Orquestra Sinfônica do Paraná une composições russa, tcheca e brasileira no Guairão

Apresentação com maestro convidado Claudio Cruz e violoncelista renomada Marina Martins acontece neste domingo (06)

Orquestra Sinfônica do Paraná
Orquestra Sinfônica do Paraná

A Orquestra Sinfônica do Paraná se apresenta no palco do auditório Bento Munhoz da Rocha Neto (Guairão) no próximo domingo 6 de agosto, às 10h30, com a participação do maestro convidado Claudio Cruz e a renomada violoncelista Marina Martins. O programa une os compositores russo Dimitri Shostakovitch e tcheco Antonin Dvorák ao brasileiro Arthur Barbosa.

“O maestro Claudio Cruz é um grande amigo, um grande músico e violonista. É um dos melhores regentes que temos no país. A Marina Martins é uma jovem brasileira que está fazendo uma carreira brilhante na Europa”, destaca o regente titular da Sinfônica, o maestro Roberto Tibiriçá.

O programa inicia com a peça “Fantasia Velhos Carnavais”, do grande compositor brasileiro e pesquisador musical Arthur Barbosa. Depois, Marina vai tocar o concerto de Shostakovich: Concerto para violoncelo nº 2, e a manhã encerra com a linda Sinfonia nº 7, de Dvorák.

Os ingressos já estão à venda, com valores de R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada). Eles podem ser adquiridos na bilheteria do Teatro Guaíra e na plataforma DeuBalada.com, pelo link https://deubalada.com/evento/81/ORQUESTRA_SINFONICA_DO_PARAN.

Convidados

O maestro convidado para reger o concerto é Claudio Cruz, vencedor de dois Grammys Latino, em 2002 e 2004. Considerado um dos grandes compositores brasileiros, o regente e violinista é atualmente maestro e diretor musical da Orquestra Jovem do Estado de São Paulo. Ele também coleciona apresentações pela Europa e foi o primeiro violino do Quarteto Carlos Comes.

Junto a ele estará a jovem Marina Martins. A violoncelista fez sua estreia como solista aos 16 anos, na Inglaterra, e é considerada um dos principais entre os musicistas de sua geração. Nascida em 1999, ela coleciona apresentações ao lado de renomados maestros e orquestras.

Compositores

A Orquestra Sinfônica vai prestigiar o compositor brasileiro renomado Arthur Barbosa, estudioso dos ritmos latino-americanos. A composição “Fantasia Velhos Carnavais” faz referência à época dos grandes carnavais brasileiros, quando orquestras tocavam marchinhas e marchas-rancho em salões de bailes, além de frevos e outros ritmos tradicionais.

“É sempre feliz ter uma orquestra sinfônica brasileira importante tocando obras minhas. A obra escolhida é bem representativa do trabalho que faço como compositor, que é o de resgate da música brasileira e latino-americana. Será um concerto memorável”, frisa Arthur Barbosa.

Os demais compositores deste concerto deixaram obras marcantes. O russo Shostakovitch se consagrou, em todo o mundo, como o maior sinfonista soviético em 1942, com sua Sétima Sinfonia “Leningrado”. A obra a ser apresentada é a última concertante de Shostakovitch, composta aos 60 anos, em setembro de 1966; uma das mais ricas e atrativas dele.

Dvorák, nascido no Império Austríaco, foi integrante da Escola dos organistas de Praga, onde ingressou em 1857 e aprendeu, ao mesmo tempo, piano e violino. Criador da sinfonia tcheca, reflete exatamente o conjunto de referências culturais de seu país, com apego às tradições históricas e lendárias eslavas. A obra a ser apresentada foi inspirada pela Terceira Sinfonia de Brahms e escrita em quatro meses e contém quatro movimentos.

Orquestra

Fundada em 1985, a Orquestra Sinfônica do Paraná é a primeira e maior orquestra pública mantida pelo Governo Estadual. Com sede no Centro Cultural Teatro Guaíra, tem uma intensa agenda, tanto na capital, como no interior, a preços acessíveis. Em 38 anos de história, a Orquestra já tocou com mais de 50 maestros e estima-se ter alcançado um milhão de pessoas.

