Adriane e Thor

Sergio Diniz da Costa: Crônica ‘Adriane e Thor’

Sergio Diniz
Adriane e Thor – Crédito da foto: Sergio Diniz da Costa

Adriane é uma moradora de rua de Sorocaba (SP). ‘Moradora de rua’, em termos, porquanto sua ‘casa’ é um imóvel abandonado, perto do Fórum Velho.

Nascida em Santos (SP), perdeu a mãe quando era criança. E seu pai, perdeu-o para a vida errante.

Os Ventos da Vida a trouxeram para a ‘Terra Rasgada’, na esperança de dias melhores. Entretanto, decorrente da falta de escolaridade, não consegue emprego formal. E, por causa da aparência, sequer como empregada doméstica ou faxineira (porque, afinal de contas, quem em ‘sã consciência’ a colocaria para dentro de casa para trabalhar, não é mesmo?).

Aqui, não tem familiares, parentes ou amigos. Ou, melhor dizendo, ela tem um amigo, sim! E foi ele quem me chamou a atenção, quando passei por ela. Dele, a princípio, pude ver tão somente a carinha, porque o corpo estava envolto por uma manta velha, mas aconchegante. Ele se chama Thor e tem 2 anos de idade.

Thor não fala, pois, a Mãe Natureza não o dotou de tal habilidade. E, aparentemente, também não pensa, pela mesma razão. Porém, em sua mudez de palavras e em sua aparente falta de pensar, Thor compensa tais dons com outro predicado: o dom da amizade; da amizade pura, da amizade incondicional.

Adriane, quando nada ganha, a título de esmola, às vezes passa fome, às vezes, frio. Solidão, solidão pela falta de pessoas próximas, sempre! Thor, no entanto, desde que está com ela (a antiga dona não o quis mais), não passa fome e nem frio. E nunca está só. E nem só deixa Adriane.

Passo por Adriane e por Thor na rua e registro esta breve história, com palavras e imagem.

Deixo-lhe algum dinheiro para um café da manhã, afago a cabeça de Thor (que, em retribuição, lambe minha mão e finge mordê-la) e sigo meu caminho.

Sigo meu caminho, alheio às coisas e pessoas à minha volta. Apenas pensando, refletindo sobre o momento em que, vendo aquele cãozinho aquecido dentro da manta, parei para conversar com sua dona, a moradora de rua Adriane.

Adriane, materialmente, é miserável. Pária da sociedade. Para nós, os humanos, certamente nada tendo para oferecer. E, assim sendo, muitos que passam por ela não a veem. Não obstante, algo nela atraiu o pequeno Thor, por laços que os olhos comuns não veem.

Adriane e Thor estão ali, em algum canto da rua, semelhantes a uma vitrine. Uma vitrine sem brilho e sem enfeites. Uma vitrine para ser apreciada somente por aqueles que têm olhos de ver e coração de sentir!

Sergio Diniz da Costa

Contatos com o autor

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Mostra de Cinema Chinês de São Paulo chega a 8ª edição com o tema ‘Em Busca da Luz’

Evento acontece de 6 a 15/ 10 no Centro Cultural São Paulo| Entrada Gratuita

Cordão da Vida
Cordão da Vida

A Mostra de Cinema Chinês de São Paulo, realizada pelo Instituto Confúcio na Unesp,   chega à  sua 8ª edição com o tema “Em Busca da Luz”. 

De 6 a 15 de outubro no CCSP (Centro Cultural São Paulo), o público terá a oportunidade de assistir a doze produções cinematográficas chinesas contemporâneas – a maioria inéditas no Brasil. 

Entre ficção e documentário, os filmes trazem um retrato singular, autêntico e vibrante da humanidade, evidenciando a sua busca por ideais e convicções.

Com curadoria de Shi Wenxue, mestre em Ciências do Cinema  e membro do comitê de seleção da mostra competitiva do Festival Internacional de Cinema de Pequim, e  Lilith Li, que coordenou o Festival Internacional de Cinema de Macau e curadora Sydney Culture Week Series na Austrália, os filmes selecionados para a edição 2023 da Mostra exploram um dos aspectos mais essenciais da cultura chinesa contemporânea, à construção da ligação das suas raízes por meio de ligações familiares de afeto e superação. 

Cordão da Vida
Cordão da Vida

Entre suas principais atrações, a mostra apresenta o filme “Cordão da Vida” de Qiao Sixue, e estrelado por Badema e Idar. Premiado no 20th Film Channel Media Focus Unit, a obra narra a jornada de Arus que leva sua mãe de volta às estepes, sua terra natal, em busca de seu lar perdido na memória.

Já o comovente “Irmãos”, de GUO Xiuzhuan, exibido no 14º Festival de Cinema de Taiwan, explora os laços inquebráveis entre dois irmãos, Wen Guang, que enfrenta o desafio do autismo, e o caçula Wen Xiu. Juntos, enfrentam sozinhos as adversidades da vida.

