Lorena recebe a Mostra Ecofalante de Cinema até o dia 27/09
Evento tem sessões abertas ao público na Unisal e na USP, além de exibições para estudantes em diversas instituições de ensino
Mostra Ecofalante de Cinema
Programação inclui títulos assinados por Estêvão Ciavatta, Fred Rahal, Laura Faerman e Marina Weis;
Filmes premiados e com carreira em importantes festivais como IDFA-Amsterdã, Sheffield DocFest e Festival de Berlim
Até o dia 27 de setembro, a cidade de Lorena receberá a itinerância da 12ª edição da Mostra Ecofalante de Cinema, considerada como o mais importante evento audiovisual da América do Sul dedicado às temáticas socioambientais.
Totalmente gratuita, as exibições trazem obras premiadas e com carreira em importantes festivais nacionais e internacionais, destaques das edições mais recentes da Mostra Ecofalante em São Paulo e sessões para o público infanto-juvenil.
O evento terá sessões abertas ao público na Unisal e na USP, além de exibições educacionais na Faculdade Serra Dourada, no Colégio Drummond, na ETEC Padre Carlos Leôncio da Silva e em três escolas da rede estadual de ensino: EE Gabriel Prestes, EE Prof° Luiz de Castro Pinto e EE Prof° Francisco Marques de Oliveira Junior. A Mostra realiza ainda sessões para cerca de 2 mil alunos da rede municipal de ensino, que acontecem no período da manhã e da tarde na Unisal e na USP.
A itinerância da 12ª Mostra Ecofalante de Cinema em Lorena é viabilizada por meio da Lei de Incentivo à Cultura. O evento é uma apresentação da Valgroup, tem patrocínio da BASF e da Taesa e apoio da Drogasil.
Tem apoio institucional da Prefeitura de Lorena (por meio da Secretaria Municipal de Educação), da Embaixada da França no Brasil, do Programa Ecofalante Universidades e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
A Etec Padre Carlos Leôncio da Silva, Faculdade Serra Dourada, a Unisal e a USP são parceiras educacionais do evento. A produção é da Doc & Outras Coisas e a coprodução é da Química Cultural. A realização é da Ecofalante e do Ministério da Cultura.
Noite de Cinema Chinês gratuito é realizada em São Paulo
Com o apoio do Ibrachina, o projeto promove a exibição de um filme chinês por mês e tem como missão estreitar a relação cultural sino-brasileira
Banner do projeto Noite de Cinema Chinês
O Instituto Sociocultural Brasil China (Ibrachina) apoia o projeto Noite de Cinema Chinês by Chinese Bridge Club, que realiza a exibição de um filme chinês na segunda quinta-feira de cada mês. A curadoria é de Cecília Mello, professora do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da USP.
A entrada é franca, sendo necessário apenas retirar os ingressos pela plataforma Sympla.
Desta vez, será exibido o filme “Banhos”, dirigida por Yang Zhang. O longa faz parte do ciclo “Comédias”, que já exibiu “Hi, Mom” e “Happy Times”. Após a exibição, a curadora Cecília Mello baterá um papo com a plateia, destacando elementos culturais do filme, seu significado e também responderá perguntas. Os longas são apresentados no espaço de eventos do Ibrawork, na Rua Augusta, 1917 – 6º Andar.
Sobre o filme
“Banhos” trata de relações familiares, tendo como pano de fundo uma prática secular na China: frequentar casas de banho, que são locais destinados a promover banhos coletivos e proporcionar socialização entre as pessoas.
Abandonado por Da Ming – seu filho mais velho, que foi para Shenzhen no intuito de tentar uma melhor sorte -, um pai de família, Liu Ming, fica em Beijing cuidando do seu filho mais novo, Er Ming, que tem problemas mentais, e exercendo a profissão de mestre de na casa de banhos administrada por sua família.
Repentinamente, Da Ming retorna e descobre a importância do empreendimento familiar para a comunidade. Absorvido pela “cultura do chuveiro”, por estar vivendo em uma grande metrópole, ele tem que enfrentar um dilema: encarar as responsabilidades da família ou continuar imerso em sua própria e egoísta vida.
