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Museu da Língua Portuguesa promove o curso ESSA NOSSA CANÇÃO sobre as relações entre língua e cantos brasileiros
Gratuitas e pelo YouTube da instituição, as aulas serão ministradas por José Miguel Wisnik, Luiz Tatit e Rafael Galante nos dias 31 de agosto e 14 e 21 de setembro
Exposição Nossas Canções – São Paulo – SP
O Museu da Língua Portuguesa, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, promove o curso Essa nossa canção em três encontros virtuais. Ministrados por José Miguel Wisnik, Luiz Tatit e Rafael Galante, vão abordar as relações entre língua e a canção brasileira.
Gratuitos e sem necessidade de inscrição, são destinados a todos os públicos, principalmente professores e pesquisadores de assuntos ligados à canção popular brasileira – quem acompanhar a atividade receberá certificado de participação.
As aulas serão apresentadas pelo YouTube do Museu nos dias 31 de agosto e 14 e 21 de setembro (às quintas-feiras), das 19h30 às 21h30. O tema da primeira aula será a exposição temporária Essa nossa canção, em cartaz no Museu da Língua Portuguesa até março de 2024, que aborda o elo profundo entre o português e a canção popular brasileira.
Consultor especial da mostra, José Miguel Wisnik vai comentar os conceitos e as diretrizes do projeto, que tem ainda a curadoria de Hermano Vianna e Carlos Nader e a curadoria especial de Isa Grinspum Ferraz.
Na segunda aula, no dia 14 de setembro, o músico e linguista Luiz Tatit aborda as relações entre música e letra na canção, um dos tópicos fundamentais da exposição. Na mostra, Tatit, inclusive, aparece cantando a música Conceição (Jair Amorim/Dunga), sucesso no repertório de Cauby Peixoto, em uma sala na qual artistas contemporâneos interpretam clássicos do cancioneiro brasileiro à capela.
Por fim, na última aula do curso, no dia 21 de setembro, o etnomusicólogo e professor de história social da música Rafael Galante expõe o legado civilizatório africano na poética da canção popular brasileira.
A exposição temporária Essa nossa canção conta com o patrocínio máster da CCR, patrocínio do Grupo Globo, e com o apoio do BNY Mellon, da PwC Brasil e do Itaú Unibanco – todos por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
SERVIÇO
Curso Essa nossa canção
Dias 31 de agosto e 14 e 21 de setembro, das 19h30 às 21h
Pelo YouTube do Museu da Língua Portuguesa (www.youtube.com/museudalinguaportuguesa)
Grátis, sem necessidade de inscrição prévia (uma lista de presença será compartilhada durante a realização do evento; haverá emissão de certificado de participação)
Exposição temporária Essa nossa canção
Até março de 2023
De terça a domingo, das 9h às 16h30 (com permanência até as 18h)
R$ 20 (inteira); R$ 10 (meia)
Meia-entrada (R$ 10) para todos os públicos aos domingos (promoção válida de 3 de setembro até o fim de 2023)
O Museu da Língua Portuguesa é um equipamento da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, concebido e implantado em parceria com a Fundação Roberto Marinho. O IDBrasil Cultura, Esporte e Educação é a Organização Social de Cultura responsável pela sua gestão.
PATROCÍNIOS E PARCERIAS
A reconstrução do Museu da Língua Portuguesa tem Patrocínio Máster da EDP, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
A Temporada 2023 conta com patrocínio da CCR, do Instituto Cultural Vale, da John Deere Brasil, da Petrobras e do Grupo Globo; com apoio do BNY Mellon, da PwC Brasil, do Itaú Unibanco, do Grupo Ultra e com as empresas parceiras Eaton, Paramount Têxteis, Machado Meyer e Verde Asset Management. Revista Piauí, Guia da Semana, Dinamize e JCDecaux são seus parceiros de mídia. A Temporada é realizada pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
Por todas às vezes que eu quis ficar, florescer e desabrochar, onde não havia espaço suficiente para que meus valores se expandissem.
Por todas às lágrimas que derramei, por ter que sair de fininho de lugares onde pensei que pudesse plantar o meu jardim.
Pelas tempestades que enfrentei, dentro e fora de mim, confesso, quase me entreguei ao triste fim.
Pelas inúmeras vezes que meus versos ficaram guardados, por eu não ter tido coragem de mostrá-los ao mundo, temerosa com os julgamentos.
Por todas às vezes que eu disse sim, querendo dizer não.
Pelas vezes que me entreguei inteiramente a pessoas que não mereciam minha atenção.
Por todo esforço que fiz para agradar pessoas que, no final, só me fizeram mal.
Eu me perdoei.
Me perdoei, por saber que sempre dei o melhor de mim e independentemente de qualquer situação desgastante que eu tenha me sujeitado, eu pude entregar o melhor de mim; o melhor sorriso, os melhores abraços, o melhor olhar e a minha melhor forma de amar.
