Eu, Bernardo, uma obra de ficção sobre os percalços da adolescência

Apostando no gênero Young Adult, o livro em formato de diário é também um exemplo de processo terapêutico

Capa do livro 'Eu, Bernardo', de Daniela Pinotti
Capa do livro ‘Eu, Bernardo’, de Daniela Pinotti

A Maralto Edições lança, no próximo dia 14 de novembro, o livro Eu, Bernardo, uma obra de ficção de Daniela Pinotti, psicóloga clínica formada pela PUC-SP e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unicamp. O livro, que faz uma imersão no cotidiano de um adolescente nada convencional, convida o leitor a refletir sobre a própria trajetória de vida, seja como o protagonista, o ouvinte receptivo ou o psicoterapeuta.

Apostando no gênero Young Adult, a obra é permeada por ilustrações, recortes e rabiscos que ajudam a criar uma atmosfera de imersão, fazendo com que a história ganhe vida e transporte o leitor diretamente para as emoções do personagem.

“Sempre fui encantada por essa fase do desenvolvimento”, explica Daniela Pinotti. “Acho a adolescência um momento privilegiado da vida e cultivo uma adolescente em mim até hoje, com quase 50 anos. Um dia, caminhando sozinha pela Av. Paulista, em São Paulo, olhando vários jovens, uns em bandos, outros sozinhos, ali no meio deles, Bernardo apareceu. Ele já veio com nome, com suas características, com tudo. Posso dizer que, literalmente, esbarrei com ele na rua. Depois disso deixei Bernardo falar e segui seus passos.”

Eu, Bernardo narra a trajetória de autoconhecimento de um adolescente de 16 anos, um pouco geek, vegano, ávido fã das icônicas bandas das décadas de 1980 e 1990, que passa por um momento tumultuado. Além de seus conflitos internos, ele enfrenta dificuldades em se relacionar emocionalmente. A timidez e a insegurança o impedem de se conectar verdadeiramente com as pessoas ao seu redor, e ele sente que sua vida está à deriva a ponto de pensar em suicídio.

Decidido a encontrar respostas para suas dúvidas existenciais e superar seus desafios emocionais, ele inicia um processo de psicoterapia com uma psicóloga experiente. Durante as sessões, ela o encoraja a escrever um diário, que ele batiza de Oscar em homenagem ao romance O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, em que um retrato esconde os segredos mais sombrios do protagonista. À medida que preenche as páginas de Oscar, Bernardo começa a desvendar suas emoções e conflitos internos. O diário se torna uma ferramenta terapêutica poderosa, ajudando-o a compreender suas próprias motivações, medos e desejos.

“Em minha experiência de 25 anos de prática clínica, tive o privilégio de acompanhar muitos adolescentes e jovens adultos”, reflete a autora. “Ouvir histórias diversas e estar muito próxima do pensar, do agir e do sentir dessa fase da vida foi fundamental para a construção do personagem. Deu para ele um frescor e uma consistência verossímil, sem deixar de ser ficção. O modo de atravessar essa passagem para a idade adulta tem se modificado rapidamente, e o consultório me garantiu não criar um adolescente ideal, assim como não me deixou presa em minha adolescência.”

Eu, Bernardo é um livro cativante que oferece uma perspectiva menos estereotipada e mais compassiva da adolescência, uma fase do desenvolvimento muitas vezes subestimada pela sociedade. A obra aprofunda as questões psicológicas complexas que cercam essa etapa da vida e conduz os adultos a compreender a riqueza das experiências que muitas vezes desvalorizam, como pertencimento a grupos, relacionamentos afetivos e as mudanças rápidas e abruptas no corpo.

Eu, Bernardo já está disponível para vendas no portal da Amazon e o evento de lançamento acontece no dia 14 de novembro, às 18h, na livraria Martins Fontes em São Paulo. A obra fará parte do Programa de Formação Leitora Maralto, uma iniciativa direcionada para escolas de todo o país.

Sobre a autora

Daniela Perotti
Daniela Perotti

Daniela Pinotti é psicóloga clínica e atende adolescentes e adultos há mais de 20 anos. Graduou-se em Psicologia pela PUC-SP em 1988 e tornou-se mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unicamp em 2007.

Como escritora, também se dedica à literatura infantojuvenil. Em 2009, publicou Meu pai sabe voar, em 2023, A odisseia do spray grego, ambos em parceria com o escritor Marcelo Maluf. Vive e trabalha em São Paulo.