O Ciclo de Estudos, gratuito e 100% online, será realizado nos dias 9, 10 e 11 de outubro, em parceria com a Companhia das Letrinhas
Maurice Sendak, seus terríveis rugidos e as crianças
Em parceria com a Companhia das Letrinhas, A Casa Tombada – Lugar de Arte, Cultura e Educação homenageia o autor da trilogia “Onde vivem os monstros (1963)”, “Na cozinha Noturna” (1970) e “Lá fora logo ali” (1981), com a realização do Ciclo de Estudos Maurice Sendak, seus terríveis rugidos e as crianças, nos dias 9, 10 e 11 de outubro deste ano, 100% online e gratuito.
“Sendak é considerado referência no campo do livro ilustrado, da literatura e da educação, mas ele e sua trilogia são citados até em estudos de psicologia.
O autor é um marco, é estudado e referenciado, tanto na forma quanto no conteúdo, ou seja: tanto no jeito de relacionar as palavras e as imagens, quanto nos temas que ele levava para as histórias”, comenta Cristiane Rogerio, curadora e mediadora do Ciclo, ao lado de Clara Gavilan.
Cristiane é coordenadora do curso de pós-graduação O Livro para a Infância: processos contemporâneos de criação, mediação e circulação. Clara Gavilan é, ao lado de Cristiane Rogerio, idealizadora e coordenadora do curso de pós-graduação Criação de livro ilustrado: repertórios e experimentações para produções autorais que será lançado em outubro, ambas pela’A Casa Tombada/Faconnect.
“A ideia do Ciclo é fazer esse percurso desde os bastidores da edição dos seus livros no Brasil; estudar sua influência para os criadores do livro ilustrado, além das perspectivas de mediação, refletindo sobre as provocações que o autor sempre fazia em relação aos sentimentos das crianças: elas têm raiva, elas se sentem sozinhas.
A partir da sua referência, surgem algumas reflexões: Como são os livros em sala de aula. Será que precisamos olhar para a imagem com mais tempo? Vamos estudar nesta perspectiva de cultivar boas relações da literatura com a escola”, adianta Cristiane.
Sobre a circulação das obras de Sendak e o Ciclo de Estudos
A primeira edição de Onde Vivem os Monstros completa 60 anos e seus livros (Onde vivem os monstros e Na cozinha Noturna) estão de volta às estantes, desta vez pela Companhia das Letrinhas, que também lança o terceiro livro da trilogia: Outside Over There (1981), Lá Fora Logo Ali, que também virá pela tradução de Heloisa Jahn, falecida em 2022.
Quem indica que Sendak deveria ser traduzido para as crianças brasileiras é o autor e pesquisador Odilon Moraes, em consultoria à Cosac Naify. Estávamos, nos anos 2000/2010 recebendo por aqui a tradução dos primeiros livros teóricos sobre livro ilustrado e, assim, precisávamos também ter a referência. Porém, com o fechamento da editora os livros impressos restantes foram vendidos e em pouco tempo as obras de Sendak viraram item de colecionador.
O Ciclo de Estudos reúne essas vivências de Odilon e de demais escritores e pesquisadores de Sendak e do livro ilustrado.
Serão 3 encontros mediados por Cristiane Rogerio e Clara Gavilan, online, via Zoom, realizados nos dias 09,10,11 de outubro das 9h30 às 11h30.
Confira a programação
– Encontro 1 – 09/10/2023 – Por que Maurice Sendak no Brasil: bastidores da primeira edição e da nova, narrados por quem viveu a história.
Convidados: Gabriela Tonelli e Odilon Moraes
– Encontro 2 – 10/10/2023 – Que legado o trabalho de Maurice Sendak deixa à produção de livro ilustrado no Brasil e no mundo? Autores e pesquisadores avaliam as marcas do autor e da trilogia
Convidados: Amma, Carolina Moreyra, Odilon Moraes e Rodrigo Andrade.
– Encontro 3 – 11/10/2023 – Os desafios da mediação das obras Onde Vivem os Monstros, Na Cozinha Noturna e Lá Fora Logo Ali: a imaginação criativa e a função poética das histórias como meio de superação.
