Itapetininga é cenário de exposição realizada pela In Art

angelaObras de artistas de todo o País estarão espalhadas em 16 pontos da cidade

 (matéria publicada pelo jornal Gazeta de Votorantim)

 

A Expo Art Itapetininga vai reunir 20 artistas brasileiros em uma exposição que pretende transformar a cidade em uma galeria. As 60 obras estarão espalhadas em dezesseis pontos, de 8 a 30 de junho, para visitação gratuita. O projeto é uma realização da In Art, empresa liderada pela artista plástica e produtora cultural Angela de Oliveira, e conta com direção de arte de Gabriela Nunes.

 

A cidade não foi escolhida à toa, Angela não perdeu as raízes e mantém um atelier e escritório em Itapetininga. “Decidi trazer um pouco de arte à população, por meio das obras dos artistas de todo o Brasil com os quais trabalho. Ainda que hoje eu pense e transite na arte de forma global é aqui que tudo nasce”, revela.

 

Os artistas selecionados terão uma oportunidade excepcional de mostrar suas obras na Expo Art. São eles: Ana Costalima, Adriano Dias, Elisiane Correa, Davi Antunes, Germana Zanetti, Marta Spagnol, Alemão Art,Chris Cisneiros, Elze Arruda, Estanagel, Renata Cabral, Roberta Urquiza, Nanja Brasileiro, Edmundo Cavalcanti, Dina Garcia, Camila Politi, Clara Bandeira, Felipe Gasparini, Elza Carvalho e Carmem Garrez.

 

“Gosto de reunir diversos estilos e diferentes manifestações de arte. Cada artista traz uma peculiaridade de seu estado e região do Brasil”, ressalta Angela. Em outubro, a produtora cultural levará um grupo de artistas para expor no Carrosel do Louvre. “Serão dez artistas, sendo quatro do interior de São Paulo: Elze Arruda e Clara Bandeira, de Itapetininga; Roberta Urquiza e Rosangela Vig, de Sorocaba, duas delas têm obras selecionadas para a Expo Art também”, conta.

 

As obras estarão distribuídas de acordo com o espaço disponível em cada local escolhido. Serão parte da exposição os estabelecimentos: N & C, Mistura Matarazzo, Império Joias, Sandê Esmalteria, Algazarra, Karamello, Espaço Style, Be Teen, Terceira Visão, Studio Flora Garden, Xocolat, Kiss, Consoli Romani, Pripie, SWS Home Decor, Keca Ribeiro Body & Soul.

 

 

Mais sobre a equipe IN ART:

 

Angela conta com a experiência da videoartista e produtora cinematográfica Gabriela Nunes, que está no mercado há mais de 15 anos, produzindo shows e espetáculos de grandes artistas, já tendo integrado equipes como Varekai, do Cirque du Soleil; Pear Jam Tour, Roger Walters e Circo da China.

 

Os próximos projetos contarão com a curadoria da artista plástica, galerista e curadora de arte Maria dos Anjos Oliveira. Nascida em Nisa, Portugal, é diretora do Departamento Cultural e Intercâmbio com os Países Lusófonos da Casa de Portugal, em São Paulo; e membro da Academia Lusíada de Ciências Letras e Artes. Em Portugal, é membro da Sociedade Nacional de Belas Artes e membro fundador da Fundação Luso Brasileira – Lisboa. Também é vice-presidente adjunta da Madeira Art Bienal e Malta International Art Biennale, para o Brasil; e vice-presidente da Tempra Academy – Londres.

 

Maria dos Anjos também é responsável pela área cultural e programação da Galeria de Arte da Casa de Portugal, em São Paulo, realizou dezenas de exposições de renomados artistas nacionais e internacionais, como organizadora e curadora.




Ex-prefeito de Avaré terá que devolver dinheiro à Prefeitura

Matéria publicada pelo jornal ‘A Comarca’, de Avaré refere-se ao atual secretário de Comunicações da prefeitura de Itapetininga

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EX-PREFEITO É CONDENADO A RESSARCIR COFRES DA PREFEITURA EM MAIS DE R$ 9 MILHÕES

A Bigorna 05 de junho, 2015 424 visualizações

O ex-prefeito de Avaré, Rogélio Barcheti, terá que devolver mais de R$ 9 milhões aos cofres da Prefeitura devido à perda de prazo para recorrer de uma condenação datada de julho de 2014 que transitou em julgado em abril deste ano. Na época, o caso foi publicado pela Comarca.

O ex-chefe do Executivo também teve seus direitos políticos suspensos por 8 anos, além de estar impedido de contratar com o Poder Público por 5 anos. Ele ainda terá que pagar multa de 10% do valor da condenação.

A ação, ajuizada pelo Ministério Público (MP), avaliou que Barcheti teria abusado dos vocábulos “emergência” e “urgência” em situações que não se enquadravam na definição, utilizando-se indevidamente do procedimento de dispensa de licitação para a terceirização de serviços médicos no Pronto Socorro Municipal (PS), o que teria gerado prejuízos aos cofres municipais.

Segundo o MP, após rescindir o contrato com a empresa MSM Clínica Médica de Avaré Ltda, Barcheti contratou o Instituto Hygia em 3 de outubro de 2010 por dispensa de licitação, o que não poderia ter ocorrido.

