Arouche Aberto

Quatro Cinco Um, Tinta-da-China Brasil e Ubu abrem as portas para receber leitores e livreiros

Publicações da Quatro Cinco Um, Tinta-da-China Brasil e Ubu
Publicações da Quatro Cinco Um, Tinta-da-China Brasil e Ubu
Foto: Divulgação

Nesta sexta-feira, 15, e no sábado, 16 de dezembro, a Quatro Cinco Um e a Tinta-da-China Brasil, em parceria com a editora Ubu, abrem suas portas para leitores e livreiros conhecerem a revista, a editora e a equipe da Associação Quatro Cinco Um e da Ubu e comprarem livros e revistas.

As editoras e a redação da revista compartilham um espaço no Largo do Arouche, na sala ao lado das equipes da Maré Produções (correalizadora d’A Feira do Livro com a Quatro Cinco Um) e da Pro Helvetia América do Sul, junto também de uma população flutuante de trabalhadores da cultura que frequenta o mezanino com janelas para as bancas de flores do Arouche.

Esta é a quarta edição do evento, apelidado de “Arouche aberto”. Como nas edições anteriores, o público está convidado a conversar com a equipe e desvendar os bastidores da produção de livros e revistas, além de poder comprá-los com descontos e conhecer os planos de assinatura da revista dos livros. Os livros da Tinta-da-China Brasil estão com descontos que vão de 20% a 40% (sendo 40% exclusivo para assinantes da revista Quatro Cinco Um). E, repetindo a participação do ano passado, a marca especializada em torrefação de cafés Dora Coffee Roaster estará presente com seus cafés especiais.

CULTURA DO LIVRO

A Associação Quatro Cinco Um é uma organização sem fins lucrativos que, desde 2017, divulga a produção editorial brasileira e promove a cultura do livro, tanto por meio de uma revista mensal e seu site, quanto na realização de eventos como A Feira do Livro, clubes de leitura, curadorias e a publicação de livros por seu selo editorial Tinta-da-China Brasil.

A Ubu, editora lançada em 2016, publica edições caprichadas nas áreas de antropologia, filosofia, psicanálise, literatura clássica, design e artes visuais — tanto obras canônicas nessas áreas, quanto as que surgem dos debates mais urgentes do momento. Criou também o Circuito Ubu, clube de leitura e assinatura de livros.

SERVIÇO

Sexta, 15/12, das 10h às 19h
Sábado, 16/12, das 11h às 19h
Largo do Arouche, 161, sobreloja 2 — República, São Paulo

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Jornalista escreve seu primeiro livro infantil

Escrito em apenas duas horas, a obra traz uma história lúdica sobre a chegada de um segundo filho e leva a reflexão sobre laços familiares

Capa do livro 'A Chegada de um Irmão e um Monte de Confusão'
‘A Chegada de um Irmão e um Monte de Confusão’
Divulgação Lucky Assessoria

Foi em uma noite de insônia, durante a pandemia de 2020, que a jornalista e assessora Luciene de Oliveira redigiu ‘A Chegada de um Irmão e um Monte de Confusão‘, livro voltado para crianças entre 4 e 5 anos. A autora delineou a narrativa em duas horas, ajustando-a para a faixa etária.

Luciene de Oliveira
Luciene de Oliveira
Divulgação Lucky Assessoria

“Não existiu um processo de desenvolvimento. Eu estava no meio da pandemia, em 2020, sem conseguir dormir… a história começou a vir em minha cabeça, em rimas. Escrevi tudo em duas horas”, conta Luciene. A trama aborda a experiência de Tereza, que, sendo filha única, enfrenta a notícia da iminente chegada de um irmão. O livro serve como recurso para pais e educadores discutirem mudanças familiares com os pequenos.

A narrativa explora as emoções vivenciadas por um irmão mais velho diante da revelação da gravidez, lidando com uma gama de sentimentos, desde a alegria pela possibilidade de ter um parceiro de brincadeiras até ciúmes e tristeza pela percepção de uma eventual perda de exclusividade. Luciene, mãe de dois meninos, buscou trazer uma visão lúdica e peculiar da experiência de uma criança ao descobrir a expansão da família.

