‘LEIA LIVRO NACIONAL’, um projeto criado por amor à leitura de autores brasileiros
Empatia, união e amor à literatura, uma ação mais que social.
Uma linda iniciativa para ajudar os escritores nacionais foi idealizada pela escritora Febacliana Elisa Nunes e o escritor Josephan Manhães, responsáveis pelo grupo no Instagram ‘Leia Livro Nacional‘.
Este grupo é composto com mais de 40 escritores e pessoas que estão juntas, uma apoiando a outra, neste percurso tão maravilhoso, mas também tão difícil que é a publicação e divulgação dos livros de autores nacionais.
Para isso, é necessário muito investimento de tempo, vontade, amor à literatura e, principalmente, manter a união e empatia entre todos os membros do grupo Leia Livros Nacional.
O grupo cria projetos sempre focados neste nicho de divulgação de autores brasileiros, com apoio 100% em todas as fases do livro, diagramação, revisão, ilustração, capa, publicação e divulgação.
Neste momento, há uma arrecadação de fundos para apoiar projetos sociais e culturais, levando literatura a lugares de difícil acesso e financiando publicações de autores sem condições financeiras.
Para esse projeto, o grupo criou uma ‘vaquinha’ para juntar o valor necessário para apoiar autores que não têm condições de publicar.
O Jornal Cultural Rol, apoia a causa e divulga esse projeto maravilhoso.
Ajude o Projeto Leia Livro Nacional, clicando aqui.
Confinamento, abandono e morte no Colônia, maior hospício que o Brasil já teve
Bruna Rosalem: Artigo ‘Confinamento, abandono e morte no Colônia, maior hospício que o Brasil já teve’
Bruna Rosalem
COLUNA PSICANÁLISE E COTIDIANO
Falar que fulano é louco, sicrana é doida, talvez nos remeta a ideia de pessoas que expressam comportamentos no mínimo estranhos, descompensados, extravagantes, algo que destoa de uma certa “normalidade” dos diálogos e das atitudes perante a sociedade.
De certo modo, a temática da loucura nos é cara, pois nem sempre a pessoa tem de fato alguma patologia mental, desordem psíquica que a faz transitar entre a comunidade, causando estranhamentos e desconfortos. Ela pode ser simplesmente “diferente”.
Ousar, muitas vezes, pode ser loucura para uns, falar mais alto, cantarolar, dançar engraçado, tatuar-se, pintar os cabelos coloridos, usar roupas que não “ornam”, escolher um estilo de vida “fora dos padrões”, enfim, há inúmeras possibilidades de, a qualquer momento, sermos considerados loucos ou loucas por apenas seguir sonhos e realizar desejos.
No Brasil, nas décadas de 60 e 70 não foi diferente. Muitas vezes vagar pelas ruas, não possuir documentos, ser alcoólatra, se prostituir, gente que fazia enfrentamentos, principalmente quando o assunto era oposição política, mulheres traídas pelos seus maridos que as deixavam confinadas em casa, homossexuais, epiléticos, gente tímida ou triste demais, jovens grávidas, crianças invisíveis à família. Ou seja, pessoas consideradas incomodas e imprestáveis eram fortes candidatas à internação compulsória no Hospital Colônia, situado na cidade mineira de Barbacena.
Dados retirados do livro-reportagem de Daniela Arbex, “Holocausto Brasileiro” nos revela absurdas 60 mil mortes em um dos capítulos mais tristes e desumanos da nossa história. Mais de 70% dos internados não tinham de fato uma doença mental, e mesmo que tivessem alguma perturbação, não seria este o melhor caminho para tratar e cuidar.
Quando os considerados loucos chegavam ao Colônia, perdia-se a frágil identidade que ainda poderiam possuir. Tornavam-se o mais do mesmo, apenas números. Seus cabelos eram raspados, depois seus corpos despidos e seus nomes apagados.
Os então pacientes para o resto da vida, confinados entre os muros do hospício, perambulavam por aqueles espaços escuros, úmidos, fétidos, insalubres. Comiam ratos, bebiam a própria urina ou água de esgoto, dormiam ao relento no chão ou em amontoados de capim. Como se não bastasse tamanha negligência, eles ainda sofriam constantes torturas, violência e espancamentos. Relatos apontam que os eletrochoques eram tão fortes que ocasionava sobrecarga, fazendo com que a rede de iluminação do município caísse.
