Etiqueta com ética

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo: Artigo ‘Etiqueta com ética’

Foto do autor do texto, o colunista Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo

A formação cívica com todas as suas vertentes é, igualmente, indispensável para um mundo mais tranquilo, para uma sociedade mais humanista. Qualidade de vida sem humanismo, não poderá existir; humanismo sem os benefícios proporcionados pela tecnologia e pela ciência, também não fará sentido, e não será viável.

Acredita-se, portanto, que: «A cultura humana que se mostra cada vez mais aperfeiçoada em termos de desenvolvimento tecnológico, mostra também, claramente, a sua vocação para colocar a seu serviço tudo aquilo que é a sua conquista sobre a natureza e de não querer transformar-se numa realidade alienada pelo seu próprio esforço. » (TOLEDO 1986:17).

É evidente que o homem vai destruindo a natureza, que lhe foi colocada no mundo pelo Criador da mesma, ainda que, em algumas situações, se trate de uma destruição para construir um outro património artificial, que beneficia comunidades inteiras, e até o mundo em geral. Neste “destrói/constrói”, tem, igualmente, de existir Ética, respeito por deveres e direitos que já foram, legal e legitimamente, atribuídos e adquiridos, respetivamente.

No confronto das posições mais extremadas, algumas regras de Etiqueta também se podem utilizar. Naturalmente que não se pretende, nem se tem a veleidade de pensar, que a Etiqueta vai resolver todos os conflitos do mundo, bem longe disso.

O que aqui se deseja deixar bem vincado, é que em muitas situações, e também na vida profissional, social, política e em quaisquer outros contextos equivalentes, a Etiqueta poderá ser uma boa solução para amenizar muitos problemas, inclusive, resolver, total ou parcialmente, alguns conflitos, pelo menos de ordem estritamente pessoal.

Como na maioria das Ciências Sociais e Humanas, a Filosofia está presente na Etiqueta, desde que se queira utilizar esta, segundo os princípios da simplicidade, da humildade, da sinceridade e da gratidão. E se: por um lado, a Etiqueta é tão necessária, como quaisquer outros conhecimentos, designadamente nas relações interpessoais; por outro lado, a Filosofia enquanto sabedoria acumulada pelos mais maduros, nas suas vertentes da paz, da tranquilidade e da cidadania, enfim, como caminho em busca da verdade, não deverá ser descurada.

Entenda-se, portanto, a Etiqueta como um conjunto de regras cívico-afáveis, verdadeiras e humildes. Associar a Etiqueta à Ética e à Filosofia não será nenhum exagero nem utopia, porque: «A Filosofia é um conhecimento aberto. Assim, podemos dizer que ela é movimento. É a procura da verdade, nunca a sua posse definitiva. Por isso ela nasceu já acompanhada da humildade. » (TRICHES, 2008:51).

O cidadão, no exercício da sua atividade profissional, e/ou, enquanto membro de uma comunidade, não pode ignorar determinadas regras, para bem desempenhar os inúmeros papeis que ao longo de um só dia, por exemplo, lhe são consignados. Em todas as suas intervenções existem pormenores, às vezes de aparente somenos importância, mas que, na realidade, podem ser decisivos para outros desenvolvimentos. Trata-se das regras de Etiqueta, e também dos grandes princípios da Ética. Sem estas duas dimensões do “Saber-ser”, muito dificilmente alguém se adaptará à sociedade moderna.

Com efeito, toda a pessoa será sempre bem aceite, bem recebida, estimada e conceituada, se utilizar valores éticos conjugadamente com regras de Etiqueta. A articulação dos deveres que a Ética a todos impõe, com as regras da Etiqueta, que se desejam ver aplicadas, por todas as pessoas, resultam no cidadão ideal, um cidadão afável, delicado, humilde, solidário e grato. Reverte num cidadão que se pretende para o século XXI, que seja capaz de ultrapassar os diferentes pequenos/grandes conflitos, os egoísmos, os preconceitos.

Vive-se um período que, mais do que nunca, exige bom senso, boas-maneiras, regras de boa-convivência, no cumprimento absoluto de deveres, mas, também no exercício moderado dos direitos. Esta situação, de grave crise internacional, que se vem prolongando dramaticamente, também pode ser ultrapassada com as decisões acertadas, tomadas por pessoas de bom-senso, cumpridoras das normas éticas, emblelezadas com as regras de Etiqueta. Pessoas sábias, prudentes e humildes.