Ping-Pong: virando o Jogo
Ping-Pong: Virando o Jogo

Obras exibidas em festivais importantes podem ser vistas na 8ª Mostra de Cinema Chinês, entre elas:“Ping Pong: Virando o jogo”, de DENG Chao & YU Baimei, premiado como o melhor filme do ano no Movie Channel M List pela sua qualidade e impacto. O longa narra a jornada da equipe masculina de tênis de mesa da China do início dos anos 90 que, abalada por derrotas consecutivas contra a equipe sueca, reergue-se sob a liderança do treinador Dai Minjia, interpretado por Deng Chao,

E  “Acima das Nuvens”, de LIU Zhihai, laureado como o mais popular Filme do ano na categoria Exploração Artística no 29th Beijing International Film Festival

Este drama de guerra mergulha na história de um jovem soldado do Exército Vermelho, Hong Qichen. Já “Yanagawa”, de ZHANG Lü, recebeu o Cyclo d’Or, no 28º Festival Internacional de Cinema Asiático de Vesoul (França). A trama segue Lidong, que, na juventude, tinha uma paixão secreta por Achuan. O desaparecimento súbito daquela mulher deixou Lidong abalado por mais de uma década.

Road Movies premiados circulam na programação da Mostra, como “Um pai, Um filho”, de BAI Zhiqiang, vencedor em 2023 do Beijing International Film Festival na categoria Project “Excellent Production in Progress Award”. O filme segue a jornada de Gou Ren, atormentado pela perda do filho, ele conhece Mao Dou, um “capetinha” determinado a encontrar o pai;

“Juntos pelo mundo”, de XU Chenghua, premiado como Melhor Documentário no Hollywood Documentary Film Festival, a obra conta como pai e filho partem de Dali, na província de Yunnan, rumo ao Tibete. Contudo, nos 8.700 quilômetros da rota nas montanhas, inúmeros imprevistos os aguardavam.

Documentários com temas atuais também estão no eventocomo “Amor à prova”, de DONG Xueying,premiado no Especial no Shan Yi International Women’s Film Exhibition, a história trazcinco mulheres solteiras de Pequim com personalidades totalmente diferentes.

Umas renunciaram ao romance em favor da carreira; outras viram a vida mudar de forma inesperada; e “Pequenos Jardins”, de Hongbo Zhou & Zhenyu Lu, documentário que explora a relação entre três famílias em Suzhou e seus jardins particulares considerados tesouros culturais e históricos da China. A obra é um olhar fascinante sobre a interseção entre a cultura chinesa tradicional e o mundo moderno.

Boonie Bears: o código guardião
Boonie Bears: o código guardião

Para fechar a programação deste ano, a Mostra traz ainda a animação “Boonie Bears: o código guardião”, de LIN Yongchang & SHAO, premiado pelo TikTok Movie Annual Impact Film Award. 

O  longa segue a jornada dos ursos Briar, Bramble e Vick, que se envolvem em um sequestro; a comédia de ficção científica“Departamento Editorial de Exploração Espacial”, de Kong Dashan, reconhecido como o Word-of-Mouth Film of the Year em 2023 Weibo Movie Night, mostra a história segue Tang Zhijun, um editor-chefe de uma revista de ficção científica, que parte em uma busca atrapalhada por vida extraterrestre; e “Deserto”, de ZUO Zhiguo, que acompanha Lin e o irmão à procura do pai desaparecido no deserto.

Sobre a Mostra

Desde 2015, em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo e o CCSP, o Instituto Confúcio na Unesp realiza anualmente uma Mostra de Cinema Chinês para divulgar a cultura chinesa, compartilhar histórias e vozes, aprofundar a compreensão e a amizade e continuar consolidando um evento cultural chinês no Brasil.

O aprofundamento das relações entre a China e o Brasil faz de 2023 um novo começo, um ano de florescimento da amizade bilateral. Neste mesmo ano, o Instituto Confúcio na Unesp comemora seu 15º aniversário e São Paulo vê a 8ª edição da Mostra de Cinema Chinês tornar-se realidade.

Programação completa: https://mostracinema.institutoconfucio.com.br

SERVIÇO

8ª MOSTRA DE CINEMA CHINÊS

6 a 15 de outubro no CCSP – Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1000 – São Paulo)

ENTRADA GRATUITA

Classificação Indicativa: Livre

Retirada dos ingressos: 1h30 antes da sessão

https://mostracinema.institutoconfucio.com.br

PROGRAMAÇÃO

06/10

15h00 – Cordão da vida (96′)

17h00 – Irmãos (95′)

19h30 – Juntos pelo mundo (98′)

07/10

15h00 – Um pai, um filho (97′)

17h00 – Departamento Editorial de Exploração Espacial  (118′)

19h30 – Boonie Bears: o código guardião (96′)

