As múltiplas faces do amor

Paulo Siuves: Crônica ‘As múltiplas faces do amor’

Paulo Siuves
Paulo Siuves

Estou aqui a revisitar as versões de mim que ainda não expus, por receio de críticas e julgamentos, e confesso que somente você as conhece.

Minha versão de um sujeito comportado, outra de um homem ousado. Minha versão de um cara falante, outra de um rapaz reservado.

Só você poderia dizer que sou complexo. Há momentos em que amo intensamente, e outros em que deixo de sentir.

Existe um lado meu que somente você percebe: aquele moço forte e determinado, mas que por vezes se vê perdido. Versão melancólica, versão extrovertida, e a versão que você me mostrou que habita em mim, aquele indivíduo que espera e deixa tudo para o final.

É esse aspecto de mim que me fez entender que posterguei nosso amor até perdê-la para sempre…

Paulo Siuves

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Falando sério sobre Outubro Rosa

Ivete Rosa de Souza: Crônica ‘Falando sério sobre Outubro Rosa’

Ivete Rosa de Souza
Ivete Rosa de Souza
Outubro Rosa
https://www.flickr.com/photos/agenciabrasilia/51540637699
Criador: Agência Brasília 
Direitos autorais: Davidyson Damasceno

Há poucos dias, vi uma reportagem sobre câncer de mama. Um médico alertava ao fato de que, após a pandemia, diminuiu o número de mulheres a partir dos trinta anos, que procuravam os serviços do SUS,  para realizarem anualmente exames de prevenção ao câncer de mama e outros.

 Nós, mulheres, temos o dever de nos cuidar, exames de mamografia, ultrassonografia de mamas. E outros exames que são necessários para prevenção do câncer e outras doenças, e a partir dos 50 anos, também fazer colonoscopia, que detecta pólipos nos intestinos, podendo ser malignos ou benignos.

A evolução dos tumores é acelerada quando do primeiro diagnóstico, quando eu mesma descobri no autoexame, o caroço parecia do tamanho de uma azeitona; no espaço de três meses, alcançou a proporção de uma laranja. Isso é o maior problema, quanto maior o tumor, maior a perda mamária. Fiz essa descoberta da pior forma possível, dado ao fato de que fui levada de um médico a outro, e o tempo encurtava a cada negativa.

Fui a um ginecologista que, sem examinar, mandou que eu fizesse uma mamografia. Depois procurasse um mastologista, mas a mamografia não mostrou a real dimensão do tumor. Infelizmente esse médico, que já chegara à clínica com atraso de mais de uma hora, disse que não viu nada no exame, que eu esperasse o caroço crescer. Nas palavras dele: “Se crescer mais a gente tira”, abrindo a porta do consultório e chamando outra paciente. Nesse momento eu já me sentia com uma sentença de morte.

Marquei consulta em outro médico imediatamente; este, super consciencioso, marcou a cirurgia para dali a uns vinte dias. E mandou que eu fizesse todos os exames preparatórios e um ultrassom com dopler e biópsia.  Fiz com toda urgência. No dia anterior à cirurgia, recebi um telefonema do consultório do Doutor Vacari, dizendo que a cirurgia tinha sido cancelada pela operadora Green Line. 

Mais uma decepção, medo e desespero. A orientação era que eu passasse com outra mastologista, na rede própria.  Nisso já contabilizou mais trinta dias. A saga, à procura de atendimento médico, começou em maio de 2005. Já estávamos no final em junho.

Fui à médica indicada pelo plano. Ela me examinou, mandou que me vestisse e dali a 10 dias eu seria operada.  No dia anterior ao marcado, minha mãe veio para ficar com meus filhos de 12 e 9 anos. À noite, antes de nos levantarmos, meu esposo gritou por mim, encontrou minha mãe desmaiada. A levamos para o hospital e foi internada de imediato. Sofreu dois infartos: um em minha casa, e outro na ambulância que nos levou a outro hospital especializado.

Só me lembrei da minha cirurgia quando a médica ligou me procurando. Informei ocorrido, ela disse que ligasse para ela assim que minha mãe estivesse bem. Quinze, ou vinte dias depois, fui ao hospital. Minha mãe recebeu alta, e uma de minhas irmãs a levou para casa.