Convidados: Débora Alves e Rafaela Deiab
Sobre os convidados:
Gabriela Tonelli
Formada em editoração pela Escola de Comunicação e Artes da USP. Desde 2014 Gabriela faz parte da equipe editorial da Companhia das Letras, especialmente dos selos Companhia das Letrinhas e Seguinte.
Odilon Moraes
Mestre da Unicamp em Artes, pesquisador do livro ilustrado, autor como escritor e ilustrador: Pedro e Lua (Jujuba), Rosa (Olho de vidro), A Princesinha Medrosa (Jujuba), Olavo (Jujuba). Foi consultor da Cosac Naify.
Professor na pós-graduação O livro para a infância, é graduado em arquitetura pela USP, iniciou na literatura em 1990 como ilustrador e depois lançou diversos livros como autor.
Recebeu quatro prêmios Jabutis pelas imagens de “A Saga de Sigfried”, em 1994; “O Matador”, em 2009; “Lá e Aqui”, em 2016 e “Teleco, O Coelhinho”, 2017.
No ano de 2014 entrou para a lista de honra do International Book Board for Youth (IBBY). Desde 2005, ministra palestras, oficinas e escreve artigos sobre a história e o conceito do livro ilustrado em instituições como o Instituto Tomie Ohtake, Fundação Lasar Segall, Instituto Europeu di Design (Brasil), SESC e, mais recentemente, o Instituto Vera Cruz e a UNICAMP.
Em 2018, recebe o Troféu Monteiro Lobato de Literatura Infantil, um destaque oferecido pela Revista Crescer (Editora Globo) e, com o livro “Rosa” (Editora Olho de Vidro), vence o Prêmio FNLIJ 2018 nas categoria melhor livro para criança e melhor ilustração e entra novamente para a lista do selo White Ravens, da biblioteca alemã em Munique, junto ao “Lá e Aqui”. Com Carolina Moreyra, lançou “Bia e Elefante”, “Bia e o Elefante Piquenique”, (ambos editora Jujuba) e Entrevistas – Contos de Fada (Moderna)
Amma
Nasceu em Eunápolis (BA) e mora em Belo Horizonte (MG). É formada em Jornalismo, Artes Visuais e é especializada no livro ilustrado para a infância.
Ganhou o prêmio Jabuti na categoria juvenil com o livro “Amigas que se encontraram na história” (editora Seguinte) em parceria com Angélica Kalil, com quem também realizou a História em Quadrinhos “Bertha Lutz e a carta da ONU” (editora Veneta).
Em 2022 recebeu o selo FNLIJ de altamente recomendável com o livro ilustrado para bebês “Será?” (editora Milcaramiolas) e foi curadora do Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte (FIQ). Para a pós-graduação O Livro Para a Infância apresentou o trabalho final: “Quando o Quadrinho e o Livro Ilustrado se encontram: estudo de caso “Na Cozinha Noturna” de Maurice Sendak”.
Carolina Moreyra
Professora na pós-graduação O livro para a infância, estudou cinema na London Film School, Inglaterra. Escreveu três livros ilustrados: “O Guarda-Chuva do Vovô”, Editora DCL, ganhador dos prêmios O Melhor Livro do Ano para Crianças e Escritor Revelação pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ); e “Lá e Aqui”, Editora Pequena Zahar, ganhador dos prêmios O Melhor Livro do Ano para Crianças pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) e Jabuti e, mais recentemente, “Lulu e o Urso” (Pequena Zahar).
Em 2017 escreveu a adaptação para o Teatro do livro “A Princesinha Medrosa”, de autoria de Odilon Moraes. Com Odilon Moraes, lançou “Bia e Elefante”, “Bia e o Elefante Piquenique” (ambos editora Jujuba) e Entrevistas – Contos de Fadas (Moderna).
Rodrigo Andrade
Rodrigo Andrade é ilustrador e designer gráfico. Já ilustrou diversos textos de outros autores, como O black power de Akin e Akili está feliz, de Kiusam de Oliveira, e Do Òrun ao Àiyé – A criação do mundo de Waldete Tristão, e O QUE MAMÃE NÃO SABE…é seu primeiro livro como único autor onde ele ele reúne os livros e as lembranças literárias que fazem seus olhos brilharem.