08/10

15h00 – Deserto (93′)

17h00 – Um pai, um filho (97′)

19h00 – Acima das nuvens (90′)

10/10

15h00 –  Amor à prova (97′)

17h00 – Boonie Bears: o código guardião (96′)

19h00 – Departamento Editorial de Exploração Espacial  (118′)

11/10

15h00 – Pequenos Jardins (95′)

17h00 – Irmãos (95′)

19h00 – Cordão da vida (96′)

12/10

15h00 – Departamento Editorial de Exploração Espacial  (118′)

18h00 – Acima das nuvens (90′)

20h00 – Um pai, um filho (97′)

13/10

15h00 -Yanagawa (120′)

18h00 – Boonie Bears: o código guardião (96′)

20h00 – Deserto (93′)

14/10

15h00 – Ping Pong: Virando o jogo (137′)

18h00 – Irmãos (95′)

20h00 – Pequenos Jardins (95′)

15/10

15h00 – Amor à prova (97′)

17h00 – Juntos pelo mundo (98′)

19h00 – Yanagawa(120′)

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AQUI TEM VIDA DEMAIS convida público infantil a pensar sobre a morte

 O espetáculo de estreia da companhia teatral CASCA cria espaço de troca a partir das experiências de perda, luto, consciência sobre a morte e do medo da finitude da vida

Cena do espetáculo da companhia teatral Casca
Crédito: Divulgação (Rodolfo Amorim)

Baixe aqui mais imagens da peça

O tabu de falar sobre a morte com crianças é deixado de lado na peça Aqui Tem Vida Demais, com dramaturgia de Bruno Canabarro e direção de Rodolfo Amorim. O espetáculo estreia no dia 8 de outubro no Sesc Ipiranga, onde segue em cartaz até 2 de novembro, com apresentações aos domingos e feriados, às 11h (sessões extras para grupos fechados acontecem nos dias 18 e 19/10).

A ideia de montar a peça surgiu em 2019, quando os idealizadores Bruna Betito e Bruno Canabarro, que dão aulas para crianças há muitos anos, conversavam sobre seus estudantes e suas surpreendentes histórias. O projeto nasce justamente de um desses casos: um dos alunos de Bruna mandou para ela um áudio falando sobre um infeliz incidente que o fez matar “sem querer” um peixinho ao jogá-lo na privada.

Depois de se divertirem com essa narrativa tragicômica, eles se concentraram em organizar diversos materiais literários e audiovisuais que pudessem ajudar na construção da dramaturgia. Um ano depois, o mundo foi afetado por uma pandemia e o Brasil, sufocado por tantas mortes. Assim, o projeto tomou outros rumos com a impossibilidade de ser montado naquele contexto.

O elenco, além de Betito e Canabarro, conta com a participação de Paula Spinelli. Em cena, ainda estão Gabi Queiroz e Demian Pinto / Clara Kok (stand-in), que interpretam as canções originais da peça ao vivo.

Aqui Tem Vida Demais! é um espetáculo para todas as idades, todas as infâncias, todas as pessoas vivas que sabem que a morte existe e pode estar por perto. Também permite que se criem espaços de trocas, diálogos, imaginação e fantasias a partir da perda, do luto, da consciência sobre a morte, do medo… sentimentos naturais quando tratamos da finitude da vida.

A trama conta a história dos irmãos Maria e Mário, crianças que precisam lidar com a morte sozinhas, longe de casa. Na tentativa de compreender o porquê se morre, o que acontece quando se morre e por que há tanta morte pela vida, as crianças acabam por ter que encarar a Morte de frente, cara a cara, em diversas faces, até conseguirem elaborar o luto, a perda e a descoberta do fim.

Num jogo entre o seguir-em-frente e o olhar-para-trás, as duas crianças embarcam numa ousada tarefa de buscar pistas que revelem o que é isso de algo ou alguém, PUF, desaparecer.

Sem partir das questões religiosas que estão coladas socialmente à ideia de morte, o espetáculo propõe que os espectadores criem as próprias ideias sobre o que é morrer, para onde vai quem morre e as infinitas possibilidades de ressignificação que podemos criar sobre a Terra.

Contudo, Aqui Tem Vida Demais! não vai em busca da Morte para desvendá-la ou enfrentá-la, ao contrário, apresenta caminhos para que nos concentremos na vida, no encontro com a novidade e a gravidade que é viver, enxergando que há vida, sim, mesmo no escuro.

