Everlane Moraes é a cineasta homenageada da quinta edição do Cabíria FestivalSpcine Play

Oito filmes da diretora estarão disponíveis gratuitamente na Spcine Play. A cineasta vai ministrar masterclass na cinemateca brasileira

Everlane Moraes terá mostra com filmografia completa na Spcine Play (divulgação/ Cabíria Festival)

Imagens Mostra Everlane Moraes

Imagens Cabíria Festival 23

Vinheta Cabíria Festival 23

Everlane Moraes, cineasta brasileira reconhecida por sua linguagem autoral que mescla mistura única de elementos estéticos da ficção com a sensibilidade do documentário, é a homenageada do Cabíria Festival.

A quinta edição do evento, dedicado à representatividade de mulheres e à diversidade nas telas, entre os dias 18 e 23 de julho, será híbrida, com atividades presenciais na Cinemateca Brasileira e na ESPM, em São Paulo, e exibição de filmes online para todo o país pela Spcine Play, no Telecine e na MUBI. A programação é gratuita e o patrocínio da Spcine. Confira em https://www.cabiria.com.br

O público vai poder mergulhar na obra da diretora na masterclass “Navegações Estéticas” e assistir uma videoinstalação com exibição em lopping dos filmes “Aurora” e “Caixa D’água: Qui-lombo é esse?”, “Pattaki” na Cinemateca Brasileira. A atividade está com inscrições abertas no site do festival. Já online, entre 18 e 23, estará disponível gratuitamente a Mostra Foco Everlane Moraes na Spcine Play (https://www.spcineplay.com.br/).

São oito curtas-metragens: “Conflitos e Abismos: A Expressão da Condição Humana”“Allegro Ma Non Troppo“, “La Santa Cena”, “Aurora”“Pattaki“, “Caixa D’Água: Qui-Lombo é esse?”, “A gente acaba aqui” e “Monga, Retrato de Café“. 

SOBRE A DIRETORA

Atua como diretora, professora, consultora, além de ser produtora e criadora da Pàttàki Audiovisual. Recentemente, codirigiu a série antológica “Histórias Impossíveis”, na Rede Globo. Diretora de curtas que se destacaram por sua engenhosidade visual e narrativa, como “Pattaki” (2019) e “Aurora” (2018), seus filmes transitam entre diferentes gêneros e formatos, destacando as questões sociais, filosóficas e espirituais da diáspora negra.

O trabalho da cineasta já foi exibido em festivais como Sundance, Rotterdam, BFI, Womxn in Windows e One Story Up.

Seus projetos de longa-metragem têm sido sistematicamente apoiados por fundos internacionais e vêm sendo selecionados para diversos laboratórios de formação, como San Sebastian, Iberseries & Platino Industria, European Film Market (EFI), Torino Film Lab, Doc Station/Berlinale Talents, entre outros. “O segredo de Sikán”, seu primeiro longa de ficção, está com lançamento previsto para 2025.

Everlane Moraes é graduada em Cinema, com especialização em Direção de Documentários, pela Escuela Internacional de Cine y TV (EICTV, Cuba), e tem formação em Artes Visuais pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB, Brasil).

SINOPSES DOS CURTAS-METRAGENS

A Gente Acaba Aqui (Brasil-SE, 2021, documentário, 15min)

A Gente Acaba Aqui é a presença da morte em meio aos vivos. É o reencontro de familiares e amigos ao redor do corpo do tio da diretora da obra. Um documentário fúnebre sobre a única certeza da vida. Direção: Everlane Moraes. Classificação: 14 anos.

Allegro Ma Non Troppo: La Sinfonia de la Belleza (Cuba, 2016, documentário, 6min)

Uma investigação acerca da vaidade e autorrepresentação que constituem parte da juventude cubana na cidade de Havana. Direção: Everlane Moraes. Classificação: Livre.