 Lembro que cheguei ao hospital às 4h da madrugada. Fizemos a internação, entrei na sala de espera do hospital. Lá, de camisola do hospitalar, permaneci junto a outros pacientes, num corredor com fileiras de cadeiras nas duas laterais, olhando para o rosto de homens e mulheres esperando para entrar no centro cirúrgico. Tinha uma TV que, fatidicamente, não ajudava, pois, continuamente, a reportagem discorria sobre o caso da moça que matou os pais.

Quando uma enfermeira veio buscar um paciente, pedi que pelo menos ela mudasse de canal. Ela disse que, infelizmente, não conseguia. As TVs eram conectadas a um determinado terminal, que colocava em canais aleatórios, mas que tentaria achar um responsável.

Isso aconteceu depois das 7 horas da manhã. Vários pacientes, impacientes, já tinham ido para cirurgia, macas entravam e saiam a todo momento. A meu lado esquerdo estava um senhor idoso, e a minha direita, uma mulher bem mais jovem que eu. O senhor ria e brincava com os demais, muitos já cansados da espera, como eu.

 Ele ia operar um dos joelhos, disse que não era grave, mas não gostava de cirurgias. A moça a meu lado desatou a chorar. Tive a impressão de que a conhecia, mas não dei muita importância, afinal todos nós navegávamos na mesma canoa, que corria sem destino. Terminou que a moça furou a fila, ou melhor, a minha fila, pois erámos pacientes para a cirurgia de câncer.

 A enfermeira me chamou e informou que a médica havia decidido operar essa paciente antes de mim. Mais três ou quatro horas de espera.

Finalmente a enfermeira veio me buscar, informando aos demais daquele corredor, onde havia um rodízio de novos rostos, numa profusão  assustadora, que os médicos estavam fazendo o possível, mas que cirurgias podem ser mais fáceis ou difíceis, conforme o caso.

Na sala, a médica explicou o procedimento, em seguida fui anestesiada, só acordando quando o sol estava se escondendo.

Lembrei-me de meu esposo, disseram que foi avisado do final da cirurgia, tinha passado no quarto e foi para casa ver meus filhos, que haviam ficado com uma vizinha desde a noite anterior.

Dormi novamente, acordei na madrugada. Desesperada para ir ao banheiro. Acionei o botão da enfermagem, ninguém apareceu. Apertei o botão da cama para me levantar. Ao me sentar para sair, senti muita dor, e um líquido viscoso escorrendo pelo meu lado direito.  Levantei-me e senti algo se rasgando. No banheiro constatei a ruptura dos pontos, o líquido era sangue.  Tomei um banho, me sequei o quanto pude. Procurei por minhas roupas, não encontrei.

 Nua e sangrando, embrulhada no lençol da cama, sai ao corredor à procura de ajuda. Uma enfermeira do berçário me viu. Meio assustada, me perguntou: — De onde a senhora veio? Com fome sede e raiva eu falei

— Se eu ainda estou viva saí do quarto 311. Ela, meio sem graça, me ajudou a voltar ao quarto. Ficou sem fala ao ver o tanto de sangue e fluidos no chão. Na troca de plantão, esqueceram de avisar que tinha paciente naquele quarto. Fui premiada.

Acionou a cama várias vezes para retirar o dreno, um saquinho que estava acoplado a mim, para recolher o líquido que agora vazava com um a bica. O médico de plantão só orientou fazer uma bandagem, deu medicação prescrita na prancheta, que levaram mais de uma hora para encontrar. Resultado: eu estava internada em outra ala, que depois descobriram estar lotada; Assim, me levaram para a ala das parturientes. E lá não encontravam os meus documentos.

A enfermeira trouxe alguns biscoitos e um chá, me vesti com outra camisola, enquanto a moça trocava a cama. Chamaram o pessoal da limpeza. Era tanto o tumulto que não dormi mais até o dia seguinte.

