Obra poética captura essência de emoções contraditórias após rompimentos
Divulgação | Elisa Marques
Elisa Marques expõe sentimentos profundos em versos curtos, particulares e potentes, narrando as muitas etapas do fim de um relacionamento entre duas mulheres.
Todo fim de relacionamento é uma ruptura e traz à tona sentimentos diversos, contraditórios, confusos – nós que se desembaraçam com o tempo e de acordo com o processo de cada um.
Em Até minha terapeuta sente falta de você, o leitor encontrará um compilado de 72 poemas escritos por Elisa Marques, todos com inspiração autobiográfica, explorando o término entre duas mulheres pelo ponto de vista da autora.
A poesia aqui serve de válvula de escape, porto-seguro e solo fértil para impulsionar o renascer de si.
Todo fim de relacionamento é uma ruptura e traz à tona sentimentos diversos, contraditórios, confusos – nós que se desembaraçam com o tempo e de acordo com o processo de cada um.
Em Até minha terapeuta sente falta de você, o leitor encontrará um compilado de 72 poemas escritos por Elisa Marques, todos com inspiração autobiográfica, explorando o término entre duas mulheres pelo ponto de vista da autora.
A poesia aqui serve de válvula de escape, porto-seguro e solo fértil para impulsionar o renascer de si.
amar é uma injustiça com quem vem depois. mas e se sempre existir o depois? quanto de nós ainda sobrará pra dar? quanto de você ainda existirá aqui? Até minha terapeuta sente falta de você, p. 93
Este é o primeiro livro da escritora, que transforma em palavras o amor passageiro, por meio de versos curtos, particulares e de tom melancólico.
“Com este livro, quero provar que escrever pouco também pode ser bonito”, diz Elisa.
A autora também encontra inspiração nas obras dos brasileiros Bruno Fontes, Lucão, Igor Pires e Chacal.
Elisa Marques é goiana, nascida em 1994 e cresceu em Goiânia.
Estudou Jornalismo e Psicologia nos Estados Unidos e atualmente divide seu tempo entre literatura e cinema, sendo também roteirista e diretora.
Elisa desenvolveu o gosto pela leitura e pela escrita inspirada pelas obras de seu falecido avô, a primeira referência que teve de escritor.
“Até minha terapeuta sente falta de você” é o primeiro livro da autora, que traz sentimentos profundos sobre fins de relacionamentos divididos em 72 poemas com tom melancólico e contemporâneo.
Natura Musical apresenta: Trem Tan Tan faz show de lançamento do novo álbum ‘Trem Negreiro’
Sob a coordenação artística de Babilak Bah, coletivo acaba de lançar trabalho digital inédito e se prepara para apresentação no dia 26 de setembro, no Teatro Feluma, com as participações especiais de Tom Nascimento, Everton Coroné, Raphael Sales e coral Fora da Caixa.
Grupo Trem Tan Tan Foto: Lucas Bois
O grupo musical mineiro Trem Tan Tan, conhecido nacionalmente pela luta antimanicomial e inclusão da pessoa com sofrimento mental na sociedade, acaba de lançar o seu novo álbum, Trem Negreiro, patrocinado por Natura Musical, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais.
As músicas já podem ser ouvidas nas principais plataformas digitais e o clipe da canção que dá nome ao trabalho está disponível no YouTube.
O show comemorativo será realizado no dia 26 de setembro, terça-feira, às 20h, no Teatro Feluma (Alameda Ezequiel Dias, 275 – 7º Andar – Centro, Belo Horizonte), com as participações especiais de Tom Nascimento, Raphael Sales, Everton Coroné e coral Fora da Caixa, que marcam presença em canções do novo trabalho.
A iniciativa conta também com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, através do Fundo Municipal de Cultura e a entrada é gratuita com retirada de ingressos pelo Sympla.
Grupo Trem Tan Tan Foto: Lucas Bois
O álbum tem coordenação artística do multiartista Babilak Bah e direção musical e arranjos do talentoso trombonista Leonardo Brasilino, com arranjos de base de um dos seus participantes, Mauro Camilo.