O magistrado destacou ainda que a Prefeitura teve tempo suficiente para realizar um processo licitatório para a contratação de nova empresa. “O réu já estava ciente da má prestação dos serviços médicos junto ao Pronto-Socorro pela empresa MSM Clínica Médica de Avaré Ltda desde março de 2010. Ora, se a rescisão do contrato com referida empresa somente se deu em 03/10/2010, não é possível considerar que o período de aproximadamente sete meses não seja suficiente para se realizar e concluir procedimento licitatório. Em outras palavras, o serviço médico prestado no Pronto-Socorro não correria risco de gerar prejuízo aos seus usuários, caso tivesse o administrador tomado todos os cuidados necessários para concluir a licitação em tempo hábil antes da rescisão com a empresa anteriormente contratada”.

PREJUÍZO – O juiz acrescentou ainda que “a falta de dotação orçamentária constitui, antes de qualquer coisa, mau planejamento da Administração nesse sentido, até mesmo porque durante os três anos de dispensa de licitação arcou com o pagamento das empresas contratadas, pagamento este de quantia considerável, não se podendo, pois, admitir essa razão para justificar a postura totalmente equivocada do réu”, continua a sentença.

Para Fabrício Orpheu Araújo, a ausência de um procedimento licitatório gerou prejuízos aos cofres públicos. “Além de irregular e inibidora da concorrência, a ausência de licitação e consequente forma de contratação levada a efeito causou sério prejuízo aos cofres públicos, posto que impediu a possibilidade de contratação mais vantajosa caso observada a concorrência”.

Barcheti também foi condenado à suspensão dos direitos políticos pelo prazo de 8 anos e à proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios pelo prazo de 5 anos.

Sobre a suspensão dos direitos políticos, o juiz explica que “em sendo inelegível o indivíduo que deu causa ao prejuízo ao erário, oportunidades serão abertas a pessoas que poderão demonstrar maior competência”, complementou o magistrado. (Fonte:Jornal A Comarca)




Programa 'Acessinha' chega a mais cidades do Interior

Programa de inclusão digital do Governo de São Paulo para crianças será ampliado na capital e em postos do interior

A capital paulista ganhará este ano mais quatro espaços de inclusão digital para crianças de 4 a 10 anos de idade. Criado em 2013 pelo Governo do Estado, o Acessinha funciona junto aos postos do programa Acessa SP, que oferece internet gratuita e cursos de capacitação para os cidadãos. Cidades do interior também receberão novos postos do Acessinha, projeto que oferece smartphones, tablets, videogame e smart TV com conteúdo educativo.Até maio estavam em funcionamento 31 postos do Acessinha. Com as unidades em implantação – além dos quatro na capital, serão instalados 19 em cidades do interior –, serão 54 postos até o final do ano. “O Acessinha foi criado para que as crianças usem equipamentos, como smartphones de última geração, e também desenvolvam atividades, por meio de jogos e outros conteúdos digitais”, diz Julio Semeghini, titular da Subsecretaria de Tecnologia e Serviços ao Cidadão, responsável pelo programa Acessa São Paulo.

Para que as crianças usem o espaço e participem das atividades, é necessário que um responsável preencha o cadastro. Os espaços funcionam das 8h às 17h, de segunda à sexta.

Novos postos

O Acessinha receberá quatro novas unidades na capital paulista, sendo no CIC Grajaú, Memorial da América Latina, Poupatempo do Imigrante e Poupatempo Lapa.

No interior, serão contemplados os municípios de Atibaia, Auriflama, Capivari, Descalvado, Ibitinga, Iguape, Jacupiranga, Lavínia, Marília, Mococa, Paraíso, Parnaíba, Tremembé, Vinhedo, São Vicente, Sud Menucci, além de unidades dentro dos postos Poupatempo de Limeira, Penápolis e Sertãozinho.

O programa

O Acessa São Paulo é o maior programa de inclusão digital do país, com 850 postos instalados em 600 municípios. Criado em 2000, funciona em espaços do Poupatempo ou de outros serviços do governo, como Metrô, CPTM, ETECs, Rede Bom Prato e CIC (Centro de Integração da Cidadania), ou em parceria com prefeituras. A execução do programa é da Prodesp (empresa Tecnologia da Informação do Governo), que faz a implantação do posto, capacita os monitores e faz a manutenção dos equipamentos; e da Escola do Futuro, núcleo de pesquisa da USP, que desenvolve o conteúdo.



Artigo de Celso Lungaretti: 'Vergonha! Os quatro deputados do PSOL votam a favor da cláusula de barreira!'

QUE MORAL O PSOL SEGUE, A NOSSA OU A DELES?

Do blogue Náufrago da Utopia
Foi assim em 2006. Estará sendo produzido um remake?

O companheiro Eduardo Rodrigues Vianna pede a minha opinião a respeito do comportamento do PSOL, que outrora ia às ruas repudiar a chamada cláusula de barreira e agora, dando uma guinada de 180º, alinhou-se com as forças políticas majoritárias.

Na primeira votação na Câmara Federal, os quatros deputados psolistas (Chico Alencar, Edmilson Rodrigues, Ivan Valente e Jean Wyllys) surpreendentemente concordaram com a pretensão de se privar, tanto do tempo de televisão quanto dos recursos do fundo partidário, os partidos sem nenhum representante no Congresso Nacional.

Tratando-se de uma proposta de emenda à Constituição, haverá ainda uma segunda votação na Câmara e duas no Senado –três chances de se rechaçar a também conhecida como cláusula de exclusão. E o STF poderá novamente considerá-la inconstitucional, como o fez, por unanimidade, em 2006.

Em termos práticos, os quatro votos da bancada do PSOL não decidiram nada, já que o placar foi de 369 a 39. Prevalecendo tal tendência, pouco importará se o PSOL mantiver sua nova postura ou voltar à antiga.