Ainda não acabou. Cerca de 30 bebês foram roubados de suas mães, pacientes do hospício. As mulheres passavam fezes em suas barrigas para que as enfermeiras não as tocassem, dessa forma, acreditavam que seus filhos fossem salvos. Ledo engano, ao nasceram eram arrancados de seus braços e doados a diversas famílias. Jamais veriam seus rostos.
Havia muitas maneiras de sucumbir naquele lugar pavoroso. Fome, frio, doenças infectocontagiosas ou ainda, por não resistirem aos choques e as torturas. O hospital Colônia de Barbacena em sua maior lotação, confirmava 16 mortes por dia. Os cadáveres eram muito lucrativos para os seus administradores, pois eram vendidos para 17 faculdades de medicina do país.
Se a “safra” de corpos estava em quantidade demasiada e o mercado não suportava comprar, outra ideia surgia: decompor os corpos em ácido, no pátio, aos olhos de todos, para que as ossadas fossem comercializadas. Neste sistema valioso, tudo era aproveitado. Ninguém questionava. Afinal, quem eram aqueles seres senão peças, pedaços ou instrumentos que poderiam ter alguma serventia mortos? Já que em vida eram menos que nada.
Algumas vezes, os corpos enterrados subiam repentinamente à superfície provocando indignação à população proporcional ao tempo que ficavam expostos, ou seja, tão breve que logo pedras empurravam-nos de volta ao solo e ao completo esquecimento. Nada acontecia. Nunca estiveram ali. Além de morrer pelas inúmeras moléstias e violência diária, morriam por invisibilidade.
Matérias foram feitas sobre o Colônia. No ano de 1961, por exemplo, o fotógrafo Luiz Alfredo e o repórter José Franco contaram a rotina do hospital na revista O Cruzeiro. Diziam que lá era a verdadeira “sucursal do inferno”.
Em 1979 dois trabalhos se destacaram na mídia brasileira, a fotógrafa Jane Faria e o repórter Hiram Firmino publicaram no jornal Estado de Minas a reportagem “Os porões da loucura” e “Em nome da razão”, documentário de Helvécio Ratton, tornou-se símbolo da luta antimanicomial. A fala de um dos psiquiatras que trabalhava no hospital relatada no livro de D. Arbex, é emblemática: “O que acontece no Colônia é a desumanidade, a crueldade planejada.
No hospício, tira-se o caráter humano de uma pessoa, e ela deixa de ser gente. É permitido andar nu e comer bosta, mas é proibido o protesto qualquer que seja a sua forma”. O médico foi demitido pouco tempo depois.
Atualmente restam alguns poucos sobreviventes que tentam tocar a vida como podem. Cheios de traumas, vazios, tristezas, manias e rituais que adquiriram durante o longo período de internação. Muitos deles vivem em residências terapêuticas e são assistidos por equipes multidisciplinares. O Hospital Colônia de Barbacena encerrou suas atividades, ou poderíamos dizer, suas aberrações no final dos anos 80.
A loucura é tema amplo de debate e discussões até hoje. Embora não tenhamos mais hospitais aos moldes do Colônia, reavivar a temática acerca do tratamento psiquiátrico no Brasil se faz urgente e necessária. O livro-reportagem “Holocausto Brasileiro” traz à tona um episódio amargo e de difícil digestão testemunhado pela sociedade brasileira. Um verdadeiro genocídio com a conivência de médicos, funcionários e pessoas da época.
Milhares de mortos ficaram para a história e os sobreviventes daqueles anos de horror e caos, hoje podem contar, através de sua fala outrora emudecida, seus enredos como verdadeiros protagonistas de um novo roteiro.
O documentarista paulista Sérgio Roizenblit (O Milagre de Santa Luzia) apresentará sua primeira ficção AGRESTE no 27º Cine PE – Festival do Audiovisual, que acontece entre 4 e 9 de setembro. Esta será a première mundial do longa, que tem produção assinada pela Miração Filmes (SP), em coprodução com BR153 Filmes e SPCine. A distribuição nacional será da Pandora Filmes.
