Artigo de Celso Lungaretti: 'CONHEÇA TODOS OS ARTICULISTAS DO BLOGUE NÁUFRAGO DA UTOPIA'

Celso Lungaretti: EDUARDO RODRIGUES VIANNA: O QUE MUDOU NO BRASIL FOI ISTO: ACABOU A CONCILIAÇÃO DE CLASSES


O
s governos de Lula corresponderam a um momento da história do neoliberalismo no Brasil em que foi possível a conciliação entre as classes sociais: um período de prosperidade econômica, que provia crédito e benefícios aos trabalhadores, assim como dividendos astronômicos aos banqueiros, de uma maneira bastante funcional, com todo o mundo ficando satisfeito.

A economia do País parecia extremamente sólida, mas isto não passava de ilusão, como todos agora sabemos.

Com a crise internacional (queda dos preços de matérias primas), associada à deficiência produtiva que um país subdesenvolvido como o Brasil tem e terá durante muito tempo ainda, a conciliação entre as classes sociais deixou de ser viável; então, a burguesia financeira reconstitui o poder executivo da República, que jamais deixou de pertencer a ela, de um jeito ou de outro.

Em outras palavras, no ano de 2002 a burguesia financeira permitiu que o PT gerenciasse os seus negócios, com lucros para ela própria e com benefícios para os despossuídos, num momento favorável do ponto de vista econômico, viabilizado em grande parte pelo comércio internacional.

Os banqueiros enriqueceram como nunca dantes neste país, até que as vacas emagreceram e a fonte secou; chegara a crise.

Então a burguesia financeira pegou a bola (que era sua) e o jogo da conciliação de classes acabou. Quem jogou, jogou. Para quem não jogou, resta aquela ridícula Doutrina Temer: “Não fale em crise; trabalhe!”

Por estes tão essenciais motivos, e por outros além destes, devemos assumir que o que houve por aqui, com a substituição de Dilma por Temer, não foi um golpe de estado, mas tão somente um ajuste, um dos muitos ajustes neoliberais, para que o sistema propriamente dito (incluído o seu aspecto político, é claro) não sofresse nenhuma alteração significativa, nem mesmo um arranhão.

Tal empreitada conta, como seria de esperar-se, com os préstimos do medíocre Temer e sua incomparável trupe de ministros. O neoliberalismo, todos sabemos, é feito de ajustes, efetuados sempre que há necessidade de adequação a novas condições econômicas, administrativas, geopolíticas, etc.

O PT compreendeu desde cedo as regras do jogo político da burguesia, nesta democracia de barganhas e enganações; e a elas aderiu como coadjuvante solícito, chegando ao ponto de gerir os interesses daqueles que conduzem o poder financeiro, certamente o maior e mais pesado poder que se tem visto.

De 2002 em diante, é como se os banqueiros tivessem dito: “Vocês, petistas, podem exercer a presidência, mas a vice-presidência será sempre nossa, sempre de direita”, como um dispositivo de segurança à disposição dos reais donos do País.

Uma olhada nos vice-presidentes de Lula e Dilma confirmará isto. Homens de direita, mas não muito —o suficiente para restabelecerem a normalidade caso o velho PT tentasse extravagâncias como reforma agrária, reforma urbana, revitalização educacional, essas coisas de comunista

Portanto, por mais que em alguns aspectos a coisa vá piorar bastante para os trabalhadores e para o povo (as vítimas de sempre), o sistema capitalista neoliberal brasileiro, que vigora sem interrupções desde 1990, permanecerá exatamente o mesmo, com a estabilidade de que goza qualquer sistema social vitorioso.

 

Quanto ao pacote econômico anunciado por Temer em maio, trata-se, real e concretamente, do famoso ajuste fiscal, aquele que o Joaquim Levy tentou mas não conseguiu nos impor, um tanto agudizado para compensar o atraso na sua implementação.

Com desemprego, com violência urbana crescente, com crise política, com todo o subdesenvolvimento do Brasil, o sistema continua vigoroso, voraz, imenso, total, quase sem oposição e, principalmente, sem grandes alterações.

 

CELSO LUNGARETTI / ANDRÉ MAURO

STILL CRAZY AFTER ALL THESE YEARS

Sou o antigo crítico de rock André Mauro. Quer dizer, o ex-guerrilheiro Celso Lungaretti. Melhor ainda: ambos.

