Artigo de Celio Pezza: '20 de Maio de 325 – O 1º. Concílio de Nicéia'

Celio Pezza
Celio Pezza

Crônica # 266 – 20 de Maio de 325 – O 1º. Concílio de Nicéia

 

Em 20 de maio de 325 DC, aconteceu na cidade de Nicéia, perto de Constantinopla, o primeiro evento ecumênico que daria origem à religião católica.

Na época, o imperador de Roma, Constantino, que estava com o império em crise, viu que uma aliança com os cristãos poderia aumentar seu poder e decidiu fazer do cristianismo a religião oficial do império. Em 313 DC, ele promulgou o Édito de Milão ou Édito da Tolerância, onde acabou com a perseguição religiosa aos cristãos.

Foi o início da Igreja-Estado.

Na época existiam muitos textos religiosos e alguns conflitantes, o que prejudicava a própria expansão da Igreja. Foi neste ambiente confuso que ele convocou no ano de 325 DC o 1º. Concílio Ecumênico, com o objetivo de criar regras únicas para a Igreja Romana, tomando os devidos cuidados para que estas viessem ao encontro de seus interesses.

Era necessário criar uma versão única ou oficial e foi o que Constantino fez. Ele convocou bispos e representantes religiosos de todas as províncias para o palácio de Nicéia e proporcionou toda espécie de mordomias aos participantes.

O Concílio se iniciou em 20 de Maio com perto de 318 representantes da igreja e terminou em 19 de Junho, com menos participantes.

Questões doutrinárias foram discutidas como questões de Estado e as controvérsias não eram aceitas.

Ali foi definida a divindade de Cristo e da Santíssima Trindade, e os bispos que se opuseram foram exilados.

Foi oficializado o domingo como o dia de descanso semanal, ao invés do sábado, como era anteriormente, e mudaram a data de comemoração da Páscoa, que era comemorada na mesma data da Páscoa dos judeus.

Uma das mais importantes mudanças foi oficializar um cânone novo, somente com os evangelhos aceitos como verdadeiros.

Aí nasceu o Novo Testamento, com somente quatro evangelhos, ou seja, Marcos, Lucas, Mateus e João.

Existem várias versões sobre a escolha destes evangelhos e, a mais aceita, conta que, como os bispos não chegavam a um acordo, Constantino ordenou que deixassem no chão todos os evangelhos, se recolhessem aos seus aposentos e ficassem em orações até o dia seguinte, pedindo pela interferência divina. A sala foi trancada e somente o imperador ficou com a chave.

No dia seguinte, os quatro evangelhos já mencionados apareceram milagrosamente em cima do altar e ninguém podia questionar a vontade divina ou a palavra do imperador. Os outros evangelhos foram considerados apócrifos, hereges, queimados e banidos de todo reino. Quem fosse pego com um exemplar, seria condenado à morte e seus bens confiscados para a nova Igreja-Estado.

Em 1945, foram encontrados, nos Manuscritos do Mar Morto, vários desses evangelhos apócrifos cristãos produzidos entre os anos 100 e 200 DC, que mostram outras versões interessantes sobre este período da História, como o evangelho de Tiago, Tomé, Judas e outros.

Neles, Jesus tem um lado bem mais humano, Madalena é uma grande líder e Judas não é um traidor.  Um ano após o Concílio, o imperador mandou matar seu filho, o marido e o filho de sua irmã e matou sua mulher Fausta. Ele retardou o seu batismo até as vésperas de sua morte, pois diziam que o batismo o livraria de todos os pecados cometidos.

Após sua morte, em 337 DC, foi enterrado com honras de quem se tornara o 13º. apóstolo. Ele foi representado, na iconografia eclesiástica, recebendo a coroa diretamente das mãos de Deus, tamanha sua bondade para com a Igreja.

 

Célio Pezza

Junho, 2015




Flamenco de Córdoba: bailaor espanhol Angel Reyes ministra workshop em Sorocaba

logoROLfaceAulas serão nos dias 03 e 04 de julho, na Sala Tablado Flamenco

Apesar dos 22 anos, o bailaor espanhol Angel Reyes já é um veterano na arte do baile flamenco. No palco, sua energia e maturidade impressionam. A primeira visita ao Brasil foi em 2014, a convite de Karina Maganha, diretora artística do Café Tablao de Campinas. A apresentação foi tão elogiada que ele está de volta ao país. Desta vez, o artista estará em Sorocaba, para ministrar cursos nos dias 03 e 04 de julho, na Sala Tablado Flamenco.

