Jairo ValioNatureza que acalma Criador de imagens do Bing
Observo o seu descansar A serenidade do rio descendo, Calmo no leito que escolheu, E as matas sentindo brisas, Da tarde que vem chegando, E eu contemplativo olho, Como a natureza tem nuances, Do alvorecer com o Sol despertando, Emitindo raios no horizonte distante, E vidas sonolentas adquirem sonoridades, Como os alaridos dos pássaros, Que em revoadas emitem lindos gorjeios, Buscando alimentos para filhotes famintos, E cachoeiras borbulhantes buscam remansos, Mostrando entre folhagens lindos arco-íris, Como se fossem pintados por hábeis artesãos, E das matas um brotar de vidas, Despertam todas formas de seres viventes, Como céleres animais descendo dos troncos, E numa magia que até me encantou, Flores silvestres mostram cores extasiantes, Num amarelo claro da cor do girassol, E cores brancas que se misturam ao azul, E essas tonalidades o verde das folhas têm predominâncias, Por serem volumosas e brotarem dos galhos, E entre essas magias que a natureza prepara, Perfumes tão suaves a brisa vai espalhando, Em dimensões infinitas até se diluir nos espaços, E quem os aspiram entram em encantamentos, Com amores sublimes que surgem num repente, Causados pelas magias que a natureza é protagonista.
Lançado por professor de Biologia da Unicamp, ‘O Amor Urbano’ mostra pluralidade de lugares, gêneros e situações cotidianas de forma leve e inteligente
Capa do livro ‘O Amor Urbano’, de Paulo S. Oliveira – Divulgação
Versado em escrever e ensinar Ecologia, o professor titular da UNICAMP Paulo S. Oliveira transcende barreiras e lança “O Amor Urbano”, seu primeiro livro de contos. A obra traz uma faceta criativa de alguém hábil com as palavras, mas que até então se restringia a usá-las em prol da biologia. A obra, publicada pela editora Telha, traz dez histórias de encontros e desencontros em cenários diversos do Rio e de Sampa – palcos mais que bem escolhido para um Amor Urbano. “O Amor Urbano” conta histórias do dia a dia da gente na cidade grande.
As pessoas se encontram no café, no bar, na banca de jornal, na praia, na gafieira, no trabalho, na farmácia, na garagem do prédio, na academia – e a vida delas muda a partir destes encontros. Há descobertas, romance, paixão e sexo… e também desencontros, traição, mágoas e ódio. Amor e desamor, desejos, fogo e sexo envolvem personagens em cenários diversos do Rio e de Sampa – as belas ilustrações realçam a leitura.
“Como pesquisador na área de Ecologia, me preparei ao longo da carreira para observar e interpretar o que ocorre na natureza. Este senso de observação inclui detectar detalhes sobre o comportamento dos animais, as relações entre eles, medo, atração, as relações deles com as plantas, onde se abrigar do perigo, onde procurar o/a parceiro/a sexual e como enfrentar os/as rivais. Desenvolvi esta mesma curiosidade ao observar as pessoas, imaginar seus desejos, suas carências e os caminhos que seguem. “ – Paulo S. Oliveira, professor e escritor
As histórias incluem temas e contextos variados, tais como assédio sexual no trabalho, bissexualidade, homossexualidade, racismo, violência urbana, violência doméstica, prostituição masculina e feminina, alcoolismo, adoção infantil, psicoterapia. Cumplicidade e amor, conflitos e desencontros – nosso cotidiano à flor da pele.
Os contos de “O Amor Urbano” se passam em bairros pobres, de classe média e de classe alta do Rio e de São Paulo, com passagens por Miami, Toulouse, Barcelona e Nova Iorque. Embora todas as histórias tenham personagens masculinos e femininos, o protagonismo é das mulheres.
“O Amor Urbano” é definitivamente um compilado de tudo de melhor, pior e mais inusitado que podemos esperar de encontros e desencontros em grandes metrópoles.
“’O Amor Urbano’ estava na minha cabeça faz tempo – a efervescência da cidade grande me encanta – encontros fortuitos que mudam vidas é um tema que sempre me atraiu. Acontece no dia a dia de todos nós – no trabalho, na esquina de casa, no mercado, no agito da noite – alegrias e tristezas vêm à flor da pele. O livro trata destas sensações, e de como lidamos com elas. Penso que as pessoas irão se ver nas histórias.”– Paulo S. Oliveira
Sobre o autor
Paulo S. Oliveira
Biólogo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, tem Mestrado e Doutorado em Ecologia pela UNICAMP, e Pós-doutorado pela Harvard University (EUA) e pela Universität Würzburg (Alemanha).
