Artigo da leitora Sônyah Moreira

Sônyah Moreira: E assim caminha a humanidade… E nossos políticos!

Quando você pensa que já chegou ao fundo do poço, ainda nos falta a derradeira queda, muito mais abaixo do fundo. A cada novo amanhecer, nossos narizes de palhaço fica mais vermelho, nunca na história desse país! Olha o plágio ai gente! Houve tantas baixarias, temos para todos os gostos, desde pornografias a exemplo de traidores iguais ou piores do que o algoz de Tiradentes, mentirosos profissionais de carteirinha, diplomados.

Vejamos, vamos começar nossa narrativa por partes, as mentiras é um capítulo a parte de nossa longa história, afirmam com tanta veemência que eles próprios acreditam firmemente no que dizem e esbravejam a reles população, que sem cultura, a plebe rapidamente muda de lado semelhantes ao balançar das ondas do mar, nossa que romântico!

Os exemplos de traição deixariam o coração de Judas tranqüilo, pois ao vender seu mestre por trinta moedas, perto do que estamos assistindo podemos dizer que o deslize foi pequeno, apesar do simbolismo que esse ato possui! A traição aqui é enorme, visto que os traídos são nada menos que a população de um país com dimensões continentais, é gente pra caramba!

Os fatos mais deprimentes ficam a cargo de nossas excelências, os senhores ministros, deputados e afins, usam nosso palácio para fotos sensuais, com suas esposas plastificadas pelas correções cirúrgicas, feitas com o dinheiro da plebe, diga-se de passagem. O nosso palácio virou palco de manifestações para uma parte do populaço, que ao meu parecer não precisa sair de casa ao raiar do Sol, sim! Podem acampar por dias, com a máxima de lutar por uma causa. A outra parte assiste indignado o uso de nossa máquina, de nossos recursos, de nossas instalações palacianas ricamente decoradas, para defender um único partido e seus partidários.

Assim caminha a humanidade, e nossos pseudos servidores públicos, pessoas eleitas para defender e trabalhar em prol da maioria, nossa que frase de efeito! Ficamos infelizmente somente na frase, a realidade que nos assola diariamente, deixaria qualquer um com os cabelos arrepiados como ao assistir um filme de terror.

Assim caminha humanidade para o caos. Dizer que somos influenciados por forças malignas, parece uma saída plausível. Precisamos urgente encontrar um culpado, que seja o senhor das trevas, o maligno, porém, perto dos atuais acontecimentos, não há nenhum demônio pior do que esses senhores, pra falar a verdade  , eles o superam e muito, ao roubar, desviar e usurpar recursos que salvariam milhões da fome e de doenças. Precisa de forças demoníacas?

Reitero não assemelhar-se a nenhuma facção religiosa, a nenhuma crença, deixemos no âmbito de histórias fantásticas, não tomando de exemplo em nossas vidas tais condutas.

Assim caminha a humanidade! Opa! Mudemos a frase! Assim caminha a humanidade de um país chamado Brasil!

 

Sônyah Moreira – sonyah.moreira@gmail.com




Governo de SP lança edital para internet sem fio no AcessaSP

Mais 300 postos do programa de inclusão digital do Estado de São Paulo vão ter conexão pela rede Wi-Fi

O governo do Estado de São Paulo, por meio da Subsecretaria de Tecnologia e Serviços ao Cidadão (STSC), lançou um novo projeto no âmbito do programa de inclusão digital AcessaSP. O edital do Wi-Fi tem por objetivo ampliar o acesso à internet por meio das redes sem fio, instalando equipamentos em mais 300 unidades do AcessaSP neste ano.

Em funcionamento desde o ano 2000, o AcessaSP oferece gratuitamente computadores e conexão a internet para a população. Dos 849 postos em funcionamento atualmente, 174 têm rede Wi-Fi, além da conexão fixa. O número de usuários da rede sem fio mais que dobrou no ano passado: em 2014, foram 648 mil atendimentos por meio do Wi-Fi, número que saltou para 1,6 milhão em 2015. Considerando os atendimentos feitos também pela rede fixa, os postos do AcessaSP fizeram, no ano passado, cerca de 6,5 milhões de atendimentos.