Bibliografia

TOLEDO, Flávio de, (1986). Recursos Humanos, crise e mudanças. 2ª ed. São Paulo: Atlas

TRICHES, Ivo José, (2008). “Filosofia versus O Segredo da Humanidade”, in: Filosofia, Ciência & Vida, S. Paulo/Brasil: Escala, Ano II, N. 24, p. 51

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

Contatos com o autor

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O rosa

Denise Canova: Poema ‘O rosa’

Foto da autora do poema, a colunista do ROL Denise Canova
Denise Canova

O rosa espanta o inverno

Encobre o cinza

Vou de rosa

Dama da Poesia

Contato com a autora

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Editora Baronesa lança a Coletânea Internacional Digital Pátria Amada PINDORAMA

PINDORAMA – em Tupi-Guarani ‘terra das palmeiras’ – era o nome que, na época do Descobrimento, algumas tribos indígenas davam ao Brasil

Banner da Coletânea Digital Internacional Pátria Amada Pindorama
Banner da Coletânea Digital Internacional Pátria Amada Pindorama

Anualmente, a Editora Baronesa e a Alspa – Academia de Letras de São Pedro da Aldeia realizam sua obra digital Pátria Amada Brasil, em homenagem ao Brasil e ao 07 de Setembro.

Este ano, inovando a homenagem, e ‘vestindo-lhe uma nova roupa’, a coletânea será denominada Pátria Amada Pindorama, inicialmente o nome de nossa terra, atribuído por algumas tribos indígenas que aqui habitavam, e que, em Tupi-Guarani, significa ‘terra das palmeiras’.

Com esta nova roupagem, a coletânea digital internacional realizada pela Editora Baronesa e a Academia de Letras de São Pedro da Aldeia exaltará as belezas e maravilhas do Brasil.

Sobre a obra

Formato e lançamento
A obra e seu certificado de participação serão digitais, com participação de nossos representantes no exterior.
Seu lançamento acontecerá de forma Digital durante a Bienal do Livro do Rio, em 08 de setembro.

Tamanho do texto
Cada participante poderá enviar 01 texto, em papel A5, fonte Times New Roman, tamanho 12 por lauda adquirida

Taxa de adesão
A participação por lauda será de R$60,00 (sessenta reais).

Dúvidas

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Atividades culturais: confira a programação de agosto da BibliON

Casa velha, de Machado de Assis, e Também guardamos pedras aqui, de Luiza Romão, são algumas das obras selecionadas para os Clubes de Leitura deste mês

A BibliON é uma biblioteca digital gratuita (Imagem: Divulgação / BibliON)
A BibliON é uma biblioteca digital gratuita (Imagem: Divulgação / BibliON)

A leitura é uma das atividades mais enriquecedoras para o ser humano, pois permite que ele explore diferentes universos, conheça novas culturas e amplie seu conhecimento sobre o mundo, além de deixá-lo mais crítico perante aos acontecimentos na sociedade.

E ler em comunidade pode ser uma excelente ferramenta para se relacionar e debater temas que nos agrada, como também ser um maravilhoso recurso para trabalhar o lúdico que habita cada um de nós. 

Em razão disso, a BibliON, biblioteca digital gratuita de São Paulo, preparou sete clubes de leitura com temáticas atuais, visando proporcionar aos seus usuários uma experiência enriquecedora e agradável.

Cada encontro abordará um tema diferente, que promete instigar o interesse e a reflexão dos participantes. Para o público infantojuvenil, o livro escolhido sobre a temática é “As aventuras de Pinóquio”, de Carlo Collodi. Este Clube de Leitura acontece no dia 29, a partir das 19h. 

E quem disse que os 60+ não tem um espaço cultural on-line? Também no dia 29 é a vez de “Ninguém escreve ao coronel”, de Gabriel Garcia Marquez. O encontro está marcado para às 16h.

E enquanto os Clubes de Leitura não chegam, todos estão convidados a compartilhar suas impressões pelo chat e fórum da sala de leitura. Além disso, aproveite para explorar a plataforma e dar aquele check na sua lista de obras lidas. 

