Conselho de Cultura inicia Cadastramento e Mapeamento Cultural de Capão Bonito

Reunião ordinária do COMCULT decide mapear a cultura do município e pretende atingir a zona rural

CAPÃO BONITOO Conselho de Cultura formado por artistas e amantes da cultura de Capão Bonito, após aprovar em reunião e lavrar o resolvido em ata, decidiu iniciar os trabalhos de cadastramento e mapeamento cultural do município.

A ação consiste em levantar todos os dados e informações históricas e atuais possíveis, sobre a cultura da cidade.

Após, serão elaborados relatórios gerais básicos sobre as áreas da arte e em seguida os documentos estarão a disposição para pesquisa e consulta na biblioteca municipal, em saites e nas escolas.

Hoje o conselho é formado por representantes das artes visuais (titular: Bianca Carol Leite Suplente; Lucas Gabriel Cardoso de Lima); da área de eventos de rua (titular: Alexandre Ferreira Mendes, suplente: Célia Lincoln); da área de artes cêênicas: (titular: Lucas Patrick de Proença Ferreira Leoncio, auplente: Camila Josefina Jesus); da área de artes visuais (titular: Franciele Karina de Oliveira, suplente: Paloma Juiz Pereira); da Área de livros e literatura (titular: Micaelen de Oliveira Silva, suplente: Paulo César da Silva); da área de tecnologia e educação (titular: Fernando Cláudio Ramos Pereira Júnior, suplente: Danilo Fernando de Lara); área do patrimônio cultural (titular: Diogo Araújo Silva, suplente: Helena Regiane da Silveira); de instituições da sociedade civil (titular: Cristiano Elias Ferreira, suplente: Rita de Cássia Necho); poder público municipal; esporte, cultura e turismo (titular: João Bosco de Sá, suplente: Wilder Martins de Oliveira; titular: Paulo Renato do Carmo Mendes Honorato, suplente: Mário Roberto Moreira Júnior); e representantes da Secretaria Municipal de Governo (titular: Noel Correa Leme, suplente: Éder Danilo de Queiroz).

“o Mapeamento e o Cadastramento serão documentos e  servirão para entendermos um pouco mais da história cultural da cidade, para podermos refletir para onde estamos indo e quais as ações políticas  que devem ser feitas. Vale lembrar que o Conselho está passando por transformações e qualquer pessoa que desejar fazer algo pela cultura, poderá tentar uma vaga dentro dele”, afirma Alexandre Mendes, professor de Artes Visuais e presidente do Conselho Municipal de Cultura.

O COMCULT afirma ainda que as negociações para a vinda do Curso Técnico de Dança então em andamento. Todos os bailarinos, músicos, atores, artesões, escritores, jornalistas, poetas, entre outros que se sintam artistas e estejam produzindo arte e cultura dentro do município podem retirar sua ficha de cadastramento na secretaria municipal de cultura (em frente à prefeitura).

 




Comunicando ciência para quem não (sabe que) gosta de ciência

Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino recebe bate-papo sobre novas formas de comunicar pesquisas científicas para o grande público

 

Como comunicar ciência com qualidade e de forma interessante? Essa é a discussão que o Dr. Átila Iamarino, pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutor pela Yale School of Medicine traz ao auditório do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino – IDOR no dia 3 de março, com sua palestra “Comunicando Ciência para quem não (sabe que) gosta de Ciência”. O evento é gratuito e aberto ao público, com vagas limitadas.

Autor do blog de ciências “Rainha Vermelha”, Iamarino se propõe a discutir a gestão da informação e a comunicação de pesquisas científicas com qualidade, mas de forma atraente para o público em geral. O pesquisador é também apresentador e editor do canal do Youtube “Nerdologia”, no qual analisa filmes, quadrinhos, séries, animações e toda cultura nerd por um olhar científico.

Entre os temas, Iamarino contará sua experiência na comunicação de suas pesquisas ao grande público através de recursos de comunicação atuais como videocasts, podcasts, blogs e mídias sociais, além de discutir como essas ferramentas são instrumentos agregadores em prol da democratização do conhecimento científico e, ao mesmo tempo, facilitadores de acesso à leitura de pesquisa.