Os postos do AcessaSP foram criados pelo governo para atender a população que não tem acesso a internet. As pesquisas sobre o uso da Internet no Brasil têm mostrado que essa necessidade ainda existe, apesar dos avanços deste serviço em todo o país. De acordo com a análise do suplemento de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2014, entre os brasileiros com renda domiciliar mensal per capita de até ¼ de salário mínimo, apenas 28,8% têm acesso à rede. É principalmente para esse público que o governo mantém um programa de inclusão com a capilaridade do AcessaSP.

“Os dados mostram que ainda existe uma parcela da sociedade excluída digitalmente. Por isso, estamos reformulando a política do programa para inovar – tanto nas tecnologias como nos serviços”, observa Cibele Franzese, da Subsecretaria de Tecnologia. Com a rede sem fio os usuários do AcessaSP poderão se conectar à Web usando também seus dispositivos, como smartphones, tablets e notebooks. Dados da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) indicam que o Brasil terminou fevereiro com 258,1 milhões de celulares.

As 849 unidades em funcionamento no território do Estado de São Paulo cobrem 589 municípios, 43 deles em zona rural. O AcessaSP funciona em parceria com as prefeituras e com outros órgãos governamentais, como Poupatempo, CIC, EMTU, CPTM, Bom Prato e Itesp.

No edital do Wi-Fi, a contrapartida das prefeituras é apoiar e incentivar o monitor do posto do AcessaSP a desenvolver um projeto, voltado para a comunidade local, para potencializar o uso daquela unidade. Serão benvindas iniciativas inovadoras de Tecnologias da Informação e Comunicação, como desenvolvimento de software livre, aplicativos e cultura hacker.

A Rede de Projetos, criada para incentivar usuários e monitores a aproveitarem a infraestrutura dos postos para o desenvolvimento social, cultural, intelectual e econômico da população, reúne mais de 2 mil projetos – para conhecer algumas dessas iniciativas acesse http://rede.acessasp.sp.gov.br/og.

Mais informações sobre o edital estão disponíveis no endereço http://www.acessa.sp.gov.br/acessasemfio/




Artigo de Celso Lungaretti: 'A FÁBULA DO 'GOLPE' AJUDA A MASCARAR UMA ACACHAPANTE DERROTA E A PRESERVAR OS CULPADOS DE ERROS TERRÍVEIS

Celso Lungaretti: ‘PARADOXO: A ESQUERDA CHORA POR UM GOVERNO QUE NÃO FOI DE ESQUERDA.’

 

LÁGRIMAS DA ESQUERDA

O que me surpreende nessa novela do impeachment é que a esquerda ainda defenda a desastrada gestão de Dilma Rousseff.

O governo do PT meteu-se com esquemas pesados de corrupção e mostrou-se administrativamente incompetente. Alega-se que Dilma, como pessoa física, é honesta –com certeza mais honesta do que muitos dos que agora a condenam. Não duvido. Mas isso é muito pouco para transformá-la num modelo de virtude cívica.

Ou bem a presidente é uma tonta, que não viu que pessoas ligadas ao partido e ao governo estavam se locupletando, ou então foi conivente com a corrupção. É verdade que os esquemas já existiam antes de ela chegar ao Planalto, mas a posição virtuosa aqui teria sido a de detoná-los publicamente, não tolerá-los em nome da governabilidade.

Para tornar o quadro ainda mais dramático, acho complicado até mesmo afirmar que as administrações do PT buscaram implementar políticas de esquerda. Parece mais preciso descrevê-las como populistas. Enquanto os ventos sopraram a favor, elas distribuíram benesses para todos –muito mais dinheiro foi destinado para empresários do que para os pobres, registre-se.

Em 13 anos de governos petistas, pautas históricas da esquerda, como o direito ao aborto e a descriminalização das drogas, foram tratadas como tabu pelo Executivo. O PT tampouco hesitou em sacrificar bandeiras que lhe eram caras, como a educação sexual nas escolas, sempre que seus aliados religiosos chiavam.

O caso do sindicalismo chega a ser grotesco. Nada foi feito pra implementar a convenção 87 da Organização Internacional do Trabalho, aprovada no longínquo ano de 1948, que estabelece a liberdade sindical e que era defendida com unhas e dentes por Lula e pela CUT até chegarem ao poder.

Se há alguém que não deveria derramar nenhuma lágrima pelo governo Dilma, é justamente a esquerda.

