Livro faz estudo sobre milagreiros, santos profanos e santos de cemitério em Sorocaba
O livro é um estudo sobre a crença na intercessão dos milagreiros e santos profanos e/ou de cemitérios, pessoas comuns que a morte converteu em seres especiais pela crença popular
Capa do livro ‘O sagrado e o além túmulo’, de Carlos Carvalho Cavalheiro
O livro ‘O Sagrado e o Além-túmulo: Milagreiros e Santos profanos de Sorocaba‘ é o mais recente título de autoria do Professor e Historiador Carlos Carvalho Cavalheiro. Editado em 2022, o livro só foi impresso agora. “Alguns percalços, inclusive de ordem financeira, atrasaram a publicação”, revela o autor.
O livro é um estudo sobre a crença na intercessão dos milagreiros e santos profanos e/ou de cemitérios, pessoas comuns que a morte converteu em seres especiais pela crença popular.
“É muito comum nos cemitérios – não somente no Brasil, mas em vários lugares do mundo – a existência desses ‘santificados’, que não foram canonizados pela Igreja Católica, mas que possuem fiéis devotos que acreditam em seus milagres e na sua intercessão junto à divindade”, afirma o pesquisador.
É o caso, por exemplo, do famoso Bento do Portão, sepultado no Cemitério de Santo Amaro, na capital paulista, em cujo jazigo se fez até um memorial com um galpão e paredes para fixação de ex-votos e placas de agradecimento.
Numa linha de pesquisa que mescla História com Antropologia e com Sociologia, o autor procurou discorrer como esse fenômeno de crença surgiu e se consolidou na mentalidade e no imaginário das pessoas, desde a Antiguidade até os dias atuais.
Na segunda parte do livro, Carlos Carvalho Cavalheiro investigou esse fenômeno na cidade de Sorocaba, interior paulista. Primeiro, no Cemitério da Saudade, onde há manifestações de devoção à Menina Julieta, a João de Camargo, ao Monsenhor João Soares, ao médico Fernando Carvalho, ao Menino Émerson, e ao Menino José de Paula Neto.
Depois, no Cemitério da Consolação, onde são visitados os túmulos de Nhá Quitéria, da Menina Creudenice Corrêa e da Mariquinha Branca. Por fim, tratou das cruzes de devoção que existem ou existiram em Sorocaba (atual e antiga). Nesse último caso, um dos mais icônicos é o do Monge do Ipanema, que viveu em meados do século XIX onde hoje se encontra a Floresta Nacional de Ipanema. Na época, esse território, hoje dividido entre os municípios de Araçoiaba da Serra e Iperó, pertencia a Sorocaba.
O livro é resultado de anos de pesquisa e traz uma pequena biografia de cada um dos milagreiros retratados. O prefácio é assinado pelo Professor e Ator Valter Chanes. O livro teve uma tiragem de 50 exemplares. Possui capa dura, 108 páginas e foi editado pela Costelas Felinas, uma editora artesanal de São Vicente, litoral paulista.
O preço do exemplar é R$ 40,00. Interessados podem entrar em contato com o autor pelo WhatsApp: (15) 991746634.
O autor
Carlos Cavalheiro
Carlos Carvalho Cavalheiro reside em Sorocaba e leciona História na rede pública municipal de Porto Feliz.
É licenciado em História e em Pedagogia, Bacharel em Teologia e Mestre em Educação (UFSCar, campus Sorocaba).
É escritor, Historiador, pesquisador de cultura popular e produtor de vídeos.
Colaborador dos jornais Tribuna das Monções, Jornal Cultural ROL e do Portal de Notícias culturais ‘Marimba Selutu’, de Angola.
Acadêmico correspondente da FEBACLA (Federação Brasileira dos Acadêmicos em Ciências, Letras e Artes) e acadêmico efetivo da Academia Independente de Letras.
Cediço que a fotografia é a tônica da chamada sétima arte. A partir da invenção do cinetoscópio até a viabilização de captação e transmissão mais sofisticada de imagens, a movimentação das formas amolda-se a uma das mais populares expressões artísticas.
