Dan Galeria abre exposição Seres, em homenagem a Ivald Granato

Com curadoria de Daniel Rangel, mostra abre em 19 de agosto inaugurando a entrada do artista na galeria e marcando seu retorno ao mercado de arte

Obra F-I-L-A, de Ivald Granato, 1999 Crédito: Ana Pigosso

Mais Imagens de divulgação da exposição no link: https://flic.kr/s/aHBqjAKAYu

Ivald Granato era, e ponto final. Um artista que nasceu para as artes; um pintor que nasceu para as cores e pincéis. Um ser à serviço do fazer artístico cuja liberdade e a experimentação foram marcas preponderantes de uma movimentada trajetória transdisciplinar”, afirma Daniel Rangel, curador da exposição Seres, que a Dan Galeria inaugura no dia 19 de agosto.

A mostra traz para o público peças do Acervo Ivald Granato, empresa criada por sua família para conservar e difundir seu legado de 50 anos de dedicação rigorosa, livre, experimental e ininterrupta para a arte brasileira.

Granato, que morreu precocemente há sete anos, em julho de 2016, foi um artista plural. Pintor e um dos pioneiros na arte performance no Brasil, transitou entre desenho, pintura, escultura, performance, vídeo e múltiplos suportes, linguagens, estilos, lugares e pessoas.

Conectado a todos os movimentos de vanguarda, para Rangel, ele foi um pop-surrealista na década de 1960, um performático-tropicalista na década de 1970, e um roqueiro-expressionista na década de 1980. Segundo Jacob Klintowitz, crítico de arte brasileiro, o artista tinha sua própria linguagem, intitulada por ele de “Granatês”.

Em Seres, a curadoria explora esse universo inventado por Granato, marcado por sua força colorista, traços expressivos e uma constante pulsação rock and roll, que destaca os vários seres criados pelo artista. No recorte escolhido pelo curador, o figurativo, abrange meados dos anos 1980 até o ano 2000.

“O figurativo está voltando com força total no mundo e por isso minha escolha. Mas Granato é tão múltiplo que poderia ter diversos outros recortes: só desenhos, ou só abstratos, ou só surrealistas e muitos outros”, complementa Rangel.

O recorte marca, contudo, uma época áurea do trabalho de Granato. Nesse período, seu atelier na avenida Henrique Shaumann com a Avenida Brasil era um ponto de encontro dos mais efervescentes de São Paulo, reunindo a nata dos artistas e intelectuais. Em 1987, Granato foi capa da revista Veja São Paulo, que o chamou de “O Agitador dos Pincéis”.

É para se destacar também o sucesso que ele fez na Alemanha, encantando inclusive a princesa Gloria Thurn und Taxis que criou um atelier para o artista em seu castelo em Regensburg, de onde desenvolveu uma série de obras, algumas presentes nesta mostra.

A exposição evidencia como os Seres de Granato são únicos ao mesmo tempo que estão conectados entre eles, a semelhança vai além da visualidade. Para o curador, as figuras retratadas incorporam trejeitos comuns, presentes na personalidade expansiva do artista.

Nela o público encontrará possíveis autorretratos multifacetados, como um ‘pavilhão de eus’, citando o músico suíço Walter Smetak, além de esboços, cadernos do artista, anotações e mais objetos.

Sobre a pintura figurativa, o curador explica que um resgate dela vem sendo feito, conduzida por uma crescente produção identitária na qual os artistas reproduzem seus entornos. O tão evidenciado atualmente “lugar de fala” na sociedade, incluindo o meio artístico, se torna necessário ao incorporar novas vozes, formas, cores e sons, cuja experiência é vívida e real.

“Desde os anos 1960, ou até mesmo desde Marcel Duchamp, ‘arte e vida’ se misturam e tangenciam a produção contemporânea. Nesse sentido, Granato representou o que ele era de fato, a vanguarda. O espaço-ser da experimentação artística, cujo tempo é histórico, e por isso, circular, que incorpora o passado, revisitado aqui, a partir de uma visão atual. Os Seres de Granato são a essência dele mesmo, e de sua pintura”, afirma o curador.

A mostra marca a chegada do artista ao acervo da galeria, que segundo Peter Cohn, fundador da Dan, significa um resgate de um momento histórico da arte brasileira. “Ele é parte integrante deste movimento significativo que rompeu todas as barreiras após os concretistas e neoconcretistas”, explica.

