CBL divulga os livros do ano da 57ª edição do Prêmio Jabuti

Os nomes foram anunciados na cerimônia de premiação dos vencedores de cada uma das 27 categorias

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) anunciou, na noite desta quinta-feira, os nomes dos livros do ano. O Livro do Ano de Ficção é Quarenta dias, de Maria Valéria Rezende (editora Objetiva); o de Não-Ficção, A casa da vovó – uma biografia de Doi-Codi, de Marcelo Godoy (editora Alameda). A divulgação foi feita na cerimônia de entrega do 57º Prêmio Jabuti, realizada na noite de quinta-feira, 3 de dezembro, no Auditório Ibirapuera, em São Paulo.

A solenidade fecha de forma bastante positiva mais uma edição do Prêmio Jabuti, que foi marcada pela inovação, transparência e número recorde de inscrições – um total de 2.575. As novidades deste ano foram as categorias Adaptação, que reconhece o talento dos escritores que fazem esse trabalho e Infantil Digital. “A CBL acompanha as mudanças do mercado e registra a crescente participação digital no mundo do livro. Esta é a primeira incursão do Prêmio Jabuti no universo tecnológico. Muitas outras virão”, afirma Marisa Lajolo, curadora do prêmio.

Foram também entregues os prêmios aos autores vencedores em cada uma das 27 categorias – primeiro, segundo e terceiros lugares. A lista de ganhadores da 57ª edição do Prêmio Jabuti pode ser acessada no site oficial: http://premiojabuti.com.br/resultados-jabuti-2015/

O escritor Mauricio de Sousa recebeu uma homenagem especial, em razão da relevante contribuição ao prazer da leitura, na formação de milhares de crianças e jovens. Dois personagens entre os mais queridos de Mauricio de Sousa, Chico Bento e Zé Lelé, fizeram um animado desafio no palco do evento. Mônica e Cebolinha não ficaram de fora: eles tiveram a missão de entregar os prêmios a Maria Valéria Rezende, ganhador do Livro do Ano Ficção e a Marcelo Godoy, vencedor do Livro do Ano Não Ficção.

Mais uma novidade foi anunciada por Luís Antonio Torelli, presidente da CBL – o lançamento de um prêmio literário para estudantes de escolas públicas.

Prêmio Jabuti 2015 – O mais importante reconhecimento literário do setor editorial brasileiro evidenciou jovens e desconhecidos talentos, que concorreram com autores consagrados e levaram o prêmio, além das pequenas editoras, responsáveis pela publicação das obras. Outro destaque foi a grande participação de autores de diversas regiões do País. “A credibilidade do Prêmio Jabuti foi comprovada mais uma vez. O prêmio mostra as transformações do mercado editorial e registra as inovações. O Jabuti se renova a cada ano”, ressalta a curadora Marisa Lajolo.

Foram muitas as ações desenvolvidas este ano, que estimularam a leitura, aproximaram escritores e leitores e deram visibilidade às obras. Uma delas foi o Jabuti entre Autores e Leitores. O bate-papo de ganhadores de edições anteriores do prêmio com o público aconteceu em bibliotecas, livrarias e universidades e também em eventos culturais, como FLIP e Fórum das Letras de Ouro Preto. Esses eventos vão continuar em 2016.

Além disso, os vencedores do Jabuti foram destaque nas feiras internacionais de livros, como Guadalajara e Frankfurt. O trabalho realizado pelo Brazilian Publishers, um projeto setorial de fomento às exportações do conteúdo editorial brasileiro – resultado da parceria entre a CBL e a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Exportações e Investimentos) dá visibilidade às obras e ajuda a divulgar a crescente qualidade do conteúdo editorial produzido pelos escritores brasileiros. “O prestígio e a credibilidade do Prêmio Jabuti continuarão estimulando a criatividade e o hábito da leitura”, diz Luís Antonio Torelli .




Artigo de Celso Lungaretti: "O que chegará antes, o colapso econômico ou o impeachment?

VICTOR LULENSTEIN OPTOU POR DESTRUIR SUA CRIATURA IMPERFEITA

Por Celso Lungaretti, no blogue Náufrago da Utopia.