Eu, Bernardo

Editora: Maralto Edições – Instagram @maraltoedicoes

Autora: Daniela Pinotti – Instagram @danipinotti

Ilustrações: Denny Chang

Preço: R% 49,90

Páginas: 285

Vendas: Amazon

Lançamento:
Sessão de autógrafos com Daniela Pinotti
Dia: 14/11
Local: Livraria Martins Fontes (Avenida Paulista, 509, Bela Vista — São Paulo)
Horário: a partir das 18h

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Exposição online celebra a cultura afro-brasileira durante o mês da Consciência Negra

Cultura, culinária e moda serão abordados por criadores do app e artistas referência na música como Péricles e Olodum, com ilustrações exclusivas dos Irmãos Credo

Banner da exposição que celebra a cultura afro-brasileira
Banner da exposição que celebra a cultura afro-brasileira

Celebrado em novembro, o mês da Consciência Negra é um relevante e importante momento para refletir sobre a história, cultura e contribuições da comunidade e um convite para confrontar estereótipos e preconceitos arraigados no combate ao racismo em todas as suas formas. É também uma oportunidade de valorizar e preservar a rica herança cultural afro-brasileira, como música, moda e culinária.

Por isso, em celebração, o Kwai, app de criação e compartilhamento de vídeos curtos, criou a página especial “Parada Preta no Kwai”, uma exposição online da cultura negra que mostra a riqueza, a pluralidade e a importância da representatividade no Brasil.

Ao longo do mês de novembro, os usuários do Kwai poderão conferir conteúdos exclusivos e informativos, preparados por criadores da plataforma e por artistas referência na música brasileira, com ilustrações produzidas especialmente para o projeto pelos artistas visuais Jesus Credo e Izzy Credo.

Conhecidos como Irmãos Credo, os dois artistas negros do interior de Goiás, possuem em seus trabalhos, elementos de festas e ritos populares que interagem com a estética das ruas, a negritude, a sexualidade e o afrofuturismo brasileiro. 

“No projeto Parada Preta com o Kwai, procuramos retratar a diversidade dentro da própria comunidade negra. Acreditamos ser importante pensar que somos indivíduos plurais, por isso, tentamos fechar as categorias voz, música, moda e gastronomia com pessoas muito diferentes, celebrando e fazendo o que gostam”, comentam os irmãos.

página é dividida em quatro grandes temas que abordam a luta contra o racismo, a música, a gastronomia e o mundo da moda a partir do olhar e representatividade da comunidade negra. A cada semana, será liberado um tema diferente, e, ao visitar cada um deles, o usuário desbloqueia um item especial no Kwai, que no fim vai revelar uma arte exclusiva dos Irmãos Credo.

Banner da exposição que celebra a cultura afro-brasileira
Banner da exposição que celebra a cultura afro-brasileira

A voz da luta
O primeiro tema do projeto, liberado em 01/11, nos leva a refletir sobre a importância de dar voz à luta e a fazer uma retomada histórica da data. Por isso, o aplicativo convidou pessoas importantes no combate ao racismo no Brasil e que fazem a diferença na comunidade ao seu redor, como os criadores de conteúdo Aline GabrielÁfrica do jeito que nunca viuBabu LimaFernanda FerreliPensando AltoGame AssadoViviane Ferreira e Alvim Black.

Esses criadores também vão abordar sobre a importância da representatividade e as personalidades que os influenciaram.

O poder da batida 
O Brasil possui uma diversidade musical extensa e a cultura preta no país tem suas raízes bem fortes quando o assunto é expressão cultural. Por isso, o segundo tema, que entra no ar em 08/11, vai representar a música, dança e alguns ritmos e gêneros, como o samba, pagode a capoeira, o maracatu, o rap, o hip hop & trap, o funk, o choro e o carimbó que têm origem e representação muito forte de artistas pretos. 

Artistas como o cantor Péricles, o grupo Olodum, FitdanceBela MariaKamisa 10, entre outros, participam da Parada Preta trazendo conteúdos exclusivos sobre as origens da musicalidade brasileira. 

Da história para o prato
Claro, que não poderiam faltar as comidas típicas, que representam a cultura negra por meio da culinária e desempenham um papel significativo na formação da identidade gastronômica do país, conhecida por pratos distintos e saborosos, como o Acarajé, Caruru, Vatapá, Mungunzá & Pamonha, Cocada, Quindim, Feijoada e Cuscuz.