“O Granato é um ícone do movimento vanguarda dos anos 70.” Para Peter, o artista é um dos líderes deste movimento por sua postura contundente e irreverente. Ulisses Cohn que atua ao lado do pai na Dan Galeria complementa. “Sua entrada na galeria dá continuidade para a evolução da arte brasileira que percorremos, como galeria de percurso”, pontua. “Ele vem completar a linha do tempo e ocupar o lugar da vanguarda, da expressão contestadora, da pluralidade estética. Renova nosso programa artístico.”

A jornalista Alice Granato, filha do artista, dirige o Acervo e participa ativamente da exposição. Ela comemora o retorno do pai ao mercado de arte com a representação da Dan Galeria.  “Uma alegria ver a obra do meu pai viva, pulsante e com seu merecido lugar na história da arte”, afirma. “Ele deixou um legado de máxima importância e trabalhamos muito, minha família e eu, para preservar e difundir sua obra e memória.”

Sobre o Acervo Ivald Granato

Desde a morte de Ivald Granato, em 2016, sua família começa a trabalhar na preservação de sua obra e memória. Granato deixou um verdadeiro tesouro para as artes plásticas do Brasil e do mundo. Produziu de forma obsessiva e plural e construiu um acervo e arquivos grandiosos ao longo de meio século de trabalho.

Em abril de 2017, foram iniciadas as atividades de conservação preventiva, gestão de risco, catalogação e acondicionamento de obras. Em 2018, foi criada a empresa Acervo Ivald Granato, com o objetivo de cuidar, preservar e divulgar o trabalho, a trajetória artística e sua memória. Estão à frente da empresa, a viúva do artista, Laïs Granato, os três filhos de Granato, Alice, Diogo e Pedro, e seus enteados, Nelson e Marcelo.

O Acervo tem uma atuação permanente nas redes sociais e mídias. Em 2019, foi realizada a primeira grande exposição após a morte do pintor, a retrospectiva no Sesc Belenzinho “My name is Ivald Granato- eu sou”, com curadoria de Daniel Rangel, que reuniu 500 obras, e produção de Ana Helena Curti e Fernando Lion. A família de Granato participou da exposição, ao lado da equipe do Sesc.

A exposição, de extrema importância e abrangência, mostrou as várias fases do seu trabalho e foi também uma grande homenagem à sua vida e obra. Trouxe um painel iconográfico sobre ele, 30 vídeos-entrevistas com artistas, amigos, jornalistas e críticos de arte, dirigidos por Alice Granato, reconstruiu seu atelier, com a ajuda de Diogo Granato, e teve também a colaboração de Pedro Granato em todas as esferas. A mostra exibiu três salas em Realidade Virtual idealizadas por Rangel e dirigidas por Tadeu Jungle.

Ainda em 2019, quando o artista completaria 70 anos, é lançado o documentário “Granato 70” de Rogério Gallo no Canal Arte 1, com uma grande entrevista com Granato (gravada em 2010), ilustrada por suas obras e fotografias. Em 2020 a Mostra “My name is Ivald Granato- Eu sou” seguiu para o Sesc Guarulhos e ganhou o Prêmio Arcanjo de Cultura na categoria de artes visuais.

O Acervo, que permanecia na casa-atelier de Granato desde sua morte, ganha agora uma sede própria na Vila Madalena, em São Paulo, com um trabalho contínuo de preservação e pesquisa da obra, coordenado pela conservadora responsável Talita Desserie Santos e pela documentarista Fernanda Gonçalves. Somente o ano passado, com apoio do Proac Expresso, foram tratados e digitalizados mais de cinco mil arquivos do artista que estão disponíveis para pesquisa na página www.acervoivaldgranato.org

Sobre a galeria 

Dan Galeria foi fundada em 1972, em São Paulo, por Gláucia e Peter Cohn. Nos primeiros anos de atividade, a galeria concentrou-se na arte moderna brasileira, apresentando obras de importantes artistas do movimento modernista de 1920, tais como Di Cavalcanti, Antonio Gomide, Ismael Nery, Tarsila do Amaral entre outros.

Ainda nos primeiros anos de funcionamento, artistas como Alfredo Volpi, Cícero Dias, Antonio Bandeira e Yolanda Mohalyi foram incorporados ao grupo representado pela galeria que, ao longo das últimas décadas, expandiu-se também para a produção internacional e para a arte contemporânea.

