Últimas apresentações da temporada 2023 do espetáculo Criatura, Uma Autópsia 

Após participar de festivais internacionais, o espetáculo volta ao teatro onde estreou, em 2019, como parte de circulação pelo Prêmio Zé Renato

Cena do espetáculo 'Criatura, Uma Autópsia'
Cena do espetáculo ‘Criatura, Uma Autópsia’

A atriz Bruna Longo provoca uma fricção entre o romance Frankenstein, ou O Prometeu Moderno e a vida de sua autora, Mary Wollstonecraft Godwin (Shelley), no solo Criatura, Uma Autópsia.

Após participar em festivais na Turquia, Cabo Verde e Angola, e circular por outros três teatros municipais entre maio e julho de 2023, o trabalho volta aos palcos para encerrar a temporada deste ano. As apresentações acontecem na Casa de Cultura Monte Azul (dias 14 e 15 de outubro) e no Centro Cultural Santo Amaro (dias 17 e 18 de outubro). 

Fruto de dois anos de pesquisas dentro e fora da sala de ensaio, o espetáculo foi originalmente imaginado como uma adaptação para o palco de Frankenstein, ou O Prometeu Moderno, sob o ponto de vista da Criatura. Mas os caminhos da pesquisa são frequentemente misteriosos: por vezes busca-se algo e outra coisa nos encontra.

Ao tentar falar da Criatura cada ação, cada palavra, cada dor encontrava Mary Wollstonecraft Godwin (mais tarde Shelley), a jovem que escrevera o livro. Sua história se impunha através da narrativa que ela mesma escreveu. 

Em junho de 2018, com a pesquisa avançada e já em meio aos ensaios, Bruna Longo é convidada pela Bodleian Libraries da Universidade de Oxford e pelo curador do acervo especial Stephen Hebron a acesso total aos diários, cartas e manuscritos originais de Mary Shelley, reservado geralmente apenas a acadêmicos ligados a grandes centros de pesquisa. 

A visita à Inglaterra a levou ainda a todos os lugares relevantes à vida de Mary Shelley em Londres e Bournemouth (onde está o túmulo da família). Além disso teve acesso a outros documentos na British Library. Voltando à sala de ensaio, a atriz chega à versão final da dramaturgia física, criada tendo como base duas narrativas: a do romance e a da vida de Mary Shelley, buscando os pontos de fricção. 

Dois anos depois do início da pesquisa, o espetáculo que nunca se propôs uma biografia da Criatura ou tampouco da autora, tornou-se uma autopsia de um romance e de uma personagem, revelando as entranhas, artérias, musculatura de dores pessoais e universais. 

Outra grande questão que circunda a peça é uma reflexão sobre a morte e o luto, que a dramaturga Bruna Longo evoca motivada pela perda do próprio pai e é tema do Projeto Memento Mori . Memento Vivere, ou Precisamos Falar Sobre a Morte, contemplado pela 16ª Edição do Prêmio Zé Renato.

“A morte é, para nós ocidentais, talvez o último intransponível tabu. Não falamos sobre ela. Não sabemos lidar com ela. No entanto, ela é também a única certeza inexorável. Desde o início do processo de pesquisa do espetáculo, eu queria falar sobre morte e luto, mas sempre acabei entrando mais na esfera feminista, da questão da autoria. Agora, com a morte do meu pai, as mortes na vida de Shelley – centrais no espetáculo, assumiram uma camada mais pessoal.

Vivemos nos últimos anos num estado de necropolítica em meio à maior pandemia da história recente, e ainda assim não conseguimos falar de morte, da nossa própria morte, daqueles que amamos. Falamos de morte como uma generalidade social, como um elemento político, mas não conseguimos discutir a morte como um assunto cotidiano”, revela. 

Criatura, Uma Autópsia realizou temporada de estreia na Oficina Cultural Oswald de Andrade (SP) em agosto de 2019 (sendo estendida até fim de setembro). Em novembro de 2019, realizou curta temporada no Espaço Cia da Revista (SP). Foi indicado ao Prêmio Aplauso Brasil 2019 na categoria Melhor Atriz.

Em 2021, cumpriu circulação em versão audiovisual por quatro teatros da cidade de São Paulo como parte do Projeto Anônimo Muitas Vezes Foi Mulher, idealizado por Bruna Longo e contemplado pela 11a Edição do Prêmio Zé Renato. 

Em 2022 o espetáculo participou da Mostra Solo Mulheres, no Teatro de Contêiner (São Paulo), Festival Monofest22, organizado pelo Tyiatro Medresesi em Sirince, Turquia, e do Festival Internacional de Teatro do Mindelo – Mindelact, em Cabo Verde.

Em 2023 participou do Festival Internacional de Teatro e Artes organizado pelo Elinga Teatro, em Luanda, Angola, e voltou a São Paulo em circulação por teatros públicos como parte do projeto Memento Mori . Memento Vivere – Ou Precisamos falar sobre a morte, contemplado pela 16ª Edição do Prêmio Zé Renato.

Sobre Bruna Longo

Atriz, dramaturga, produtora, diretora de movimento, pesquisadora corporal e educadora, tendo trabalhado em dezenas de projetos na Europa, Brasil e Estados Unidos. Colaborou com companhia dinamarquesa Odin Teatret, dirigida por Eugenio Barba, de 2006 a 2010, e foi membro da Cia. da Revista, de São Paulo, de 2010 a 2016. 