O roteiro, que participou do Lab Franco Brasileiro de Roteiros – Festival Varilux de Cinema Francês 2017, é uma adaptação da premiada peça homônima, do dramaturgo pernambucano radicado em São Paulo Newton Moreno, que assina o roteiro com Marcus Aurelius Pimenta. O filme se passa no interior do Nordeste e narra o conflito entre a intolerância religiosa e moral e uma história de amor e liberdade, protagonizada por um trabalhador rural, Etevaldo (Aury Porto), e Maria (Badu Morais), uma jovem prometida a um casamento arranjado.
Apaixonados, eles fogem juntos pelo sertão, e acabam se abrigando na casa de Valda (Luci Pereira), uma mulher extremamente religiosa, que vê Maria como uma filha. Porém, quando um crime passa a ser investigado na região, o romance entre Etevaldo e Maria é ameaçado.
O cineasta aponta que o tema central do filme é a intolerância. “A diferença confronta a intolerância quando as pessoas relutam em aceitar um amor incondicional. O contraste é construído desde a pureza e a inocência, a intimidade e a descoberta de novas formas de amor, à intolerância, ao preconceito violento e ao fanatismo. Esses temas formam a base do enredo e transformam o filme em uma fábula ambientada no ermo sertão nordestino, que, no entanto, remete também à modernidade, ao presente e a qualquer outro espaço”, explica.
O sertão surge, no filme, como uma força, praticamente, um mundo particular. “É um cenário visual, aparentemente, anacrônico que contrasta com a paisagem expandida: uma dádiva para a cinematografia do filme. Eu faço uso de um plano zenital, de uma distância muito acima da paisagem, como o ponto-de-vista de Deus dos personagens de um meio estéril e vazio. A paisagem é, portanto, um personagem do enredo, como já foi utilizada antes, tanto no Cinema Novo brasileiro como por diretores como Lars von Trier, em ‘Ondas do Destino’.”
Em AGRESTE, o cineasta explica que pretende honrar a humanidade das casas simples em uma paisagem inóspita. “Essa é a razão pela qual a cena de fuga nos lembra de filmes como ‘Vidas Secas’, de Nelson Pereira dos Santos, embora aqui o tema é diferente, pois revela a relação entre um ambiente árido, tanto natural quanto social, e uma história de amor invencível.”
O elenco principal e coadjuvante conta com atores de diversos estados do Brasil. A equipe de produção contou com profissionais de São Paulo (estado de origem da produção), Bahia e Pernambuco. As filmagens foram feitas em Curaçá e Juazeiro (BA), em 2019.
Nos teatros, a peça AGRESTE, que estreou em 2003, teve montagem dirigida por Marcio Aurelio Pires de Almeida, com público de mais de 300 mil pessoas, e ganhou os prêmios APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) e Shell de melhor texto.
A produção é assinada por Gustavo Maximiliano, Viviane Rodrigues e Sergio Roizenblit, e codirigida por Ricardo Mordoch. A música original é composta por Dante Ozzetti.
O filme foi realizado com recursos públicos incentivados, através da Lei do Audiovisual e do Fundo Setorial do Audiovisual, administrados pela ANCINE, e com investimento da Sabesp, através do PROAC-SP, e da SPCine, através do Edital de Complementação de Produção de Longas-Metragens (2019).
A exibição do filme no CinePE será dia 6 de setembro (véspera do feriado), no Teatro do Parque, na cidade do Recife.
SINOPSE AGRESTE é uma história de amor no Sertão brasileiro. Etevaldo é um trabalhador rural solitário e reservado, recém-chegado ao vilarejo. Encontra Maria, jovem de espírito livre, porém prometida em casamento a um senhor da vizinhança. Ambos se apaixonam e fogem. São acolhidos por Valda, uma senhora profundamente religiosa, que vê Maria como uma filha. Quando um suposto sequestro passa a ser investigado na região, Etevaldo teme que seu passado seja revelado.
