Coletânea Digital Internacional | A Lusofonia & Eu! 2° Edição
Baronesa apresenta a segunda edição da coletânea A LUSOFONIA E EU!, em homenagem ao Dia da Unidade Humana
Banner da coletânea A Lusofonia & Eu
Sempre no espírito de intercâmbio da Cultura Lusófona, vamos celebrar nossa cultura, literatura, artes e as pontes que nos unem.
A Baronesa apresenta a segunda edição da coletânea A LUSOFONIA E EU!, em homenagem ao Dia da Unidade Humana, festejando nossa língua Lusófona pelo mundo em uma bela Coletânea Digital Internacional, e convida os literatos para se imortalizarem nesta grande festa Literária junto aos autores do Brasil, Portugal, França, Suíça, Suécia, Moçambique e Estados Unidos.
Banner sobre o Dia da Unidade Humana
Sobre o Dia da Unidade Humana, 14 de agosto
O Dia da unidade humana, 14 de agosto, propicia a reflexão acerca da vida em sociedade.
A comemoração, cuja origem não é conhecida, revela a importância de nos colocarmos no lugar das outras pessoas e não julgá-las sem condições para o fazer, lembrando que somos todos humanos.
REGULAMENTO
Cada autor deverá enviar um texto de até 01 lauda REVISADO, nome artístico e foto;
Cada autor receberá seu Card de divulgação, Certificado Digital de participação e o arquivo final do livro;
O Livro estará disponível para Downloads no Site da Editora Baronesa e em suas redes sociais;
O Valor do investimento será de R$ 60,00 por lauda;
A Baronesa vai disponibilizar para os interessados ORÇAMENTO para impressão de livros individuais. “LEMBRANDO QUE ESTE LIVRO É UMA EDIÇÃO DIGITAL”.
Prêmio Orgulho Carioca de Literatura | Bienal do Rio de Janeiro 2023
O Prêmio será entregue durante a Bienal do Livro de 2023 no Rio de Janeiro
Banner do Prêmio Orgulho Carioca de Literatura
A Alspa – Academia de Letras de São Pedro da Aldeia e a Editora Baronesa estão mais uma vez outorgando o Prêmio Orgulho Carioca de Literatura, edição Bienal do Rio de Janeiro 2023.
Através do prêmio, ambas as instituições reconhecem o destaque das diversas atividades Literárias nos anos de 2022 e 2023 em âmbito nacional e internacional.
Sobre o Prêmio
O Prêmio será entregue durante a Bienal do Livro de 2023 no Rio de Janeiro.
Os premiados receberão Certificado de Honra digital e físico aos presentes.
Os aprovados poderão enviar a taxa de adesão em até 2x. Os certificados físicos para os ausentes terão uma taxa de envio de 50,00 (cinquenta reais).
Diego Figueiredo apresenta o show gratuito ‘Violão e Orquestra’ na Fundec de Sorocaba
O renomado instrumentista, com carreira internacional, e indicado ao Grammy Award 2019, estará acompanhado de um quinteto de cordas; show, às 20h, celebra lançamento de novo disco no Brasil
Diego Figueiredo. Foto João Henrique Steffen
Diego Figueiredo, considerado gênio do violão e da guitarra e um dos maiores instrumentistas no cenário mundial atual – sendo indicado ao Grammy Awards 2019, na categoria de melhor arranjo – apresenta em Sorocaba (SP) a turnê ‘Violão e Orquestra’ com show gratuito neste sábado (19/08), às 20h, na Fundec (Fundação de Desenvolvimento Cultural de Sorocaba). A apresentação celebra o lançamento no Brasil do novo álbum autoral, de mesmo nome, que nos EUA está entre os 20 discos mais tocados nas rádios de jazz. No palco, um quinteto de cordas acompanha o violonista, que também fará um workshop com jovens.
