Artigo de Celso Lungaretti: 'Não passa de mais um pacote torto e natimorto'

NÃO PASSA DE MAIS UM PACOTE TORTO E NATIMORTO

Por Celso Lungaretti, no blogue Náufrago da Utopia.
Estes nos faziam rir…

A Folha de S. Paulo intimou, Dilma obedeceu.

“Medidas extremas precisam ser tomadas… É imprescindível conter o aumento da dívida pública e a degradação econômica” –esbravejou Otávio Frias Filho, o boneco de ventríloquo por meio do qual os banqueiros trombetearam seu ultimato.

Dilma repassou a Diktat para os atônitos Nelson Barbosa e Joaquim Levy, o Gordo e o Magro da chanchada nacional.

Com o cansaço estampado nos rostos e barbas por fazer, ambos vieram apresentar o novo saco de maldades (que dificilmente o Congresso aprovará, começando pela volta da impopularíssima CPMF, uma lâmina de guilhotina pairando sobre a reeleição do parlamentar que cair na besteira de fazer a vontade da Dilma… quer dizer, do Trabuco do Bradesco).

Só com ela o governo pretende garfar R$ 32 bilhões da sociedade para acertar a contabilidade dos bancos, enquanto a recessão se agrava, as máquinas param, as lojas fecham e os empregos evaporam.

os anjos da cara suja fazem chorar.

Lênin já cantara a bola em 1900 (Imperialismo, etapa superior do capitalismo): quem dá as cartas na dita fase é o setor parasitário e inútil da economia, o da agiotagem institucionalizada. A indústria e a agricultura (que produzem bens) e o comércio (que distribui os bens) se tornaram sócios menores, sem poder de fogo para confrontarem os Trabucos. Só lhes resta exercerem o jus sperniandi, conforme lemos na coluna do Vinícius Torre Freire:

Pelo menos parte da indústria vai fazer campanha feroz contra (Fiesp). A CNI preferiu não dizer nada além de que é ‘contra aumentos da carga tributária’ e quer ‘reformas estruturais’. A Firjan foi dura. As associações do comércio de São Paulo criticaram em tom de enorme desalento.

Eis mais maldades do saco:

  • confisco até agosto de 2016 dos reajustes de salário dos servidores federais, lesando-os em R$ 7 bilhões (sempre desprezei menos aqueles que assaltam com armas na mão, correndo muitos riscos, do que aqueles que assaltam com a caneta na mão, não correndo risco nenhum);

  • expropriação (é um termo mais correto do que o utilizado, apropriação) de 30% das contribuições para o Sesc, Sesi, Senai, etc, totalizando R$ 6 bilhões;
  • Minha Casa, Minha Vida terá de trocar de nome, pois, com o corte de R$ 4,8 bilhões, será melhor intitulá-lo Meu Barraco, Minha Vida;
  • o corte de R$ 3,8 bilhões em gastos com Saúde é simplesmente estarrecedor, inconcebível, inaceitável, ainda mais num país cujos sucessivos governos sucatearam a Previdência Social, afugentando o povo para a medicina privada (embora tivessem o compromisso de proporcionar aos trabalhadores, como contrapartida das contribuições previdenciárias, não apenas a aposentadoria, mas também atendimento médico com um mínimo de qualidade).

Para não me chamarem de tendencioso, há também medidas mais ou menos corretas no pacote:

  • a criação (se saísse do papel) de um imposto sobre “ganho de capital progressivo”, que seria cobrado quando dos aumentos de receita das pessoas físicas. Mas, com impacto estimado em apenas R$ 1,8 bilhão e um certo viés de desestimular empreendedores. Há muitíssimo mais grana para ser colhida e motivos muitíssimos melhores para colhê-la no nicho das heranças e grandes fortunas, como fazem as principais nações capitalistas e como o Brasil deveria estar fazendo desde 1988 (o dispositivo constitucional neste sentido não foi regulamentado até hoje!!!);
  • cancelamento de 80% do valor das emendas parlamentares, evitando que R$ 7,6 bilhões sejam desperdiçados para ajudar a reeleger os detentores de mandatos. Se conseguissem colocar o guizo no pescoço do gato seria ótimo, mas nem mesmo os autores da proposta devem acreditar que o felino consentirá, é só jogo de cena);
  • redução de R$ 2 bilhões em despesas discricionárias com DAS (cargos comissionados) e gastos administrativos;
    • economia de R$ 200 milhões com extinção de ministérios e cargos de confiança. Só?! Num país que tem 39 ministérios e só precisa de um terço disto, daria para enfiarem a faca bem mais fundo. De quebra, seriam evitadas miríades de maracutaias tramadas e/ou executadas a partir dessas Pastas.

Resumo da opereta: nem sei por que perco tempo analisando o que não acontecerá. Governo fraco, com a popularidade no fundo do poço, jamais consegue arrochar a sociedade. Os bancos podem muito, mas não podem tudo. E o fracasso anunciado desse pacote torto e natimorto debilitará ainda mais a posição da Dilma.

