Artigo de Pedro Novaes: 'Estado necessário'

ESTADO NECESSÁRIO – Pedro Israel Novaes de Almeida

 

 

colunista do ROL
Pedro Novaes

A discussão a respeito do tamanho do Estado ainda anima ideólogos e militantes.

Com as gradações de sempre, liberais buscam o Estado mínimo, e esquerdistas apregoam o Estado máximo.  Após idas e vindas, a tendência atual é o Estado nada além do necessário.

O Estado agigantado escraviza a população que o sustenta, e abriga crescente número de comensais e compartimentos, até criar vida própria, mais gerindo a sociedade que por ela sendo gerido. Nos países comunistas, o refrão igualitário e o incentivado ódio aos patrões fez, do Estado, o novo patrão.

O Estado Patrão é, por natureza, opressor, e o mando acaba exercido por castas partidárias, perpetuadas no poder graças ao sufocamento de dissidências e oposições. A primeira vítima do Estado Patrão são as liberdades individuais.

Não raro, tais Estados assumem a postura de granjeiros, que consideram bem tratados os indivíduos que recebem boa alimentação, água à vontade, assistência médico-veterinária e ambiente adequado. Só !

No outro extremo, o Estado mínimo, até irresponsavelmente, acredita que as diferenças sociais acabam suplantadas pela própria sociedade, nas idas e vindas da oferta e procura, e nos milagres do empreendedorismo empresarial.

Ambos os Estados, mínimo e máximo, desconhecem os meandros da condição humana, capaz de ser indiferente ao sofrimento e penúria alheia. Ambos são portadores do vírus da corrupção.

O enxugamento do Estado é uma necessidade cada vez maior, em todo o mundo. Por outro lado, a intromissão do Estado, nos mais variados temas, também é cada vez mais necessária.

Saúde, segurança e educação, dentre outros, são compartimentos que requerem a crescente atuação oficial, seja diretamente ou por via de regulação. O poder estatal de regular atividades e relações de trabalho, dimensionar impostos e incentivos, dá-lhe oportunidade de interferir e orientar, sem necessariamente empreender.

O poder regulador do Estado é comum a todos os países, e da forma como é exercido depende o desempenho da economia e o bem estar da população. Os Estados que respeitam as cidadanias conseguem regular sem oprimir ou sufocar, e buscam regular tão somente temas e atividades nas quais tais providências são absolutamente necessárias.

Já os Estados de inspiração totalitária buscam regular setores não reguláveis, como a liberdade de informação, a livre concorrência e as próprias expressões de culturas e tradições.

Qualquer Estado, que assuma dimensão além da necessária, gera custos, ineficiências, fisiologismos e, não raro, castas que parasitam recursos e instituições, públicas e privadas.

Estados mal geridos gastam recursos e esforços em bijuterias desnecessárias e eleitoreiras, ao tempo em que agigantam a máquina oficial, sem contudo cuidar com eficiência de setores prioritários, deixando cada vez mais carente a população, e cada vez mais ilusionistas os discursos.

pedroinovaes@uol.com.br

O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.

 




Genealogia: Afrânio Mello fornece informações sobre a FAMILIA ORSI

Afrânio Mello – ATENDIMENTO EM COMPLEMENTO (ORSI)

Caro Francisco,
Comune ( Município ) de QUINDICE.
Quem nasce em QUINDICE é QUINDICESI.
Santo Padroeiro : SS Maria delle Grazia.
Provincia de AVELLINO.
Região da CAMPANIA , cujo capital é NÁPOLES.
Itália Meridional.
Se você quiser documentos deve se dirigir ao Município e ou Provincia.
Na Internet você tem acesso a documentação nesses lugares.
É bom escrever em italiano. Escreva em Português e passe no TRADUKKA para
o ITALIANO. Tem dado certo comigo.
Afrânio Franco de Oliveira Mello
IHGGI / ROL – Jornal On Line
Sent: Monday, August 10, 2015 11:04 PM
Subject: RE: contato sobre familia orsi
Olá Afranio, consegui mais algumas informações sobre a regiao de meu bisavô, é da comune quindici ( http://www.comuni-italiani.it/064/077/), estou agora tentando entender qual é o estado e outros detalhes.