FICHA TÉCNICA

Dramaturgia: Bruno Canabarro

Direção: Rodolfo Amorim

Elenco: Bruna Betito, Bruno Canabarro e Paula Spinelli

Música ao vivo: Gabi Queiroz e Demian Pinto / Clara Kok (stand-in)

Música original: Gabi Queiroz e Demian Pinto (música) / Bruno Canabarro (letra)

Cenário: Rodolfo Amorim

Figurinos, adereços e bordados no cenário: Felipe Cruz

Flores de tricô: Rodrigo Carvalho e Frida Braustein Taranto

Iluminação e operação de luz: Daniel Gonzalez

Identidade visual e animações: Fernanda Zotovici

Vídeo mapping: Vic Von Poser

Preparação de elenco: Antônio Januzelli

Consultoria em psicanálise: Rafael Costa

Contrarregragem e cenotécnica: Lucas Asseituno

Bonecos: Edson Gon

Objetos cênicos: Zé Valdir

Direção de produção: Andréa Marques

Produção executiva: Fani Feldman

Assistente de produção: Bruna Betito

Fotografia: Camila Rivereto

Idealização: Bruna Betito e Bruno Canabarro

Realização:  Sesc SP

SERVIÇO

Aqui Tem Vida Demais

Temporada: 8 de outubro a 2 de novembro, aos domingos e feriados (12/10 e 2/11), às 11h. Apresentações extras acontecem nos dias 18 e 19/10, às 10h e às 15h (apresentação para grupos agendados)

Sesc Ipiranga – Rua Bom Pastor, 822, Ipiranga

Ingressos: R$ 25,00 (inteira), R$ 12,50 (meia-entrada) e R$ 8,00 (credencial plena). Crianças até 12 anos não pagam.

Venda online em sescsp.org.br

Classificação: livre

Duração: 60 minutos

Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.

@aquitemvidademais

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Cia. Ludens promove ciclo de leituras dramáticas

Com o tema ‘Teatro Irlandês, Deficiência e Protagonismo’, todas as peças são inéditas no Brasil e foram traduzidas para o português

Flyer do V Ciclo de Leituras Cia Ludens
Flyer do V Ciclo de Leituras Cia Ludens

Clique aqui para baixar todos os flyers 

As leituras acontecem de 2 a 6 de outubro, no Teatro da Escola Superior de Artes Célia Helena

O teatro irlandês moderno é povoado por personagens com deficiências. E este é justamente o tema do V Ciclo de Leituras da Cia Ludens, que acontece entre os dias 2 e 6 de outubro, a partir das 19h30, no teatro da Escola Superior de Artes Célia Helena. A entrada é gratuita.

A mostra oferece ao público brasileira a oportunidade de entrar em contato com uma série de peças inéditas no Brasil. São elas: O poço dos santos (The Well of the Saints, 1905), de John Millington Synge, traduzida por Domingos Nunez; 

O aleijado de Inishmaan (The Cripple of Inishmaan, 1997), de Martin McDonagh, traduzida por Domingos Nunez; 

Knocknashee, A Colina das Fadas (Knocknashee, 2002), de Deirdre Kinahan, traduzida por Beatriz Kopschitz Bastos e Lúcia K. X. Bastos; 

Controle manual (Override, 2013), de Stacey Gregg, traduzida por Alinne Balduino P. Fernandes;

Luvas e anéis (Rings, 2010) de Rosaleen McDonagh, traduzida por Cristiane Bezerra do Nascimento.

As leituras serão seguidas por debates com diretores, tradutores, elencos e convidados, e algumas das peças, publicadas pela Editora Iluminuras, serão lançadas durante o ciclo. O evento contará também com a presença da Embaixadora da Irlanda, Fiona Flood, do Cônsul Geral da Irlanda em São Paulo, Eoin Bennis, e da Vice-Cônsul, Rachel Fitzpatrick. 

O ciclo e as publicações integram um projeto que reflete a pesquisa orientada pela prática desenvolvida no Núcleo de Estudos Irlandeses da Universidade Federal de Santa Catarina, considerando a representatividade de pessoas com deficiências no teatro.

O projeto completo contempla, portanto, pesquisa teórica, traduções, publicações e eventos acadêmicos e artísticos, incluindo o ciclo de leituras realizado pela Cia Ludens, em parceria com a Escola Superior de Artes Célia Helena. 

A iniciativa ainda prevê a montagem da peça Luvas e anéis, de Rosaleen McDonagh, pela Cia Ludens, em parceria com o Sesc São Paulo, com estreia marcada para 10 de novembro no Sesc Santana.

A estreia contará com a presença da dramaturga, escritora pertencente à minoria étnica traveller, nascida com paralisia cerebral, em Sligo, na Irlanda. Sua obra para o teatro e sua coletânea de ensaios, Unsettled (2020), versam sobre feminismo, deficiência e inclusão social.

Celebrando 20 anos de fundação em 2023, a Cia Ludens exibe em seu catálogo produções de peças irlandesas traduzidas para o português, uma peça original de autoria de Domingos Nunez, ciclos de leituras, peças online e publicações. Desde 2003, a companhia tem se apresentado em São Paulo e viajado em turnê pelo Brasil — e até para a Irlanda! 