Mestre em Movement Studies pela Royal Central School of Speech and Drama – University of London, Reino Unido, 2010. Entre seus trabalhos mais recentes como atriz estão: Os 3 Mundos, com direção de Nelson Baskerville, no Teatro Popular do SESI (2018); Um Dez Cem Mil Inimigos do Povo, de Cassio Pires sobre texto de Henrik Ibsen. Direção: Kleber Montanheiro (2016); Ópera do Malandro, de Chico Buarque de Hollanda. Direção: Kleber Montanheiro (2014/15);

Crônicas de Cavaleiros e Dragões, de Paulo Rogério Lopes. Direção: Kleber Montanheiro. Teatro Popular do SESI (2013); Kabarett, direção: Kleber Montanheiro (2012/14); Cabeça de Papelão, de Ana Roxo sobre conto de João do Rio. Direção: Kleber Montanheiro. Prêmio de Melhor Atriz no Festival de Teatro de Taubaté em 2013 (2012/16); 

Cada Qual no Seu Barril, dramaturgia corporal de Bruna Longo e Daniela Flor. Direção: de Kleber Montanheiro. Indicada como melhor atriz ao prêmio FEMSA de Teatro Infantil e Jovem em 2012 (2011/2018); Carnavalha, de Bruna Longo. Direção: Kleber Montanheiro (2011); The Marriage of Medea. Direção: Eugenio Barba. Holstebro, Dinamarca (2008); 

Landrus & Cassia, escrito e dirigido por Brian O’Connor. Virginia, EUA (2007); Shentai – The Circus Must Go On. Direção: Martha Mendenhall. Virginia, EUA (2007); Ur-Hamlet. Direção: Eugenio Barba. Ravenna, Itália – Helsingør, Dinamarca – Holstebro, Dinamarca – Wroclaw, Polônia (2006/09).  

FICHA TÉCNICA

Concepção, dramaturgia e elenco: Bruna Longo

Assistentes: Giovanna Borges e Letícia Esposito

Cenário: Bruna Longo e Kleber Montanheiro

Cenotécnica: Evas Carreteiro, Nani Brisque e Alício Silva

Figurinos: Kleber Montanheiro

Objetos: Bruna Longo  

Desenho de luz: Rodrigo Silbat

Trilha: Bruna Longo

Fotos: Danilo Apoena  

Design Gráfico: Kleber Montanheiro

Colaboradores artísticos: Larissa Matheus (provocações de dramaturgia), Lino Colantoni (edição de trilha), Mateus Monteiro (interpretação textual), Victor Grizzo (direção de arte) e Anna Toledo (canto). 

Website: https://brunalongo.weebly.com/criatura.html

Instagram: @espetaculo.criatura

Projeto Memento Mori . Memento Vivere:

Direção de Produção: Jota Rafaelli

Assistente de produção: Amanda Chaptiska

Libras: Mirian Caxilé 

Filmagem/Edição palestras: Felipe Lwe

https://brunalongo/weebly.com/memento.html

SINOPSE

Criatura, Uma Autópsia, espetáculo solo de Bruna Longo, é uma fricção entre o romance Frankenstein, Ou O Prometeu Moderno e a vida de sua autora Mary Wollstonecraft Godwin (Shelley).

SERVIÇO

Criatura, Uma Autópsia, de Bruna Longo

Classificação: 10 anos

Duração: 70 minutos

Ingressos: Gratuitos, distribuídos sempre uma hora antes de cada sessão

Casa de Cultura Monte Azul 

Av. Tomas de Sousa, 552 – Jardim Monte Azul, São Paulo – SP

Sábado (14 de outubro) às 20h, domingo (15 de outubro) às 19h

Centro Cultural Santo Amaro 

Av. João Dias, 822 – Santo Amaro, São Paulo – SP 

Terça-feira (17 de outubro) e quarta-feira (18 de outubro) às 20h

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III Feira das Formas Animadas

III Feira das Formas Animadas tem programação gratuita voltada para pessoas de todas as idades, entre 11 e 16 de outubro

III Feira das Formas Animadas
Baixe fotos e teasers dos espetáculos aqui no site da mostra

A mostra conta com oficinas, espetáculos e bate-papos com artistas do Brasil, Alemanha, Chile e Polônia. Atividades acontecem na Vila Itororó e nos teatros Arthur Azevedo e Sobrevento

A magia do teatro de bonecos é celebrada na terceira edição da Feira das Formas Animadas, uma mostra completamente gratuita feita em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, com atividades voltadas para bebês, crianças e adultos.

O evento acontece de 11 a 16 de outubro, na Vila Itororó (dentro do C.R.F.A. – Centro de Referência das Formas Animadas) e nos teatros Sobrevento e Arthur Azevedo.

Com curadoria de Sandra Vargas, Fabio Supérbi e Rodrigo Andrade, a mostra reúne 14 espetáculos de artistas reconhecidos pelo trabalho com teatro de bonecos e formas animadas no Brasil – de São Paulo, Pernambuco e Distrito Federal –, na Alemanha, no Chile e na Polônia.

A programação ainda conta com uma série de oficinas e mesas de reflexão.

Entre as atrações nacionais, estão as companhias O Que de Que (SP), com o espetáculo Cadê Meu Nariz?; Mevitevendo (SP), com Theatro Misterioso; Valdeck de Garanhuns (PE), com Simão e os Protetores das Florestas; XPTO (SP), com Mar, Maru, maré e a Ilha que não é; Lumiato (DF), com 2 Mundos; Maracujá Laboratório de Artes (SP), com Nerina, a Ovelha Negra; Sobrevento (SP), com o espetáculo para bebês Meu Jardim; e Noz (SP), com Cocô de Passarinho.

Já os convidados internacionais são Natalia Sakowicz (Polônia), com o trabalho Romance; Annafabuli (Alemanha), com os espetáculos Pedro e a Lua e O Príncipe Sapo; e Viajeinmóvil (Chile), com a peça Frankesntein.

Além dessa programação, durante todo o evento, o Museu de Bonecos do C.R.F.A. (Centro de Referência das Formas Animadas), na Vila Itororó, estará de portas abertas para visitantes conhecerem mais sobre essa forma de arte fascinante. É só aparecer!

E, em comemoração ao Dia das Crianças, algumas das apresentações e atividades que acontecem na Vila Itororó terão algodão doce e pipoca de graça para todos os presentes.

Confira a programação completa no site  feiradasformasanimadas.com.br/

Sobre a Feira das Formas Animadas

Criada em 2020, a Feira das Formas Animadas nasceu graças aos recursos da Lei Aldir Blanc e teve como objetivo em sua primeira edição auxiliar coletivos, grupos e artistas, preferencialmente do Estado de São Paulo, que trabalham com as Formas Animadas, priorizando aqueles que não receberam nenhuma verba da Lei Aldir Blanc ou de outros editais culturais naquele ano.

Para tal, a mostra abriu um chamamento nacional e selecionou 14 espetáculos de 12 coletivos/artistas para participar de uma mostra online, que aconteceu em 2021.

Já a segunda edição do evento, já com parceria da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, teve sua versão presencial em 2022.