Por que mudou, mudou por quê?

Portanto, a questão é sobretudo de princípios.

Se o PSOL ainda pretende seguir a nossa moral (a moral revolucionária), estará traindo os seus valores ao esfaquear pelas costas o PCB, o PCO e o PSTU, agremiações do campo da esquerda que definharão de vez caso sejam submetidas a tais restrições.

Se agora adota a moral deles (a moral burguesa), não temos mais o que conversar.

Francamente, meu ceticismo é total quanto à possibilidade de que o Parlamento deles venha a ter qualquer utilidade para a nossa causa. Nem acredito que as fugazes mensagens dos nanicos de esquerda veiculadas no horário eleitoral consigam penetrar em cabeças marteladas e mesmerizadas dia e noite pela indústria cultural.

Mas, para o que realmente conta –a revolução de verdade, nas escolas, nas ruas, campos e construções, não a revolução sem povo, essa ilusão daninha de que se possa tomar o Estado por dentro, a partir de infiltrações nos três Poderes–, a esquerda precisará estar unida como nunca esteve nas últimas décadas.

O PSOL, agindo assim, em nada está contribuindo para a gestação de uma necessária frente de esquerda –ainda mais neste momento em que o quadro político favorece em muito tal iniciativa, pois os militantes fiéis aos ideais históricos do PT, indignados com a opção pelo neoliberalismo, tendem a sair do partido governista em busca de ar puro.

A falta de humildade, a eterna aspiração à hegemonia, a mentalidade de pequenos comerciantes obcecados em alavancar seus próprios negócios tomando espaço dos concorrentes, esses resquícios da mentalidade deles que teimam em perdurar no nosso meio têm grande peso no apequenamento da esquerda brasileira desde a redemocratização.

Saímos da ditadura com enorme prestígio e aura de martírio. Dilapidamos praticamente todo o capital político que havíamos acumulado na heroica resistência ao arbítrio. E, se não reencontramos o caminho da unidade revolucionária, acabaremos reduzidos à irrelevância.

NÃO NOS ILUDAMOS: AS FALCATRUAS ASSOCIADAS LOGO ESTARÃO DE VOLTA.

O FBI desarticulou momentaneamente a associação criminosa que quem sabe das coisas há muito vinha qualificando de Federação Internacional de Falcatruas Associadas. Em desespero de causa, o chefe do bando tentou abrir mão dos anéis para salvar os dedos. O mais provável, contudo, é que acabe na prisão.

Prisão em que já está o antigo godfather da Casa Bandida do Futebol. Se os brasileiros tivermos um pingo de vergonha na cara, logo se encontrará também trancafiado o cúmplice para o qual ele recentemente passou o bastão de capo di tutti capi.

Juízo Final Murídeo (ou seja, dos ratos) está sendo divertido e desopila nossos fígados –prêmio de consolação para todos que, em vão, exortamos nossas autoridades a efetuarem a desratização antes da Copa do Mundo de 2014

Isto poderia ter evitado os escabrosos 7×1, o maior vexame da Seleção Brasileira de futebol em cem anos de História e mais de mil partidas disputadas. Mas, todos os homens da presidenta foram incapazes de fazer o que parece ter sido brincadeira de criança para o FBI.

O que muda, depois de tanto som e fúria? Temo que Shakespeare estivesse certo: nada.

Assim como ao mensalão seguiu-se o petrolão, é bem provável que, dentro de alguns anos, tudo esteja como dantes no quartel de Abrantes –com os novos criminosos do colarinho branco sendo apenas um pouco mais sutis do que os ora engaiolados. Estes últimos estavam tão certos da impunidade que deram bandeira demais, negligenciando precauções óbvias como a de não fornecerem pretextos para a intervenção estadunidense.

Mas, canso de repetir, a corrupção é intrínseca ao capitalismo e subsistirá indefinidamente se não dermos fim à exploração do homem pelo homem. Enquanto os seres humanos forem tangidos dia e noite à busca sôfrega e compulsiva por riquezas, status e poder, haverá sempre os que vão trilhar atalhos criminosos para atingirem tais objetivos supremos.

Muito me orgulha ter sido um dos primeiros a reafirmar esta obviedade, quando a esquerda brasileira teve uma recaída populista no final da década passada, tomando partido por uma das facções mafiosas que disputavam um riquíssimo nicho do mercado de telefonia, ao invés de manter-se equidistante de ambas e alertar o povo que se tratava de uma briga tipo Andrés Sanchez x José Maria Marin. Não havia mocinhos, só vilões.

Em abril de 2009 divulguei um dos meus artigos que, sem falsa modéstia, considero lapidares: Combate á corrupção é bandeira da direita. Os que então não me escutaram seriam depois os mais indignados com as investigações da Polícia Federal, quando estas se voltaram contra os bons companheiros –as voltas que o mundo dá!

Permito-me citar aqui alguns trechos, pois lição que não foi aprendida tem de ser repetida:

…a desproporção entre o dano causado ao cidadão comum pelos ladrões de galinha da política e as atividades corriqueiras dos capitalistas é incomensurável.

O capitalismo nos acarreta:

  • emergências ecológicas como as alterações climáticas que ameaçam a própria sobrevivência da nossa espécie;
  • recessões desnecessárias como a atual (que ainda não se sabe se evoluirá ou não para depressão);
  • a condenação de parcela considerável da humanidade a vegetar em condições subumanas;
  • o desperdício criminoso do potencial ora existente para assegurar-se a cada habitante deste sofrido planeta o mínimo condizente com uma sobrevivência digna;
  • a mobilização permanente dos homens para atividades improdutivas e desnecessárias ao invés da redução da jornada de trabalho para que todos possam desenvolver-se plenamente como seres humanos;
  • etc. (muitos, muitos etcetera!).