Não perca essa oportunidade de aprimorar seus horizontes literários e estar atualizado com as tendências contemporâneas. No mês de agosto, a BibliON terá vários clubes de leitura, então aproveita para escolher o seu para participar. 

Confira abaixo todas as atrações da BibliON e não fique de fora. Os interessados em participar das atividades devem acessar https://www.biblion.org.br/agenda/ e se inscrever gratuitamente. 

Clube de Leitura 60+ 

Livro: Ninguém escreve ao coronel, de Gabriel Garcia Marquez 

Data e Horário: 29 de agosto, 16h

Link do Clube: https://biblion-programacao.odilo.us/clubs/63e26fbd1cb886002f2b6bc0/info 

Clube de Leitura Infantojuvenil 

Livro: As aventuras de Pinóquio, de Carlo Collod

Data e Horário: 29 de agosto, 19h 

Link do Clube: https://biblion-programacao.odilo.us/clubs/640f42484ed08d003aee9ddf/info 

Clube de Leitura Flores em Nós 

Livro: O feminismo é para todo mundo: Políticas arrebatadoras, de bell hooks 

Data e Horário: 30 de agosto, 19h 

Link do Clubehttps://biblion-programacao.odilo.us/clubs/636aa10c2ef80b00600b8778/info 

Clube de Leitura BibliON 

Livro: Vamos comprar um poeta, de Afonso Cruz   

Data e Horário: 31 de agosto, 19h 

Link do Clube de Leitura na BibliON: https://biblion-programacao.odilo.us/clubs/63aa06f51abae4002c4a6d98/info 

BibliON

Para utilizar o serviço gratuito de empréstimos de livros, basta que os interessados acessem www.biblion.org.br ou baixem o aplicativo BibliON, disponível no Google Play e na Apple Store e realizem um breve cadastro. 

O usuário pode fazer empréstimo de até duas obras simultâneas, por 15 dias. A BibliON permite ações como organizar listas, adicionar favoritos, compartilhar um livro como dica de leitura nas redes sociais, fazer reservas, ver histórico e sugerir novas aquisições.

Por meio de princípios de gamificação, os associados conseguem acompanhar as estatísticas do tempo dedicado à leitura e participar de desafios. E o sistema de busca permite que o usuário utilize diversos filtros, como tema, autor, categoria ou título – ou até mesmo leitura indicada para grupos etários, como leitura infantil e juvenil.

É possível ler em dispositivos móveis, sem a necessidade de usar dados do celular, por meio do download prévio do título ou, ainda, ajustar o tamanho da letra e o contraste da tela; escolher diferentes modos de leitura para dia ou para noite e acionar a leitura em voz sintetizada, para saída em áudio do texto.

A BibliON, biblioteca digital gratuita de São Paulo, é uma iniciativa da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo sob gestão da SP Leituras. 

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Best-sellers da Qualis confirmados na Bienal

Durante os 10 dias de evento, 30 autores passam pelo estande para interagir com leitores e autografar livros

Divulgação/Qualis Editora
Divulgação/Qualis Editora

Os 40 anos da Bienal do Rio serão comemorados em grande estilo na Qualis Editora! Durante os dez dias do maior evento literário do ano, escritoras best-sellers na Amazon, como Jussara Leal (Herdeiro do Império), Bianca Jung (O Veneno na Montanha), Luciane Rangel (Tenshi – um anjo sem asasRock Star e Contando estrelas), estarão no estande para sessão de fotos e autógrafos com os leitores.

O escritor finalista do Prêmio Jabuti, conhecido internacionalmente Mauricio Gomyde, tem presença marcada nos dois fins de semana do evento.

Também estão confirmadas participações de Laís Napoli, Arquelana, Englantine, Mila Wander, Cora Menetrelli, Marta Vasconcelos, Laura Reggiani e Bettina Winkler, num total de 30 autores nacionais com lançamentos e sucessos publicados pela editora.  

Com 160m², localizado na rua I17 com J16, no Pavilhão Azul, além de um acervo completo de obras, o estande da Qualis terá espaço decorativo, ideal para fotos e interações do público.