Débora Alves
Editora na Companhia das Letrinhas, é mestre em Estudos Culturais (USP), Bacharel e licenciada em Letras (USP), com pós-graduação lato sensu em Alfabetização e Letramento (Unicid-SP) e extensão em Negócios Editoriais
(Unesp).
Rafaela Deiab
É editora de educação na Companhia das Letras, com vasta experiência em projetos de educação e políticas públicas de formação de leitores. Para o catálogo da Companhia das Letras, trabalha na produção de materiais de apoio aos professores e comunicação para programas de compra de livros.
AGENDA
Ciclo de Estudos Maurice Sendak, seus terríveis rugidos e as crianças
Inaugurada em 18 de julho de 2015 pelos artistas e educadores Ângela Castelo Branco e Giuliano Tierno, A CASA TOMBADA- Lugar de Arte, Cultura e Educação- se sustenta na convicção de que a oralidade e a escritura são urgências e necessidades humanas.
A Casa nasceu no bairro de Perdizes na cidade de São Paulo, em frente ao Parque da Água Branca, um lugar de respiro na cidade.
Desde a sua fundação, A Casa vinculou-se à Faconnect – Faculdade de Conchas, como polo desta instituição concebe, coordena e realiza cursos de pós-graduação e cursos de extensão universitária. A Casa realiza também publicações editoriais, cursos livres, apresentações culturais e residências artísticas, orbitando pesquisas em torno da palavra encarnada, seja ela oral e/ou escrita.
No dia 12 de março de 2020, em meio à pandemia do novo covid-19, as portas d’A Casa Tombada física na cidade de São Paulo se fecharam, abrindo caminhos para A Casa Tombada-Nuvem, composta por cursos que acontecem por meio de uma plataforma online.
Oito meses depois, no dia 21 novembro de 2020, A Casa Tombada migra para a cidade de Bragança Paulista, interior de São Paulo, num movimento nomeado de A Metamorfose das Casas, contando com o apoio da Escola Viverde e de seus sócios-fundadores Regina e Sérgio.
Em dezembro de 2022, as ações realizadas n’A Casa Tombada física (sediada em Bragança Paulista) foram encerradas e os sócios-fundadores (Ângela Castelo Branco e Giuliano Tierno) retornaram para a cidade de São Paulo. A invenção de um novo espaço físico em São Paulo atualmente encontra-se em estado de latência, em elaboração.
Este novo movimento tem como intenção o aprofundamento d’A Casa Nuvem, por meio dos Ciclos de Estudos, Núcleos de Aprofundamento, cursos autoformativos e Pós-graduações, além da continuidade das assessorias, parcerias e projetos de criações pessoais.
Sobre os sócios-fundadores:
Ângela Castelo Branco
Doutora em Artes pelo Instituto de Artes da UNESP. Mestre em Educação pela UNESP. Poeta e arte educadora. Coordena ações educativas em exposições de artes visuais e literatura como A Biblioteca à noite no SESC Avenida Paulista, Exposição REVER – Augusto de Campos, no SESC Pompeia. Possui publicações na área da literatura e pesquisa sobre escrita na Universidade de Belas Artes em Lisboa-Portugal. É professora de escritura nos cursos de pós-graduação “A arte de contar histórias – abordagens poética, literária” e performática e “O livro para a infância” – realizados pela Casa Tombada em parceria com a Facon. É autora dos livros Epidermias e “É vermelho o início da árvore”. Escreve no www.angelacastelobranco.blogspot.com.
Giuliano Tierno
Doutor e mestre em Artes pelo Instituto de Artes da UNESP. Contador de histórias e pesquisador na arte narrativa em contexto urbano. Autor de publicações acadêmicas na área de arte e educação e de livros de conto, como Quintal, pela editora Globo. Organizador do livro “A Arte de Contar Histórias. Abordagens poética, literária e performática”. Coordenador de Artes do Colégio Augusto Laranja. Idealizador, coordenador e professor do curso de pós-graduação lato sensu A arte de contar histórias. Professor Colaborador do Instituto de Artes da Unesp.