Publicou três livros de Ecologia em colaboração com pesquisadores estrangeiros pela Columbia University Press, University of Chicago Press e Cambridge University Press.
Foi Presidente da Association for Tropical Biology and Conservation (EUA). A Ecologia o levou a viver nos Estados Unidos, Alemanha, França e México, e a pesquisar na Amazônia, Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica – sempre atrás das formigas.
Observar as pessoas, observar a si mesmo e observar a natureza são suas predileções… assim se aprende a vida, assim se aprende a viver.
Lendas Brasilis: a exaltação do folclore brasileiro
Saci, Curupira, Mula Sem Cabeça e outros mitos nacionais ganham novas aventuras nesta obra de Gerson Montemor
Capa do livro ‘Lendas Brasilis’ Divulgação/Gerson Montemor
Com narrativas que despertam a nostalgia dos fãs da série literária de Monteiro Lobato, Sítio do Picapau Amarelo, o escritor Gerson Montemor retrata situações inusitadas, vivenciadas por personagens do folclore brasileiro na obra Lendas Brasilis.
O que aconteceria, por exemplo, se o Curupira acordasse com os pés virados para frente? Quais as consequências dessa situação para os viventes da floresta? Aquilo que parecia normal para os outros seres se revela um grande perigo quando o guardião da mata precisa enfrentar caçadores e proteger a fauna e a flora de um incêndio causado pelos homens.
As pegadas do Curupira, que antes os iludiam, eram agora facilmente rastreadas por aqueles que estavam em seu encalço. O Curupira tentava os seus antigos truques, porém dessa vez eles se mostravam em vão! (Lendas Brasilis, pg. 24-25)
Dividido em seis contos, o livro conta também com aventuras, mistérios e conflitos com Saci, Mula Sem Cabeça, Boto-cor-de-rosa, Iara e Kauê, um indígena amigo dos entes da floresta. Sob o pseudônimo G. S. Montemor, o escritor evoca personalidades e criaturas que fizeram parte do imaginário brasileiro, com histórias leves e divertidas, capazes de despertar memórias afetivas da infância.
Com o apoio das ilustrações de Marcus Maia, o autor constrói uma narrativa literária capaz de conduzir o leitor cena a cena, como um roteiro de cinema. Nesta obra, a atmosfera da floresta tropical brasileira e o folclore nacional ganham uma releitura com toques estilísticos de escritores consagrados, a exemplo de Monteiro Lobato, Câmara Cascudo, J.K. Rowling, Julio Verne e Charles Dickens.
G. S. Montemor, pseudônimo de Gerson de Sousa Costa, nasceu em 1980, no município de São Bernardo do Campo (SP).
Graduou-se como Bacharel em Turismo pela Universidade Metodista de São Paulo e conciliou, por muitos anos, a rotina como funcionário público e a paixão por criar novas histórias.
Lendas Brasilis é sua obra de estreia na literatura e foi inspirada em parte da infância do autor, na região de Diamantina, estado de Minas Gerais.
Um livro para lembrar que a liberdade está no agora
Na ficção ‘As Vidas de Nathan – O Presente’, o escritor Hilton Vinhola do Nascimento convida os leitores a entenderem sobre o poder das escolhas, a importância da autoavaliação e o perdão a si mesmo
Capa do livro ‘As vidas de Nathan – O presente’, de Hilton Vinhola do Nascimento Divulgação / Hilton Vinhola
O protagonista de As Vidas de Nathan – O Presente, do escritor Hilton Vinhola do Nascimento, é um homem como qualquer outro. Teve uma infância difícil: filho de mãe solteira, cresceu sem conhecer o pai e, desde cedo, viu a matriarca lutar para colocar a comida na mesa e garantir um futuro seguro ao garoto. Mas nem isso o diferencia dos demais, porque, ao redor dele, todos também têm as próprias histórias turbulentas.
A partir deste narrador personagem, os leitores são convidados a uma autorreflexão sobre o poder das escolhas, a busca incessante por conquistar os próprios sonhos, a necessidade de perdoar a si mesmo dos erros do passado e a importância de enfrentar os traumas para alcançar a felicidade. Com este livro inspirado em sonhos vívidos, o autor lembra que, independentemente das experiências que constroem as pessoas, elas sempre têm a liberdade de transformar o presente.
Foi então que percebi que minha vida era vivida por mim, porém, por algum motivo, eu nunca tinha sido sincero com o que eu queria de verdade e, por isso, não traçava a trilha necessária para alcançar meus verdadeiros desejos. Eu simplesmente vivia um dia de cada vez e aceitava tudo que a vida me entregava. (As Vidas de Nathan – O Presente, pg. 196)
Para transmitir este pensamento, Hilton narra a trajetória de Nathan desde o nascimento até o período em que o personagem enfrenta uma circunstância extrema que possibilita uma transformação de vida – até aquele momento, ele sobrevivia à realidade, mas depois passa a ser o próprio agente de mudança. Em 20 capítulos curtos, a obra mostra o percurso de amadurecimento do protagonista da infância à fase adulta.