Com 30 CDs e 3 DVDs lançados, além de shows em mais de 60 países, o francano Diego Figueiredo mora atualmente nos EUA e acaba de desembarcar de uma turnê por Los Angeles (Califórnia), Washington DC, Cleveland (Ohio), Oberlin (Ohio) e Sarasota (Flórida), direto para o show em Sorocaba, uma das cidades escolhidas para receber o projeto “Violão e Orquestra”.
No novo álbum, Diego apresenta músicas autorais – clássicos, jazz e bossa nova – gravadas com a participação de um quinteto de cordas formado por músicos de Campinas: Samuel Lima (violino), Danielle Lessa (violino), Elinar Albuquerque (viola), Daniel Lessa (cello) e Virgínia Almeida – Guigui (contrabaixo). Eles também acompanham o violonista na turnê.
O CD já foi lançado nos EUA, em 2022, com imenso sucesso e está entre os 20 discos mais tocados nas rádios de jazz do país, fato inédito para um artista brasileiro. “Eu compus as músicas já pensando na formação de violão com quinteto de cordas. A ideia de produzir este trabalho com os músicos paulistas foi inspirada a partir de um arranjo que fiz para a cantora de jazz francesa Cyrille Aimée junto a um quinteto de cordas de Nova Iorque, e que foi a música indicada ao Grammy”, diz Diego Figueiredo.
O show desta turnê traz ainda um repertório autoral de bossa nova, jazz e blues, e também músicas conhecidas do grande público, de mestres como Tom Jobim, Villa-Lobos e Vinicius de Moraes, além de obras clássicas do cancioneiro popular como Luiz Gonzaga.
Diego Figueiredo. Foto João Henrique Steffen
Diego Figueiredo é reconhecido por sua maneira única de tocar, extremamente virtuosa, moderna e inovadora, unindo a música brasileira ao jazz. “A música instrumental brasileira é riquíssima e talvez seja nosso maior patrimônio. No exterior, é o gênero que mais nos representa, por isso, neste projeto, vamos priorizar a excelência musical oferecendo ao público um show de nível internacional, ressaltando a música instrumental em sua essência e mais alta relevância”, diz o músico.
O projeto ‘Violão e Orquestra‘ tem como objetivo democratizar a música e a cultura, formar plateia, fomentar a música instrumental e construir perspectivas de ampliação e valorização do instrumentista brasileiro. Por isso, no sábado (19/08), às 16h30, Diego realiza um workshop gratuito para jovens no Fundec, compartilhando as suas técnicas e estilo próprio que abriu as portas para o mundo.
“No encontro vou abordar a história e o resgate do violão brasileiro, passando por todas as suas vertentes, e a importância do violão no cenário nacional como instrumento de socialização e desenvolvimento humano. Vamos discutir ainda o tema sobre ‘ser possível viver de música instrumental no Brasil’”, explica Diego Figueiredo.
Premiado pelo ProAC, com realização da Secretaria de Cultura e Economia Criativa e do Governo do Estado de São Paulo, o projeto conta com o apoio da Prefeitura de Sorocaba, por meio da Secretaria de Cultura (Secult) e do Fundec (Fundação de Desenvolvimento Cultural de Sorocaba).
A turnê contempla 12 cidades do interior do estado de São Paulo: Franca, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Rio Claro, Bauru, Santos, Campinas, Sorocaba, Botucatu, Caieiras, Artur Nogueira e São José dos Campos. Além disso, todos os municípios receberão uma doação de discos físicos de Diego Figueiredo.
SERVIÇO
Show ‘Violão e Orquestra’ – Diego Figueiredo e quinteto de cordas
Data: sábado (19/08) – 20h
Local: Fundec (Fundação de Desenvolvimento Cultural de Sorocaba) – Rua Brigadeiro Tobias, 73 – Centro – Sorocaba/SP
Informações: (15) 3233-2220
Evento gratuito: 200 lugares – ingressos serão disponibilizados a partir das 19h, no local
No mesmo dia, às 16h30 na Fundec, Diego Figueiredo ministrará Workshop gratuito para jovens
Gênio do violão e da guitarra, Diego Figueiredo é um dos maiores instrumentistas no cenário mundial atual, sendo indicado ao Grammy Awards 2019, na categoria de melhor arranjo, e premiado no Montreux Jazz Festival na Suíça, em 2005 e 2007, como um dos três maiores guitarristas do mundo.