Programação oficial Qualis Editora

Local: Riocentro
Data: 01 a 10 de setembro
Estande: I17 com J16, no Pavilhão Azul
Endereço: Avenida Salvador Allende, nº 6555, Barra da Tijuca
Ingressos: https://bienaldolivro.com.br/

Sessão de autógrafos com Maurício Gomyde
Livro: Vida Becker e a máquina de contar histórias
Data: 2 de setembro, às 14h
Local: Rua I17 com J16, no Pavilhão Azul

Sessão de autógrafos com Victoria Mendes
Livro: Liz Flores é uma farsa
Data: 2 de setembro, às 16h
Local: Rua I17 com J16, no Pavilhão Azul

Sessão de autógrafos com Marta Vasconcelos
Livro: Tudo o que dizemos no silêncio
Data: 2 de setembro, às 18h
Local: Rua I17 com J16, no Pavilhão Azul

Sessão de autógrafos com Bettina Winkler
Livro: Estrada dos Refúgios
Data: 3 de setembro, às 14h
Local: Rua I17 com J16, no Pavilhão Azul

Sessão de autógrafos com Laís Napoli
Livro: Entre ponteiros e eclipses
Data: 3 de setembro, às 16h
Local: Rua I17 com J16, no Pavilhão Azul

Sessão de autógrafos com Mila Wander
Livro: Mais Safado
Data: 3 de setembro, às 18h30
Local: Rua I17 com J16, no Pavilhão Azul

Sessão de autógrafos com Luciane Rangel
Livro: Tenshi: um anjo sem asas
Data: 3 de setembro, às 18h30
Local: Rua I17 com J16, no Pavilhão Azul

Sessão de autógrafos com Bianca Jung
Livro: O veneno na montanha
Data: 7 de setembro, às 16h
Local: Rua I17 com J16, no Pavilhão Azul

Sessão de autógrafos com Laura Reggiani
Livro: Paradoxem
Data: 7 de setembro, às 16h
Local: Rua I17 com J16, no Pavilhão Azul

Sessão de autógrafos com Jussara Leal
Livro: Herdeiro do Império
Data: 7 de setembro, às 18h
Local: Rua I17 com J16, no Pavilhão Azul

Sessão de autógrafos com Cora Menestrelli
Livro: Como (não) ter um encontro
Data: 9 de setembro, às 14h
Local: Rua I17 com J16, no Pavilhão Azul

Sessão de autógrafos com Arquelana
Livro: Querida Penelope
Data: 9 de setembro, às 14h
Local: Rua I17 com J16, no Pavilhão Azul

Sessão de autógrafos com Englantine
Livro: Em todas as gotas de chuva
Data: 9 de setembro, às 16h
Local: Rua I17 com J16, no Pavilhão Azul

Sessão de autógrafos com Maurício Gomyde
Livro: Vida Becker e a máquina de contar histórias
Data: 10 de setembro, às 14h
Local: Rua I17 com J16, no Pavilhão Azul

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Erica Montanheiro e Angela Ribeiro assumem, respectivamente, a direção e dramaturgia da peça BURNOUT

Espetáculo traz para a cena a precariedade e o acúmulo de funções que levam ao esgotamento mental e físico na contemporaneidade

Cena do espetáculo 'Burnout'
Link para download de fotos – crédito Marcelle Cerutti

O espetáculo foi idealizado por Lis Ricci, que assina a dramaturgia ao lado de Angela Ribeiro. As duas estão também em cena, junto com as atrizes Palomaris e Priscila Ortelã. Já a direção e o dramaturgismo são de Erica Montanheiro

O processo contou ainda com Ana Elisa Mattos como diretora assistente, Joyce Roma como diretora de arte, Lua Oliveira na direção musical e Gabriele Souza no design de luz.

Peça cumpre uma curta temporada de estreia na Sala Ademar Guerra, do Centro Cultural São Paulo (CCSP), entre os dias 7 e 17 de setembro. As sessões acontecem às quintas e sextas, às 19h, e aos sábados e domingos, às 17h.

Amplamente discutido nos últimos anos, sobretudo durante a pandemia de Covid-19, a síndrome do esgotamento profissional – ou Burnout – foi reconhecida como enfermidade oficial pela Organização Mundial de Saúde (OMS) apenas em 2022. No Brasil, a doença acomete principalmente funcionários da saúde e da educação, com maior incidência em mulheres e mães. 