Lá pelas 13 horas, meu esposo, e minha irmã e cunhado, discutiam com a minha médica. Ela queria me levar para a cirurgia. Interrompi e disse a ela se poderia inserir outro cateter e uma nova bolsa, ali mesmo no quarto. Disse que não, mas poderia suturar, e eu teria que ir à clínica a cada dois dias para drenar aquele líquido.

E assim foi feito e pedi a minha alta, a contragosto da médica. Ali eu não ficaria mais. Se eu não tivesse me levantado naquela noite pavorosa, imagino que a história teria sido ainda mais trágica.

A quimioterapia debilita muito.  E a radioterapia faz queimaduras na pele. Já esticada ao máximo, sentia que a minha pele estava grudada às costelas. A isso dão o nome de plastão. Eu perdi a mama e ganhei uma parede, esburacada e queimada.

 Ao término dos dois tratamentos, cinco anos de Tamoxifeno, mais cinco para a conclusão de que estava realmente livre do câncer. O Carcinoma Ductal Infiltrativo tinha sido extirpado, mas a sombra do câncer me acompanha até hoje.

A consciência de que o câncer mata. A moça que chorava a meu lado, de trinta e poucos anos, sobreviveu por mais três meses após a cirurgia, vindo a óbito, porém, deixando órfãos dois filhos.

Eu venci o câncer, mas convivo com o medo de ter outro.  Não quero ser alarmista, mas todas as mulheres e alguns homens estão sujeitos a ter câncer de mama e outros, de igual ou maior perigo.

A prevenção é nossa melhor defesa. Exames regulares, ao menos anualmente. Peça ao ginecologista para fazer a mamografia e ultrassom das mamas. A mamografia mostra os tumores e os estágios de crescimento. No meu caso, a posição em que se encontrava, a mamografia não alcançou para mostrar o tamanho. Foi necessário fazer uma ultrassonografia com dopler, e ser inserida uma agulha, para fazer biópsia.

 Para o ano de 2022 foram estimados 66.280 casos novos, o que representa uma taxa ajustada de incidência de 43,74 casos por 100.000 mulheres.  Segundo pesquisas, as taxas brutas de incidência e o número de novos casos estimados são importantes para estimar a magnitude da doença no território nacional e programar ações locais.

O câncer de mama é a primeira causa de morte por câncer em mulheres no Brasil, com patamares diferenciados entre as regiões. A taxa de mortalidade por câncer de mama, ajustada por idade pela população mundial, foi 11,71 óbitos/100.000 mulheres, em 2021.

Muitos estudos revelam que o câncer mata mais que outros problemas de saúde.

Junto com o câncer, vem o medo de morrer, até mesmo a depressão. O Doutor Vacari foi o primeiro médico a dar a atenção que eu precisava; também o que mais me ajudou e apoiou durante o tratamento. Segundo ele, a forma de enfrentarmos a doença é não se deixar intimidar, manter o bom ânimo, não se vitimizar, e, acima de tudo se colocar em primeiro lugar.

O diagnóstico não significa uma sentença.  Nossa prioridade é detectar ainda nos primeiros estágios, e procurar ajuda médica.  Quem melhor do que nós mesmas para conhecer nosso próprio corpo?  O autoexame, sob o chuveiro, ou deitada de costas, apalpando o seio.

No primeiro estágio sentimos um caroço, pequeno e duro. Depois vem o desconforto, mamilos doloridos, ou invertidos. Depois nódulos ou a secreção mamilar purulenta ou sanguinolenta. Também é comum: fadiga relacionada ao câncer, inchaço dos gânglios, ou perda de peso.

No estágio final, fadiga e perda de peso o câncer já está em um estágio avançado.  Fator maior de risco e de vir a óbito.

Não corra riscos, faça exames a cada ano, ou a cada seis meses, se tiver familiar com esse diagnóstico. O câncer é silencioso, li que morre mais pessoas com câncer, relacionado a doenças cardíacas, e até mesmo à covid.