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo: Artigo ‘Religião: fortifica e solidifica a pessoa humana’
Diamantino Bártolo
O ser humano que alcança os sentimentos e os valores: do amor, da felicidade e da paz, eventualmente entre outros, também eles fundamentais, certamente fica dotado de um poder que nenhuma outra via lhe proporciona. O poder religioso fortifica e solidifica, quem o possui, nos sentimentos da confiança e da esperança, sem os quais será difícil evoluir para uma sociedade verdadeiramente humana, fundamentalmente, quando se perde o amor pelo Deus que tudo cria, controla e extingue.
Será pela confiança em si, e no seu Deus, e pela esperança que ELE incute, através do amor, que o homem alcançará a felicidade e a paz, porque: «O verdadeiro e perfeito amor se mostra nisto: que se tenha grande esperança e confiança em Deus; pois só na confiança se sabe que há um amor verdadeiro e total, pois se alguém ama outrem de todo o coração e com toda a perfeição, surge a confiança; pois tudo quanto se ousa esperar de Deus, nele verdadeiramente se encontra e ainda mil vezes mais.» (ECKHART, 1991:119).
O poder que resulta da atitude religiosa, suportado: na confiança, na esperança e no amor, permite: ao indivíduo humano, em particular; e à sociedade, e geral, a partir de uma vida dedicada, também aos valores religiosos, alcançar situações de: verdadeira paz, felicidade inebriante e realização plena, porque: «A religião está assim implicada no mais íntimo da vida do espírito; mais ainda, é a plenitude da vida da pessoa, colocada como está no termo mesmo de suas dimensões contemplativa e prática – donde elas se conjugarem na atitude de reconhecimento, adoração e submissão à Pessoa Divina, Causa primeira e Fim último do ser da pessoa e de todo o ser criado.» (DERISI, 1977:53).
Podem a ciência, a técnica e todo o materialismo humano produzir os mais sofisticados bens: dos supérfluos aos indispensáveis; da ostentação à miséria; do domínio à subjugação, sem que isso signifique a resolução de todos os problemas, ou o agravamento dos mesmos, respetivamente.
A pessoa, a família, a sociedade, que transportam consigo confiança, esperança e amor, possuem um poder que nenhuma outra arma, ou sistema bélico, conseguem destruir, porque aqueles sentimentos, já são próprios de um ser superiormente dotado, preparado para, mesmo no sofrimento e na derrota material da vida físico-social, continuar a lutar pelo objetivo último que se há de concretizar numa vida espiritual, repleta de certezas divinas, da união a Deus, onde todos os sofrimentos, injustiças e humilhações cedem o lugar a uma vida eterna, tranquila, justa e digna.
É este poder que alimenta e dá coragem para enfrentar, num mundo materializado, as dificuldades, os obstáculos, os ódios, as vinganças e traições, que uma pequena minoria tenta impor, à maioria generosa e de boas pessoas.
É este poder que resulta de uma confiança sem limites, de uma esperança sempre renovada, e de um amor cada vez mais consolidado, que permite que multidões anónimas, periódica e ciclicamente, se dirijam aos lugares sagrados, justamente para agradecer, e pedir a Deus, a satisfação de necessidades básicas: Graça Divina, saúde, trabalho, amor, paz e felicidade.
Nenhum outro poder entusiasma e mobiliza tantas pessoas como o poder de Deus, configurado na Religião que cada um abraça e comunga, sempre com uma confiança e esperança renovadas, precisamente, no amor ao seu Deus.
Em bom rigor, tudo indica que: «A chave da existência humana é o impulso religioso inato que brota da vida essencial universal e a ela aspira retornar. Isso é verdade hoje e o tem sido através da história humana. Os humanoides não se teriam tornado humanos sem a inteligência, mas somente o sentimento religioso poderia tê-los capacitado a desenvolver a inteligência e outras capacidades mentais ou espirituais associadas à nossa espécie. » (IKEDA, 1982:222).
Bibliografia
DERISI, Octávio Nicolás, (1977). Valores Básicos para a Construção de uma Sociedade Realmente Humana, Tradução, Alfredo Augusto Rabello Leite, São Paulo: Mundo Cultural.