O departamento de arte contemporânea foi criado em 1985 por Flávio Cohn, filho do casal fundador. Posteriormente, seu irmão Ulisses Cohn também se associou ao quadro de direção da Dan. Juntando pesquisa histórica e sintonia com o mercado internacional, nos últimos vinte anos a galeria exibiu obras de Lygia Clark, Lothar Charoux, Luiz Sacilotto, Gonçalo Ivo, Ascânio MMM, Macaparana, Sérgio Fingermann e artistas internacionais como Sol LeWitt, Antoni Tapies, Jesus Soto, Cesar Paternosto, Eduardo Stupía, Adolfo Estrada, Knopp Ferro, Ian Davenport, Max Bill, Joseph Albers, além dos britânicos Tony Cragg, Kenneth Martin e Mary Martin.

Dan Galeria incluiu mais recentemente em sua seleção, importantes artistas concretos: Francisco Sobrino, François Morellet e Getúlio Alviani, bem como os artistas geométricos abstratos históricos: Sandu Darié, Salvador Corratgé, Wilfredo Arcay e Dolores Soldevilla, só para mencionar alguns dos cubanos do grupo Los Once (The Eleven).

O fotógrafo brasileiro Cristiano Mascaro; os artistas José Spaniol e Teodoro Dias (Brasil); os internacionais, Tony Cragg (G. Bretanha), Lab [AU] (Bélgica) e Jong Oh (Coréia), se juntaram ao departamento de Arte Contemporânea da galeria. A Dan Galeria sempre teve por propósito destacar artistas e movimentos brasileiros desde o início da década de 1920 até hoje. Ao mesmo tempo, mantém uma relação próxima com artistas internacionais, uma vez que os movimentos artísticos historicamente se entrelaçam e dialogam entre si sem fronteiras. 

Serviço 

Seres Ivald Granato  

Quando: 19 de agosto a 21 de outubro

Dan Galeria – Rua Estados Unidos, 1638 – São Paulo, SP  

Horários: segunda a sexta-feira, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 13h

Entrada gratuita 

Classificação indicativa: livre 

Acesso para pessoas com mobilidade reduzida

e-mail: info@dangaleria.com.br

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Museu da Língua Portuguesa tem nova exposição, atividades para crianças e visita temática sobre mulheres no samba

Enquanto mostra temporária Essa nossa canção revela a conexão entre o português e o cancioneiro brasileiro, o projeto Brincadeiras ao Pé do Ouvido – Estação Férias apresenta show sobre a cultura das margens do rio São Francisco e o Núcleo Educativo destaca a presença feminina no samba

Amanda Canhestro
A cantora e poeta Priscila Magella do show No Balanço da Canoa

Museu da Língua Portuguesa, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, realiza dois programas especiais até domingo, dia 23 de julho. São atividades ligadas à exposição temporária Essa nossa canção, que apresenta a relação do português com o cancioneiro brasileiro. A mostra foi inaugurada no dia 14 de julho e ficará em cartaz até março de 2024.  

Com curadoria de Carlos Nader e Hermano Vianna, consultoria de José Miguel Wisnik e curadoria especial de Isa Grinspum Ferraz, a mostra Essa nossa canção abarca diversos gêneros do cancioneiro brasileiro, promovendo conexões entre algumas das canções mais representativas da música nacional às formas contemporâneas de expressão musical.

A experiência do visitante já começa no elevador, quando é surpreendido por uma intervenção sonora criada pelo produtor cultural Alê Siqueira a partir de vocalizes das músicas brasileiras. Cantos como “Ôôôôô”, “Ilariê”, “Aê-aê-aê” foram editados para formar uma única canção sem aquilo que convencionalmente se entende por palavra.   

Ciete Silvério
Exposição principal do Museu da Língua Portuguesa

Outros destaques são os vídeos em que artistas, como Carlinhos Brown e Teresa Cristina, apresentam versões de clássicos da música popular brasileira, como O Vento, de Dorival Caymmi, e Pelo Telefone, de Donga e Mauro de Almeida; e a exibição do documentário As Canções, de Eduardo Coutinho, que traz anônimos cantando suas músicas favoritas e revelando algumas histórias pessoais relacionadas a essas faixas. 

Essa nossa canção conta com o patrocínio máster da CCR, patrocínio do Grupo Globo, e com o apoio do BNY Mellon, da PwC Brasil e do Itaú Unibanco, todos por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.   