A Feira das Formas Animadas é uma idealização do Centro de Referências das Formas Animadas, da Terceira Via.

O CRFA é um espaço de encontros e reflexões para fomentar pesquisas brasileiras, fortalecer suas ações e potencializar intercâmbios com outros países que pesquisam o Teatro de Bonecos há mais de um século.

Em 2021, o centro iniciou suas turmas experimentais de criação em Formas Animadas, oferecendo oficinas especializadas em Teatro de Bonecos, uma Mostra Cênica com os alunos e artistas convidados, além deste festival para potencializar as ações desse segmento cultural no país.

Visite o site do CRFA: crfa.com.br/

O C.R.F.A. e a Feira das Formas Animadas são idealizações da O Que De Que – oquedeque.com.br/

Sobre Sandra Vargas – curadora nacional

Formada pela Universidade do Rio de Janeiro, Sandra Vargas é uma das fundadoras do grupo Sobrevento, tendo dirigido alguns dos espetáculos do repertório.

Esteve indicada, em 1989, como Melhor Atriz e Revelação de Melhor Atriz para os Prêmios Mambembe e Coca-Cola. Em 2000, ganhou o Prêmio APCA (da Associação Paulista de Críticos de Arte) de Melhor Atriz.

Apresentou-se com o Sobrevento em 23 estados brasileiros e em países de 4 continentes.

Trabalha como atriz, dramaturga e manipuladora em quase todos os espetáculos do SOBREVENTO e responde pela curadoria de inúmeros festivais internacionais, como o FITO – Festival Internacional de Teatro de Objetos.

Promoveu, também, palestras, mesas redondas e oficinas (destinadas a professores, crianças, jovens, ou profissionais de Teatro) em diversas áreas do Teatro de Animação.

É responsável pela formação e pelo aperfeiçoamento de muitos marionetistas, além de orientar companhias teatrais de vários estados do país que buscam se aproximar do Teatro de Animação ou se aprofundar no Teatro de Objetos.

Sobre Fabio Supérbi – Curador Nacional

É narrador de histórias e marionetista. Trabalha com contos tradicionais, memória, cartas e literatura. Participou de grupos como o Núcleo Vendaval e o Coletivo de Ventiladores.

É também parceiro de criação da O Que de Que. Possui título de mestre pelo Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista (UNESP), com enfoque no Teatro para crianças.

É licenciado em 2004, pela mesma Universidade, na área das Artes Cênicas. Cruzou o mar para contar e ouvir histórias, hoje vive em Lisboa onde desenvolve suas pesquisas e suas criações.

Sobre Rodrigo Andrade – Curador Nacional e Internacional

Fundador da O Que de Que, possui mais de 20 anos de experiência no Teatro das Formas Animadas.

Já participou de festivais no Brasil, Rússia, Holanda, Espanha, Turquia, Albânia, Vietnã, Tailândia, Índia, Taiwan, Cazaquistão, Argentina, Venezuela e Equador.

Co-produziu e idealizou o FESTIVAL INTERNACIONAL ROTAS de Teatro de Bonecos na cidade de Assis/SP em 2014.

Ganhou os seguintes prêmios: Medalha de Prata de Melhor Ator no Ha Nói Festival, Premiado na Rússia e Cazaquistão e único artista brasileiro que abriu uma edição do Festival do Teatro Obraztsov, o maior Teatro de Bonecos do mundo, em Moscou.

Andrade é o idealizador da I Feira das Formas Animadas de SP e do CRFA.

Serviço

III Feira das Formas Animadas

Quando: 11 a 16 de outubro

Teatro Arthur Azevedo – Avenida Paes de Barros, 955, Alto da Mooca C.R.F.A., na Vila Itororó – Rua Maestro Cardim, 60, Bela Vista

Teatro Sobrevento – Rua Cel. Albino Bairao, 42, Belenzinho

Quanto: grátis, com ingressos distribuídos 1h antes de cada apresentação

Programação completa em  feiradasformasanimadas.com.br/

Livre para todas as idades

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Horizontes aparentes

Eliéser Lucena: Poema ‘Horizontes aparentes’

Foto do colunista Eliéser Lucena
Eliéser Lucena
paisagem
https://pxhere.com/pt/photo/1522517 – Imagem gratuita

Olhando para a linha do horizonte

Percebo o quanto ele é longe, distante

E é sempre lá que queremos chegar

Nossos sonhos estão no limiar das nossas forças

Olhando para o Universo, desafio!

Ele tende a ser redondo, 360º

Por mais que caminhemos (cansaremos)

Chegaremos onde estamos, voltaremos ao início

A vida gira sempre em torno do que não temos

Buscamos o horizonte, uma obsessão

Sem atenção ao “onde estamos”

Como sempre sendo um lugar a ser melhorado

Assim o mundo anda e o tempo passa

Deixamos de viver aquilo que temos

Valorizamos o que não temos como sonhos

Desvalorizando nossas pequenas conquistas

O medo de um futuro que pode nem chegar

A negação dos pequenos dons que herdamos

Reações adversas ao que foi conquistado

Negações às dádivas diárias que recebemos

Algo que parece uma tendência

Correr atrás ao invés de andar na frente

Buscar objetivos distantes, remotos

Em detrimento ao palpável

Talvez assim se adquira aquela síndrome

De achar que o tempo se arrasta

Que não conseguimos nada sólido

Com uma leve pitada de fracasso

Mas e se pararmos e pensarmos um pouco?

O tempo de reverter o quadro não seria agora?

Recolocando a vida nos trilhos, simplificando

Vida longa, despretensiosa, despojada e feliz!

Eliéser Lucena

Contatos com o autor

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Sesc Sorocaba apresenta programação infantil com diversas expressões artísticas

Confira os destaques da programação infantil da primeira quinzena de outubro, para as crianças soltarem a imaginação

Aplausos e vaias | Foto: Leo Tafuri.
Aplausos e vaias | Foto: Leo Tafuri. 

No sábado, dia 7/10, às 16h, o palhaço Mendonça chega com o espetáculo: Aplausos e vaias. O personagem excêntrico e cheio de habilidades arruma sua parafernália para realizar sua apresentação, manipulando diversos objetos e realizando magias cômicas, demonstrando toda a sua desenvoltura circense. Um típico espetáculo de rua, onde o público provocado por essa figura, ficará entre “aplausos e vaias”. Apresentação com classificação livre e grátis. Para participar é só chegar. 