Serviço:

Comunicando Ciência para quem não (sabe que) gosta de Ciência

Data e horário: 3 de março de 2016 (quinta-feira), às 18h

Local: Auditório do IDOR (Rua Diniz Cordeiro, n° 30 – Botafogo/RJ)

Mais informações e inscrições: contato@idor.org

Vagas limitadas. Importante a confirmação de presença.




Artigo de Celso Lungaretti: 'O FIM DE SEMANA EM QUE AS RELAÇÕES ENTRE DILMA E O PT ATINGIRAM SEU PONTO MAIS BAIXO ATÉ HOJE'

Celso Lungaretti: ROUPA SUJA A DILMA LAVA NO CHILE

 
Por Celso Lungaretti, no blogue Náufrago da Utopia.

Como se previa, a presidente Dilma Rousseff não compareceu no sábado passado (27) à comemoração dos 36 anos do Partido dos Trabalhadores, livrando-se do mico de escutar pessoalmente críticas à direitização do seu governo (e eventuais vaias).

Mandou uma carta em seu lugar. Na qual, lá pelas tantas, afirma que tem “um compromisso inquebrantável com a estratégia de desenvolvimento pela qual tanto lutamos”.

Faltou explicar por que, cargas d’água, trocou tal estratégia, nos últimos 14 meses, pelas medidas de austeridade características do neoliberalismo.

Também esqueceu que roupa suja se lava em casa. Não era o Chile o palco certo, nem a chegada para almoçar com a presidente Michelle Bachelet a ocasião apropriada para espinafrar o seu partido: “Eu não governo só para o PT, eu governo para 204 milhões de brasileiros”, “Um partido é um partido, um governo é um governo”, etc.

Mesmo estando com isto entalado na garganta, deveria conter-se, mantendo a compostura, para depois dar o recado às pessoas certas, na cara delas. Certamente as encontraria na festa à qual esquivou-se de comparecer, mas preferiu desabafar para as lhamas, a mais de 3 mil quilômetros de distância.

Ao encaixar à última hora na sua agenda chilena um novo e nada urgente compromisso (ida à Cepal), desculpa esfarrapada para ausentar-se da festa do PT, ela parece ter acatado o conselho de inimigo dado na véspera pelo blogueiro mais reacionário da revista veja:

…se Dilma tem um mínimo de juízo, não tem de ir mesmo. Já está claro que o evento serve para cantar as glórias de Lula, que será tratado como o presidente eterno do Brasil, aquele que inventou o país. E ela entra como a bruxa da hora.

Enfim, depois de ter escolhido Luís Carlos Trabuco (presidente do Bradesco) como seu principal conselheiro econômico, não será de espantar se Dilma fizer do Reinaldo Azevedo seu guru político.

O certo é que ela está manobrando para emancipar-se do PT, na esperança de, com uma saída pela direita, escapar do impeachment ou da cassação do seu mandato pelo TSE. “A Dilma está querendo se distanciar do PT. É um movimento consciente”, afirmou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ),

O cientista político e jornalista André Singer, que foi secretário de Imprensa no Governo Lula, é outro veio ao encontro da avaliação que eu fizera na 6ª feira:

Na medida que o ex-presidente fica na berlinda, aumenta a tentação da atual mandatária salvar-se por conta própria. Há indícios de que o Planalto cedeu à ilusão de que se cumprir o programa liberal completo receberá salvo conduto para cumprir o resto do mandato, mesmo que Lula e o PT se estrepem.

Com isto, avalia Singer, ela queimará suas pontes com a esquerda, ficando na exclusiva dependência de ser acolhida pelos inimigos:

Ao separar-se de Lula, Dilma serra o galho no qual está precariamente sentada. A ameaça de conter os aumentos do salário mínimo e de reduzir a participação da Petrobras no pré-sal alienam os últimos redutos de apoio à presidente reeleita. Consultado, o antigo mandatário não a deixaria bater de frente com os movimentos sociais.

Seria, claro, uma jogada desesperada. A esta altura do campeonato, PSDB e PMDB não precisam assumir o poder pelas mãos de Dilma (que ficaria reduzida a uma rainha da Inglaterra), pois estão a um passo de consegui-lo chutando Dilma. A menos que sua permanência, como presidente figurativa, seja útil para os dois partidos não se entredevorarem na disputa pela chefia do governo…

Quanto ao PT, talvez a última rodada de prisões e escândalos já o tenha convencido de que, ao lado de Dilma, não permanecerá no poder: ou ela será afastada ou cooptada. Então, com as reações estridentes demais à flexibilização do pré-sal (pois esta ainda poderá ser revertida adiante), talvez esteja preparando seus efetivos para uma saída pela esquerda.