Dupla identidade é um ingrediente fascinante nas artes populares, desde Dr. Jeckyll/Mr. Hide até Clark Kent/Super-Homem. Houve quem dissesse que o George W. Bush era um clone do Hitler com o bigode raspado…

O próprio Maluco Beleza deu uma tacada certeira nessa direção: “Raul Seixas e Raulzito/ Sempre foram o mesmo homem/ Mas pra aprender o jogo dos ratos/ Transou com Deus e com o lobisomem” (As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor).

Mas, não foi por amor à arte que eu, Celso Lungaretti, vivi minha fase André Mauro. Foi por necessidade, mesmo… (continua aqui)

DALTON ROSADO
O FIM DOS FINS DA POLÍTICA

Bastou a descoberta de um instrumento de coerção (prisão) concomitante à possibilidade de anistia parcial da prática de crimes (por meio da delação premiada) para que os políticos demonstrassem duas coisas:

  • a podridão generalizada que caracteriza historicamente as relações do poder político;
  • o caráter dos delatores.

Como sabemos, o dinheiro do Estado, falaciosamente tido como coisa pública (res publicae), é na verdade tratado como coisa de ninguém (res nullius), desde o império romano, e tem a função estratégica de financiar a manutenção da opressão sistêmica perante aquele que sustenta o próprio Estado: o oprimido contribuinte, já espoliado pela extração de mais-valia capitalista, e ainda chamado ao pagamento dos impostos que financiam a máquina estatal… (continua aqui)

APOLLO NATALI

A VEZ DO TADEUZINHO

história do Tadeuzinho merece ser contada.

Ele é correspondente do jornal O Estado de S.Paulo na cidade paulista de São Luis do Paraitinga. Mas não faz só isso. O dia dele parece ter 48 horas.
Começa correndo cinco quilômetros. Na sequência, caminha uma légua. Em seguida pedala outro tanto na sua bicicleta enferrujada. Trabalha o dia inteiro numa escola com tempo para fabricar caixões de defunto, exercer a função de agente pastoral dos enfermos, recomendar os mortos velados na igreja, ajudar nas missas e fazer suas reportagens pelas cidades da região.

Tadeuzinho se encaixa em todas essas vivências e contei a história desse brasileiro serelepe em 1981, numa reportagem para o hebdomadário O Estadinho, então o órgão de comunicação dos 7 mil funcionários do jornal O Estado de S.Paulo… (continua aqui)

PEDRO CARDOSO DA COSTA

NUANCES DO IMPEACHMENT

Durante o processo de impedimento da presidente Dilma Rousseff vários vícios de comportamento se repetiram na sociedade, principalmente entre os interessados.

Iniciou-se pela própria presidente e seu bunker de defesa. É comum na  política brasileira apontar contradição sempre nos adversários. Com os defensores da presidente não foi diferente, ao sustentarem que o afastamento dela da Presidência da República configuraria um golpe.

Começa a sucessão de equívocos com a alegação de ter havido pecado original, em razão de o deputado Eduardo Cunha, então presidente da Câmara, ter autorizado a abertura do processo de impeachment por vingança… (continua aqui)




Teatro Nósmesmos traz programação variada para o mês de Junho

Com dramas, comédia e show de humor, Teatro Nósmesmos traz opções divertidas para celebrar o mês dos namorados

 

O Teatro Nósmesmos prepara para o mês de junho uma programação que levará o público a rir, chorar e se encantar com os espetáculos e shows de diferentes modalidades artísticas. Apresentação de mágica, stand-up e drama são os gêneros que tomarão conta do palco que conquista cada vez mais o público da região.

 

Nas primeiras sextas-feiras, 03 e 10 de Junho, será apresentado o drama Carlos e Neno, da STCA Produções, inspirado no livro “Ratos e Homens” de John Steinbeck e dirigida por Marcelo Santto. A peça conta a história de Carlos, um homem rude e forte; seu primo Neno, adulto com deficiência mental; e Joyce, jovem tímida e inocente. Um poço e um lugar afastado formam o ambiente deste espetáculo que tem um enredo envolvente e promete fazer o público se emocionar.

 

Já no primeiro final de semana, 04 e 05 de junho, o público prestigiará a peça Benecleto – Os Causos de Noé Godinho, da Cia. teatral sorocabana “O Barracão da Vó”, com roteiro de Benedicto Cleto e direção de Rodrigo Cintra. O espetáculo dá vida ao universo de tropeiros e boiadeiros de forma divertida, lúdica e fantástica, trazendo à tona, nas entrelinhas dos causos, as lutas de classes da sociedade.