Aos 43 anos, Diego já lançou 30 CDs, 3 DVDs e já se apresentou em mais de 60 países, de vários continentes. Seus discos foram lançados no Japão, China, EUA, Canadá, Suécia, Noruega, Alemanha, Portugal, França, Dinamarca e Espanha, Chile, Argentina, Bolívia e México.
Diego Figueiredo é considerado um músico brilhante, que conserva a tradição da verdadeira essência da música brasileira e, ao mesmo tempo, consegue ser extremamente virtuoso, moderno e inovador. Sua maneira única de tocar, unindo a música brasileira ao jazz, conquistou definitivamente os EUA, país do jazz, onde o músico já realizou mais de dois mil concertos.
Além de grande guitarrista e compositor, Diego Figueiredo é um showman que explode no palco e coloca o público em suas mãos. Seu espetáculo já arrancou críticas nos mais importantes jornais do mundo e impressionou as mais distintas plateias. Entre seus admiradores estão o ator e diretor Robin Williams, o humorista Mort Sahl e os artistas Kenny G, George Benson, Pat Metheny e Al Di Meola.
Diego já se apresentou com Gilberto Gil, Toquinho, João Bosco, Roberto Menescal, Ângela Maria, Fafá de Belém, Renato Teixeira, Sérgio Reis, Sandra de Sá, Belchior, Margareth Menezes, Carlinhos Brown, Luiz Caldas, Eduardo Araújo, Geraldo Azevedo, Oswaldo Montenegro, Kenny G, Larry Corryel, John Hart, Terell Stafford, John Clayton, Cyrille Aimée, Matt Wilson, Antony Wilson, Ken Peplowski, Lewis Nash, Tamir Heldelman, Jeff Hamilton, Janis Seagel (The Manhattan Transfer), Stacey Kent, Wycliffe Gordon, entre muitos outros.
Solitude, delírio e isolamento: provocações a partir do filme ‘Náufrago’
CINEMA E PSICANÁLISE
Marcus Hemerly e Bruna Rosalem: “Solitude, delírio e isolamento: Provocações a partir do filme ‘Náufrago’”
Folheto da coluna Cinema e Psicanálise
É sabido que a experiência de assistir a um filme é multifacetada, envolve a visão, a audição, e, por que não dizer? O tato. As sensações corporais, assim como sentimentais, estão em constante processo de amalgamento na construção e reconstrução da psiquê do sujeito/espectador. Tal é a complexidade da apreciação artística que, não raro, é relegada a um mero “passar de olhos” sobre um filme naqueles noventa a cento e vinte minutos, em média.
Nesses meandros, de igual forma, as elucubrações e reflexões são igualmente estimuladas, principalmente diante do teor etéreo assimilado pelas produções artísticas, direta ou indiretamente. Em algum momento de suas vidas, até mesmo em tom de pilhéria, as pessoas são confrontadas com a ideia: o que fariam e o que levariam à uma ilha deserta?
Essa foi a realidade imposta sem a escolha de bagagem ao personagem de Tom Hanks no filme ‘Náufrago’ de 1999. Na trama, Chuck Noland (brincadeira com o nome?)[1] é o funcionário da Empresa de Correios norte-americana, a Federal Express/Fedex, e quando seu avião sofre um acidente ele se vê como o único sobrevivente em uma ilha desabitada, e, aparentemente, inacessível às buscas a partir da angulação do raio de queda do avião.