A Escola Superior de Artes Célia Helena, com mais de 45 anos de história, é reconhecida pela excelência nas artes da cena e pela formação de dramaturgos, diretores e atores para teatro, televisão, cinema e plataformas audiovisuais. 

O projeto tem como objetivos veicular peças irlandesas de excelência artística com o tema do protagonismo de pessoas com deficiências, explorar as diferentes estéticas dramatúrgicas dessas peças e fomentar conexões com o contexto sociocultural do Brasil contemporâneo, contando com a participação de pessoas com deficiências na elaboração das publicações e na realização das produções, na condição de autores, tradutores, diretores, atores e equipe de criação.

O ineditismo e significância do projeto residem em discutir a proeminência de pessoas com deficiência no teatro moderno e contemporâneo irlandês, além de sua participação efetiva como agentes de mudança em projetos teatrais e artísticos na Irlanda e no Brasil.

A seleção de peças mostra a evolução gradual e o comprometimento dos dramaturgos com o tema, bem como o crescimento da participação de vozes femininas, de minorias étnicas e de pessoas com deficiências — todas extremamente originais na abordagem da questão. 

O ciclo conta com curadoria e produção de Beatriz Kopschitz Bastos, coordenação de Domingos Nunez, produção executiva de André Roman e apoio do Consulado Geral da Irlanda em São Paulo

Confira abaixo a programação completa do ciclo:

2 de outubro, às 19h30

O Poço dos Santos

A peça de John Millington Synge, fez parte do repertório original do Abbey Theatre, o teatro nacional da Irlanda. Um estudo tragicômico do conflito entre ilusão e realidade, a peça mostra um casal de idosos cegos, Martin e Mary Doul, no condado de Wicklow, cuja cegueira é temporariamente curada por um “santo” que chega ao local. A peça é considerada um trabalho à frente de seu tempo, e o teatro de Synge é, de certa forma, reconhecido como precursor do teatro de Samuel Beckett e Martin McDonagh. 

Ficha Técnica: Dramaturgia: John Millington Synge | Tradução e direção: Domingos Nunez | Elenco: Norival Rizzo, Chris Couto, Kiko Pissolato, Fernanda Viacava, Paulo Bordhin, Nathalie  Camopinas e Vinivius Davidovitch

3 de outubro, às 19h30

O aleijado de Inishmaan 

Escrito em 1997, o texto de Martin McDonagh se passa em 1934, em uma das três Ilhas Aran no remoto oeste da Irlanda: Inishmaan. Os habitantes da ilha ficam sabendo que o diretor de cinema americano, Robert Flaherty, chegará à ilha vizinha, Inishmore, para filmar o documentário Man of Aran. Billy, rapaz órfão com deficiência física, chamado pelos habitantes da ilha de Aleijado Billy, decide se candidatar a figurante no filme. A peça guarda surpresas devastadoras. Muito característico do teatro de Martin McDonagh, elementos de violência e humor ácido destacam-se no texto.

Ficha Técnica: Dramaturgia: Martin McDonagh | Tradução: Domingos Nunez | Direção: André Acioli | Elenco: Wanderley Montanholi, Ana Lúcia Torre, Clara Carvalho, Miriam Mehler, Tyller Antunes, Elias Andreato, Nilton Bicudo, Julio Oliveira, Caetano O’Maihlan

4 de outubro, às 19h30

Knocknashee, A Colina das Fadas

A peça de Deirdre Kinahan se passa em um lugar fictício chamado Knocknashee, no condado de Meath. Patrick Annan, artista em cadeira de rodas, Bridgid Carey, personagem em um programa de reabilitação para dependentes químicos, e Hugh Dolan, personagem com questões relacionadas à saúde mental ligadas a seu passado, encontram-se por ocasião da tradicional festividade da Véspera de Maio, em cuja noite, supostamente, um portal mítico para o mundo das fadas se abre. Uma das peças menos conhecidas de Deirdre Kinahan, Knocknashee trata a questão da deficiência com respeito.

Ficha Técnica: Dramaturgia: Deirdre Kinahan | Tradução: Beatriz Kopschitz Bastos e Lúcia K. X. Bastos | Direção: Simoni Boer | Elenco: Rodolfo Ferrim, Gustavo Trestini, Luísa Moretti | Colaboração artística em adereços: Jorge Luiz Alves

5 de outubro, às 19h30

Controle manual 

Escrita em 2013, a obra de Stacey Gregg retrata um casal de jovens, Mark e Violet, em uma época em que o uso excessivo de tecnologia para corrigir imperfeições e deficiências, ou simplesmente para aprimorar habilidades físicas, tornou-se prática possível e normal. O casal, entretanto, tenta resistir a esse fenômeno e à sociedade que o aprova e facilita. Surgem, entretanto, revelações inesperadas e comprometedoras, que ameaçam seu mundo, corpos e relacionamento perfeitos. Uma distopia instigante, Controle manual convida espectadores e leitores a refletir sobre o que significa ser humano e sobre a perfeição humana em si.