A facção dilmista tudo fez para que o PT salvasse Eduardo Cunha no Conselho de Ética, pois este era o preço a ser pago para que o dito cujo não tocasse adiante o impeachment presidencial.

A facção lulista tudo fez para que o PT detonasse Cunha, com a consequência óbvia.


Qual a lógica?


Quanto maior for a duração da agonia de Dilma, mais se acentuará a desmoralização do partido, pulverizando as chances de Lula na eleição de 2018.


Se ela cair depressa haverá uma mexida no quadro e, caso o novo governante fracasse, é bem possível que Lula volte daqui a três anos nos braços do povo, erigido em salvador da Pátria.

Então, como na novela célebre de Mary Shelley e no filme ora em cartaz, Victor Frankenstein (ou seria Lulenstein?) optou por destruir sua criatura imperfeita.

A SEQUELA DO ESTELIONATO ELEITORAL: 

O BRASIL ESTÁ INGOVERNÁVEL HÁ 11 MESES.

Não sendo jurista, prefiro me manifestar sempre em consonância com o espírito de Justiça, que Platão dizia ser inerente ao ser humano.


Desde que Dilma Rousseff foi reeleita por pequena margem –38,16% dos eleitores votaram nela, 35,74% em Aécio Neves e 26,10% (abstenções, brancos e nulos) não se animaram a votar em ninguém–, considero sua vitória ilegítima.


O motivo, claro, é o clamoroso estelionato eleitoral. Quantos dos seus 54.501.117 eleitores a teriam escolhido se soubessem que, assim agindo, não estariam escapando do aperto de cinto e das vacas magras? 


A propaganda enganosa petista foi muito eficiente em convencer os incautos de que os adversários abririam as portas do inferno enquanto Dilma botaria pra correr os demônios da ganância. 


Mas, quando ela empossou um neoliberal como ministro da Fazenda, autorizando-o a socar goela dos brasileiros adentro um ajuste recessivo, os perfumes caros de Dilma não conseguiram mais encobrir o odor de enxofre: nem o mais crédulo dos otários é capaz de acreditar que ela só decidiu dar tal guinada de 180º após o 5 de outubro, dia do 2º turno. 


É repulsivo que, em 2014, se tenha cometido tamanha vigarice com o eleitorado, como se o relógio da História houvesse voltado a 1945, quando uma frase deturpada do brigadeiro Eduardo Gomes (ele jamais afirmou que não precisava do voto dos marmiteiros) foi espalhada pelo País inteiro, tendo considerável peso na vitória do general Eurico Gaspar Dutra.


Ao longo dos 11 meses deste desastroso 2º mandato de Dilma foram intensas as pressões da facção lulista e de quase toda a esquerda, no sentido de que ela exonerasse Joaquim Levy e passasse a governar de acordo com as bandeiras históricas do partido; mas encontraram sempre ouvidos moucos. Quem faz a cabeça dela é Luís Carlos Trabuco, o presidente do Bradesco, que nos momentos cruciais aconselha Dilma a continuar arrastando o Brasil para o inferno, de braços dados com o trapalhão Levy.


Então, como ela teimosamente resiste a cumprir as promessas de campanha e isto já gerou a pior recessão brasileira em décadas, com tendência a agravar-se cada vez mais, o processo de impeachment é muito bem-vindo: ou vai fazer com que seja um presidente de direita a governar segundo o ideário da direita, deixando de confundir os brasileiros e de destruir a esquerda, ou forçará Dilma a uma correção de rumo indispensável para salvar seu mandato.


Quanto ao impeachment ter ou não embasamento legal, é paradoxal que o hiper-estelionato eleitoral por ela cometido não constitua motivo suficiente para seu impedimento, mas um mini-estelionato talvez preencha os requisitos constitucionais: trata-se das pedaladas fiscais, que também serviram para iludir o eleitorado, pois a maquilagem das contas públicas impediu que seu descontrole servisse de munição de campanha para os adversários.


Mas, isto é uma discussão para juristas, e a experiência histórica nos ensina que impeachment é uma decisão eminentemente política tanto que a justificativa alegada para o de Fernando Collor acabou não subsistindo no Supremo Tribunal Federal, que, contudo, só a rechaçou quando a perda do mandato já era fato consumado e superado.