Ivete Rosa de Souza

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Fábrica de Graffiti seleciona artistas em edital nacional

As inscrições da 13ª edição do Fábrica de Graffiti, que será em João Monlevade (MG), vão até  o dia 10 de outubro no site oficial da Fábrica de Graffiti

Banner da 13ª edição do Fábrica de Graffiti
Banner da 13ª edição do Fábrica de Graffiti

A 13ª edição do Fábrica de Graffiti, em parceria com a Arcellor Mittal, será em João Monlevade (MG) entre os dias 23 e 30 de outubro. Para a nova edição do projeto que humaniza espaço industriais e leva arte-educação às comunidades de cidades do interior do Brasil, está aberto o edital que vai selecionar quatro artistas de todo o país para grafitar esculturas, que serão expostas por vários pontos da cidade mineira.

Para se inscrever, basta acessar o site oficial do Fábrica de Graffiti, ler o edital e preenchê-lo com atenção até o dia 10 de outubro, próxima terça-feira. Artistas de todo o país, com idade acima de 18 anos podem concorrer às vagas.

Com a temática inovação, cada artista vai grafitar um dos quatro animais que representam os diferentes estágios das startups: zebra, camelo, unicórnio e dragão. As esculturas serão em tamanho real.

O portfólio deve ser enviado no formato PDF, DOC ou PPTX. O Fábrica valoriza o trabalho autoral e a qualidade artística, então a inscrição é apta mesmo para os artistas que não possuem muitos anos de experiência. É preciso enviar ainda um layout de um dos animais à escolha da vontade do artista. Para facilitar, basta fazer o download do arquivo durante a inscrição.

A equipe do Fábrica vai selecionar os artistas com base na originalidade e coerência do trabalho. Vale ficar atento aos critérios eliminatórios: qualidade  da foto enviada, não preencher o formulário completo, fotos plagiadas de outro artista, não enviar o layout, fotos de referência com mais de um graffiti não sendo possível indicar a autoria.

A equipe do Fábrica selecionará os artistas com base na originalidade e coerência.

Sobre a Fábrica de Graffiti – Humanizar distritos industriais por meio da arte urbana e democratizar o acesso à arte são os propósitos que movem a Fábrica de Graffiti. Realizando projetos de graffiti através de Leis de Incentivo à Cultura, é responsável pela pintura dos maiores murais de graffiti de Minas Gerais e Bahia e do maior da América Latina, no estado do Rio de Janeiro.

Todos os projetos desenvolvidos levam em consideração os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), praticando igualdade de gênero, sustentabilidade, promovendo geração de renda para artistas locais e educação de qualidade por meio da arte-educação para jovens das comunidades locais. Saiba mais em fabricadegraffiti.com.br

Fotos para download: https://drive.google.com/drive/folders/12Run0NU8RDYDzbH0F-Akeuc6XSm_BpJV

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Espetáculo Quilombo MemORÍa no Teatro Arthur Azevedo

A peça conta o reencontro entre avó e neto, quando ele a tira do isolamento durante a Covid-19 e a leva para morar junto dele, com o intuito de resgatar as histórias e memórias da avó enquanto é tempo

Cena da peça 'Quilombo MemORÍa'
Cena da peça ‘Quilombo MemORÍa’

Link para download de fotos – crédito João Caldas

Dramaturgia trata essencialmente de ancestralidade a partir de um pilar importante da cultura africana: a oralidade. Por milhares e milhares de anos, povos do continente africano têm transmitido saberes por meio da fala, já que grande parte dos povos são ágrafos.

Sabemos que QUILOMBO pode ter vários significados além de esconderijo, também pode ser agrupamento, aldeia, refúgio, recanto. ORI é um termo Yorubá que significa: a mente, a cabeça, a inteligência, a alma orgânica, a essência real do ser, uma intuição espiritual e destino. A memória se perde com o tempo? Pode ser resgatada? Pode ser relembrada?

Quilombo MemORÍa é escrito, dirigido e interpretado por atores negros, que se propoem a criar uma narrativa fantástica que resvala em fundamentos do movimemento afrofuturista. Vale ainda dizer que as principais funções criativas do projeto também são exercidas por artistas negros.