As composições do novo trabalho do grupo Trem Tan Tan passeiam por diversos ritmos brasileiros. “As canções perpassam o frevo, ijexá, samba e funk-rock, destacando belas melodias, como a balada Pandemia dura que faz uma crônica do período do caos de saúde mundial que nos trouxe dor e solidão.
Já No morro mora gente boa retrata o cotidiano das periferias brasileiras e faz a denúncia da violência policial nos morros da cidade.
Outra música em destaque é o funk-rock Os meus remédios têm dupla personalidade, que retrata o quanto os medicamentos e os efeitos colaterais, não passam de verdadeiras drogas e chamam a atenção para o uso e abuso na sua indicação e uso.
No repertório também há espaço para o lirismo e canções românticas que abordam os dramas do coração como no samba canção Isaura e o samba-rock Samba sentimental. Já o ijexá que batiza o álbum convoca para a celebração da alegria, da cultura do autocuidado, além da conexão com a ancestralidade com a música título: Trem Negreiro, relata Babilak Bah.
Oito das dez canções que ilustram o álbum Trem Negreiro foram compostas pelo coletivo Trem Tan Tan e outras duas são parcerias com poetas da cena literária de Belo Horizonte: Wir Caetano e Cândidos Kamayurá. O novo trabalho conta com participações especiais. “Tom Nascimento compartilha o seu talento na música A voz do Bispo; Raphael Sales em Gentileza nessa dança, A voz do Bispo, Não me calo nem pranto, e No morro mora gente boa; Victor Melo participa nas canções Pandemia dura e Isaura.
Já a música que dá nome ao álbum conta com os musicistas Cassiano Luiz, Jorge Bonfá, Almin Bah, Gilson júnior, Everton Coroné e Pablo Cavaquinho, além do coral “Fora da Caixa, formado por cidadãos com sofrimento mental, com direção de Tata Santana”, destaca o coordenador artístico do Trem Tan Tan.
Babilak Bah destaca a importância do álbum. “O novo trabalho autoral do coletivo vem coroar duas décadas de resistência, luta política e inclusão através da cultura, provocando reflexões sobre a loucura e a questão étnico racial com letras e melodias que estabelecem uma sintonia com a atualidade da revisitação histórica e a reivindicação pela cidadania, direitos e equidade que marca a sociedade brasileira”, diz.
O lançamento do álbum Trem Negreiro, do grupo Trem Tan Tan foi selecionado pelo edital Natura Musical, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais (LEIC), ao lado da Casa Sonora, Djalma Ramalho, Maíra Baldaia, Sérgio Pererê e Tavinho Leoni. No Estado, a plataforma já ofereceu recursos para mais de 160 projetos de música até 2022, em diferentes formatos e estágios de carreira como Maíra Baldaia, Sérgio Pererê e Meninos de Araçuaí.
Sobre Natura Musical
Natura Musical é a plataforma cultural da marca Natura que há 18 anos valoriza a música como um veículo de bem-estar e conexão. Desde seu lançamento, em 2005, o programa investiu mais de R$ 190 milhões no patrocínio de mais de 600 artistas e projetos em todo o Brasil, promovendo experiências musicais que projetam a pluralidade da nossa cultura.
Em parcerias com festivais e com a Casa Natura Musical, fomentamos encontros que transformam o mundo. Quer saber mais? Siga a gente nas redes sociais: @naturamusical.
Todo o material pode ser visto e ouvido pelas nas redes sociais do coletivo Trem Tan Tan:
O Trem Tan Tan é um coletivo de compositores surgido nas oficinas de música e artes da política de saúde mental de Belo Horizonte. O grupo já participou de vários projetos culturais do estado de Minas Gerais e em inúmeros espaços culturais do país levando a bandeira da criatividade e da luta antimanicomial, tornando-se referência para cidadãos e outros grupos excluídos no campo da saúde mental no Brasil.
Desde 2019, o coletivo Trem Tan Tan se prepara para esse momento, depois de atravessar por um processo de imersão subjetiva e auto avaliação crítica a partir de sua trajetória, além de participar de oficinas com vários artistas da cena local com a perspectiva de avanço de sua linguagem na busca de aprimoramento técnico, ao realizar uma jornada que envolve ensaios contínuos, oficinas de criação para ampliar o processo de composição além de promover discussões sobre a loucura e a cidade, ao atravessar esse longo processo de investigação musical.