Quem mandou ela escutar o estrondo do Trabuco? Deste jeito, perderá a audição junto com o cargo…

Padrinho por padrinho, teria sido melhor a Dilma continuar pedindo a benção ao Lula, afinal foi ele quem a colocou lá.




a 4a. Noite Lítero-Musical do IHGGI apresentou artistas novos e consagrados. Veja as fotos.

O poeta sorocabano Dado Carvalho leu sua poesia com sotaque português e foi muito aplaudido.

ARTE_BOTON_10ANOS (1)Durante a realização da 4a. Noite Litero-Musical do IHGGI – Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Itapetininga, realizada dia 12 passado em Itapetininga, vários artistas de Itapetininga e Sorocaba se apresentaram. Dado Carvalho, poeta sorocabano, surpreendeu a todos declamando a poesia de sua autoria ‘Saudades de Minha Cachopa’ com um sotaque lusitano perfeito (leia a poesia abaixo).

Dado Carvalho já participou de outras edições desse evento cultural conhecido como ‘Noite Litero-Musical’ e sempre se destacou como uma das principais atrações. Outros colegas seus, como os poetas Nicanor Pereira e Glauco Delia Branco também apresentaram suas poesias e fizeram sucesso semelhante, merecendo os aplausos da platéia, toda ela constituida por amantes da cultura.

O fotógrafo-violinista Zezinho Trindade brindou o público tocando uma música portuguesa e o Hino Nacional Brasileiro, em homenagem ao 7 de Setembro, dia da independência do Brasil. Nicanor Pereira se apresentou duas vezes, sendo que na primeira olportunidade fez uma referência especial ao poeta sorocabano Douglas Santos Junior, recentemente falecido, que integrava os grupos culturais ‘Coesão Poética’ e ‘Mesma Frequência’.

A advogada Miriam Teodoro falou sobre a independência do Brasil e Glauco Delia Branco, vestido com roupas tipicas do seu Rio Grande do Sul, declamou uma poesia de sua autoria que teve como tema a colonização portuguesa no Brasil.

A jornalista e apresentadora de TV Simone Marquetto falou sobe seu trabalho na TV Sorocaba (SBT) e seus planos futuros, que inclui sua volta a Itapetininga. Em seguida o estudante Marcelo Paiva Pereira fez uma breve exposição sobre a urbanização no Brasil Colonial e os efeitos urbanísticos no período posterior à independência.

Outra atração musical da reunião cultural foi o violonista Bruno Guimarães, uma revelação cultural de alto nivel. Ele tocou ao violino a Hino à Independência e uma música portuguesa. Da mesma forma bem sucedida em sua apresentação foi a do poeta sorocabano Nicanor Pereira, que falou sobre a Independência do Brasil e leu um soneto de Cláudio Manoel da Costa, advogado, minerador e poeta português do Brasil Colônia que se envolveu e foi um dos mais destacados líderes da Inconfidência Mineira.

Diva Rosa de Brito, poetisa de Sertãozinho e que atualmente mora em Itapetininga, falou sobre a independêcia do Brasil e declamou uma poesia de sua autoria. O poeta gaúcho Glauco Delia Branco se apresentou pela segunda vez, desta feita para cantar, em ‘legítimo gauchês’, a música ‘Parabéns a Voce’, dedicada ao apresentador do sarau e presidente do IHGGI, o jornalista Helio Rubens de Arruda e Miranda, que se surpreendeu com a homenagem surpresa preparada pela sua esposa a artista plástica e advogada Ana Elisa Bloes Meirelles de Arruda e Miranda.

A ultima apresentação ficou a cargo da confreira Alba Regina Luisi, que seu um texto seu enaltecendo  as relações entre Portugal e Brasil, cujo principal ponto em comum é a lingua portuguesa.

 

Foram destaque ainda no evento a entrega a cada participante de um marcador de livro criado pelo artista Alessandro Luisi.

 

As agências turisticas FER TUR e CVC participaram do evento fazendo a entrega a cada participante de um bombom (Fer Tur) e de material publicitário de cidades brasileiras e do Exterior.

O jantar ficou a crgo do Restaurante Bom Cristo, que preparou para os visitantes um tipico ‘Jantar Portugues’, cujo prato principal foi um risoto de bacalhau.

O apresentador Helio Ruben s destacou em sua fala o bom trabalho realizado pela Comissão Organizadora do evento, composta pelas confreiras Alba Regina e Noemia Marini e pelos confrades Antonio Andrade, Giovani Ferrari e Sergio Majewski e também o apoio dado pela artista Ana Elisa.

 

Poesia de autoria de Dado Carvalho:

SAUDADES DE MINHA CACHOPA

 

Vinho, minha cara cachopa, morena e linda,

vinho que faz ainda, balançar a taça onde para ti guardo um beijo

Vinho, minha cara moçoila dos dentes peroláceos,

dos olhos violáceos e lábios de carmim.

Faz de minha saudade sua tela e pinte nela meu rosto pálido,

tímido e esquálido pela falta que de ti sente.

 

Vinho, Dulcineia de minhas andanças

que me traz lembranças que ora me torturam.