Ficha Técnica: Dramaturgia: Stacey Gregg | Tradução: Alinne Balduino P. Fernandes | Direção: Mauri Paroni | Elenco: Luciana Borghi, Elcio Nogueira Seixas, Tiberio Scardua | Colaboração artística de roupas e adereços: Isadora Poeta Martinez, Thais Cervato

6 de outubro, às 19h30

Luvas e anéis 

Escrita em 2012, a peça de Rosaleen McDonagh tem como personagem central Norah, pugilista surda, membro da comunidade da minoria étnica dos Travellers — os nômades irlandeses —, que expressa seus pensamentos por meio da Língua Brasileira de Sinais. Ela divide a cena com o Pai que, não sabendo usar a linguagem da filha, se expressa por meio da fala. Construído pelos monólogos da filha e do pai, o dilema da peça está na decisão de Norah sobre seu próprio destino. O texto aborda temas como deficiência, feminismo e inclusão social.

Ficha Técnica: Dramaturgia: Rosaleen McDonagh | Tradução: Cristiane Bezerra do Nascimento | Direção: Domingos Nunez | Elenco: Catharine Moreira, Edgar Castro e Fabiano Campos

Ficha Técnica do ciclo de leituras

Curadoria e produção geral: Beatriz Kopschitz Bastos

Coordenação geral: Domingos Nunez e Gabriela Alcofra

Produção executiva: Andre Roman / Teatro de Jardim

Acessibilidades em libras: Miriam Caxilé e Fabiano Campos

Assessoria de Comunicação: Pombo Correio

Realização: Cia Ludens

SERVIÇO

V Ciclo de Leituras da Cia Ludens – Teatro Irlandês, Deficiência e Protagonismo

Quando: 2 a 6 de outubro, às 19h30

Teatro do Célia – Escola Superior de Artes Célia Helena – Av. São Gabriel, 444, Jardim Paulista, São Paulo

Ingressos: gratuitos.

Acessibilidade: teatro acessível para pessoas com mobilidade reduzida e cadeirantes. Leituras e debates com tradução em Libras. 

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Canal Brasil realiza mostra comemorativa de 25 anos no Itaú Cultural com entrada franca

Serão exibidos oito filmes entre os dias 28 de setembro e 1º de outubro

"Los Silencios", "Benzinho", "Mãe Só Há Uma", "Bixa Travesti", "Bacurau", "Boi Neon", "Babenco" e "A Vida Invisível". Crédito: Divulgação.
Pôster da Mostra Comemorativa dos 25 anos do Canal Brasil. Los Silencios”, Benzinho, Mãe Só Há Uma, Bixa Travesti, Bacurau, Boi Neon, Babenco e A Vida Invisível. Crédito: Divulgação.

Canal Brasil vai realizar uma mostra comemorativa pelos seus 25 anos com sessões gratuitas no cinema, entre os dias 28 de setembro e 1º de outubro, no Itaú Cultural, em São Paulo.

Serão exibidos, em duas sessões por dia, os seguintes filmes: “Bacurau”, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles; “A Vida Invisível”, de Karim Aïnouz; “Bixa Travesty”, de Claudia Priscilla e Kiko Goifman; “Boi Neon”, de Gabriel Mascaro; “Babenco – Alguém tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou”, dirigido por Bárbara Paz; de Anna Muylaert, “Mãe Só Há Uma”; “Boi Neon”, dirigido por Gabriel Mascaro; “Los Silencios”, de Beatriz Seigner, e “Benzinho”, longa de Gustavo Pizzi.

O canal é o principal coprodutor do cinema brasileiro e, considerando o mercado internacional, um dos mais atuantes do mundo. Os oito longas escolhidos para compor a mostra no cinema são coproduções do Canal Brasil e fazem parte da história do cinema nacional.

Na próxima quinta-feira, dia 28, às 18h, a programação começa com “Los Silencios”, que traz a história de uma mulher que foge da Colômbia com seus filhos, por conta de um conflito armado, e reencontra o pai desaparecido das crianças em uma ilha na fronteira da Colômbia, do Peru e do Brasil.

Logo em seguida, às 20h, a mostra conta com a exibição de “Benzinho”, que conta a vida de uma mãe cujo filho mais velho é convidado para uma mudança brusca de vida: jogar handebol na Alemanha. Ela precisa lidar com a despedida e ajudar a irmã, que vive um relacionamento abusivo.

​​Na sexta-feira, dia 29, às 18h, a mostra exibe “Mãe Só Há Uma”, que relata a vida de um menino roubado quando bebê e criado por uma mãe não biológica. Depois que  descobre sobre sua origem, o jovem passa a morar na casa de sua família biológica e as diferenças de criação se tornam crescentes.

Às 20h, o documentário “Bixa Travesti” retrata a vida e a obra da cantora Linn da Quebrada e, em paralelo, traz o espaço e a cena musical na qual estão inseridos artistas trans em São Paulo.