A programação do Brincadeiras ao Pé do Ouvido – Estação Férias tem prosseguimento nesta semana. Além de oficinas lúdicas em que os participantes são convidados a soltar a própria voz, o projeto vai receber no dia 22 de julho (sábado), às 11h, a performance da cantora e poeta Priscila Magella.

Ela realiza o show No Balanço da Canoa, que valoriza a cultura regional das margens do rio São Francisco por meio de cantigas, histórias e brincadeiras – a performer e musicista Anabel Andrés também integra o espetáculo. O projeto acontece de quinta a sábado, das 10h às 17h, gratuitamente no Saguão B do Museu.  

Ciete Silvério
Mostra temporária Essa nossa canção, do Museu da Língua Portuguesa

Ainda no dia 22, o Núcleo Educativo promove, das 13h às 14h, também gratuitamente, a visita temática Mulheres no Samba. Neste passeio, passando por experiências como o Falares e o Português do Brasil da exposição principal do Museu, a ideia é destacar a presença feminina, sobretudo das mulheres negras, na criação e no desenvolvimento de um dos gêneros musicais determinantes para a formação da identidade do povo brasileiro. O grupo para esta visita será formado 15 minutos antes de seu início, no Pátio A do Museu, próximo à bilheteria.    

Os dias de visitação durante a semana e aos sábados costumam ser bem cheios no Museu da Língua Portuguesa. Para quem prefere uma visita tranquila, a sugestão é vir aos domingos, quando o fluxo de visitantes costuma ser menor. A maneira mais fácil de chegar ao Museu é por meio do Metrô ou CPTM. Quem desembarca na Luz não precisa nem sair da Estação para entrar no Museu – há um acesso direto à bilheteria pela gare, a passarela no térreo que fica acima da linha do trem.   

Fotos da exposição Essa nossa canção no link https://we.tl/t-f9uh5mQ4I8 (crédito Ciete Silvério)  

SERVIÇO  
Mostra temporária Essa nossa canção + exposição principal do Museu 
De terça a domingo, das 9h às 16h30 (com permanência até as 18h)  
R$ 20 (inteira); R$ 10 (meia)  
Grátis para crianças até 7 anos  
Grátis aos sábados  
Acesso pelo Portão A  
Venda de ingressos na bilheteria e pela internet:  
https://bileto.sympla.com.br/event/68203  

Brincadeiras ao Pé do Ouvido – Estação Férias  
Até 29 de julho 
De quinta a sábado, das 10h às 17h 
Dia 22 de julho (sábado), às 11h, show No Balanço da Canoa 
No Saguão B do Museu da Língua Portuguesa 
Grátis

Visita temática Mulheres no Samba 
Dia 22 de julho (sábado), às 13h 
Grupo formado no Pátio A próximo à bilheteria 15 minutos antes do inicio da visita
Grátis 

Museu da Língua Portuguesa  
Praça da Luz, s/n – Luz – São Paulo  

SOBRE O MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA  
O Museu da Língua Portuguesa é um equipamento da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, concebido e implantado em parceria com a Fundação Roberto Marinho. O IDBrasil Cultura, Esporte e Educação é a Organização Social de Cultura responsável pela sua gestão.  

PATROCÍNIOS E PARCERIAS  
A reconstrução do Museu da Língua Portuguesa tem Patrocínio Máster da EDP e Patrocínio do Grupo Globo, Itaú Unibanco e Sabesp – todos por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. O Apoio é da Fundação Calouste Gulbenkian.  

A Temporada 2023 conta com patrocínio da CCR, do Instituto Cultural Vale, da Petrobras e do Grupo Globo, com apoio do BNY Mellon, da PwC Brasil e do Itaú Unibanco, e com as empresas parceiras Marsh McLennan, Eaton, Machado Meyer e Verde Asset Management. Revista Piauí, Guia da Semana, Dinamize, JCDecaux e Helloo são seus parceiros de mídia. A Temporada é realizada pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.  

Museu da Língua Portuguesa – Comunicação  
Renata Beltrão | renata.beltrao@idbr.org.br – 11 99267 5447  
Alan de Faria | alan.faria@idbr.org.br – 11 99894 0702  

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[POESIA & AMOR(ES)] Escritor denuncia uso de religião para disseminar discurso de ódio em livro de poemas

‘O poeta toma a pólis’ exalta todas as formas de amor, em alinhamento à comunidade LGBTQIA+ e sua permanente luta

O Poeta toma a Pólis
Teofilo Tostes Daniel
Editora Patuá

Em 10 de julho, a Justiça determinou a retirada das redes sociais de um vídeo com conteúdo discriminatório contra a população LGBTQIA+, que incitava a violência física contra esse grupo, proferido por um pastor nacionalmente conhecido durante um culto transmitido pela internet.

