Genealogia: Afrânio Mello fornece informações sobre João Adolfo Schritzmeyer

Colunista do ROL
Genealogista Afrânio Mello

Afrânio Franco de Oliveira Mello – ATENDIMENTO NÚMERO 735

 

Senhora Vera, boa noite.

Segundo informações que colhi com parentes, a rua João Adolfo é em homenagem ao SR. JOÃO ADOLFO SCHRITZMEYER  , que

informam que possuia uma fábrica de chapéus aqui em Itapetininga e era nas proximidades dessa rua.

Como os negócios não iam bem, mudou-se para São Paulo, ainda no século 19.

Encontrei muitas informações sobre o Sr. João Adolfo e as coloquei em um arquivo de Word que repasso para o seu conhecimento.

São esparsas e poucas pois as colhi em  18 endereços. Algumas fotos e em uma delas uma parte de sua Loja com o nome Adolfo,

aparecendo. Outra da rua que leva o seu nome.

Outras informações de parentes e seus descendente.

TGem uma trineta que procura correspondência com algum parente.

Foi o que pude conseguir estão em 13 páginas em anexo.

Abaixo um pequeno resumo.

Saudações e grato pela doações de livros ao nosso IHGGI.

 

Afrânio Franco de Oliveira Mello
IHGGI / ROL – Região On Line

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João Adolfo Schritzmeyer (1828-1902) nasceu em Hamburgo, na Alemanha, veio para o Brasil em 1848 e, em 1853, estabeleceu a fábrica de chapéus, que no final do século XIX declarava ser a mais antiga do Estado de São Paulo, tendo sido confirmada por Antônio Egídio Martins como a mais antiga da Capital entre as existentes no início do século XX.

A fábrica estava instalada na Ladeira do Piques, atual rua Quirino de Andrade, e mantinha uma loja para vender por atacado na Rua do Ouvidor e loja para vendas a varejo na Rua São Bento n. 23, em uma das esquinas mais famosas e movimentadas da cidade: o famoso Quatro Cantos (o cruzamento da Rua Direita com a Rua São Bento). Nos anos 1880 já era um estabelecimento prestigioso, tendo merecido a visita do alemão Karl Von Koseritz, que se interessava pelos empreendimentos de seus compatriotas e também da Princesa Isabel e seus filhos.¹ Koseritz, dizia que era uma das maiores fábricas do País, onde trabalhavam 132 funcionários.

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Jazigo de João Adolfo Schritzmeyer – Cemitério da Consolação – Foto: Felipe Alexandre Herculano – Maio/2013
Fonte: A cidade-exposição: comércio e cosmopolitismo em São Paulo, 1860-1914, página 195.

 

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Prezados confrades e confreiras,

Reproduzo abaixo mensagem que recebi e respondi à D. Vera Lucia Alves Martins de Melo, a doadora ao IHGGI dos livros que faziam parte da biblioteca do professor Antonio Antunes Alves e cuja relação já lhes enviei através de mensagem por e-meio, pelo whatsapp e postado no nosso saite.

Peço aos colegas a gentileza de verificar a possibilidade de fornecimento à D. Vera, de informações a respeito de João Adolfo Schritzmeyer, conforme citado nas correspondências abaixo. Se pudermos atende-la, será uma forma de mostrar nossa gratidão pela doação dos livros.

Abraços,

Helio Rubens

 

Estou repassando sua mensagem ao genealogista Afrânio Franco de Oliveira Mello, que recebe pedidos de estudos genealógicos através do jornal que edito, o ROL – REGIÃO ON LINE, para que verifique a possibilidade de atender sua solicitação sobre João Adolfo Schritzmeyer. E também aos confrades e confreiras do IHGGI para que eventualmente possam contribuir com informações sobre essa pessoa.

 

 




Artigo de Pedro Novaes: 'Leitura'

colunista do ROL
Pedro Novaes

Pedro Israel Novaes de Almeida    – LEITURA

 

 

Somos um povo inculto.

As notícias chegam, telegráficas, pelo rádio e TV. Revistas e grandes jornais são pouco lidos.