No dia 30, às 18h, o enorme sucesso do cinema nacional “Bacurau” conta a história de um povoado no sertão pernambucano, onde, após a morte de dona Carmelita, começam a acontecer episódios estranhos. Os moradores descobrem que a comunidade não aparece mais nos mapas e drones, estrangeiros e cadáveres começam a aparecer.

No mesmo dia, às 20h20, “Boi Neon” traz a vida de Iremar, um vaqueiro que viaja pelo Nordeste coletando materiais de tecidos e manequins vislumbrando seguir o seu maior sonho, que é se tornar um estilista.

Para fechar a mostra, no dia 1º de outubro serão exibidos “Babenco – Alguém tem que ouvir o coração e dizer: Parou”, às 18h, e “A Vida Invisível”, às 19h30.  O primeiro, dirigido por Bárbara Paz, relata a relação do cineasta e marido da atriz Hector Babenco com o câncer que enfrentou por décadas. Em “A Vida Invisível”, filme livremente inspirado no livro de Eurídice Gusmão, duas irmãs vivem os dilemas e dramas que a sociedade impõe às mulheres sobre suas carreiras e suas famílias.

Para participar das sessões de exibição é necessário retirar o ingresso através da Plataforma Inti.

28/10

Los Silencios (89′)

Horário: 18h

Classificação: 12 anos

Direção: Beatriz Seigner

Benzinho (95′)

Horário: 20h

Classificação: 12 anos

Direção: Gustavo Pizzi

29/10

Mãe Só Há Uma (88′)

Horário: 18h

Classificação: 16 anos

Direção: Anna Muylaert

Bixa Travesty (75′)

Horário: 20h

Classificação: 18 anos

Direção: Claudia Priscilla e Kiko Goifman

30/10

Bacurau (131′)

Horário: 18h

Classificação: 16 anos

Direção: Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles

Boi Neon (100′)

Horário: 20h20

Classificação: 18 anos

Direção: Gabriel Mascaro

01/10

Babenco – Alguém tem que ouvir o coração e dizer: Parou (75′)

Horário: 18h

Classificação: 12 anos

Direção: Bárbara Paz

A Vida Invisível (139′)

Horário: 19h30

Classificação: 16 anos

Direção:  Karim Aïnouz

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Dirigido por Mario Martone, NOSTALGIA recebe pôster e trailer oficiais

Pierfrancesco Favino interpreta o protagonista que volta à sua cidade, Nápoles, e a encontra transformada

Pôster do filme 'Nostalgia'
Pôster do filme ‘Nostalgia’

Materiais:https://drive.google.com/drive/folders/16dvEqUOQMJVJ5vbcFs9oNnHNaavKhGG3

Exibido no Festival de Cannes e indicado em nove categorias no prêmio da Academia Italiana de Cinema, o David di Donatello, – entre elas, Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator – NOSTALGIA é um longa sobre o passado pelo olhar do presente, as transformações e mudanças pelas quais passaram tanto Nápoles quanto seu protagonista, Pierfrancesco Favino (“O Traidor”), quando retorna à sua cidade.

É nesse tom que se desenvolve o filme dirigido por Mario Martone, que chega aos cinemas do Brasil no próximo dia 5 de outubro, com distribuição da Pandora Filmes. Confira neste release trailer e pôster oficiais da produção.

Favino interpreta Felice Lasco, um homem que volta à sua cidade natal, depois de quatro décadas e a encontra totalmente transformada, quase irreconhecível. Mas será que só a cidade mudou ou ele também?

Com roteiro assinado por Martone e Ippolita Di Majo, o longa é inspirado no livro homônimo de Ermanno Rea. Martoni, que era amigo de Abbas Kiarostami, falou em entrevista que acredita que o mestre iraniano iria gostar do filme, pois teve o cinema do Irã como inspiração. 

“Gosto do cinema iraniano por vários motivos. Os filmes dos diretores iranianos são rodados na rua, você vê pessoas reais, e aí eles têm força para ainda serem contos morais, NOSTALGIA é um pouco disso também, e isso não é mais comum”, comenta o cineasta.

Nascido em Roma, Favino, por sua vez, conta que o maior desafio para o papel foi aprender o dialeto napolitano. “Na Itália, há um enorme respeito pela língua napolitana. Todos os nossos dramaturgos vêm de Nápoles. E há uma história incrível de atores napolitanos que sempre admirei. E eu estava cercado por napolitanos, então não só tive que aprender, mas também temi o julgamento deles.”  Além disso, ele também aprendeu um pouco de árabe para o filme, pois seu personagem vive no Oriente Médio.