Ou seja, como não teria futuro nenhum disputando espaço com centristas e direitistas, só lhe resta reassumir as bandeiras de outrora e tentar ser o principal partido de oposição à nova configuração do poder.

Torcendo para serem rapidamente esquecidos estes 14 meses em que deu sustentação a um governo neoliberal.

RESUMO DA OPERETA

Como disse o escritor Giuseppe Lampedusa, “para que as coisas permaneçam iguais, é preciso que tudo mude”. A situação calamitosa da economia brasileira tornou imperativa a alternância de poder, e ela inevitavelmente ocorrerá, explicita ou implicitamente.

É provável que, de imediato, haja algum alívio para o povo, mas as contradições insolúveis do capitalismo permanecerão –e, com elas, a certeza de que outras recessões nos esperam adiante.

Tomara que, pelo menos, tiremos as conclusões corretas da tragédia histórica que foi a ascensão e queda do PT: enquanto nos conformarmos com mudanças cosméticas, apenas estaremos nos iludindo. As conquistas sociais das quais o PT tanto se ufanou podem ser consentidas durante algum pelo poder econômico, mas este acaba anulando-as num momento seguinte, como faz agora.

Temos de ir à raiz do problema: a exploração do homem pelo homem. Enquanto a ganância e a competição canibalesca regerem nossas vidas, as coisas permanecerão iguais. Para que tudo mude de verdade, temos de construir uma sociedade em que as prioridades supremas sejam o bem comum e a realização plena dos seres humanos.

Lamentavelmente, isto não foi sequer tentado durante os 36 anos de existência do PT. Faz-me lembrar os versos devastadores de uma composição do petista Chico Buarque:

“A vida inteira, diz que se guardou 

do carnaval, da brincadeira 

que ele não brincou. 

Me diga agora 

o que é que eu digo ao povo, 

o que é que tem de novo pra deixar? 

Nada, só a caminhada longa 

pra nenhum lugar”

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Um novo colunista estréia hoje e enriquece editorialmente o ROL: Hamilton Octavio de Souza

Hamilton Octavio de Souza: Artigo ‘O QUE O SÍTIO DE ATIBAIA NOS REVELA’

 

Por mais banal de seja essa história do sítio de Atibaia utilizado pelo ex-presidente Lula e sua família, entre tantos factoides que costumam dominar o noticiário político da grande imprensa, o caso merece sim uma leitura criteriosa e sem a paixão cega das torcidas organizadas. No momento em que o país está carente de debates sobre projetos nacionais, programas de desenvolvimento e propostas para as mais urgentes demandas do povo brasileiro, o episódio é revelador do nível de promiscuidade existente entre empresas privadas e lideranças políticas, sobretudo o modo de agir de alguns dos envolvidos, pessoas físicas e jurídicas.

Pode-se até afirmar que os órgãos do Estado (Polícia Federal, Ministério Público e Judiciário) e a grande imprensa privada (jornais, revistas e concessionários dos serviços públicos de radiodifusão) não teriam o mesmo empenho de investigação e divulgação se o personagem central dessa história não fosse o ex-presidente Lula, mas qualquer outro político de destaque. No entanto, em tempos de devassa geral vale lembrar que a Operação Lava Jato já indiciou dezenas de poderosos empresários, lobistas, doleiros e mais de 40 parlamentares de vários partidos, a maioria do PP, PMDB e do PT.

A direção petista protesta contra a “injusta perseguição” das instituições do Estado e da imprensa ao ex-presidente Lula, principal e único candidato presidencial do partido em 2018. Está no seu papel defender o filiado, já que desgaste público e inviabilização da candidatura Lula seriam grandes trunfos das oposições. Sem a candidatura Lula, salvo surpresa de alguma outra liderança, o PT e seus aliados teriam muita dificuldade em recuperar a popularidade perdida com o atual governo e assegurar uma vitória em 2018.