Manchetes são mais lidas que o conteúdo, e costumam aglomerar multidões defronte as bancas. Comprar e ler livros é um hábito de poucos.

A leitura escolar sobrevive por ser compulsória, quase limitada a obras didáticas, ou enunciadas nos vestibulares. Livros foram substituídos por apostilas, e já são raros os autores isolados.

A internet tem sido o maior elo entre o brasileiro e a formação cultural, mas os acessos buscam, em regra, redes sociais, que alternam boas escritas a línguas estranhas, fatos e boatos, com farta desinformação. Bem utilizada, a internet pode ser tão útil quanto um bom livro impresso.

Rádio, TV e internet substituíram os jornais, no quesito notícia. Antes de abrir o jornal, o cidadão já foi informado do fato, o que tem levado as publicações a comentários, análises e descrições de contextos.

Esporte, fofocas políticas e sociais, horóscopo e manchetes escandalosas disputam a preferência dos leitores, sempre ansiosos pelo caderno de negócios, sejam de veículos, animais, imóveis e materiais usados, além da oferta de empregos e serviços. O caderno de negócios costuma ser o alvo predileto dos gatunos de bancas.

A leitura atenta desenvolve habilidades, como a capacidade de abstração, memorização e entendimento de enunciados. A leitura ensina a língua, tão judiada pelo rádio e internet.

Com pouca leitura, consagramos a oralidade como meio de transmissão da cultura e informação. A oralidade pode, em determinados contextos, gerar guetos e alimentar vícios, aí incluídos os preconceitos e superficialidades.

Na verdade, a escrita costuma ser bem mais cuidadosa e elaborada que a fala, e daí mais acreditada. Pouquíssimos autores escrevem “menas”,  termo recentemente utilizado até por um senador da república, em sua tribuna.

Povos mais cultos e informados constroem ambientes amadurecidos e politicamente mais estáveis, sendo pouco receptivos aos aventureiros de sempre. Costumam ser mais respeitadores e solidários.

No contexto mundial, figuramos em péssima posição, no quesito leitura.  Outros povos ensinam a leitura como hábito e exemplo familiar.

Nossa triste condição pode ser avaliada pelos baixos índices de audiência de noticiosos, entrevistas e reportagens especiais, e altíssimos índices dos programas de fofocas e intimidades de famosos. Em nosso meio, são poucas e pouco frequentadas as bibliotecas. Vamos mal !

pedroinovaes@uol.com.br

O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.




Univesp abre inscrições para Vestibular de Engenharia de Computação e de Produção no Pólo UAB em Itapetininga

Inscrições podem ser feitas até às 15h do dia 13 de junho

Estão abertas as inscrições para o Processo Seletivo Vestibular para os cursos de Engenharia de Computação e Engenharia de Produção na Univesp – Pólo UAB Itapetininga, a partir do dia 23 de maio. As inscrições vão até às 15h do dia 13 de junho.  São 108 vagas, sendo que nos dois primeiros anos, serão divididas em três turmas sendo 36 vagas para aulas às segundas-feiras no período noturno e, consecutivamente, o mesmo número de vagas para aulas às quartas-feiras a noite e aos sábados de manhã.

Os interessados poderão realizar a inscrição pelo site nossorumo.org.br. A taxa de inscrição é de R$ 67,90. A realização da prova objetiva do Processo Seletivo Vestibular está prevista para dia 26 de junho, às 9h, e terá duração de 4 (quatro) horas. Haverá aplicação de uma redação e de uma prova objetiva constituída por 60 questões de múltipla escolha sobre: I – Comunicação e Expressão em Língua Portuguesa – 15 questões; II – Matemática – 15 questões; III – Ciências Humanas – 15 questões; IV – Ciências Naturais – 15 questões.

A matrícula para os cursos será realizada na data prevista de 26/07/2016 para os candidatos convocados para a lista de 1ª chamada.

Sobre UNIVESP:

A Fundação Universidade Virtual do Estado de São Paulo é a mais nova e inovadora universidade pública paulista.