Nascido em 1993 na cidade de Córdoba, na Espanha, Angel Reyes é representante do puro flamenco de raiz espanhola. Iniciou na dança aos três anos. Aos nove, começou sua formação básica, e depois profissional, no Conservatório de Dança “Luis del Rio” em sua cidade natal. Além da formação em baile flamenco, é formado em dança clássica e dança espanhola. Ganhou vários prêmios ao longo da carreira – o primeiro, aos seis anos de idade. Em 2002, conquistou o primeiro prêmio nacional para Sevillanas “Villa de la Carlota” na Espanha. Quando não está em viagens profissionais, apresenta-se com regularidade em sua cidade natal, nas famosas e tradicionais cuevas flamencas, que representam um dos principais ambientes de origem da dança flamenca. As cuevas eram um tipo de gruta, verdadeiras casas escavadas nas rochas, que serviam de moradia para povos ciganos da região. Hoje, várias cuevas foram preservadas e transformadas em restaurantes e tablados flamencos.

A Sala Tablado Flamenco, onde vão ocorrer os cursos em Sorocaba, é uma escola especializada em dança flamenca, que desde 1997 oferece aulas para os níveis infantil, iniciante, intermediário, avançado e melhor idade, além de percussão flamenca e cajón. Os interessados podem entrar em contato pelos telefones (15) 4141.1838 e (15) 99788. 8898 ou pelo e-mail thalmadilelli@yahoo.com.br.

Show na Região

Além da passagem por Sorocaba, Angel Reyes tem agenda marcada também em Campinas. Nos dias 26 a 28 de junho, ele ministra workshop no Café Tablao e no dia 02, quinta-feira, faz um show especial no Almanaque Café, às 21h. O Almanaque Café fica na Avenida Albino José Barbosa de Oliveira, 1240, no distrito de Barão Geraldo, em Campinas. Os ingressos já podem ser adquiridos antecipadamente no Espaço Cultural Café Tablao.

No show, Angel Reyes divide o palco com as bailaoras Karina Maganha e Lila Cesarino, do Café Tablao. Eles serão acompanhados pelos músicos Helena de Los Andes (cante), Ulisses Ruedas (carrón), Sarah Selles (flauta) e as guitarras flamencas de Fernando de Marília, Denis Sartorato e João la Fúria. 

Flamenco Internacional em Sorocaba

Workshop com Angel Reyes

Data: 03 e 04/07/2015

Local: Sala Tablado Flamenco

Avenida Mário Campolim, 699/701, Campolim/ Sorocaba

Informações: (15) 4141. 1838 – (15) 99788. 8898 | thalmadilelli@yahoo.com.br

Apoio: Hotel Campolim – www.hotelcampolim.com.br

 

Show – Almanaque Café Campinas

Data: 02/07 – Quinta-feira

Horário: 21h

Local: Almanaque Café

Endereço: Avenida Albino José Barbosa de Oliveira, 1240, Barão Geraldo/ Campinas.

Informações: (19) 3249. 0014

Ingressos: R$60,00 – à venda na secretaria do Café Tablao, em Campinas. (www.cafetablao.com.br)

Parceria: Almanaque Café

Apoio: Vitória Hotéis e Spice Restaurante Campinas




Artigo de Marcelo Paiva Pereira: 'PRUITT-IGOE: O MITO DA REALIDADE'

PRUITT-IGOE: O MITO DA REALIDADE

 

MarceloAo conjunto habitacional de Pruitt-Igoe (1952 a 1972) o historiador e crítico da arquitetura Charles Jenks atribuiu o símbolo do fracasso da arquitetura moderna, por ter sido mal sucedido na realização do espaço pelos moradores e frequentadores, tendo (esse resultado) causa no projeto e não na administração. O presente texto, mesmo superficialmente, mostrará o contrário.

A mencionada obra foi construída ao N de Saint Louis (Estado do Missouri), nos Estados Unidos, para atender a política social do governo federal americano de retirar famílias das favelas e cortiços e integrá-los no ambiente urbano com infraestrutura consolidada.

Resultou da Lei da Habitação, promulgada em 1949 pelo governo federal, a qual também permitiu a construção de bairros planejados para a classe média nos subúrbios das cidades, das quais a Administração Pública de Saint Louis a executou sem as devidas cautelas.

A cidade de Saint Louis estava recebendo migrantes de várias cidades e de outros Estados-membros, que se instalavam nas periferias pobres, mas avançavam em direção ao centro e causavam a redução do valor do solo urbano.