A trajetória de Tereza transcende a realidade, proporcionando uma exploração profunda das sensações que surgem diante da chegada de um novo membro à família, em meio aos desafios e descobertas desse período singular.

Mais que uma história, o livro convida a criança a explorar suas emoções. A linguagem e as ilustrações visam cativar, proporcionando uma experiência que incentiva a imaginação e compreensão emocional. Obras que abordam temas complexos como a chegada de um irmão desempenham um papel crucial no desenvolvimento das crianças, proporcionando uma abordagem acessível para explorar e assimilar seus sentimentos.

Essas narrativas são ferramentas valiosas para facilitar diálogos abertos sobre experiências familiares e ajudar as crianças a processarem emoções de maneira saudável. Ao oferecer uma representação sensível dessas situações, os livros não apenas auxiliam na construção da empatia, mas também fornecem um meio para as crianças articularem suas próprias sensações, promovendo o desenvolvimento de habilidades interpessoais desde a infância.

No cenário nacional, a literatura infantil que lida com temas familiares tem ganhado destaque, refletindo a crescente conscientização sobre a importância da saúde emocional nas primeiras fases da vida. Autores brasileiros têm se dedicado a criar histórias que refletem a diversidade de experiências familiares, oferecendo narrativas que abrangem diferentes contextos culturais e sociais.

Esse movimento no universo literário infantil nacional contribui não apenas para o enriquecimento da literatura, mas também para a construção de uma sociedade mais sensível e capaz de lidar com questões emocionais de maneira saudável desde a infância. “Falar dos sentimentos das crianças, de forma lúdica e simples, é muito importante para o desenvolvimento emocional. Tereza vai inspirar muitas crianças e famílias”, pontua Luciene.

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Suicidas

Resenha do conto “Suicidas”, de Fernanda Sanson Durand.

RESENHA

Um conto policial que irá te prender do início ao fim.

Na cidade de Vera Cruz, pacata e monótona, de repente começa a ter acontecimentos super estranhos.

Algumas mortes sem explicação estão intrigando o delegado e sua nova assistente.

Mas um fato fará com que a trama fique mais complexa.

Duvido que você descubra o que acontece em Vera Cruz antes do final do conto.

Se descobrir, me conta!!

Assista à resenha do canal @oqueli no Youtube

SINOPSE

Em uma cidade que é puro marasmo, acontecem três suicídios em sequência.

As investigações levam a um homem sinistro, contra quem há todas as suspeitas, mas nenhuma prova.

Neste conto policial, você vai atiçar seus instintos investigativos e tentar descobrir o porquê dos SUICIDAS.

SOBRE A OBRA

Fernanda nos conta que este conto foi escrito para participar de uma antologia que acabou não vingando.

Sendo assim, ela engavetou o conto e o deixou hibernando por dois anos.

Mas ela decidiu que já chegara a hora deste conto ganhar vida por si só e não em uma antologia.


Escrevo sempre pensando no caminho “do personagem para dentro”, nas inúmeras camadas a serem percorridas em busca da essência humana. Uma eterna inspiração no “Conhece-te a ti mesmo” socrático.

Fernanda Sanson Durand


SOBRE A AUTORA

Fernanda Aparecida Sanson Durand, 47 anos, paulista de Santa Cruz do Rio Pardo.

Foto de Fernanda Sanson Durant, autora de Suicidas.

Já morou em várias cidades, e hoje está morando em Santos – SP.

Advogada, servidora pública junto à Advocacia Geral da União.

Tem como hobby o estudo da Filosofia à maneira clássica e escreve ficção com viés psicológico/filosófico.

Suas obras:

  • Romances:
  • 2021 – O ESPELHO DE JOSÉ ;
  • 2023 – EU, MINHA MÃE E O FUSCA (ebook)
    Contos:
  • 2022 – conto A TÍPICA;
  • 2023 A CASA DA VIÚVA, A TALENTOSA ESTILISTA e SUICIDAS (ebook)

OBRAS DA AUTORA

Imagem da capa do Ebook "Suicidas " de Fernanda Sanson Durand

Capa do livro " O Espelho de José" de Fernanda Sanson Durand, pela Editora Página Nova.