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Artigo de Celio Pezza: 'O custo do voto'

Célio Pezza, cronica # 291 O custo do voto

Colunista do ROL
Celio Pezza

No último dia 30 de novembro, o Judiciário publicou no Diário Oficial da União que o corte de R$ 428,7 milhões de verbas para a Justiça Eleitoral impedirá o uso de urnas eletrônicas nas eleições de 2016.

De acordo com o TSE, seriam necessários R$ 200 milhões somente para aquisição de novas urnas eletrônicas já licitadas.

Sem essa verba, as eleições poderão ser no papel, como eram antes das urnas eletrônicas.

Se, por um lado, a notícia parece um tremendo retrocesso, por outro levanta um problema que precisa ser solucionado, pois as urnas utilizadas no Brasil são muito questionadas por vários especialistas.

O Brasil utiliza um tipo de urna que é exclusivamente eletrônica e não permite uma posterior verificação.

Existem outros tipos que incluem uma versão impressa auxiliar no meio eletrônico e que permite uma recontagem de votos caso haja alguma dúvida.

Esse tipo foi recentemente utilizado na Argentina, ao passo que o sistema brasileiro já foi recusado em inúmeros países pela possibilidade de fraudes via software e sem possibilidade de detecção.

Segundo os especialistas, uma votação somente eletrônica ou somente em papel, são sistemas vulneráveis a fraudes e o ideal é combinar as duas tecnologias para aumentar a segurança, como já ocorre em diversos países como Argentina, Israel, Estados Unidos, Bélgica, Canadá, Peru e outros.

Enquanto países sérios como Alemanha e Holanda consideram que as urnas utilizadas no Brasil são “criminosas”, aqui alardeamos que temos um sistema avançado e que conseguimos os resultados poucas horas após o pleito.

Outro problema sério no sistema de votação no Brasil é a concentração de poder na Justiça Eleitoral, pois quem administra o sistema também é responsável pelo julgamento dos questionamentos.

É um absurdo que o próprio TSE fale sobre uma inviolabilidade de um sistema de votação, sendo que é ele mesmo quem define, controla e administra todo o sistema.

Ainda, de acordo com o TSE, o custo de voto por eleitor é de R$4,80.

Temos perto de 142 milhões de eleitores, portanto temos um custo aproximado de R$ 680 milhões por eleição no Brasil, só com a atividade do voto e apuração, sem contar todas as outras despesas inerentes ao TSE.

Voltando ao tema central, o correto seria o Brasil não retroceder e voltar ao sistema arcaico com papel nem permanecer no sistema de urnas atuais.

O ideal seria avançar para um sistema combinando as urnas eletrônicas com voto impresso, diminuindo a chance de manipulação de resultados.

Temos que disponibilizar verbas para consolidar a democracia e avançar no sistema de votação.

 

 

Dezembro, 2015




Vestibulinho divulga cursos mais concorridos das Etecs

Ao todo, mais de 336 mil candidatos se inscreveram para o processo seletivo das Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) do primeiro semestre de 2016

Eles vão disputar uma vaga para o Ensino Médio, Técnico, Técnico integrado ao Médio ou Especialização Técnica. A prova será no dia 13 de dezembro

Pelo quinto ano consecutivo – tendo como referência o Vestibulinho do mesmo período – o curso técnico de Mecatrônica integrado ao Ensino Médio da Etec Martin Luther King, localizada no bairro do Tatuapé, na Capital, tem o maior índice de candidatos por vaga: 24,38.

Na habilitação técnica, o curso de Enfermagem da Etec Carlos de Campos, também na Capital, os 956 inscritos concorrem às 40 vagas, o que representa 23,90 candidatos por vaga.

No Ensino Médio, é a Etec Lauro Gomes, de São Bernardo do Campo, que está com a maior relação candidato/vaga: 25,40.