Naquele contexto, um indivíduo eminentemente urbano se vê exposto às intempéries da natureza, da conscientização de sua fragilidade em paralelo à força do próprio circundar terrestre, alheio a sentimentos, necessidades (emotivas e práticas), e à sua própria sorte. Esta é a crueza do universo, que apenas gira compondo a passagem do tempo, mecânico, eficaz, austero e contínuo, assim como o envelhecer como transposição ao passo seguinte mais próximo da finitude.
Decerto, esse “mergulhar”, inolvidavelmente descortina outras derivações naturalistas do ponto de vista filosófico e de autodescoberta, quanto há um confrontamento a realidades ou situações não esperadas.
Reações extremas de personagens em situações igualmente intensas foram retratadas a partir de filmes “sobrevivência”, exploitation, de cadeia. A partir de enredos mais comerciais, ou daqueles imersos em tons mais existencialistas e reflexivos como nos títulos Pappilin (1973) e O homem de Alcatraz (1962). Em ambos os roteiros, a questão da segregação – naqueles recortes, como cumprimento penal imposta pelo sistema legal – contemplamos as formas de escapismo e o modo de lidar com a solitude, seja do ponto de vista de insurgência ou aquiescência, e como tais definições podem apresentar-se de maneiras diversificadas aos olhares.
Os roteiros que gravitam em torno de personagens expostos a situações inóspitas não são raros na produção cinematográfica mundial. Igualmente, no plano literário, impossível cerrar os olhos à aventura de Robinson Crusoe, escrita por Daniel Defoe (1660 – 1731). Contudo, ao reverso do personagem de Defoe, que contava com a companhia do indígena “sexta-feira”, Noland (Hanks), se vê rodeado pela mais absoluta solidão, que é mitigada num aspecto que até mesmo seria expressado em tom cômico nos anos vindouros, ao improvisar a companhia de uma bola de vôlei. Intencional ou algo delirante?
Deparamo-nos com o famoso Wilson, que revela até mesmo um rosto em tom rudimentar, cujas feições são moldadas pelo próprio sangue de Noland em contato com a bola após um acidente em meio àquele ambiente inóspito. Mais uma vez: criatividade ou projeção delirante? Interessante, e um dos inúmeros pontos de destaque do longa, é a capacidade de manter a atenção, “o segurar” do desenrolar do filme apenas pela permanência de Hanks em tela, em bem mais de quarenta minutos nos quais tão somente o desafortunado Noland e, por óbvio, Wilson, que lhe serve de companhia em compenetrados e densos colóquios, são suficientes em manter o suspense e interesse pela trama.
Tom Hanks vinha de uma carreira concisa no cinema, construída a partir de sólidas comédias e incursões dramáticas na década de 80 e início dos anos 90, densificando-se a ponto de tornar sua versatilidade interpretativa uma unanimidade, sendo um dos poucos atores a receber por dois anos consecutivos a estatueta do Oscar, por Philadelphia (1993) e Forrest Gump (1994), feito apenas conquistado anteriormente pelo ator Spencer Tracy. Nesse passo, cientes das particularidades propostas pelo roteiro de Náufrago (Cast Way, 1999), em uma bela direção do cultuado Robert Zemeckis, inúmeras são as interpretações e derivações que se descortinam.
Para buscar sobreviver à deserta e sufocante ilha, pois tamanha é a solidão de Noland e a ausência de vozes e sons urbanos que até então ele estava acostumado – chegava a ser ensurdecedor ter de escutar apenas os seus pensamentos – vem à tona Wilson para extrapolar os infindáveis e enervantes diálogos internos que o homem mantinha consigo mesmo. Nem seu corpo, nem sua mente são suficientes.
Talvez para não enlouquecer de vez, a bola que pensa e fala, pode ter sido um escape, um mecanismo de defesa que o manteve, de certa maneira, seguro da total perda do contato com a realidade. Embora, algumas vezes nos perguntamos se Noland realmente acreditava naquela espécie de boneco, a exemplo, da separação em alto mar quando ele consegue finalmente sair da ilha com a sua jangada improvisada. Nos emocionamos com seu genuíno sofrimento num choro desesperado ao ver Wilson partindo pelo oceano para nunca mais ser visto. Aos gritos, o homem clama a volta de seu “amigo”. Sem sucesso.