Para conter esse avanço, em 1950 a prefeitura de Saint Louis obteve verba do Estado para demolir favelas e cortiços próximos do centro e vender as áreas à iniciativa privada, com vistas a assegurar a ocupação do trecho urbano por atividades comerciais e pela classe média, e construir conjuntos habitacionais verticalizados para abrigar a população pobre da cidade.

Aquele conjunto habitacional foi projetado pelo arquiteto Minoru Yamasaki (1912 – 1986) e era formado por 33 edifícios de 11 andares e 2870 apartamentos, distribuídos em 57 acres. Em relação aos edifícios, cada qual possuía corredores comuns a cada três andares para lavanderia, depósito de materiais, lixo e cômodos compartilhados. Em relação à implantação, havia ruas separadas para a circulação de pessoas e de veículos, e também espaços para diferentes funções (playground, creche e lavanderia).

O interesse da Administração Pública era abrigar 12.000 pessoas de famílias selecionadas, após entrevistas com os assistentes sociais designados. As famílias escolhidas assinavam contratos de aluguel, submetendo-se a regras muito severas, que limitavam os direitos de uso do imóvel.

Os contratos de aluguel eram celebrados com as mulheres; seus maridos (desempregados ou procurando emprego) não podiam habitar em nenhum dos imóveis sob pena de rescisão contratual. Os inquilinos também não podiam ter telefone nem televisão. As benesses urbanas concedidas aos moradores eram limitadas e a Administração Pública era a proprietária do conjunto habitacional.

A Administração Pública arrecadava o dinheiro dos aluguéis, com vistas a cobrir as despesas do condomínio; mas, por serem muito elevadas e não as subsidiar, a diferença foi transferida aos moradores, que a rateavam. Ainda assim os problemas de manutenção e assistência técnica continuaram porque precisavam da autorização da aludida proprietária para os reparos.

No mesmo período a classe média mudou-se do centro para viver em bairros planejados nos subúrbios de Saint Louis, distanciando-se dos moradores de Pruitt-Igoe, que trabalhavam em diversas atividades e serviços e para essa classe social. O distanciamento dos locais de trabalho os prejudicou, causando desemprego para uns e salários baixos para outros.

Com as dificuldades financeiras que avançavam, tornou-se muito onerosa a manutenção do condomínio, levando várias famílias a mudar de endereço, abandonando os imóveis e deixando Pruitt-Igoe para trás.

O ambiente social tornou-se hostil, os traficantes e usuários de drogas invadiram os imóveis abandonados e a violência tomou conta do lugar: a polícia, os bombeiros e as ambulâncias não podiam entrar lá, assim como aos moradores remanescentes o risco à vida era muito grande (estupros, furtos, roubos, assassinatos, etc). Em 1972 foi demolido o primeiro dos edifícios, em 1976 foram demolidos os que sobraram e no local atualmente encontram-se implantados edifícios de escolas e de cursos técnicos.

O conjunto habitacional de Pruitt-Igoe era um projeto de habitação popular, com vistas a realizar o bem estar social a ser cumprido pelo Estado, que tem o dever de tutelar a sociedade. Ele estava inserido em uma política urbana bem intencionada, mas executada sem as cautelas necessárias para integrar a população desse condomínio no ambiente urbano que se transformava, devido às diretrizes da Lei da Habitação de 1949.

O nome dado ao conjunto habitacional vem de dois cidadãos americanos, Wendell Pruitt, que era negro e foi piloto de avião; enquanto William Igoe era branco e foi político. O nome Pruitt-Igoe foi em homenagem a ambos e aos imigrantes e migrantes pobres – brancos e negros – que se instalaram na cidade de Saint Louis.

O mito sobre o conjunto habitacional de Pruitt-Igoe faz crer que o fracasso experimentado resulta do projeto desenhado pelo arquiteto[i], que acolheu o modernismo como modelo arquitetônico e urbanístico para realiza-lo. Não se pode acolher este posicionamento, porque referido projeto foi encomendado pela Administração Pública para o alcance do bem estar social, que não se operou como deveria em razão da má administração por ela realizada.

O fracasso de Pruitt-Igoe tem causa na má administração pela Administração Pública, que ignorou ou menosprezou várias situações que ocorriam:

  1. Não observou a migração da classe média, do centro para os subúrbios;
  2. Os inquilinos ficaram muito distantes dos locais de trabalho;
  3. Limitou os direitos de moradia aos inquilinos;
  4. Diminuiu as benesses urbanas a eles;
  5. Cobrou aluguel muito elevado;
  6. A manutenção do conjunto habitacional era muito onerosa e não foi subsidiada.