 

No segundo final de semana, 11 e 12 de junho, os atores Miclei Queiroz e Mauro Dias apresentam o show de humor Comédia à Beça. Stand up, personagens, imitações, piadas, músicas e outros gêneros teatrais farão parte do espetáculo. O show já contou com a participação de grandes humoristas como Rafinha Bastos, Marcelo Mansfield, Robson Nunes, Nany People, Marcelo Marrom, Alexandre Frota, Alexandre Porpetone, Murilo Gun, Matheus Ceará e muitos outros.

 

Nas duas últimas sextas-feiras do mês, 17 e 24 de junho, a Cia. Anomalias Teatrais apresentará o espetáculo O Cego e o Louco, com texto de Claudia Barral e direção de Marcelo Malaquias. Enquanto esperam a visita de uma vizinha, dois irmãos discutem suas diferenças e frustrações. O mais velho, pintor frustrado por estar cego e não poder mais pintar, “desconta” sua angústia no mais novo, tímido. O final desse conflito promete grandes surpresas!

 

Nos dias 18 e 19 de maio, o Teatro Nósmesmos recebe o show de mágica As 52 sombras de Magia com o ator, clown, ilusionista e comediante Mauricio Alberto Dollenz Zavala. Formado em teatro na universidade ARCIS, no Chile, e na Escola de Magia em Valencia, na Espanha, o artista segue os passos do Mago Fernando Larrain e promete trazer um show cheio de surpresas e ilusionismo.

 

Para finalizar o mês, nos dias 25 e 26 de junho, Os Más Companhias apresentam o espetáculo de humor A Farsa, com direção de Juliano Mazurchi e elenco composto pelos atores Dagoberto Menezes, Felipe Genebra, Rafael Cavacchini, Thiago Alves e Will Bassi. A peça é baseada na primeira comédia da literatura francesa e conta a história de um advogado português que usa da sua malandragem para dar um golpe em um comerciante de tecidos.

 

Todas as apresentações ocorrem às 20h e custam R$30 (R$15 a meia entrada).

 

Serviço:

 

Carlos e Neno

Datas: 03 e 10 de junho

 

Benecleto – Os Causos de Noé Godinho.

Datas: 04 e 05 de junho

 

Comédia à Beça

Datas: 11 e 12 de junho

 

O Cego e o Louco

Datas: 17 e 24 de junho

 

As 52 sombras da magia

Datas: 18 e 19 de junho

 

A Farsa

Datas: 25 e 26 de junho

 

Horário: 20h00 (todas as apresentações)

Ingresso: R$30,00 (meia entrada: R$15)

 

Pontos de Vendas de Ingressos:

 

– Hobby Magazine (Centro e Plaza Shopping Itu)

– Teatro Nósmesmos (Unicenter)

 

Teatro Nósmesmos

Endereço: Avenida Prudente de Moraes, nº 210 – Sala 304 – Vila Nova – Itu-SP

Contato: (11) 4024 0852

 




São Paulo terá simulado presencial gratuito do ENEM

Inscrições pelo site www.supersimuladoenemSP.com.br. Prova será no dia 18 de junho.

 

Os estudantes do ensino médio poderão testar seus conhecimentos e se preparem para a prova do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) no dia 18 de junho no Super Simulado Enem SP. Trata-se de um simulado da prova gratuito e presencial para alunos da rede pública e privada de ensino. O cadastro para fazer o simulado deve ser feito até o dia 14 de junho pelo site www.supersimuladoenemSP.com.br.

 

Estruturado em parceria com a Evolucional, a avaliação seguirá o modelo idêntico à versão original, permitindo que os estudantes avaliem o seu desempenho nas competências e habilidades exigidas pelo ENEM. A correção usará a mesma metodologia TRI adotada pelo MEC, oferecendo um diagnóstico completo dos pontos que precisam ser melhorados pelo aluno, para que ele possa traçar um plano de estudos.

 

Durante o dia, os estudantes contarão com diversas atrações, entre elas o stand up “Tamo junto” do Marco Luque, que traz piadas e histórias sobre o cotidiano, adolescência e relacionamentos, além de improvisação com a plateia. A apresentação acontecerá às 11h para já descontrair os jovens que farão a prova na sequência.