A Justiça entendeu, em sua decisão, que o que se via na pregação divulgada nas redes sociais ultrapassava em muito a liberdade religiosa e de expressão.

Em poemas de seu livro recém-lançado, “O poeta toma a pólis” (Editora Patuá), o poeta e escritor Teofilo Tostes Daniel aborda o uso da religião como escudo para quem dissemina discursos de ódio.

No poema que encerra a primeira parte do livro, intitulado “Se eu acreditasse num deus”, o autor fala da incapacidade de crer num Deus “que é menos capaz / de acolher o múltiplo e o diverso / do que a própria humanidade”, afirmando por fim que se fosse tocado pela graça de crer, sua divindade seria “mais amor // do que o amor condicional / dos deuses / em que jamais fui capaz de crer”.

Mais adiante no livro, o tema dos usos da crença é abordado em poemas como “Inverdades não digo”, no qual Teofilo versifica “O contrário do sagrado / não é o profano, / mas a ignomínia // cometida em nome da faca amolada / que é a fé / cega”. E volta com força no último poema do livro.

Espelhado na estrutura da oração do “Pai nosso”, o poeta faz uma oração à incerteza, pedindo aos deuses e às deusas de todas as crenças que “santifiquem minhas dúvidas, / e multipliquem em meus olhos / perguntas e questionamentos”.

Em contraponto ao discurso dogmático que cria condenações, “O poeta toma a pólis” exalta a necessidade da exaltação do amor em todas as formas, aliando-se à tão atacada comunidade LGBTQIA+.

Esse tema está presente já no poema de abertura do livro, intitulado “É urgente espalhar amor”, que chama a atenção para o fato de que “são tempos miseráveis / aqueles em que o amor / é motivo de escândalo e perplexidade, / e o ódio, / aplaudido de pé, / se alastra como uma praga / na boca e nas mãos de tantos / e na morte e no massacre / de quem ousa ser, / mesmo que involuntariamente, // o Outro.”

Num momento histórico repleto de desafios e urgências, após uma pandemia planetária de consequências catastróficas – em especial no nosso país – e com a humanidade tentando adiar o fim do mundo, por que a poesia ainda importa?

É a partir dessa pergunta central que nasce “O poeta toma a pólis”, obra em que a poesia ocupa um lugar de resistência e testemunho, além de servir de matéria essencial para sonhar um mundo onde a diversidade humana é celebrada.

SOBRE O AUTOR

Teofilo Tostes Daniel, nascido em 1979, é autor de “O poeta toma a pólis” (Patuá, 2023), “Trítonos – intervalos do delírio” (Patuá, 2015) e “Poemas para  serem encenados” (Casa do Novo Autor, 2008). Tem ainda contos, poemas e artigos publicados em coletâneas, revistas literárias e culturais. É formado em Produção Editorial pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e vive em São Paulo desde 2006, onde trabalha como analista de comunicação social do Ministério Público Federal. Faz ensaios abertos com palavras em http://teofilotostes.wordpress.com/.

SERVIÇO:

Livro: O poeta toma a pólis

Autor: Teofilo Tostes (@teofilotostes)

Editora: Patuá

Páginas: 136

Preço: R$ 45,00

Adquira o livro em: https://www.editorapatua.com.br/o-poeta-toma-a-polis-poemas-de-teofilo-tostes-daniel/p

Para entrevistas e mais informações:

Marcelo Boero

(11) 99603-2034

marcelo@aspasevirgulas.com.br

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Maloca Centro Cultural recebe performance “Desnaturado” de Felipe Vian neste sábado 

Os ingressos são gratuitos e podem ser reservados em plataforma online

Um convite para mergulhar em delírios fascinantes e proporcionar uma experiência única entre fantasia e realidade, a Maloca Centro Cultural, apresenta neste sábado (22), às 20h, a performance “Desnaturado”, do artista de dança votorantinense Felipe Vian. A entrada é gratuita.

