Criança em tempo integral

Amanda Quintão: Poema ‘Criança em tempo integral’

Amanda Quintão
Amanda Quintão
Menina pulando Amarelinha
Menina pulando Amarelinha
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Ei, criança!

Vem aqui , vou te contar, 

quando eu era pequena, 

eu não tinha celular. 

Isso aí nem existia ,

nada substituía ,

nossa arte de brincar.

pulávamos amarelinha,

rodávamos bambolê e

a melhor tecnologia,

era pegar um livro e ler.

Sim, eu tinha telefone,

mas era só para falar,

com quem estava bem longe, 

e não era para brincar.

Existia pelas ruas:

um tal de orelhão ,

colocávamos nele ficha

ou usávamos um cartão.

Era um telefone público

Utilizado pra conversar 

com amigos e vizinhos 

ou algum familiar.

Se você não sabia disso ,

você pode pesquisar, 

hoje você tem o mundo,

dentro do seu celular.

Mas não se esqueça criancinha, 

do seu lindo mundo real,

brinque, pule, ande de bicicleta, 

seja sempre criança ,

criança em tempo integral. 

Amanda Quintão

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Nada é para sempre

Eliana Hoenhe Pereira: Poema ‘Nada é para sempre’

Eliana Hoenhe Pereira
Eliana Hoenhe Pereira
A única certeza que se tem é que as flores florescem
“A única certeza que se tem é que as flores florescem”
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Nada é para sempre,

A vida é como reticências,

Onde sonhos podem ser adormecidos,

Erros repetidos e promessas esquecidas.

À ausência de perspectivas para mudanças

Pode findar as esperanças.

Sentimentos enclausurados 

Com desejos de serem libertados.

À única certeza que se tem 

É que as flores florescem,

os versos renascem.

Há a frente um mar de oportunidades, 

escolhas com liberdade.

E sempre há tempo para rever os sentimentos,

Aprender e agradecer.

Eliana Hoenhe Pereira

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Continuo por aqui

Verônica Moreira: Poema ‘Continuo por aqui’

Veronica Moreira
Verônica Moreira
Um tempo que foge das mãos
“Um tempo que foge das mãos”
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Continuo por aqui

Talvez, por hoje apenas

Quem sabe até amanhã

Ou, talvez, para sempre.

Só sei que continuo aqui

Até quando não sei

Por quanto tempo não faço ideia

Mas eu continuo por aqui.

Não sei se deveria

Até pensei em ir embora

Talvez por uma semana

Um mês, ou quem sabe para sempre!

Para sempre é muito tempo

Talvez eu vá por um ano

Talvez eu volte depressa

Quem sabe, talvez, eu não vá!

Mas continuo aqui

Parada no mesmo lugar

Um lugar desconexo do tempo

Este tempo que foge das mãos.

Dessas mãos inseguras

Que não retêm o que lhe é ofertado.

Mãos que acariciaram o tempo

Que entre seus dedos passava.

Continuo por aqui

Talvez por hoje apenas

Quem sabe até amanhã

Ou, talvez, para sempre.

Verônica Moreira

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Direitos humanos. Prerrogativas inalienáveis

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo:
Artigo
‘Direitos humanos. Prerrogativas inalienáveis’

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo

O exercício da Cidadania, responsável e plenamente assumida pelos munícipes, é uma condição essencial para a construção de uma comunidade verdadeiramente democrática, no seio da qual cada cidadão, cada grupo, cada instituição pode desenvolver a sua atividade profissional, política, religiosa e de lazer, sem receio de qualquer tipo de perseguição, repressão ou vingança.

O município, no contexto rural e semiurbano, constituído pelas suas aldeias e freguesias, respetivamente, no ordenamento territorial português, (por grandes bairros, nos espaços urbanos nacionais e brasileiros), é o território intermédio que tem o seu suporte geográfico e populacional no conjunto das pequenas localidades: que o integram; que o caracterizam pela diversidade; pela genuinidade de valores, usos, costumes e tradições; enfim, pela sua simplicidade rural.