Saudade tenho eu do frescor de tua face, de teu saboroso beijo,

que qual vinho do Alentejo embriaga-me e faz-me voar,

flutuar nos ares qual pluma sem rumo, ao sabor da brisa,

que as montanhas alisa, fresca e suave.

 

E flanando qual ave nos ares da vida,

busco-te querida, envolta em teu véu de rendas,

que prendas da Vila do Conde de especial modo para ti teceram,

e, sem querer, enalteceram teu porte de santa,

que a mim tanta lembrança traz.

 

Sei que continuas a tecer tuas rendas de frioleiras,

como outras faceiras senhorinhas as fazem

Juntaste-te à bordadeiras de Nisa e a mim deixaste à deriva

o que neste momento me priva de encontrar o rumo certo

que me leva a ti.

 

Isto posto, bela e formosa, motivo das saudades minhas,

que sei, de fato, não caminhas como eu para o mesmo norte

de sorte que nosso encontro, talvez nunca se dê neste mundo,

ficam, deste coração, moribundo, meus votos de boa sorte.

 

 

Eis que aqui e agora, trôpego e cansado de viajar em pensamento,

saio qual tolo, nesse momento, a navegar de velas soltas,

deixando atrás de mim meu velho Portugal,

o Vinho Verde, Trás os Montes e o Minho,

porque meu caminho, senhorinha minha, de olhar envolvente,

levar-me-á, de certo, a outra pretendente.

 

DADO CARVALHO

Sorocaba, 12 de setembro de 2015 – 17:00h

 

Poema escrito especialmente para a 4ª Noite Lítero-Musical, promovida pelo IHGG de Itapetininga na noite de 12 de setembro de 2015.

 

Grato ao Ricardo Inácio Ribeiro pela ótima filmagem.

 

Fotos da 4a. Noite Lítero-Musical do IHGGI:

 

HR, Glauco, Sergio e NicanorPoeta gaucho de Sorocaba Glauco Delia Branco O público, em pé, cantou o Parabéns a Voce para HR O casal Priscila e Bruno Guimaraes com Ana Elisa Noemia Garcia e Ana Elisa Miriam TeodoroMarcia Melo e HR Marcelo Paiva HR, Glauco, Sergio e Nicanor Glauco, Nicanor, Alba Regina, HR e Mara Souza Glauco e Mara (reduzida)Giovani Ferrari, Simone Marquetto e HR Diva, Ana Elisa, Miriam Teodoro, Ana Mello, HR, Ana Mello, Sergio Majewski e Noemia Marini Detalhe da mesa Dado Carvalho Dado Carvalho e comotiva de Sorocaba Bruno Guimaraes ao violino Basnner Noite Litero Musical A poetisa Diva Brito A confreira Alba Regina falou sobre os laços Brasil e Portugal Marcia Melo e HRZezinho Trindade tocando violino Simone Marquetto Poeta Nicanor Pereira Poeta gaucho de Sorocaba Glauco Delia Branco Miriam Teodoro Marcelo Paiva HR, Glauco, Sergio e Nicanor Glauco e Mara (reduzida) Detalhe da mesa Dado Carvalho

 

 

 

 

 

 

 

 

 




Circuito Cultural traz um Circo para Itapetininga

Apresentação é gratuita e acontecerá dia 18, no Largo dos Amores

Seguindo no propósito de levar cultura e arte de boa qualidade e de forma gratuita a toda a população, a Secretaria de Cultura e Turismo, em parceria com o Circuito Cultural Paulista, trará a magia do circo para Itapetininga.

‘Arruaça’ é o nome do espetáculo, apresentado pelo Circo Vox.

A apresentação será dia 18, sexta-feira, às 16 horas, no Largo dos Amores.

É gratuito e a classificação é livre.

Saiba mais sobre o espetáculo:

Os personagens Bobi e Judite são clowns modernos, que apresentam espetáculos interativos e populares há mais de oito anos, com uma exclusiva abordagem do público. Totalmente baseado na improvisação, ‘Arruaça’ é preparado apenas pelas marcações e truques de efeito, conduzido pela reação dos expectadores.




Cine Clube de Itapetininga prepara exibição de mais um filme

História trata da marginalidade e perspectiva de futuro

O Cine Clube do Instituto Julio Prestes realizará mais uma apresentação em Itapetininga, em parceria com a Secretaria de Cultura e Turismo.

O filme ‘Na Quebrada’ será exibido no dia 17 de setembro, quinta-feira, às 19h30, no espaço do Cine Janela, no Auditório Abílio Victor.

A entrada é gratuita e após a exibição haverá debate e sorteio de livro.

O filme é recomendado para maiores de 14 anos.

 

Sinopse de ‘Na Quebrada’

Até que ponto o passado dos seus pais determina o seu futuro? Quem cresce na marginalidade tem o direito de sonhar e mudar o seu futuro? Baseado em histórias reais surpreendentes e inspiradoras, “Na Quebrada” revela a luta de jovens que cresceram entre armas, sangue e muita dificuldade, aperto, sufoco, para mudar suas vidas. O que acontece quando essas vidas são tocadas pelo cinema e os jovens decidem desafiar o destino?