Desnaturado é uma performance que dá forma aos delírios de um personagem que vive entre a fantasia e a realidade, que se transforma sem pressa e o tempo todo, mudando de rosto, de roupa e o seu jeito de dançar. O trabalho propõe um pensamento sobre as imagens que cada um cria de si mesmo, sobre como somos vistos e porque criamos ideais inalcançáveis que influenciam nossos corpos. 

De acordo com Felipe, o “desnaturado” procura desviar deste caminho compartilhando com o público, uma viagem de emoções repleta de figuras, angústias e festa. “Ele é um sentimento contraditório e habita em todos nós, ora é gente ora é bicho, é místico e corajoso e aqui a loucura existe”, destaca o artista.

Após a apresentação, haverá uma roda de conversa para os que desejarem conhecer mais da pesquisa e processos de criação da peça.

Os ingressos são gratuitos, mas a casa está sujeita a lotação, por isso, há como reservar antecipadamente por meio do Sympla.

A Maloca Centro Cultural conta com acessibilidade para PCDs e está localizada na Rua Francisco Scarpa, 321, Centro, Sorocaba.

SERVIÇO

📅 Estreia: 22/07

⏰ Horário: 20h

🎟️ Entrada gratuita (necessário reservar ingresso pelo link:
https://www.sympla.com.br/evento/desnaturado-performance-by-felipe-vian/2039890, sujeito à lotação)

📍 Local: Maloca – R. Francisco Scarpa, 321, Centro, Sorocaba

♿️ Acessibilidade para PCDs.

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Concertos Astra-Finamax oferecem Masterclass de Regência Orquestral com a francesa Nathalie Marin

Curso presencial conta com a parceria da Orquestra Sinfônica Municipal de Jundiaí. Regentes e alunos de regência podem fazer inscrição até o dia 1 de Agosto

Jundiaí, 18 de julho.  A 25ª Edição dos Concertos Astra-Finamax, em parceria com a Orquestra Sinfônica Municipal de Jundiaí (OSMJ), tem o prazer de anunciar a realização de uma Masterclass de Regência Orquestral com a renomada Maestra francesa Nathalie Marin.

Esta é uma oportunidade única para alunos de regência e regentes aprimorarem seus conhecimentos, por meio de apresentações presenciais, com uma profissional que possui vasta experiência de atuação em orquestras na Europa e na América Latina.

O curso intensivo acontecerá durante 5 dias, de 21 a 25 de agosto de 2023, das 14h às 17h, no Teatro Polytheama e no Espaço Expressa, em Jundiaí (SP). Nathalie Marin abordará aspectos teóricos e práticos da arte da Regência Orquestral. O curso é gratuito, presencial e destinado a regentes e alunos de regência. As vagas são limitadas.

Inscrições

Os interessados em participar devem fazer suas inscrições até o dia 01 de agosto de 2023, por meio do link:

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSeMiU0ydTBcTE8gsfw9RUm_SDvEx8ZU9woEOYES5ORaE5xqeQ/viewform?pli=1.

É necessário enviar o currículo e um vídeo com pelo menos 5 minutos de duração, sem edições, que mostre o candidato regendo. O vídeo deve ser recente e gravado com câmera frontal. É importante ressaltar que as vagas são limitadas, portanto, a seleção será feita com base nessas informações.

Os alunos que se destacarem durante a Masterclass serão convidados a reger o concerto do dia 26 de agosto, às 20h, no Teatro Polytheama, integrando a Programação da 25ª Temporada de Concertos Astra-Finamax.

O programa a ser estudado durante o curso inclui peças de compositores de repertório clássico, tais como:

“Masques et Bergamasques”, de Gabriel Fauré:

Ouverture, Menuet, Gavotte,  Pastorale.

“Balli”, de Nino Rota:

Entrata, Ballo della villanotta, ballo del perché, ballo del buon umore, ballo della noia, ballo festivo.

Sinfonia nº 1, de Beethoven:

Adagio molto. Allegro con brio / Andante cantabile- con moto/ Menuetto – Allegro molto e vivace/ Finale – Adagio, allegro molto e vivace.

Sobre a Maestra Nathalie Marin

A Maestra Nathalie Marin é uma destacada regente de orquestra francesa, com atuação tanto na América Latina quanto na Europa. Atualmente, é diretora artística do conjunto contemporâneo Habana XXI. Ao longo de sua carreira, ocupou cargos importantes, como diretora permanente da Mersin State Opera (Turquia) em 2017, maestrina residente da Kosovo Philharmonic até junho de 2016  e diretora artística da Orquestra Sinfônica Nacional do Equador (2011-2013).