SINOPSE

No texto, João (André Santos) é um advogado que carrega em si as memórias de muitos momentos com a sua avó, Dona Glória (Miriam Limma), que sofre de Alzheimer e se encontra em risco durante a pandemia do COVID-19. Querendo resgatar sua avó e, com isso, resgatar suas tradições mais ancestrais, ele conduz um “sequestro” para que essas recordações e histórias não se percam.

Sobre Eduardo Silva – direção

Ator desde 1978, participou de filmes publicitários, seriados, minisséries, programas infantis, programas educativos, 10 novelas, curtas-metragens (02 prêmios como melhor ator) e 15 longas-metragens.

No teatro atuou em 12 espetáculos infantis, onde ganhou 15 prêmios como Ator Revelação, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Ator (Mambembe, APCA, APETESP, Governador do Estado e Qualidade Brasil), e 25 espetáculos adultos, nos quais ganhou 4 prêmios como Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Ator (Molière, SHELL, Mambembe e APCA).

É diretor do Grupo de Teatro GRIOT’S PULSANTES, com seu trabalho mais recente sendo a peça “Olhos Cor de Mel de James Dean” (Zeno Wilde).

Sobre André Santos – dramaturgo e ator

Formado pela Escola de Atores do Centro de Artes Cênicas do TUCA (PUC-SP / 2003), entre os trabalhos recentes destaca: “Quem Prospera, Sempre Alcança”, texto e direção de Leonardo Cortez (2019-2023); “Casa Estranha”, texto e direção de Leonardo Cortez (2021); “Quem Conta um Conto, Aumenta Um Sonho”, Contos de autores brasileiros, direção de Plinio Meirelles (2019-2020), “Muro”, Coletivo Favela em Cena, texto de William Gutierre e André Santos, direção de André Santos (2018)

Sobre Miriam Limma – atriz

Atriz, cantora e roteirista; também é graduada em Letras pela Universidade de São Paulo em Inglês e Português, sendo que durante a graduação, passou dois semestres em Montreal, Canadá onde estudou na Universidade Concórdia. Fez cursos e oficinas de Artes Cênicas, canto, dublagem, locução, roteiro e dramaturgia em diversas instituições, tais como Senac, SP Escola e Instituto Stanislavsky e Roteiraria.

Atuou nos musicais “Godspell”, “The Tempest”, “Oh, Brother! e “Ivan Lins em cena” e em peças de teatro, tais como “Te amo, Franco Roo!” e “Te amo, Arô! ̈ dirigidas por Fernando Neves, “Feio” (prêmio APCA) e “Política da Editora” direção de Cíntia Alves, “Otelo 2018”, dirigido por John Mowat, entre outros.

Este projeto foi contemplado pela 16ª Edição do Prêmio Zé Renato – Secretaria Municipal de Cultura 

FICHA TÉCNICA

Direção – Eduardo Silva

Codireção – Ananza Macedo

Texto – André Santos

Elenco – André Santos e Miriam Limma

Cenografia – Flávio Serafin

Figurinos, acessórios e visagismo – Érica Ribeiro

Iluminação – Ricardo Bueno

Direção musical – Stela Nesrine

Trilha sonora e composições – Stela Nesrine

Coreografia – Betho Pacheco

Fotografia – João Caldas Filho

Projeto gráfico – Alexandre Ignácio Alves e Ronaldo Lemos (Estúdio Amarelo)

Direção de produção – Sonia Kavantan

Produção executiva – Tiago Barizon

Assistente de produção – Conrado Sardinha

Intérprete de Libras – Karen Nabeta

Realização – LS Gestão e Comunicação Cultural, Secretaria Municipal de Cultura e Prefeitura de São Paulo

SERVIÇO: 

Temporada Teatro Arthur Azevedo – Sala Multiuso
Av. Paes de Barros, 955 – Alto da Mooca

De 12 a 29/10

Apresentações com interpretação em libras: dias 15 e 27/10.