 
se com isso conseguir me ajudar, fico grato,


From: afranio@tintaspig.com.br
To: franciscoorsi@live.com
Subject: Fw: contato sobre familia orsi
Date: Wed, 24 Jun 2015 18:51:16 -0300

Francisco,
Meu amigo Marino me ligou hoje.
Sua posição é que você tem que saber de que região são os seus Orsi.
Tem que estar em uma destas : Abruzzo,Basilicata,Calabria,Campania,Emilia-Romagna,Friuli-Venezia Giulia,
Liguria,Lombardia,Mache,Molise,Piemonte,Puglia,Sardegna,Sicilia,Toscana,Trentino-Alto Adige,Umbria,
Valle d’Aosta e Veneto.
São como se fossem nossos Estados.
Precisa localizar pela Região , pois depois tem : Capital,Comune,Frazione e um outro nome que não me lembro.
Mais ou menos assim : Estado de São Paulo, Capital São Paulo, região Admninistrativa de Sorocaba,cidade de
Itapetininga, Distrito de Rechã, Bairro do Tupi…..
Entendeu?/
Sem isso não dá para procurar as duas cidades : Mantoldo Boneda e Gunicici.
Abraços
Afrânio
Sent: Wednesday, June 24, 2015 11:57 AM
Subject: Fw: contato sobre familia orsi
Marino,
Como está ai na Itália??
Tudo bem com você e família.
E a Feira Internacional??
Soube que está conversando com o Pedro da Flash. Que bom….
Preciso de uma gentileza sua…
Um amigo , Francisco Orsi , precisa saber alguma coisa sobre cidades da região de Mantoldo Boneda .
Eu procurei nos sites italianos e nada encontrei.
Me informe caminhos onde encontrar.
A outra cidade é Gunicici.
Não precisa visitar, não é busca de nomes é só das cidades para saber em qual Comune elas estão.
Grato pela ajuda e boa estada aí na Itália.
Em outubro nos vemos.
Forte abraço
Afrânio
Sent: Tuesday, June 23, 2015 9:44 PM
Subject: RE: contato sobre familia orsi



Notícias do Legislativo de Itapetininga

Destaques da ultima sessão

 

Aprovado projeto de Fuad, permitindo participação
popular em tramitação de proposituras na Câmara

 

    Foi aprovado, por unanimidade, o Projeto de Resolução 02/2015, de autoria do vereador Fuad Isaac, dispondo sobre a obrigatoriedade de instalação de mecanismo de participação virtual na tramitação das proposituras do Legislativo. De acordo com o projeto aprovado, o portal na internet da Câmara Municipal de Itapetininga deverá abrigar mecanismo que permita ao cidadão manifestar-se sobre qualquer propositura legislativa. Qualquer cidadão, mediante cadastro com seus dados pessoais, poderá apoiar ou recusar as proposituras em tramitação.

 

Itamar questiona iluminação nas ruas
laterais à Av. Cinco de Novembro

 

     O vereador Itamar José Martins, em requerimento, chamou atenção para o fato de que a maior parte das ruas marginais à Avenida Cinco de Novembro, não possui iluminação pública adequada, trazendo riscos à segurança e aumento da periculosidade. Em razão disso, solicitou ao prefeito o envio de projeto e orçamento para iluminação dessas localidades, bem como informação sobre as vias públicas de Itapetininga que ainda não contam com esse benefício. Solicitou, paralelamente, à CPFL, a universalização da iluminação pública no município, no menor prazo possível.

 

Marcus Tadeu quer informações sobre rifas e dívidas
de escolas e creches junto á Receita Federal

 

    O vereador Marcus Tadeu Quarentei Cardoso, lembrando que tem sido procurado por pais de alunos que questionam com relação a rifas e contribuições solicitadas pelas escolas e creches referentes a dívidas contraídas pelas mesmas, está solicitando ao prefeito, as seguintes informações :1- Qual é o motivo do débito ? 2- De quem é a culpa do débito, que se pretende repassar aos pais ?  3- Qual o valor da dívida junto à Receita Federal e qual o valor referente a cada escola e creche ?