MEU COMENTÁRIO  Desta vez, o filósofo Schwartsman acertou na mosca. Não há nada, absolutamente nada, a contestar. Permito-me, apenas, acrescentar una cosita y otra cosita

O pecado original do Partido dos Trabalhadores, do qual derivaram quase todos os outros, foi cometido em 2002, quando o Zé Dirceu se reuniu com os donos do Brasil e, em nome do Lula, pactuou com eles: se dessem o consentimento e as bençãos para o PT finalmente chegar à Presidência da República, a política econômica que os favorecia seria mantida e seus interesses sempre priorizados. 

João Goulart fez concessão semelhante em 1961: como vice, tinha o direito de assumir a presidência com poderes plenos quando da renúncia do titular (Jânio Quadros), mas aceitou que estes fossem limitados pela introdução do parlamentarismo em setembro daquele ano. Depois, contudo, convocou um plebiscito e o presidencialismo foi restabelecido em janeiro de 1963.

Lula, pelo contrário, resignou-se a ser presidente pela metade até o último dia dos seus sucessivos mandatos: obedecia ao grande capital na tomada das decisões macroeconômicas  e só tinha autonomia para gerir as miudezas do varejo.

Isto explica a postura, bizarra para um partido de esquerda, de possibilitar que os bancos lucrassem como nunca ao longo dos seus governos. E o pior foi que ele próprio o reconheceu, na cara dura, ao queixar-se da ingratidão dos banqueiros!

Mesmo sendo um período bom para as commodities brasileiras, não havia o suficiente para satisfazer a gula insaciável dos ricaços, dar algumas migalhinhas a mais para o povão e melhorar a vida da classe média. Lula optou pelos extremos: agradou àqueles a quem deveria servir para continuar no poder e àqueles que enchiam as urnas com votos para o PT. Mandou a classe média às urtigas.

A consequência foi esta, segundo o prefeito petista de São Paulo, Fernando Haddad: 

…os ricos se tornaram mais ricos, os pobres se tornaram menos pobres e uma certa classe média tradicional viu sua posição relativa em relação a essas duas outras camadas prejudicada. A classe média perdeu status. Os ricos se distanciaram e os pobres se aproximaram.

O que Lula não levou em conta, com seu tosco pragmatismo, é ser a classe média o contingente do qual brotam os formadores de opinião (além de ser também importante para os partidos de esquerda como celeiro dos seus quadros dirigentes). O preço de haver colocado a classe média acentuadamente contra si foi a perda das ruas a partir de 2013 e o gradativo convencimento dos mais pobres, de que o governo não prestava.

O estelionato eleitoral de 2014 e a agudização da crise econômica deram aos novos líderes da classe média os argumentos que lhes faltavam para moldar a opinião do povo, no sentido de que a grande culpada por sua penúria era Dilma. Isto feito, a consumação do impeachment se tornou mera questão de tempo.

Mais do que qualquer tramoia sinistra ou golpe inverossímil (pois o episódio atual é idêntico ao de 1992, que não foi considerado pelo povo nem passou à História como golpe), a queda iminente de Dilma se deve à descaracterização do PT, que quis porque quis gerenciar o Brasil para os capitalistas, mesmo que isto implicasse sua total descaracterização como partido de esquerda.

De que outra forma podemos avaliar o abandono da luta de classes, trocada pela conciliação de classes? Ou o fato de ter deixado de encarar a burguesia como a grande inimiga a ser derrotada, enquanto a vacilante classe média poderia, pelo menos em parte, ser conquistadaPara qualquer marxista digno deste nome, é totalmente estapafúrdia a proximidade maior com o inimigo de classe do que com os segmentos intermediários da sociedade.

Mas, se o petismo é inescrupuloso e desastroso em termos estratégicos, tem enorme habilidade para manipular seguidores por meio da mais falaciosa propaganda enganosa, seguindo as pegadas de Joseph Goebbels, o ministro da Propaganda do Reich nazista. Foi o que se viu na eleição presidencial de 2014 e é o que está se vendo agora.

Então, já sem esperança nenhuma de reverter a derrubada de Dilma, consegue, com a fábula do golpe, fazer passarem por tragédia as agruras de um governo que está, meramente, caindo de podre. 

É do que precisa para tentar manter sua hegemonia na esquerda face aos questionamentos que inevitavelmente advirão do seu retumbante fracasso. 