Em suma, o fracasso do conjunto habitacional de Pruitt-Igoe resultou da má administração operacionalizada pela Administração Pública em face da Lei da Habitação, e não pelo projeto do arquiteto nem pelo modernismo[ii]. Nada a mais.

 

Marcelo Augusto Paiva Pereira.
(o autor é aluno de graduação da FAUUSP)

 

BIBLIOGRAFIA

ARAVECHIA, Nilce; BRITO, Flávia; CASTRO, Ana. Evolução do Equipamento da Habitação. FAUUSP. De 02.03 a 08.06.2015. Anotações de aulas. Não publicadas.

BASSANI, Jorge; CYMBALISTA, Renato. História do Urbanismo Contemporâneo. FAUUSP. De 07.08 a 04.12.2013. Anotações de aulas. Não publicadas.

 

SITE DA FOTO

ARCHDAILY.COM.BR. Disponível em: www.archdaily.com.br. Acessado aos 08.06.2015.

 

SITES

PORTALARQUITETONICO.COM.BR. Pruitt-Igoe. Disponível em:

http://portalarquitetonico.com.br/pruitt-igoe/ Acessado aos 11.03.2015.

ACADEMICCOMMONS.COLUMBIA.EDU. Disponível em: academiccommons.columbia.edu/download/fedora…/94-156-2-PB.pdf. Acessado aos 11.03.2015.

ARCHDAILY.COM.BR. Exibição do filme “O Mito de Pruitt-Igoe” na X Bienal de Arquitetura de São Paulo. Disponível em: http:/adbr001cdn.archdaily.net/wp-content/uploads/2012/01/1326476605_1500px_aerialview_pruitt_igoemyth_credit_stathistsocofmo.jpg. Acessado aos 08.06.2015.

YOU2REPEAT.COM. The Pruitt Igoe myth – an urban history (trailer oficial legendado). Disponível em: http:/www.you2repeat.com/watch/?v=xdeZpPws8lo&s=0&e=152I=i. Acessado aos 08.06.2015.

[i] Assim diz Clara Irazábal: “(…). Seu projeto, assinado por um dos mais preeminentes arquitetos do país, Minoru Yamasaki, seguiu os princípios de planejamento de Le Corbusier e dos Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna e foi saudado como um exemplo do novo iluminismo. O PI chegou a ganhar prêmios do Instituto Americano de Arquitetos quando foi desenhado, em 1951.”. IRAZÁBAL, Clara. Do Pruitt-Igoe ao World Trade Center. Disponível em: <academiccommons.columbia.edu/download/fedora…/94-156-2-PB.pdf> Acessado aos 11.03.2015.

[ii] Assim diz Guilherme Ruchaud: “A arquitetura moderna falhou em alguns aspectos, mas parece-me um grande equívoco associá-los ao fracasso de Pruitt-Igoe. (…)”. RUCHAUD, Guilherme. Pruitt-Igoe: o mito em torno de um conjunto habitacional. Disponível em: <http://portalarquitetonico.com.br/pruitt-igoe/> Acessado aos 11.03.2015.

 




Klabin promove passeio ciclístico em Angatuba

O passeio será dia 20

A Klabin, maior produtora e exportadora de papéis do Brasil, realizará um passeio ciclístico amanhã (20), na cidade de Angatuba (SP). O evento, que acontece no município pelo segundo ano consecutivo, tem o objetivo de proporcionar momentos de descontração entre os participantes por meio da prática de atividade esportiva. Cerca de 250 pessoas se inscreveram para esta edição.

Todos os participantes receberão um kit composto por sacola, boné e squeeze. O ponto de partida do passeio será na Praça da Matriz e terminará no asilo Retiro dos Pobres de Santo Antônio, totalizando um percurso de 5 km. No final da corrida, a bicicleta mais decorada, a maior família presente no passeio, a maior turma uniformizada, o ciclista mais jovem e o mais idoso serão premiados.

Para a inscrição, cada participante doou 1 kg de alimento não perecível. As arrecadações serão entregues ao asilo Retiro dos Pobres de Santo Antônio

Serviço:

Data e horário: 20/6, a partir das 9h

Ponto de partida: Praça da Matriz de Angatuba

 

Sobre a Klabin

A Klabin, maior produtora e exportadora de papéis do Brasil, é líder na produção de papéis e cartões para embalagens, embalagens de papelão ondulado, sacos industriais e madeira em toras. Fundada em 1899, possui atualmente 14 unidades industriais no Brasil e uma na Argentina. Está organizada em três unidades de negócios: Florestal, Papéis (papel cartão, papel kraft e reciclados) e Conversão (papelão ondulado e sacos industriais).