Aurora (Cuba, 2018, documentário,15 min)

As existências de três mulheres negras — de diferentes espaços, contextos e idades — passam por um olhar. A viagem do olhar da câmera, neste filme cubano dirigido pela brasileira Everlane Moraes, nos questiona para além do que vemos: do que é sentido, internalizado, e do que pode ser expulso. O que podemos ver? E o que não somos? Não há dúvida de que “há poder no olho”! Direção: Everlane Moraes. Classificação: 14 anos.

Caixa D’Água: Qui-Lombo é esse? (Brasil-SE, 2013, documentário, 15min)

Documentário sobre a necessidade do resgate das histórias de vida de uma comunidade quilombola aracajuana, que resiste em meio à urbanização desenfreada da cidade, estando o foco do trabalho na preservação da oralidade das cinquenta e cinco pessoas entrevistadas e na valorização da cultura negra sergipana. Direção: Everlane Moraes. Classificação: Livre.

Conflitos e Abismos: A Expressão da Condição Humana (Brasil-SE, 2014, Documentário, animação, 15min)

A pintura de Éverton expressa o que há de mais real na vida do homem. Aos olhos desse artista, a humanidade é revelada pelos aspectos mais sublimes e também mais obscuros. O artista cria a possibilidade do humano se redimir através da autoavaliação. Sua pintura não pretende agradar, mas cutucar. Ela é como uma revelação do BELO através do FEIO. Direção: Everlane Moraes. Classificação: 14 anos.

La Santa Cena (Cuba, 2016, documentário, 15min)

O retrato de uma família afro-cubana da Santeria e a evocação entre o carnal e o espiritual na vida cotidiana dessa casa, onde o ritual de alimentar os orixás parece ser quase mais necessário para a alma dessa família do que se alimentar. É a reconstrução do processo do sacrifício de seu último galo, um animal que acompanhamos desde sua vida até sua morte, o alimento central da Santa Ceia. Direção: Everlane Moraes. Classificação: 14 anos.

Monga, Retrato de Café (Cuba, 2017, documentário, 15min)

Um convite para tomar café é o início de uma conversa íntima que esboça o retrato de Ramona Reyes, uma plantadora de café descendente de um haitiano assassinado dias antes do triunfo da Revolução Cubana. Direção: Everlane Moraes. Classificação: Livre

Pattaki (Cuba, 2019, documentário, 21min)

Os peixes agonizam à beira-mar à medida que a água invade a cidade e forma espelhos que distorcem sua imagem. Na noite densa, quando a lua sobe a maré, esses seres, que vivem em uma vida diária monótona sem água, são hipnotizados pelos poderes de Iemanjá, a deusa do mar. Direção: Everlane Moraes. Classificação: 14 anos.

ESTA EDIÇÃO

Esta 5ª edição do Cabíria Festival traz uma seleção de 16 filmes – entre longas e curtas – encontros profissionais e de criação. Haverá exibição longa-metragem “Fogaréu”, de Flávia Neves; a estreia nacional de “As Miçangas”, de Rafaela Camelo e Emanuel Lavor, indicado a melhor curta-metragem na Berlinale (2023), e a Sessão Telecine, em parceria com a marca especialista em cinema e a Embaixada da França no Brasil, do multipremiado “Saint Omer”.

Nas plataformas, entre 18 e 23 de julho, a Spcine Play (https://www.spcineplay.com.br/) disponibiliza a obra completa de Everlane Moraes, a cineasta homenageada no festival. Nos dias 22 e 23, também estarão disponíveis também os curtas-metragens de outras diretoras: “Eu, negra”, “Se trans for mar” e “Yuri u xëatima thë” (A pesca com timbó)”, além do longa “Fogaréu”, de Flavia NevesVeja como acessar em https://www.cabiria.com.br/como-participar/

Telecine é parceiro do Cabíria Festival Audiovisual e terá especiais dedicados ao evento. No canal Telecine Cult, o “Especial Cabíria Festival” vai ao ar em 19 de julho, a partir das 16h, com a exibição dos nacionais: “A Porta ao Lado”, “Que Horas Ela Volta?”, “Medusa” “Regra 34“.