FICHA TÉCNICA Direção: Sérgio Roizenblit Codireção: Ricardo Mordoch Roteiro: Newton Moreno, Marcus Aurelius Pimenta Elenco: Aury Porto, Badu Morais, Luci Pereira, Jaedson Bahia, Roberto Rezende, Mohana Uchôa, Terena França, Emilly Nogueira, Lidiane de Castro, Paulo Henrique Reis de Melo, Márcia Galvão, Hertz Félix Produção: Gustavo Maximiliano, Viviane Rodrigues, Sergio Roizenblit Produção Executiva: Gustavo Maximiliano, Upex, Viviane Rodrigues, Marina Puech Leão, Sergio Roizenblit Direção de Fotografia: Humberto Bassanello Direção de Arte: Laura Carvalho Figurino: Diana Moreira Maquiagem: Mari Figueiredo Música Original: Dante Ozzetti Trilha Sonora: Dante Ozzetti, Du Moreira Som Direto: Phelipe Joannes, Pedro Garcia Montagem: Olivia Brenga, Sergio Roizenblit Música Original: Dante Ozzetti Desenho de Som e Mixagem: Nicolau Domingues, A3pS Consultoria de Roteiro: Gualberto Ferrari Consultoria de Montagem: Gualberto Ferrari, Eduardo Serrano Empresa Investidora: Sabesp Apoio Institucional: Prefeitura Municipal de Curaçá (BA) Apoio Cultural: Agrovale, Vinícola VSB, Hoteis Lazar (Juazeiro e Petrolina), Fazenda Caraíba Gênero: drama País: Brasil Ano: 2023
Sobre Sérgio Roizenblit Sérgio Roizenblit é fotógrafo e documentarista. Iniciou sua carreira na TV Educativa do Piauí, onde escrevia, produzia, dirigia e editava programas educativos. Sua criação diversificada inclui trabalhos exibidos em espaços de arte, como “Rede de Tensão” (Bienal de São Paulo). Seu primeiro documentário de longa-metragem, “O Milagre de Santa Luzia” (2009) foi premiado no Festival de Brasília, resultando na série homônima com três temporadas, um panorama sobre a música popular brasileira. Ele também dirigiu o longa documental “Médicos Cubanos” e as séries documentais “Arquiteturas”, “BR3” e “Habitar”, entre outras. Como diretor de fotografia, fez “Segundo Tempo”. Hoje é sócio diretor da Miração Filmes. AGRESTE é sua estreia na direção de longa-metragem de ficção.
Sobre a Miração Filmes Com mais de 20 anos de atuação, a Miração Filmes (SP) é uma produtora audiovisual brasileira que exibe grande diversidade temática em filmes sobre o País, com produções sobre sustentabilidade, educação, terceiro setor, mobilidade e questões urbanas, questões raciais e de gênero, música, artes plásticas, moda, dança, teatro e religião, dentre outros.
Seu foco genuíno no Brasil e nas questões brasileiras está ancorado em uma sensibilidade extrema para as principais questões nacionais e de seu povo, o que é demonstrado em extensa lista de trabalhos de inflexão local, em todas as regiões brasileiras, com destaque para a Amazônia, o sertão nordestino e o Pantanal.
Possui um catálogo de mais de 300 filmes e 20 séries documentais realizados, incluindo produções exibidas em canais como GloboNews, Bandeirantes, TV Cultura, HBO, Futura, Canal Brasil, TV Brasil, Canal Curta, Cine Brasil TV e TV Sesc, entre outros, além de dez longas-metragens premiados em todos os grandes festivais de cinema do Brasil, incluindo Festival do Rio, Festival de Brasília e Festival de Tiradentes, entre outros. Destacam-se os longas “O Milagre de Santa Luzia”, “Solidão e Fé”, “Democracia em Preto e Branco”, “SLAM: Voz de Levante” e “Segundo Tempo”. Além das séries “Arquiteturas”, eleita melhor série documental da America Latina, “Transversal do Tempo”, “Móbilis”, “Habitar Habitat”, “Brasil 2050” que está na sua terceira temporada, entre outras.
A produtora realizou uma das séries mais longevas da TV Brasileira, “O Milagre de Santa Luzia”, com três Temporadas e 117 episódios, licenciada para diversos canais do País.