Por essa razão, hoje posso recomeçar, pois eu me perdoo.
Resenha do livro “O que sou?“, de Patrícia Souza, pela Editora Uiclap
RESENHA
“O que sou?” conta a história de uma deusa que foi criada por Caim. (Sim!! Aquele que matou Abel. Lembra?)
E em dado momento de sua vida ela perde a memória, e se vê sendo cuidada por 4 Anjos, que também caíram do céu.
Eles a levam para estudar em uma escola onde os alunos são seres tão extraordinários quanto ela, filhos de lobisomem, fadas, vampiros e outros mais.
Um certo dia, andando pelos corredores da escola ela se depara com Darkness.
Sente uma atração muito forte por ele e aquela sensação de que o conhece de algum, mas de onde?
Com a perda de memória, ela tem vários sonhos estranhos…
Ou seriam lembranças?
Mas uma certeza Estrela tem: ela precisa saber quem ou o que ela é.
Este livro é o primeiro de uma trilogia fantástica, que vai levar o leitor a ler avidamente suas páginas, na ânsia de desvendar, junto à Estrela, quais os segredos obscuros de seu passado.
O leitor encontrará na trama seres extraordinários, como Deus, Caos, Metatron, Lúcifer, Anjos e muito mais.
Abra sua mente para esta obra intrigante.
Super recomendo!!!
Assista à resenha do canal @oqueli no Youtube
SOBRE A OBRA
Patrícia nos conta que a ideia do livro surgiu em um devaneio.
Ela se viu imaginando cada cena do livro como se fosse um filme, cheio de detalhes.
Surpresa, ela passou tudo para o papel e teve absoluta certeza que era neste mundo de imaginações que ela queria viver.
Hoje sua escrita mudou, está mais madura e ela se orgulha muito disso.
Sua maiores inspirações foram todos os livros de fantasia que leu e lhe mostravam mundos inteiros em poucas palavras, onde a imaginação dela fluía livre.
Aguardamos ansiosos seus próximos devaneios, cheios de detalhes e emoção.
“Quem realmente somos senão uma parte mínima das nossas imaginações.”
Patrícia Souza
SINOPSE
Perder a memória é horrível, mas, e se o passado for ainda pior…
Criada por anjos, Estrela se vê cercada de dúvidas sobre sua existência, sempre com a sensação de vazio no coração, como se faltasse algo em sua vida.
Tudo muda quando seus olhos se encontram com o misterioso Darkness.
Um homem incrivelmente sexy, sombrio e que parece conhecer e fazer parte do seu passado.
Ao mesmo tempo que seu futuro é destinado ao Supremo Alfa, negro alto e forte, com um charme que parece ser irresistível.
Passado e futuro se misturam em um único propósito: descobrir a verdade!
SOBRE A AUTORA
Patrícia Tayla de Souza Santos tem 29 anos e é natural de Pindamonhangaba.
Formada no curso Técnico em Gastronomia pela Etec.
Cursa EAD de Perícia Criminal e Investigação Forense pela Universidade Norte do Paraná (UNOPAR) e Radiologia, pela instituição Centro Universitário Anhanguera Pitágoras (AMPLI).
Fez cursos na área da investigação forense, sendo alguns deles: locais de crimes, padrões de mancha de sangue, DNA forense, criminologia, sexologia forense etc.
A autora é apaixonada por livros e decidida a realizar seus sonhos.
“O que sou?” é seu primeiro livro e faz parte de uma trilogia de luz e escuridão, repleta de verdades ocultas e passados sombrios.
E, mesmo sendo amante de fantasia, Patrícia também está escrevendo um Dark Romance, chamado “Doce Insanidade“, que será lançado no segundo semestre de 2024.
Elaine dos Santos: Artigo ‘A história nossa de cada dia’
Elaine dos Santos
Tomo como referência um daqueles livros que me acompanham desde a graduação. Trata-se de “Como se escreve a história” (1998), de Paul Veyne, para refletir um pouco sobre as relações entre Literatura, História e os fatos que nos são contemporâneos.
Durante séculos, a História foi vista “de cima”, isto é, era a História dos vencedores, dos grandes heróis. No caso brasileiro, creio que esse dado seja bem emblemático: Quem descobriu o Brasil? Pedro Álvares Cabral; Quem declarou a Independência do Brasil? Dom Pedro I; Quem proclamou a República? Marechal Deodoro da Fonseca.
Temos fatos importantes da nação, que tiveram inúmeros homens e mulheres envolvidos, mas que a História sonegou um lugar de importância. O mesmo raciocínio vale para heróis e heroínas regionais que nunca ganharam projeção nacional. Cabo Toco, cujo nome era Olmira Leal de Oliveira, foi a primeira mulher a alistar-se na Polícia Militar do Rio Grande do Sul, atuando como enfermeira e combatente na Revolução de 1923 nas tropas leais a Borges de Medeiros, então governador.