Ficha Técnica do show de lançamento:
Trem Tan Tan: Mauro Camilo, Marcos Evando, Marcos Alexandre, Rogéria Ferreira e Babilak Bah
Nicoli Priscila: Crônica ‘Quando deixei de ser criança…’
Logo Jovens Talentos
Deixei de ser criança, quando percebi que a pia do banheiro não está mais alta…
Que o espelho que não dava para me ver nele, finalmente encontrou meu olhar, e dava para me ver nele, e percebi o quanto mudei…
Deixei de ser criança, quando percebi o quanto este mundo é sujo, e quantas pessoas são ignorantes, sem demonstrar compaixão pelo próximo…
Parei de ser criança, quando notei racismo, o machismo, a homofobia e todos os outros preconceitos que a sociedade possui.
Deixei de ser criança, quando vi pessoas que amava irem embora para um eterno descanso… Sem dizer ao menos adeus!…
Nicoli Priscila
(Texto orientado pelo professor Clayton Alexandre Zocarato, junto com a discente do Ensino Fundamental do 9º Ano A, Nicoli Priscila, como parte integrante de incentivo à leitura e escrita poética , feito ao longo do ano letivo de 2023, na Escola Estadual de Tempo Integral e Regular Professor Bento De Siqueira, do município de Marapoama – SP).
Última semana da Mostra inédita ‘O cinema de Álex de la Iglesia’ no CCBB SP
Evento acontece até domingo, 1 de outubro, com entrada gratuita
Banner da Mostra ‘O cinema de Álex de la Iglesia‘
Na sua última semana em cartaz no cinema do Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo, a mostra O Cinema de Álex de la Iglesia, que tem curadoria de Daniel Celli e Rafael Carvalho, continua a apresentar um panorama da obra do consagrado cineasta, um dos diretores e produtores de maior sucesso na Espanha, homenageia o Zé do Caixão e promove um debate.
O público poderá conferir ainda Balada do amor e do ódio, um terror irreverente ambientado durante a ditadura franquista, o diretor levou o Leão de Prata (diretor) e o Sella de Ouro de roteiro, junto com seu parceiro constante Jorge Gerrica Echevarría, no Festival de Veneza, além da comédiaCrime Ferpeito considerada uma das obras “hitchcockianas” do cineasta.
A programação traz também um dos grandes sucessos de bilheteria da carreira do cineasta,Muertos de Risa, que revisita a história do showbiz espanhol, e 800 Balas. Neste último, o diretor revisita, à sua maneira, os principais clichês do western, seus mitos e personagens, misturando o passado e o presente da história do cinema.
Diretor de grandes bilheterias na Espanha (o filme Perfectos desconocidos, de 2017, conseguiu mais de 18 milhões de espectadores, sendo considerado uma das cinco maiores bilheterias da história do cinema espanhol), Álex de la Iglesia é também um produtor atuante no audiovisual de seu país.
Ao lado da atriz e produtora Carolina Bang, o casal vem tocando em ritmo acelerado diversos projetos pela Pokeepsie Films, uma das mais atuantes empresas produtoras da Espanha, que faz parte do grupo francês Banijay. A programação traz a Sessão Especial Pokeepsie Films, com a exibição de Ninho de Musaranho(Musarañas, 2014), filme inédito no Brasil,dirigido por Juan Fernando Andrés e Esteban Roel.
No sábado acontece a Sessão Especial Terrores Brasileiros, com a exibição do filme A Sombra Do Pai, seguida do debate “Produzindo cinema fantástico”, que fala sobre a experiência de realização do cinema brasileiro dentro do gênero, uma tradição que vem se consolidando desde os anos 1960 até o cinema contemporâneo, com a presença da diretora Gabriela Amaral Almeida e da jornalista e pesquisadora Laura Cánepa.
Já no domingo, o evento celebra a obra do grande mestre do terror no Brasil, José Mojica Marins (1936-2020), de quem Iglesia é um fã declarado, com as exibições especiais de A Praga, filme recuperado pelo cineasta e pesquisador Eugênio Puppo,
Com patrocínio do Banco do Brasil, a mostra O Cinema de Álex de la Iglesia tem a curadoria de Daniel Celli e Rafael Carvalho e a produção da Ginja Filmes. A realização é do Centro Cultural Banco do Brasil, que ao realizar este projeto, reafirma seu compromisso de ampliar a conexão do brasileiro com a cultura e com a promoção do acesso à produção cinematográfica nacional e internacional.