Poupatempo lança sistema para facilitar pagamento de taxas

Poupatempo - e-poupatempo - crédito Paulo MarquesO Poupatempo colocou em funcionamento um novo sistema para facilitar o atendimento e reduzir ainda mais o tempo de espera para tirar a 2ª via da Carteira de Identidade (RG). Agora é possível efetuar o pagamento da taxa do serviço diretamente no portal do Poupatempo

 

(www.poupatempo.sp.gov.br). 

No momento em que a pessoa faz o agendamento do dia e horário em que deseja ser atendida, o site oferece a opção de entrada no internet banking, para que o pagamento seja efetuado sem a necessidade de deslocamento até a agência bancária. Por enquanto, o sistema atende os clientes do Banco do Brasil e do Bradesco, mas o Governo de São Paulo está negociando com outras instituições para facilitar a vida de todos os que precisam dos serviços do Poupatempo. Quem não é cliente do Banco do Brasil e Bradesco tem a opção de imprimir o boleto bancário (Documento de Arrecadação de Receitas Estaduais – DARE), que pode ser recolhido em todos os bancos.

Outra iniciativa do Poupatempo para agilizar o atendimento é o estímulo ao uso de leitores de cartões de débito (pin pads) de todos os bancos para pagamento das taxas de serviços do Detran e da 2ª via de RG.
As novas tecnologias estão sendo introduzidas como parte da estratégia do Governo do Estado de São Paulo, através da Subsecretaria de Tecnologia e Serviços ao Cidadão, para aprimorar o Programa Poupatempo, ampliando seu alcance. Com o atendimento virtual, mais barato, o Poupatempo pode multiplicar a capacidade de atendimento e levar serviços diretamente aos usuários pela internet.

O Poupatempo foi implantado em 1997 com o objetivo de facilitar a vida do cidadão e simplificar o acesso a documentos e serviços públicos. O programa vem passando por uma fase de grande expansão física e já conta com 66 postos fixos em todas as regiões administrativas do Estado.

Agora, ao completar 18 anos, em novembro, o Poupatempo está recebendo investimentos para multiplicar os serviços eletrônicos, para facilitar ainda mais a vida dos cidadãos e permitir a solução de problemas com documentos sem a necessidade de ir pessoalmente aos postos de atendimento. “Estamos falando de uma mudança de conceito, com acesso virtual aos serviços sem perda de qualidade no atendimento”, afirma Julio Semeghini, titular da Subsecretaria de Tecnologia e Serviços ao Cidadão do Governo de São Paulo.

Ele explica que em breve o Poupatempo terá terminais de autoatendimento para a realização de serviços mais simples, instalados dentro e fora dos postos físicos. Nos últimos meses, além de reformular o portal (www.poupatempo.sp.gov.br), o Poupatempo ganhou um aplicativo no ‘SP Serviços’ (loja de apps do Governo do Estado), que facilita o agendamento. Em breve, o portal ganhará novos serviços, como o Achados e Perdidos virtual e a linha do tempo pessoal, com registro de todos os atendimentos que a pessoa solicitou no Poupatempo ao longo da vida.

Programa Poupatempo
O Poupatempo é um programa do Governo do Estado, executado pela Diretoria de Serviços ao Cidadão da Prodesp – Tecnologia da Informação, que, desde a inauguração do primeiro posto, em 1997, já prestou mais de 457 milhões de atendimentos. Atualmente conta com 66 unidades instaladas na capital, Grande São Paulo, interior e litoral.



Artigo de Celso Lungaretti: 'Ultimato da 'Folha' à Dilma: arroche os brasileiros ou renuncie!'

ULTIMATO DA ‘FOLHA’ À DILMA: ARROCHE OS BRASILEIROS OU RENUNCIE!

Por Celso Lungaretti, no blogue Náufrago da Utopia.
Octávio Frias Filho só dá duas opções a Dilma: ou aproveita a “última chance” ou deve renunciar.

Quem acompanha meu  trabalho não se surpreenderá com os vários indícios de que a contagem regressiva para o defenestramento da presidenta Dilma Rousseff está chegando ao fim.  Era, como sempre afirmei, a consequência óbvia dos enormes erros cometidos; e o governo, aparvalhado e impotente, não conseguiu reverter o movimento inercial que o conduzia para o mais amargo fim.

No último domingo, 13, a Folha de S. Paulo não só assumiu em editorial que tal desfecho já entrou na ordem do dia, como o fez num editorial excepcionalmente publicado na capa, com o título alarmista de Última chance :

Às voltas com uma gravíssima crise político-econômica, que ajudou a criar e a que tem respondido de forma errática e descoordenada; vivendo a corrosão vertiginosa de seu apoio popular e parlamentar, a que se soma o desmantelamento ético do PT e dos partidos que lhe prestaram apoio, a administração Dilma Rousseff está por um fio.

A presidente abusou do direito de errar. Em menos de dez meses de segundo mandato, perdeu a credibilidade e esgotou as reservas de paciência que a sociedade lhe tinha a conferir. Precisa, agora, demonstrar que ainda tem capacidade política de apresentar rumos para o país no tempo que lhe resta de governo.