Ela deixou a farda em 1932 e morreu praticamente na miséria, em 1989, alcançando algum reconhecimento histórico porque compositores e cantores nativistas descobriram-na e homenagearam-na em um festival de música em 1987.
Neste sentido, é preciso recorrer a Paul Veyne que nos esclarece que a História é uma narrativa de eventos – e eu sublinho: uma narrativa, que, segundo o estudioso, não faz reviver esses eventos, mas os reconstrói com base em documentos, indícios, testemunhos.
Paul Veyne (1998, p. 18) afirma: “Como o romance, a história seleciona, simplifica, organiza, faz com que um século caiba numa página, e essa síntese da narrativa é tão espontânea quanto a da nossa memória, quando evocamos os dez últimos anos que vivemos”.
O historiador tem o condão de escolher – com base nos elementos que dispõe, aquilo que dará relevância. Ainda assim, a sua “escolha” é problemática, porque, conforme Veyne, a perspectiva de Napoleão sobre a Batalha de Waterloo é diferente do soldado que esteve no campo de combate, foi ferido e retornou ao lar com o corpo mutilado, por exemplo. Provavelmente, nunca haverá, nos livros de História, uma multiplicidade de olhares sobre o mesmo fato. Faz-se uma seleção.
Na Literatura, valho-me de “Crônica da casa assassinada”, de Lúcio Cardoso, em que o narrador conta a história de uma família valendo-se de cartas, dando voz a diferentes narradores, que se enfrentam, contrapõem, mas que acabam dando um importante e apurado panorama da família que se encontra numa determinada situação (não vou antecipar a temática da obra).
Não se busca, evidentemente, em termos literários, uma verdade e, com isso, quero aqui relativizar o conceito de verdade que sempre se atribuiu à História, que é dita oficial.
Nasci e cresci no estado mais meridional do Brasil, marcado pela relação conturbada com os espanhóis, pela influência indígena, pela parca, mas marcante, presença do elemento negro e pela forte mitificação do processo imigratório europeu. Conforme Regina Zilberman (1992), estudiosa da Literatura produzida no Rio Grande do Sul, dá-se ênfase a inúmeros fatos históricos, o que permite uma releitura – e talvez uma melhor compreensão – desses eventos.
Na mesma medida em que as estâncias de criação de gado cresciam, modernizavam-se, nas décadas iniciais do século XX, havia uma espécie de expurgo do trabalhador rural que acabava alojando-se nas vilas periféricas das pequenas ou grandes cidades. Cyro Martins tematizou esta questão na chamada “trilogia do gaúcho a pé”, que é composta por três romances que, sob certo aspecto, dão ênfase à miserabilidade do gaúcho sem cavalo.
Cabe aqui uma observação: ao gaúcho tradicional costuma-se associar a figura mítica do centauro, meio homem, meio cavalo, daí se atribuir a denominação “centauro dos pampas”, um ser bifronte, meio peão, em tempos de paz; meio soldado, em tempos de guerra. A figura mais emblemática, neste sentido, é um certo Capitão Rodrigo (Cambará) de “O tempo e o vento”, que aparece vestido com botas e bombachas e dólmã militar em sua chegada à cidade de Santa Fé.
Os gaúchos de Cyro Martins, porém, estão desprovidos de cavalos, de posses e de esperanças, eles são párias. Em “Sem rumo” (1937), “Porteira fechada” (1944) e “Estrada nova” (1954), o autor concede espaço às histórias desses párias. Em “Porteira fechada”, Guedes é o personagem principal: forçado a deixar uma pequena porção de terra que arrendava na zona rural, a família reúne as suas tralhas e ruma para Boa Ventura, uma vila das tantas vilas que recebiam famílias egressas do campo.
Guedes não consegue trabalho. Vende o cavalo. A mulher, Maria Luíza, dedica-se aos serviços de costura, os filhos vão se perdendo: doenças, prostituição. Guedes é pego roubando ovelhas e é preso. Miseravelmente, depois de solto, vende os arreios do cavalo. Não há mais nada que o vincule à vida campeira. Suicida-se.
As narrativas literárias que se espalham de Sul a Norte, de Leste a Oeste, em alguma medida trazem à tona esse universo – de uma sociedade que se moderniza, mas de homens e mulheres que perdem espaço, que se acumulam em vilarejos, na periferia, sem formação educacional que lhes ofereça emprego qualificado, eles são invisibilizados pela História. Passam ao largo…
REFERÊNCIAS
VEYNE, Paul. Como se escreve a História. Tradução Alda Baltar e Maria Auxiliadora Kneipp. 4.ed. Brasília: EdUNB, 1998.
ZILBERMAN, Regina. A literatura no Rio Grande do Sul. 3.ed. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1992.