 

Maria Lúcia indaga sobre a pavimentação
da Avenida Marginal ao Ribeirão dos Cavalos

 

    A vereadora Maria Lúcia Lopes da Fonseca Haidar, em requerimento subscrito também pelo vereador Fernandinho Rosa, está indagando ao prefeito, quando será realizada a pavimentação da Marginal dos Cavalos, para se sanarem os transtornos relatados pelos cidadãos que dela se utilizam e pelos que são, de alguma forma, afetados pela sua infra-estrutura. A autora lembrou do grande número de bairros que têm nessa avenida sua via de acesso, e dos vários problemas que a falta de pavimentação está causando.

 

Jair Sene pede realização de operação- tapa buracos
em todas as ruas das Vilas Aliança e Francisca

 

    O vereador Jair Aparecido de Sene está solicitando ao prefeito, a realização, em caráter de urgência, de operação tapa-buracos em todas as ruas da Vila Aliança e da Vila Francisca, principalmente nas Ruas Olga Palma Prestes e João Francisco da Rocha, a fim de sanar os transtornos gerados pela situação aos moradores , motoristas e pedestres, em razão do estado  como se encontra o pavimento desses locais




Artigo de Celso Lungarettti: 'O malvado favorito da Dilma é o ás do Tiro no Pé: não erra um!'

ALERTALEVY QUER ACERTAR AS CONTAS DA PREVIDÊNCIA ELEVANDO A IDADE MÍNIMA PARA APOSENTADORIA!!!

Celso Lungaretti, no blogue Náufrago da Utopia

A presidenta Dilma Rousseff continua tentando escapar do impeachment sem abdicar das políticas que a tornaram recordista absoluta de impopularidade. Segue apostando em miudezas & obaoba, como se os 71% de brasileiros que consideram ruim ou péssimo seu governo pudessem ser engambelados por miragens, num momento em que a inflação, o empobrecimento, a penúria, as dívidas e o fantasma do desemprego os fustigam, impedindo-os de se descolarem da realidade um segundo sequer.

É desmemoriada, a Dilma! Esquece que a propaganda enganosa da ditadura militar obteve êxito retumbante durante o milagre brasileiro, mas deixou de funcionar assim que os índices econômicos despencaram. O povo não é bobo. Pode engolir baboseiras juntamente com comida farta, mas vomitará as baboseiras se forem servidas com o pão que o diabo amassou.

Assim, noves fora, Dilma só desperdiçou mais um dia de sua contagem regressiva, ao reunir ministros e senadores para outro regabofe & papo furado no Palácio da Alvorada; e lhe sobram poucos. Se perder a batalha das ruas de agosto de forma tão acachapante quanto perdeu a de março, o xeque-mate se tornará mera questão de tempo.

Foi simplesmente patética a tentativa de levantar a bola do presidente do Senado, o Renan Calheiros que já conhecemos de tantos outros carnavais, na esperança de torná-lo uma alternativa a Eduardo Cunha. Roto x remendado. Como se fosse o presidente da Câmara Federal que estivesse derrubando Dilma, e não a odiosa política econômica do Joaquim Levy! Como se a República pudesse voltar a ter paz com as duas casas legislativas em pé de guerra!

No pacote de 28 mudanças possíveis que Levy alinhavou e Calheiros apresentou como se fossem dele (me engana que eu gosto…), quase tudo é mais do mesmo e nem vale a pena comentar. As que chamam a atenção são estas:

  • Revisar resolução do Senado que regula o imposto sobre heranças, sobretudo quanto ao teto da alíquota, levando-se em conta as experiências internacionais (convergir com média mundial – 25%) – A taxação brasileira é irrisória (menos de 4%), na França a alíquota alcança até 60% e na Alemanha, Suíça e Japão, 50%. A redação é confusa, mas notícias anteriores sobre medidas cogitadas pelo Ministério da Fazenda falavam em 25%, embora a média internacional seja, realmente, de 30%. Aparentemente, o que se pretendeu comunicar foi convergir com média mundial IGUAL A 25%. Mas, se for lido como convergir com média mundial MENOS 25%, aí o teto será de 22,5%. O certo é que o salto deveria ser diretamente para os 30%, que não corrigiriam uma injustiça histórica mas, pelo menos, igualariam a verdadeira média mundial. E não passarmos do quase nada para o pior do que a maioria. Quanto à tal resolução do Senado a ser revisada, é também tímida ao extremo, estabelecendo alíquota máxima de 20% quando a herança transmitida exceder R$ 100 milhões. O Brasil, não resta dúvida, é um país condescendente ao extremo com os ricos e um inferno para os pobres…