Além do interesse político e eleitoral, evidentemente, a história do sítio nutre os sentimentos de boa parte da população em relação aos grupos dirigentes do país, especialmente após a onda de protestos iniciada em junho de 2013, o engodo eleitoral de 2014, a grave crise econômica de 2015. É evidente que o povo acompanha com justa indignação as denúncias de corrupção e o eterno malabarismo dos políticos em torno do poder. Boa parte da sociedade está cansada de bandalheira e se manifesta claramente contra a impunidade de quem quer que seja.

Se o caso do sítio fosse apenas uma denúncia falsa, sem pé nem cabeça, por que não foi rápida e facilmente desmontada pela família Lula, por seus amigos (José Carlos Bumlai, Roberto Teixeira, Fernando Bittar, Jonas Suassuna etc) e demais envolvidos (OAS, Odebrecht etc), já que, afinal, todos dispõem de bons e caros escritórios de advocacia e de amplo acesso aos meios de comunicação, sem contar o apoio de parlamentares, personalidades, blogueiros e redes sociais.

O que impede o desmascaramento da suposta perseguição eleitoral? Em primeiro lugar está a verdade dos fatos em relação à existência concreta do sítio, suas dimensões e valores, sua propriedade, sua utilização, obras da reforma, coisas e pessoas reais. Nada disso é ficção ou invenção fantasiosa, é a mais pura realidade. Em segundo lugar está o peso dos depoimentos de diferentes personagens (comerciantes, prestadores de serviços, engenheiros, arquitetos), os quais, apesar de contestados pelo Instituto Lula, fortalece a suspeita sobre o verdadeiro dono do sítio e a conexão das obras com algum esquema de propinas.

Mesmo que alguém considere normal que grandes empreiteiras patrocinem obras num sítio qualquer, sem receber nada em troca, por que os denominados proprietários do sítio, adquirido por R$1.500.000,00, Fernando Bittar e Jonas Suassuna, ambos sócios de um dos filhos de Lula numa empresa de games, não vieram a público rápida e prontamente esclarecer a intricada situação? Ao contrário, se esconderam da imprensa e deixaram que a história do sítio fosse tratada em notas divulgadas pelo Instituto Lula.

Nos depoimentos dados à Polícia e ao Ministério Público, comerciantes, engenheiros e prestadores de serviços forneceram informações e provas sobre o seguinte: 1) As obras das reformas do sítio custaram, só de material, mais de 500 mil reais, e foram acompanhadas de perto por familiares e amigos de Lula, entre os quais a esposa Marisa Letícia e o compadre Roberto Teixeira. 2) Todas as despesas, a maior parte paga em dinheiro vivo, foram rateadas pela OAS, Odebrecht e Usina São Fernando, de Bumlai.

Mesmo que se afirme que o sítio é emprestado e que alguns amigos empresários deram as obras de presente para o ex-presidente Lula, é no mínimo estranho que tais obras tenham sido destinadas a uma propriedade de terceiros. Ao aceitar presentes de OAS, Odebrecht e Usina São Fernando, quando ainda estava no exercício do mandato, o ex-presidente pode até não ser acusado da prática de crime, mas nada impede que venha a ser questionado se tal comportamento fere ou não o decoro do cargo e eticamente a imagem do mandatário da Nação? Não atinge também a imagem pública de um líder popular que quer disputar novamente a Presidência da República? No mínimo mostra os tipos de negócios tratados no círculo de amizades do ex-presidente.

É evidente que a história do sítio muda completamente se ficar comprovado que os presentes dados foram em troca de alguma ação de governo. É exatamente isso que a Operação Zelotes e agora a Operação Lava Jato estão investigando: se tais presentes tem a ver ou não com a venda de Medidas Provisórias ou com as propinas da Petrobras. Se algo assim for provado, o ex-presidente Lula pode ficar mesmo bem encrencado com a Justiça brasileira. E aí não se poderá alegar que se tratou de “linchamento político e moral” de Lula com objetivos eleitorais.

Igualmente grave é que se venha a descobrir que o sítio de Atibaia não está apenas emprestado, mas pertence mesmo ao ex-presidente. Nesse caso, mais do que justificar a origem dos recursos utilizados na compra da propriedade, como acontece com qualquer cidadão, o ex-presidente precisará explicar à Receita Federal e ao povo brasileiro porque ocultou o sítio na sua declaração de bens. Essa não é uma questão privada, é uma questão pública. Até agora as notas divulgadas pelo Instituto Lula não esclarecem os aspectos nebulosos dessa história. O esclarecimento é uma exigência da sociedade. Nenhum povo constrói verdadeira democracia em cima da dissimulação e da mentira.