Nosso objetivo é utilizar a tecnologia a serviço da educação e da cidadania, levando o conhecimento e a educação de qualidade para todo o Estado.

Mantida pelo Governo do Estado de São Paulo, a instituição é vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação.

Fonte: www.univesp.br




Artigo de Celso Lungaretti: 'FERREIRA GULLAR VIAJA NA MAIONESE: NEM DILMA ERA O ESTEREÓTIPO DA GUERRILHEIRA, NEM OS GUERRILHEIROS ERAM COMO ELE FANTASIA.'

Celso Lungaretti, no blogue Náufrago da Utopia: ‘FERREIRA GULLAR E SEU VERSO DE PÉ QUEBRADO SOBRE A DILMA’

 

O poeta, crítico de arte e cronista Ferreira Gullar, um dos papas do neoconcretismo, fez uma análise polêmica da personalidade de Dilma Rousseff, no seu artigo dominical intitulado Hora da Verdade:

Atrevo-me a pensar que ela tem dificuldade em se ligar objetivamente com o mundo real. A sua participação num grupo guerrilheiro, que assaltava bancos para, com o dinheiro roubado, financiar a guerrilha, não é propriamente sinal de bom senso. Não pretendo, ao dizer isso, desconhecer a generosidade e a coragem dos que se atreveram a tal proeza, mas, a meu juízo –e como os fatos mesmos comprovaram–, tal opção estava longe da sensatez e da objetividade.

Pois bem, minha tese é que a Dilma que optou pela guerrilha ainda está presente na Dilma de agora. Certamente não pretende desencadear um movimento armado contra o governo de Michel Temer, embora o tom de seus discursos, ao deixar o palácio do Planalto, desse a entender que sairá às ruas com seus seguidores para defender a democracia.

E isso é que é preocupante, uma vez que a nossa democracia não está ameaçada e, sim, longe disso, funcionando plenamente, a ponto de pôr na cadeia altas figuras do mundo empresarial, acusadas de corrupção. Como a guerrilheira do passado, Dilma prefere a bravata a encarar a realidade.

Os defensores de Dilma certamente optarão pelo caminho fácil de desqualificá-lo, disparando-lhe insultos e até falsidades. É o que faz a parcela intolerante e preguiçosa da esquerda, infelizmente majoritária. Eu prefiro aprofundar a questão.

Primeiramente, lembrarei que Gullar não é nenhum reacionário empedernido ou escriba vendido à burguesia. Foi
mais longe e sofreu maiores contratempos pelos ideais de esquerda do que a grande maioria dos que hoje o desprezam.

 

CPC da UNE encenando peça num sindicato

Em 1963, já intelectual eminente, presidiu o Centro Popular de Cultura da UNE, um marco do engajamento artístico às lutas políticas e sociais no Brasil.

Depois, indignado com o golpe de 1964, filiou-se imediatamente ao Partido Comunista. E fundou o lendário Grupo Opinião, juntamente com Oduvaldo Vianna Filho, Paulo Pontes e outros.

Em 1965 começou a sofrer prisões intimidatórias. E, em 13 de dezembro de 1968 –ou seja, no próprio dia da assinatura do AI-5–, foi um dos escolhidos para servir como exemplo do tratamento que aguardava aqueles que não se conformassem com a nova ordem. Ele, Paulo Francis, Caetano Veloso e Gilberto Gil [os dois últimos me antecederam na PE da Vila Militar e, mesmo não sofrendo torturas propriamente ditas, foram submetidos a grotescas humilhações, que os carcereiros faziam questão de relembrar amiúde].

Libertado, quando lhe chegaram informações dos bastidores militares, no sentido de que nova prisão era iminente, preferiu esconder-se na casa de parentes e amigos. Depois de quase um ano na clandestinidade, rumou em 1971 para a União Soviética.

O exílio durou até 1979. Ele esteve também em Santiago, em Lima e em Buenos Aires. Foi demais. Desencantou-se com a revolução traída na URSS, com a revolução massacrada no Chile de Allende, com o projeto nacionalista que não vingou no Peru e com o peronismo agonizante na Argentina.