A demanda por curso e unidade está disponível no site www.vestibulinhoetec.com.br




Fatecs divulgam locais de exame para o Vestibular

Os candidatos que se inscreveram no processo seletivo das Faculdades de Tecnologia do Estado de São Paulo (Fatecs) já podem conferir a lista de locais do exame no site www.vestibularfatec.com.br ou na unidade em que pretendem estudar.

Para o primeiro semestre de 2016, mais de 68 mil inscritos farão a prova do próximo domingo, dia 6 de dezembro, às 13 horas, que terá cinco horas de duração. Os portões das escolas serão abertos às 12h15 e fechados às 13 horas. Após esse horário não será permitida a entrada de nenhum vestibulando.

Exame

A prova terá uma redação e 54 questões de múltipla escolha, cada uma com cinco alternativas. Desse total, 40 questões abordam o núcleo comum do Ensino Médio – serão 5 perguntas de cada uma das 8 disciplinas: biologia, física, geografia, história, inglês, matemática, química e português. Outras 5 questões envolvem raciocínio lógico e as 9 questões restantes abrangem conteúdo multidisciplinar. Quanto ao peso da prova, oito conjuntos de questões terão peso 1 e dois conjuntos, peso 2, conforme o eixo tecnológico a que pertence o curso escolhido pelo candidato.

Para fazer a prova, é preciso levar caneta esferográfica de tinta preta ou azul, lápis preto nº 2, borracha, e o original de um dos seguintes documentos: cédula de identidade (RG); cédula de identidade de estrangeiros (RNE) dentro da validade; carteira nacional de habilitação (CNH) com foto, dentro da validade; documento expedido por ordens ou conselhos profissionais, dentro da validade, que por lei federal, valem como documento de identidade (exemplo: OAB, Coren e Crea, entre outros); carteira de trabalho e previdência social (CTPS) ou passaporte brasileiro, dentro do prazo de validade.

O gabarito oficial da prova será divulgado no dia 6 de dezembro, a partir das 18h30, nos sites www.cps.sp.gov.br e www.vestibularfatec.com.br.

Outras informações pelos telefones (11) 3471-4103 (Capital e Grande São Paulo) e 0800-596 9696 (demais localidades) ou pela internet

Sobre o Centro Paula Souza – Autarquia do Governo do Estado de São Paulo vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, o Centro Paula Souza administra as Faculdades de Tecnologia (Fatecs) e as Escolas Técnicas (Etecs) estaduais, além das classes descentralizadas – unidades que funcionam com um ou mais cursos técnicos, sob a supervisão de uma Etec –, em mais 300 municípios paulistas. As Etecs atendem mais de 208 mil estudantes nos Ensinos Médio, Técnico integrado ao Médio e no Ensino Técnico, para os setores Industrial, Agropecuário e de Serviços. Nas Fatecs, o número de alunos matriculados nos cursos de graduação tecnológica ultrapassa 75 mil.




Uvesp é parceira do Congresso de marketing politico em São Paulo

Dias 29 e 30 de Abril, no Mackenzie




Artigo de Celso Lungaretti: 'Dois coelhos com uma cajadada só'

QUEM DEVE SAIR? O CUNHA? A DILMA? EU CRAVO DUPLO E NÃO ABRO!

Por Celso Lungaretti, no blogue Náufrago da Utopia.

Você se lembra de Marco Maia? Não? Está certo, pois foi apenas mais um nome esquecível da política brasileira. Presidiu a Câmara Federal entre 2010 e 2013.

Henrique Alves? A mesmíssima coisa, de 2013 e 2015.

Arlindo Chinaglia? Idem, de 2007 a 2009.

Pense nestes três nomes e me responda: o presidente da Câmara dos Deputados tem mesmo toda essa importância que se atribui a Eduardo Cunha? É personagem de primeiríssima grandeza, a ponto de o País estar parado à espera da queda ou da (momentânea) salvação do sucessor de Marco Maia, Henrique Alves e Arlindo Chinaglia?

Eu diria que não passa de um charlatão a mais, a fingir que desencadeia tempestades de som e fúria, na esperança de que não percebamos tratar-se apenas de uma história contada por um idiota.

Dos malefícios atribuídos a Eduardo Cunha, há algum que não possa ser corrigido adiante? Nenhum. Tem idéias retrogradas, déficit de honestidade e um estilo repulsivo, mas passa longe de ser exceção no seu meio. Está muito mais para regra.