A partir do dia 15/11, os usuários da plataforma poderão conferir um pouco mais da história e até mesmo receitas de alguns desses pratos, com a participação dos criadores: Pobre na cozinhaCarolina CarolRamon FernandesJany na cozinhaKarol FranceMildy Melo e Malaika.

Ícones da moda
A moda, que também é uma forma de expressar a identidade, criatividade e personalidade, muitas vezes incorpora elementos da herança cultural africana. São roupas, estampas, tecidos, penteados e acessórios que podem carregar significados culturais profundos da história da comunidade negra. Responsável por apresentar os ícones da moda atual, essa categoria, disponível a partir de 22/11, será uma apresentação de como é a construção da imagem pessoal baseada na personificação da cultura e como isso reflete no espelho. 

Criadores de conteúdo como Babu LimaÁfrica do jeito que nunca viuDezza cosplayCarolina CarolEddy SilvaFernanda Ferreli e Game Assado vão falar sobre a evolução da moda, os itens que são identidade para a luta negra, a influência da moda africana no Brasil, a pintura corporal e o embelezamento, tranças e acessórios tradicionais.

A página ficará disponível no Kwai até o final do mês de novembro. Acompanhe e participe da #ParadaPretanoKwai!

Sobre o Kwai
Um dos aplicativos gratuitos mais populares do Brasil, o Kwai permite que os usuários criem seu próprio conteúdo e compartilhem vídeos online de forma fácil, inclusiva e acessível. Com a missão de fazer as pessoas brilharem, o Kwai acredita que todos os pequenos momentos da vida merecem ser compartilhados. O aplicativo está disponível para os sistemas iOS e Android, na App Store e no Google Play. Saiba mais em: kwai.com.

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A oração de dona Benzinha

Virgínia Assunção: ‘Crônica ‘A oração de dona Benzinha’

Virgínia Assunção
Virgínia Assunção
Uma senhora de idade 'lavando a alma'
Uma senhora de idade ‘lavando a alma’
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Era domingo. Meados dos anos 1980. Dia ensolarado na cidade onde dona Benzinha vivia com a sua família. Dia feliz como sempre é o dia de domingo. A casa da família ficava próxima à praia, mas no domingo ninguém ia, pois a sua família tinha que, obrigatoriamente, ir à igreja. Na escola dominical da igreja onde a família dela frequentava, o pastor pediu à dona Benzinha que ela fizesse uma oração.

Pois bem, dona Benzinha, que já não está mais entre nós, era uma senhorinha bem simples e bem quietinha na igreja, nunca orava em voz alta e só cantarolava as músicas, bem baixinho. Era uma senhora doce e meiga. Disse ao pastor, meio envergonhada que não sabia orar, porém ele insistiu, dizendo que bastava que ela conversasse com Deus. Ela, então, concordou.

Nesse dia, ou melhor, nessa oração, ela mostrou o seu outro lado e resolveu lavar a alma. Havia uma irmã na igreja, chamada Carmélia, que fazia orações bem eloquentes, eu diria até, poéticas. Falava da natureza, agradecia pelas flores, pelo ar, pelo mar, enfim, uma verdadeira poesia. Porém, ela teve a infelicidade de pedir um dinheiro emprestado à dona Benzinha e nunca pagou, fato que a deixou indignada com essa irmã.

Havia também, um outro irmão, chamado João, que era calado como ela, porém tocava violão, aliás, era o único que tocava violão na igreja e também era pedreiro. Acontece que o genro de dona Benzinha, pessoa pela qual ela tinha o maior respeito e morria de amores, contratou os serviços deste, e este acabou deixando o genro dela na mão antes da conclusão do tal serviço. Lembram que o pastor pediu para ela orar? Vamos então, à oração da dona Benzinha.

– Senhor, eu não sei orar, o Senhor sabe disso, mas também, não sou como umas e outras que fazem uma oração linda, floreada, cheia de borboletas e cachoeiras, toma dinheiro dos outros emprestado e não pagam, fingem que esqueceu. A irmã  Carmélia, a devedora, engessou, mal respirava.

E dona Benzinha continuou… Senhor, me perdoe, eu também não sei tocar violão e nem quero aprender, também não sou pedreira como uns e outros, que só porque é o único que toca o instrumento, quer ser o dono da igreja, porém quando contratam seu serviço de pedreiro dá o cano, desaparece. O irmão João não sabia se rodava, sentava ou deitava no banco.

 Todos ficaram atônitos! O constrangimento invadiu o recinto, mas mesmo assim, só se via gente prendendo o riso.