Mas, o desengajamento da esquerda não o atirou nos braços do inimigo. Permaneceu um observador lúcido das mazelas brasileiras, criticando os que considera merecedores dos disparos quase sempre certeiros do seu teclado.

 

Caetano teve seu cabelo raspado a zero no quartel

Parafraseando-o, atrevo-me a pensar que a derrocada do peronismo sob Isabelita Perón o preparou para antecipar e entender como poucos a derrocada do petismo sob Dilma. Os dois movimentos dependiam demais dos seus homens providenciais, Perón (que morreu) e Lula (cujo poste ganhou vida própria depois de eleita e passou a desconstruir o edifício que ele, o criador, tinha em mente).

No entanto, mesmo tendo feito, o tempo todo, enormes restrições a Dilma (as mesmas que agora os principais dirigentes do PT lhe fazem para consumo interno), vou discordar desses três parágrafos melindrosos do Gullar.

O PCB combateu virulentamente a opção pela luta armada, pois significou, na prática, a pá de cal na sua condição de força hegemônica da esquerda. Proibiu seus quadros de prestarem auxílio solidário a guerrilheiros em dificuldade e chegou até a publicar no seu principal jornal calúnias contra Carlos Lamarca, acusando-o de provocador a serviço da CIA.

Acredito que Gullar não tenha se deixado envolver por essa corrente de intolerância oportunística, a ponto de nos ver como inimigos objetivos da revolução. Só os fanáticos e os primários chegaram a tal extremo. Mas, como ninguém é totalmente imune a tais rolos compressores, então são ecos da postura do partidão que se percebem em sua caracterização de guerrilheira como uma pessoa carente de bom senso, com dificuldade em se ligar objetivamente com o mundo real e dada a bravatas.

 

Fala de Moreira Alves passara despercebida

Ora, percebe-se na sua biografia que ele não conheceu verdadeiramente o objeto de sua avaliação negativa: a partir do AI-5, quando a guerrilha se tornou a frente principal de luta contra a ditadura, ele andou preso, depois escondendo-se, depois exilado.

Então, salta aos olhos que o perfil por ele composto não passa uma visão de quem estava fora do universo da guerrilha e, como o PCB, via na luta armada apenas um estorvo (estaria servindo para radicalizar a ditadura, como se a direita mais brucutu não estivesse disposta a tudo para atingir tal objetivo –o pretexto para o AI-5, vale lembrar, não foi nenhuma expropriação ou atentado, mas sim um discurso proferido por Márcio Moreira Alves apenas para constar na ata, durante uma sessão esvaziada da Câmara Federal).

Gullar, que atuava apenas no front cultural, aderiu ao partidão por causa da ira sagrada que a quartelada lhe causou. Outros, igualmente pouco politizados, tiveram a mesma atitude. Mas, o movimento predominante foi no sentido contrário, de militantes que abandonavam o PCB porque este capitulara sem resistência significativa a uma quartelada anunciada (todo mundo sabia que estava prestes a ocorrer).

Entre 1964 e 1968, a esquerda fervilhou: críticas e autocríticas, lutas internas, ruptura de dirigentes, debandada de quadros, criação de novas forças, desmembramentos e reagrupamentos, redefinições estratégicas e táticas, etc.

Até então, havia uma força principal (o PCB, de linha soviética), uma secundária (o PCdoB, de linha chinesa) e grupúsculos como a Polop, a Ala Vermelha do PCdoB, etc. Depois, o estilhaçamento do partidão deu origem a dezenas de siglas que tinham algum peso (regional, principalmente); a maioria delas propondo-se a enfrentar a ditadura com mais contundência do que os  ditos burocratas do PCB o faziam.

 

Notáveis nas passeata dos 100 mil

Em 1968, isto se corporificou num movimento de massas capaz de grandes mobilizações como a passeata dos 100 mil e de ações mais radicais como a tomada de fábricas em Osasco, SP. E algumas ações guerrilheiras já eram desenvolvidas pela VPR e ALN, mas sem grande vulto nem real importância; os combatentes e aliados de ambas totalizariam algumas centenas e a inexperiência levou a alguns desatinos que foram depois fartamente explorados pelos serviços de guerra psicológica das Forças Armadas.