Enquanto humanos, somos seres gregários. É muito difícil vivermos completamos isolados de tudo e de todos. Numa época remota da história da civilização, existiram algumas tentativas de isolamento praticadas, muitas vezes por monges, pessoas que desejavam ficar em silêncio, refugiando-se em cavernas ou altos de morros e montanhas, pensadores que queriam fazer uma espécie de “desintoxicação” de pensamentos, amenizando ansiedades, ou ainda, aquietar a mente, fazer jejum, não falar com ninguém, deixar de tomar banho como um ritual para manter o corpo mais natural possível e evitar ao máximo dormir.
Resultado: muitos destes adeptos contraíam doenças por bactérias, desnutrição, comportamentos destoantes de uma certa “normalidade”, discursos messiânicos delirantes, entre outras manifestações curiosas. Outro resultado desta empreitada, gerou efeito contrário. Como a reclusão destas pessoas chamava a atenção de quem as via meditar dia e noite e modificar severamente sua aparência, seja por não se alimentar ou banhar-se, atraíam uma multidão em volta delas, logo, o tal isolamento transformava-se em evento. Dessa forma, os não tão solitários ganhavam fama e passavam a estar em contato novamente com a comunidade.
Noland ansiava por companhia, salvação, afetividade, cuidado, alguém que pudesse olhar para ele, notar sua presença, reconhecê-lo como um ser no mundo que demanda amor e que precisava de reciprocidade. Wilson parece ter cumprido este papel. Ao criar algo “a sua imagem e semelhança”, os olhos de Wilson tornaram-se o espelho que Noland precisava para não perder-se por completo naquele corpo sem borda. É como se aquela bola velha com um rosto o fizesse sujeito novamente. Não só ajudou-o a suportar a si mesmo e impedir um fim proposital, como também impulsionou-o a elaborar meios para sair daquele lugar e retomar a vida na cidade, agora não mais como o simples funcionário da companhia de entregas, mas outra pessoa completamente diferente.
Nova ótica sobre a vida, sobre si, sobre as coisas que o cercam, o lugar onde mora, sobre os relacionamentos, o sexo, o amor, as amizades, o trabalho, com o tempo cronológico (e, porque não dizer, do tempo lógico próprio do inconsciente), com as dores, as doenças, as necessidades naturais do organismo, comer, dormir, defecar e as modificações de seu corpo pelos anos que se passaram. Enfim, uma nova simbolização como ser humano. À sombra dessa provocação, a cada dia, amolda-se uma nova “metamorfose ambulante”.
Uma possível questão suscitada pelo filme pode ser a seguinte: Noland saiu da ilha, mas será que a ilha saiu dele? Ou seja, após anos vivendo em sua própria companhia, é plausível dizer que o retorno à civilização e, consequentemente, às relações interpessoais com todas as suas alegrias, tristezas, frustrações, expectativas, acordos e desacordos, encontros e desencontros, chegadas e partidas, provocariam Noland a regressar a sua singular e subjetiva ilha? Estaria ele realmente livre? Afinal, o que é liberdade, de fato?
Numa cena, vemos que o personagem escolhe dormir no chão, em detrimento da confortável cama de hotel após seu retorno à cidade; mas, qual conforto? E para quem? Afinal, dormir em pedras ou ao relento, talvez fosse muito mais familiar para Noland do que estranho. A maciez se torna dor. A dureza, bálsamo.
Outra questão provocativa seria, se considerarmos a ilha enquanto metáfora, todos nós, em alguma medida, estaríamos ilhados em ideais, crenças, achismos, preconceitos, privações e imposições, repressões… Quem seria o nosso Wilson? E quem construiria a jangada que nos faria sair das nossas próprias ilhas? A pergunta ecoa ao aguardo de possíveis respostas, ou mesmo, de outras indagações.