Além do repertório clássico de orquestra, já tocou ao lado de grandes estrelas nacionais; e fez filmes-concertos, apresentações de filmes mudos com a trilha sonora tocada ao vivo pela orquestra. No arquivo musical, possui em torno de mil obras catalogadas de compositores paranaenses, brasileiros e internacionais.

O concerto é realizado por meio da Lei de Incentivo à Cultura, com o patrocínio da Sanepar, Compagás e Roto & Fermax, e realização da Associação Brasileira de Apoiadores Beneméritos do Teatro Guaíra, PalcoParaná, Centro Cultural Teatro Guaíra, Secretaria de Estado da Cultura, Governo do Estado do Paraná, Ministério da Cultura e Governo Federal: Brasil, união e reconstrução.

Serviço

Data: 6 de agosto (domingo), às 10h30

Local: Auditório Bento Munhoz da Rocha Neto – Guairão

Maestro: Claudio Cruz

Solista: Marina Martins (cello)

Tempo de duração: aproximadamente uma hora e trinta minutos

Programação:

Arthur Barbosa: Fantasia Velhos Carnavais;

Shostakovich: Concerto para violoncelo nº 2;

Dvorak: Sinfonia nº 7

Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada). Disponíveis na bilheteria do Teatro Guaíra ou pela internet no link https://deubalada.com/evento/81/ORQUESTRA_SINFONICA_DO_PARAN

Sobre a OSP – Fundada no ano de 1985, a Orquestra Sinfônica do Paraná é a primeira e maior orquestra pública mantida pelo Governo Estadual. Com sede no Centro Cultural Teatro Guaíra, tem uma intensa agenda, tanto na capital, como no interior, a preços acessíveis. Em 38 anos de história, a Orquestra já tocou com mais de 50 maestros e estima-se ter alcançado um milhão de pessoas. Além do repertório clássico de orquestra, já tocou ao lado de grandes estrelas nacionais, como Bibi Ferreira, e locais, como a Banda Blindagem. Desde 2012, traz também os filmes-concertos, apresentações de filmes mudos com a trilha sonora tocada ao vivo pela orquestra. No arquivo musical, possui em torno de mil obras catalogadas de compositores paranaenses, brasileiros e internacionais.

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Falhar… nunca  desistir…

Clayton Alexandre Zocarato: Conto ‘Falhar… nunca desistir…’

Foto do autor e colunista  do ROL Clayton Alexandre Zocarato
Clayton Alexandre Zocarato

Posso cair e falhar mil vezes, mas uma coisa é certa; não irei desistir, disse “Marta, toda confiante”…, Apoiando todas as meninas, de que forma?

Disse o homem machista, com a torcida repetindo, em alta voz, “reduzindo sua vontade, com o coro de que o lugar de mulher é na cozinha”…

– Bem…. o lugar da mulher é aonde ela quiser…

– Nossas meninas, estão aí, para apresentar o nosso Brasil, e o que ele tem de melhor…

Nosso dever é oferecer apoio, com nosso coração cheio de alegria, jorrando respeito e incentivo…

Nenhuma jogadora não é tão boa, sem nossa torcida, para apoiar e gritar por nossas meninas…

Clayton Alexandre Zocarato

(Texto adaptado pelo Professor Clayton Alexandre Zocarato, junto com a discente do Ensino Fundamental do Oitavo Ano B, Iasmin Santana Silva, como parte integrante de incentivo à leitura e escrita da poesia , feito ao longo do  ano letivo  de 2023,  na Escola Estadual de Tempo Integral e Regular Professor Bento De Siqueira, do município de Marapoama – SP).

CONTATOS COM O AUTOR

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Qual o significado de liberdade para você?

Em ‘Contos pra Libertar’, Rosa Scarlett explora os aprisionamentos emocionais, sociais, econômicos e políticos de diferentes personagens para defender a importância da luta pela emancipação

Capa do livro 'Contos para libertar', da escritora Rosa Scarlett
Capa do livro ‘Contos para libertar’, da escritora Rosa Scarlett

No livro Contos pra Libertar, de Rosa Scarlett, a liberdade tem muitos significados. Ela pode ser a busca por sucesso profissional, ou o ócio da aposentadoria. É a descoberta da própria identidade ao retornar às raízes, como também o distanciamento do núcleo familiar para fugir de um contexto de violência. Entre os 18 contos apresentados, a obra atravessa o mesmo tema a partir de diferentes perspectivas: social, econômica, emocional, política e religiosa.