O quadro mudou quando a truculência da ditadura contra o movimento de massa e seus líderes foi sendo levado ao paroxismo, com a tortura se generalizando e bestializando, assassinatos pipocando, ações de paramilitares fascistas grassando soltas. A escalada de radicalização foi claramente favorecida e impulsionada pela chamada linha dura da caserna, que apostava no fechamento total, enquanto parte dos golpistas civis (incluindo alguns governadores) defendiam a volta à democracia com algumas salvaguardas.

Então, quando o AI-5 tornou a resistência pacífica extremamente arriscada (se tentada a sério) ou simplesmente inócua (quando os militantes se limitavam a ações tímidas como a de deixarem em banheiros públicos panfletos que os cidadãos comuns tinham medo de apanhar), os militantes que não se resignaram a abdicar da luta foram engrossar as fileiras da luta armada. Não por falta de bom senso, aturdimento ou voluntarismo desmedido, mas sim por ser a alternativa que restava para os que não se conformavam em viver debaixo das botas, à espera de dias melhores que sabia-se lá se e quando chegariam.

 

Dilma: vocação para tecnoburocrata.

sensatez e a objetividade levaram Gullar ao exílio. Como não tinha perfil de combatente, é quase certo que sua permanência por aqui de pouco nos serviria, sendo mais uma preocupação do que uma ajuda. Deveria, contudo, demonstrar mais respeito por aqueles que ficaram, lutaram, sofreram e morreram.

Quando penso nos muitos companheiros valorosos que entregaram a vida pela causa e em outros tantos que até hoje carregam graves sequelas físicas e emocionais, é revoltante ler suas elucubrações a respeito de um ambiente que jamais conheceu.

Mesmo porque, se assim não fosse, saberia que Dilma não era a personificação da guerrilheira e sim uma militante mais afeita às lutas pacíficas, tanto que, no racha da VAR-Palmares, posicionou-se frontalmente contra a tendência que, com Lamarca à frente, conferia máxima prioridade à guerrilha.

E, no poder, deu para percebermos claramente que ela agiu muito mais em consonância com as teses do nacional-desenvolvimentismo da década de 1950 (que privilegiava o papel do Estado como indutor do desenvolvimento, cumprindo o papel que antes competia à chamada burguesia nacional) do que com a luta de classes marxista. Daí ter sido tão refratária à organização autônoma do povo e favorecer tanto a cooptação de líderes e satelização dos movimentos por parte do Executivo.

 

A criatura destruiria o criador. Shelley explica.

Para quem participou intensamente da efervescência de 1968 e estava no turbilhão dos anos de chumbo, o que ocorreu com a Dilma não constituiu novidade nenhuma: foram muitos os idealistas nos quais o espírito da época baixou e que fizeram então o que nunca mais fariam.

Assumiram posições e ingressaram em organizações radicais demais para seu temperamento; depois, com a volta à calmaria, foram encontrando seus verdadeiros nichos.

A vocação de Dilma, p. ex., era a de ser uma tecnoburocrata, tanto que aí acabou chegando; melhor Lula faria se a tivesse deixado permanecer na sua praia.

Ele cometeu um crasso erro de avaliação, que foi catastrófico para si próprio, para o PT, para a esquerda brasileira e para o nosso povo sofrido.

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Artigo de Ricardo Hirata: 'O Golpe no Brasil, o triunfo do Capital'

Ricardo Hirata
Ricardo Hirata

Ricardo Hirata Ferreira – O GOLPE NO BRASIL. O TRIUNFO DO CAPITAL

 

Sobre o golpe alguns fatos precisam ser colocados. O primeiro deles é o fato do próprio vice-presidente e seu partido que também era governo romperem com a presidenta e promoverem o golpe de Estado. De forma alguma, pode-se aceitar um presidente que comete este tipo de traição, ele não tem legitimidade.