É a partir da pequena célula territorial, vulgarmente designada por freguesia ou aldeia, que emana a dimensão cultural, no seu sentido mais profundo e antropológico. É aqui que, generosamente (ou não), se pode (e deve) usufruir dos mais elementares direitos e cumprir, obviamente, com os correlativos deveres, em liberdade e respeito pelas ideias de cada cidadão, independentemente das suas opções políticas, religiosas ou estatutos: social, profissional e económico.

Compete: a todos os munícipes em geral; e aos titulares de cargos públicos, em particular; sejam eles por eleição, nomeação ou concurso, darem exemplos inequívocos de boas-práticas de cidadania, manifestados por atos de compreensão, tolerância e cooperação leal com todos os cidadãos, sem exceção.

A prática, consolidação e defesa dos mais elementares Direitos Humanos devem pautar a intervenção política, e cívica, dos governantes, decisores e executivos políticos, empresariais e religiosos, precisamente por intermédio das instituições que representam.

Concorda-se, e defende-se, que a cidadania plena envolve: não só a reivindicação e fruição de direitos; mas também o cumprimento cabal de deveres. Numa ou noutra situação, a assunção inequívoca e pronta das respetivas responsabilidades. Os Direitos Humanos são prerrogativas inalienáveis de todo o cidadão, da pessoa investida na sua completa dignidade, como tal, respeitada por toda a comunidade em geral e, particularmente, pelos detentores do poder, qualquer que este seja.

A relação que se deseja estabelecer, entre o cidadão-munícipe ou cidadão-freguês (nas freguesias), com os serviços da respetiva autarquia, deve configurar um ambiente saudável, leal e de recíproca colaboração entre o utente do serviço público, os funcionários e os dirigentes, tendo por base de sustentação de todos os atos dos interlocutores, a preocupação pelo respeito dos direitos que assistem aos intervenientes, não só na relação institucional, como, igualmente, no relacionamento social e privado.

No conjunto dos Direitos Humanos, dispersos por documentos universais, que englobam direitos específicos designadamente: refugiados, expatriados, perseguidos políticos, crianças, mulheres, idosos, grupos étnicos diferentes da população do país de acolhimento, entre outros grupos, que certamente são do conhecimento dos que governam, decidem, executam e sancionam, aqui com relevância para os autarcas, cumpre refletir sobre a situação da mulher, quanto ao exercício, e/ou, à defesa dos seus direitos e, se necessário, à sua própria proteção física e psicológica.

Poder-se-ia trazer para este apontamento o comprovativo estatístico dos maus-tratos e discriminação sobre as mulheres: domésticos, profissionais, políticos, religiosos e até de cidadania, mas será suficientemente esclarecedor o acompanhamento das notícias, frequentemente publicadas pelos órgãos de comunicação social, muitas publicamente comprovadas, infelizmente, com crescente e preocupante regularidade, indiciando grande impreparação por parte de muitos casais na resolução dos seus problemas diários, na maior parte dos casos, por culpa do homem que, perante as primeiras dificuldades, abandona o compromisso assumido: no Registo Civil; no Altar-Mor ou, simplesmente, na palavra dada, pelas promessas de amor e de fidelidade.

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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Uma canção para você

Paulo Siuves: Poema ‘Uma canção para você’

Paulo Siuves
Paulo Siuves
Ah, se as estrelas pudessem revelar os segredos do meu coração
Ah, se as estrelas pudessem revelar os segredos do meu coração
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Ah, se as estrelas pudessem revelar,

Os segredos do meu coração,

Cada suspiro, cada sonho sutil,

Em versos de uma canção…

Nas linhas deste poema, meu desejo flui,

Uma sinfonia de sentimentos,

Um tom de paixão se constrói,

Mas e se esse poema fosse uma canção?

Minha melodia predileta, na aurora do dia.

Pensei em te dizer tantas palavras,

Mas para quê, se eu tenho a melodia?

Se esse canto, como notas dançantes,

Pudesse transmitir o que sinto aqui dentro.

Que essa canção alcance seus ouvidos,

Como um suave afago, como um belo fado,

E ao soar, que ela revele que cada verso

Foi inspirado em seu doce encanto.

Pois assim seria,

Se eu compusesse para você.

Não sei se minha poesia virou canção,

Ou se minha canção se tornou poesia,

Só sei que tudo que eu queria te dizer,

Está nesta canção, para você ouvir.