De Restinga Seca (RS) para o Jornal ROL, as Letras de Ouro de Elaine dos Santos!
Hábil ‘Esgrimista das Letras’, a professora Elaine dos Santos abrilhanta ainda mais o Quadro de Colunistas do ROL
Elaine dos Santos
ELAINE DOS SANTOS, natural de Restinga Seca (RS), é licenciada em Letras, Mestre e Doutora em Estudos Literários pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
Tem formação em espanhol pela Universidad de La Republica, Montevidéu.
Possui 29 artigos acadêmicos publicados em revistas nacionais na área de Letras com classificação Qualis, além de participação em eventos com trabalhos completos e resumos.
É autora do livro Entre lágrimas e risos: as representações do melodrama no teatro mambembe, adaptação de sua tese de doutorado, e coautora em outros livros versando sobre Direito, História, Educação e Letras.
É revisora de textos acadêmicos, cronista com textos publicados em jornais regionais e estaduais e participação em mais de 80 antologias.
A professora Elaine, por meio de um engenhoso trocadilho, apresenta-se com a crônica ‘A-Gosto’, um texto que, segundo ela (e certamente), suscitará muitas indagações dos leitores do ROL!
A-GOSTO
Capa do livro Agosto, de Rubem Fonseca. Imagem de domínio público
Agosto é o oitavo mês do ano no calendário gregoriano, tendo recebido esse nome em homenagem ao Imperador romano Cesar Augusto. Com certa frequência, diz-se que Julho – homenagem a Júlio Cesar – e Agosto têm 31 dias por uma disputa, digamos, de egos entre os partidários dos dois imperadores, mas há controvérsias sobre a veracidade dessa informação.
O adágio popular, por sua vez, afirma que “agosto é mês de desgosto”. Pondera-se que um dos melhores períodos para a realização das grandes navegações empreendidas, sobretudo, por espanhóis e portugueses, no início da chamada Idade Moderna, era o mês de agosto. Muitos marinheiros / navegantes casavam-se antes de partir em viagem, sem saber se voltariam. Com isso, a população passou a associar a sorte das noivas ao fato de perderem os noivos – para o mar – logo depois do casamento. Perdiam-nos pelo afastamento prolongado, perdiam-nos definitivamente em caso de morte.
A fama do mês de agosto ainda pode ser observada em outra expressão popular: “mês do cachorro louco”. Segundo consta, haveria um aumento da raiva canina, aliada à ampliação da quantidade de fêmeas no cio, em função do clima dominante no mês. Os cães, na disputa pela fêmea, brigam entre si, cresce o número de arranhaduras, cortes etc. Em razão disso, muitas cidades aproveitam o mês de agosto para deflagrar campanhas contra a raiva.
A par de tudo isso, o mês de agosto tem registrado, ao longo dos séculos, alguns acontecimentos que evocam triste memória. No campo internacional, é possível referir o início da Primeira Guerra Mundial, datada de 01 de agosto de 1914; o lançamento de primeira bomba atômica da História, em 06 de agosto de 1945, sobre a cidade japonesa de Hiroshima; sendo que, no dia 09 de agosto, uma nova bomba seria lançada sobre Nagasaki, também no Japão. Para os mais jovens, uma data marcante é 31 de agosto de 1997, quando, em Paris, morreu Diana, a “princesa do povo”, ícone internacional, em um trágico acidente de carro.
No cenário nacional, cabe citar, por exemplo, outro trágico acidente de carro, porém, em 22 de agosto de 1976, envolvendo o ex-presidente Juscelino Kubitscheck de Oliveira, ocorrido na Via Dutra. Creio, no entanto, que, para a História do Brasil, o fato histórico mais marcante e comovente foi o suicídio de Getúlio Dornelles Vargas, em 24 de agosto de 1954.