Quintas, sextas e sábados, às 20h, e domingos, às 18h
Ingressos gratuitos – Retirada uma hora antes do início do espetáculo na bilheteria
Estacionamento no local (sujeito à lotação) 

Duração: 70 minutos
Classificação indicativa: 10 anos
Informações: atendimento@kavantan.com.br




Desejos e fantasias: o velado e o revelado em De Olhos Bem Fechados

COLUNA CINEMA E PSICANÁLISE

Marcus Hemerly e Bruna Rosalem: Artigo ‘Desejos e fantasias: o velado e o revelado em De Olhos Bem Fechados’

Banner da coluna Cinema e Psicanálise
Banner da coluna Cinema e Psicanálise: ‘Desejos e fantasias: o velado e o revelado em De Olhos Bem Fechados’

Os conflitos deflagrados por uma miríade de fatores ínsitos à complexidade do homem não passaram ao largo da retratação artística. Mormente, desdobramentos de fantasias e inquietudes sexuais, de igual modo, robustecem o tecido criativo de tramas notáveis na história da sétima arte.

Obsessão, fetiches, (Império dos Sentidos, por exemplo), violação, escapismo ao luto e à morte (O último Tango em Paris), traição, culpa ou a ausência dela (Perdas e Danos, Atração Fatal, Invasão de Privacidade), permeiam a evolução da imagem em movimento desde seus primórdios, direta e indiretamente.

Na própria obra do diretor Stanley Kubrick, as inúmeras camadas humanas foram inseridas na teia diegésica em suas formas mais versáteis. Extremos como a guerra, marginalidade, sátira social, política e econômica de viés histórico, ficção científica, e, no caso em estudo, as nuances da mente humana e suas projeções.

Inclusive, não se olvida da célebre frase atribuída a Rex Reed, pela qual “Deus fez o mundo em seis dias. No sétimo, Stanley Kubrick mandou tudo de volta para modificações”.

Na trama do filme ‘De Olhos Bem Fechados’, (Eyes wide shut, 1999), Nicole Kidman e Tom Cruise interpretam um casal nova iorquino bem sucedido – à época eram casados fora das telas -, transpondo o material original do romance Traumnovelle, Um Romance de Sonho (1926), de Arthur Schnitzler, da Veneza do século XIX para a América do século XX.

Frequentando a alta sociedade e gravitando entre os privilegiados, William “Bill” (Cruise), um médico aparentemente autoconfiante e Alice Harford (Kidman), uma curadora de arte em período sabático, tem a confiança até então inatacável, fragilizada após um despretensioso colóquio.

Ao revelar ao marido um momento de fantasia e quase infidelidade durante uma viagem, Bill é se vê diante de uma esposa possivelmente infiel e insatisfeita com a vida sexual que até então levavam. Nesse rompimento de uma cegueira descortinada em relação à possibilidade de fantasiar com práticas eróticas fora de seu normativo matrimônio, a partir de uma oportunidade, ele permite inserir-se numa jornada frenética, libertadora de seus pudores.

Numa das festas frequentadas pelo casal, a personagem vivida por Cruise encontra um pianista, velho companheiro de faculdade, que lhe revela a existência de um lugar sofisticado no qual seriam conduzidas orgias inimagináveis.

Tentando se infiltrar naquela sociedade secreta, o pacato médico se enverada por uma aventura rumo à sua própria auto (re)descoberta, deparando-se com as mais diversas personalidades e personas marginalizadas em várias facetas e derivações.

Acompanhamos Bill em sua perambulação, ou o que se pode chamar de cinema de deambulação, pelo qual através de planos sequência e travelings, que de modo símile à própria cidade, atuam de modo coadjuvante, intensificando o forte tom onírico de sua imposta peregrinação rumo a libertação sexual.

A riqueza dos desdobramentos psicológicos repousa ainda na segunda parte da fita. Após frustrada incursão àquela agremiação sexual, Bill passa a ser perseguido – ou assim ele acredita – pelos integrantes da confraria a fim de assegurar a manutenção de sua confidencialidade.

O que pode causar inquietação ao espectador, é o fato de que ora pode se concluir que determinado trecho da película se trata de um sonho, contemplação ou projeção da personagem, ora somos confrontados com a certeza de que seu medo é real e que sua experiência com as orgias de fato aconteceram.