Este enredo ainda percorre questões corriqueiras em períodos distintos do ciclo da vida, como a ansiedade de se distanciar da família pela primeira vez, o sentimento de rejeição, a insegurança para fazer amigos na escola, as frustrações do primeiro amor, a luta para se firmar na profissão, as dores do luto e as incertezas sobre o futuro. Primeira publicação de uma série de quatro, As Vidas de Nathan – O Presente concretiza o trabalho do autor de levar conhecimento interpessoal para o público por meio de uma ficção simples e objetiva.
Nascido em Suzano, na região metropolitana de São Paulo, Hilton Vinhola do Nascimento é consultor empresarial, investidor, músico e escritor.
Realizou cursos voltados para o crescimento intelectual e financeiro, mas tem o compromisso profissional de ajudar outras pessoas a alcançarem uma vida plena.
Alinhado a este objetivo, publicou o livro As Vidas de Nathan, obra que marca sua estreia na literatura.
Projeto escolar na EMEF. Cel. Esmédio ganha destaque na mídia nacional
A proposta foi conhecer a história de afrodescendentes de Porto Feliz (SP) por meio de depoimentos colhidos com o método de História Oral
Print das entrevistas sobre o projeto ORI-GENS, enviado pelo prof. Carlos Carvalho Cavalheiro
O Projeto ORI-GENS, é um ensaio de História Oral realizado por estudantes dos 9ºs anos B e C da EMEF. Coronel Esmédio, de Porto Feliz, em 2023, sob orientação do Prof. Me. Carlos Carvalho Cavalheiro. A palavra Ori em iorubá significa cabeça, enquanto Gens, do Latim, refere-se a família.
A proposta foi conhecer a história de afrodescendentes de Porto Feliz (SP) por meio de depoimentos colhidos com o método de História Oral. No total, cerca de 60 alunos estiveram envolvidos no projeto.
No último dia 20, Dia da Consciência Negra, o projeto recebeu as atenções do Portal G1. Em matéria realizada pelo jornalista Marcel Scinocca, a quem agradecemos, o Portal divulgou todo o processo de organização, bem como coletou depoimentos de estudantes participantes.
Print das entrevistas sobre o projeto ORI-GENS, enviado pelo prof. Carlos Carvalho Cavalheiro
Conforme o professor Carlos disse na entrevista ao Portal G1, o que mais chamou sua atenção foi a qualidade do trabalho desenvolvido pelos estudantes. “Sobretudo na transcrição, e as lições de vida que tivemos a oportunidade de conhecer”, diz. Além do cumprimento do currículo, a ideia foi trazer oportunidades para os estudantes.
Ainda conforme Carlos, o projeto só foi possível graças ao apoio da equipe gestora da escola, formada pelo diretor Daniel Piasentin, pela vice-diretora Célia Molena e pelas coordenadoras pedagógicas Elizabety Bragagnolo e Fabiana Carnelós.
Laude Kämpos é uma exímia esgrimista das letras, em prosa e em versos!
Laude Kämpos
Laude Kämpos, natural de Sorocaba, é bacharel em Direito. Na seara literária, escritora de contos, romance e textos motivacionais.
Autora do livro ‘Registros de Muitas Vidas’, publicando em 2022, sendo eleito o melhor livro de contos pelo concurso Sorocaba de Literatura 2023. Em novembro deste ano lançou a obra ‘A Verdade de cada um’, pelo qual recebeu Votos de Congratulações da Câmara Municipal de Sorocaba.
Na área acadêmica é membra, dentre outras, da AIEB – Academia dos Intelectuais e Escritores do Brasil; FEBACLA – Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes; AHBLA – Academia Hispano-Brasileña de Ciências, Letras Y Artes e ALSPA – Academia de Literatura São Pedro da Aldeia
Por seu expressivo trabalho, foi agraciada com o título de ‘Consulesa Cultural da Paz’, pela academia William Shakespeare, e recebeu o título de Reconhecimento Profissional, como escritora, pelo Rotary Club de Sorocaba – Novos Tempos.
Laude Kämpos inicia sua jornada literária no Jornal ROL com o saboroso texto ‘DNA do rebuliço’.
DNA do rebuliço
Um homem ranzinza Criador de imagens do Bing
Juliano Criquento — o segurança da Rua das Flores — tinha o DNA do rebuliço; nasceu desprovido de gentileza e era cheio de complexos.