Previsivelmente, o jornal pede que se reequilibrem as finanças públicas com medidas ainda mais draconianas do que as propostas por Joaquim Levy e propõe que exploradores e explorados dividam entre si o sacrifício.

Omite que os primeiros (mesmo numa perspectiva capitalista) sempre foram beneficiados demais e os segundos, prejudicados demais. Seria hora, isto sim, de reequilibrarem-se os pesos da balança, entregando a conta para os que, mesmo perdendo os anéis, ainda conservarão gordos os dedos.

E se Dilma não fizer o que a Folha exige, ou seja, a radicalização do chamado austericídio? Aí o jornal comprova mais uma vez que não ter sido casual seu apoio à dita(nada)branda:

Serão imensas, escusado dizer, as resistências da sociedade a iniciativas desse tipo. O país, contudo, não tem escolha. A presidente Dilma Rousseff tampouco: não lhe restará, caso se dobre sob o peso da crise, senão abandonar suas responsabilidades presidenciais e, eventualmente, o cargo que ocupa” (o grifo é meu).

Pronto, o gênio saiu da garrafa: o jornal mais influente do País já se arroga o direito de sugerir o impeachment, ao mesmo tempo que dá um ultimato velado à presidenta!

E por que o faz neste instante? A resposta está em três notícias da mesma edição dominical da Folha:

Empresários fizeram chegar ao governo a avaliação de que, com a perda do grau de investimento do país, a presidente Dilma Rousseff precisa agir rapidamente e mostrar resultados até outubro. Caso contrário, afirmaram, ficará difícil manter o apoio do setor empresarial, um dos últimos lastros do governo petista.

A conjectura foi transmitida a interlocutores da presidente como um alerta para a necessidade da petista ser firme na definição de medidas para reequilibrar as contas públicas, a despeito de críticas ao ajuste de setores do PT e do ex-presidente Lula[Ou seja, os tais empresários são o sujeito oculto do editorial da Folha. O ou dá ou nós descemos foi inspirado por eles, que exigem rendição incondicional. Eu avisei que as coisas chegariam a este ponto; Dilma teria saído bem melhor na foto caso houvesse reagido antes de lhe colocarem a corda no pescoço. Demorou demais para escolher o lado certo e, agora, só salvará seu mandato se aceitar tornar-se uma fantoche explícita dos ricaços.]

A Câmara deve começar a tratar formalmente do processo de impeachment de Dilma Rousseff nesta semana, quando deputados de oposição apresentarão requerimentos ao presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para que ele se posicione sobre os 13 pedidos de deposição.

Cunha já avisou que pretende negar, se não todas, boa parte das ações exigindo o impeachment. Com os demais, ele continuaria protelando.

Jornal que fez editoriais similares… faliu!

O roteiro dos defensores do afastamento é então apresentar recursos questionando uma das recusas de Cunha. Assim, o caso precisaria ser submetido ao plenário. Se for aprovado por maioria simples, o processo é deflagrado. [Ou seja, está prontinho o roteiro caso Dilma não se submeta à tutela proposta, vendendo a alma definitivamente ao diabo: deputados partidários do impeachment pedirão uma definição ao Cunha, este negará alguns pedidos e os ditos cujos colocarão tal recusa para discussão no plenário. Aí, com a popularidade da Dilma na casa de um dígito, não é difícil adivinhar qual será a decisão dos parlamentares, sabendo que marcharem contra a corrente poderá ser-lhes fatal nas eleições futuras]

Diante do avanço do movimento pró-impeachment no Congresso, Dilma Rousseff montou nos últimos dias uma ‘força-tarefa’ integrada por ministros de sua confiança para mapear os apoios de que o governo dispõe[Ou seja, o próprio Palácio do Planalto, por via oblíqua, confirma que a batalha derradeira se aproxima. E, face aos resultados obtidos até agora, o que podemos esperar dos ministros de confiança da Dilma, se não novos desastres?]

De resto, não me traz satisfação nenhuma vir há bom tempo acertando todas as minhas previsões. Mas, tenho a sensação de dever cumprido. Como jornalista, informei muito bem meu público, ao contrário dos que passaram o tempo todo teclando wishful thinking.

Posse de Levy foi o começo do fim para Dilma

E como homem de ideais, há cerca de um ano venho apontando às forças de esquerda os erros que cometiam e sugerindo opções:

  • durante a campanha eleitoral de 2014, não desconstruírem Marina Silva, deixando para ela o mico de impor o arrocho fiscal, ou
  • alterarem a composição da chapa no sentido do volta, Lula!, pois Dilma claramente não estava à altura do quadro dramático que se delineava para 2015;
  • no primeiro trimestre de 2015, quando a economia começou a desandar, a articulação de um governo de união nacional ou a montagem de um gabinete de crise, pois assim o governo dividiria com a oposição a responsabilidade pela busca de uma saída da degringola econômica e pela adoção dos remédios amargos;
  • mais recentemente, quando a derrubada de Dilma passou a evidenciar-se como inevitável, a convocação um plebiscito sobre o ajuste fiscal, prevendo a renúncia dela caso o povo dissesse não! (seria uma saída mais altaneira e digna, à maneira do De Gaulle), ou

  • Dilma reassumir as bandeiras de esquerda, para ao menos cair pelas razões certas, não por ter pretendido governar com a direita e fracassado até nisto, ou, pelo menos,
  • ela renunciar antes de ser impedida, para a vitória da direita não se tornar mais triunfal ainda.