Sobre o CCBB SP
O Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo, iniciou suas atividades há mais de 20 anos e foi criado com o objetivo de formar novas plateias, democratizar o acesso e contribuir para a promoção, divulgação e incentivo da cultura. A instalação e manutenção de nosso espaço em um prédio, em pleno centro da capital paulista, reflete também a preocupação com a revitalização da área, que abriga um inestimável patrimônio histórico e arquitetônico, fundamental para a preservação da memória da cidade.
Temos como premissa ampliar a conexão dos brasileiros com a cultura, em suas diferentes formas. Essa conexão se estabelece mais genuinamente quando há desejo de conhecer, compreender, pertencer, interagir e compartilhar. Temos consciência de que o apoio à cultura contribui para consolidar sua relevância para a sociedade e seu poder de transformação das pessoas.
Acreditamos que a arte dialoga com a sustentabilidade, uma vez que toca o indivíduo e impacta o coletivo, olha para o passado e faz pensar o futuro. Com uma programação regular e acessível a todos os públicos, que contempla as mais diversas manifestações artísticas e um prédio, que por si só já é uma viagem na história e arquitetura, o CCBB SP é uma referência cultural para os paulistanos e turistas da maior cidade do Brasil.
SERVIÇO:
Mostra “O Cinema de Álex de la Iglesia”
Local: Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo
Período: Até domingo, 01 de outubro de 2023.
Ingressos gratuitos: Disponíveis no site bb.com.br/cultura e na bilheteria
Classificação indicativa: De acordo com cada filme, verificar em bb.com.br/cultura
Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 – Centro Histórico, São Paulo – SP
Funcionamento: Aberto todos os dias, das 9h às 20h, exceto às terças
Entrada acessível: Pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida e outras pessoas que necessitem da rampa de acesso podem utilizar a porta lateral localizada à esquerda da entrada principal.
Informações: (11) 4297-0600
Estacionamento: O CCBB possui estacionamento conveniado na Rua da Consolação, 228 (R$ 14 pelo período de 6 horas – necessário validar o ticket na bilheteria do CCBB).
O traslado pela van do CCBB é gratuito para o trajeto de ida e volta ao estacionamento e funciona das 12h às 21h.
Transporte público: O Centro Cultural Banco do Brasil fica a 5 minutos da estação São Bento do Metrô. Pesquise linhas de ônibus com embarque e desembarque nas Ruas Líbero Badaró e Boa Vista.
Táxi ou Aplicativo: Desembarque na Praça do Patriarca e siga a pé pela Rua da Quitanda até o CCBB (200 m).
Van: Ida e volta gratuita, saindo da Rua da Consolação, 228. No trajeto de volta, há também uma parada no metrô República. De 12h até o encerramento das atividades do CCBB.
Capital Inicial divulga finalistas do concurso de bandas 4.0 e abre votação popular
As bandas vencedoras vão abrir os shows de três datas da turnê comemorativa Capital Inicial 4.0
Banda Capital Inicial. Créditos: Alcides Netto
São 40 anos de estrada e incontáveis shows. Nesses milhares de quilômetros percorridos, várias foram as vezes em que o Capital Inicial aproveitou seu tamanho e longevidade para dar espaço a outros artistas independentes e, agora, chegou a vez de repetir tal ação com a Capital Inicial 4.0, turnê que está movimentando as casas de shows pelo Brasil.
O quarteto formado por Dinho Ouro Preto, Yves Passarell, Fê e Flávio Lemos vai receber nas apresentações de Recife (Classic Hall, no dia 6 de outubro); Rio de Janeiro (Qualistage, no dia 11 de novembro); e em Belo Horizonte (Expominas, no dia 18 de novembro) três grupos convidados, escolhidos por meio do Concurso de Bandas 4.0.