 

Toda a gestão da empresa está orientada para o Desenvolvimento Sustentável, buscando crescimento integrado e responsável, que une rentabilidade, desenvolvimento social e compromisso ambiental. A Klabin integra, desde 2014, o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), da BM&Fbovespa. Também é signatária do Pacto Global da ONU e do Pacto Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo, buscando fornecedores e parceiros de negócio que sigam os mesmos valores de ética, transparência e respeito aos princípios de sustentabilidade.

 

Saiba mais em www.klabin.com.br




Dez anos de 'Coesão Poética' em Sorocaba

DEZ ANOS DE COESÃO POÉTICA

 

Evento de magna importância para a cultura sorocabana marca o décimo aniversário do grupo ‘Coesão Poética de Sorocaba’, que acontecerá neste sábado, dia 20, com início às 15 horas, à Rua Capitão José Dias, 147 – Centro, no Ateliê de Cultura Lúdica.

Trata-Tânia Orsi coesão poética adélia pradose de um grupo de renomados poetas que, a partir do início de 2005, passou a reunir-se semanalmente, com a especial deferência do Depois Bar, na Rua Aparecida, apresentando ao público aficionado as suas criações. Tal foi o sucesso que, logo após, decidiram agendar reuniões semanais, na Clínica Expressão, da psicóloga e poetisa Tânia Orsi (foto) e suas associadas. Embora, ainda sem denominação especial, e com o objetivo de trocarem ideias para o lançamento de uma coletânea, tiveram sua primeira reunião na fria noite de 17 de junho daquele ano.

Reclamados em diversos points educacionais e culturais da cidade e adjacências apresentam-se, desde então em saraus, sempre destacando a importância da literatura no seu viés lúdico-intelectual, como forma de expressão espontânea.

Já com a denominação de Grupo Coesão Poética de Sorocaba, e o desenvolvimento de suas atividades ensejou-se-lhes a oportunidade de agendarem saraus mensais, enfatizando as biografias e obras de importantes escritores e poetas nacionais, mesclados às suas próprias criações e com a participação do público presente. Entre os diversos nomes em destaque, citam-se Adélia Prado, Chico Buarque, Vinícius de Moraes, Catulo da Paixão Cearense e outros.

Num dos saraus realizados na FUNDEC que foi precedido pela inusitada encenação do auto ‘Morte e Vida Severina’, de João Cabral de Melo Neto, partiu um séquito do Gabinete de Leitura, dirigindo-se pelas vias públicas, até o próprio daquela Fundação, numa espécie de cortejo fúnebre característico.

Outro emblemático evento ocorreu nas comemorações da Semana de Arte Moderna, no qual os membros do grupo travestiram-se, devidamente caracterizados, como personagens, travando um debate literário sobre o tema.

Viana e o texto que não quer calar

 

 

 

 

 

Tendo como fundadores: Tânia Maria Orsi, Aparecido Gonçalves Viana (foto), Nicanor Filadelfo Pereira, João Baptista Tomazi Filho (Córdoba), Ana Maria de Lima (Ana Lima), Messias José dos Santos (Messias Miá) e Luiz Gustavo Dias Batista (Godzila), adquiriu o status de personalidade jurídica com o registro dos seus estatutos em 03/10/2007, tendo sido considerada de utilidade pública pela Prefeitura Municipal de Sorocaba com a Lei 9.691 de 04/08/2011.

 

 

03 - Parte do grupo na fundec

 

 

O nome ‘Coesão’ tem intrigado muitas pessoas, desde a sua criação em 2005. Essa denominação advém do fato de o grupo ser composto por diversas correntes literárias, desde o Romantismo, o Modernismo, o Non-Sense, o Simbolismo e o Parnasianismo e suas variações, unidos num só ideal: o da prática poética, sua divulgação e o desenvolvimento cultural da sociedade, por uma das mais agradáveis formas de expressão, a poesia, no seu sentido lúdico e didático e, portanto, sendo unidos no mesmo ideal, são coesos.




Supremo libera publicação de biografias

A medida aprovada pelo STF confirma os principios da liberdade de expressão e evita que os livros biográficos sejam submertidos à censura prévia.