E, claro, passei o tempo todo pedindo a cabeça do Joaquim Levy, o cavalo de Troia que o Ulisses do Bradesco (Luiz Carlos Trabuco) conseguiu infiltrar no reduto governista, a fim de que criasse as condições para a pior derrota da esquerda brasileira desde 1964.

Moral da História: nem sempre os que dizem verdades desagradáveis querem o mal de alguém; nem sempre os que só afagam e bajulam lhe fazem algum bem.

“Metida tenho a mão na consciência / e só falo verdades puras / que me foram ditadas pela viva experiência” –disse Camões. E digo eu.

VEJA AQUI UM VÍDEO RARÍSSIMO DE VANDRÉ NO EXÍLIO




Artigo de Celso Lungaretti: 'O impeachment bate à porta'

DOS EMPRESÁRIOS À DILMA: “OU DÁ OU NÓS DESCEMOS!”. DA ‘FOLHA’ À DILMA: “ARROCHE A SOCIEDADE OU RENUNCIE!”.

Por Celso Lungaretti, no blogue Náufrago da Utopia.

 
Octávio Frias Filho lança ultimato: ou Dilma aproveita a “última chance” ou deve renunciar.

Quem tem acompanhado meu  trabalho não se surpreenderá com os vários indícios de que a contagem regressiva para o defenestramento da presidenta Dilma Rousseff está chegando ao fim.

Neste domingo, 13, a Folha de S. Paulo não só assume em editorial que tal desfecho já entrou na ordem do dia, como o faz num editorial excepcional, publicado na capa, com o título alarmista de Última chance :

Às voltas com uma gravíssima crise político-econômica, que ajudou a criar e a que tem respondido de forma errática e descoordenada; vivendo a corrosão vertiginosa de seu apoio popular e parlamentar, a que se soma o desmantelamento ético do PT e dos partidos que lhe prestaram apoio, a administração Dilma Rousseff está por um fio.

A presidente abusou do direito de errar. Em menos de dez meses de segundo mandato, perdeu a credibilidade e esgotou as reservas de paciência que a sociedade lhe tinha a conferir. Precisa, agora, demonstrar que ainda tem capacidade política de apresentar rumos para o país no tempo que lhe resta de governo.

Previsivelmente, o jornal pede que se reequilibrem as finanças públicas com medidas ainda mais draconianas do que as propostas por Joaquim Levy e propõe que exploradores e explorados dividam entre si o sacrifício. Omite que os primeiros (mesmo numa perspectiva capitalista) sempre foram beneficiados demais e os segundos, prejudicados demais. É hora, isto sim, de reequilibrarem-se os pesos da balança, entregando a conta para os que, mesmo perdendo os anéis, ainda conservarão gordos os dedos.

E se Dilma não fizer o que a Folha exige, ou seja, a radicalização do chamado austericídio? Aí o jornal comprova mais uma vez que não ter sido casual seu apoio à dita-nada-branda:

Serão imensas, escusado dizer, as resistências da sociedade a iniciativas desse tipo. O país, contudo, não tem escolha. A presidente Dilma Rousseff tampouco: não lhe restará, caso se dobre sob o peso da crise, senão abandonar suas responsabilidades presidenciais e, eventualmente, o cargo que ocupa” (o grifo é meu).

Pronto, o gênio saiu da garrafa: o jornal mais influente do País já se arroga o direito de sugerir o impeachment, ao mesmo tempo que dá um ultimato velado à presidenta!

E por que o faz neste instante? A resposta está em três notícias da mesma edição dominical da Folha:

Empresários fizeram chegar ao governo a avaliação de que, com a perda do grau de investimento do país, a presidente Dilma Rousseff precisa agir rapidamente e mostrar resultados até outubro. Caso contrário, afirmaram, ficará difícil manter o apoio do setor empresarial, um dos últimos lastros do governo petista.

 

 

A conjectura foi transmitida a interlocutores da presidente como um alerta para a necessidade da petista ser firme na definição de medidas para reequilibrar as contas públicas, a despeito de críticas ao ajuste de setores do PT e do ex-presidente Lula[Ou seja, os tais empresários são o sujeito oculto do editorial da Folha. O ou dá ou nós descemos foi inspirado por eles, que exigem rendição incondicional. Eu avisei que as coisas chegariam a este ponto; Dilma teria saído bem melhor na foto caso houvesse reagido antes de lhe colocarem a corda no pescoço. Demorou demais para escolher o lado certo e, agora, só salvará seu mandato se aceitar tornar-se uma fantoche explícita do capital.]