HaFoto Hamilton (2) (1) (Copy)milton Octavio de Souza

Jornalista profissional desde 1972.

Trabalhou na reportagem geral e na reportagem política de O Estado de S. Paulo (1972-1979), Folha de S. Paulo (1983-1986) e na imprensa alternativa, sindical e popular. Em 1974 participou da cobertura jornalística da Revolução dos Cravos, em Portugal. Foi diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo de 1975 a 1978 e um dos criadores do jornal Unidade. Em 1981, recebeu o Prêmio Wladimir Herzog de Direitos Humanos por reportagem sobre a repressão política no Cone Sul, publicada no jornal Movimento. Foi repórter do jornal Retrato do Brasil (1986), editor da revista Nova Escola (1987-1989), editor-chefe do jornal Gazeta de Pinheiros (1989-1991), diretor de Comunicação da Unifeob de 2001 a 2004; editor da revista Sem Terra, do MST, de 2001 a 2006; e articulista de vários jornais, revistas e sites, entre os quais Brasil de Fato, PUCViva, Cantareira (SP) Tribuna (VGS) e Correio do Brasil (RJ). Foi editor-chefe da revista Caros Amigos de fevereiro de 2009 a março de 2013. Colabora atualmente com a revista Vírus (RJ) e com o jornal Correio da Cidadania (SP).

Professor da PUC-SP de 1982 a 2015.

Lecionou as disciplinas Jornalismo Político, Jornalismo Econômico, Crítica da Imprensa, Jornal Laboratório, Projetos Experimentais, Sistemas de Comunicação no Brasil, Técnicas de Reportagem e Orientação de TCC. Foi também professor de Jornalismo na FEMA, de Assis (SP), e em cursos de comunicação popular e comunitária do Núcleo Piratininga de Comunicação (RJ). Lecionou também nos cursos de pós-graduação lato sensu (especialização) em Jornalismo Político e Jornalismo Social da PUC-SP-Cogeae. Formado em Jornalismo pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), tem curso de especialização na Universidade de Navarra, Espanha. Tem atuado nas áreas de jornalismo alternativo e popular, ética profissional, crítica da mídia e democratização dos meios de comunicação. Foi chefe do Departamento de Jornalismo da PUC-SP de 1991 a 1995 e de 2001 a 2009. Foi diretor da Apropuc de 2000 a 2008 e de 2014 a 2015 e integrante do Conselho Editorial do Jornal PUCViva. Em dezembro de 2015 desligou-se da PUC-SP.




Poetas de Sorocaba participam de evento em Salvador

Poesia na árvore (1)

 

Os poetas Carlos Carvalho Cavalheiro e Rodrigo Petit participam em março do projeto Pé de Poesia, evento que vai decorar com poemas as árvores de quatro praças em Salvador: Campo Grande, Sé, Piedade e 2 de Julho. Serão ao todo 500 poesias impressas em material especial (placas de PS), sendo que 400 são de autoria de poetas contemporâneos (em sua maioria baianos) e as 100 restantes fazem uma justa homenagem aos dois maiores expoentes líricos da Bahia: Gregório de Mattos e Castro Alves, cada um com 50 poemas.

Carlos Cavalheiro foi selecionado com a poesia “Época Apocalíptica” que faz uma reflexão crítica sobre as manifestações atuais que pedem a intervenção militar. Com uma estrutura de soneto (dois quartetos e dois tercetos), a poesia termina com os versos: “Porque não existe na vida nada mais triste / Do que receber lições de um dedo em riste / De quem não tem sequer um pingo de cultura”. Por sua vez, Rodrigo Petit apresentou ao projeto a sua já consagrada poesia “Ser Humano: A saga épica de nossa espécie”, que foi recentemente premiada no 50º FEMUP – Festival de Música e Poesia de Paranavaí (PR). A poesia é uma reflexão filosófica e histórica sobre o homem e a sua “evolução”. Ao término, Petit fecha o poema com os seguintes versos: “Homem, no torpor de nossa raça, no turbilhão das gerações, / o fruto amargo de seus genes condena-me, ó ser mundano, / pois já fui habilis, já fui erectus, sou sapiens / e agora só me resta: SER HUMANO!…”