Já no catálogo do Telecine, disponível no Globoplay e via operadoras de TV por assinatura, a cinelist Cabíria Festival (globoplay.globo.com/categorias/telecine-cabiria-festival) reúne títulos com direção feminina. A seleção conta com os filmes: “Alvorada”, “Boa Sorte, Leo Grande”, “Corsage”, “O corpo é nosso”, “Mar de Dentro”, “Medusa”, “Na Hora da Virada”, “Rafiki”, “Retrato de Uma Jovem em Chamas” e “Três Verões”.

MUBI, distribuidora global e serviço de streaming com curadoria, disponibilizará entre os dias 19 e 23 de julho os filmes “Transviar”, de Maíra Tristão, e “A Felicidade das Coisas“, de Thais Fujinaga, destaques da programação do Cabíria Festival em 2022. Basta acessar www.mubi.com/cabiriafestival e utilizar o cupom cabiriafestival.

O festival é uma realização da Ipê Rosa e Laranjeiras Filmes, com o patrocínio da Spcine, parcerias da Embaixada da França, Projeto Paradiso, Telecine, MUBI, Cinemateca Brasileira, ESPM, Goethe-Institut Rio de Janeiro, ABRA e Instituto Dona de Si, e apoios do Cardume Curtas, Travessia, Canal Curta, Curta!On, Globo, Elo Studios, Selo ELAS, Série Lab, FRAPA, Rota Festival, Filmicca, Ateliê Escreva Criatura, Ovo Design, Etc Filmes, Imprensa Mahon, Revista Piauí e Agência Febre.

SERVIÇO:

Cinemateca Brasileira

Endereço: Largo Sen. Raul Cardoso, 207 – Vila Clementino, São Paulo – SP

Programação de 19 a 21 de julho

Programação gratuita

Retirada de senha 1 hora antes de cada sessão/atividade

Masterclass e Estudo de Caso com inscrições prévias

ESPM

Endereço: Rua Dr. Álvaro Alvim, 123 – Vila Mariana, São Paulo – SP

Programação de 18 a 21 de julho

Painel, Oficina, Workshops e Encontros com inscrições prévias

Para acessar o local é obrigatória a apresentação de documento de identificação com foto.

Informações em https://www.cabiria.com.br/

O FESTIVAL 

Desde 2015, o Cabíria Festival articula uma Rede de Talentos Femininos do Audiovisual. Criada inicialmente como um Prêmio de Roteiro dedicado às histórias escritas e protagonizadas por mulheres, ao longo de oito anos, a Rede Cabíria de Talentos já premiou quase 100 histórias e beneficiou mais de 40 projetos, exibiu obras audiovisuais de mais de 150 realizadoras, além de impulsionar a carreira de dezenas de roteiristas e cineastas.

A partir de 2019 a iniciativa se expandiu para o formato de Festival abrangendo Premiação, Laboratório de Roteiro, Mostra de Filmes, Encontros Profissionais e de Formação, e Intercâmbio Internacional entre Cinematografias.

Atualmente, Cabíria Festival, Prêmio Cabíria, e Cabíria Lab formam os três pilares de sustentação da Rede Cabíria de Talentos que através de ações transversais com uma ampla rede de parcerias, mobiliza roteiristas, cineastas e storytellers com o objetivo comum de impulsionar talentos do audiovisual, contribuir para a igualdade de gênero na cadeia produtiva, agregando criadores de identidades de gênero diversas e a comunidade LGBTQIAPN+

Instagram: https://www.instagram.com/cabiria_festival/

Facebook: https://www.facebook.com/cabiriafestival

Youtube: https://www.youtube.com/cabiriafestival

SOBRE A SPCINE 

A Spcine é a empresa de cinema e audiovisual da Prefeitura de São Paulo. Atua como um escritório de desenvolvimento, financiamento e implementação de programas e políticas para os setores de cinema, TV, games e novas mídias. Seu objetivo é reconhecer e estimular o potencial econômico e criativo do audiovisual paulista e seu impacto em âmbito cultural e social. 