A ideia do projeto parte da experiência de Lis Ricci, ex-professora de artes da rede municipal de ensino, com o diagnóstico de Burnout. A partir desta premissa, a pergunta que apareceu no processo criativo foi: qual o caminho para se chegar até tal esgotamento?

Que escolhas ou falta de opção nos coloca nesse caminho sem volta rumo à precarização do trabalho e a exploração máxima dos corpos no sistema capitalista? “Fui colhendo histórias reais das atrizes, que tinham a ver com esse acúmulo de coisas que a gente faz.

No caso do artista, por exemplo, que dá aula, canta, estuda, pega muitos projetos simultâneos, e assume um acúmulo de funções para dar conta de pagar os boletos da vida adulta.”, conta Erica Montanheiro. 

A dramaturgia fricciona elementos documentais com a ficção, explodindo os limites da realidade. “Muitos acontecimentos narrados por elas pareciam saídos de uma peça do teatro do Absurdo. Mas eram elementos reais, cotidianos, ligados às relações de poder abusivas.” 

O texto traz uma peça dentro da própria peça, e a encenação acompanha esse movimento. As atrizes recebem o público, dizendo que aquilo seria um show, mas que não deu tempo de fazer o show, que então farão uma peça, para arrecadar dinheiro para o show. “A matrioska do teatro, uma coisa dentro da outra, que tá dentro da outra.” completa Erica.

Essa repetição de tarefas, essa frenética ação de tirar funções da frente, para logo em seguida executar outra, como um Sísifo atual, está retratada na peça bem além da dramaturgia. Na encenação, as atrizes assumem inúmeras responsabilidades cênicas.

Além da atuação, elas cantam, tocam diversos instrumentos, fazem operação de som e de luz, apresentando uma espécie de “estética da exaustão”. O espetáculo ainda emula em seus elementos visuais o boxe (modalidade esportiva recomendada para pessoas diagnosticadas com Burnout que foi estudada como preparação corporal da equipe, e é usada como ação física em algumas cenas da peça).

Apesar da seriedade do assunto, o espetáculo tem momentos de humor. “Entendemos que a precariedade das condições de alguns trabalhos, unidos às relações abusivas e ao acúmulo de funções são os disparadores desse esgotamento.

Porém, tudo isso sendo naturalizado nos pareceu tão absurdo que foi impossível não encontrar um humor ácido, quase em tom de deboche, a fim de olhar para esse painel criticamente.”, finaliza Montanheiro. 

SINOPSE

Burnout narra o encontro de quatro mulheres. Uma mãe, uma atriz, uma cantora e uma professora. Esse encontro, que seria um show, vira o ensaio de um show e uma peça dentro da peça. Elas convidam o público a imaginar a história. O começo é uma explosão (ou uma implosão?). E quando tudo vai pelos ares, narrativas se emaranham tentando dar conta de tudo, sem conseguir dar conta de nada. Uma sucessão de fracassos. Elas atravessam os inúmeros acontecimentos e, nessa jornada, compreendem que as máquinas, às vezes, podem ser seus próprios corpos.

FICHA TÉCNICA

Dramaturgia: Lis Ricci e Angela Ribeiro 

Direção e dramaturgismo: Erica Montanheiro

Elenco e criação canções originais: Lis Ricci, Palomaris, Priscila Ortelã e Angela Ribeiro  

Diretora Assistente e preparadora corporal: Ana Elisa Mattos 

Preparação e Direção musical: Lua Oliveira 

Direção de Arte, concepção de cenário e figurinos: Joyce Roma 

Desenho e Instalação de luz: Gabriele Souza

Fotos de divulgação e cena: Marcelle Cerutti 

Arte Gráfica: Angela Ribeiro 

Estagiária: Isabela Castilho

Assessoria de Imprensa: Pombo Correio 

Produção Geral: Movicena Produções (Jota Rafaelli) 

Realização: Coletivo Amapola  

Produtora Associada: Lolita e La Grange Produções Artísticas  

Idealização do Projeto: Lis Ricci

Espetáculo contemplado pelo PROAC 01/2022 – TEATRO/PRODUÇÃO DE ESPETÁCULOS INÉDITOS NO ESTADO DE SÃO PAULO