Além disso, foi uma das fundadoras da Orquestra ENORIS (Ensemble Orquestral de l’Isère), na qual atuou como Regente Titular por quase duas décadas (1991-2010) e, como regente convidada, conduziu apresentações em mais de 25 países.

Concertos Astra- Finamax

A Masterclass com Nathalie Marin é uma iniciativa do programa Concertos Astra-Finamax, que conta com o apoio do Ministério da Cultura e da Lei Federal de Incentivo à Cultura, além da produção cultural da Atique & Atique Produções Culturais. O evento tem o patrocínio das empresas Astra e Japi, e o apoio da financeira Finamax, do Instituto Oliva e da Prefeitura Municipal de Jundiaí.

Serviço

Masterclass Nathalie Marin e OSMJ

Inscrições pelo site:

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSeMiU0ydTBcTE8gsfw9RUm_SDvEx8ZU9woEOYES5ORaE5xqeQ/viewform?pli=1


Prazo: Inscrições abertas até 1 de Agosto

Curso: de 21 a 25 de agosto de 2023

Horário: das 14h às 17h

Locais:

Teatro Polytheama: R. Barão de Jundiaí, 176 – Centro, Jundiaí

Espaço Expressa: Av. União dos Ferroviários, 1760 – Pte. de Campinas, Jundiaí

Cronograma da Masterclass

21/08, das 14h às 17h  – Espaço Expressa

22/08, das 14h às 17h – Com orquestra OSMJ – Teatro Polytheama

23/08, das 14h às 17h – Espaço Expressa

24/08, das 14h às 17h – Com orquestra  OSMJ – Teatro Polytheama

25/08, das 14h às 17h – Com orquestra OSMJ – Teatro Polytheama

26/08, às 20h – Concerto no Teatro Polytheama – 1ª Parte: conduzida pelos alunos da masterclass e 2ª Parte: conduzida pela Maestra Nathalie Marin

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O canto de pássaro azul

Isabel Furini: Poema ‘O canto de pássaro azul’

Isabel Furini
Imagem: IA do Bing

Cada vez que na janela das ilusões

canta o pássaro azul

sonhos antigos são renovados

brancas borboletas

pulam de minhas mãos

e uma sombra costurada a meus pés descalços

começa a dançar flamenco

criando gretas nos muros do passado

o canto do pássaro azul

tem o poder de vivificar sonhos mortos

Isabel Furini

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O espaço da bruxa

Clayton Alexandre Zocarato: Poema gótico ‘O espaço da bruxa’

Clayton Alexandre Zocarato

Móveis velhos…

Teias de aranhas…

Nas paredes rachadas e amaldiçoadas…

Acaboclando palavras…

Louvando a noite horrenda…

Em luares…

Procurando lugares…

Onde sua penumbra…

Ilumina todo e qualquer ser…

Se despindo em busca…

De uma magia…

Que submeta a sua alegria…

Por entre vassouras e fórmulas…

Lâminas sobre o necronomicon…

Sangue exalado…

Extasiado e jorrado…

No frenético balançar…

De sínodos  revestidos em  novos ataúdes…

Testemunhando o canto da coruja…

Com esqueletos caminhando em busca…

De algum corpo…

Na encruzilhada…

Um novo grito de pesadelo…

Degelo do amor…

Feitiços e Encantos…

A bruxa voa pelo sombrio…

Cheio de brio da escuridão…

Fazendo esguios…

Em cálices de  larvas…

Querendo  decompor novas almas…

Enriquecendo magias…

Nas suas alegrias…

Taciturnas e repletas…

De gosto pelo macabro…

Que  em posse de seus sortilégios..

Conquista seu espaço por entre…

Escarlates e disparates…

Contendo chapéus negros pontiagudos  elegantes…

Exaurindo risos fumegantes…

Evocando espíritos…

Com deleites…

A enfeitar túmulos…

Que já não tens mais estímulos…

Sepultado em terras  malditas…

Ditas de sussurros de dor…

Gerando horrores e dissabores…

Na harmonia da escuridão da madrugada, um  pano negro…

Um boneco dança  o  vodu …

Andarilho precoce,  ritmando tormentos…

Sugando energias  vitais…

Em torno de espirituais necrosados pelo pecado…

A bruxa sonha…

Na virtuosidade de sua imortalidade…

Criando novas mortalidades…

Clayton Alexandre Zocarato

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