E, se quisermos ficar no confronto simplista de números, ainda assim o peso da corrupção política no orçamento de cada família continuará sendo uma fração ínfima do custo do capitalismo.

Eis um exemplo bem didático: levantamento da Associação Nacional dos Executivos de finanças, Administração e Contabilidade, numa pesquisa de junho a agosto 2002, constatou que os gastos mensais com despesas financeiras atingiam 35,43% da renda familiar para as situadas entre 1 e 5 salários mínimos, que compram mais a prazo do que os ricos; 33,62% para famílias entre 5 e 10 salários mínimos; e 32,95% para famílias com renda familiar entre 10 e 20 salários mínimos. A média geral para todas as faixas de renda é 29,83%.

Ou seja, apenas o ágio que nos é extorquido pelos agiotas do sistema financeiro já consome ao redor de um terço da nossa renda familiar.

…Então, interessa aos defensores do capitalismo fazerem a patuleia acreditar que a razão maior de seus apuros econômicos são os impostos, que estes acabam sendo em grande parte desviados pelos políticos e que isto, só isto, impediria nosso país de deslanchar.

Ademais, as intermináveis denúncias de corrupção acabam minando as esperanças do cidadão comum na transformação da realidade por meio da ação política. Se tudo não passa de um lodaçal, as pessoas de bem devem mesmo é cuidar de sua vida…

De quebra, fornecem pretextos para quarteladas, sempre que os meios de controle democráticos das massas não estão funcionando a contento.

Então, Paulo Francis dizia e eu assino embaixo: denúncias de corrupção política são bandeira da direita, que acaba sendo sempre sua beneficiária final, a despeito dos ganhos momentâneos que proporcionem à esquerda.

…em vez de pegar carona nos temas que a imprensa burguesa prefere magnificar, cabe à esquerda definir sua própria pauta e explicá-la aos cidadãos.

A corrupção política não é nossa prioridade, mas sim o combate ao capitalismo, verdadeira raiz dos principais males que infelicitam os brasileiros.

Precisamos ter a coragem de assumir a posição correta diante do povo, ao invés de tentar combater o inimigo num jogo de cartas marcadas, travado no terreno que só a ele convém.




Artigo de Marcelo Paiva Pereira: 'Intervenção urbana em favelas'

favelaINTERVENÇÃO URBANA EM FAVELAS

No Brasil as favelas tem sido objeto de políticas de intervenção desde os anos 30 do século XX, em razão de suas influências espaciais e sociais nas áreas urbanas. Em três são os principais tipos de política de intervenção, na ordem temporal de surgimento:

  1. desfavelamento;
  2. reurbanização;
  3. urbanização.

Referidas políticas de intervenção vem sendo praticadas desde o surgimento de cada até o presente, na razão do interesse público para as peculiaridades de cada favela. Serão examinadas como abaixo seguem.

Do Desfavelamento

Esta intervenção urbana é um processo de erradicação de favelas e teve início nos anos 30 – e 40 – do século XX em diferentes cidades brasileiras, permeado por um contexto de modernismo existente à época.

Quando da proclamação da República – aos 15.11.1889 – a corrente filosófica dominante no Ocidente era o Positivismo de Auguste Comte, a qual atribuía natureza científica às ciências sociais, tornando-as mais rigorosas e menos especulativas nas pesquisas e teorias.

Foi sob essa corrente que o Brasil proclamou a República e reorganizou-se legislativamente com codificações normativas infraconstitucionais, das quais o Código Civil de 1916 e o Código Penal de 1940 foram expoentes que revogaram, respectivamente, as Ordenações do Reino e a Consolidação das Leis Penais, visando à positivação do conhecimento e das ciências sociais (das quais o Direito faz parte). Dentro desse panorama estavam as vertentes do modernismo e do sanitarismo.

Quanto ao modernismo, este tem o escopo de inovar em todas as frentes do conhecimento, criando novos conceitos e valores em substituição dos anteriores, provocando a ruptura do historicismo que até então permeava as cargas valorativas das sociedades. No Brasil, entendeu-se pela supressão de todos os valores e culturas existentes antes da República, como era a escravidão e tudo o quanto a ela se assemelhasse. Nas cidades brasileiras da época os cortiços e as favelas eram os ambientes dos ex-escravos e outras pessoas sem raiz (solidez patrimonial e familiar), devendo ser removidos do ambiente urbano (modernista) que se pretendia inaugurar.

Quanto ao sanitarismo, este tem o escopo de eliminar todos os focos de propagação de doenças e epidemias no ambiente urbano, porém, desprovido de recursos tecnológicos (mais) eficazes. Esta carência tecnológica limitava as possibilidades de combate às doenças e criava aversão pelos ambientes inadequados (insalubres) ao bem estar individual e social. Nas cidades brasileiras da época, os cortiços e as favelas eram os ambientes mais hostis ao sanitarismo, devendo ser removidos do ambiente urbano.

O desfavelamento consiste em retirar os favelados do ambiente urbano em que se encontram e realoca-los em locais periféricos, ainda que em habitações adequadamente planejadas e construídas para recebe-los. O gravame resultante foi o distanciamento dos locais de trabalho e da infraestrutura urbana, como são exemplos o serviço de transporte público e as áreas de comércio, serviços e lazer.