SERVIÇO

Burnout, do Coletivo Amapola

Temporada: 7 a 17 de setembro, às quintas e sextas, às 19h, e aos sábados e domingos, às 17h
Centro Cultural São Paulo – Sala Ademar Guerra – Rua Vergueiro, 1000 – Liberdade

Ingressos: R$30 (inteira) e R$15 (meia-entrada)

Duração: 90 minutos

Classificação: 12 anos

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Escritor denuncia uso de religião para disseminar discurso de ódio em livro de poemas

‘O poeta toma a pólis’ exalta todas as formas de amor, em alinhamento à comunidade LGBTQIA+ e sua permanente luta

Capa do livro 'O poeta toma a pólis', de Teofilo Tostes Daniel - Ed. Patuá
Capa do livro ‘O poeta toma a pólis’, de Teofilo Tostes Daniel – Ed. Patuá

Em 10 de julho, a Justiça determinou a retirada das redes sociais de um vídeo com conteúdo discriminatório contra a população LGBTQIA+, que incitava a violência física contra esse grupo, proferido por um pastor nacionalmente conhecido durante um culto transmitido pela internet. A Justiça entendeu, em sua decisão, que o que se via na pregação divulgada nas redes sociais ultrapassava em muito a liberdade religiosa e de expressão.

Em poemas de seu livro recém-lançado, ‘O poeta toma a pólis‘ (Editora Patuá), o poeta e escritor Teofilo Tostes Daniel aborda o uso da religião como escudo para quem dissemina discursos de ódio. No poema que encerra a primeira parte do livro, intitulado “Se eu acreditasse num deus”, o autor fala da incapacidade de crer num Deus “que é menos capaz / de acolher o múltiplo e o diverso / do que a própria humanidade”, afirmando por fim que se fosse tocado pela graça de crer, sua divindade seria “mais amor // do que o amor condicional / dos deuses / em que jamais fui capaz de crer”.

Mais adiante no livro, o tema dos usos da crença é abordado em poemas como “Inverdades não digo”, no qual Teofilo versifica “O contrário do sagrado / não é o profano, / mas a ignomínia // cometida em nome da faca amolada / que é a fé / cega”. E volta com força no último poema do livro. Espelhado na estrutura da oração do “Pai nosso”, o poeta faz uma oração à incerteza, pedindo aos deuses e às deusas de todas as crenças que “santifiquem minhas dúvidas, / e multipliquem em meus olhos / perguntas e questionamentos”.

Em contraponto ao discurso dogmático que cria condenações, ‘O poeta toma a pólis’ exalta a necessidade da exaltação do amor em todas as formas, aliando-se à tão atacada comunidade LGBTQIA+. Esse tema está presente já no poema de abertura do livro, intitulado “É urgente espalhar amor”, que chama a atenção para o fato de que “são tempos miseráveis / aqueles em que o amor / é motivo de escândalo e perplexidade, / e o ódio, / aplaudido de pé, / se alastra como uma praga / na boca e nas mãos de tantos / e na morte e no massacre / de quem ousa ser, / mesmo que involuntariamente, // o Outro.”

Num momento histórico repleto de desafios e urgências, após uma pandemia planetária de consequências catastróficas – em especial no nosso país – e com a humanidade tentando adiar o fim do mundo, por que a poesia ainda importa?

É a partir dessa pergunta central que nasce ‘O poeta toma a pólis’, obra em que a poesia ocupa um lugar de resistência e testemunho, além de servir de matéria essencial para sonhar um mundo onde a diversidade humana é celebrada.

Sobre o autor

Teofilo Tostes Daniel

Teofilo Tostes Daniel, nascido em 1979, é autor de ‘O poeta toma a pólis’ (Patuá, 2023), ‘Trítonos – intervalos do delírio’ (Patuá, 2015) e ‘Poemas para  serem encenados’ (Casa do Novo Autor, 2008).

Tem ainda contos, poemas e artigos publicados em coletâneas, revistas literárias e culturais.

É formado em Produção Editorial pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e vive em São Paulo desde 2006, onde trabalha como analista de comunicação social do Ministério Público Federal.

Faz ensaios abertos com palavras em http://teofilotostes.wordpress.com/.

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