Idealizado originalmente de forma rudimentar, com o aprimorado do invento pelos irmãos Auguste e Louis Lumière e a primeira transmissão coletiva em 22 de março de 1895, delineou-se, ainda de forma primitiva, os contornos da concepção atual do cinema; o filme, ‘La Sortie de L’usine Lumière à Lyon’ (A saída da Fábrica Lumière em Lyon), deflagra o vindouro ritual de agrupamento para apreciação cinematográfica.
A partir de tal premissa, imperioso atentar à definição do aludido ‘primitivismo’ e suas derivações analíticas, seja a partir de uma definição de estilo ou um epíteto desabonador. No caso de Ozualdo Ribeiro Candeias, essa qualidade revestiu-se de tom imersivo criativo.
Nascido provavelmente no ano de 1918, inexiste informação precisa consoante o próprio cineasta voluntariou em diversas entrevistas, foi registrado 1922, em Cajobi, cidade paulista da região de São José do Rio Preto.
De oficial da aeronáutica, caminhoneiro a diretor que se destacou de maneira peculiar no cânone nacional, exsurgindo como figura emblemática, de forma ainda mais relevante ao nicho paulista. Possivelmente, a parir de ‘andanças’ em peregrinação pessoal e profissional, amealhou parte da inspiração a produções de forte viés social que amolda sua filmografia.
Se de um lado, a crítica à problemática econômica, política e social era visitada pelo cinema novo, flagrantemente rotulado como elitizado sobre o ponto de vista intelectual, tais vertentes foram igualmente exploradas no cinema marginal de Candeias e seus contemporâneos.
Mesmo atuando na chamada Boca do Lixo ou Boca do Cinema, polo da produção Paulista nos anos 60 a 80 localizado na região central da capital, não se deve confundir o dito cinema marginal com aquele rotulado de ‘cinema da boca’.
Não que tal comparação apresente feições pejorativas. Ao revés, grande parte dos títulos lançados no país entre o auge e derrocada da Boca foram ali realizados. Decerto, as produções de teor mais apelativo e sensual da Rua do Trimpho, não cerraram os olhos ao talento artístico, menos comercial, das idealizações de Candeias.
Diante de sua criatividade marcante e extrema versatilidade, o ator e cineasta Adriano Stuart, em depoimento ao Documentário ‘Boca do Lixo: A Bollywood Brasileira’, de Daniel Camargo (2011), asseverou que numa conversa com o diretor, qualquer pessoa poderia assumir sua formação acadêmica na área do colóquio, a respeito da qual dissertaria com autoridade, dada a facilidade com que gravitava em torno dos mais diversos temas.
Essa peculiaridade é marcante nos roteiros de roupagem extremamente nacional, que replicaram nas terras tupiniquins os Bang Bang Hollywoodianos ou os westerns spaghetti, (aqui, rotulados de Bang Bang Feijoada) a exemplo de ‘Meu Nome é Tonho’, sem destoar, repise-se, da brasilidade e pronunciados desdobramentos experimentais.
O tom harmônico e atento às mazelas do campo e suburbanas, retratando o êxodo e consequentes problemáticas advindas, foram tratadas de forma densa em ‘Zézero‘ e na icônica produção ‘A Margem‘, que encena a vida (ou sobrevivência) nos entornos do Tietê.
A migração desordenada, que contribuiu ao crescimento das comunidades periféricas, as dificuldades do homem do campo, disputas fundiárias, entre outras tragédias humanos e sociais, são aspectos problematizados em olhar sensível e visceral, transgredindo ‘regras’ do storytelling industrial e subvertendo-as numa ótica, e nesse ponto, atentemo-nos, não primária, mas primitivista, ao desenhar os contornos de um cinema da realidade com pronunciada estilística documental.
A despeito de Candeias renegar o título de cineasta marginal, e, ainda que do ponto de vista histórico comparativo seja possível erigir questionamentos quanto a sua inserção/deflagração no referido movimento underground ou udigrudi paulista, os traços marcantes daquilo que está ‘à margem’, inclusive o título de seu filme mais famoso, contextualizam a imagem da miséria e conflitos como chave de expressão.