Em “O Poder das Letras”, um menino trabalha em uma plantação e nunca frequentou a escola. Quando o garoto se senta pela primeira vez em uma sala de aula e lê seu nome no quadro, percebe: liberdade é estudar. Já “Política da Vida” conta a trajetória de um jovem rico e militante que se percebe prisioneiro ao descobrir a corrupção do pai. Construir novas relações em uma comunidade será seu ingresso na luta pela libertação.

Será que depois de morrer podia-se brincar? Ou no céu também teria que trabalhar? Ele não queria morrer, porém, com seus 10 anos, ainda não conhecia muita coisa além da plantação e dos trapos no chão, onde se sentava e brincava até dormir com pedaços de madeira. A brincadeira não durava muito tempo, o cansaço sempre vencia os planos de se divertir.  Ele queria brincar de ir à escola, no entanto, antes de sequer imaginar um caderno, Leleco já estava roncando no chão. (Contos pra libertar, pg. 11)

Mulher negra, moradora de periferia e apaixonada por histórias, a escritora é inspirada por experiências individuais e profissionais, pela literatura e pela leitura da vida. Ela percorre assuntos como racismo estrutural, machismo, relacionamentos abusivos, desigualdades socioeconômicas, mercado de trabalho, exploração de terras indígenas, entre outras discussões recorrentes no país.

A publicação utiliza textos curtos e simples, mas está repleta de narrativas profundas sobre conflitos humanos. Rosa Scarlett explicita: “A ideia do livro surgiu para que pudéssemos pensar em diferentes caminhos, ainda que nos digam ‘sempre foi assim’. Muitas coisas podem ser transformadas e redefinidas. A nossa humanidade nos permite caminhar e lutar para quebrar as amarras que nos aprisionam”.

FICHA TÉCNICA

Título: Contos pra Libertar
Autora: Rosa Scarlett
ISBN: 978-65-00-51531-2
Páginas: 91
Preço: R$ 35 (físico) | R$ 10 (e-book)
Onde comprar: Amazon

SOBRE A AUTORA

Formada em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rosa Scarlett também é escritora, poeta e roteirista.

Publica obras literárias há cinco anos e, durante esse período, lançou títulos como “Momentos de Poesia”, “Belo Despertar”, “Nas Tramas das Famílias” e “Contos pra Libertar”.

Como mulher negra, mãe, moradora de periferia e assistente social, inspira-se em experiências de sua vida pessoal, do seu trabalho e de suas leituras acerca da vida para escrever os textos.

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Catarse: poesia que transcende as aflições humanas

Com textos realistas e atemporais, escritor Mauro Felippe propõe a volta da literatura reflexiva em nova obra

Capa do livro 'Catarse', de autoria de Mauro Felippe
Capa do livro ‘Catarse’, de autoria de Mauro Felippe

Tal como um vulcão que, ao entrar em erupção, expele para fora o magma em seu interior, em Catarse, o poeta catarinense Mauro Felippe afugenta, por meio das palavras, angústias e dilemas da humanidade. Marcados por uma escrita intensa e por vezes frenética, os textos do autor têm a capacidade de libertar e expressar o âmago do ser.

Ao deixar de lado todo e qualquer imediatismo, o escritor transcende os dramas amorosos, comuns ao gênero de poesia, e compartilha com o leitor aflições sobre hipocrisia, abuso de poder e corrupção. Pautas atuais, a exemplo do descaso com povos originários e quilombolas, negligência ambiental e radicalismo religioso, também recebem o olhar atento do poeta.

CONVENIÊNCIA
Palavras
de desafetos são
sempre absorvidas como
críticas destrutivas.
Já as dos aliados, enquanto houver interesses,
mesmo sendo críticas
soam como elogios.
Assim caminham os hipócritas da cidadezinha.
(Catarse, pg. 14)

As palavras explosivas de Mauro Felippe se unem às detalhadas ilustrações de Rafael Nobre – elas transmitem a inquietude de um poeta que presa pelo texto existencial, filosófico e psicológico. Com mais de 10 anos de experiência, o capista foi premiado pelo Brasil Design Award, finalista de melhor capa no Jabuti e vitorioso no Getty Images Brasil.