 Operilda na Orquestra Amazônica
 Operilda na Orquestra Amazônica | Foto: Divulgação. 

O musical infantil Operilda na Orquestra Amazônica acontece no domingo, dia 8/10 às 16h, contando de forma lúdica a história de Operilda, uma bruxinha apaixonada pelo Brasil. Ao longo do espetáculo, a personagem passeia por diferentes ritmos musicais, estilos e compositores como Alberto Nepomuceno, Padre José Maurício, Carlos Gomes, Villa-Lobos, Camargo Guarnieri e Guerra-Peixe, e da música popular, como Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, Xisto Bahia e Tom Jobim, além de canções de origens folclórica, africana e indígena brasileiras.

 Classificação livre. Lugares limitados. Vendas já disponíveis em centralrelacionamento.sescsp.org.br ou aplicativo Credencial Sesc SP. E presencialmente na Central de Atendimento. 

Os valores dos ingressos para os espetáculos infantis são R$ 8,00 (credencial plena), R$ 12,50 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, estudante, servidor de escola pública com comprovante, pessoas com deficiências e seus acompanhantes) e R$ 25,00 (inteira). Grátis para crianças até 12 anos (necessário apresentar ingresso). 

E no feriado do dia 12/10, quinta, quando se comemora o Dia das Crianças, a programação fica recheada de apresentações e atividades: 

Das 10h às 16h, ocorre a IX Feira de troca de brinquedos. 

Os brinquedos que as crianças não gostam mais podem ser trocados ou doados, fazendo a alegria de uma outra criança. Trocar pode ser bem mais divertido do que comprar. E as crianças poderão participar de várias outras atividades no Espaço Ludus, bem ao lado da feira. A atividade é de classificação livre e para participar é só chegar. 

Às 13h30, Coletivo Cafuzas compartilha na atividade Rodas de histórias, livros e jogos, histórias e jogos das culturas indígenas, africanas, afro-brasileiras e populares, acompanhados de mediação de leitura de livros relacionados a essas temáticas, convidando todos a aprender por meio da experiência. A atividade é de classificação livre e para participar é só chegar. 

Tiquequê
Tiquequê | Foto: Nina Jacobi.

Com duas apresentações, às 15h e as 18h, o grupo Tiquequê chega com o show Todo Dia, que mistura diversos estilos artísticos como movimentos coreografados, percussão corporal, ritmo, histórias e influências das cantigas brasileiras. 

Todo dia é o 6º espetáculo do grupo, um show que é transformado em uma linguagem cênica. Os enredos das músicas chamam a atenção por falarem das pequenas delícias e eventualidades do dia a dia. “Acorda, tem comida boa”, “Bichos Nojentos”, “Festa na Floresta” e “Praia” são algumas das composições cantadas. A apresentação tem classificação livre e lugares limitados. 

Vendas on-line esgotadas. E presencialmente na Central de Atendimento a partir do dia 4/10 às 17h

Os valores dos ingressos para os espetáculos infantis são R$ 8,00 (credencial plena), R$ 12,50 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, estudante e servidor de escola pública com comprovante) e R$ 25,00 (inteira). Grátis para crianças até 12 anos (necessário apresentar ingresso). 

Às 16h, a Cia. Usinarte convida o público para Uma tarde de circo, onde vários artistas sorocabanos e cias convidadas se reúnem, demostrando suas diversas habilidades circenses, tais como: palhaçaria, números em altura, acrobacias de solo e malabarismo acrobático. A atividade é de classificação livre e para participar é só chegar. 

 Iori descobre o sol, o sol descobre Iori
 Iori descobre o sol, o sol descobre Iori | Foto: Melquior Brito. 

Também do Coletivo Cafuzas, no sábado, dia 14/10 às 16h, tem a narração de histórias Iori descobre o sol, o sol descobre Iori. Na história, a pequena Iori, sozinha em seu quarto sem conseguir dormir, fica intrigada com os sons dos campos vindos do lado de fora da janela. Ela escuta, cri, cri, cri, tuc, tuc, tuc, uouch… piuuu. Envolvida pelos ruídos misteriosos da noite longe das cidades, a menina passa o tempo acordada, até a chegada do sol. A apresentação é livremente inspirada em publicação de mesmo nome de Oswaldo Faustino. A atividade é com classificação livre e para participar é só chegar. 

No domingo, dia 15/10, às 16h, Cia. de Dança Meu Corpo, Meu Brinquedo traz o espetáculo de dança Lá em cima. A apresentação brinca com as inúmeras possibilidades do olhar para o que lá em cima pode ser visto, percebido, descoberto por uma criança. Lá em cima pode ser o céu, onde mora o sol, o céu, a chuva, a nuvem, o trovão, o raio, lá em cima pode ser em cima de alguma outra coisa. Com classificação livre e lugares limitados.

Vendas on-line já disponíveis no site centralrelacionamento.sescsp.org.br ou aplicativo Credencial Sesc SP. E presencialmente na Central de Atendimento a partir do dia 4/10 às 17h

Os valores dos ingressos para os espetáculos infantis são R$ 8,00 (credencial plena), R$ 12,50 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, estudante, servidor de escola pública com comprovante, pessoas com deficiências e seus acompanhantes) e R$ 25,00 (inteira). Grátis para crianças até 12 anos (necessário apresentar ingresso). 

Confira mais sobre essas e outras atividades da programação do Sesc Sorocaba em sescsp.org.br/sorocaba. 

SERVIÇO 

CIRCO 

Aplausos e vaias 

Sábado, dia 7/10, às 16h. 

Classificação livre. Grátis.  

Para participar é só chegar. 

TEATRO INFANTIL 

Operilda na Orquestra Amazônica 

Domingo, dia 8/10, às 16h. 

Lugares limitados. Livre. 

R$ 25,00 | R$ 12,50 | R$ 8,00.  

Grátis para crianças até 12 anos (necessário apresentar ingresso). 

INFANTIL 

IX Feira de troca de brinquedos 

Quinta, dia 12/10, das 10h às 16h. 

Livre. Grátis.  

Para participar é só chegar. 

NARRAÇÃO DE HISTÓRIAS 

Rodas de histórias, livros e jogos 

Quinta, dia 12/10, às 13h30. 