Essa característica explorada por vários veteranos da Boca como o lendário José Mojica Marins, que produzia e até mesmo se estimulava, com a falta de recursos, no entanto, para Candeias, ganhava contorno proposital, transpondo à tela, sem retoques ou floreios, a realidade nua e crua.
A crítica? Ao governo, à sociedade, ao próprios infligidos e afligidos, em ótica pessoal, insurgente, e que viaja pelo contexto histórico político nacional; entre o rotulado ‘milagre econômico’, o ápice da repressão após a instituição do AI-5 até a abertura política e paralelo enfraquecimento do mercado cinematográfico nacional no final dos anos 80 e 90.
Se, de um lado, compara-se o desdobramento cinemanovista à Nouvelle Vague, o olhar de Candeias, assim como os demais diretores marginais, pode ser equiparado ao neorrealismo, mormente diante da mencionado formatação documental e a utilização de atores não profissionais, valorizando o cotejo de tomadas e ângulos inventivos a longas sequências que dialogam com o próprio personagem.
Assim como a definição expressionista, o poder da imagem é valorizado de forma enlevada, no aspecto de desvelar simbólico ou explícito; da irascibilidade urbana à precariedade de recursos na faina campesina. Em sua brilhante tese de doutorado, intitulada ‘Ozualdo Candeias na Boca do Lixo: A Estética da precariedade no cinema Paulista’, (Fapesp, 2012, pag. 187), Ângela Aparecida Teles disserta:
“O cinema de Candeias não tem como proposta a fruição descomprometida. Buscando realizar um cinema com dimensões sociais, políticas e culturais, produziu filmes mesclando a narrativa ficcional e a documentária nos formatos curta, média e longa-metragem; em películas 16 mm, 35 mm e em VHS.
Nessa construção da ficção cinematográfica acompanham-se os cruzamentos com a fotografia, o jornal, a oralidade caipira e o diálogo com o cinema. Essas práticas sociais da linguagem trabalhadas e ressignificadas nos filmes de Candeias permitem interpretar mudanças socioculturais daquele contexto, décadas de 1960 a 1980, constituídas numa estética que tem como leitmotiv a mobilidade e a precariedade experimentadas pelos caipiras pobres no campo e na cidade.
Tal processo histórico não diz respeito apenas a questões econômicas ou de mudança geográfica, mas trata do deslocamento cultural, do viver na fronteira, em um processo agonístico de hibridação cultural que permeia a busca por novos territórios e significados para a existência”.
Após comprar uma câmera 16 mm Keystone, instrumento que o habilitou a compor filmes caseiros, aprendeu a técnica cinematográfica de forma autodidata, fazendo com que se iniciasse na realização de documentários e curtas, como ‘Tambaú’, e ‘Cidade dos Milagres’, época em que frequenta o Seminário de Cinema do Museu de Arte de São Paulo (Masp).
Atuando como cinegrafista, produz cinerreportagens e filmes institucionais encomendados para o governo do estado de São Paulo, enquanto, concomitantemente à sofisticação de sua visão criativa, se engaja com os realizadores da Boca, amoldando seu impulsionamento mais forte na vertente da ficção.
Aliás, sua multitude funcional é elencada no site IMDB, (Internet Movie Data Base), tendo em vista que Candeias teria exercido as funções de diretor, roteirista, produtor, ator, diretor de fotografia, cinegrafista, editor, diretor e gerente de produção, desenhista de cenários figurino, diretor de segunda unidade e fotógrafo de cena.
Já foi escrito que os artistas brasileiros, os quais digladiam-se com as carências rotineiras, usam a falta de recursos como elemento de motivação e composição de criação, e, a partir dessa visão, compõe-se uma das principais característica da marginalia fílmica nacional. Ora, a música detinha a paralela Tropicália.
Taxado de sisudo por alguns, até mesmo ríspido por outros, o amor e sensibilidade pelo cinema são indissociáveis da própria história do realizador.
