.

E sobre ela escreveria ‘O Poema da Libertação’!

 




Estado cria Etec em Santa Cruz das Palmeiras

O governador Geraldo Alckmin assinou ontem, dia 7, decreto criando a Escola Técnica Estadual (Etec) de Santa Cruz das Palmeiras, na Região de Campinas.

 

O texto foi publicado hoje no Diário Oficial do Estado. Com isso, o Centro Paula Souza passa a administrar 220 Etecs, distribuídas em 162 municípios paulistas.

A escola recém-criada iniciou suas atividades no primeiro semestre de 2015 como classe descentralizada da Etec Dr. Francisco Nogueira de Lima. Atualmente,156 alunos estão matriculados nos cursos técnicos de Açúcar e Álcool, Administração, Informática, Logística, Segurança do Trabalho. O processo seletivo para o próximo semestre oferece 80 vagas, divididas entre os cursos de Administração e Logística. A prova do Vestibulinho será no dia 19 de junho.

Com a nova escola técnica de Santa Cruz das Palmeiras, a Região Administrativa de Campinas passa a contar com 33 Etecs e 10 Faculdades de Tecnologia (Fatecs).