Era tão difícil conviver com Criquento que a maioria das pessoas evitava conversar com ele, porque primeiro ele batia para depois assoprar com um pedido de desculpas; mas, de que adiantava o ‘arrependimento’ posterior se a má palavra lançada já havia ferido a vítima?
O filho de dona Maria era um homem tão difícil de comunicação que até os mais experientes vendedores quando conversavam com ele voltavam decepcionados, e sem vender nada.
O Segurança, acostumado a se ‘garantir’ com a arma nas mãos, ficou tão viciado em ser obedecido que quando as coisas não saíam do jeito que ele queria, a casa do outro caía. Vaidoso até na alma, sempre queria ter razão em tudo; mesmo que estivesse errado. Quando isso não acontecia, se destemperava e ficava agressivo. Quando voltava à razão, culpava a Diabetes por sua agressividade; mas, logo perceberam que a coitada fora sempre acusada injustamente.
Uma das maiores vítimas do leonino, com ascendente em gêmeos, foi Matilde, a esposa que por anos se submeteu à violência do marido: psicológica, moral e material.
Muitas vezes ele a deixou a pão e água, em casa, para ir gastar dinheiro com mulheres do ‘Barracão da dona Zena’. Coitada dela se reclamasse.
Cansada de ser maltratada, ela fugiu de casa para nunca mais voltar. Quando ele descobriu que foi abandonado pela mulher, revoltou-se e quase quebrou a casa inteira. Depois, desnorteado, pegou tudo o que era dela, juntou tudo no quintal e tocou fogo.
Quando o calor da mágoa baixou ele fechou-se de vez: não confiou mais em mulher e se transformou num sovina incontrolável. Inconscientemente ele acreditava que a mulher votaria correndo para casa quando descobrisse que ele havia ‘enricado’, termo que ele costumava dizer; mas, do outro lado da cidade, Matilde, no auge de sua rica de paz, mesmo enfrentando grandes privações financeiras, não cogitava voltar para o marido.
O sovina, todas as vezes que ia guardar seu dinheiro no colchão, pacientemente descosturava o buraco que havia feito para passar as notas e, em seguida, o recosturava novamente. Ele privou-se tanto para juntar dinheiro, que em pouco tempo o corpo dele exigiu a conta: a imunidade desceu para o pé e uma gripe rebelde subiu para a cabeça dele.
Após ficar alguns dias, arriado, na cama, o gripado — acreditando que o mal-estar que estava sentindo era fruto de praga de sua ex-mulher — procurou uma benzedeira.
Ao chegar à casa da rezadeira foi logo dizendo:
— Quero que a senhora me benza contra olho gordo da minha mulher. “De mim, aquela safada não leva nada”. — desabafou cuspindo raiva.
Quando a benzedeira, no alto de sua espiritualidade, levantou o galho de arruda para benzê-lo o corpo franzino dela foi tomado por um espírito justiceiro que disse, sem cerimônia:
— Tua doença é fruto de tua ignorância; se queres te curar, entregue o que é dela.
— Nunca! De mim, aquela safada não leva um vintém — disse Juliano com muita mágoa acumulada.
— Teu egoísmo é a porta da tua pobreza; assim, tudo que juntaste não terá valor para ti. — disse o espírito que se foi antes que ele pudesse brigar.
Assim que dona Zilá terminou de benzê-lo, ele correu para casa.
— Gostou da surpresa filho? — perguntou a mãe dele que o aguardava, de surpresa.
— Mãe, o que você fez aqui? — gritou ele perplexo, com a arrumação.
— Contratei as filhas da dona Maria para fazer uma faxina nessa casa que estava parecendo o depósito de lixo da cidade. Agora que tudo está limpo com certeza o seu resfriado vai embora. — disse ela toda orgulhosa.
— O embaixador da chatice correu os olhos pelos cômodos da casa até parar, em choque, quando não encontrou o seu colchão.
— Mãe, cadê o meu colchão?
— Dei para um mendigo e comprei esse daí para você. Aquele era muito velho, devia estar cheio de fungos.
— O antissocial, desnorteado, não teve tempo para brigar; perdeu o fôlego, trincou o coração, e caiu duro no chão para nunca mais se levantar.
Uma semana após a morte do marido, Matilde — para ajudar um mendigo —comprou um colchão velho que ele oferecia. Antes de colocá-lo no lixo sua cadelinha Chimbinha o rasgou e todo dinheiro escondido apareceu escancarado. Com o dinheiro que encontrou dentro do colchão ela pagou as dívidas e comprou uma pequena casa.
Do ex-marido a separada nunca quis se lembrar; mas até hoje, todos os dias, ela agradece a Deus pelo mendigo que só fez lhe abençoar.