 

Ampliar idade mínima para aposentadoria, mediante estudos atuariais e levando-se em conta a realidade das contas da Previdência Social – Uma aberração! Uma monstruosidade! Uma infâmia!  Passaremos dos 65 anos atuais para quantos? 70? 80? 100? Tudo dependerá da realidade das contas da Previdência, não do direito dos seres humanos a não morrerem de fome quando deixam de ser produtivos. Voltaremos àquele passado terrível em que velhos se deixavam morrer para não consumirem os alimentos da aldeia? Foi isto que o Levy aprendeu com o Milton Friedman?!

  • Avaliar a proibição de liminares judiciais que determinam o tratamento com procedimentos experimentais onerosos ou não homologados pelo SUS – Outra monstruosidade. Para favorecer os convênios médicos, impedir-se-ia que cidadãos recorressem a tribunais para salvarem a vida e a integridade física (pois os casos em questão são exatamente os extremos)! Por que não simplificar, instituindo uma Lei de Segurança da Medicina Mercantilizada e colocando-a fora do controle do Judiciário, como a ditadura militar fez com a Lei de Segurança Nacional?!

Por estas e outras, o malvado favorito da Dilma não oferece soluções para o problema, ele é o maior problema, o bode a ser retirado da sala antes de se começar a discutir todos os outros.

 

Mas, como Dilma foi longe demais na quebra das promessas de campanha e no abandono dos valores históricos do petismo, parece preferir o abismo do que dar o braço a torcer, reconhecendo que o imenso desgaste que a opção pelo neoliberalismo lhe acarretou foi totalmente inútil.

E também parece temer que, reduzindo o número de ministérios para um patamar razoável (ou seja, menos da metade dos atuais 39), como forma de diminuir a gastança do Executivo enquanto impõe rigores ao povo, alienaria apoios indispensáveis para escapar do impeachment.

São as duas obviedades que a esquerda mais lhe cobra e ela mais reluta em atender. Preferindo Levy e os fisiológicos, não terá salvação.

 

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O TEMPO DA AMBIGUIDADE PASSOU NA JANELA E SÓ DILMOLINA NÃO VIU

JOGA PEDRA NO DIRCEU! JOGA BOSTA NO DIRCEU! ELE É FEITO PRA APANHAR! ELE É BOM DE CUSPIR!

RATOS AO MAR!

veja É PEGA NA MENTIRA. EU ASSISTI DE CAMAROTE O TEU FRACASSO, PALHAÇO…

VERSOS BELÍSSIMOS, INTERPRETAÇÃO DILACERANTE




Semana do Folclore será celebrada em Itapetininga

 

A programação da Semana do Folclore prevê dança, música, contação de lendas, teatro e muitas atrações para a família

Em comemoração à Semana do Folclore, a Secretaria de Cultura e Turismo preparou uma programação especial.

Serão seis dias de muita cultura e diversão para toda a família. Todos os eventos são gratuitos.

Entre os dias 17 e 21 de agosto, de segunda a sexta-feira, na Biblioteca Municipal, os alunos das escolas da cidade se reunirão para ouvir, de manhã e à tarde, histórias do nosso folclore.

Na quarta-feira, às 14h, o encontro é aberto ao público.

Os adultos também são contemplados, como uma sessão especial do projeto Cine Clube, que acontecerá na terça-feira, dia 18, e trará a exibição do filme Tapete Vermelho. O filme é uma homenagem a Mazzaropi, protagonizado por Matheus Nachtergaele e apresenta um contraste entre o mundo rural e urbano. A exibição será no Auditório Abílio Victor, às 19h30.

No dia 22, sábado, Dia Internacional do Folclore, o Largo dos Amores será palco de apresentações de música, dança, teatro, além de contação de lendas, concurso de desenho e de fantasia folclórica e recreação para as crianças.

A programação acontecerá das 10h às 17h, é gratuita e aberta ao público.

Para finalizar, no dia 29, sábado, às 15 horas, o Tarde de Histórias também levará contação de lendas brasileiras aberta a toda a família.