Os vetores imagéticos dos filmes de Candeias, pode-se dizer, são impulsionados por sua história pretérita como cinejornalista, viés que nunca abandonaria, sendo pertinente lembrar dos famosos curtas e média-metragens, ‘Uma Rua Chamada Triumpho’ e ‘Festa na Boca’ de 1972, pelos quais ‘passeia’ apresentando os protagonistas da locomotiva que era o cinema paulista da época, convivendo em harmonia com a zona de meretrício e criminalidade na região. O crítico de cinema Salvyano de Cavalcanti Paiva, já escreveu:
“Candeias é cineasta intuitivo, original, com raro e forte senso de imagem. A tipologia que cria é do mais absoluto realismo: seu hábito de filmar, a falta de recursos econômicos, levou-o a uma espécie de marginalismo no cinema nacional, pois não usa rebatedor, não usa maquiagem nos atores, prefere trabalhar com gente sem experiências profissionais, enfim, faz filme sem concessão ao bom tempo da época”
À sombra dessa ideia, tendo por norte que as produções idealizadas no polo da Rua do Triumpho podem ser, num primeiro momento, identificadas como um fenômeno ao reverso de um movimento propriamente dito, o cinema marginal ainda que caminhasse não de modo excludente ao cinema novo, teve, renove-se, seus próprios traços marcantes, cujos nomes indissociáveis são o próprio Candeias, Rogério Sganzerla, de ‘O Bandido da luz Vermelha’, e Carlos Reichenbach.
Em análise linear da evolução histórica das produções brasileiras entre os anos sessenta e setenta, quando o ingresso de cinema se igualava ao preço de uma passagem de metrô e ônibus, verifica-se como admirável a possibilidade quase instintiva de sobrevivência dos títulos menos palatáveis ao grande público, de modo quase amalgamado à dita (e erroneamente taxada) pornochanchada, que arregimentava substancial público às salas de cinema.
Essa impressão e expressão, é explicada, talvez, pela quase compulsiva retratação e documentação da degradação humana levada a efeito pelo vasto acervo fotográfico atribuído a Candeias, pontualmente, durante suas viagens pela América do Sul, ou pelos registros do submundo na região central de São Paulo.
A dura vida das profissionais do sexo, no âmbito urbano ou rural, do deficiente, do iletrado ingênua e obliterado pela epifania religiosa, religiosidade, instintos primitivos em meio a situações extremas, além das fontes sociológicas do êxodo foram tópicos que protagonizaram sua preocupação artística.
Na icônica obra sobre a relevância do diretor naquele universo, Fábio Raddi Uchôa, (Ozualdo Candeias e o Cinema de Sua Época (1967-83) – Perambulação, Silêncio e Erotismo. Alameda. 2019. pag.187, consigna:
“Ozualdo Candeias participou de diversas produções da Boca do Lixo, como ator, produtor, roteirista, diretor de fotografia e fotógrafo de cena, estabelecendo muitos contatos e se tornando uma presença frequente na região.
Paralelamente a tais trabalhos, de forma constante e rotineira, realizou um amplo trabalho fotográfico sobre a Boca do Lixo, enfatizando a vida cotidiana, os habitantes, as prostitutas, a arquitetura do bairro da Luz, bem como os trabalha- dores da indústria cinematográfica.
A proximidade era tão grande que, durante os últimos anos de sua vida, o cineasta morou em um apartamento na Av. Rio Branco. Sua peregrinação diária por alguns bares das redondezas tornaram-no uma figura quase onipresente.
Como profissional do cinema, na Boca do Lixo dos anos 1970-80, participou da realização de comédias eróticas e filmes de sexo explícito. Ao longo deste período, acompanhou as transformações sofridas pelo cinema erótico paulista, em termos de gênero e de produção”
Trata-se de um cinema esmerado, não subjugado às amarras do vendável e da pretensão puramente industrial, preocupação importante na época em que as produtoras privadas não caminhavam de mãos dadas com a extinta Embrafilme, após a falência da Vera Cruz e Maristela.