Classificação livre. Grátis.  

Para participar é só chegar. 

SHOW INFANTIL 

Tiquequê 

Todo dia 

Quinta, dia 12/10, às 15h e às 18h. 

Lugares limitados. Classificação Livre. 

R$ 25,00 | R$ 12,50 | R$ 8,00.  

Grátis para crianças até 12 anos (necessário apresentar ingresso). 

CIRCO 

Uma tarde de circo 

Quinta, dia 12/10, às 16h. 

Classificação livre. Grátis.  

Para participar é só chegar. 




Minas Hoje: Orquestra Tom Jobim homenageia criatividade da música contemporânea mineira

Concertos de 07 e 08 de outubro no Theatro São Pedro terão a presença dos pianistas e compositores Davi Fonseca e Luísa Mitre, sob regência de Nelson Ayres e Tiago Costa

Orquestra Tom Jobim
Orquestra Tom Jobim
Foto: Heloísa Bortz

Berço de artistas influentes da Música Popular Brasileira, Minas Gerais está no foco dos próximos concertos da Orquestra Jovem Tom Jobim, grupo artístico da Escola de Música do Estado de São Paulo (EMESP Tom Jobim) – instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo -, gerida pela Santa Marcelina Cultura.  

Em dois concertos que acontecerão no Theatro São Pedro nos dias 07 e 08 de outubro, o programa Minas Hoje contemplará diversas composições que se relacionam com a diversidade cultural, a tradição e a inventividade da música mineira, com destaque para a participação dos solistas Davi Fonseca e Luísa Mitre. Naturais de Minas Gerais, os compositores e pianistas interpretarão obras de sua autoria, sob a regência dos maestros Nelson Ayres e Tiago Costa, desde 2015 à frente da Orquestra Jovem Tom Jobim, dedicada à música popular brasileira orquestral. 

“Escolhemos o programa Minas Hoje para jogar luz nessa tradição que o Estado tem há tantos anos de ter uma cultura sólida, autêntica, ter aquela coisa que chamamos de ‘música mineira’, com características muito fortes. E é uma cultura que segue se renovando, com grandes nomes tanto no universo instrumental quanto da canção”, explica o maestro Tiago Costa. 

As apresentações terão como abertura a Suíte Milagre dos Peixes, de Milton Nascimento e Fernando Brandt, e também visitarão composições de Rafael Martini e Sérgio Santos. Para o regente Nelson Ayres, que também ressalta a diferenciada tradição musical de Minas Gerais, os concertos serão especiais para o público e os bolsistas da Orquestra Jovem Tom Jobim, que poderão ter uma rica troca de experiências com qualificados solistas, por meio de um repertório versátil e inovador.  

“Há novos compositores aparecendo em Minas e produzindo coisas interessantes e originais, então será ótimo para mostrar um pouco disso ao público e aos nossos bolsistas, contemplando obras relevantes da contemporaneidade da música brasileira”, projeta Ayres. 

Transmissão ao vivo 

O concerto do domingo, 08/10, que ocorre a partir das 11h, será transmitido gratuitamente ao vivo pelo canal do YouTube da EMESP Tom Jobim. Acesse em: https://www.youtube.com/@TJEMESP 

SERVIÇO 

Orquestra Jovem Tom Jobim 

Minas Hoje 

Nelson Ayres e Tiago Costa, regência 

Luísa Mitre, piano 

Davi Fonseca, piano e voz 

MILTON NASCIMENTO / FERNANDO BRANDT 

Suíte milagre dos peixes [arr. Nelson Ayres] 

LUÍSA MITRE 

O pulo do Saci [arr. Diego Garbin]  

LUÍSA MITRE 

Oferenda [arr. Tiago Costa]  

LUÍSA MITRE 

Chegada [arr. Débora Gurgel]  

LUÍSA MITRE 

A fuga do tatu [arr. Nelson Ayres]  

DAVI FONSECA / DÉ DE FREITAS 

Varal [arr. Nelson Ayres]  

DAVI FONSECA / DÉ DE FREITAS 

Três barras [arr. Fernando Correa]  

DAVI FONSECA 

Lasca [arr. Luca Raele] 

DAVI FONSECA 

Presepeira [arr. Tiago Costa] 

SÉRGIO C. SANTOS / P.C. PINHEIROS 

Bandeira [arr. Tiago Costa] 

RAFAEL MARTINI 

Baião do Caminhar [arr. Tiago Costa] 

LUÍSA MITRE / DAVI FONSECA 

Encomenda [arr. Nelson Ayres] 

Datas: 7 de outubro, sábado, às 20h  

8 de outubro, domingo, às 11h  

Local: Theatro São Pedro - Rua Barra Funda, 171 – Barra Funda, São Paulo/SP  

Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia), em: https://feverup.com/m/129012 

Nelson Ayres, regência  

Iniciou seus estudos musicais com Paul Urbach entre os anos de 1959 e 1962. Foi aluno ainda de Luís Schiavo (1963-1965) e Conrad Bernhard (1966-1967). Sendo professor e diretor do Centro de Desenvolvimento Artístico, de São Paulo, de 1966 a 1969. No mesmo ano, fez o curso de regência com Diogo Pacheco e viajou para os EUA para estudar na Berklee School of Music (Boston), sendo o primeiro brasileiro a receber bolsa para a renomada escola de música.

Ainda nos Estados Unidos, estudou piano com Margareth Chaloff e composição com John Adams. Em 1985, foi co-realizador do “Projeto Prisma” (disco e show) com César Camargo Mariano, realizando turnês de dois anos pelo Brasil. Em 1985, a convite de César Camargo Mariano, participou do projeto Prisma. Sete anos depois, o pianista assumiu a regência e a direção artística da Orquestra Jazz Sinfônica, função que ocupou por nove anos.   

  

Tiago Costa, regência  

Pianista, compositor e arranjador vêm transitando entre a música instrumental, a canção e a música orquestral. Ganhou destaque como arranjador e teve suas peças gravadas dentro e fora do Brasil com obras registradas pela OSESP e Orquestra Jazz Sinfônica. Trabalhou ao lado de inúmeros artistas de primeira grandeza da música brasileira como Maria Rita, Zizi Possi, Chico Pinheiro, Gilberto Gil, Ivan Lins e Monica Salmaso, tendo já se apresentado nos cinco continentes.   