O diretor explica que busca em NOSTALGIA algo muito próximo da atualidade, deixando o longa aberto aos acontecimentos durante a filmagem. “Fiquei fascinado com a ideia de fazer um filme não dentro de uma cidade, mas dentro de um bairro, como se fosse um tabuleiro de xadrez, e por isso todas as ruas, casas e indivíduos que aparecem no filme são exclusivamente do Rione Sanità, um bairro napolitano separado do mar.”

Para conseguir a naturalidade e desbravar o bairro, ele conta que convidou elenco e equipe a andar pelas ruas, a se perder naquele lugar, como um labirinto, e, só assim, começar a entender o que realmente é aquele lugar. “Com a câmara nos ombros, começamos a caminhar pelas ruas, na nossa interpretação do cinema da realidade. Encontro após encontro, vida após vida, história após história, acabamos filmando a última cena nos perguntando qual seria o seu significado, e não conseguimos encontrá-la. Talvez não haja sentido, talvez nunca tenha havido. Existe o labirinto e existe a nostalgia, que é o destino de muitos, e talvez de todos nós.”

Desde sua exibição em Cannes, o filme tem sido muito bem recebido, tendo diversas críticas elogiosas. “O filme lindamente filmado e soberbamente composto de Mario Martone oscila à beira de algo especial”, diz Peter Bradshaw, no jornal The Guardian. “Com o queixo sempre contraído e a testa sempre franzida, o estoicamente carismático Favino é a âncora humana certa para este projeto: simpático de uma forma forte e silenciosa, mas igualmente capaz de se fundir nos quadros movimentados e sombrios da agitação urbana do filme”, escreve Guy Lodge, na Variety.

SINOPSE

Após 40 anos longe de casa, Felice retorna ao lugar onde nasceu, no centro de Nápoles, e redescobre os lugares em que andava, os códigos do bairro e um passado que o devora. Baseado no romance homônimo, de Ermanno Rea (1927–2016). Seleção oficial do Festival de Cannes 2022.

FICHA TÉCNICA

Direção: 
Mario Martone

Roteiro: Martone, Ippolita di Majo, baseado em livro de Ermanno Rea

Produção:  Luciano Stella, Roberto Sessa, Maria Carolina Terzi, Carlo Stella

Elenco: Pierfrancesco Favino, Francesco Di Leva, Tommaso Ragno, Aurora Quattrocchi, Sofia Essaidi, Nello Mascia, Emanuele Palumbo, Artem, Salvatore Striano, Virginia Apicella

Direção de Fotografia: Paolo Carnera

Desenho de Produção: Carmine Guarino

Montagem: Jacopo Quadri

Gênero: drama

País: Itália 

Ano: 2022
Duração: 117 minutos


SOBRE A PANDORA FILMES

A Pandora é uma distribuidora de filmes independentes que há 30 anos busca ampliar os horizontes da distribuição de filmes no Brasil, revelando nomes outrora desconhecidos no país como Krzysztof Kieślowski, Theo Angelopoulos e Wong Kar-Wai, e relançando clássicos memoráveis em cópias restauradas, de diretores como Federico Fellini, Ingmar Bergman e Billy Wilder.

Sempre acompanhando as novas tendências do cinema mundial, os lançamentos recentes incluem “O Apartamento”, de Asghar Farhadi, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro; e os vencedores da Palma de Ouro de Cannes: “The Square: A Arte da Discórdia”, de Ruben Östlund e “Parasita”, de Bong Joon-ho.

Paralelamente aos filmes internacionais, a Pandora atua com o cinema brasileiro, lançando obras de diretores renomados e também de novos talentos, como Ruy Guerra, Edgard Navarro, Sérgio Bianchi, Beto Brant, Fernando Meirelles, Gustavo Galvão, Armando Praça, Helena Ignez, Tata Amaral, Anna Muylaert, Petra Costa, Pedro Serrano e Gabriela Amaral Almeida.

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Resistindo ao tempo

Ivete Rosa de Souza: Poema ‘Resistindo ao tempo’

Ivete Rosa de Souza
Ivete Rosa de Souza

Na alma enraizada, há uma chama que não se apaga

De um amor que há tempos deixou entrar

A traição e a loucura que no peito não tem lugar

Essa dor que causa espanto, como uma praga

Deixa rastro de morte ao passar.

A tristeza que inunda a alma rebelde enciumada

Deixa de sentir o carinho, perde o sentido de ser

É como caminhar no escuro na estrada esburacada

Que desfaz os passos incertos, fazendo se perder

Essa vida destinada, sofrendo de amor a morrer.

É tempo perdido, ofício de quem não tem onde estar

É um pranto sem consolo, dor de puro abandono

Querer ir, sem poder o amor levar

É como um cão triste sem dono

Que na margem da estrada, chora seu triste penar.

Resistindo ao tempo sem pressa, a dor contamina

Os anseios de um dia poder encontrar outro amor

Desconjuntado, sem forças desanima

E todo o tempo que lhe resta é a dor

Que lhe empresta, solidão e desamor.

Ivete Rosa de Souza

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