Recentemente, polos culturais, precipuamente do Estado de São Paulo tem realizado mostras e homenagens ao cineasta, que, felizmente, pode receber algumas ainda em vida. Contudo, seus filmes remontam a um período de cinema artesanal, que nas palavras de David Cardoso, importante nome dos anos setenta, não se faz mais.
Em tom epilogal, o choque imagético na retratação que a partir de uma primeira mirada poderia desdobrar algo simplório, em verdade, choca, dentro de sua esfera incisiva e primitiva. Um clamor por atenção a deficiência sociais, e econômicas de construção histórica, que na maioria das vezes, conscientemente é negligenciada. Afinal, se a imagem produz incômodo, fecha-se a janela. Cadeias fez o contrário.
Resenha do livro “Panorama” de Bianca Guimarães, pela Editora Ases da Literatura
RESENHA
Do dicionário Aurélio, Panorama é um substantivo masculino, que define a visão sem obstáculos que está ao redor do observador; vista, paisagem.
Nesta obra poética, Panorama é constituído de riqueza de sentimentos que definem e/ou descrevem os ambientes, pessoas, lembranças e devaneios da escritora.
A autora nos instiga em suas poesias a ter uma percepção mais ampla da vida.
A saudade pode ser doce…
A partida nem sempre é só dor…
O recomeço só acontece após um ponto final.
E o que define esta obra, senão o sacudir de nossos sentidos perante as palavras que nos falam tão sublimemente sobre a vida, em diversos Panoramas.
Amei!!!!
Assista à resenha do canal @oqueli no Youtube
SOBRE A OBRA
Panorama surgiu de ideias que Bianca teve no seu percurso para o trabalho, inspirada por todas as paisagens por onde andou.
Uma obra de memórias e impressões.
Um compilado de poesias não interligadas, que conta diferentes histórias e com diferentes personagens.
Uma visão instigante e peculiar do cotidiano.
SINOPSE
Qual é o conceito de visão panorâmica?
Panorama foi feito para instigar o leitor a ter percepção sobre a totalidade da vida – a vida feita não só de lembranças, mas de momentos saudosos vistos com um olhar mais leve.
SOBRE A AUTORA
Carla Bianca da Silva Guimarães, tem 30 anos de idade, filha mais nova de cinco filhos, atualmente mora em Sumaré -SP.
Mudou-se do Amazonas para o estado de São Paulo com apenas 16 anos de idade, com o intuito de fazer faculdade.
Desse tempo até agora, morou em diferentes locais, incluindo a cidade de Amparo, onde concluiu o terceiro ano do ensino médio no ano de 2010.
Depois ficou um ano em Paulínia, mudando-se para Campinas para dar continuidade aos seus estudos, fazendo ali faculdade e mestrado.
O primeiro emprego de Bianca foi como professora de ciências em Jaguariúna, cidade inspiração para seu primeiro livro, onde passou a pandemia.
E, por fim, mora em Sumaré desde o ano passado, onde trabalha no ensino municipal. A autora é formada em Ciências Biológicas, pela PUC-Campinas.
Fez mestrado em Biologia Animal, pela Unicamp.
E este ano, terminou pedagogia, pela Claretiano.
No ano de 2022, lançou o livro chamado “Escritos para alguém durante o outono“, sua primeira obra.
Panorama é seu segundo livro, lançado em 2023. Ambos de poesia e lançados pela Ases da Literatura.
Magna Aspásia Fontenelle: Crítica literária ‘Quincasblog, meus encontros’
Magna Aspásia Fontenelle
Quincasblog é um blog que foi transformado em livro, denominado ‘Quincasblog, meus encontros‘, escrito pelo Embaixador Dr. Lauro Moreira, com 416 páginas, publicado pela editora Art Point em 2019, cujo título faz menção ao escritor brasileiro Machado de Assis.
Capa do livro ‘Quincasblog’
A compilação é constituída por registros de suas vivências e trajetórias profissionais, que foram documentados em seu Blog desde 2012. O conteúdo é caracterizado por uma abordagem narrativa poética, metafórica e histórica.