Super Simulado Enem SP

Quando: 18 de julho
Horário:
10h – Abertura da universidade
11h – Stand-up com Marco Luque

13h – Início do Simulado do ENEM

Valor: Gratuito
Cadastro para a prova: www.supersimuladoenemSP.com.br

Local: Universidade São Judas Tadeu – rua Taquari, 546, Mooca.




Evento Cultura de Paz reúne prefeituras da região de Itapetininga para falar sobre solução de conflitos

Prática sugere modelos restaurativos para a solução de problemas familiares, educacionais e nas relações com a sociedade

 

“Educar é, antes de tudo, configurar espaços de convivência”, afirma o biólogo chileno Humberto Maturana. Conviver com pessoas que pensam e têm costumes diferentes umas das outras é uma tarefa desafiadora. Cultivar relacionamentos e respeitar todas as opiniões e formas de manifestações culturais é essencial para uma sociedade ser pacífica. Para apresentar a metodologia das Práticas Restaurativas para a resolução de conflitos, as unidades do Senac em Sorocaba, Itu e Itapetininga realizaram, no dia 24 de maio, o evento Cultura de Paz.

 

Realizado no auditório do Senac Sorocaba, o encontro reuniu profissionais de diversas áreas de 12 prefeituras da região de Itapetininga entre elas: Itapetininga, Guareí, Alambari, Tatuí, Campina do Monte Alegre, Itararé, Buri, Quadra e São Miguel Arcanjo.

 

O encontro abordou o conceito de resolução de conflitos a partir da compreensão da complexidade das causas da violência e de como reagir a ela pacífica e coletivamente. Em uma palestra ministrada pela coordenadora do Programa Senac de Cultura de Paz, Andrea dos Santos Pereira Nunes, os profissionais refletiram as propostas do modelo restaurativo nos âmbitos familiar, escola, trabalho e comunidade e como o setor público pode colocar em prática e passar adiante para suas equipes como a forma restaurativa pode beneficiar quem comete uma infração.

 

Segundo Andrea Nunes, é possível transformar um conflito em uma oportunidade de aprendizado para reduzir a violência e melhorar o convívio na escola, no trabalho, na família e nas relações em sociedade. “Nós somos protagonistas da nossa história e definimos o que queremos para o futuro. Para isso é necessário reconhecer, responsabilizar-se, restaurar e reintegrar”, explica Andrea.

 

Conforme explica a palestrante, essa inovação da prática restaurativa vem sendo irradiada em todo o mundo e está no Brasil há cerca de 10 anos. “Ao contribuir para a conscientização do impacto das ações violentas, gera responsabilização por parte dos agressores e proporciona a construção coletiva de um novo caminho para prevenir a reincidência e ajudar as vítimas a superar o trauma sofrido, quebrando novos ciclos de violência”, completa.

 

De acordo com a gerente do Senac Itapetininga, Heloísa Vendramini, o objetivo do Programa Cultura de Paz e do evento é a revisão interior de toda a sociedade e também dos gestores e funcionários públicos, para que todos passem adiante as boas práticas do diálogo, ao invés da violência. “Nós apresentamos as possibilidades de atuação corporativa para melhorar a comunicação e tornar o ambiente familiar, educacional e em toda a sociedade mais saudável”, ressalta Heloísa.

 

Justiça Restaurativa em Tatuí

 

Durante o evento Cultura de Paz, a palestrante Andrea dos Santos apresentou o case da cidade de Tatuí. A Justiça Restaurativa que existe na cidade desde 2005 é uma forma de solucionar as demandas encaminhadas ao Judiciário, modificando a forma de solução de conflito, passando da punição das sentenças tradicionais para o diálogo, ouvindo todas as partes envolvidas no problema. A Justiça Restaurativa tem o intuito de fazer com o que o causador do conflito reconheça o mal praticado, responsabilize-se pela recuperação dos danos à vítima, buscando a reconciliação e que o causador busque formas de melhoria e novas atitudes.

 

Programa Senac de Cultura de Paz

 

O Programa Senac de Cultura de Paz tem como objetivo disseminar conceitos, valores e práticas que sustentem a cultura de paz por meio de ações educativas que favoreçam a transformação dos conflitos em oportunidades de aprendizagem. Em 2015 foram capacitados mais de mil colaboradores do Senac.