A Câmara deve começar a tratar formalmente do processo de impeachment de Dilma Rousseff nesta semana, quando deputados de oposição apresentarão requerimentos ao presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para que ele se posicione sobre os 13 pedidos de deposição.

Cunha já avisou que pretende negar, se não todas, boa parte das ações exigindo o impeachment. Com os demais, ele continuaria protelando.

 
Quem fez editorial similar… acabou fechando!

O roteiro dos defensores do afastamento é então apresentar recursos questionando uma das recusas de Cunha. Assim, o caso precisaria ser submetido ao plenário. Se for aprovado por maioria simples, o processo é deflagrado. [Ou seja, está prontinho o roteiro caso Dilma não se submeta à tutela proposta, vendendo a alma definitivamente ao diabo: deputados partidários do impeachment pedirão uma definição ao Cunha, este negará alguns pedidos e os ditos cujos colocarão tal recusa para discussão no plenário. Aí, com a popularidade da Dilma na casa de um dígito, não é difícil adivinhar qual será a decisão dos parlamentares, sabendo que marcharem contra a corrente poderá ser-lhes fatal nas eleições futuras]

Diante do avanço do movimento pró-impeachment no Congresso, Dilma Rousseff montou nos últimos dias uma ‘força-tarefa’ integrada por ministros de sua confiança para mapear os apoios de que o governo dispõe[Ou seja, o próprio Palácio do Planalto, por via oblíqua, confirma que a batalha derradeira se aproxima.]

De resto, não me traz satisfação nenhuma vir há bom tempo acertando todas as minhas previsões. Mas, tenho a sensação de dever cumprido. Como jornalista, informei muito bem meu público, ao contrário dos que passaram o tempo todo teclando wishful thinking.

E como revolucionário, há cerca de um ano venho apontando às forças de esquerda os erros que cometiam e sugerindo opções:

A posse do Levy: começo do fim para Dilma.
  • não desconstruir Marina Silva, deixando para ela o mico de impor o arrocho fiscal;
  • trocar a candidatura da Dilma pela do Lula, porque ela claramente não estava à altura do quadro dramático que se delineava para 2015;
  • a articulação de um governo de união nacional ou a montagem de um gabinete de crise quando a economia começou a desandar no início do ano, pois assim dividiria com a oposição a responsabilidade pela degringola econômica e pelos remédios amargos;
  • quando a derrubada de Dilma passou a despontar como inevitável, a convocação um plebiscito sobre o ajuste fiscal, prevendo a renúncia dela caso o povo dissesse não (seria uma saída mais altaneira e digna, à maneira do De Gaulle);
  • reassumir as bandeiras de esquerda, para ao menos cair pelas razões certas e não por ter pretendido governar com a direita mas não a haver conseguido satisfazer:
  • renunciar antes de ser impedida, para o triunfo da direita não se tornar mais triunfal ainda.

E, claro, passei todo o tempo pedindo a cabeça do Joaquim Levy, o cavalo de Troia que preparou o caminho para a pior derrota da esquerda brasileira desde 1964.

Moral da História: nem sempre os que ousam dizer verdades inconvenientes querem o mal de alguém; nem sempre os que só afagam lhe fazem algum bem.

“Metida tenho a mão na consciência / e só falo verdades puras / que me foram ditadas pela viva experiência” –disse Camões. E digo eu.

DILMA PODERÁ SER LEMBRADA COMO GUERREIRA DERRUBADA PELAS ELITES OU COMO GUERRILHEIRA QUE VIROU SUCO

Por Celso Lungaretti, no blogue Náufrago da Utopia.

Na abertura do seu clássico Conversa na Catedral, Mario Vargas Llosa perguntou em que momento o Peru tinha se f… No caso do PT, eu apontaria três momentos:

  • quando a votação pífia que obteve na eleição de 1982 levou os dirigentes a decidirem evitar dali em diante a identificação com a resistência à ditadura. Naquele pleito, a propaganda eleitoral gratuita, obedecendo à Lei Falcão, restringia-se à leitura de dados e exibição de fotos dos candidatos. Muitos do PT, orgulhosamente, citaram o tempo de cárcere cumprido como presos políticos. A direita retrucou com desqualificações do tipo “eles não têm currículos, têm fichas criminais”. E, ao invés de defenderem o direito que os seres humanos dignos deste nome tinham de combater a tirania, os petistas passaram a não tocar mais no assunto em campanhas eleitorais. Foi quando negaram a revolução pela primeira vez.
  • quando, também na década de 1980, afrouxou os critérios de filiação, permitindo o ingresso indiscriminado de carreiristas e oportunistas de todos os matizes, desideologizando o partido. Tratou-se do expediente adotado pela corrente majoritária para colocar-se em grande vantagem sobre as demais tendências, ao preço de descaracterizar o partido. Foi quando o PT negou a revolução pela segunda vez.
  • quando, respondendo às acusações públicas de um militante exemplar contra o safado que pilotava o primeiro grande esquema de desvio de recursos dos cofres públicos para o partido, expulsou o acusador, emitindo sinal verde para a corrupção (vide aqui). Ao optar pela moral deles em detrimento da nossa, o PT negou a revolução pela terceira vez.