A literatura, por meio de sua abordagem poética, sem considerar as variações dialetais, sotaques, nacionalidades, constitui-se um elo essencial para a união dos povos através das Letras. Promover o idioma de um país e divulgá-lo, insere-se na formação humana permitindo seu pleno crescimento pessoal, laboral, cultural e social.
O criador trabalha com imagens, sons, dialetos, culturas, valores, religiosidade, políticas e ideologias em um espaço temporal semiótico através de concepções que sempre correspondem a uma verdade singular e acerta quando segue sua intuição genial e a deixa aflorar por meios de seus escritos.
Ao longo de sua história, o escritor se relacionou com figuras importantes da literatura brasileira, como Clarice Lispector e Manuel Bandeira, que foram seus padrinhos de casamento com a poetisa Marly de Oliveira, mãe de suas duas filhas, assim como, Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade e Aurélio Buarque de Holanda, Antônio Houaiss, Guimarães Rosa e João Cabral de Melo Neto, dentre outros.
Dr. Lauro Moreira
[…] Eu tive o privilégio., embora não sendo poeta mas gostando tanto de Poesia, de viver sempre muito próximo dela e de vários de seus cultores e criadores, alguns de altíssima linhagem como Cecília Meireles[…]. (p.57,parágrafo 3º,linha 1-4.)
[…]Conviver com homens é mais terrível do que com deuses. E ninguém conhece epopeia mais dolorosa que a de moldar dia a dia, clara e verdadeira, a fugitiva condição humana.
Na sua emocionada e emocionante Elegia obre a morte de Ghandi repetia as palavras desoladas ouvidas do próprio
Mahatma, ”Les hommes sont des brutes, madame”…] (p.62,parágrafo 2º,linha 1-9.).
‘[…]Les hommes sont des brutes, madame”[…]
O vento leva a tua vida toda, e a melhor parte da minha.
Sem bandeira.
Sem uniformes.
Só alma, no meio de um mundo desmoronado.
Estão prosternadas as mulheres da Índia,
Como trouxas de soluços.
Tua fogueira está ardendo.
O Ganges te levará para longe,
Punhado de cinzas que as águas beijarão intimamente,
Que o sol levantará das águas até as infinitas mãos de Deus.[..]
Nessa nuance, o timoneiro Lauro fundou o grupo musical ‘Solo Brasil‘, promovendo a música brasileira no Brasil e exterior, como explicado em sua narração.
[…] Ao longo das apresentações de mais de cinquenta canções consagradas ,distribuídas em blocos cronológicos contextualizados por breves comentários de um narrador, o espetáculo traça um rico panorama da música popular brasileira, de Chiquinha Gonzaga a nossos dias do chorinho ao samba, do frevo à bossa-nova, além de oferecer uma visão da música típica de várias regiões geográficas do país[…] (p.196, paragrafo 1, línea 6-17).
Lauro faz alusão a Machado de Assis: […] Tive que preparar uma comunicação obre uma obra de meu patrono. Escolhi “Dom Casmurro”. Foi um choque para mim: senti-me diante de algo completamente novo. E apaixonei-me por Machado de Assis. Por seu estilo enxuto, avesso aos arroubos sintomáticos da escola romântica, por suas entrelinhas, seu humor fino, e até por seu desencanto filosófico, tão desconcertante para um jovem de quinze anos[…](p. 22,parágrafo 1,línea 5-9).
Machado de Assis,(1839-1908) é um dos maiores representantes da literatura brasileira. Instalou o Realismo, iniciando com a obra ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’, publicada em 1881. Machado deixou um conjunto vasto de obras. Foi contista, cronista, jornalista, poeta e teatrólogo, além do que é o fundador da cadeira n.º 23 da Academia Brasileira de Letras.