STF decide liberar publicação de biografias sem autorização prévia

Decisão unânime libera biografias publicadas em livros, filmes e novelas.
Ministros destacaram que abusos poderão levar a medidas de reparação.

Renan RamalhoDo G1, em Brasília

Por unanimidade, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram nesta quarta-feira (10) derrubar a necessidade de autorização prévia de uma pessoa biografada para a publicação de obras sobre sua vida. A decisão libera biografias não autorizadas pela pessoa retratada (ou por seus familiares) publicadas em livros ou veiculadas em filmes, novelas e séries.

Todos os nove ministros que participaram do julgamento acompanharam a relatora da ação, ministra Cármen Lúcia, que condenou em seu voto a censura prévia sobre biografias. “Pela biografia, não se escreve apenas a vida de uma pessoa, mas o relato de um povo, os caminhos de uma sociedade”, afirmou, em defesa da liberdade de expressão e do direito à informação.

Durante as discussões, os ministros do Supremo deixaram claro que eventuais abusos por parte dos biógrafos, como relato de fatos inverídicos ou ofensas à honra ou à imagem das pessoas biografadas, poderão levar a medidas de reparação, como indenizações, que terão de ser definidas pelo Judiciário.

Em seu voto, o ministro Gilmar Mendes disse que além do pagamento, outros meios poderão ser buscados para reparar danos, como publicação de uma versão com correção ou com direito de resposta. Ele também falou da possibilidade de uma decisão judicial que “suste uma publicação”.

“A proteção que se possa obter poderá ser outra que não eventualmente a indenização. Haverá casos em que certamente poderá haver justificativa até mesmo de decisão judicial  que suste uma publicação. Isso se houver justificativa. Mas não nos cabe aqui tomar essa decisão a priori”, afirmou.

Após a manifestação, Cármen Lúcia decidiu tirar de seu voto uma parte que limitava a reparação à indenização financeira. Com isso, será possível, por exemplo, a apreensão de um livro já publicado, mas somente em situações extremas.

Após o julgamento, o representante da Associação Nacional de Editores de Livros (Anel), Roberto Feith, que apresentou a ação em 2012, disse ver a decisão com muita alegria. “É a conclusão de três anos de luta dos editores. Acho que não só os editores, mas todos os brasileiros, com essa decisão, reconquistaram o direito à plena liberdade de expressão e o direito ao livre acesso ao conhecimento sobre nossa história”, afirmou ao G1.

Advogado da Anel, Gustavo Binenbojm disse que houve uma “vitória retumbante” da liberdade de expressão no país. “O que tem que ser celebrado é esse passo largo dado no caminho da plena liberdade de expressão. E é uma vitória não só dos editores, não só dos autores, é uma vitória de todos aqueles que amam a literatura, a cultura e acreditam que as palavras e as ideias podem mudar o mundo”.

Autor de uma biografia não autorizada sobre Roberto Carlos, recolhida das livrarias, o escritor Paulo César de Araújo também comemorou a decisão. “Eliminou talvez o último entulho autoritário da nossa legislação. Não tinha cabimento viver no Estado democrático de direito com censura prévia e livros apreendidos”, afirmou ao G1.

Análise
A análise no STF se deu sobre dois artigos do Código Civil. Um deles permite à pessoa proibir publicações com fins comerciais ou que atinjam sua “honra, boa fama ou respeitabilidade”. O outro diz que a vida privada é “inviolável” e que cabe ao juiz, a pedido da pessoa interessada, adotar medidas para impedir algum ato que contrarie esse preceito.

A decisão não anulou essas regras, mas afastou a possibilidade de interpretá-las de modo a proibir publicações não autorizadas.

Primeira a votar, Cámen Lúcia afimou que a liberdade de expressão e o direito à privacidade são princípios da Constituição a serem compatibilizados. Em vários trechos de seu voto, afirmou que a indenização, feita após a publicação, é a maneira de contornar abusos.

Há risco de abusos, não somente no dizer e no escrever. Mas a vida é uma experiência de riscos. A vida pede de cada um de nós coragem. E para os riscos há solução, o direito dá formas de fazer, com indenização a ser fixada segundo se tenha apurado dano. Censura é forma de cala-boca”
Cármen Lúcia,
ministra do STF

“Há risco de abusos, não somente no dizer e no escrever. Mas a vida é uma experiência de riscos. A vida pede de cada um de nós coragem. E para os riscos há solução, o direito dá formas de fazer, com indenização a ser fixada segundo se tenha apurado dano. Censura é forma de cala-boca. Isso amordaça a liberdade para se viver num faz de conta. Abusos, repito, podem ocorrer e ocorrem. Mas acontece em relação a qualquer direito”, afirmou.