Filósofos consagrados, como Friedrich Nietzsche e Arthur Schopenhauer, sustentam o pensamento crítico do catarinense norteado pelo caos e desordem não apenas do mundo, mas singularmente da existência humana. É por meio das palavras que o escritor sintetiza ideias, materializa sentimentos e torna real aquilo que é etéreo.

Com cinco coletâneas de poesias publicadas, o autor tem na escrita seu ponto de equilíbrio. Enquanto advogado, ele afirma que o Direito é aplicado e travado com palavras frias, já a literatura é inspiradora, com palavras quentes e reconfortantes. “Acredito que escrever é lapidar a consciência através do papel; exteriorizar o que pensa naquele instante, sem medo de errar”, afirma o poeta.

FICHA TÉCNICA
Título:
 Catarse
Autor:
 Mauro Felippe
Editora:
 Lura Editorial
ISBN:
 978-6580430918
Dimensões:
 14.5 x 1.7 x 23.5 cm
Páginas:
 192
Preço:
 R$ 38,52
Onde comprar:
 Amazon

SOBRE O AUTOR

Natural de Urussanga, no sul de Santa Catarina, Mauro Felippe é advogado e chegou a cursar Engenharia de Alimentos antes de se decidir pela carreira no Direito.

Autor das coletâneas poéticas NoveHumanosEspectros e Ócio, preencheu inúmeros cadernos na infância e adolescência com textos e versos, dos simples aos elaborados.

As temáticas de suas obras são extraídas de questões existenciais, filosóficas e psicológicas compreendidas em seu dia a dia, sendo que algumas advém dos longos anos de advocacia, atendendo a muitas espécies de conflitos e traumas.

Por meio da literatura, pretende viver dignamente e deixar uma marca positiva no mundo, uma prova inequívoca de sua existência como autor.

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Nas Entrevistas ROLianas, um bate-bola com Mestre Léo!

Mestre Léo (Daniel Leonardo) é Mestre de Bateria da ARUC

(Associação Recreativa Unidos do Cruzeiro)

Logo da seção Entrevistas ROLianas

Vamos de Samba?

Quando falamos em cultura, qual é a primeira imagem que invade a nossa mente?

Provavelmente aquela de Senhores distintos, sentados em teatros, rodeados de charme e glamour! Quem sabe um museu com obras de arte centenárias (e caras), com pessoas passando vagarosamente, analisando cada traço do artista?

Talvez uma exposição contemporânea, um espetáculo de dança, um show internacional ou, quem sabe, expressões folclóricas, artesanatos e repentes? Sim, todas elas são válidas e extremamente importantes dentro da formação das pessoas como cidadãos. Tudo o que se disser, está correto.

Porém existem formas de cultura que, se existem, se formaram através de uma capacidade que só nós (seres humanos) temos: somos criativos. Vem da inquietude que nos move, sempre arriscando passos à frente. Através da observação da capacidade de improvisação e adaptação, inerente aos seres humanos em geral, surgem, também, formas de arte.

São estruturadas e coordenadas por uma engrenagem acionada pelo amor, pela dor, pela paixão, pela necessidade de extrapolar os limites da nossa consciência e por forças que só entende quem faz parte do processo.

Estamos falando de uma escola de samba, uma entidade que abraça e é abraçada por uma comunidade que toma para ela a responsabilidade de levar adiante, passando por gerações de famílias imbuídas de necessidades invisíveis e importantes, criando raízes profundas.

E, para nos trazer um pouco de luz ao que estamos falando, vamos direto ao ponto que faz tudo pulsar, dá ritmo e a sensação de poder voar na avenida. Vamos conversar com Daniel Leonardo, Mestre de bateria da ARUC (Associação Recreativa Unidos do Cruzeiro).

Com vocês, Mestre Léo:

À esquerda, Mestre Léo e, à direita, Eliéser Lucena

Eliéser Lucena: Aos que acompanham pela TV, em épocas de carnaval, aos que não acompanham e podem até não curtir a festa ou simplesmente não sabem, afinal, o que é uma Escola de Samba?