Lemos muito sobre o acontecimento histórico em revistas e jornais da época, em pesquisas históricas (dissertações, teses, livros) e tivemos a oportunidade de (re) conhecê-lo pelo romance “Agosto” de Rubem Fonseca.
Como professora de Literatura, no ensino médio e na graduação, ensinei os meus alunos que a Literatura (prosa ou poesia) não é a realidade nua e crua, contada em palavras, mas uma recriação de eventos, que podem ser reais ou inventados (ficcionais).
Se tomarmos a História, temos inúmeras teorias conspiratórias ou não sobre o suicídio de Vargas – não me compete discuti-las, restrinjo-me ao campo literário e às escolhas feitas pelo narrador do romance “Agosto”. A grandeza da Literatura reside também neste aspecto: o diálogo que o leitor pode estabelecer com a obra e lê-la “a-gosto”.
Fiz, sim, de propósito, um trocadilho com as palavras: agosto (o mês); desgosto (a fama); a gosto (nossas expectativas), afinal, o meu campo de trabalho é a palavra, principalmente, a palavra escrita.
Por outro lado, quero, aqui, chamar a atenção para dois aspectos: nem sempre o nosso interlocutor compreenderá aquilo que “pretendemos expressar” ao pé da letra. O melodrama, que surgiu na França logo após a Revolução de 1789, estava destinado a acalmar os ânimos da população, para isso, montou-se uma estrutura singela: havia uma situação estável (o mocinho e a mocinha apaixonados, por exemplo), a situação era instabilizada (por um vilão) e era superada, recompondo-se o equilíbrio: houve a revolução, muitos morreram, mas a França voltaria a ser grande é a “mensagem final”, se assim se pode afirmar.
O outro ponto: os nossos leitores podem não ter o mesmo universo de expectativas, como define Hans Robert Jauss, isto é, nem todos, por exemplo, leram os grandes clássicos da Literatura nacional e internacional para fazerem a intertextualidade entre eles. Exemplo simplório: alguns leitores deste texto revisitarão as origens do nome do mês de agosto, as expressões populares “agosto, mês de desgosto”, “agosto, mês de cachorro louco”, outros conferirão as datas dos fatos históricos elencados e ainda outros lerão o romance de Rubem Fonseca. Outros tantos não reagirão: ou porque já conhecem ou porque não lhes interessa. A-gosto (de cada um). Ah, sim! Haverá aqueles que farão indagações. Assim espero.
No Quadro de Colunistas do ROL, as letras lusitanas de Carla Pimenta!
Carla Pimenta traz de Silveira, freguesia do município de Torres Vedras, o sabor das letras de Portugal
Carla Pimenta
CARLA PIMENTA, natural de Silveira – Torres Vedras – Portugal, é administradora da APEAL – Academia Portuguesa de Escrita e Arte Lusófona, do grupo Poem’Art, Pieces of My Soul e da página de autora De Volta Com o Salto Alto.
Autora do livro de poesia ‘Príncipe de Gelo’ e prefaciadora dos livros: ‘AFRICANAMENTE’ do escritor angolano Ramiro Gomes, publicado em Angola; ‘Esses Difíceis Amores’, de Miguel Ângelo Teixeira e ‘Milagre do Coração’, de Vitor Sérgio Agostinho, publicados em Portugal.
Coordenadora das colectâneas: ‘Por Caminhos Lusófonos’; ‘Entre Fronteiras – Vidas em Dois Mundos, da APEAL e ‘Dos Sonhos à Realidade’, das Edições o Declamador. E coautora de mais de 50 colectâneas.
Coordenadora dos eventos solidários ‘Quatro Corações Por Caminhos Lusófonos’, com o lançamento das colectâneas ‘Por Caminhos Lusófonos’ e ‘Entre Fronteiras – Vidas em Dois Mundos’, na cidade de Torres Vedras, Portugal.
Participa regularmente de programas de rádio em Portugal, Angola, México, Venezuela e Colômbia e é colaboradora da Helicayenne Magazine Portugal.