Após passarem por algumas etapas, como a triagem feita pela página Todo Dia um Rock e o júri técnico, seis bandas foram escolhidas pelo Capital Inicial para seguirem para a última fase: a votação popular. Os grupos selecionados são: Gambia Rock; Lenhadores da Antártida; Banda Bob Simon; O Que Sobrou Do Caos; Sulamericana e Venere Vai Venus. A votação acontece pelo site oficial (acesse aqui) e o resultado sai no dia 26 de setembro nas redes sociais do Capital Inicial.
“Foram mais de 8 mil bandas inscritas e 2 mil demos enviadas. É surreal e muito animador ver a qualidade dos trabalhos autorais que temos no Brasil”, comenta Dinho, que completa: “é emocionante enxergar que o rock ainda vive em muitos jovens por aí. Há muito talento pelo país afora e sabemos o quanto o caminho pode ser difícil para quem tá começando”.
Dividido em quatro momentos, o concurso teve como primeira etapa a curadoria realizada por uma das maiores páginas de rock do Brasil, Todo Dia Um Rock. Na sequência, um júri técnico composto pelo produtor musical Dudu Marote, a cantora, compositora e produtora musical Cris Botarelli (Far From Alaska) e o radialista Marcos Vicca fizeram a seleção dos nove nomes que passaram pelo crivo final do Capital Inicial para chegar aos seis finalistas para a votação popular.
Definida pelo vocalista como uma das turnês mais ambiciosas que já realizaram, o Capital Inicial 4.0 não só promove o encontro catártico com os fãs, como os inclui como peça fundamental nessa celebração de quatro décadas.
O espetáculo conta com direção musical de Dudu Marote, produção executiva de Fernando Tidi, direção geral de Luiz Oscar Niemeyer e direção executiva de Luiz Guilherme Niemeyer. Batman Zavareze assina a direção de arte, Cesio Lima o projeto de iluminação, Eduardo Souza a direção de animação e Márcio Zavareze a direção de fotografia. Já os arranjos são da própria banda com Dudu Marote.
Marcus Hemerly: Artigo ‘O existencialismo de Ingmar Bergman’
Banner da coluna Cinema em Tela: ‘O existencialismo de Ingmar Bergman’
“Neste vazio dentro de mim nasceu algo que não compreendo, cujo nome não sei…”
Através de um Espelho, 1961.
Sorvendo da fonte europeia existencialista, as derivações daquela escola filosófica não passaram ao largo das retratações cinematográficas. Aliás, todas as formas de produção artística desenham as feições, ainda que inconscientes, de seus idealizadores, se não aquilo que é concebido, o que é sentido.
A imersão nas dicotomias e incongruências que compõem a complexidade humana são rica matéria-prima para a articulação da expressão individual. À luz dessa diegese*, poder-se-ia desembaraçadamente citar a filmografia do diretor sueco Ingmar Bergman, que paralelizou desde os questionamentos metafísicos até as águas revoltosas que permeiam os sentimentos mais animalescos do homem.
Deparamo-nos com o jogo de xadrez com a morte, a partir de seu filme mais famoso, ‘O Sétimo Selo’ de 1957, até o encontro de sua personificação num simbolismo que será recorrente em toda obra do diretor: a existência em sua forma mais substancial para, num segundo momento, amoldar a vida, essência, amalgamando a criação/origem até a forma de interação com o meio circundante/evolução.
Ora, o que é a Filosofia, senão uma eterna inserção de questionamentos sobre proposições tidas como absolutas, ou mesmo, abstratas em sua natureza?
Ainda trilhando a vereda investigativa quanto às formatações humanas em seus liames racionais e sentimentais, é possível concluir que tais conceituações são indissociáveis para o direcionamento inquisitivo existencial tratado na obra de Bergman.
Não raro, se escuta o conceito ‘crise existencial’ em atividades atreladas à vida hodierna, e, de igual modo, quando relacionadas às representações fílmicas. Personagens densos, introspectivos, insatisfeitos em sua inquietação não aparente, e, por fim, comumente rotulados sob a pecha de existencialistas.
Voltando o olhar para seus primeiros trabalhos, nos quais identificamos as emoções e pulsões de forma mais primitiva, como vingança, no caso de ‘A fonte da donzela’, em seus roteiros ulteriores é possível perceber que o trilhar, ou talvez seria dizer, ‘brincar,’ com a inquietude do amadurecimento emotivo de seus personagens é uma intenção recorrente.