Josefa, filha de dona Benzinha, morta de vergonha, querendo atenuar o que a mãe tinha feito, achou por bem dar uma cutucada no braço dela, para adverti-la das coisas que ela estava falando. Dona Benzinha, tão quietinha e calada na igreja, não pensou duas vezes; virou-se para a filha e em alto e bom som, bradou: – Você quer ser santa, menina? Quer dizer que em casa você não diz a mesma coisa? Você presta, Zefinha?

A essa altura ninguém mais segurou o riso e Josefa, coitadinha, não sabia onde esconder a cara. A vergonha, imaginem! Não tinha lugar que coubesse. E não pararia por ali se o pastor, diligentemente, não interrompesse a oração que virou discussão.  Arrependido de ter pedido para a doce irmã Benzinha orar e muito constrangido também, interrompeu a oração que agora tinha virado um problema de família e disse:

 – Obrigado, irmã Benzinha! Em nome de Jesus, amém!

Virgínia Assunção

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O melhor do cinema mundial em Lisboa

LEFEST volta à capital portuguesa repleto de surpresas

LEFEST
LEFEST

De 10 a 19 de novembro, Lisboa receberá a 17ª edição do LEFFEST — Lisboa Film Festival, um dos maiores eventos culturais de Portugal, reunindo o que há de melhor no mundo da sétima arte.

Em vigor desde 2007, o festival destaca-se pela presença de figuras notórias da história mundial do cinema e das artes, que compartilham suas vivências e experiências com o público. Além disso, a apresentação de uma seleção imbatível de filmes (em competição e fora), pré-estreias aguardadas, mostras e retrospectivas, bem como a descoberta e a premiação de novos talentos, homenagens às personalidades marcantes e a cineastas cujas produções são alheias às pressões da indústria cinematográfica, incrementam a programação.

Esta edição acontecerá em diferentes bairros e espaços lisboeta, tais como o Cine-Teatro Turim, a Academia das Ciências, o Palácio Sinel de Cordes da Trienal de Arquitectura, a Galeria Imago e, os clássicos, Cinema Nimas e Teatro Tivoli BBVA.

Com uma agenda cuidadosamente elaborada por quem vive e respira cinema, o Lisboa Film Festival´23 trará, em sua abertura, o filme “Poor Things”, de Yorgos Lanthimos, vencedor da Mostra de Veneza. Outros premiados, como “Anatomie d’une chute”, da francesa Justine Triet, vencedor de Cannes; “Critical Zone”, do iraniano Ali Ahmadzadeh, de Locarno; e “O Corno do Centeio”, de Jaione Camborda, no Festival de San Sebastián, serão transmitidos pela primeira vez no país.

A competição oficial englobará uma dezena de filmes, que serão submetidos a um júri presidido pelo realizador Elia Suleiman, ao lado da atriz Fanny Ardant, do músico e compositor Nitin Sawhney, dos escritores Rachel Kushner e Giorgi Gospodinov, do fotógrafo Khalik Allah e da artista Adriana Molder.

Na ocasião, também haverá um painel especial sobre Inteligência Artificial e Criação, com mesas redondas comandadas por Laurie Anderson, exibição de filmes e concertos do violinista e maestro Gidon Kremer e do compositor e pianista Keiichiro Shibuya, que dividirão o palco com um android cantor, construído a partir dessa tecnologia.

Estão previstas, ainda, uma masterclass com Leos Carax, Cristi Puiu e Ryusuke Hamaguchi, bem como exposições dos artistas Godard e, estreando em Portugal, Khalik Allah, seguidas de homenagens às obras de Clint Eastwood e de Pedro Costa, retrospectivas de Justine Triet e Nuri Bilge Ceylan, além de muitas outras surpresas.

Mais informações: www.leffest.com e info@leffest.com .

Sobre a Associação Turismo de Lisboa (ATL)

Fundada em 1998, a ATL é uma organização sem fins lucrativos constituída através de uma aliança entre entidades públicas e privadas que operam no setor do turismo. Atualmente conta com cerca de 900 associados, tendo como principal objetivo melhorar e incrementar a promoção de Lisboa como destino turístico e, consequentemente, aprimorar a qualidade e competitividade. Informações:

www.visitlisboa.com

https://www.instagram.com/visit_lisboa/

https://www.facebook.com/visitlisboa

https://twitter.com/TurismodeLisboa

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Paisagem da janela

Ceiça Rocha Cruz: Poema ‘Paisagem da janela’

Ceiça Rocha Cruz
Ceiça Rocha Cruz
Verdejantes vales e colinas, no recanto do entardecer
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Na quietude

sorrateira a tarde cai,

e :na montanha,

a sombra sepulta o silêncio

do outro lado do poente.