O projeto “Pé de Poesia”, coordenado pelo escritor e músico Fabio Shiva, decorará as árvores de Salvador (BA) com poesias a partir do dia 14 de março (aniversário de Castro Alves) a 7 de abril (aniversário de Gregório de Mattos). Neste ano de 2016 esses dois poetas serão os grandes homenageados pelo projeto que foi selecionado pelo Edital Arte Todo Dia, da Fundação Gregório de Mattos (Prefeitura de Salvador), com apoio de Athelier PHNX, Servdonto, Artgraphic, Editora Cogito e Britto Serigrafia.
Inicialmente estava prevista apenas a participação de vinte poetas baianos contemporâneos, selecionados por sua produção lírica e participação ativa no cenário literário da Bahia. Com a excelente receptividade que o projeto vem recebendo, contudo, surgiu a ideia da presente Convocatória Pé de Poesia, que possibilita que poetas de todo o Brasil participem do projeto. Os interessados devem enviar um poema de sua autoria (com no máximo 22 versos) e uma foto com boa resolução para o e-mailpoesianasarvores@gmail.com até o dia 01/03/16. Os melhores poemas enviados serão incluídos no projeto, com direito também a publicação no blog (http://poesianasarvores.blogspot.com.br/) e na página do projeto no Facebook (https://www.facebook.com/poesianasarvores). Todos os poetas participantes receberão por e-mail a arte digital de seus poemas incluídos no projeto.

“A Poesia é necessária e vital como o ar que respiramos. Para muitos, que não percebem isso, tal afirmação pode parecer um completo desvario, no mínimo um grande exagero. Quem dera fosse assim. Mas a Poesia é tão fundamental para a sobrevivência humana no planeta como são as abelhas. Se a Poesia sumisse do mundo hoje, a humanidade não tardaria a se transformar em um imenso deserto de árvores ressequidas. Pois é a Poesia que mantém vivo o espírito humano. (…) Não deveria ser preciso afirmar aqui coisas tão óbvias. Mas não se iludam: é certo que a Poesia corre perigo. Submetidos ao constante dilúvio da superficialidade, trazemos o espírito cada vez mais embotado para o mergulho profundo exigido pelo olhar poético. No mundo inteiro, trezentos e cinquenta milhões de pessoas atualmente diagnosticadas como depressivas confirmam essa triste perspectiva: a Poesia está minguando, e com ela o sentido da vida.”

Fabio Shiva, no prefácio para o livro “Os Céus de Van Gogh”, de Thiago Prada (Caligo Editora, 2014)

O projeto PÉ DE POESIA é necessário e atual, justamente, por fazer um amoroso e lúdico convite para que as pessoas se recordem de que a Poesia existe ainda. E até mais importante, que a Poesia representa uma forma toda própria de enxergar o mundo, e que esse olhar poético pode ajudar o homem moderno a encontrar respostas válidas para suas muitas questões existenciais. As poesias que parecem brotar das árvores nos fazem lembrar que a Poesia é orgânica, em um mundo que se faz cada vez mais artificial. A leitura desse ou daquele poema, escolhidos ao acaso dentre tantos dependurados nas árvores, demonstram que a Poesia é fundamentalmente analógica, em meio a uma modernidade cada vez mais digital. E o mergulho necessário para a apreensão do conteúdo poético lido nas folhas impressas evoca a intensa profundidade da Poesia, em um cotidiano que exige mais e mais superficialidade.




Artigo de Celio Pezza: 'Corrupção'

Colunista do ROL
Celio Pezza

Célio Pezza – Crônica # 301 – Corrupção

Existe um fato que precisamos reconhecer: os governos de Lula e Dilma fizeram com que a corrupção se tornasse tão popular e visível, que hoje todos sabem o significado dessa palavra.

Como o governo costuma dizer, “nunca antes na história desse país” se viu tanta corrupção.

Também criaram uma série de “mantras”, como: “eu não sei de nada, tudo foi feito dentro da lei, acabamos com a pobreza no país”, e outros.

A cidade de Mariana e o rio Doce mergulharam na lama da Samarco e o Brasil mergulhou na lama da corrupção.