A presidenta Dilma foi reeleita com mais de 54 milhões de votos. Os votos destes brasileiros foram desrespeitados e jogados no lixo. A maioria dos deputados e senadores que defendem seus interesses não tem moral para julgar e derrubar a presidenta. Ressaltando-se aqui os deputados da bancada “BBB” (Boi, Bala e Bíblia).

Houve sem dúvida um boicote ao governo da presidenta por forças hegemônicas ligadas ao grande capital e por setores conservadores retrógrados com inspirações fascistas. A grande mídia também produziu e inflou a crise política e econômica no Brasil, tomando uma posição unilateral: criou informações e imagens na forma de espetáculo contra o governo. Diariamente a população brasileira, na sua maior parte empobrecida intelectualmente, foi contaminada por toda esta poluição de informações e versões intencionalmente produzidas.

É inegável que os governos Lula e Dilma trouxeram avanços sociais significativos. Dentre eles a criação de mais de 18 Universidades Federais pelo Brasil, espalhadas por todo o território brasileiro, o Programa Mais Médicos, levando médicos aonde eles nunca chegavam antes, porque não existia sensibilidade social para isso, o Programa Minha Casa Minha Vida, a luta pela erradicação da fome, uma vez que as elites sempre foram indiferentes ao sofrimento da fome do outro.

A presença das mulheres em seus governos e a eleição da primeira presidenta mulher também fez justiça ao maior segmento da população brasileira em uma sociedade historicamente patriarcal, machista e misógina.

A tomada do poder pelo então vice-presidente Temer, pelo partido derrotado na última eleição e demais partidos de direita e de extrema direita representam o triunfo de uma agenda neoliberal, que não comporta em sua essência as questões sociais e humanitárias.

Em seu discurso, o então presidente interino fala em tom autoritário sobre a retomada da tese do Estado Mínimo, já executada pela velha política realizada por FHC e assumidamente praticada pelos políticos desta mesma linha. O receituário básico é: sucateamento, terceirização e privatização.

O Estado Mínimo refere-se a uma internacionalização perversa do território brasileiro. A venda do que resta das empresas e dos bancos estatais e a entrada sem compromisso do capital internacional. É o lucro em primeiro lugar, enquanto que o ser humano e o meio ambiente ficam nos últimos lugares.

No mundo das finanças e da força da economia, a política é feita para enfraquecer e fragmentar os trabalhadores, destruir os direitos trabalhistas e fortalecer ainda mais aqueles que detêm o capital. O importante é a eficiência do sistema que intensifica o processo de desigualdade sócio espacial. As leis de maneira geral são usadas e garantem o funcionamento do sistema que privilegia uns, silencia e elimina outros.

Nesta perspectiva de paradigma e governo: a cultura não tem importância, a educação só é útil para produzir corpos domesticados e a saúde deve garantir que as peças das máquinas possam funcionar. É imprescindível que os corpos possam consumir, mas nem todos e nem todos os lugares precisam participar efetivamente do mundo do trabalho e do mundo do consumo. Cultura, educação e saúde têm validade quando são mercadorias. O cidadão desaparece, aparece o consumidor mais que perfeito.

Houve uma mudança de governo, elimina-se um governo que a duras penas tentava impor uma concepção humanista e de desenvolvimento social dentro da mundialização do capital (o que não deixa de ser um paradoxo) para instalação de outro governo, agora pragmático que visa o crescimento econômico a qualquer preço e que está do lado e a serviço não das pessoas, mas do agronegócio, dos grandes latifundiários, dos grandes banqueiros, dos grandes empresários (inclusive os da religião) e das multinacionais e corporações globais.

 

Ricardo Hirata Ferreira

Doutor em Geografia Humana, FFLCH, USP.

 




Artigo de Celso Lungaretti: 'A SUPERESTRUTURA IDEOLÓGICA IMPORTA MUITO MAIS PARA OS FILHOS DOMESTICADOS DE MARX DO QUE A REALIDADE CRUA DA LUTA DE CLASSES'

A ESQUERDA NA ENCRUZILHADA:
OU VOLTA A SER REVOLUCIONÁRIA OU SE TORNARÁ
UMA ESQUERDA PLUNCT-PLACT-ZUMMM


Por Celso Lungaretti, no blogue 
Náufrago da Utopia.