O resto foi consequência: por colocar a conquista do poder sob o capitalismo como objetivo supremo, escanteando a revolução, não teve pejo de firmar um pacto repulsivo com os donos do Brasil em 2002: se vocês não interferirem, deixando-nos ganhar a eleição e assumir o poder, abdicaremos de fixar nós mesmos as diretrizes macroeconômicas, acatando fielmente as determinações do grande capital e contemplando sempre seus interesses. Lula assumiu com autonomia apenas sobre os ministérios das miudezas, pois quem dava as cartas nos ministérios econômicos era a burguesia.

No início o esquema funcionou a contento por se tratar de um período altamente favorável às commodities brasileiras, tanto que sob Lula o PIB cresceu, em média, 4% ao ano. Era o suficiente para saciar o pantagruélico apetite dos grandes capitalistas, sobrar um tantinho a mais do que antes para colocar na mesa dos pobres (insuficiente, contudo, para caracterizar a emergência de uma nova classe média, mera propaganda enganosa…) e ainda queimar rios de dinheiro em barganhas com os partidos fisiológicos, comprando seu apoio mediante o loteamento de Pastas e cargos, além, é claro, do por fora de mensalões e petrolões.

SOB DILMA, CRESCIMENTO 

DO PIB CAIU PELA METADE.

A maré virou no primeiro governo de Dilma Rousseff, quando a evolução do PIB caiu pela metade, passando a ser de 2,1% a.a. Então, tornou-se impossível contentar, ao mesmo tempo, o grande capital,  os trabalhadores e os sanguessugas da política. As receitas se tornaram insuficientes para bancar os privilégios da burguesia e a gastança do Estado.

O poder econômico passou a exigir um arrocho fiscal e uma recessão purgativa, que sacrificariam os outros dois contingentes, enquanto os burgueses continuariam desfrutando suas fortunas escandalosas.

Eu alertei que um partido dito dos trabalhadores implementar uma política econômica tão desfavorável aos trabalhadores o destruiria. Era o momento de o PT, ou renegar o pacto mefistofélico firmado em 2002 e propor uma alternativa à ortodoxia capitalista, ou então deixar em outras mãos o acatamento das exigências do grande capital (bastaria, p. ex., não ter desconstruído a candidatura de Marina Silva com a campanha de satanização mais falaciosa da política brasileira em todos os tempos).

Nem uma coisa, nem outra. Dilma se reelegeu na bacia das almas e, de imediato, prestou vassalagem aos verdadeiramente poderosos, entregando a condução da economia ao neoliberal Joaquim Levy (ademais, um economista de segunda categoria, sem currículo à altura do posto).

Deu no que deu. O fato de, na campanha eleitoral, haver jurado solenemente que não faria o que incumbiu Levy de fazer, deixou em cacos a popularidade de Dilma. E um governo fraco e sem credibilidade não consegue convencer nem obrigar burguesia, trabalhadores e sanguessugas a sacrificarem-se para que as contas públicas voltem a um mínimo equilíbrio. Os três contingentes defendem vigorosamente seus interesses, imobilizando Levy, enquanto a situação econômica se deteriora cada vez mais.

Dilma está excessivamente desmoralizada para mediar qualquer acordo entre o capital, o trabalho e a ociosidade. O governo cairá antes, pois o que se empenham em derrubá-lo não têm motivo nenhum para recuarem agora que estão com a faca e o queijo nas mãos (e, sem a participação deles, não haverá pacto de salvação nacional capaz de vingar, mesmo que Lula e FHC se tranquem para conversar durante uma semana inteira). É simples assim.

Então, as opções que lhe restam hoje não passam de duas:

  • a renúncia antes de ser impedida, para não conceder triunfo tão apoteótico aos inimigos; ou
  • uma guinada corajosa à esquerda, fazendo o aumento da arrecadação recair sobre as costas dos que têm demais e sempre foram privilegiados e não dos trabalhadores que sempre foram tosquiados, além de extinguir o sem-número de Pastas e cargos que só servem como moeda de barganha política e cabides de emprego.

Sem ilusões, contudo. É tarde demais para Dilma salvar seu mandato; mas pode, ainda, salvar a reputação.

Se tiver contra si a burguesia coesa (até o Trabuco…) e os parlamentares contrariados, sequiosos por retaliarem com o impeachment, a queda virá a toque de caixa. E daí? Por acaso é preferível a atual agonia lenta, essas iniciativas erráticas que fracassam umas após outras, essa interminável sucessão de vexames e trapalhadas, com o mesmíssimo desfecho esperando no final da linha? Só se a Dilma for masoquista…

Voltando ás origens, Dilma seria ao menos lembrada como uma guerreira derrubada pelas elites e não como uma guerrilheira que virou suco.

Com o tempo,  a historiografia de esquerda minimizaria sua guinada neoliberal em 2015, assim como quase ninguém lembra mais que João Goulart chegou a ter como ministro da Fazenda o conservador Carvalho Pinto (o qual, justiça seja feita, equivalia a Levy em termos ideológicos, mas era infinitamente melhor como economista e administrador).

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