Mestre Léo: Uma escola de samba é uma engrenagem que funciona o ano inteiro, sem parar, sem folga e sem descanso. Sempre existe algo a ser feito, o tempo, as pessoas e a formas de se fazer as coisas e tudo aquilo que é necessário para que as coisas funcionem no dia do desfile, que vai da Presidência da entidade até os responsáveis pela limpeza dos locais. Porém uma escola de samba é muito mais que isso.

Trata-se de uma entidade viva, que pulsa… vibra em muitas áreas da vida das pessoas. Não apenas de forma cultural. Aqui na ARUC nós temos a questão do esporte bastante presente, a geração de empregos diretos e indiretos, permanentes e temporários.

Existem aulas de várias modalidades, não apenas de música, shows de vários segmentos, não apenas samba, oficinas, enfim, uma série de coisas que não estão na avenida mas levamos nos nossos corações, na nossa alma e o que realmente defendemos na avenida. Um exemplo interessante que podemos citar é o Sambódromo, no Rio de Janeiro. Na maior parte do ano ele é uma escola formal.

ARUC 2023 – Samba Oficial

E.L. – Todo mundo vê o desfile e fica maravilhado com a forma como as pessoas defendem a sua escola e a garra dos integrantes em um desfile. Mas lá dentro, na hora que está valendo, qual a sensação de pisar na avenida?

M.L. – Bom, eu poderia dizer que só consegue sentir o que é, quem está lá dentro. Parece tão pouco e tão rápido. Aqui no DF só temos 50 minutos de desfile. Mas se eu pudesse descrever a hora em que a sirene toca, dizendo que está valendo, quando a bateria começa a tocar e as pessoas começam a vibrar nas arquibancadas, talvez se assemelhe ao que se sente ao voar.

Sensação de liberdade, de que somos grandes, somos artistas dentro de um contexto lotado de suor, lágrimas, arte e luz. Não é o nosso trabalho que está ali. É o trabalho de todos, de toda uma comunidade que está presente, é o que representamos e não há vaidade, há o sentimento do pertencimento, que apesar de sermos muitos e a maioria vai passar até de forma anônima, somos um único corpo que vibra em função de algo.

ARUC / Desfile Oficial / 2023

E.L. – Em 2023 o desfile das escolas de samba foi realizado em junho, depois de alguns anos sem ser realizado, por vários motivos que vão da política até a pandemia e com alguns requintes de crueldade, digamos assim. Bem fora de época, bastante frio, 3h da madrugada, e concorrendo com os festejos juninos. Mesmo assim, valeu?

M.L. – Bom, nós sabemos que não era o cenário ideal, que talvez não tivéssemos o público que teríamos em fevereiro, tinha essas questões como frio, festas juninas e todo um contexto que indicava não ser o melhor momento.

Acontece que estamos falando de paixão, de sentimentos acima de todos os outros valores, inclusive os financeiros. Apoiamos a nossa paixão pelo que fazemos nos outros requisitos para que um desfile seja realizado.

E mesmo com pouco público, ainda tivemos público. Mas é claro que valeu. Fomos nós na avenida e voltamos a fazer aquilo que nos faz voar, nos tira do considerado normal e engrandece a nossa alma. Mas é claro que valeu!

E.L – Todo mundo um dia tem um começo, um gatilho, de alguma forma o nosso caminho nos encontrou, não o contrário. Qual a origem do que hoje é o Mestre Léo? Como isso começou?

M.L. – Bem, sou de uma família de músicos, percussionistas e já venho de uma herança do samba, digamos assim. Não consigo dizer qual foi o momento, o dia, horário e tudo mais em que isso entrou na veia e começou a se tornar parte do que sou. Mas por volta de 6 ou 7 anos eu já estava por aí, ouvindo e interiorizando a música.

Sou criado no Cruzeiro, no DF, notoriamente um reduto de cariocas na Capital Federal. Não teria como ser diferente, foi fundada uma escola de samba e se transformou em algo parecido com o que são os bairros cariocas. Então, quando nascemos com alma de artistas, em um local que respira samba, é natural que cada um vá simplesmente ocupando seu espaço, simplesmente tomando posse daquilo que tem mais afinidade. No meu caso, a música.