Artigo de Ivan Fortunato: 'Caiu na rede, mas não podemos nos omitir: sobre estupro e a cultura da barbárie'

Ivan FortunatoIvan Fortunato – ‘Caiu na rede, mas não podemos nos omitir: sobre estupro e a cultura da barbárie’

 

Bom dia a todos! A coluna desta quinzena foi motivada por um fenômeno que começou a circular, semana passada, nas redes sociais, em sites especializados e nos meios de comunicação tradicionais (rádio, televisão e jornal impresso): a notícia de um estupro coletivo na cidade do Rio de Janeiro, envolvendo uma jovem menor de idade e cerca de três dúzias de homens. Como cidadão, não posso fechar os olhos e deixar de me indignar. Como educador, no entanto, preciso abordar criticamente o fenômeno.

Primeiro, é preciso alertar sobre as possíveis interpretações da notícia, pois todo fato ventilado é apenas um recorte de um todo complexo muito maior. Isso implica reconhecer as vicissitudes daquilo que é veiculado na mídia, às vezes de forma tendenciosa sim, mas, na sua maioria, apenas de forma superficial, sem tempo ou espaço para que diversas variáveis também se manifestem. Com isso, quero dizer que uma notícia, um tweet, uma hashtag, uma publicação na linha do tempo etc. é somente capaz de contar um fato ou, como na maioria das vezes, um suposto fato, conforme interpretação daquele que o torna público. Por exemplo: quando o mundo assistiu a Neil Armstrong fincando a bandeira norte-americana na Lua, no ano de 1969, tivemos um suposto fato: tanto as explicações contrárias quanto as evidências fazem sentido, ou seja, os americanos tanto podem ter ido como podem ter simulado a viagem espacial. A cena engendrou inúmeras conversas, polêmicas, teorias, hipóteses… sendo muitas destas coerentes, possíveis e plausíveis. No entanto, nenhuma é absoluta.

Por outro lado, tomando o tema gerador dessa coluna, muito mais do que debater, supor, conjecturar… devemos começar por lamentar. Isso porque, para cada evento tornado público, há inúmeros outros que não tomamos ciência, dando certa sensação de que não acontecem. E esse silencio é tão perigoso quanto assustador, pois não nos dá a dimensão da crueldade com que temos que conviver.

Como muitos, já estou cansado de ouvir comentários contra às vítimas, defendendo o ato perverso como se a pessoa violentada tivesse atraído para si o ataque porque se vestia com roupas curtas, ou andava de forma insinuante. Acreditar nisso é defender essa selvageria. Também não basta certa “conscientização” de que há determinados locais que se deve evitar, que não se pode andar sozinha ou que é normal viver com medo, suspeitando de tudo e de todos. Conselhos como esses legitimam essa cultura da barbárie, na qual mulheres são vítimas, diariamente, de casos de estupro. Ao mesmo tempo, outros tantos homens e tantas mulheres são facínoras e/ou cúmplices no ato de forçar alguém a ceder quando não se quer. Isso pode ser silencioso, quando acontece na própria casa ou praticado por alguém que se conhece e confia. Ou pode ser na crueldade de se ameaçar a vida ou espancar a vítima até a morte. Nada disso faz sentido.

Talvez essa falta de sentido não se evidencie amiúde porque consentimos com algumas atitudes que consideramos banais. Por exemplo: quando na rua desrespeito confunde-se com elogio, torna-se normal “mexer” com as mulheres. Não é. Isso pode ser constrangedor, humilhante ou inconveniente. O mesmo acontece nas festividades, quando não há qualquer respeito pelas mulheres, puxando-as pelo braço, forçando-as a abraçar, beijar ou mesmo conversar. Isso também não é normal e nenhuma indumentária justifica a ação: pode-se usar vestido curto ou saia tão somente pelo desejo de assim se vestir – e isso deve ser respeitado. Aliás, o respeito pelo outro é o primeiro passo para que notícias como a que foi ao ar semana passada tornem-se vestígios de um passado selvagem. Pena que ainda estamos longe de darmos este primeiro passo.

Por fim, ainda há que se lamentar que o caso que alcançou rápida popularidade logo desaparece das listas de mais comentados, visualizados e repudiados. Enquanto permanece em evidência, há uma espécie de aura de ódio que enche os espaços destinados a comentários. Quiçá o ódio torne-se amparo às vítimas e às causas. Quiçá o ódio torne-se rejeição à barbárie. Quiçá o amparo e a rejeição sensibilizem nossa sociedade, que sempre conviveu e teve que sobreviver à sua própria desumanidade. Que dessa sensibilização, emerjam ações adversas à qualquer manifestação violenta contra a vida. E que as mulheres possam se vestir como e andar por onde quiserem, sem medo.