Lauro, nos conta:
[…] Um dia, após quase dois meses de espera fora chamado ao Gabinete do Senhor Ministro, fora recebido pelo Diretor IRB, que lhe informou, que mesmo o Senhor Ministro gostando do texto, Parecia ser muito profundo e portanto, não apropriado para uma cerimonia de amenidades como deve ser uma formatura. Aliás, se o senhor quiser poderá apresentá-lo como conferência aos alunos do Rio Branco[…].(p. 265, parágrafo 2, linea 23-26).
Naquele momento a censura tolhia a voz dos estudantes…
O Diretor dissera a Lauro que era natural sua preocupação, mas, que ninguém queria saber disso. Lauro rebateu e disse-lhe: ”não sei fazer discurso de amenidades…”
Lauro reuniu a turma e informa o acontecido, leu o discurso, pede um parecer, e informar sobre sua desistência da função de representante da turma, ninguém aceitou tal fato. Com isso formaram uma comissão e solicitaram uma audiência com o Senhor Ministro para esclarecimentos.
A reunião fora longa, após argumentos, fora dito que não precisaria falar de amenidade, mas sim, que fosse modificado alguns pontos no texto, pois ao proferir o discurso, corria-se o risco de Jornal Correio da Manhã publicar: […] Jovem diplomata dá aulas ao Presidente da República mostrando que democracia social é o caminho para o Brasil[…](p.267,paragrafo 1º, línea,28-30).
O texto fora atenuado com algumas palavras sinonimizadas sem alterar seu teor e entregue ao Gabinete do Ministro, o qual nunca deu resposta, nem tão pouco agendou a data da cerimonia de formatura da turma. Com esse relato, Lauro ao meu ver, nunca se furtou de suas ideias, seu patriotismo, e também nunca falou de amenidade no seu labor, tanto que por onde passou, mesmo nas metáforas, elevou o nome do Brasil mundo afora, divulgando a diversidade cultural, literatura, arte e música brasileira.
Apaixonado pela literatura, Lauro, na sua criatividade, cria o recital, […[“Três epopeias brasileiras[…]’(p. 295), que consiste num recital, onde ele reúne poemas de três escritores de maior grandeza brasileira, y Juca Pirama, de Gonçalves Dias, O Navio Negreiro de Castro Alves, e Caçador de Esmeraldas de Olavo Bilac.
Os três poemas épicos fazem alusão à formação histórica e cultural do Brasil, ou seja, a forte presença do índio nativo, a conquista e alargamento do território pelos bandeirantes, finalmente, a imensa e sofrida contribuição do negro africano escravizado. Da fusão étnica e cultural dessas três raças básicas nasce o Brasil[…] (p. 295, parágrafo 1-2, línea 1-12).
Um outro Embaixador, dessa vez das Gerais, autor da grande obra brasileira Sagarana, (1946), Guimarães Rosa, tornam-se amigo e colegas no Instituto Rio Branco, amizade pra toda vida.
Rosa, escritor que canta em suas obras o sertão; […[ Portanto, torno a repetir: não do ponto de vista filológico e sim do metafísico, no sertão fala-se a língua de Goethe, Dostoiévski e Flauber, porque o sertão é o terreno da eternidade, da solidão,[…]. (p. 347,parágrafo 3º, línea12-17).
Nesse misto de saudades, um outro sertanejo maranhense Gonçalves Dias, considerado o pai do romantismo brasileiro, em seu poema escrito no exílio, denominado “Canção do Exílio”,(publicado em 1857 no livro, Primeiros Cantos), canta em versos seu amor, e a saudade de sua terra natal;
Transcrevo o estribilho:
“Minha terra, tem palmeiras,
Onde cantam as sábias,
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá,
Não permitas Deus que eu morra
Sem que eu volte para lá,
Sem que aviste as palmeiras onde cantam as sábias…”
Além das narrativas aqui mencionadas, Lauro aborda em sua obra fatos como: futebol, morte, imortalidade acadêmica, lusofonia, filosofia, CPLC, figura representativa de sua terra natal Goiás, países onde atuou como Embaixador, andanças literárias, dentre outros.