Se a empulhação colar e o processo de crítica e autocrítica deixar de ser levado às últimas consequências, não haverá o imprescindível saneamento e renovação, a chamada 
refundação da esquerda, mesmo que os caminhos populistas e reformistas a tenham conduzido ao fundo do poço. A opção revolucionária não será retomada e a luta de classes vai continuar sendo lembrada apenas como relíquia do passado.




FERRARI

 




Artigo de Hamilton Octavio de Souza: 'Dilma e o PT devem autocritica aos trabalhadores e ao povo'

Foto Hamilton (2) (1) (Copy)Hamilton Octavio de Souza: DILMA E PT DEVEM AUTOCRÍTICA AOS TRABALHADORES E AO POVO

 A avaliação dos erros do lulismo e dos governos do PT é condição imprescindível na luta em defesa da democracia, por reformas estruturais e para a organização e fortalecimento das classes trabalhadoras.

O governo Dilma Rousseff está acabado, foi arrasado pela crise econômica, pelo descontentamento da população e pelo Congresso Nacional que ajudou a eleger ao abrigar no “presidencialismo de coalizão” políticos conservadores e partidos de direita. Mesmo com todo o fisiologismo praticado pelo Palácio do Planalto para assegurar uma base parlamentar contra o impeachment, o processo foi aprovado por 367 a 137 votos. Como governar com essa minoria e com ampla e massiva desaprovação na sociedade?

Por trás da queda estão, evidentemente, as forças do capital, os grupos que disputam o gerenciamento das políticas neoliberais, as classes médias empenhadas na manutenção de seu padrão de vida, os políticos oportunistas que topam qualquer parada para agradar eventuais donos do poder e ao mesmo tempo seus currais eleitorais – e as classes trabalhadoras e setores populares não organizados que estão na moita em cauteloso distanciamento. Como governar diante de tamanha confluência de interesses pelo impeachment?

Mas, também, o governo Dilma acabou por seus próprios erros, pela desatenção com os reais problemas do povo brasileiro e pelo distanciamento de compromissos programáticos, por não ter dado o devido respeito aos desvios éticos que campearam nas diferentes instâncias da administração praticados por seu partido e por demais partidos da coalizão ou não. Em nenhum momento os casos revelados pela imprensa e pelas instituições da República (Polícia Federal, Ministério Público e Judiciário) foram devidamente repudiados e condenados. Ao contrário, o PT e o governo focaram mais na inconveniência das delações e vazamentos do que no mérito das denúncias.

Não cola mais na sociedade a visão maniqueísta do bem e do mal, de que “nós” não praticamos crimes e defendemos a democracia e que “eles” são de direita, corruptos e golpistas. O desgaste político do governo Dilma e do PT começou bem antes das eleições de 2014, quando apenas 38% dos eleitores votaram pela reeleição, enquanto 62% dos eleitores ficaram com Aécio, branco, nulo e abstenção. Começou bem antes das fantasias criadas pelo marketing eleitoral para encobrir a real situação da economia e bem antes do racha com o PMDB e demais siglas da chamada base aliada.

 

Alienação

Em seus primeiros pronunciamentos após a aprovação do processo de impeachment na Câmara dos Deputados, dias 18 e 19 de abril, a presidente Dilma tratou o episódio como se fosse tão somente um problema de conspiração, traição e golpe contra ela, apenas uma perseguição pessoal para puni-la por um crime que não cometeu. Fez questão de dizer que se sente injustiçada e indignada, que é vítima da truculência da oposição. Insiste no papel de vítima. Não fez qualquer referência à inabilidade política e aos enormes equívocos administrativos e políticos de seu governo. Atua dessa forma por decisão tática, cinismo ou alienação da realidade?

Da mesma maneira, não fez qualquer referência ao crescente descontentamento da população com seu governo, notadamente desde os protestos de 2013. Também não se referiu ao prolongado sofrimento da população, que paga caro com o terrível aumento de desemprego, arrocho salarial, inflação, inadimplência e perda de proteção social nos serviços públicos e nos programas do Estado. Em nenhum momento das entrevistas dadas aos jornalistas brasileiros, dia 18, e aos jornalistas estrangeiros, dia 19, a presidente fez qualquer referência aos danos causados por seu governo aos milhões de trabalhadores brasileiros – e ao povo em geral – nos últimos três anos. Tratou a crise econômica apenas como um desdobramento da crise internacional.