 




Artigo de Celio Pezza: 'Doutrinação até em concurso público'

Colunista do ROLCelio Pezza: Crônica # 314 – Doutrinação até em concurso público

Celio Pezza

  

No último domingo, na PUC-Minas, em uma prova de português para seleção de estagiários do MPF de Minas Gerais, apareceram algumas questões que mostram como está espalhada em todos os cantos essa praga  ideológica que tanto mal já fez ao nosso país.

Uma prova de português, que analisaria as questões gramaticais, com várias alternativas para assinalar a correta, tinham frases do tipo:

– Questão 09

  1. a) Os golpistas ficaram “prostados” com a reação que se viu nas ruas em defesa da democracia.
  2. d) O juiz infringiu a legislação ao divulgar o conteúdo de interceptações telefônicas.

– Questão 10

  1. b) O tráfego de influência é uma das práticas mais comuns na Câmara dos Deputados.
  2. c) O analfabetismo político é um mal cada vez mais comum em quem assiste ao Jornal Nacional.

– Questão 13

  1. d) Segundo renomados juristas, a presunção de inocência, “apezar” de configurar direito constitucional, vem sendo ignorada pela Operação Lava Jato.

São questões agressivas à democracia, de cunho altamente doutrinário, contra o impeachment legal de Dilma, contra algumas instituições democráticas, que nunca deveriam fazer parte de uma prova seletiva para nenhuma escola brasileira.

Como as questões circularam pela imprensa e causou muita revolta, o MPF de Minas Gerais soltou uma nota onde diz que várias questões foram anuladas e a servidora responsável pela elaboração foi exonerada.

O MPF também divulgou uma nota reafirmando seu compromisso com a atuação apartidária e impessoal em defesa da ordem jurídica e dos direitos e garantias fundamentais, bem como com os valores da transparência, da ética, da moralidade, da independência funcional e da unidade.

Por outro lado, no Rio Grande do Sul, um grupo de estudantes ligados ao PSOL lançou um manual de como fazer manifestações de rua e ocupação de escolas.

Até quando vamos conviver com essa bagunça?

 

Célio Pezza

Maio, 2016




Um artigo de Maria Dolores Tucunduva: 'CLEPTOCRACIA – palavra que entrou em uso em nosso vocabulário diário'

CLEPTOCRACIA – palavra que entrou em uso em nosso vocabulário diário.


CleptocraciaDesde Heródoto , na Grécia Antiga , o homem sonha com um governo perfeitamente democrático. Ou seja, um Estado, um território ou uma nação com um governo tão eficiente e honesto que chega a ser uma utopia.

Em função disso, são vários os textos na História Antiga, na História Medieval e na História Moderna que fazem referência a lugares utópicos, como A Cidade do Sol de Tomasso Campanella e a Utopia de Tomas Morus. Dois lugares inexistentes que a vida seria tão bem gerida que não haveria problemas sociais ou políticos.

Mas é claro que lugares assim são, se não impossíveis, pelo menos muito improváveis, já que homens possuem interesses que, mesquinhos ou não, são suficientes para causar grandes desavenças e romper com qualquer possibilidade de equilíbrio em uma sociedade.

Infelizmente, para nós e para toda a humanidade desde a época de Heródoto, a utopia do governo plutocrático possui uma expressão bem real e tangível de seu oposto, o governo cleptocrático.

Na Cleptocracia o Estado torna-se uma máquina de extração de renda por meios ilegais. Isso quer dizer que, além da arrecadação de impostos, taxas e tributos que os Estados cobram para acúmulo legal de renda, os indivíduos que formam a máquina administrativa ainda fazem uso benéfico de suas posições para enriquecimento próprio.

Não é por menos que o significado literal do termo Cleptocracia é justamente Estado governado por ladrões.

A ciência política nos explica que todos os Estados tendem a se tornar cleptocratas na ausência de manifestação da sociedade.

Enquanto isso, os economistas argumentam que o capital social da sociedade é forte elemento para impedir a instauração de tal governo cleptocrático.

Atingindo seu estágio pleno, a Cleptocracia substitui o Estado de Direito e fica nas mãos dos indivíduos que se apropriam do poder público através de diversos níveis para construir poder econômico. Plenitude que se completa pela captura do sistema público governamental pela corrupção política.