Aí depois de passagens por bandas de samba, outras escolas de samba como ritmista e Mestre de bateria, além da própria ARUC, fui convidado a ser o Mestre de bateria aqui, na ARUC e lá se vão quatro anos.

E.L. – Andando pelo mundo do samba, visitando outras escolas e entidades, percebi que há diferenças entre as baterias. Não estou me referindo a qualidade e sim a características próprias, batidas, bossas e formas de tocar samba. O que diferencia a bateria do Mestre Léo? A bateria Carcará!

M.L. – Bem, eu diria que nós, aqui na ARUC, estamos em ritmo de evolução próximo das baterias das escolas do Rio de Janeiro, guardadas as devidas proporções, claro. A principal delas é o número de integrantes. Nós temos 100, eles 300.

Porém, assim que assumi aqui e dei continuidade ao trabalho, padronizamos e criamos uma batida própria da ARUC. Se escutarmos as baterias do Rio, vamos notar que existem diferenças entre elas.

A escola adquiriu e reformou instrumentos e apostamos nas oficinas que ocorrem em dias específicos da semana, durante o ano inteiro, de todos os instrumentos que compõem a bateria. Com calma, explicando as dinâmicas de cada um, as técnicas, as funções de cada um e o que esperamos de cada ritmista. Um trabalho árduo e contínuo que dá resultado, traduzindo em uma palavra: nós estudamos muito cada movimento.

E.L. – E se alguém quiser ser ritmista na ARUC?

M.L. – Nos procure aqui durante a semana, procure a mim nas terças e quintas, na quadra da escola que vamos conversar, avaliar cada pessoa, cada situação e daremos o melhor encaminhamento.

E.L. – Bom, estamos falando da bateria e, claro, o foco não poderia ser outro, mas uma coisa vai além. O que move as pessoas que estão nos barracões?

M.L. – O mesmo que move todo mundo aqui. Cada um tem um talento, uma especialidade. Sendo assim todas as pessoas envolvidas fazem aquilo que conseguem fazer de melhor. Seja tocar um instrumento, esculpir alegorias, costurar, cozinhar, ajudar na limpeza dos locais, a parte elétrica dos carros alegóricos, a mecânica deles, soldar coisas, enfim, aquilo que cada um pode contribuir dentro daquele contexto de sentir que é parte de algo maior e identificar a sua obra durante os 50 minutos de um desfile.

E.L. – Andando por aí, observando, percebi que um desfile é como uma ópera, só que ela passa na sua frente, contando uma história e quem contar da melhor forma será o vencedor. Há uma competição entre as entidades do carnaval, normal. Mas também há uma torcida pelo adversário. Como é?

M.L. – O que fazemos é tão complicado por ter que ser coordenado com muitas pessoas e situações, passamos por muitas coisas que as pessoas sequer imaginam durante um ano de trabalho e temos só aqueles 50 minutos.

Então, sabendo como são os processos, não tem como não torcer para os outros que passam pelas mesmas coisas que nós. É claro que queremos ganhar todos os anos. Mas só um vai ganhar. Aquele que contar a sua história da melhor forma.

Aí o imprevisível entra em campo. Uma fantasia que descola, um carro que quebra, um detalhe que nos tira ponto. Também é um tempero em tudo isso. Mas algo que me motiva é sempre evoluir. Sendo assim, quanto mais uma outra agremiação evolui, melhor.

Mas eu tenho que batalhar, no sentido de superar aquilo. Arranjar uma forma de melhorar o meu trabalho. Então quanto mais os irmãos (eu não diria concorrentes) evoluem, mais eu tenho a oportunidade de evoluir.

E.L. – Sendo assim, o que faz o coração do Mestre Léo pulsar como uma bateria? A razão de todo o esforço de um ano, para 50 minutos de emoção?

É que existe uma parte que quer competir e ganhar, isso é humano. Mas ver aquilo que não existia e transformamos em som e, o mesmo som que estamos levando às pessoas é capaz de emocionar, aí está a minha recompensa, acima de qualquer outra coisa.

Pensar que fomos capazes de envolver as pessoas com a nossa história e o nosso som, é um sentimento sem explicação. Aí encantar os jurados será algo mais natural.