Aludido tipo de intervenção urbana foi muito utilizado nas cidades do Rio de Janeiro (1930 até 1970), Recife (final dos anos 30 do século XX) e São Paulo (1971 em diante). São exemplos de desfavelamento as obras da Vila Kennedy, Vila Aliança e Vila Esperança, todas na cidade do Rio de Janeiro (década de 60 do século XX).

Da Reurbanização

A reurbanização teve início na década de 70 do século XX, que experimentou vertiginoso crescimento das cidades – e das favelas – e é um processo resultante da reação ao desfavelamento, tendo por preservar onde se encontra o morador da favela, mas beneficiando-o por serviços urbanos e construções mais adequadas à moradia e ao bem-estar. É, pois, o direito à localização na cidade que se tornou o bem maior do favelado e objeto de interesse público (e político).

O morador da favela quer mais do que mera habitação: a ele interessam os equipamentos públicos existentes nas cidades, os quais favorecem a circulação de pessoas, serviços e bens e que também permitem o lazer.

A cidade do Rio de Janeiro abraçou essa ideia, aproveitando-se dos modelos de habitações em construção na Europa do pós-guerra, cujas cidades foram devastadas pelas Forças Armadas dos Aliados e da Alemanha nazista, que lá se enfrentaram (1939-45).

As habitações populares do Pedregulho, do Conjunto Marquês de São Vicente e Catacumbas são exemplos desse processo de intervenção, construídos entre 1946 e 1958. Foram construídos no mesmo local onde antes havia favelas, porém, todas periféricas à cidade do Rio de Janeiro (assemelhando-se ao desfavelamento).

Paralelamente ao poder público carioca, a Igreja Católica também promoveu ações de reurbanização de favelas na cidade do Rio de Janeiro, através da instituição intitulada Cruzada São Sebastião, criada em 1955 por D. Helder Câmara, como abaixo seguem:

  1. na favela Parque da Alegria, ocorreu a (re)urbanização pelo sistema cooperativista e de esforço próprio, mediante permissão da EFCB – Estrada de Ferro Central do Brasil – proprietária dos terrenos;
  2. no bairro de São Sebastião, no Leblon, removeu as favelas existentes para atender às obras dos parques proletários e dos prédios residenciais;
  3. na favela Morro Azul, uma parte dos favelados, que habitava as áreas de risco, foi removida para um edifício construído nessa favela, enquanto os demais permaneceram em seus locais de moradia, mas todos beneficiados por melhorias (sistema viário, escadas, bicas d’água, esgoto, etc.).

Em 1966 o escritório Quadra Arquitetos inovou no tratamento dado à reurbanização de favelas, ao prestar assessoria aos moradores, conduzindo os trabalhos de reurbanização com técnicas arquitetônicas e urbanísticas. As favelas que tiveram essa assessoria foram do Catumbi e Brás de Pina.

Nesse momento discutia-se o desenho urbano das favelas e as alternativas de remodelação menos gravosas do que a remoção. Mas os entraves da legislação urbanística impediam a reprodução urbana nas favelas nos moldes exigidos pelas administrações públicas.

O poder público assumiu a questão das favelas através de suas secretarias ou de divisões de assistência social, tendo desenvolvido projetos para várias favelas, como são exemplos a favela do Gato em Niterói, a de Brasília Teimosa em Recife e a de Alagados, em Salvador. No que se refere ao tratamento jurídico do uso do solo pelos favelados, eles somente poderiam utiliza-lo para moradia, e não para serviços nem comércio.

Na cidade de São Paulo, a favela Recanto da Alegria foi objeto de reurbanização (1985) promovida pelo Laboratório de Habitação da Faculdade de Arquitetura Belas Artes, coordenado por Nabil Bonduki.

Nessa favela – assim como em outras assistidas pela prefeitura paulistana – eram demolidas todas as casas, o local era reparcelado e reconstruídas as casas com infraestrutura; mas, diferentemente das outras favelas, a do Recanto da Alegria apresentou desenho urbano e processo de execução diferenciados, cujos projetos foram adaptados às necessidades de cada morador e a execução das obras foi em mutirão.

A reurbanização das favelas ocorreu em muitas cidades, das quais se destacam Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Vitória e Santos. Cabe salientar que, na reurbanização de favelas, é “conditio sine qua non” a demolição dos barracos e casas precárias e a construção de habitações com infraestrutura adequadas ao bem estar. O gravame é o elevado custo para os cofres públicos e as dificuldades de realocação dos favelados durante as obras.

Da Urbanização

A urbanização de favelas foi o resultado de experiências bem sucedidas em favelas das cidades do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte em introduzir infraestrutura urbana parcial para minimizar os gravames nelas existentes. Para assim fazerem, desenvolveram novos padrões de infraestrutura básica a elas, visando ao fornecimento de energia elétrica e água das redes públicas.

Em Belo Horizonte, desenvolveu-se o “kit” de iluminação pública, consistente em poste metálico mais leve e mais barato, muitas vezes sem medidor de consumo e com baixas cargas. Foi um marco, inovador, para urbanizar as favelas a baixo custo ao poder público. Em seguida, utilizou-se do PEAD, tudo de polietileno flexível para fazer a distribuição de água aos favelados.

Para coletar os esgotos, criou-se o esgoto condominial em Pernambuco, chamado de esgoto comunitário no Rio de Janeiro. A argamassa armada, desenvolvida pelo arquiteto João Filgueiras Lima – vulgo Lelé – para canalizar córregos e as escadas drenantes foram utilizadas em favelas de Salvador. A argamassa armada também foi acolhida para canalizar córregos em favelas de São Paulo, Itapevi e Rio de Janeiro.