Será que ela se esqueceu das promessas feitas logo após os protestos de junho de 2013, quando já estava claro o forte descontentamento na sociedade? Será que ela se esqueceu das promessas feitas na campanha eleitoral de 2014 e que foram anuladas por atos do governo logo após a divulgação do resultado das urnas? Será que ela se esqueceu de que aprovou mudança no seguro-desemprego, no auxílio-doença, na pensão por morte e no auxílio-social? Será que ela se esqueceu do congelamento do Bolsa-Família e dos cortes realizados no Minha Casa Minha Vida, ProUni, Pronatec e FIES? Será que ela se esqueceu de que havia colocado na ordem do dia a volta da CPMF para tirar mais dinheiro do povo e a reforma na previdência para reduzir direitos dos trabalhadores? Será que ela se esqueceu da escalada dos juros da Selic e da enorme explosão da dívida pública? Será que ela se esqueceu dos tarifaços divulgados logo após as eleições nos preços dos combustíveis e da energia elétrica? Será que ela se esqueceu do brutal estrago feito durante os governos do PT ao patrimônio da Petrobras?

Enfim, após ser desbancada da Presidência da República em polêmico processo de impeachment, Dilma Rousseff quer ser eterna vítima de um golpe da direita (de seus aliados até recentemente), fala em resistir e lutar até o último momento para recuperar o cargo, mas em nenhum momento procura verificar porque o seu governo perdeu respaldo na sociedade e no Congresso Nacional. Por quê? Onde a coisa desandou? Por que os eleitores e os parlamentares da base aliada passaram a desaprovar o governo e a torcer pelo impeachment? Não dá para colocar toda a culpa na conspiração do vice Temer, na ação nefasta da grande mídia, nas manobras de Cunha e nas investigações da Operação Lava Jato.

 

Inconsequência

Sem a realização de uma profunda avaliação crítica da derrocada do Governo Dilma e das forças de esquerda que embarcaram no lulismo, desde a Carta ao Povo Brasileiro, em 2002, torna inconsequente contestar o golpe político-institucional aplicado pela Câmara dos Deputados no dia 17 de abril, assim como a abertura do processo no Senado, assim como defender a democracia focada na volta da Dilma, assim como defender a cassação de todos os políticos beneficiados com os recursos roubados da Petrobras, assim como lutar por reformas estruturais, assim como defender eleições gerais para tentar superar a crise política.

A luta de resistência dos trabalhadores e de defesa da democracia dificilmente terá ampla credibilidade na sociedade se toda a culpa do processo continuar sendo atribuída à maquinação diabólica da oposição de direita. A luta terá maior respaldo popular e das classes trabalhadoras se a presidente Dilma Rousseff e o PT realizarem uma profunda autocrítica de seus próprios erros e deslizes em todo esse processo. Afinal, Dilma e PT tiveram mais votos do que Aécio Neves nas eleições presidenciais de 2014, ganharam mais quatro anos de mandato. Mas, por que não tiveram competência política para se conservar no governo? Por que não conseguiram ampliar o apoio na sociedade? Por que não adotaram medidas de interesse dos trabalhadores e dos setores populares?

Não basta colocar a culpa na oposição. Nem dá para alegar desconhecimento das regras do jogo e do perfil dos jogadores. Para apostar no futuro, Dilma e PT precisam admitir primeiro quais foram os seus erros – políticos, econômicos, administrativos e éticos. É o mínimo que se espera de quem pleiteia representar parcelas dos trabalhadores e se colocar no campo da esquerda. Sem fazer autocrítica, Dilma e o PT persistem na trilha da despolitização e do alheamento que estão trilhando de forma explícita e acelerada desde os protestos massivos de 2013. A construção de processo de luta e a reviravolta política em defesa das classes trabalhadoras passam pelo resgate do compromisso ético, coerência programática, autenticidade da representação, articulação das forças de esquerda e pela apresentação de projeto de poder expurgado dos erros do passado.

 

Hamilton Octavio de Souza é jornalista e professor.




Artigo de Celso Lungaretti: 'SALVE SUA DIGNIDADE, DILMA! O RESTO JÁ FOI PARA O RALO…'

Celso Lungaretti: EM CARTAZ, O REALITY SHOW DO IMPEACHMENT

 

 

 

Como não levo a sério os partidos e personagens da política oficial, faço questão de tratá-los de forma jocosa, como se fazia no tempo do Barão de Itararé ou d’O Pasquim

É hora de pararmos de superdimensionar os feios, sujos e malvados que atuam na comédia do poder, como a mídia nos incute sub-repticiamente o tempo todo, fazendo crer numa autonomia de decisão que eles verdadeiramente não têm, títeres que são do poder econômico. 