Graças ao Ministério Público e a Policia Federal, essa lama toda está sendo remexida, e a cada dia, mais empresários e políticos corruptos estão aparecendo. Começou com a Petrobrás e se espalhou por praticamente todas as instituições ligadas ao governo.

O cerco está se apertando e dia virá em que o ex-presidente Lula estará no banco dos réus, com seus amigos de partido.

Ele sabe disso e usa de toda sua influencia para transferir a culpa para outros, já que ele não sabe de nada e é uma alma pura.

A última tentativa foi a de afastar o promotor Cássio Roberto Conserino do caso do polemico tríplex reformado pela empreiteira OAS. A justiça prevaleceu e o Conselho Nacional do Ministério Público decidiu que o promotor de justiça Cássio Conserino vai permanecer à frente da investigação que apura suposta ocultação de patrimônio por parte de Lula.

Existem muitas outras investigações em andamento e a teia está se fechando em volta de Lula e outros políticos de peso.

O presidente do PT, Rui Falcão, diz que essas ações do Ministério Público são uma “perseguição inominável ao partido” e Lula se julga acima da lei. Ainda por cima, ameaçam a democracia brasileira com seus fiéis soldados do MST.

Eles se esquecem de que a democracia tem responsabilidades de quem exerce ou exerceu o poder e as funções de fiscalização e controle estão nas mãos da Policia Federal, do Ministério Público e da Justiça Federal.

Eles não são acima da lei, embora se julguem dessa forma.

Agora, João Santana, marqueteiro do PT, também será ouvido pelo Ministério Público, sobre a origem irregular do dinheiro gasto em campanhas do PT.

Só para lembrar, o uso de dinheiro ilícito na campanha é motivo para impeachment, dentro da democracia.

Simplesmente por acreditar nesses órgãos e nesses promotores, tenho esperança de que o Brasil ainda possa desarticular esse plano criminoso de poder, acabar com essa máquina de corrupção e mandar todos os bandidos para a cadeia.

Poderiam até ser enviados para a prisão de Guantánamo, já que o presidente Barack Obama, dos EUA, pretende desativá-la.

Lembro que essa prisão fica em Cuba, local muito querido de alguns de nossos governantes.

Célio Pezza  /  Fevereiro, 2016




Artigo de Marcelo Paiva Pereira: 'Arquitetura orgânica: a fluidez do desenho'

Marcelo Augusto Paiva Pereira: ‘ARQUITETURA ORGÂNICA: A FLUIDEZ DO DESENHO’

A arquitetura orgânica como a conhecemos foi desenvolvida pelo arquiteto norte-americano Frank Lloyd Wright (1867–1959), que criou o arcabouço principiológico dessa vertente arquitetônica. O presente texto abordará, mesmo superficialmente, as características da referida, como abaixo segue.

Do conceito de orgânico

A palavra “orgânico” é utilizada há muito tempo na arquitetura. Michelangelo, no século XV, afirmou que não se compreenderá a arquitetura quem não conhecer profundamente a anatomia humana. Giorgio Vasari, em obra de 1568, fazia menção expressa da arquitetura orgânica, que para ele deveria aparecer como um corpo humano para comunicar os essenciais valores espirituais. Carlos Lodoly, no século XVIII, afirmava ser todo tipo de decoração interior, com origem nas formas da natureza.

A ideia de arquitetura orgânica esteve vinculada às formas da natureza e humanas, destas dependendo as medidas e as relações de proporção entre os componentes (cabeça, tronco e membros). Frank Lloyd Wright acolheu, mesmo parcialmente, esta ideia.

Da arquitetura orgânica de Frank Lloyd Wright 

A arquitetura orgânica por ele desenvolvida teve origem no período (1887) em que trabalhou no escritório dos arquitetos Adler e Sullivan, na cidade de Chicago. Ao lado de Sullivan ele conheceu os princípios de engenharia que faziam uso do aço e do concreto (novos materiais de construção).

Instruído com as novas técnicas construtivas da época, Frank Lloyd Wright montou seu escritório em “Oak Park”, subúrbio de Chicago, e lá permaneceu até 1909. Foi para Berlim (Alemanha), mas retornou aos Estados Unidos e se instalou com a mulher e os filhos na casa onde nasceu. Ele a ampliou e a batizou com o nome galês de “Taliesin” (cume brilhante).