Com pontuação máxima na Ancine nas categorias TV e Cinema, a Miração Filmes conta com projetos em fase de desenvolvimento e captação de recursos, como os longa-metragem ficcional “Imortais”; os documentários “Nicolelis, Desafiando o Impossível”,”Batuque Diferente: 50 Anos das Quebradas do Mundaréu”; e as séries “Pedro Moraleida, a Canção do Sangue Fervente”, “Cooperação Amazônica com Rubens Ricupero”, “As Krianças do Cariri”, “Facas e Sangue na Cidade” e “Txai Macedo e as Diferentes Etnias”, entre outros.
Sobre a Pandora Filmes A Pandora é uma distribuidora de filmes independentes que há 30 anos busca ampliar os horizontes da distribuição de filmes no Brasil, revelando nomes outrora desconhecidos no país, como Krzysztof Kieślowski, Theo Angelopoulos e Wong Kar-Wai, e relançando clássicos memoráveis em cópias restauradas, de diretores como Federico Fellini, Ingmar Bergman e Billy Wilder. Sempre acompanhando as novas tendências do cinema mundial, os lançamentos recentes incluem “O Apartamento”, de Asghar Farhadi, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro; e os vencedores da Palma de Ouro de Cannes: “The Square: A Arte da Discórdia”, de Ruben Östlund e “Parasita”, de Bong Joon Ho.
Paralelamente aos filmes internacionais, a Pandora atua com o cinema brasileiro, lançando obras de diretores renomados e também de novos talentos, como Ruy Guerra, Edgard Navarro, Sérgio Bianchi, Beto Brant, Fernando Meirelles, Gustavo Galvão, Armando Praça, Helena Ignez, Tata Amaral, Anna Muylaert, Petra Costa, Pedro Serrano e Gabriela Amaral Almeida.
Barbie: um filme filosófico que vai além do feminismo
Letícia Mariana: Crítica ‘Barbie: um filme filosófico que vai além do feminismo’
Letícia Mariana
Na terça-feira, dia 25, fui assistir ao aclamado filme da boneca Barbie. Uma figura amada por muitas e questionada neste século, pôde, finalmente, mostrar o seu verdadeiro propósito.
A marca mais questionada pelo movimento feminista mostrou empoderamento feminino, sensibilidade e muita maturidade nas telas do cinema mundial. Arrecadando milhões em bilheteria, Barbie pôde emocionar homens, mulheres, idosos e crianças, trazendo reflexões filosóficas com um tom cômico e crítico.
Na Barbielândia, todas as mulheres de plástico podem ser tudo o que quiserem, assim como o slogan do brinquedo. As Barbies ganham o Nobel de Jornalismo e Literatura, a Barbie Presidente é justa e forte, mulheres têm diplomas, mestrados, doutorados, profissões e espaço num mundo que é delas.
Mas os Kens, bem, eles são somente os Kens. As sombras delas neste universo majoritariamente feminino. Algo que era normal e conveniente para quase todos os homens da Barbie World, menos para um deles – de forma aparentemente inconsciente
Quando a Barbie estereotipada começa a ter pensamentos depressivos e “pés retos”, seu destino é visitar o mundo real e resolver os problemas da suposta criança que a controla. Contra sua vontade, Ken segue neste caminho incerto em busca da restauração da boneca.
Tudo parece estranho. Os trabalhos são majoritariamente masculinos, empresas são feitas por homens e até o presidente é um homem! Barbie, ocupada demais pensando em seu encontro com a criança deprimida, não percebe que o mundo real não é feminino – muito menos feminista.
Contrapartida, Ken sente orgulho ao notar que é respeitado, valorizado e exaltado. Busca livros sobre patriarcado e resolve retornar ao mundo das Barbies para contar a novidade aos Kens, assim, transformando Barbielândia num espaço masculino e totalmente machista.
Não gostaria de estragar a surpresa e relatar a continuação, mas o Ken não é o vilão como muitos dizem ser nas críticas. O final surpreende e traz a mensagem de amor-próprio, união entre homens e mulheres e, claro, uma crítica sobre o nosso sentimento em relação ao machismo. Junto com isso, nós, mulheres, também passamos a compreender muitas das fragilidades masculinas, seus medos, pesos, ansiedades.