Artigo de Marcelo Augusto Paiva Pereira: 'Cidades Latino-americanas da modernização'

CIDADES LATINO-AMERICANAS: INSTRUMENTO DA MODERNIZAÇÃO

 

Na segunda metade do século XX as grandes cidades latino-americanas foram objeto de diversos estudos, inclusive de historiadores americanos, que pensaram em um modelo – um “tipo urbano” – que contivesse todas as suas elementares. O presente texto abordará, ainda que superficialmente, esses estudos.

No período de 1950 a 1970 os pensadores acreditaram nas cidades latino-americanas como finalidade da modernização, com vistas a transformar a sociedade pré-industrial em industrial. O entendimento era o de que a modernização seria a aludida transformação da sociedade, enquanto a sociedade industrial era a sociedade moderna, dos tempos modernos do progresso.

A teoria desenvolvimentista e a do “contínuo folk urbano” foram acolhidas para justificar esse posicionamento, cujos pensadores acreditavam no desenvolvimento da América Latina, inclusive com ética capitalista própria (assemelhada à ética protestante e o espírito do capitalismo, defendida por Max Webber), conforme entendeu o historiador americano Richard Morse.

Richard Morse examinou a cidade de São Paulo e concluiu que era exceção (“yankee”) ao modelo de urbanização das demais cidades latino-americanas, crendo que a capital paulista não teria se submetido ao “contínuo ‘folk’ urbano” e que a indústria paulistana seria adaptada aos costumes locais, atingindo sua eficiência através das tradições e não por índices de produção (estes são universais, não tem pátria).

A ele São Paulo teria acolhido a cultura da pobreza – teoria criada pelo antropólogo Oscar Lewis –, a qual acolhia a cultura rural como necessária ao progresso da sociedade, devendo coexistir com a cultura industrial e aos migrantes preservá-la diante da realidade urbana em que se inseriam.

A teoria do contínuo “folk” urbano foi criada na Escola de Chicago pelo sociólogo Robert Redfield, era apriorística – baseada em conceitos pré-definidos (tipificados) –, compunha a cultura industrial e devia ser promovida pelos poderes públicos, no sentido de transmiti-la aos migrantes para adaptá-los ao ambiente urbano – e moderno.

Sem óbice da excepcionalidade da cidade de São Paulo, as cidades latino-americanas também conduziriam a modernização acelerada por políticas públicas em benefício do planejamento urbano da região. Seriam dirigidas à população marginal, desprovida da cultura urbana (industrial) e às moradias populares, projetadas para os trabalhadores urbanos (operários). A realidade, porém, apontou para o fracasso da teoria desenvolvimentista e para rumos diversos do esperado.

No final da década de 60 do século XX estava surgindo a teoria da dependência, que abordava a urbanização como causa do subdesenvolvimento porque não transformou a sociedade, não industrializou as cidades latino-americanas como almejado, não criou habitações populares suficientes nem adaptou a população marginal com a cultura urbana (industrial) e foi tratada como patologia. As referidas cidades deixaram de ser a finalidade para servir de instrumento à modernização, meras expectativas que favoreciam as elites.

Em 1970 a teoria da cultura da pobreza e a da dependência se consolidaram e São Paulo perdeu a excepcionalidade com que foi examinada anteriormente. No período que se iniciava Richard Morse a entendeu como modelo-padrão de cidade latino-americana e dela quis abstrair as elementares que poderiam tipificar as demais cidades, tratando-as – inclusive São Paulo – como cidades artificiais.

Foram entendidas como cidades artificiais porque surgiram com a finalidade de explorar e espoliar as riquezas nativas, servindo de entrepostos às suas metrópoles, sem se adaptarem ao novo mundo. E no atual período foram vistas como dependentes do capital estrangeiro para que pudessem se desenvolver, mas não tiveram êxito porque essa dependência limitou as oportunidades de sucesso da urbanização, retardando o desenvolvimento.

Nesse período a modernidade das cidades latino-americanas deveria ter características próprias, decorrentes dos primórdios (surgiram como núcleos de expansão territorial) e da consolidação territorial (tornaram-se núcleos de atração populacional), tipificando-as e distinguindo-as das cidades europeias.