Uma semana depois do afastamento de Dilma Rousseff o panorama é desalentador. O teor das críticas contra a nova administração, que jorram em profusão na internet e até na grande imprensa, nos leva à melancólica conclusão de que um governo como o do Partido dos Trabalhadores era o ideal para a maioria dos que hoje se enxergam como esquerdistas, com a única ressalva de que precisariam ser excluídas a roubalheira e a política econômica desastrosa.

É um paradoxo: todos constatam a mediocridade rasteira e a cupidez espantosa dos políticos profissionais mas, ainda assim, mantêm a crença no Estado e nos podres Poderes da democracia burguesa! Faz-me lembrar o refrão de uma canção menos marcante (*) da era dos grandes festivais de MPB: “Gente que perde os filhos seus/ Mas mesmo assim não perde a fé em Deus”…

Querem que negros e mulheres tenham suas cadeiras ministeriais e que o mecenato governamental continue sendo amplamente praticado na cultura, nem sequer nos dando obras-primas como retorno (quanta coisa boa já se fez nas artes longe das tetas estatais!); e isto durante a pior recessão brasileira de todos os tempos! Socorrer os 11 milhões de desempregados e suas sofridas famílias não deveria ser uma preocupação muito maior neste exato instante?

Alguém se dá conta de como vivem os pobres deste ainda miserável país?

Da penúria que já era terrível e tem aumentado acentuadamente nos últimos tempos?

Da precarização cada vez maior do trabalho, assustando os trabalhadores e tornando-os mais e mais mais submissos aos desmandos patronais?

Da incrível ruindade e insuficiência dos serviços de Educação, Saúde e transporte coletivo a que estão sujeitos dezenas de milhões de brasileiros, aqueles que não têm como bancar escola particular, convênio médico e carro próprio?

De que só 48% dos brasileiros contam com coleta de esgoto e só 38% dispõem de tratamento de esgoto? [Saberão quão frequente é a queda de crianças  nos córregos imundos, com riscos enormes para sua vida e sua saúde?]

Da insegurança permanente em que nossa gente vive, ameaçada pela bandidagem armada até os dentes e por uma polícia tão truculenta quanto ineficiente, a ponto de ambos os contingentes inspirarem idêntico terror na população?

Da vida de cão que os aposentados, em sua maioria, levam?

Mas, a superestrutura ideológica importa muito mais para esses filhos domesticados de Marx do que a realidade crua da luta de classes. Por mais que resmunguem e radicalizem na retórica, para eles o capitalismo é suportável.

Se conhecessem os grotões longínquos, ou mesmo a periferia de nossas metrópoles, saberiam quão insuportável a exploração do homem pelo homem se tornou e como é premente sua substituição por um regime que priorize o bem comum em lugar da ganância, de forma que os avanços das forças produtivas passem a beneficiar a toda a população brasileira ao invés de alavancarem o contínuo incremento da desigualdade econômica!

Então, inexistindo uma reação por parte dos que ainda sejam capazes de reconhecer um fracasso retumbante quando ocorre sob seus narizes, não haverá um processo de crítica e autocrítica profundo como o de 1964, que mudou a face da esquerda da época. Aquela capitulação sem luta teve a consequência que se impunha; a atual, nem de longe está tendo.

Se  a ênfase continuar sendo a de repisarmos como o inimigo é horroroso ao invés de aprofundarmos a discussão sobre os erros que nosso lado cometeu no processo de entregar-lhe a Presidência da República numa bandeja,  só uns poucos se compenetrarão da nocividade da política de conciliação de classes e da ilusão de que as mudanças cruciais para o povo brasileiro possam ser engendradas na Praça dos Três Poderes.