Na paisagem dourada,

bela aquarela,

doce poema,

verdejantes vales e colinas,

no recanto do entardecer,

vislumbre dos olhos.

Musgos crescem verdes

entre os velhos do passado,

e nas paredes de pedras,

da casa velha assobradada,

da janela,

cabem todas as paisagens.

A natureza sorri,

o meu olhar vagueia

descortinando um paraíso,

enquanto o vento acaricia

a pele macia, morena,

seus casarios, seus rochedos,

seus becos e ladeiras.

O sol se despede

anuncia mais um arrebol desértico,

do porto sombrio e pálido do cais,

olhos de saudades.

No limiar do ocaso

o sussurro do vento,

e ao longe, 

o rio em galope na sua correnteza

sacode na areia fria seu marulho.

Ao abraço das ondas,

o entreolhar do sol,

as cortinas do crepúsculo

cobrem-se de nuances;

tinge de púrpura a cor do poente,

e se espraia no horizonte,

a paisagem da janela.

Ceiça Rocha Cruz

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Redação ENEM/2023: quando os olhos brilham e o coração aquece

Elaine dos Santos: Artigo ‘Redação ENEM/2023:
quando os olhos brilham e o coração aquece’

Elaine dos Santos
Elaine dos Santos
ENEM
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Não me detenho em aspectos formais referentes à proposta de redação do Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM) aplicada no domingo, 05 de novembro, quero, aqui, refletir sobre a importância da temática – ainda que ela não fosse esperada.

Somos uma sociedade conservadora, patriarcal, em que diferentes ‘ismos’, isto é, dogmas e doutrinas, oprimem a mulher em sociedade e isso é uma herança da colonização portuguesa que se consolidou no Brasil Império, no Brasil República e, mesmo no século XX (20), com a inserção cada vez maior no mercado de trabalho, não sofreu alterações.

O tema da redação foi os desafios para enfrentar a invisibilidade do trabalho de cuidado das mulheres no Brasil e qualquer pessoa, minimamente, atenta percebe que a carga extra atribuída à mulher em nossa sociedade sempre foi e é maior que do homem. A mulher – de um modo geral, há exceções para confirmar a regra – é responsável pelos cuidados no lar: roupa, alimentação, higiene, filhos.

Começo, pois, pelos filhos. Como professora que exerceu a docência também no ensino médio, acompanhei e acompanho ex-alunas tornarem-se mães e enfrentar a dor e a delícia dos primeiros anos de maternidade, frequentemente, exercida solitariamente. Nasce um filho e nasce uma mãe, mas a vida do pai pouco se altera. Há a tradicional desculpa que ele precisa descansar porque é o provedor do lar. Sim, claro! A mãe nunca trabalhou, não precisa retomar as suas atividades.

Na outra ponta, está situado o cuidado com pessoas idosas ou doentes. Quando o meu pai teve o seu quinto AVC (acidente vascular cerebral), em abril de 2007, algumas pessoas gritaram nos meus ouvidos que eu deveria colocá-lo em um asilo, porque ele passaria a atrapalhar a minha vida profissional. Eu disse que não o faria e que cuidaria dele, nem que fosse sozinha. E, de fato, o fiz: sozinha. Todos se afastaram, ninguém quer ter, por perto, um idoso confuso, ninguém quer ter, por perto, um idoso e a responsabilidade acaba recaindo sobre esposas, filhas ou netas, portanto, mulheres.

Quantas conhecidas nossas renunciam ao trabalho ou mesmo da vida pessoal para cuidarem de irmãos/irmãs com algum tipo de deficiência, enquanto irmãos e irmãs da mesma pessoa ignoram a situação?

Poderia ainda enfocar as professoras que acolhem crianças, em muitos casos, vítimas de violência intrafamiliar, ou técnicas de enfermagem e enfermeiras que são o último elo entre um paciente terminal e a vida. Mas me detenho aqui.

Pode ser que muitos participantes da prova tenham tido dificuldade para elaborar um texto sobre o tema – eles são, em sua maioria, adolescentes recém egressos do ensino médio, talvez sem a capacidade reflexiva que a vida nos confere, mas espero que o material motivador que acompanha a prova possa tê-los inspirado.