Também neste caso, revolucionário é mostrar a nudez do rei, dos cortesãos e até dos que querem simplesmente substituir o monarca, mas não extinguir a monarquia. 

 

 

 

Neste sentido, o artigo do jornalista Vinícius Mota, Parasitas da agonia, permite uma comparação entre dois textos inspirados pelo mesmíssimo sentimento de compaixão: o de quão cruel é permitir que Dilma Rousseff (merecedora de meu respeito como antiga companheira na luta conta a ditadura, malgrado pareça outra pessoa desde que o beijo do Lula a metamorfoseou em rainha do Planalto) permaneça tanto tempo sob os holofotes como morta-viva, ostentando a perplexidade face ao defenestramento iminente e todo seu descontrole emocional, quando a chance de reversão do quadro e permanência como presidente é zero.  

Eu dei este recado no domingo (24) em clave zombeteira, como de hábito; ele, um dia depois, com o comedimento de um comentarista da grande imprensa. Mas, no fundo, ambos pensamos igual: será uma pena se Dilma não sair de cena com um mínimo de dignidade. Alguém precisa dar-lhe este toque. (Celso Lungaretti)

 

DEIXA DE EMBAÇAR, RENAN! ENTERRA LOGO!


Por Celso Lungaretti, no blogue Náufrago da Utopia
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Tudo bem que os filmes de zumbi venham infestando telinhas e telonas, fazendo-me temer que a involução da humanidade esteja chegando ao ápice.

Mas, é muita maldade do Renan Calheiros deixar Dilma Rousseff se arrastando por aí como presidente-zumbi, depois que deram em nada todas as suas tentativas de convencer o Brasil e o mundo de que ainda estaria viva…

Os jornalões e revistonas deste final de semana já se ocupam muito mais do governo vindouro que do moribundo, não deixando dúvida nenhuma de que, quanto ao principal, consumatum est.

E o mais saliente veículo virtual petista, o Brasil 247, começou a admitir francamente que não há mais esperanças de evitar o impedimento, conforme se constata nesta notícia de hoje. O começo diz tudo:

Diante da possibilidade cada vez maior de ser afastada do cargo na primeira votação sobre o impeachment no Senado, a presidente Dilma Rousseff, aliados próximos e o PT articulam uma espécie de ‘governo paralelo’…

Ou seja, até o PT já entrou no clima do dia seguinte, tanto que está se preparando para criticar o governo de Temer desde o momento em que este for empossado!

O Renan quer prolongar a agonia até meados de maio, como se o Brasil não estivesse paralisado há 16 meses, com a recessão se agravando e o desemprego aumentando a cada dia!

Deixa a coitada descansar em paz, Renan! Respeita o passado dela…

 

Por Vinícius Mota

PARASITAS DA AGONIA

O longo intervalo entre a votação do impeachment na Câmara e o juízo para instalá-lo, no Senado, expõe Dilma Rousseff a um triste espetáculo. O reality show exibe a derrocada física e psicológica da figura que ocupa, sem exercer, o principal cargo da República.

A cada fala em que deslegitima a arquitetura constitucional, a mesma responsável por sua ascensão, Dilma se distancia mais da respeitabilidade. O pior castigo para um mandatário compelido a discursar todo dia é não ser levado a sério.

Quem seria capaz de manter o equilíbrio, a coerência e o sentido de sua missão institucional numa situação como essa? Quanta crueldade é obrigar um presidente de fato deposto –não há volta para quem reuniu contra si mais de 70% dos deputados– a definhar em praça pública!

O erro menor coube ao Supremo, que complicou a leitura deste trecho da Carta: “Admitida a acusação contra o Presidente, por dois terços da Câmara, será ele submetido a julgamento perante o Senado nos crimes de responsabilidade”.

O voto derrotado do ministro Edson Fachin, que reconhecia ser da Câmara o papel crucial, ajustava-se melhor à natureza sobretudo política do impeachment. Fachin deveria ser imitado na autocontenção que demonstra em face do Legislativo.

A culpa principal, contudo, é das lideranças que parasitam a lenta agonia de Dilma. Lula e o PT querem uma mártir para evitar o cisma que ameaça retirar da sigla a supremacia na esquerda. Renan Calheiros, Aécio Neves e outros figurões da centro-direita aproveitam o interregno para negociar a adesão ao novo governo.