Como já dizia Freud em uma de suas obras mais icônicas, A Interpretação dos sonhos (1900), sonho é uma realização de desejo e é também a via régia para o inconsciente.

Através dos conteúdos oníricos, imagens distorcidas, condensação e deslocamento de sentido daquilo que tomaríamos como algo consciente, nos sonhos aparecem enquanto fantasias, desejos, temores, traumas, porém sempre postos de maneira misteriosa, confusa, talvez angustiante ou mesmo prazerosa como se fossem códigos que precisam ser decifrados, para que questões importantes de nosso psiquismo se revelem.

E uma vez sonhado, entregue, não é possível voltar atrás. Parece o momento de Bill quando experimenta sensações nunca antes sentidas e que talvez jamais traga o velho Bill de volta.

Estamos diante mais uma vez de um conflito entre manter-se como o homem de aparência cordial, contida e ponderada ou entregar-se às luxúrias carnais. Talvez as máscaras naquele baile soassem como particulares (e porque não, peculiares) esconderijos de um velado sujeito animalesco, selvagem, sedento por um gozo extremo (se é que isso seja possível).

A própria estética do culto nos remete ao vivo das cores do sangue, da carne, ao mesmo tempo contrastante com o sombrio e quente. Poético e aterrorizante. Nefasto e almo. No mesmo viés daquilo que pulsa à Bill e a repressão de outrora.

Numa sociedade que nos provoca tanto mal-estar _ remetendo mais uma vez à Freud ao escrever Mal-estar na civilização (1930) _  que nos enreda nas tramas das crenças, dos medos, das repressões dos sentimentos e das paixões, do esfalecer das ideias e das possibilidades de criação, dos empecilhos em inventar e reinventar saídas inusitadas para um cotidiano que insiste em nos manter alienados ao máximo; falar em gozo é algo sempre complexo.

Claro que não dá para gozar o tempo todo, porém De olhos bem fechados consegue tocar numa questão ainda muita cara: as nuances da sexualidade, suas diversidades e, inevitavelmente, seus tabus. Principalmente no que se refere ao “casal perfeito” que segue a tradição do casamento nuclear: pai, mãe, filho.

O mal-estar provocado pelas quase três horas de filme, cadenciado, sem pressa em retratar o quão despudorados podem ser os nossos mais sórdidos desejos, Kubrick faz questão de nos incitar a dúvida se tudo não passaria de um longo sonho ou se realmente aconteceu, quase como “botar em panos quentes” para que aquela realidade não seja tão agressiva, justamente vindo de um casal tão “normal”, ordinário, ser capaz de ansiar por tais experiências.

Seria talvez uma crítica “moralizante” do diretor, ou um chiste para aguçar a curiosidade do espectador, ou ainda, uma cutucada para nos apontar até onde podem ir nossas próprias inversões? Será que o recurso do sonho, ao interromper aquelas orgias e por fim à entrega ao prazer seria um corte brusco, quase uma “brochada”, daquilo que poderíamos desejar, mas jamais poderíamos ter? E mais, sustentar uma vida à la Dionísio? Kubrick nos faz pensar.

Voltando o olhar para o cenário do suspense psicológico nas últimas duas décadas, identifica-se um bom presságio no que diz respeito ao gradual retorno do cinema rotulado como autoral. Anualmente, somos brindados com lançamentos de cinebiografias, filmes históricos, dramas e tramas que mimetizam o entretenimento e reflexão intelectiva. Nesse plano, se de um lado, os estúdios, assim como qualquer forma de empreendimento, necessitam de lucro, de outro lado, é interessante observar que os títulos que permeiam os festivais e premiações são os mesmos procurados pelo público tanto nos cinemas como em serviços de streaming.

Por defluência, a sétima arte ainda que povoada por produções meramente comerciais e de apelo artístico reduzido, ainda consegue afagar os olhos e sentimentos daqueles que apreciam o verdadeiro incitar da arte. É o caso da trama aqui analisada, comprova que ainda é possível criar um belo roteiro, cheio de provocações e perturbações ao espírito. Nos incomoda e, talvez, seja este um interessante artifício que faz a produção gravitar até hoje em nosso imaginário.