Por que se dá tanto destaque à sua degola? Porque dele, deputado pessimamente avaliado pelos eleitores, depende o pontapé inicial do processo de impeachment de uma presidente pessimamente avaliada pelos eleitores.

De minha parte, vejo o segundo caso como muito pior.

O Cunha joga o jogo da forma como é jogado em Brasília, ou seja, em nível de esgoto. Não inova, dá sequência ao mafuá rotineiro. Corre atrás do queijo, como tantos outros.

A Dilma se reelegeu mentindo ao povo, ao prometer que faria exatamente o contrário do que está fazendo na condução da economia. Lançou uma pá de cal na credibilidade de nossa democracia, tratando o eleitor como um perfeito otário.

Ao que tudo indica, Cunha é corrupto com carteira assinada.

Ao que tudo indica, Dilma preferiu olhar para o outro lado enquanto a corrupção grassava solta na Petrobrás.

Mas, exceto pela paúra que inspira nas hostes governistas, não é o Cunha que está imobilizando o Brasil.

É a Dilma, ao insistir numa austeridade econômica que a coloca contra as necessidades do País, a felicidade do povo, o ideário do PT e da esquerda em geral.

Com isto, há 11 meses nos arrasta para o fundo do poço, assistindo impassível ao avolumar de uma recessão que cada vez mais ameaça tornar-se devastadora depressão. Ai dos excluídos, dos humildes e dos indefesos! Sofrerão o diabo.

Estou com os situacionistas: Cunha precisa ser afastado o quanto antes.

Estou com os oposicionistas: Dilma precisa ser afastada o quanto antes.

Estou com o homem da rua: ambos já deveriam ter ido há muito tempo.

O pior desfecho possível e imaginável para a chanchada desta semana será o PT salvar o Cunha para o Cunha salvar a Dilma. Ai virará pornochanchada…

ESSA NÃO É A NOSSA ESQUERDA!

Por Rui Martins

Marx e Trotsky achavam que a corrupção no governo era uma consequência lógica do capitalismo, no qual as empresas (para escoarem seus produtos) e as empreiteiras (para ganharem obras públicas) lançam mão das propinas.

Para ambos, a maneira de se evitar a infeção e propagação da corrupção nos países socialistas seria a de entregar o governo aos trabalhadores com salários médios de um operário para exercer essas funções.

Trotsky não chegou a testar sua receita anticorrupção mas o comunismo não conseguiu impedir que a corrupção chegasse aos burocratas e aos dirigentes, mesmo se, como acontece na China, vez ou outra um processo por corrupção derruba e leva à prisão altos dirigentes.

Na França e na Alemanha, os casos mais flagrantes de corrupção ao nível partidário ou governamental envolveram tentativas de financiamento de partidos. O maior e mais famoso envolveu o CDU partido democrata cristão alemão e o chanceler Helmut Kohl.

Para financiar suas campanhas eleitorais o partido mantinha diversas contas secretas, caixas dois, financiadas até por empresas estrangeiras envolvendo armamentos, empreiteiras e petróleo. O próprio presidente francês François Mitterrand teria autorizado a empresa Elf Aquitaine a fazer doações secretas para favorecer a reeleição de Helmut Kohl.

O fio do novelo que levou à queda de Helmut Kohl foi a descoberta pelo rigoroso fisco alemão de uma vultosa soma, um milhão de marcos alemães, não declarada pelo ex-tesoureiro do CDU, partido de Helmut Kohl. Como no processo brasileiro da Lava Jato, cada caso de fraude e caixa dois leva a outro, envolvendo empresas estrangeiras italianas e suíças até chegar ao chanceler Helmut Kohl.

Apesar de suas insistentes negativas, Kohl acabou sendo obrigado a se demitir. A lição deve ter servido para o CDU, pois não existe mais a suspeita de corrupção desde que tal partido retornou ao poder com a atual chanceler Angela Merkel.