A característica da urbanização é a preservação da maioria das habitações nas favelas, demolindo somente as de elevado risco e as necessárias para a abertura de vias públicas ou para canalização de córregos ou esgotos. Neste processo não se derrubam as casas (como ocorre na reurbanização), para reduzir custos ao poder público. Na urbanização de favelas há a introdução de equipamentos públicos adaptados à realidade espacial e econômica dos moradores, com vistas à melhoria da qualidade de vida deles nesse mesmo local.

Da urbanização integrada

Referido subtítulo se reporta ao processo de urbanização de favelas, criado em 1983 pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social – SMDS – do município do Rio de Janeiro, com a finalidade de estruturar ações permanentes nas favelas.

À luz desse processo, desenvolveu-se o conceito de ação planejada e ampla em favelas, batizada de urbanização simplificada. Para arrecadar recursos externos à prefeitura, a SMDS criou o Programa de Urbanização Integrada, com o qual visava a ações plurianuais de urbanização – e não mais obra a obra, como antes se fazia.

Referido processo de urbanização teve início nos anos 80 do século XX, quando as prefeituras assumiram as favelas como realidade social e urbana, indissociável das questões urbanísticas dos seus municípios.

Nesse processo de urbanização integrada, as favelas devem ser beneficiadas com a total integração das suas habitações à infraestrutura urbana, sendo esta a dos acessos ao transporte, água, esgoto, drenagem, coleta de lixo, luz, iluminação pública, pavimentação, paisagismo e mobiliário urbano, com a legislação do planejamento urbano do município.

Da urbanização de favelas como política urbana e social

Em três são os programas de urbanização integral de favelas que mereceram destaque em razão do arrojo experimentado e dos profissionais envolvidos:

  1. programa de urbanização de favelas de São Paulo na gestão de Luíza Erundina (1989 a 1992);
  2. programa de saneamento ambiental do reservatório de Guarapiranga (1992; 1995 em diante);
  3. programa favela-bairro do Rio de Janeiro na gestão de César Maia (1993 a 2008).

Em relação ao programa de urbanização de favelas de São Paulo na gestão de Luíza Erundina (1989 a 1992), inovou-se às favelas visando, com o mais amplo atendimento, responder à necessidade global dos assentamentos de acessarem a infraestrutura e o saneamento básico.

Pretendeu-se com essa inovação em fazer obras em diversas favelas a baixo custo e com padrões urbanísticos passíveis de incorporação à manutenção urbana. Nabil Bonduki – arquiteto superintendente da HABI (setor responsável por habitação social na SEHAB – independente da COHAB) – definiu a diretriz básica de urbanização sem demolições.

Os profissionais envolvidos foram bem sucedidos na elaboração de uma estrutura gerencial capaz de multiplicar as ações, descentralizando os contatos e o desenvolvimento dos programas de necessidade a cada favela e centralizando as licitações e o acompanhamento dos projetos e obras.

Em relação ao programa de saneamento ambiental do reservatório de Guarapiranga (1992; 1995 em diante), o propósito foi recuperar esse reservatório para o abastecimento de água à região metropolitana, em razão das favelas à sua margem liberarem esgotos ou por impedirem a implantação de redes de esgotos aos bairros vizinhos. Nesse programa, as favelas eram os agentes acessórios – e não os principais – de sua execução.

Em relação ao programa favela-bairro do Rio de Janeiro na gestão de César Maia (1993 a 2008), incorporaram-se ações de ampliação de oportunidades de melhoria das condições socioeconômicas aos favelados, valendo-se de programas de geração de renda e emprego e de construção de equipamentos sociais nas favelas.

O programa favela-bairro incorporou em seus projetos equipamentos públicos, áreas verdes e de esportes. Também admitiu a construção de algumas unidades para locação comercial, inclusive para pessoas externas à favela. Inovou, esse programa, na criação do POUSO – Posto de Orientação Urbanística e Social – que tem a finalidade de evitar a ocupação dos espaços públicos da favela por outras construções e a deterioração das obras; também inovou na coleta de lixo ao criar o gari comunitário, que faz a coleta do lixo de maior porte, móveis velhos, entulhos e etc., paralelamente à coleta do sistema público, que coleta o lixo nas ruas acessíveis e nos pontos de transbordo (local para onde vai o lixo coletado pelos garis comunitários).

DA CONCLUSÃO

O tema aborda três tipos de intervenção urbana em favelas, as quais surgiram ao longo do tempo em momentos distintos, coexistindo na razão dos interesses políticos e econômicos de cada período em que a sociedade entendia a urbanização e seus efeitos sociais.

Enquanto no início do século XX a urbanização foi entendida como sinônimo de ordem social e progresso tecnológico e científico, a erradicação das favelas (o desfavelamento) dos centros urbanos era a posição dominante do poder público – e da própria sociedade. Neste período a insalubridade era um gravame perigoso à saúde pública, havendo precárias técnicas de combate às doenças e endemias.

A reurbanização melhorava a qualidade das moradias dos favelados, mas era executada em favelas na periferia dos centros urbanos, de modo a deixar os moradores à margem dos benefícios dos serviços e equipamentos públicos das cidades. Também era muito onerosa aos cofres públicos.

A urbanização integrada foi o modelo mais adequado aos poderes públicos quanto à relação custo-benefício, inclusive para os moradores das favelas, visto ser executada com equipamentos planejados, de menor custo, e com maior diversidade de equipamentos públicos, introduzindo-se praças arborizadas, quadras esportivas e outros, do interesse de cada comunidade de favelados.