E.L. – Se hoje eu quiser começar uma bateria, qual o primeiro passo?

M.L. – Eu diria que o único segredo que existe nem é segredo. A chave de tudo é estudar. Estudar música, estudar cada instrumento da bateria, cada timbre, como usar e quais as possibilidades que eles nos oferecem.

É pesquisar os melhores instrumentos, as melhores formas de tocar cada um, as melhores performances. Aí sim começar a buscar pessoas que se interessem e que consigam entregar essa performance, separar por nível e treinar as pessoas, buscando um som homogêneo. Ou seja, a palavra-chave é estudar muito.

E.L. – Bem, para que possamos encerrar, uma coisa que me vem à mente é o que representa uma escola de samba para a comunidade onde está inserida. Então, o que representa a ARUC, para o bairro onde está, o Cruzeiro?

M.L. – Eu diria que é impossível dissociar uma coisa da outra. A escola nasceu de uma necessidade dos moradores, pela cultura deles quando aqui chegaram e não havia nada. Era o ponto de encontro, de diversão, de cultura, de esporte, onde as pessoas iam como opção de tudo isso. J

Já nasceu parte de algo onde as famílias se tornaram parte integrante e as novas gerações vieram e deram sequência ao trabalho dos avós, dos pais, dos tios e assim seguimos. Eu diria que não há Cruzeiro sem ARUC e não há ARUC sem Cruzeiro.

E.L. – Quero agradecer a presteza e gentileza que o Mestre Léo me recebeu na quadra da Escola de samba ARUC e o carinho em cada resposta, demonstrando o amor com que se dedica a uma arte, uma paixão que está na alma.

M.L. – Agradeço pela oportunidade de mostrar um pouco do nosso trabalho e que as pessoas possam conhecer e entender que uma escola de samba não é apenas carnaval. Ela faz parte da vida das pessoas e, em vários casos, ela pode fazer a diferença nas comunidades onde está inserida.

Eliéser Lucena

CONTATOS COM O COLUNISTA
CONTATOS COM MESTRE LÉO E A ARUC

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Quando nada me vê

Resenha do livro “Quando nada me vê”, de Thais Carolina da Silva, pela Editora Hope

Capa do livro "Quando nada me vê", de Thais Carolina Silva, pela Editora Hope

RESENHA

Este livro conta a história de Júlia, uma bailarina e artista plástica negra, competente, linda e amada por todos.

Julia mudou-se recentemente, após a morte do pai , para um apartamento num prédio cheio de senhoras simpáticas.

Trabalha em dois lugares, e ainda tem sua religião de matriz africana, o Candomblé, ao que se dedica tempo e felicidade por saber que sua vida é um milagre dos Orixás.

Tudo na vida de Julia caminhava em total tranquilidade até que ela, por descuido, ao pintar o muro em frente ao prédio onde mora, deixa cair a lata de tinta em cima de um homem que passava.

Sua vida daí em diante nunca mais será a mesma…

‘Quando nada me vê’ é um livro que aborda muitos assuntos importantes como o preconceito racial, religioso e de gênero.

Com muita sagacidade, Thais nos fala da dor que cada um destes preconceitos causam nas pessoas, o quanto isso ainda está enraizado em nossa sociedade.

Como as pessoas negras são julgadas pela sua cor, não levando em conta sua competência.

Nos fala também da dor do preconceito de gênero, do processo de libertação do medo e da felicidade em assumir sua posição neste contexto de ser o que você quiser, e ser feliz assim.

E também aborda a intolerância e o preconceito relativo às religiões de matriz africana.

Não é macumba!

Nunca foi!

Macumba é um instrumento musical.

Candomblé e Umbanda são religiões de matriz africana, que cultuam os Orixás e seus guias.

Um terreiro é onde se pratica caridade, amor e solidariedade.

E onde há paz!

Um livro de muita clareza e empoderamento.

Lindo, absurdamente emocionante.

Eu, particularmente, posso dizer que nunca chorei tanto lendo um livro.

Recomendadíssimo.