No início da carreira ele criou o estilo pradaria (“prairie style”), com o qual suprimiu a ideia de “caixa” na arquitetura. Ao projetar seu escritório em “Oak Park”, elaborou-o com espaços fluidos entre o vestíbulo e as salas de estar e jantar, que eram espaços distintos, mas agrupados. Também criou um efeito de luzes artificiais batizado de “moonlight”, que iluminava a casa à noite.

Após reformar a casa onde nasceu (“Taliesin”), dela fez residência, estúdio e fazenda e a transformou num lugar voltado para a arquitetura, arte e agricultura. Do envoltório natural (área rural) fez total partido em cada estação do ano.

Ao longo da atividade profissional, criou o arcabouço principiológico da arquitetura orgânica, constituído por sete princípios, os quais abaixo seguem:

  1. Continuidade: é a fluidez do espaço e dos materiais. Há dois tipos de continuidade: a espacial e a formal. Pela primeira, ocorre a “Destruction of the Box” (destruição da caixa), em que são eliminadas diversas paredes entre os ambientes internos e entre estes e o exterior do edifício; o efeito é a confusão entre os limites do espaço construído e a paisagem ao redor da obra. Pela segunda, os elementos estruturais e estéticos do edifício devem formar uma unidade indivisível, íntegra;
  2. Escala (ou Proporção): princípio intrínseco ao da Continuidade Espacial, propõe uma nova relação de escala com a paisagem, em que nova proporção e simetria devem servir à destruição da caixa (“Destruction of the Box”), dissolvendo os limites entre o edifício e o entorno;
  3. Integridade (ou da Unidade): especificação do Princípio da Continuidade Física, as partes que formam o edifício devem se integrar em uma unidade indivisível. Caracteriza-se pelo uso do módulo na relação estrutural e espacial entre os elementos do edifício e pela relação espacial com o entorno (paisagem). O módulo serve de sistema de proporções para atribuir a unidade indivisível à estrutura do edifício com os espaços internos e a ele externos;
  4. Plasticidade: é a percepção que se tem da continuidade física (ou da integridade) do edifício. Relaciona-se com a fluidez do espaço e dos materiais;
  5. Natureza dos Materiais: a natureza (ou origem) indica as propriedades (características) dos materiais e suas qualidades; cada material tem a própria fluidez (propriedades) e esta resulta em um comportamento (material frágil ou dúctil, por exemplo);
  6. Gramática dos Materiais: é o conjunto de regras definidoras do projeto, com as quais torna homogêneo o discurso estrutural e estético do projeto e do edifício;
  7. Simplicidade: este determina que não deve haver elementos estranhos às regras definidoras do projeto. Deverão estar ausentes os elementos que não as compuser.

 Da Conclusão

A arquitetura orgânica criada por Frank Lloyd Wright vincula-se à ideia de fluidez dos espaços em continuidade entre os do edifício e os externos a ele. A modulação que faz dos espaços não tem relação com as proporções humanas (como no período renascentista, por exemplo), mas com proporções dimensionadas para atribuir continuidade e integridade aos espaços e à plasticidade com que os percebemos. Essa modulação (ou sistema de proporções) depende da natureza e gramática dos materiais e da simplicidade do projeto.

Em suma, a arquitetura orgânica é a fluidez do desenho porque ela orienta o projeto no sentido de continuar os espaços internos em direção aos externos, integrando-os sem que as pessoas façam a distinção entre o interno e o externo. Nada a mais.

Marcelo Augusto Paiva Pereira
(o autor é aluno de graduação da FAUUSP)

 

 

Fontes de Pesquisa

WWW.FAU.USP.BR. Disponível em: http://www.fau.usp.br/cursos/graduacao/arq_urbanismo/disciplinas/auh0313/Zevi_1945.pdf. Acessado aos 30.01.2016.

WWW.IAU.USP.BR. Disponível em: http://www.iau.usp.br/pesquisa/grupos/nelac/wp-content/uploads/2015/01/ARTIGO-2.pdf. Acessado aos 29.01.2016.

WWW.PORTALARQUITETONICO.COM.BR.  Disponível em: http://portalarquitetonico.com.br/frank-lloyd-wright/. Acessado aos 28.01.2016.

WWW.AU.PINI.COM.BR. Disponível em: http://au.pini.com.br/arquitetura-urbanismo/168/artigo73554-2.aspx. Acessado aos 28.01.2016.