Desse modo, por meio de suas evocações multicoloridas, podemos conhecer uma parte de sua trajetória através da obra ‘Quincasblog, meus encontros’, que perpassa pelo pretérito, estendendo-se no presente e avançando ao futuro numa abordagem histórica singular exercendo influência direta sobre o leitor, levando-o ao prazer estético que provoca uma reflexão acerca das várias fases da vida do autor, num reviver metafórico no contexto social, politico e cultural no qual o escritor encontra-se inserido no mundo contemporâneo.
Com estreia prevista para março de 2024 marca a retomada da parceria artística de Kleber Montanheiro e Marilia Toledo
Marília Toledo e Kleber Montanheiro
A dramaturga, diretora e produtora cultural Marilia Toledo e o diretor, artista e produtor cultural, Kleber Montanheiro, figuras renomadas do cenário teatral brasileiro, anunciam a montagem do clássico musical Cabaret (com músicas de John Kander, letras de Fred Ebb) no Brasil em 2024. O musical, criado em 1966, está em cartaz em Londres e também tem previsão de estreia na Broadway, também no primeiro semestre de 2024.
Com estreia programada para março de 2024 no 033 Rooftop do Teatro Santander, a montagem vai transportar o público para a atmosfera única e envolvente do Cabaret, com uma proposta imersiva inspirada nas montagens de sucesso internacional. A negociação dos direitos de “Cabaret” teve início em julho de 2022, com o contrato sendo assinado em novembro do mesmo ano.
Marília, autora, idealizadora e diretora dos musicais “Ney Matogrosso – Homem com H” e “Silvio Santos Vem Aí”, assume a produção, enquanto Kleber, responsável pelos sucessos como “Tatuagem” (acaba de ganhar o APCA por este trabalho) e “Carmen, a Grande Pequena Notável”, encarrega-se da direção.
A dupla Marília e Kleber não é estranha ao sucesso. Fundadores do Miniteatro na Praça Roosevelt em 2009, trabalharam juntos em peças como “Amídalas”, escrita por Marília e dirigida por Kleber, “A Odisseia de Arlequino”, ambas premiadas. Agora, após mais de 14 anos de hiato, retomam a parceria para trazer ao público brasileiro uma nova perspectiva sobre um clássico.
As audições para o elenco acontecem em novembro de 2023.
CPF Sesc em Autografias traz Estela Lapponi para falar de seu livro Corpo Intruso
Corpo Intruso, de Estela Lapponi, versa sobre a presença ‘não autorizad’” – por quem?! – e, por isso, é transformador
Livro ‘Corpo Estranho’
Dia 05 de setembro às 19h30, no CPF Sesc a performer e videoartista DEF Estela Laponni conversa com o público sobre seu livro CORPO INTRUSO. Já se sentiu intrusa em algum lugar? Sentiu que, por algum motivo, sua presença provocou assunto, despertou curiosidade ou mesmo estranheza?
Corpo Intruso é o que não está convidado. O que não é visto como parte e que pode ser indigesto ao mesmo tempo que pode ter certo humor. Corpo Intruso, de Estela Lapponi, versa sobre a presença “não autorizada” – por quem?! – e, por isso, é transformador.
Sobre Estela Laponni
Performer e videoartista DEF. Co Orientadora e professora convidada no Mestrado Profissional em Artes da Cena, parceria entre Escola Superior de Artes Célia Helena e Escola Itaú Cultural. Desde 2009 realiza práticas investigativas a partir do conceito que criou – Corpo Intruso e sua performatividade Zuleika Brit.
Tem como foco de investigação artística: o discurso cênico do corpo com deficiência, a prática performativa e relacional (público), o trânsito entre as linguagens visuais e cênicas.
Sobre o CPF Sesc
Com uma programação bastante diversa, o Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo (CPF Sesc), localizado na Bela Vista, promove uma série de encontros, cursos, vivências, lançamentos de livros, ciclos, seminários e outras atividades.
Muitas dessas atrações, que acontecem de forma presencial ou online, têm entrada gratuita e outras custam até R$50. As inscrições podem ser no site do CPF Sesc ou presencialmente na unidade.