  

ORQUESTRA JOVEM TOM JOBIM 

Dedicada especialmente à música popular brasileira orquestral, a Orquestra Jovem Tom Jobim tem uma sonoridade particular. Ao mesmo tempo em que se insere na tradição das orquestras de rádio e TV, também tem características muito peculiares e recentes.

Além do jogo de cintura e polivalência dos grupos de antigamente, a Tom Jobim tem uma face contemporânea, fruto de um repertório formado majoritariamente por arranjos concebidos especialmente para o grupo. No palco, alia-se a potência e expressividade de uma orquestra sinfônica (com naipes de cordas, madeiras e metais), à força e energia da seção rítmica (piano, contrabaixo elétrico, guitarra, bateria e percussão).

Dessa união, carregada de vitalidade, resulta um som distinto, uma pronúncia tipicamente brasileira da música de concerto.  Criado em 2001, durante o Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão, o grupo de difusão e formação musical da EMESP Tom Jobim possibilita vivência orquestral erudita e popular aos bolsistas, por meio do resgate de obras tradicionais de grandes compositores nacionais, com especial dedicação à obra de Tom Jobim, além de pesquisa e experimentação musical.

Toda sua programação, da escolha de repertório à dinâmica de ensaios, é realizada pensando na formação dos bolsistas. Os jovens músicos ensaiam e se apresentam com os solistas convidados, e usufruem de um rico intercâmbio de conhecimentos e vivências. A experiência completa – ensaios de alta intensidade, aulas com convidados que são referência em sua área, e exploração de um repertório versátil e inovador – proporcionam aos jovens músicos não apenas um aprimoramento técnico e estilístico, mas um conhecimento profundo do fazer musical.  

Fotos: Heloísa Bortz
Foto: Heloísa Bortz

ESCOLA DE MÚSICA DO ESTADO DE SÃO PAULO – EMESP TOM JOBIM  

Referência no ensino brasileiro de música, a EMESP Tom Jobim é uma escola do Governo do Estado de São Paulo gerida pela Santa Marcelina Cultura, Organização Social parceira da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo.

Atende gratuitamente mais de 1.300 alunas e alunos em seus cursos e habilitações em música popular e erudita, da teoria à prática musical. Em 2019, a EMESP Tom Jobim comemorou 30 anos de atuação. A Escola tem como objetivo a formação dos futuros profissionais da música erudita e popular.

Com um corpo docente altamente qualificado, a EMESP Tom Jobim vem construindo um projeto pedagógico inovador, com foco no ensino de instrumento, no convívio dos alunos com grandes mestres e nas práticas coletivas (música de câmara e prática de conjunto), além de disciplinas teóricas de apoio.

Em constante diálogo com as principais instituições de formação musical do Brasil e do mundo, a EMESP Tom Jobim oferece a cada ano centenas de shows, concertos, workshops e master classes.

A EMESP Tom Jobim mantém um eixo de difusão artística complementar às atividades de formação com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento de seus alunos e criar uma ponte entre o aprendizado e a profissionalização, além de fomentar a formação de público e a difusão da música em todas as modalidades.

A Escola mantém os grupos artísticos: Banda Sinfônica Jovem do Estado, Coral Jovem do Estado, Orquestra Jovem do Estado e Orquestra Jovem Tom Jobim que oferecem bolsas para as alunas e os alunos da Escola.   

SANTA MARCELINA CULTURA  

Eleita a melhor ONG de Cultura de 2019, além de ter entrado na lista das 100 Melhores ONGs em 2019 e 2020, a Santa Marcelina Cultura é uma associação sem fins lucrativos, qualificada como Organização Social de Cultura pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas que atua com a missão de formar pessoas.

Criada em 2008, é responsável pela gestão do Guri na Capital e Grande São Paulo, da Escola de Música do Estado de São Paulo – Tom Jobim (EMESP Tom Jobim) e do Theatro São Pedro. Desde 2022, é responsável pela gestão do Projeto Guri no Interior, Litoral e Fundação CASA. O objetivo da Santa Marcelina Cultura é desenvolver um ciclo completo de formação musical integrado a um projeto de inclusão sociocultural, promovendo a formação de pessoas para a vida e para a sociedade.

No Theatro São Pedro, a Santa Marcelina Cultura desenvolve um trabalho voltado a montagens operísticas profissionais de qualidade aliado à formação de jovens cantores e instrumentistas para a prática e o repertório operístico, além de se debruçar sobre a difusão da música sinfônica e de câmara com apresentações regulares no Theatro.

Para acompanhar a programação artístico-pedagógica do Projeto Guri, da EMESP Tom Jobim e do Theatro São Pedro, baixe o aplicativo da Santa Marcelina Cultura. A plataforma está disponível para download gratuito nos sistemas operacionais Android, na Play Store, e iOS, na App Store. Para baixar o app, basta acessar a loja e digitar na busca “Santa Marcelina Cultura”.  

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A menina atípica e o hiperfoco: e agora?

Letícia Mariana: Crônica ‘A menina atípica e o hiperfoco: e agora?

Leticia Mariana
Letícia Mariana

Mais um dia comum. Acordo cedo, escovo os dentes, coloco um pó compacto no rosto seguido de um batom. Sim, seria apenas mais um dia. Busco uma roupa fora de moda que mais parece a da minha avó e corro para tomar um pingado e encher minha mente de cafeína. Pingado é como chamam o café com leite, acho engraçado. É apenas uma manhã monótona, isso se eu não fosse uma menina com espectro autista.

Estou medicada e com alta dose de serotonina. Minha amiga do colégio diz que tenho ‘cara de felicidade’, mas já fui muito melancólica. Parece que estou numa época de ouro, mas mais do que isso: estou hiperfocada. O hiperfoco no autismo poderia ser traduzido como um interesse obsessivo, tipo aquele em dinossauros que muitas crianças autistas têm – não é o meu caso. Meu interesse extraordinário é estudar.

Oras! Isso está me deixando absurdamente chata. Nunca mais escrevi crônicas, contos ou poemas, só escrevo temas de redação, pois o Enem está próximo. Algo dentro de mim sabia que este hiperfoco bateria à porta, então deixei vários livros prontos e alguns adiantados ano passado, assim teria tempo para o último ano do Ensino Médio.