Nenhum dos dois lados dá a mínima para salvaguardar seja a dignidade de Dilma Rousseff, seja a grandeza da Presidência da República.

Se recobrasse o discernimento, Dilma encontraria na renúncia a chave para explodir o conluio que promove esse impiedoso ritual de sacrifício.

 


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DE COMO O PARTIDO DIFERENTE FOI SE IGUALANDO AOS TRADICIONAIS: O EXPURGO DE MARIA LUÍZA E SEU GRUPO.

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Artigo de Celso Lungaretti: 'DILMA QUER NOS LEGAR UMA TERRA ARRASADA + A EXPULSÃO DE MARIA LUÍZA E SEU GRUPO'

Celso Lungaretti: ‘QUANDO FOR AFASTADA, DILMA BATALHARÁ PARA QUE O BRASIL SEJA SUSPENSO DO MERCOSUL’


Por Celso Lungaretti, no blogue Náufrago da Utopia.

A ainda presidente Dilma Rousseff, face à horrorosa repercussão do que jamais deveria ter cogitado e muito menos anunciado, recuou de sua intenção de fazer demagogia barata contra o impeachment numa reunião da ONU dedicada a desafios climáticos como o aquecimento global (e não à cabeça quente de algum participante).

Mas, não poderia retornar dos EUA sem  dar o habitual tiro no pé. E foi dos piores: falando à imprensa, ameaçou recorrer à cláusula democrática do Mercosul caso seja afastada do poder pelo Senado. Sua retórica foi ruim na forma e péssima no conteúdo:

Eu alegarei a cláusula inexoravelmente… de fato (se houver) a partir de agora uma ruptura do que eu considero processo democrático.

Assim, a partir de agora, ele se arroga a condição de única juíza do que seja ou não democrático. Acima da Constituição, do STF e do Congresso Nacional. Durante a ditadura os militares pensavam com seus botões mais ou menos isso, mas nem mesmo um Médici teve a coragem de afirmá-lo em alto e bom som!

Se houver ruptura do que Dilma considera ser o processo democrático, ela vai fazer tudo ao seu alcance para atrair o dilúvio sobre nós. Depois de arrastar o Brasil à pior recessão da História, ela quer aprofundá-la erguendo obstáculos ao comércio internacional do País.

O último argumento que lhe resta, portanto, é este: “Ou vocês me engolem ou engolirão pedras, pois vou deixá-los na miséria!”.

Mas, como nada do que ela pretende e tenta tem se tornado realidade, o melhor mesmo é pagarmos para ver.

Eu que, pelo contrário, tenho acertado em quase tudo que prevejo, antecipo sem medo de errar: o Brasil NÃO será suspenso. O Mercosul também vai deixar a Dilma falando sozinha.

 
Desabafo de Dalton Rosado

O DESVIRTUAMENTO DE PRINCÍPIOS

No tempo da ingenuidade, que todos temos pois ninguém nasce experiente, eu acreditava que poderia haver partidos políticos que respeitassem as opiniões divergentes na busca da melhor solução para os problemas sociais. Cheguei à conclusão que isso não é possível, pois o poder corrompe e a continuidade no poder corrompe muito mais.

Foi imbuído do sentimento de credulidade ingênua que ajudei a criar o PT em Fortaleza e, por extensão, no Ceará. Era o ano de 1981. A vida nos ensina e retira de nós a ingenuidade, mas podemos preservar a pureza de sentimentos. É o que tento fazer.

Advogado defensor de quem era preso pela Polícia Federal; de favelados despejados de suas moradias; de sindicatos que sofriam intervenções ditatoriais; e defensor da anistia aos presos políticos e redemocratização, entre outras lutas, vivi um período em que as diferenças no campo ideológico da esquerda eram mascaradas por um objetivo comum: derrubar o regime militar e restaurar o estado de Direito.

A direita e a esquerda se aliaram no ataque á administração popular de Maria Luíza, que terminou o seu mandato graças à tenacidade de muitos combatentes revolucionários que se ombrearam em sua defesa. Ali já ficava claro o rumo político de conciliação com a burguesia que o PT iria tomar objetivando o acesso e a tentativa de permanência no poder. Fomos expulsos do PT.