Paulo Siuves

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Minha outra parte

Márcia Nàscimento: Prosa poética ‘Minha outra parte’

Márcia Nàscimento
Márcia Nàscimento
Minha alma errante buscou por este amor
Minha alma errante buscou por este amor…
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Por séculos à procura de ti, tentando compreender tamanha dor e desatino, e em busca de um amor que fosse além daquilo que a fragilidade humana consiste, minha alma errante buscou por este amor que transcendesse o que há neste universo infinito, um amor que fosse capaz de preencher os espaços tão vazios, aqueles deixados pelos destroços dos sentimentos massacrados e sofridos.

Onde tu estavas?

O solo fértil do meu jardim secreto e sagrado, apesar de ser regado com tantas lágrimas, estava se tornando árido e ressequido pela falta da chuva de bençãos que o amor da outra parte é capaz de produzir em nós!

Chuva, raios, trovões, temporal e tempestades, erupção, rios de água viva que correm e transbordam na imensidão deste amor…

Energia que percorre desde a planta dos pés e trespassa a coluna passeando por todo o corpo quando em teus braços eu me encontro, perdendo desta maneira a noção do tempo e da hora, do sagrado e do profano, dos meios termos e desenganos, da perdição e redenção, daquilo que somente um coração que muito ama é capaz de traduzir em chamas que consomem e ardem sem se ver.

Um amor por toda eternidade, que vai além de tudo o que se possa imaginar, porque encontrou no outro a sua própria verdade, sua metade, simplesmente a outra parte, que não se compra e não se vende, que simplesmente ama e entende, que jamais se faz ausente, porque depois  de si mesma a outra parte é a sua prioridade, dia e noite, noite e dia e que espera ansiosamente pelo limiar da aurora, para que possas saber como foi a noite de tua estrela guia, tua outra parte, tua menina…

O amor que sabe esperar; sabe compreender e se alegrar com a felicidade de tua outra metade, tua outra parte. O sentimento que não é de posse, mas sim da certeza de sua singularidade, tão tua, somente tua, o halo de luz a iluminar a escuridão das noites escuras que insistiam em prevalecer ofuscando o brilho da mais profunda essência do ser.

O ponto luminoso acima do teu ombro esquerdo e de toda luz que irradia de dentro do teu peito; trazendo a certeza no reencontro que trouxe tanta alegria sem nenhum discernimento, simplesmente o reconhecimento de tua outra parte.

Só quero saber o quanto cabe em ti, de sorrisos e estrelas e a imensidão que existe acima de nós, meu céu e estrelas, meu amado, que me reconheceu e me ensinou o quanto eu sou capaz de amar em veracidade, minha outra parte!

O amor atrai mais amor.

Márcia Nàscimento

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Saudade da minha terra

Ceiça Rocha Cruz: Poema ‘Saudade da minha terra’

Ceiça Rocha Cruz
Ceiça Rocha Cruz
O sol despontou… cobriu o dia de brilho, encanto e magia, despertando no silêncio a saudade
O sol despontou… cobriu o dia de brilho, encanto e magia…
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O sol despontou…

cobriu o dia de brilho, encanto e magia,

despertando no silêncio a saudade.

Das serenas tardes de estio

aves plainavam ao sabor do vento

e gorjeavam sorridentes,

sob um céu azul de setembro.

Saudades das majestosas palmeiras,

da voz desatada do sabiá, cristalina flauta,

debruçada na janela, modulava o doce canto

e num descortinar reverberava.

Da Lua venusta… um vestido de sonhos,

num céu de estrelas, rasgando a madrugada.

Saudades dos viçosos campos, serras e bosques,

que se despojavam na paisagem dourada,

das paredes alaranjadas de ocaso,

de um pôr de sol deslumbrante,

que sorria.

Da minha terra quando a tarde caía,

mas o azul do céu coloria o rio/mar

e espumas desertas, solitárias,

resvalavam na areia nua.

Saudades do silêncio da tarde,

na alta palmeira onde cantava o sabiá

e da quietude sorrateira do suave arrebol.

(En)cantos d’amor.

Na solidão do tempo, o sonho da volta

para vê-la outra vez, pisar seu chão

num matar saudades.

Saudades da minha terra!

Ceiça Rocha Cruz

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