Na chamada trilogia do silêncio, somos apresentados a personagens que, numa análise perfunctória, poderiam ser erroneamente classificados de superficiais. Contudo, nada mais enganoso.
Na produção ‘Através de um Espelho’, 1961, Karin, a jovem retorna ao seio familiar após uma temporada em um hospital psiquiátrico, e vivendo em uma ilha com seu solitário irmão, o marido (Max von Sydow), ator recorrente na filmografia do diretor, e o pai, se desenha um deterioramento no relacionamento daquele núcleo, quando a instabilidade de Karin ganha força, fazendo com que os próprios conflitos de seus pares, principalmente de seu pai, aflorem. Identificamos a fragilidade na inteligência racional contraposta à emocional.
Em ‘Luz de Inverno’, 1963, o amor e suas contradições são experimentados pelo pastor Tomas Ericsson, que sofre uma intensa crise de fé quando relutantemente se apaixona pela professora Märta Lundberg.
Finalmente, em ‘O Silêncio’ de 1963, título mais polêmico e que encerra a trilogia, conhecemos as irmãs, Ester e Anna, que viajam para um país da Europa Central durante a guerra e levam com elas o filho de Anna, o garoto Johan de 12 anos.
Naquele espaço, a trama de desenvolve num hotel quase inabitado, que atua perifericamente à próprias conscientizações de seus tormentos, desejos e pretensões de exploração íntima. Temas/cenas como autoerotismo feminino, sugestão de relacionamento incestuoso e desejo velado pela morte, exsurgem de maneira palpável e desconfortante até mesmo ao espectador.
Assim como a aplicação psicanalítica, o que se desvela num tom flagrante nos roteiros, até mesmo na forma de estilo/conceito cunhados ao que se convencionou chamar de ‘bergmaniano’, de feição adjetiva, é identificada a partir de proposições.
Estas, em uma primeira intenção, simples, mas que estimulam a reflexão e incursão interior por meio de estímulos livres. Conflitos familiares, sexuais, de relacionamento, culpa, entre outros, são emoções basilares que descortinam os elementos mais caracterizadores do ser humano.
A partir dessa ideia, os vieses psicanalíticos permeiam todas as concepções daquele recorte do cineasta, que recebeu o epíteto de pintor do existencialismo. Descrevendo-o, o diretor francês Jean-Luc Godard ponderou: “O cinema não é um ofício, é uma arte. Cinema não é um trabalho de equipe. O diretor está só diante de uma página em branco. Para Bergman estar só é se fazer perguntas; filmar é encontrar as respostas. Nada poderia ser mais classicamente romântico“.
Repise-se, tal como a própria metodologia psicanalítica de discurso e autoconhecimento indutivo, títulos inesquecíveis como ‘Sonata de Outono’, e ‘Gritos e Sussurros’, são exemplos de diálogos fluidos que tocam o cotidiano e roupagens travestidas de abordagens singelas, mas que, em verdade, obscurecem redemoinhos emocionais muito mais arraigados e merecedores de apreciação e retratação. O que se faz de modo preciso e inquietante por Ingmar Bergman.
Talvez, um dos filmes mais característicos de tal ênfase existencial na cronologia de sua cinematografia é apontada em ‘Persona’ – título sugestivo – no qual a dualidade humana e os enigmas da mente são despidos de forma engenhosamente orquestrada.
Decerto, a análise pontual de cada filme citado, bem como acerca dos pontos sobre os quais lastreiam-se o norte psicológico da carreira do diretor, são suficientes a robustecer teses acadêmicas, mas, de igual forma, neste espaço mais sintético, estimular a descoberta aos leitores e apreciadores das imagens – e questionamentos – em movimento.
Se no Brasil, o diretor do cinema marginal Carlos Reichembach se autodenominava o último utopista, Bergman, por sua vez, pode ser identificado com o grande existencialista, intencionalmente ou não. A indagação ecoa à espera de resposta.
Marcus Hemerly
N.E.Diegese é o ato de narrar ou descrever uma história, seja no teatro, no cinema ou literatura. É quando o artista, ou personagem, se torna locutor, assumindo assim sua própria identidade para descrever ou comentar um acontecimento.