CONCLUSÃO

A ideia de cidade latino-americana resulta de uma construção cultural cujas teorias acolheram as elites como condutoras do desenvolvimento através da urbanização e da industrialização, que não se operaram como previsto e conduziram as cidades ao subdesenvolvimento.

A tipificação das cidades latino-americanas, pretendida por Richard Morse, porém, acolheu a dependência estrangeira desde os primórdios da colonização até o período atual, cujo capital estrangeiro sempre limitou o desenvolvimento urbano e industrial delas.

Por fim, foram tipificadas como cidades artificiais porque serviram somente de instrumento da modernização – e não de finalidade a ela. Nada a mais.

Marcelo Augusto Paiva Pereira

(o autor é aluno de graduação da FAUUSP)

 

FONTES DE PESQUISA

ARAVECCHIA, Nilce, BRITO, Flavia, CASTRO, Ana. Evolução do Equipamento da Habitação. FAUUSP. De 02.03 a 08.06.2015. Anotações de aulas. Não publicadas.

IFCH.UNICAMP.BR. Disponível em: http://www.ifch.unicamp.br/ojs/index.php/urbana/article/view/1530/pdf. Acessado aos 03.08.2015.

SCIELO.BR. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ts/v17n1/v17n1a04.pdf. Acessado aos 03.08.2015.

 




Artigo de Celso Lungaretti: "A contagem regressiva segue e o Governo continua patinando sem sair do lugar'

Celso Lungaretti – O TEMPO DA AMBIGUIDADE PASSOU NA JANELA E SÓ DILMOLINA NÃO VIU

Celso Lungaretti, no blogue Náufrago da Utopia
 

Mais do que uma crise política, temos um vácuo de poder, que acabará sendo preenchido por um ou outro lado. E a direita tem dado os passos certos nesta direção, enquanto o governo patina sem sair do lugar.

A presidenta Dilma Rousseff, em sua infinita teimosia/arrogância, continua agindo como se fosse possível convencer os 200 milhões de brasileiros de que eles estão errados e ela, certa. Enquanto insistir no mais do mesmo, o fosso entre governanta e governados irá se aprofundando cada vez mais, até tragá-la.

Poderia deter ou, pelo menos, retardar a marcha para o impeachment com mudanças de rumo de grande impacto, começando pela exoneração do Joaquim Levy e descarte do neoliberalismo. Mas, tudo indica que não fará isto e vá morrer abraçada com ele.

Concordo plenamente com o Guilherme Boulos: serão as ruas que vão decidir a parada. Nas pesquisas de avaliação do seu governo, Dilma está perdendo por 71% x 8%. Se esta goleada se repetir nas manifestações do dia 16 e do dia 20, o jogo estará decidido. Pretextos legais vão ser encontrados em 2015 como foram encontrados em 1992. Quem duvida, não está levando em conta que este é o país do jeitinho.

Resta saber como Dilma agirá até o dia 20. Já lhe deveria ter caído a ficha de que, faça o que fizer, não conseguirá impedir que multidões saiam às ruas no próximo domingo para pedir sua cabeça, e nem mesmo reduzir o volume dessas multidões. Será inútil perder tempo com quem não vai reconquistar nem a pau, Juvenal.

Mas, depende dela fornecer o estímulo necessário para que haja também muita gente no dia 20.

Tem de reavivar a chama da militância, mudando o que deu errado até agora, principalmente a política econômica traíra; as alianças oportunistas/heterodoxas e consequente loteamento do Ministério; e, enfim, a tentativa de ser fiel a dois amos, pois isto não dá mais pé com o fim da abastança.

A luta de classes andou sendo amortecida pelo PT, mas a burguesia é mais consequente: direciona-se a passos largos para o rompimento da política de conciliação entre capital e trabalho, pois há a conta do ajuste a pagar e ela tudo fará para impingi-la aos de sempre. Percebe que Dilma, por mais que se esforce para fazer-lhe a vontade, não oferece garantia nenhuma de que o serviço sujo será levado a bom termo (as bases do PT se indignam e indignarão cada vez mais).  Então, diga o que disser o Trabuco do Bradesco, na hora da decisão a classe dele se pronunciará, unida e coesa, pelo impedimento de Dilma.

O tempo da ambiguidade passou na janela e só Dilmolina não viu. Agora, ou ela cai nos braços do povo ou os exploradores a descartarão. É simples assim.