A intervenção urbana em favelas era tratada como gravame de ordem pública e social, posta à margem dos planejamentos urbanos. A partir da década de 80 do século XX foram tratadas pelos poderes públicos como questão urbana, fazendo parte do tecido urbano e dos gravames das cidades, devendo ser objeto de soluções urbanas integradas.

Qualquer delas é garantida pelo direito à moradia, expressamente prevista no art. 5º, XXII e XXIII, da Constituição Federal, que tratam do direito à propriedade e à função social da propriedade, corroborada pelo art. 1228, caput e §§ 1º ao 5º, do Código Civil, além de outros diplomas legais.

Em suma, a intervenção em favelas é uma realidade indissociável da vida nas cidades, devendo os poderes públicos operarem no tecido urbano em geral e nas favelas em especial com o fito de as integrarem ao ambiente urbano e atingir o bem estar dos favelados e dos demais habitantes urbanos. Nada a mais.

 

Marcelo Augusto Paiva Pereira.
(o autor é aluno de graduação da FAUUSP)

 

BIBLIOGRAFIA

OBRAS PESQUISADAS

ASSIS, Olney. Aulas de sociologia do direito. Complexo Educacional Damásio de Jesus. Não publicado. Nov/dez. 2010.

BRASIL. Código Civil. Código de Processo Civil. Código Comercial. Constituição Federal. Legislação Civil, Processual Civil e Empresarial. Organizado por Yussef Said Cahali, 13ª ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais.

BRASIL. Código Penal. Código de Processo Penal. Constituição Federal. Legislação Penal e Processual Penal. Organizado por Luiz Flávio Gomes, 13ª ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais.

BUENO, Laura Machado Mello. Projeto e Favela: metodologia para projetos em urbanização. Capítulo 4: Desenvolvimento dos Métodos de Ação e Projeto em Favela, FAUUSP, 2000, págs. 161 a 206.

 

SITES PESQUISADOS

RIOONWATH.ORG.BR. Disponível em:<http://rioonwatch.org.br/?p=5042> Acessado aos 25.04.2015.

RIO.RJ.GOV.BR. Disponível em: <http://www0.rio.rj.gov.br/habitacao/favela_bairro.htm> Acessado aos 25.04.2015.

CIDADESDOBRASIL.COM.BR. Disponível em:   <http://cidadesdobrasil.com.br/cgi-cn/news.cgi?arecod=5&cl=099105100097100101098114&newcod=596> Acessado aos 25.04.2015.




Artigo de Celio Pezza: 'Rejeição contra o PT'

Foto closeCelio Pezza – Crônica # 265

 

O governo encomendou pesquisas para entender a enorme rejeição atual que o povo brasileiro tem pelo PT.

Alguns marqueteiros do governo dizem que é preciso “desconstruir” o discurso da oposição.

Ora, não é preciso gastar mais do nosso dinheiro para ver o óbvio.

O PT traiu seus próprios ideais ao longo do tempo, quando permitiu que a maior onda de corrupção tomasse contra do país.

Um partido que se dizia contra os corruptos não poderia nunca agir dessa forma e, hoje, é muito pior do que todos aqueles que ele combatia no seu início, para decepção de muita gente que acreditou no partido.

Alguns dizem que uma parte da sociedade (zelites) tem ódio do PT; na verdade, grande parte da sociedade não tem ódio e sim indignação contra um bando de corruptos que montou um plano para sugar ao máximo as riquezas do Brasil.

Quem tenta dividir o país pelo ódio na verdade é o PT, com seus discursos absurdos, como o caso da filósofa petista Marilena Chauí que, perante uma assembleia do PT, berrou sob os aplausos de Lula: “odeio a classe média, pois é o que tem de pior, reacionário, conservador, ignorante, petulante, arrogante”.

Da mesma forma, o próprio Lula fala toda hora sobre uma “herança maldita” quando se refere ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e se esquece de mencionar alguns de seus grandes feitos na economia do país, como o controle da inflação.

Esse mesmo Lula que joga pobres contra ricos, empregados contra patrões, tentando dividir o país, quando é perguntado sobre roubos e corrupção dentro do seu partido, aí não sabe de nada.

Existe sim, muita indignação no país.

Indignação contra a arrogância dos governantes, contra a incompetência, corrupção e a mania de sempre querer transferir a culpa para o outro.

O PT fez de tudo para ganhar as eleições para, em seguida, fazer exatamente o contrário do que pregou durante sua campanha e mergulhar o país numa economia caótica. De quem é a culpa? Será que vão gastar mais dinheiro com marqueteiros e mídia tentando enganar o povo e dizendo que são vítimas e não culpados?

Quem viu o Lula debochando dos pastores, dizendo que a culpa de todos os males é o diabo, e a resposta do pastor Silas Malafaia, entende quem é o grande vilão da história. Recomendo que assistam na internet, independente de sua formação religiosa.

https://www.youtube.com/watch?v=R70-lVXQbfI

 

 Célio Pezza

Junho, 2015




Artigo de Celso Lungaretti: 'Foi bonita a festa, pá, fiquei contente. Mas, logo tudo estará como dantes no quartel de Abrantes…'

NÃO NOS ILUDAMOS: AS FALCATRUAS ASSOCIADAS LOGO ESTARÃO DE VOLTA.