Assim como não se discutirá se é sensato apostarmos todas as fichas num partido de massas forte, desacompanhado de uma vanguarda apta para tangê-lo em direção a objetivos maiores do que o mero gerenciamento do capitalismo com o consentimento dos capitalistas (cancelável a qualquer momento), sem jamais questionarmos a essência da dominação burguesa nem ressaltarmos a absoluta necessidade de irmos paralelamente construindo um poder popular; afinal, seria deselegante assustarmos os companheiros banqueiros (como o Luís Carlos Trabuco) e as companheiras ruralistas (como a Kátia Abreu).

Continuaremos, portanto, esquecidos de que é nas escolas, nas ruas, campos e construções que temos de nos fazer cada vez mais presentes, acumulando forças para a transformação em profundidade da sociedade brasileira.

E seguiremos patinando sem sair do lugar, condenados a assistir sempre ao mesmo filme: a alternância de governos que imporão rigidamente a supremacia dos valores e interesses capitalistas, até as tensões sociais começarem a se tornar insuportáveis, quando serão substituídos por governos menos impiedosos, que vão afrouxar os parafusos por algum tempo, até sobrevir uma grave crise econômica e as tensões sociais começarem novamente a se tornar insuportáveis, pavimentando o terreno para a volta da austeridade e do conservadorismo, e assim por diante.

Parafraseando o eterno Raulzito,  caso nem agora reassuma as bandeiras revolucionárias, a esquerda brasileira se tornará, definitivamente, uma esquerda plunct-plact-zummm: por ter esquecido aonde queria chegar, já não vai a lugar nenhum!
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Minha Gente, de Ronnie Von.




Genealogia: leitora de Portugal troca correspondencia com Afrânio Mello

Leia a troca de correspondência entre o genealogista e a leitora do ROL que mora em Portugal

Maribel Monteiro e Marcos Rodrigues, bom dia.
Maribel, veja abaixo a correspondência que o Marcos me envia solicitando seu endereço
eletrônico e informa que o bisavô dele Silvino Adauto Rodrigues era irmnçai gêmeode
Saldino Adauto Rodrigues que você cita quando solicitou minha ajuda para o arquivo
Genealógico desses sobrenomes.
Creio que, de ora em diante, possam manter correspondência e aproximar os laços
familiares.
Grande abraço aos dois.
Afrânio Franco de Oliveira Mello
IHGGI / ROL – Região On Line
Sent: Saturday, May 21, 2016 3:22 AM
Subject: Jornal Rol
Bom dia Afranio!

A respeito do assunto:

Lá de Portugal, a leitora do ROL Maribel Monteiro escreveu:

“Boa noite sr. Afranio. Me chamo Maribel Monteiro e somos gaúchos de Porto Alegre. Tenho esposo e filhos e moramos há 14 anos em Portugal. Como tenho buscado pesquisar o lado materno e paterno de minha AVÓ e AVÔ maternos; encontrei seu site na internet e resolvi pedir sua ajuda, pois, me faltam mais dados, que somente a genealogia poderá me dar.. SE PUDER ME AJUDAR NESTE SENTIDO AGRADECIA.
Os dados dos Meus avós:
Avó Materna: Edelmira Camargo Rodrigues. Ela faleceu com 90 e poucos anos- 1985 ( ela sempre nos contava, que descendia do Bandeirante de alcunha o ” Tigre” .Quando os seus pais se casaram, ganharam dos pais, um casal de escravos. Ela contava historias da revolução farroupilha e sobre os escravos na fazenda dos pais dela. E uma sobrinha de minha vó me disse, que a vó dela e a minha, eram irmãs e que a mãe delas pertencia a nobreza a familia Prates.
Nome do Pai da Vó: José Antonio Camargo(alferes)
Nome da mãe da vó : Delfina PRATES SILVEIRA CAMARGO.
Avô(esposo) da avó Edelmira: Saldino Adauto Rodrigues.(Ele era professor,escrivão)
Seus pais eram: Anna Nunes Rodrigues e Delfino Adaulto Rodrigues.
Com os melhores cumprimentos,
Maribel Monteiro”

Como conseguir o contato da Maribel?

Meu bisavô Silvino Adauto Rodrigues era irmão gêmeo de Saldino Adauto Rodrigues

Att,

Marcos Rodrigues