Capa do Ebook: "Eu, minha mãe e o Fusca" de Fernanda Sanson Durand.

ONDE ENCONTRAR


Resenhas da colunista Lee Oliveira




Recordações de um matuto amor

Amanda Quintão: Poema ‘Recordações de um matuto amor’
(Poema em mineirês)

Amanda Quintão
Amanda Quintão

Que sardade daquele tempim bão de dolescente.

Que nois inventava moda por aí,

Garrado na cacunda um do ôto,

Pulano que nem cabrito, felizes que nem pinto no lixo.

A gente proseava, cantava junto, contava causos e tu era memo enrabichado por mim.

Eu era moça lora, formosa, do lado do moço moreno, bunito que só veno.

Isturdia, rachei os bico ao lembrá das trapaiada que nois fazia.

Nois era igual carne e unha,

Era cada trem de doido!

Amor sem juízo, amor matuto,

Amor vivido na roça,

Ô lasqueira! Causdiquê que o tempo passô? 

Agora só lembrança sobrô,

daquele amor treteiro, manhoso.

Daquele matuto amor.

Amanda Quintão

Cordeiro de Minas , Caratinga, Minas Gerais.

( Poesia premiada, segunda colocação no concurso de poesia: Almanaque 2021: saberes e falares regionais da língua portuguesa.  Medalha de prata.)

Contatos com a autora

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Dança Solo Cisne

Ella Dominici: Poema ‘Dança Solo Cisne’

Ella Dominici
Ella Dominici
Um cisne branco
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Cisne é solitário, em colo claro, 

poetisa deslizando íntimo 

sobre si mesmo sobram-lhe penas 

oleaginosas vertiginosas 

Apenas elas…brancas ou negras escorregadas noturnas desamadas

Alma de cisne em transcendência 

retratando o glorioso símbolo 

feminina lenda despida de terra 

de água concubina das essências 

Caçada pela dramaturga vida

 que envenena a platônica coreografia 

anunciando última cena na dança 

dos aplausos ao solo em poesia

Ella Dominici

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O vinho

Isabel Furini: Poema ‘O vinho’

Isabel Furini
Isabel Furini
"no vinho permanece ativa a substância das uvas que deu origem aos sonhos de Dionísio e ao teatro"
“no vinho permanece ativa a substância das uvas que deu origem aos sonhos de Dionísio e ao teatro
Criador de imagens do Bing

no vinho

permanece ativa

a substância 

das uvas

que deu origem

aos sonhos de Dionísio

e ao teatro

no cálice

dormem a alegria

das uvas

e os risos 

nos lábios

o vinho acorda

o sabor do pecado.

Isabel Furini

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Glória a Deus!

Ivete Rosa de Souza: ‘Glória a Deus!

Ivete Rosa de Souza
Ivete Rosa de Souza
“Não há esperança para a humanidade, que dita preço e valor…”
Criador de imagens do Bing

Algumas pessoas só conseguem enxergar a si mesmas, ou olhar para o próprio umbigo, como diria minha mãe. Outros se acham acima da espécie humana, uma raça superior.

Os pobres, os pedintes, os andarilhos, são invisíveis a esses seres, que se julgam acima dos que nada tem. Assim se veem com tanta perfeição, que um ser humano pedindo esmola é visto como uma ofensa.

Onde moro, todas as casas têm muros altos, portões trancados, câmeras de vigilância.

Passam por aqui alguns pedintes, magros, esfarrapados. Muitos deles já se acostumaram a ouvir:

— Não tenho nada hoje. Ou nem mesmo ouvem alguma resposta.

Tem uma mulher, jovem ainda, anda por aqui de shorts e camiseta, sujos e surrados, calor ou inverno. Ela é alta, tem cabelos compridos desgrenhados; se não estivesse tão magra, que visualmente destaca os ossos, um a um, quem sabe seria uma linda mulher, cobiçada e amada.