Marcus Hemerly e Bruna Rosalem

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Um porto seguro

Resenha do livro “Um porto seguro” de Regina Maranhão, pela Editora UICLAP.

Capa do livro "Um porto seguro" de Regina Maranhão pela Editora UICLAP

RESENHA

Helena é uma mulher linda e determinada, que está passando por um momento muito difícil com a morte da mãe e o término de seu noivado.

Seu pai a aconselha a fazer uma viagem para repor as energias e espairecer.

Nesta viagem ela conhece Eduardo, um rapaz insistente que quer um envolvimento com ela, porém ela não está interessada, somente quer descansar.

No dia seguinte a sua chegada, Helena resolve participar de uma excursão, porém Eduardo também vai e continua cercando-a com suas investidas.

Para escapar do assédio, Helena tenta conversar com o guia da excursão, Lucas, mas o rapaz tem seus próprios problemas e não da atenção a ela.

Bem mais tarde, após muita insistência, Helena resolve conversar com Eduardo.

Eles vão para perto da fogueira, conversam, ele oferece uma bebida a ela, que aceita e, após beber, se sente mal.

Tenta chegar na cachoeira, mas escorrega, bate a cabeça em uma pedra e, dali em diante, sua história muda completamente.

Um livro que fala de amor, desencontros, perdão, traição e reencontros.

Uma história dinâmica, cheia de reviravoltas que eu amei!!

Super recomendo! Leiam!

Assista à resenha do canal @oqueli no Youtube

SOBRE A OBRA

Regina nos conta que não teve propriamente inspiração para suas obras, mas sim, o incentivo de uma professora do ensino fundamental, que pediu aos alunos que escrevessem um pequeno livro.

Então ela escreveu sua primeira história, que será sua segunda a ser divulgada.

Daí em diante, ela não parou mais, (para nossa sorte!) e as histórias continuam fluindo em sua cabeça.

Suas obras, no geral, são romances, que é o que se sente muito feliz em escrever.

Mas Regina não sabe se, futuramente, mudará seu estilo de escrita.

SINOPSE

Você seria capaz de perdoar e até amar alguém que só desejou o seu mal?

Pode parecer uma tarefa difícil, mas Deus nos fez totalmente capazes de superar o mal, e passar uma borracha sobre sentimentos que nos sufocam.

Já ouviu falar que nós por muitas vezes tomamos veneno esperando que o outro morra?

É quando deixamos o rancor falar mais alto ao ponto de nos corroer por dentro.

Essa é a difícil missão de Helena: ensinar Víctor a amar e ter uma nova perspectiva de vida plena e satisfatória.

Ela perdoou os piores erros de seu marido e o amou, doando-se de forma que talvez jamais faria por outra pessoa.

SOBRE A AUTORA

Regina Estela Maranhão

Regina Estela Maranhão tem 46 anos, casada, mãe de três filhos.

Natural de Brasília, formada no ensino médio, começou a escrever aos treze anos de idade.

Um porto seguro foi seu primeiro livro a ser divulgado, mas, para nossa alegria, já há quatro obras na gaveta, que espera muito em breve divulgá-las também.

OBRA DA AUTORA

Capa do livro "Um porto seguro" de Regina Maranhão pela Editora UICLAP

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Resenhas da colunista Lee Oliveira




Grife

Sergio Diniz da Costa: Miniconto ‘Grife’

Sergio Diniz
Sergio Diniz
Manequim vestindo terno vermelho
Pexels | Detalhes da licença
Criador: Clem Onojeghuo | Crédito: Foto de Clem Onojeghuo
Direitos autorais: Clem Onojeghuo

No espelho deu seu costumeiro sorriso amarelo e penteou os cabelos tingidos de castanho.

Depois do vestuário completo da Gucci, pelo qual fez um empréstimo bancário para pagar em 84 parcelas, sentiu-se confortável para ir ao evento social.

Vítima de um enfarte fulminante, morreu!

Dia seguinte, após o velório, foi enterrado em seu sepulcro, recentemente caiado.

Sergio Diniz da Costa

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