Parece um filme bobo no início, mas se transforma num sensacional mergulho da psiquê humana. Cada centavo do ingresso vale a pena – principalmente com pipoca.
Versos Revelados: A Alma Poética de Vagner Fernandes
Entrevista Exclusiva com Vagner Santos, poeta e fundador do Grupo Expressão Poética de Bauru
“Gostaria que houvesse mais podcasts e canais de vídeo voltados a poesia. Que tal pensarmos em fazer isso hein?”
Vagner Fernandes dos Santos é um escritor e poeta brasileiro, membro fundador do grupo Expressão Poética de Bauru. Ele tem trabalhos publicados em jornais e antologias, incluindo os livros “Haikai 575 volume 1” e “Momentos Uberísticos volumes 1 e 2”. Além disso, ele mantém a página de tirinhas @momentos_uberisticos e participou dos três volumes da série “Poemas para ler em tempos de quarentena”. Sua escrita cativa os leitores, transmitindo emoções e reflexões profundas. Vagner é uma voz importante na cena literária e continua a encantar os leitores com sua expressão artística única.
PROJETO AMIGOS UBERISTICOS
Descubra a poesia por trás das palavras! Junte-se a nós em uma entrevista exclusiva com Vagner Fernandes dos Santos, um talentoso escritor e poeta que está encantando o cenário literário brasileiro. Como membro fundador do grupo Expressão Poética de Bauru e autor de obras aclamadas, como “Haikai 575 volume 1” e “Momentos Uberísticos volumes 1 e 2”, Vagner nos leva a uma jornada única de sensibilidade, reflexão e autoconhecimento.
Ele compartilha seus insights sobre a importância da poesia na sociedade atual, seu processo criativo e os desafios e oportunidades para os escritores contemporâneos. Prepare-se para se inspirar e mergulhar na magia das palavras nesta entrevista imperdível com Vagner Fernandes dos Santos!
Como você descreveria a sua experiência como membro fundador do grupo Expressão Poética de Bauru? Quais foram os principais desafios e conquistas ao longo do tempo?
Sabe aquelas coisas que você inicia sem muita pretensão e quando vê já se passaram mais de 20 anos? Pois é, o ponta pé inicial foi a publicação de uma antologia, mas o pessoal que consegui juntar foi tão bom que proporcionaram esta vida longa a este projeto, fazendo palestras, apresentações e outras antologias poéticas.
Um dos desafios foi ter ficado longe das atividades do grupo por vários anos por motivo de mudança de Bauru. Mas conquistamos muitos leitores e também poetas que são gratos à atividade do grupo. A poeta Ana Maria Barbosa Machado, que faz parte do grupo desde o início e também há alguns anos se tornou membro da Academia Bauruense de Letras, participa ativamente na edição e divulgação de trabalhos individuais de poetas do grupo. E neste ano de 2023 recebemos da Câmara Municipal de Bauru uma Moção de Aplausos em reconhecimento ao trabalho do grupo em promover a literatura.
Quais são os temas ou tópicos que você aborda em seus trabalhos literários? Existe algum assunto em particular que seja recorrente em suas obras?
A vida e a morte me parecem que são os temas mais abrangentes e isso já parece envolver quase todos os assuntos possíveis. Mas não creio que haja um tema ou assunto que predomine minhas obras.
Poderia falar um pouco sobre seus livros “Haikai 575 volume 1” e “Momentos Uberísticos volumes 1 e 2”? Qual é a inspiração por trás dessas obras e o que os leitores podem esperar delas?
Morei no Japão por 19 anos, e na minha visão daquele outro mundo acho que pude compreender, à minha maneira, o porquê desta concisão do haikai e também enxergar a beleza deste tipo de poema. Os leitores podem esperar um formato mais rígido na composição dos Haikais no que diz respeito à sua forma e contagem das sílabas além de uma abordagem de vários temas junto a algumas gravuras que podem ajudar ou complicar a interpretação do texto.