“O que não admite a Constituição do Brasil é que sob o argumento de ter direito a ter trancada a sua porta, abolir-se a liberdade do outro de se expressar de pensar, de criar obras literárias especialmente, no caso, obras biográficas, que dizem respeito não apenas ao biografado, mas que diz respeito à toda a coletividade”, completou depois.

No voto, ela também enfatizou o direito da pessoa afetada por uma biografia buscar o Judiciário para obter reparação por danos morais.

“A busca pelo Judiciário é um direito, o jurisdicionado há de ser respeitado. Ele pode vencer ou perder a demanda, mas sua ação judicial é sinal de respeito ao Estado e à sociedade, muito maior que a intolerância daqueles que sequer aceitam que alguém por pensar contrário, não há de lutar pelo seu direito”, afirmou.

É impossível que se censure ou exija autorização prévia de biografias. A Corte hoje reafirma a mais plena liberdade de expressão artística, científica e literária desde que não se ofendam outros direitos constitucionais dos biografados”
Ricardo Lewandowski,
presidente do STF

Outros votos
Com algumas variações de argumentos, os demais ministros da Corte seguiram o voto da relatora para proibir necessidade de consentimento. Em sua manifestação, Luís Roberto Barroso disse que além da liberdade de expressão do biógrafo, a sociedade tem “direito de preservar a memória nacional”. “Liberdade de expressão não é garantia de verdade nem de Justiça. É garantia da democracia”, afirmou.

Em seu voto, Luiz Fux condenou a censura e argumentou que quanto maior a notoriedade de uma pessoa, menor sua privacidade. “Por que uma pessoa que participa de um reality show pode alegar em termos de privacidade, se ela permite inclusive que seja filmada dormindo?”, questionou.

Ministro mais antigo da Corte, Celso de Mello afirmou que é “intolerável qualquer ensaio de censura” pelo Estado, ainda que a pedido das pessoas. “A Constituição, ao subtrair do processo de criação literária, a interferência sempre tão nociva do poder público, mostrou-se que Estado não pode dispor de poder algum sobre palavras, idéias e sobre os modos da divulgação”, afirmou.

Ao final, o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, declarou que “não existirem direitos ou liberdades abolsutos” e destacou a possibilidade de pessoas afetadas recorrerem à Justiça. “É impossível que se censure ou exija autorização prévia de biografias. A Corte hoje reafirma a mais plena liberdade de expressão artística, científica e literária desde que não se ofendam outros direitos constitucionais dos biografados”, disse.

Entidades
Antes dos ministros, se manifestaram sobre a ação várias entidades interessadas no tema. Uma delas, o Instituto Amigo, criado por Roberto Carlos, foi representada pelo advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay.

Em sua manifestação, ele disse que o Instituto não é favorável à necessidade de consentimento prévio para a publicação, mas que o biografado possa recorrer ao Judiciário caso se sinta lesado. “Eu acho que a única censura que existe nesse processo é a censura de impedir que o cidadão que vê sua dignidade afetada, não poder procurar o Judiciário”, disse, em referência à proposta feita na ação da Anel.

Se você proíbe esse cidadão de ter acesso ao Judiciário para questionar o que ele julga ser ultrajante, você torna o biografado um pária social”
Antonio Carlos de Almeida Castro,
advogado do Instituto Amigo, de Roberto Carlos

“Se você proíbe esse cidadão de ter acesso ao Judiciário para questionar o que ele julga ser ultrajante, você torna o biografado um pária social. O pior dos criminosos tem acesso ao poder Judiciário, com direito de ampla defesa, todos os direitos inerentes ao cidadão”, disse.

O primeiro a falar no julgamento foi o advogado da Anel, Gustavo Binenbojm, que relatou a ocorrência de ordens judiciais e apreensões de livros a partir de interpretação das regras do Código Civil. Ele disse que o Judiciário tem sido usado assim para uma espécie de “censura privada” e que as biografias não servem para atender “curiosidade mórbida ou a mera bisbilhotice”.

“A biografia simultaneamente é um gênero literário e uma fonte de história, vista pela ótica dos personagens mais ou menos conhecidos que a protagonizaram”, afirmou. Ao defender defender ampla liberdade para a pesquisa e a publicação de biografias, disse que não pode haver somente versões autorizadas da história.