Sempre fui a nerd da classe. Infelizmente, por culpa das circunstâncias da vida, me atrasei nos estudos. Acreditei que ficaria num supletivo qualquer e teria pouca base, mas encontrei um colégio com ensino de alta qualidade, público e que requer bastante disciplina. Fiz amizades e virei, novamente, a nerd da escola.

Numa tarde que seria normal, ouço gargalhadas da minha nova amiga. Ela tem dezoito anos e tudo pra ela é festa! Quando pergunto o que houve, a resposta vem depressa:

– Você precisa ver o seu rosto! – diz a menina. – Está com os olhos vidrados neste livro gigante, muito nerd!

Ela é muito amigável, então levei na brincadeira e aceitei o elogio. Mas o meu vício em estudos está me preocupando.

Não consigo mais assistir às novelas, nada me parece interessante. Tirei os fins de semana para namorar e descansar, ainda assim anseio pela segunda. Nunca gostei de Matemática, mas me animo na hora de estudá-la. Física nunca foi o meu forte, mas adoro quando há um assunto novo para mergulhar e aprender. O que está havendo?

Quanto mais sou elogiada, mais vontade eu tenho de tirar boas notas. Se tiro uma nota baixa – o que é raro – estudo o triplo para gabaritar na próxima.

Até o meu wallpaper do celular é sobre estudos. Gosto de acordar e lembrar que o motivo da minha existência é estudar. Falo para a bibliotecária que estava com saudades da biblioteca, estudo como a minha mãe estudava antigamente, só assisto a videoaulas em último caso.

– Você é muito inteligente! – diz uma colega da escola.

– Ela é a nossa aluna escritora! – diz a professora.

– Nosso orgulho! – afirma outra mestra.

– Quando vai fazer prova da minha matéria? – pergunta um professor.

– Com certeza você passa no provão! – disse a fada em forma de professora, muito animada e orgulhosa.

Esses elogios me animam de tal forma que meu vício apenas aumenta. Era para ser um dia comum, mas é um dia de hiperfoco. É um dia de uma jovem autista que não sofre quando a semana inicia, apenas quer devorar mais e mais livros didáticos. É um dia lindo de uma jovem estranha.

Letícia Mariana

Contatos com a autora

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A MULHER COMO CAMPO DE BATALHA

Peça do dramaturgo romeno Matéi Visniec cria reflexão sobre a violência contra a mulher e o uso do estupro como arma de guerra 

Cena da peça 'Mulheres em campo de guerra'
Cena da peça ‘Mulheres em campo de guerra’
Fotos de Gabriel Góes 

Montagem dirigida por Rodrigo Spina, tendo no elenco Carla Kinzo e Rita Gullo, estreia no dia 13/10 no Sesc Belenzinho

O uso do estupro como arma na guerra da Bósnia (1992-1995) – quando entre 20 mil e 44 mil mulheres foram sistematicamente violentadas pelas forças sérvias – é o ponto de partida de A mulher como campo de batalha, do celebrado autor romeno Matéi Visniec.

O texto ganhou uma nova montagem dirigida por Rodrigo Spina e protagonizada por Rita Gullo e Carla Kinzo que estreia no dia 13 de outubro no Sesc Belenzinho, onde segue em cartaz até 12 de novembro.

Spina conta que entrou em contato com a obra em 2015, quando montou Aqui Estamos com Milhares de Cães Vindos do Mar (Prêmio APCA de melhor espetáculo), texto também de Visniéc. “Na época, resolvi ler a obra inteira dele que tinha sido publicada recentemente pela editora É Realizações. Esse texto ficou habitando meu imaginário por muito tempo até que surgiu esta oportunidade de dirigir a Carla Kinzo e a Rita Gullo depois que o projeto foi contemplado pelo ProAC”, revela.

A peça marca o encontro entre Dorra, que sofreu abuso sexual por cinco homens durante a guerra da Bósnia, e Kate, uma terapeuta norte-americana que tenta ajudar a primeira mulher. Ao longo dos diálogos, a relação entre terapeuta e paciente vai sendo invertida e o público acompanha a transformação das duas.

A encenação, ainda de acordo com o diretor, aposta em um cenário minimalista concebido por Carmela Rocha, composto por uma cadeira, uma câmera transmitindo ao vivo em um telão ao fundo as reações do olhar de Dorra e uma redoma que sobe e desce, onde são projetadas imagens de um plano mais onírico e das memórias de Dorra – concebidas pela cineasta Vera Egito e o artista Kvpa.

“Quando ainda estávamos fazendo as primeiras leituras da peça, percebi que o destaque maior da encenação está na atuação das duas atrizes, na relação construída das personagens, em seus silêncios, suas reações. Durante as leituras do texto, o olhar da Rita, que interpreta a mulher que sofreu os abusos sexuais, sempre estava atordoado, inerte e eu tive a ideia de revelar e dar um grande zoom nesse não-olhar misterioso e cheio de dor.

Por isso, apostamos nesse olho gigante que sempre mostra a reação às provocações da terapeuta, transmitido ao vivo. Como a Dorra está de costas para o público e a Kate chega quase como uma voz apenas, brincamos também com essa situação da terapia no divã”, comenta o diretor.

Embora trate de um episódio que aconteceu há 30 anos na Bósnia, o texto dialoga bastante com o nosso contexto brasileiro, segundo Spina. “Por mais que estejamos falando do Leste Europeu, é impressionante como conseguimos reconhecer na obra uma situação terrível de violência parecida com o que vivemos no estabelecimento do nosso sistema colonial e que se repete até hoje. Dialoga também com o aumento nos casos de feminicídio nos últimos anos e com o estupro de indígenas Yanomami por garimpeiros como uma forma de guerra étnica, entre outros tantos casos aqui mesmo no Brasil”, reflete o encenador. 

“A guerra é uma coisa muito masculina. Falamos sempre de exércitos vencedores, soldados que morreram no conflito e nunca pensamos na perspectiva das mulheres que são violentadas, que engravidam por conta desses estupros.