Além dos livros, você também mantém a página de tirinhas @momentos_uberisticos. Como surgiu a ideia de criar essa página e qual é o estilo ou propósito das tirinhas que você compartilha lá?
Um dos meus trabalhos é motorista de aplicativo e como tal sempre me perguntaram sobre as situações que passo. Decidi contar isso por meio da nona arte pois amo os quadrinhos. As histórias são reais, apenas retrato os acontecimentos alguns engraçados, outros nem tanto.
Como foi a sua participação nos três volumes da série “Poemas para ler em tempos de quarentena”? Como a pandemia afetou a sua produção literária e como você acredita que a poesia pode ajudar as pessoas durante momentos difíceis como esse?
É um grande privilégio ter participado dos volumes desta série e só tenho a agradecer por este maravilhoso convite. Fico pensando em algo relevante que possa contribuir com o livro diante de tantos textos e autores maravilhosos e também tento soar um pouco diferente dos demais por incluir alguma gravura.
A Pandemia, foi um período terrível, mas alguns dizem que o poeta precisa da dor. Embora eu tente fugir deste jargão, ele parece ser verdadeiro em muitas ocasiões.
Em sua opinião, qual é a importância da literatura e da poesia na sociedade atual? Como você enxerga o papel do escritor em transmitir mensagens e reflexões por meio da escrita?
Tenho uma camiseta de um outro grupo poético em que está escrito A POESIA SALVA. Um dia, uma mulher me parou na rua e disse EU CONCORDO, perguntei COM O QUÊ? Ao que ela respondeu CONCORDO QUE A POESIA SALVA.
Assim, penso que o escritor deve externar o que enxerga e o que sente, este é o seu papel. Em algum momento alguém se identificará com isso e será um diferencial para esta pessoa.
Quais são as suas influências literárias e poéticas? Existem autores ou obras que tiveram um impacto significativo em sua forma de escrever?
TUDO VALE A PENA SE SUA ALMA NÃO É PEQUENA, já dizia Fernando Pessoa. Assim os grandes e pequenos me influenciam. Mas posso citar Leminsk e Arnaldo Antunes como grande fontes de inspiração.
Além de escrever, você também teve trabalhos publicados em jornais e antologias. Como é a experiência de ver o seu trabalho compartilhado em diferentes mídias? Como você se sente ao ter seus textos lidos por um público mais amplo?
Às vezes é estranho ver algo sair de sua gaveta e ganhar certa projeção. Mas é muito enriquecedor ver outros acharem em seu trabalho coisas que nem você tinha enxergado. Quando isso acontece parece que a poesia cumpriu o seu papel.
Como é o seu processo criativo ao escrever poesia? Existe alguma rotina ou método específico que você segue, ou você se deixa levar pela inspiração do momento?
Na maioria das vezes apenas deixo transbordar o que observo. Mas escrever haikais me ajudou a trabalhar ideias e palavras. Neste processo, sinto como se eu estivesse engarrafando as palavras o que me obriga a suar, por assim dizer, ao construir cada verso.
Quais são seus planos futuros como escritor? Há algum projeto em andamento ou algum tema que você gostaria de explorar em suas próximas obras?
Tenho vários livros iniciados. Um que já está pronto para ser publicado se chama VIVENDO VI, que é um livro de poesias em vários formatos alguns destes voltados á poesia visual e concretista. Quero publicar alguns de haikais temáticos também. Neste ano o Grupo Expressão Poética pretende lançar um livro de poesias para o público infantil. E também estou ansioso pelo lançamento do volume deste ano da antologia Poemas para le rem Tempos de Quarentena, pela qual mais uma vez lhe agradeço muito.
Por fim, como você vê o cenário da literatura e da poesia atualmente? Quais são os desafios e oportunidades para os escritores e poetas contemporâneo
Há muitos poetas hoje em dia e a poesia tem encontrado diversos canais que vão dos livros físicos às redes sociais. O desafio é encontrar leitores de poesias para que este esforço não resulte em um movimento em que apenas os próprios poetas se sirvam da poesia. Como consumidor de eu gostaria que houvesse mais podcasts e canais de vídeo voltados a poesia. Que tal pensarmos em fazer isso hein?