Depende dela fazer História –levando a luta de classes no Brasil a novo patamar– ou ser personagem de farsa, expelida do governo tão facilmente como João Goulart, que foi derrubado pelo piparote de um fascista destrambelhado (Olympio Mourão Filho), sem esboçar reação.

A contagem regressiva segue.

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JOGA PEDRA NO DIRCEU! JOGA BOSTA NO DIRCEU! ELE É FEITO PRA APANHAR! ELE É BOM DE CUSPIR!
Celso Lungaretti, no blogue Náufrago da Utopia

A constatação de que o Zé Dirceu, afinal, não esteve envolvido com esquemas de corrupção apenas em nome de um porvir melhor para a humanidade, locupletando-se também, fez desabar sobre ele uma rejeição acachapante.

Até o Juca Kfouri o fulminou, no espaço que geralmente utiliza para detonar os ratos da cartolagem futebolística. Clovis Rossi o comparou ao Maluf. O Zé Simão fez piada com sua desgraça, “pichuleco Gold”. O PT o abandonou às feras, evitando inclusive citar seu nome.

Não fiquei nem um pouco surpreso, seja com os esqueletos que saíram do armário do Zé, seja com a atitude dos bons companheiros, de reprovação velada ou execração explícita. [Regra de ouro: é melhor juntar-se logo aos estilingues do que correr o risco de tornar-se também vidraça…]

A opção revolucionária nunca embotou minha perspicácia de jornalista ou, mesmo, meu senso comum. Desde o mensalão já dava para se perceber claramente que algum proveito pessoal ele tirara do imenso poder que detinha. Se o desejável for a moralidade no sentido estrito do termo, tráfico de influência é tão recriminável quanto receber uma mesada do demo.

Nada escrevi sobre isto, contudo. E não por ter telhado de vidro e temer um efeito bumerangue, pois nunca cedi às tentações do capitalismo. Grana e poder jamais foram cantos de sereia para mim.

Não foi o marxismo que me fez detestar as injustiças e a desigualdade social, foi por detestar a sociedade na qual vivia que acabei me tornando marxista. Nunca invejei os burgueses e seus privilégios. Queria é que os seres humanos, libertos da canga do trabalho alienado, tivessem existências gratificantes e solidárias. Queria ser um entre todos numa sociedade humanizada.

Por que poupei o Zé Dirceu, então?

Porque nunca esqueci quantos estavam ao nosso lado em 1968 e quão poucos continuaram ao nosso lado em 1969.

Porque era necessária muito idealismo, coragem e firmeza de caráter para lutar-se contra a ditadura depois do AI-5.

Porque a derrota final foi terrível demais e um impacto desses dificilmente é bem absorvido. À maioria, abala e traumatiza. A alguns, vira do avesso.

[O Vandré entrou em parafuso, o Dirceu se tornou um espertalhão e a Dilma, uma tecnoburocrata que engole até o neoliberalismo porque, tecnica e burocraticamente, lhe parece ser a melhor solução para fazer as coisas andarem sob o capitalismo, com cuja sobrevivência parasitária e catastrófica já se conformou.

99% dos companheiros agora dirão que o Dirceu fez pior. Mas, nunca desculparei a Dilma por nos ter igualado aos amorais que, na hora da necessidade, agarram sofregamente a primeira boia que lhe aparecer pela frente, mandando às urtigas tudo que haviam dito e jurado no passado.

Éramos cavaleiros da esperança, ela nos fez ser vistos como tão merecedores de desconfiança quanto quaisquer outros políticos. Da sua maneira atrapalhada, causou dano incomensurável à imagem dos revolucionários.]

Posso ser um sentimental, mas me machuca ver o que o Vandré se tornou, como o Dirceu vem sendo degradado e quão longe a Dilma está indo na destruição da sua biografia. Gostaria imensamente que tivessem saído de cena com dignidade. E penso que as ressalvas que lhes fazemos no presente não anulam sua grandeza no passado.

Brecht disse tudo:

“Infelizmente, nós, 

que queríamos preparar o caminho para a amizade, 

não pudemos ser, nós mesmos, bons amigos. 

Mas vocês, quando chegar o tempo

em que o homem seja amigo do homem, 

pensem em nós