Ela sempre para e espera no meu portão; parece tão triste, que não me nego a dar um pouco do que tenho.

Ontem ela bateu palmas, e, pela janela, pedi que aguardasse. A história eu sei de cor, ela nem precisa falar, que não tem nada em casa, nem leite para as crianças.

Preparo uma sacola com leite, bolacha, biscoito, resolvi colocar também um litro de óleo, latinhas de sardinha, milho verde, açúcar e outros itens.

Levei a sacola para ela, vi que ela ficou admirada, seus olhos ganharam vida por alguns segundos.

Para minha surpresa, ela literalmente gritou:

 — Glória a Deus, obrigado meu Deus, abençoe essa mulher, que me deu tudo isso, com a sacola aberta, mostrando aos céus. Virou-se:

— Obrigado, moça, Deus lhe dê em dobro.

Fiquei ali no portão parada, olhando a mulher caminhar devagar, com aquelas pernas tão finas que pareciam não querer suportar os outros ossos do corpo, e os braços magros, apertando a sacola contra o peito, talvez por estar pesada, e, ao mesmo tempo, para segurar o que poderia lhe escapar. Aquela cena me mostrou a tristeza da fome, em seu estágio mais profundo.

Não só a fome física, a fome de sobrevivência, de afeto, de importância, a fome da ignorância, da falta até de oportunidades.  Ela e tantos outros, seres invisíveis que cruzam o nosso caminho. Que muitas vezes são expulsos das calçadas, onde se abrigam. Mães, que lutam para alimentar seus filhos. Velhos expropriados de amor, compreensão, apoio e cuidados.

Jovens que cambaleiam drogados, arruinados em sua própria ignorância e descrença. Isso se traduz em fome, fome de amor, de atenção, de compreensão. A dor de não ter o que comer, vestir, ou aonde ir, que muitos de nós jamais sentiu.

Já presenciei um vizinho jogar água em um andarilho para que saísse de sua porta. Dizendo que ele fedia, e estava poluindo a entrada de sua casa

Além do susto, o pobre, que já tinha idade avançada, levantou-se e, humildemente, se desculpou. O vizinho, atrás do portão, virou de costas e entrou. O homem arrumou sua sacola, com alguns pertences, e foi embora. Fiquei com pena do velho, que continuou cabisbaixo, com as pernas trêmulas, calado, como se tivesse cometido um crime. Ser pobre, velho e doente é crime para muitos.

A raça humana é a única sobre a Terra que abandona e maltrata os seus semelhantes e outros seres vivos. Destroem florestas, rios e mares. Espalha guerras, mata seus semelhantes, com furor e desprezo. Não vê o outro como seu igual; ora é inimigo, ou um pária nessa sociedade altamente tecnológica e caótica. Só os grandes, os poderosos, os ricos, os famosos cativam a simpatia da maioria humana

De barriga cheia é fácil falar: — Não tenho nada para dar. Ou, vai trabalhar vagabundo.

Assim seguimos, humanos escravizados pelo orgulho, incapazes de compreender a dor do outro.

Entra ano e acaba outro, as festas começam, com tristeza eu vejo que nada mudou. Nessa época, os humanos invadem mercados, ruas e lojas. Um turbilhão humano entra e sai de shoppings, carregados de sacolas, e muitos também carregam as dívidas daquilo que compraram no desenfreado consumismo. Esquecendo que outro ano vem, e com ele o desafio de pagar o que comprou.

Esquecido do verdadeiro significado de ser humano, do que é comemorado no sentido espiritual, a fé não tem consumo diante da humanidade. A cegueira humana limita-se ao seu próprio eu. Não olha ao redor, não se preocupa com aqueles que nada têm, nem mesmo a vida, que lhe é emprestada.

Não há esperança para a humanidade, que dita preço e valor, ao consumismo, ao desrespeito pela vida, à total incapacidade de distribuir bondade.

Ivete Rosa de Souza

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