Assista à resenha do canal @oqueli no Youtube

SOBRE A OBRA

Por ser muito musical, a ideia desta obra surgiu com Thais escutando Alejandro Sanz, “Cuando nadie me vê”.
Ela decidiu falar um pouco sobre coisas que a incomodam e sobre o sagrado africano.
O intuito deste livro foi passar um pouco da vivência da autora, do que é cultuar uma religião de matriz africana, além de abordar o preconceito em várias outras formas.
“Quando nada me vê” passa mensagens poderosas e de muita importância para todas as pessoas.

SINOPSE DO LIVRO

Viver em sociedade é muito mais do que ser visto e julgado; é uma experiência de constante condenação.

As pessoas se vestem com máscaras para disfarçar quem realmente são, escondendo-se atrás de portas abertas para evitar o sentenciamento implacável dos outros.

Alberto, um homem comum, tem sua vida virada de cabeça para baixo quando é atingido por um banho de tinta.

É nesse momento inesperado que ele encontra Júlia, uma professora de balé negra, de sorriso cativante e mãos habilidosas com a pintura.

Enquanto ele a julgava inicialmente como irresponsável, Júlia abre as portas do seu apartamento e revela a verdadeira essência de sua alma.

Lá, Alberto se depara com um espelho, com a frase inspiradora escrita: “A pessoa que estás vendo, vai te levar aonde quiseres!”.

Essas palavras provocam uma profunda reflexão em Alberto, abrindo sua mente para uma nova perspectiva sobre como a sociedade enxerga as pessoas.

Júlia, por sua vez, não apenas abre a porta do seu apartamento para ajudar Alberto, mas também abre sua vida e compartilha seu mundo com ele.

Ela revela a ele a beleza e a liberdade que existem nos bastidores, longe dos olhares críticos.

Júlia dança como se ninguém estivesse assistindo, expressando sua verdadeira essência, e quando pincéis tocam sua pele, ela se torna tão transparente quanto as águas de Oxum, revelando sua autenticidade.

Com o rio Guaíba como testemunha silenciosa e a sociedade como juíza implacável, a vida de Júlia e Alberto nunca mais será a mesma.

Eles desafiarão as convenções, romperão as barreiras do preconceito e descobrirão a força transformadora da verdadeira conexão humana.

Em meio a um mundo onde todos estão mascarados e julgados, Júlia e Alberto encontrarão coragem para se libertar e revelar sua verdadeira essência, desafiando os limites impostos pela sociedade.

Esta é uma história de amor, autenticidade e redescoberta que irá cativar e inspirar os leitores, mostrando que a verdadeira felicidade reside na quebra dos padrões e na busca pela nossa própria voz.

SOBRE A AUTORA

Foto da autora Thaís Carolina Silva, autora de "Quando nada me vê", pela Editora Hope

Thais Carolina Silva, tem 39 anos, nascida em Campinas mas se considera Indaiatubana de coração.

Divorciada, mãe de três meninas.

Formada em Rádio e Televisão e pós-graduada em marketing, tudo pela Seusp de Salto, onde mora.

Trabalha como radialista na FM 90, rádio cidade de Itu, Grupo Periscópio de Comunicação e no Jornal Periscópio.

Escreve desde os 10 anos de idade.

As primeiras cenas que escreveu foram de Imprecisos estilhaços, mas não tinha este nome na época.

Tem Tdha e Dislexia, porém isso não a impediu de ascender na carreira de radialista e de escritora, sua profissão e ofício que desenvolve com maestria.

Como mãe, profissional e escritora se sente feliz, privilegiada e um pouco sobrecarregada.

Uma pessoa que ama ler, estudar e se aprimorar em tudo que lhe causa curiosidade e inconformismo.

Seu maior orgulho é ser do interior, onde se sente em paz e pode transformar toda sua paz em escrita e boas mensagens.

OBRAS DA AUTORA

Capa do livro "Quando nada me vê" de Thais Carolina Silva pela Editora Hope

Capa do livro "Imprecisos estilhaços" de Thaís Carolina Silva, pela Editora Hope

ONDE ENCONTRAR O LIVRO




Agosto

Denise Canova: Poema ‘Agosto’

Foto da autora do poema, a colunista do ROL Denise Canova
Denise Canova

Agosto

Sabor de amor

Amor em agosto

Agosto

A de Amor

Dama da Poesia

Contato com a autora

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