Enfim, acho que conseguimos tirar um pouco o regionalismo específico da guerra da Bósnia para discutir questões um pouco mais universais enfrentadas pelas mulheres de diversas culturas e classes sociais, como a questão da violência sexual, do aborto, do que é esperado do comportamento feminino em relação à gravidez, de saúde feminina. Mas objetivamos fazer isso tudo isso de forma muito delicada, focando na relação dessas duas mulheres e suas dores”, acrescenta.

Texto do dramaturgo Matéi Visniec especial para esta montagem brasileira

O mundo como campo de batalha

O cenário histórico da minha peça é a guerra na Bósnia que terminou, entre 1992 e 1996, no coração da Europa, com cem mil mortes e muitas atrocidades. Mas hoje a minha peça é, infelizmente, “atual” novamente por causa da guerra na Ucrânia.

No texto falo, aliás, da barbárie em geral, uma barbárie que regressa como um cometa envenenado cada vez que uma nova guerra irrompe no planeta, cada vez que os humanos voltam a matar-se uns aos outros cegamente. É com enorme desilusão que todos vemos que a humanidade não aprende muito com os erros do passado. 

Falo também, na peça, de algo que afeta toda a humanidade há muito tempo: a loucura nacionalista, a intolerância, uma certa forma de terrorismo comportamental que os homens continuam a praticar contra as mulheres. A peça também denuncia a velha e vergonhosa “estratégia militar” do combatente que quer desferir o golpe fatal no seu adversário violando a sua esposa (ou a sua filha, a sua irmã e a sua mãe).

Como escritor, coloco-me algumas questões que, infelizmente, permanecem muito atuais: Qual é o mecanismo que transforma pessoas normais em monstros? Como pode a barbárie manifestar-se repetidamente, no coração da Europa, num espaço que pensávamos ser “civilizado”? Como pode a propaganda de “gurus” que afirmam conhecer todas as verdades ainda fazer lavagem cerebral em centenas de milhares de pessoas? 

Não por acaso as personagens da minha peça são duas mulheres. Quero prestar homenagem às mulheres em geral, à mulher que sempre foi uma portadora de esperança cada vez que a humanidade volta a cair nas trevas. As mulheres são também as primeiras vítimas de todas as guerras…

Nas últimas décadas temos assistido à repetição de “práticas bélicas” que têm as mulheres como alvo principal, reproduzindo-se na Síria, no Iraque e em muitos países africanos marcados por conflitos (Ruanda, Sudão, República Democrática do Congo, Mali, República Centro-Africana, Nigéria). 

Sempre acreditei que o teatro pode conscientizar e desencadear debates importantes. É por isso que escrevo. A força do teatro reside nessa dimensão social: partilhar um momento de verdade e um momento de emoção, mas também assumir responsabilidades, envolver-se num debate. 

Obrigado mais uma vez aos diretores que, no Brasil, consideram que essa peça tem uma dimensão universal e que merece ser encenada repetidas vezes.

Sobre Matéi Visniec

Muito encenado no Brasil, o celebrado autor e jornalista Matéi Visniec nasceu na Romênia em 1956 e vivenciou em seu país a ditadura Nicolae Ceaușescu (1918-1989). Ainda jovem, muda-se para a capital Bucareste para estudar filosofia. Acreditava que o teatro e a poesia podiam denunciar a manipulação do povo por meio das grandes ideologias. 

Em 1987, é reconhecido em seu país-natal por sua poesia depurada, lúcida, ácida, mas ainda proibida para o palco. Aos 31 anos, muda-se para a França e, em apenas três anos, começa a escrever em francês e converte a sua limitação na língua em elemento criativo. Desde então, escreve poesia e romance em romeno, mas teatro, sempre em francês. 

Em suas peças, Visniec é bastante influenciado pelo surrealismo e pelo teatro do absurdo. Seus textos geralmente exploram um humor ácido e silêncios. É autor de mais de 30 peças, como “A Máquina Tchékhov”, “A História do Comunismo Contada aos Doentes Mentais”, “O Espectador Condenado à Morte”, “Ricardo III Está Cancelada – Ou Cenas da Vida de Meierhold”, “O Último Godot” e “Por Que Hécuba”.

FICHA TÉCNICA

 Direção Artística – Rodrigo Spina

Assistência  de Direção – Samantha Rossetti

Dramaturgia – Matéi Visniec

Elenco – Rita Gullo e Carla Kinzo

Direção de Arte – Carmela Rocha

Assistência de Direção de Arte – Sofia Gava e Gabryella Roque

Iluminação – Lui Seixas e Rodrigo Spina

Trilha Sonora – Cadu Tenório

Direção Audiovisual – Vera Egito e Kvpa

Vídeo Mapping  e operação de Vídeo – Ivan Soares

Identidade Visual – Alexandre Caetano

Mídias Sociais – Lucas Horita

Assessoria de Imprensa – Pombo Correio

Fotógrafo – Gabriel Góes

Cenotecnia – Isaac Tiburcio

Operação de Luz -Matheus Ramos

Operador de Som – Lucas Fernandes

Voz Off – Wallyson Mota

Intérprete de Libras – Fabiano Campos

Produção Executiva – Marcelo Leão

Direção de Produção – Anayan Moretto

SERVIÇO 

Espetáculo: A Mulher como Campo de Batalha

Direção: Rodrigo Spina

Temporada: 13 de outubro a 12 de novembro 2023 

Horários: sexta e sábado, às 21h30, e domingo, às 18h30 

Local: Sala I (120 lugares) – com acessibilidade. 

Ingressos: R$ 30,00 (inteira), R$ 15,00 (meia-entrada) e R$ 10,00 (credencial Sesc)  

Duração: 70 minutos. 

Classificação: 16 anos. 

27 e 28 de outubro: apresentação em Libras

Sesc Belenzinho 

Rua Padre Adelino, 1000. Belenzinho – São Paulo / SP. 

Telefone: (11) 2076-9700 | sescsp.org.br/Belenzinho

Na rede: @sescbelenzinho. 

Estacionamento 

De terça a sábado, das 9h às 21h. Domingos e feriados, das 9h às 18h. 

Valores: Credenciados plenos do Sesc: R$ 5,50 a primeira hora e R$ 2,00 por hora adicional. Não credenciados no Sesc: R$ 12,00 a primeira hora e R$ 3,00 por hora adicional.  

Transporte Público 

Metrô Belém (550m) | Estação Tatuapé (1400m) 

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