Se afirmo que os olhos brilharam e o coração aqueceu-se ao tomar conhecimento do tema da redação do ENEM, na verdade, a minha reflexão segue outra via: traz-se uma questão social relevante para a cena, pelo menos, por uma semana, ela será discutida. Tomara que enseje mais discussões e ações.

Além disso, uma sociedade muda pelas ações de seus membros, entre eles, o poder público, almejo que haja políticas públicas de valorização do trabalho da mulher. Sem entrar na seara econômica e de valorização do trabalho da mulher, é sabido que a disparidade salarial entre homens e mulheres é vexatória.

Elaine dos Santos

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Esses difíceis amores

Carla Pimenta: Prefácio do livro ‘Esses difíceis amores’, de  Miguel Ângelo Teixeira

Carla Pimenta
Carla Pimenta
Capa do livro ‘Esses Tempos Difíceis’,
de Miguel Teixeira

Não serão todos os amores difíceis? Na simplicidade de amar, não terão todos os amores momentos de dificuldade?

Em ‘ESSES DIFÍCEIS AMORES’ Miguel Teixeira leva-nos a viajar por seis estados de alma onde a contemplação à musa amada, a realidade que o circunda, sonhos por concretizar, preces a um Deus distante ou até mesmo desabafos de inquietações nos são apresentados numa simbiose de Prosa Poética e Poesia.

Ao avançar com a leitura deparamo-nos com verdadeiras Odes de um amor infinito, belo, no entanto imperfeito. Podemos encontrar como que uma saudade latente por detalhes, hábitos que o autor por vicissitudes do quotidiano deixou de realizar com o mesmo ênfase que outrora o fizera.

Difíceis os amores como que provas contínuas de uma superação de um caminhar lado a lado com a mulher amada em busca da harmonia, da serenidade, da euforia de se saber amado e de amar.

O autor assume a sua vida, a sua obra como um poema inacabado, o que nos remete para uma eternização da sua essência, o transcendente de uma vida para além do espaço físico que diariamente ocupa.

Numa súplica sem medo, pede que não o chamem de Poeta, de Anjo, como se tal pedido fosse realizável no patamar em que a sua escrita se insere. Poeta de sentidos, de palavras duplamente côncavas e convexas que nos remetem para o mais íntimo do seu lado humano, onde amores e desamores desaguam na foz da sua escrita.

Será Miguel Teixeira O Último dos Românticos? Será ele tão somente Um Homem de Letras? – Em introspectivas dissertações o autor proporciona-nos vários Orgasmos Literários onde a nossa mente e os nossos olhos se fundem numa viagem alucinante em busca de um amor menos difícil que o descrito pelo autor.

Sugiro que a leitura desta obra seja efectuada pela Noite Escura ou num Jardim Sem Flores de mente totalmente aberta, sem preconceitos ou paradigmas apenas com a certeza de que A Vida é Aqui num imenso Caos de árduas escolhas entre sentimentos, dúvidas, quereres e aceitação de que cada um de nós  tem Medo de Acabar Sozinho…

Mais que Um Aglomerado de Palavras, ESSES DIFÍCEIS AMORES é o regresso a um passado actual visto pela sensibilidade de um homem que ama sem medo de o afirmar!

Carla Pimenta

(31-8-2021)

Nascido a 29 de novembro de 1968, na cidade de Almada, Miguel  Ângelo Varela Teixeira cedo começou a escrever na forma de pequenos e inocentes contos, muito por influência do pai prematuramente falecido e que lhe incutira o gosto pela escrita. Só dois anos mais tarde, em 1985, arrisca os primeiros passos na poesia. 

Com a escrita a deixar de ser um gosto e a tornar-se uma necessidade sem a qual não consegue passar, a sua forma de escrever alterou-se passando a ser mais ousada e provocante, avessa a regras e formas pré-estabelecidas como algo que não consegue – nem quer – controlar. Cria o seu primeiro blogue em 2005, “O Lado B da Vida”, e mais tarde “No Silêncio de Palavras Mudas” (2009), “O Lado B da Vida 2” (2016) e mais recentemente “Diárias de um Condenado à Vida” (2019).

Em 2010 foi um dos fundadores de “A Voz das Palavras”, blogue colectivo em conjunto com diversos autores que partilhavam o mesmo gosto pela escrita, Nos últimos anos, além de uma página no Facebook com o nome de “Diárias de um Condenado à Vida”, colabora com os grupos literários Wise Winds – Ventos Sábios (2020) e Poem’Art – Academia Portuguesa da Escrita e Arte Lusófona (2021).

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