Em 2021, participou no Brasil dos projetos literários ‘Olho de Belize’, de Mariana Belize e ‘ComPar Poesia’, de Mário Belolli.
Inaugurando sua participação no ROL, Carla apresenta o texto reflexivo ‘Pesca à cana – Desporto solitário ou momento de introspecção?’
Pesca à cana – Desporto solitário ou momento de introspecção?
A pesca é definida como sendo “… um desporto que consiste em apanhar peixe, de água doce ou salgada, com uma cana, linha e anzol.” (Infopédia), mas será assim tão simples e linear? Para conseguir entender um pouco mais sobre este desporto que me transmite uma sensação de solidão ou de introspecção ouvi atentamente Vítor Fernandes sobre uma jornada de pesca.
Na sua opinião o “ir à pesca” começa pelo estudo das luas e marés, condições atmosféricas, temperatura das águas afim de determinar qual o melhor dia e hora, pela escolha do “quintal” onde pescar, a preparação de todo o equipamento de pesca, nomeadamente as canas com todos os seus utensílios e o isco a usar, tudo de acordo com o peixe que se pretende apanhar.
Vítor Fernandes diz que não é tarefa fácil passar uma noite junto ao mar nesta demanda que tantas vezes faz e que lhe dá um especial gosto quando a faina é farta, ainda assim, quando o peixe é escasso e o seu retorno a casa é feito apenas com alguns peixes no balde não desiste de voltar outra noite quando as condições necessárias se reunirem, o gosto pelo mar é algo que não o deixa desistir.
Entre douradas, robalos, linguados, corvinas ou raias, Vítor já pescou um pouco de tudo. O sabor único que encontra naquele pescado quando em família o degustam é algo que o impele a voltar para junto do mar em novas demandas.
Vítor salienta que para além de todo o trabalho de rectaguarda feito, é necessário ter capacidade de resistência tendo em conta que uma noite é passada acordado junto ao mar andando de um lado para ao outro quer na procura de acompanhar o seguimento da maré, quer nos cuidados com as canas quando mais que uma é colocada nas areias, assim como paciência para a espera da mordida do peixe no isco colocado no anzol algo que pode demorar algum tempo a acontecer.
A qualidade quer do isco quer das canas pode influenciar todo este acto de capturar peixe, pelo que Vítor procura sempre um bom isco assim como canas que reúnam características como “…um misto de potência, leveza e também alguma sensibilidade (o que as distingue de outras topo de gama) embora tenham sensibilidade são canas muito potentes, o que permite que sejam canas extremamente polivalentes…”.
A pesca noctura, para Vítor, deve-se ao facto de ser mais fácil capturar exemplares de maior porte, haver uma maior possibilidade de escolha do local onde coloca as suas canas, durante o dia torna-se difícil devido aos surfistas, ao número de pessoas que estão na praia a usufruir da mesma, uma vez que é durante os meses de verão que efectua a sua actividade piscatória.
O acto de pescar pode ser visto como comercial, neste caso específico de pesca à cana/linha o pescado poderá ser para um comércio pessoal e local entre amigos, nunca será de grande amplitude; Competitivo onde os intervenientes competem entre si pelo melhor pescado que será avaliado por um júri; ou meramente de lazer devido aos momentos de relaxe, de introspeccção que o acto de pescar pode proporcionar estando junto ao mar.
Pesca, uma das actividades ancestrais iniciadas para a subsistência do ser humano é hoje, para pescadores como Vítor Fernandes um acto de puro lazer, um contacto com o mar, momentos de contemplação a um mundo que merece todo o nosso respeito.
Se ao iniciar este artigo mencionei que esta actividade “me transmite uma sensação de solidão ou de introspecção”, afirmo agora que contemplação, admiração e gratidão são as palavras chave retidas na conversa com Vítor Fernandes.
Fica a sugestão de uma noite dessas embarcar numa aventura de pesca à cana.