Do blogue Náufrago da Utopia

O FBI desarticulou momentaneamente a associação criminosa que quem sabe das coisas há muito vinha qualificando de Federação Internacional de Falcatruas Associadas. Em desespero de causa, o chefe do bando tentou abrir mão dos anéis para salvar os dedos. O mais provável, contudo, é que acabe na prisão.

Prisão em que já está o antigo godfather da Casa Bandida do Futebol. Se os brasileiros tivermos um pingo de vergonha na cara, logo se encontrará também trancafiado o cúmplice para o qual ele recentemente passou o bastão de capo di tutti capi.

Juízo Final Murídeo (ou seja, dos ratos) está sendo divertido e desopila nossos fígados –prêmio de consolação para todos que, em vão, exortamos nossas autoridades a efetuarem a desratização antes da Copa do Mundo de 2014

Isto poderia ter evitado os escabrosos 7×1, o maior vexame da Seleção Brasileira de futebol em cem anos de História e mais de mil partidas disputadas. Mas, todos os homens da presidenta foram incapazes de fazer o que parece ter sido brincadeira de criança para o FBI.

O que muda, depois de tanto som e fúria? Temo que Shakespeare estivesse certo: nada.

Assim como ao mensalão seguiu-se o petrolão, é bem provável que, dentro de alguns anos, tudo esteja como dantes no quartel de Abrantes –com os novos criminosos do colarinho branco sendo apenas um pouco mais sutis do que os ora engaiolados. Estes últimos estavam tão certos da impunidade que deram bandeira demais, negligenciando precauções óbvias como a de não fornecerem pretextos para a intervenção estadunidense.

Mas, canso de repetir, a corrupção é intrínseca ao capitalismo e subsistirá enquanto não dermos fim à exploração do homem pelo homem.

Muito me orgulha ter sido um dos primeiros a reafirmar esta obviedade, quando a esquerda brasileira teve uma recaída populista no final da década passada, tomando partido por uma das facções mafiosas que disputavam um riquíssimo nicho do mercado de telefonia, ao invés de manter-se equidistante de ambas e alertar o povo que se tratava de uma briga tipo Andrés Sanchez x José Maria Marin. Não havia mocinhos, só vilões.

Em abril de 2009 divulguei um dos meus artigos que, sem falsa modéstia, considero lapidares: Combate á corrupção é bandeira da direita. Os que então não me escutaram seriam depois os mais indignados com as investigações da Polícia Federal, quando estas se voltaram contra os bons companheiros –as voltas que o mundo dá!

Permito-me citar aqui alguns trechos, pois lição que não foi aprendida tem de ser repetida:

…a desproporção entre o dano causado ao cidadão comum pelos ladrões de galinha da política e as atividades corriqueiras dos capitalistas é incomensurável.

O capitalismo nos acarreta:

  • emergências ecológicas como as alterações climáticas que ameaçam a própria sobrevivência da nossa espécie;
  • recessões desnecessárias como a atual (que ainda não se sabe se evoluirá ou não para depressão);
  • a condenação de parcela considerável da humanidade a vegetar em condições subumanas;
  • o desperdício criminoso do potencial ora existente para assegurar-se a cada habitante deste sofrido planeta o mínimo condizente com uma sobrevivência digna;
  • a mobilização permanente dos homens para atividades improdutivas e desnecessárias ao invés da redução da jornada de trabalho para que todos possam desenvolver-se plenamente como seres humanos;
  • etc. (muitos, muitos etcetera!).

E, se quisermos ficar no confronto simplista de números, ainda assim o peso da corrupção política no orçamento de cada família continuará sendo uma fração ínfima do custo do capitalismo.

Eis um exemplo bem didático: levantamento da Associação Nacional dos Executivos de finanças, Administração e Contabilidade, numa pesquisa de junho a agosto 2002, constatou que os gastos mensais com despesas financeiras atingiam 35,43% da renda familiar para as situadas entre 1 e 5 salários mínimos, que compram mais a prazo do que os ricos; 33,62% para famílias entre 5 e 10 salários mínimos; e 32,95% para famílias com renda familiar entre 10 e 20 salários mínimos. A média geral para todas as faixas de renda é 29,83%.

Ou seja, apenas o ágio que nos é extorquido pelos agiotas do sistema financeiro já consome ao redor de um terço da nossa renda familiar.

…Então, interessa aos defensores do capitalismo fazerem a patuleia acreditar que a razão maior de seus apuros econômicos são os impostos, que estes acabam sendo em grande parte desviados pelos políticos e que isto, só isto, impediria nosso país de deslanchar.

Ademais, as intermináveis denúncias de corrupção acabam minando as esperanças do cidadão comum na transformação da realidade por meio da ação política. Se tudo não passa de um lodaçal, as pessoas de bem devem mesmo é cuidar de sua vida…

De quebra, fornecem pretextos para quarteladas, sempre que os meios de controle democráticos das massas não estão funcionando a contento.

Então, Paulo Francis dizia e eu assino embaixo: denúncias de corrupção política são bandeira da direita, que acaba sendo sempre sua beneficiária final, a despeito dos ganhos momentâneos que proporcionem à esquerda.

…em vez de pegar carona nos temas que a imprensa burguesa prefere magnificar, cabe à esquerda definir sua própria pauta e explicá-la aos cidadãos.

A corrupção política não é nossa prioridade, mas sim o combate ao capitalismo, verdadeira raiz dos principais males que infelicitam os brasileiros.

Precisamos ter a coragem de assumir a posição correta diante do povo, ao invés de tentar combater o inimigo num jogo de cartas marcadas, travado no terreno que só a ele convém.