Assim, relembremos como Lula respondeu a uma pergunta sobre nós no programa Roda Viva:

AUGUSTO NUNES: Lula, por que o candidato [apoiado por] Maria Luiza [Dalton Rosado, do Partido Humanista], nesse caso, teve 3% dos votos? Você acha que o povo foi tão ingrato assim?

LULA: Em Fortaleza, a grande briga que houve -e a imprensa publicou com certa dosagem de razão-, o grande problema que existia era a briga entre o partido e Maria Luiza. Porque a companheira Maria Luiza -eu não tenho procuração; não tive para defendê-la, como não tenho para acusá-la- entendeu que o partido não existia e não houve relacionamento com o partido. 

Ou seja, não é que o partido quer administrar, mas o partido tem responsabilidade perante a sociedade, porque é ele que responde para a sociedade; e, quando o partido tenta elaborar um projeto, o partido não elabora um projeto para a prefeita cumprir ou para o prefeito cumprir, o partido elabora um projeto para ser discutido no centro da sociedade como proposta partidária. E é exatamente aí que trombaram PT e Maria Luiza, e é por isso que ela se afastou do partido e saiu muito desgastada. 

Está aí o resultado. E por que ela saiu do PT? Porque ela imaginava que, no PT, ainda se podia fazer política na base do coronelismo, ou seja, alguém, por ser famoso, coloca um candidato debaixo do braço e, a partir daí, obriga o partido a aceitar. Ela tentou impor um candidato, o partido tinha feito uma coligação democraticamente discutida no partido e o partido resolveu indicar outro. O que aconteceu? O partido provou que estava certo e que a Maria Luiza tinha entrado num barco furado.

ADMINISTRAÇÃO POPULAR x CONCILIAÇÃO 

DO PT COM AS FORÇAS CONSERVADORAS 

A verdade é que Maria Luíza foi a primeira prefeita mulher de uma capital e a primeira vitória do PT para um cargo executivo importante. Isto sem contar com nenhum vereador e sem que as capitais tivessem autonomia financeira (pois funcionavam como secretarias do Estado, uma vez que até então os prefeitos eram escolhidos pelos governadores, distorção que somente foi superada pela Constituição de outubro de 1988, cuja entrada em vigência se deu em 1989, após o fim do seu mandato).

Assim, lutou com imensas dificuldades e, inclusive, com a oposição de parte do PT local e nacional, pois a prefeita não aceitava compactuar com métodos de administração tradicionais (o habitual toma-lá-dá-cá).

Ademais, havia uma divergência ideológica com parte do PT local e nacional, pois o grupo de Maria Luíza tinha orientação marxista, e os marxistas estavam sendo perseguidos pelo grupo Articulação, do Lula. Muitos marxistas aderiram ao lulismo petista (José Dirceu, José Genoíno, Tarso Genro, José Guimarães e outros) e escaparam da degola. A expulsão da Maria Luíza, juntamente com o seu candidato à sucessão (eu, Dalton Rosado), que tinha amplas chances de vitória interna, no diretório municipal, deu-se por decisão de cúpula do diretório regional, obedecendo a orientação do diretório nacional, pela não aceitação da postura política e administrativa do seu grupo.

A conciliação do PT nacional com segmentos tradicionais e seus tradicionais métodos começou a se evidenciar a partir daí. Além da perseguição petista, da oposição de partidos como o PCdoB e hostilização que sofria da imprensa tradicional, a chamada Administração Popular sofreu a perseguição dos governos Tasso Jereissati (estadual) e do José Sarney (federal) num momento de forte dependência econômica e tributária a esses governos.

Daí decorreram graves dificuldades de administração, que lhe acarretaram impopularidade, mas pôde equilibrar as finanças públicas municipais, de modo a que o seu sucessor, Ciro Gomes, encontrasse uma prefeitura saneada e apta a receber os inúmeros projetos que se encontravam encalhados no Governo Federal (além de poder com a nova realidade de recursos financeiros estabelecidos na nova Constituição). Ciro Gomes se beneficiou dessa condição inicial, pois subiu meteoricamente de prefeito para Governador em apenas um ano de mandato.

Assim, não é verdade  que eu, Dalton Rosado, advogado de causas populares e militante do PT desde 1981,  secretário de Finanças da Administração Popular, fosse um candidato de algibeira, como se diz no jargão dos coronéis do sertão. Os fatos estavam em desacordo com a afirmação de Lula.

 

 

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