Há dois anos, foi o prefeito de Montréal, no Canadá, o demitido e processado por corrupção, num momento em que a imprensa local falava em corrupção generalizada, esta nem sempre ligada ao financiamento de partido. Na França, o ex-primeiro-ministro Alain Jupé e atual prefeito de Bordeaux, chegou a ser condenado num processo por corrupção, ligado a financiamento de partido, e passou algum tempo impedido de exercer cargo público.

A tentação de permanecer no poder é sempre grande e estimula em alguns partidos a ideia de obterem financiamentos ocultos e não declarados. Estes casos estariam próximos do nosso mensalão, pois o dinheiro recolhido tem o objetivo de apenas financiar o funcionamento do partido e suas campanhas eleitorais.

Já não se pode definir como financiamento de partido quando certos políticos negociam facilidades e vantagens para certas empresas ganharem concorrências públicas, ficando com eles mesmos as propinas obtidas. É o caso do nosso petrolão.

Uma diferença fundamental existe entre esses casos citados e o Brasil – nesses países onde têm ocorrido casos de corrupção, a Justiça tem toda liberdade de agir sem se criar no país um clima de crise institucional.

No Brasil, a descoberta do mensalão, solução encontrada para o PT governar mas até hoje negada pelo partido, quase provocou a queda do presidente Lula. O atual caso do petrolão, novamente negado contra todos os fatos pelo PT, estimula uma campanha contra o Judiciário, incompreensível para quem está de fora.

E acontece o inacreditável – a maioria dos processados como corruptos é considerada vítima pelos próprios eleitores pobres petistas, manipulados para não verem que o rombo da corrupção nas empresas públicas vai custar caro para o Brasil e indiretamente para todos os contribuintes.

O cenário, como já escrevi em outra oportunidade, tem tudo de uma ópera bufa ou palhaçada, tantos são os argumentos furados e esfarrapados utilizados pela direção petista para ludibriar seus seguidores. No caso atual, da prisão do senador Delcídio, chega a provocar risos a rapidez com a qual a direção petista tentou desvincular o senador corrupto do seu partido, mesmo sendo ele o líder da bancada petista no senado.

Para a esquerda brasileira, esse festival de bandalheira que assola o país é, além de desolador, uma tragédia, porque o PT nascido com a estrela vermelha esquerdista vai estigmatizar, se já não estigmatizou, toda tentativa de esquerda para recolocar o país nas reformas sociais e dentro dos valores éticos normais.

É também dramático porque os petistas, ao invés de cobrarem de seus dirigentes esse vergonhoso desvio, insistem em reafirmar sua confiança no partido, culpando a grande imprensa e a oposição, recusando todas as evidências de corrupção. Ou então justificam, afirmando ter sido a mesma coisa nos governos anteriores, numa inesperada perversão ética.

Outros dizem serem obrigados a desculpar tudo isso, em favor da plataforma de mudanças sociais feitas no país pelo PT. Houve realmente destacados avanços no Brasil em favor da grande parte da população antes excluída, mas o trabalho não foi concluído e com a virada econômica do atual governo, muita coisa pode se perder.

O Brasil viveu bons momentos nos últimos anos em grande parte pelas importações chinesas de nossas matérias primas. Entretanto, infelizmente o Brasil seguiu a velha cartilha e não aproveitou essa fase de progresso para desenvolver ou construir suas bases e estruturas industriais, satisfazendo-se com a euforia do consumismo proporcionado pelas ajudas sociais.

Infelizmente esse quadro internacional favorecendo exportações a bons preços acabou. Teremos muitos anos magros pela frente que poderão provocar agitações sociais e a esquerda, hoje estigmatizada pela corrupção, terá dificuldade para se afirmar junto ao povo. Só uma alternância no poder permitirá o processo de depuração necessário para que a verdadeira esquerda surja com seus verdadeiros projetos sociais de mudanças.

Está na hora de todas as esquerdas brasileiras se unirem para desmistificar a farsa atual decorrente da mentira eleitoral. É inadmissível se justificar ou se continuar aceitando esse escandaloso acordo pelo qual Cunha não é cassado por corrupção para garantir não haver impeachment.

Essa dita esquerda que está aí não é a minha esquerda.

Que também não seja a sua!

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