Como só acontece em qualquer biografia, a verdade histórica não é um dado, imposto pelo Estado ou pela versão dos protagonistas da história, mas um processo constante de construção e reconstrução”
Gustavo Binenbojm,
Associação Nacional de Editores de Livros

“Como só acontece em qualquer biografia, a verdade histórica não é um dado, imposto pelo Estado ou pela versão dos protagonistas da história, mas um processo constante de construção e reconstrução que pressupõe a pluralidade de versões, a diversidade de fontes e interpretações, cabendo a formação das convicções e opiniões à sua excelência, o leitor”, afirmou.

Na sustentação, ele defendeu que as pesquisas devem ser feitas “no limite da legalidade”. “Não há direito de se vetar eventuais obras. Isso, no entanto, não significa que a liberação de biografias possa ser feita sem análise. Não se cogita evidentemente a subtração de documentos reservados, violação de computadores, de sigilos”, disse.

Também se manifestaram no julgamento o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que defenderam a não necessidade de autorização, e também o Instituto dos Advogados de São Paulo, para quem não precisa haver autorização em caso de pessoas públicas e notórias, sobre fatos de interesse público.

Presidente da OAB, Marcus Vinícius Coêlho disse a manifestação do pensamento é “totalmente livre” na maioria das democracias. Em sua sustentação, ele disse que fatos inverídicos, ofensas à honra e calúnias poderão ser resolvidas no Judiciário com a indenização.

“Quando somente a opinião oficial pode ser divulgada ou defendida e se privam dessa liberdade as opiniões discordantes ou minoritárias, enclausura-se a sociedade em uma redoma que retira oxigênio da democracia e por consequência aumenta-se o risco de ter um povo dirigido, escravo dos governantes e da mídia, uma massa de manobra sem liberdade”, afirmou.




Artigo de Pedro Novaes: 'Roda Viva'

Foto closePedro Israel Novaes de Almeida

 

À medida em que envelhecemos, as opiniões que restam transformam-se em verdadeiras cláusulas pétreas.

São conceitos reavaliados ao longo da vida, produtos de interações e da observação dos fatos históricos. Na verdade, a sociedade sempre premiou a falta de opinião, e ainda costuma premiar com cargos e um amplo rol de amizades as pessoas que tendem a jamais discordar de algum conceito ou valor.

Existem modismos e policiamentos ideológicos que atuam no sentido de massificar os conceitos e valores humanos. Tais tendências induzem à aceitação de tudo o que é considerado progressista ou atual.

Costumes e tradições, diversos, são alvos preferidos de sociólogos amadores, perpétuos plantonistas, sempre à cata de ritos e símbolos alheios, para examiná-los sob a caolha ótica da materialista razão humana.

Firmamos, há tempos, a opinião de que a instituição das disciplinas “Educação Sexual” e “Religião” renderão, ao currículo escolar, mais dissabores que proveitos. A religião deve estar contemplada no ensino de outras disciplinas, como História, Geografia ou Sociologia, sem proselitismos ou negações.

A Educação Sexual deve ser contemplada tão somente nos quesitos de saúde e respeito humano, priorizando a discussão de temas como a gravidez precoce. Tais ensinamentos podem ser objetos de palestras, expediente pouco experimentado na maioria das escolas.

Pelo que temos lido, existe uma tendência a instruir as crianças a usarem cueca e sutiã, e decidirem, após anos assim trajadas, qual opção sexual assumirão. A ideia parece ser de que todos são exceções, à procura de regras.

Na verdade, existe um profundo desrespeito à religiosidade alheia, não raro vítima de racionalismos vulgares, incapazes de entender a fé como foro íntimo, insondável.

Não raro, os desrespeitos e afrontas surgem à pretexto da liberdade de manifestação, sustentáculo da cidadania. Tal liberdade, contudo, jamais foi absoluta, devendo sempre respeitar a integridade alheia.

As cenas que alguns trogloditas introduziram na Parada Gay, em plena avenida Paulista, foram chocantes e desrespeitosas, não caracterizando a liberdade de manifestação, mas a capacidade de infringir, impunemente, dispositivos do Código Penal.  Infelizmente, uma manifestação destinada a pregar a tolerância e respeito humano acabou por alimentar sentimentos opostos.

Sem valores, conceitos e tradições, nenhuma sociedade sobrevive, e convém preservá-los. Outrora, as invasões e desmontes eram bélicos, e hoje são culturais, transformando povo em gado.

pedroinovaes@uol.com.br

O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.