ECKHART, Mestre, (1991). O Livro da Divina Consolação e outros textos seletos. Tradução, Raimundo Vier, O.F.M. et al, 2ª Ed. Petrópolis: Vozes.
IKEDA, Daisaku, (1982). Vida: Um Enigma, Uma Jóia Preciosa. Tradução, Limeira Tejo, Rio de Janeiro: Editora Record.
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal
Num mundo perfeito, não haveria fome. Nem crianças sem lar, ou em trabalho escravo. Seria perfeito se todos os direitos inerentes aos humanos fossem respeitados. Não haveria analfabetismo, crianças teriam direito de brincar, de ir à escola.
Homens e mulheres teriam o direito ao trabalho, sem discriminação de salários. Não haveria corrupção política. O governo eleito pelo povo realmente trabalharia para que houvesse uma sociedade igualitária. Sem discrepância de território, sem defasagem de cultura, economia, incentivos fiscais, oferta de trabalhos dignos.
Num mundo perfeito, crianças não teriam responsabilidade de trabalhar para o sustento da família. Como os coletores de Assaí, nas pobres palafitas na beira do Rio Amazonas, sem que tenham direito à água, alimento de qualidade. Sendo expropriados de dignidade, confinados à sina de ser somente o que colhe os frutos, sendo os primeiros na cadeia, desconhecendo o lucro dos proprietários da terra, dos atravessadores, das indústrias, que manipulam, vendem e ganham à custa dos infelizes.
Um mundo do século 21, globalizado, onde a disparidade de seus habitantes envergonham Nações. Um mundo que valoriza o lucro, o dinheiro, o poder, esquecendo de quem trabalha, dos verdadeiros propulsores da economia; os que fazem o trabalho braçal, que se contentam em ter um prato de comida.
Um século de extrema opressão, onde o pobre a cada dia fica com menos, e os poderosos acharcam, abarcam milhões. Um mundo de tantas desigualdades, de pessoas completamente alheias ao outro ser humano. Um mundo em que o poder exibe completa ignorância sobre aqueles que realmente trabalham, para que a grande roda da ganância sobreviva.
Seria um mundo ideal se o alimento chegasse aos pequenos, aos expropriados do direito de ser humano. Se todos tivessem acesso à saúde, educação, trabalho. Que nenhum humano vivesse sem um teto, sem paz, sem desespero.
Longe da utopia de sermos todos iguais, não há igualdade quando há intolerância, seja ela de raça, cor ou credo. Não há crescimento sem que o trabalho seja valorizado, sem que os responsáveis pelo destino de uma Nação lutem em prol do bem comum. Que usem o poder que tem em suas mãos para gerar união, e a preservação dos direitos que todos os humanos devem ter. Liberdade, igualdade, respeito a cada ser do planeta, essa é a verdadeira Utopia.
Olhei para aquela mulher de trinta e poucos anos, casada, com dois filhos, um menino e uma menina. Ela casou jovem e junto do marido, construiu uma bela casa, planejou o primeiro filho, a segunda foi um presente.
A amiga dessa mulher, mesma faixa etária, solteira, sem filhos. Essa viajou por muitos países, conhecendo e levando consigo muitas culturas, comidas e pessoas de cada lugar.
A alegria pode vir de uma porta pintada com a certeza, fechada com um bom cadeado, que dá para um piso firme e bem colocado de uma sala cuidadosamente decorada.
Ela também pode estar em uma porta colorida pela busca, sem chave, você só empurra e percebe que ela não leva para um lugar fechado, ela abre um mundo novo onde nada é definido.
Pode ser que o conhecimento que você encontrou internamente, lhe faça se ver em pequenos olhinhos, em pezinhos que começam a traçar seu próprio caminho ao segurar a sua mão.
Ou ainda pode ser que você só vá se entender se vendo de fora, experimentando o novo, reconhecendo seu eu no desconhecido, criando a possibilidade que não lhe foi dada.
O mais bonito das diferenças é que elas são nítidas expressões de que não há fórmulas prontas, a felicidade é um desenho feito de próprio punho.