Para mais informações entre em contato

Herval Peixoto:: herval.peixoto@agenciafebre.com.br 21 97161-5596

Katia Carneiro:: katia.carneiro@agenciafebre.com.br 21 99978-2881

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Arrente lança seu primeiro EP ‘Música Avançada Brasileira’

Reunião dos artistas Laylah Arruda, Arnaldo Tifu, Passarinho e Caio Laser, Arrente mostra cultura popular e mistura de sons no EP ‘Música Avançada Brasileira

Formado pelos artistas Laylah Arruda, Arnaldo Tifu, Passarinho, Arrente é a reunião de suas letras e vozes aos instrumentais do beatmaker Caio Laser.

Nesse multiverso sonoro, Arrente abraça a cultura popular com um flow temperado por timbres e composições contemporâneos, no que chama de MAB, a “Música Avançada Brasileira”, título de seu primeiro EP que teve lançamento nesta sexta-feira, dia 14 de julho.

“Queremos brotar e fortificar ARRENTE em uma vivência de sentimento familiar, de construção coletiva, reunindo as verdades que nascem d’arrente e que são um bocado presentes em todo ser humano, com ritmo, swing, melodia para a vida e para a pista.”, conta o grupo.

Neste primeiro EP, 5 músicas dão o tom dos sons e ritmos dessa união: “Chapa Quente”, “Rimas e Rezas”, “Zap Zap”, “Boquinha” e “Cubo de Gelo”,  que ganha clipe no dia 11 de agosto. 

Arrente chega com a soma das experiências individuais de cada um dos artistas, trazendo novas tendências sonoras com essa mistura. Vem das melodias soulful e levadas de reggae e ragga, a voz de Laylah Arruda, artista que consolidou carreira nos braços da música jamaicana, sendo uma das primeiras artistas da cena Reggae Sound System no Brasil.

A Singjay – como chama-se quem canta melodicamente e também rima, dentro da cultura reggae – ela conduziu bailes memoráveis dessa cena musical. Já experienciou grandes palcos como Teatro Municipal, Memorial da América Latina e Festivais como Coala, C6, Nômade entre outros.

Além de seu trabalho solo, faz parte do coletivo Feminine Hi-Fi, que assina quatro turnês pela Europa e Reino Unido, passando por Rototom Sunsplash, Monegros Festival, Yaam Berlin e mais.

Raros traçam um freestyle como ele, Arnaldo Tifu é poeta, rapper, e foi na periferia de Santo André/SP, seu lugar, que aconteceu seu contato com o Rap, descobriu admirações no movimento hip-hop até descobrir-se parte dele por dentro.

Tifu ganhou os olhares da cultura Hip Hop, destacando-se neste cenário musical por ter um estilo autêntico, pelos temas variados e uma presença forte da cultura brasileira, como literatura de cordel, repente, forró, samba e embolada.

O reconhecimento pela sua habilidade com as rimas de improviso, o levou à cypher Roda de Rima, promovida pela VICE e conduzida pelo maestro KL Jay. Na função de mestre de cerimônias já apresentou grandes eventos e festivais, destacando-se o consagrado HIP HOP DJ Brasil.

Passarinho levanta voo a partir de uma fonte especial da música brasileira e mundial que é Recife/PE, semeando seu sotaque na variedade de levadas que propõe seu som, que traz o reggae, o rap, o rock e mais, atravessados ‘no meio’ pela forte influência do brega.

O baterista-vocalista e produtor musical assina o projeto Passarinho e o Sistema Brega de Som bem como integra a banda de rock Dom Pescoço e de afrobeat Coletivo Estoril. Esteve nos line-ups da Virada Cultural Paulista, SIM São Paulo, e de inúmeros festivais.

O baixista e produtor musical experiente de grandes projetos, como a big band Black Mantra, Caio Laser debuta como beatmaker e traz pr’ARRENTE sua brilhante estreia na construção dos instrumentais deste coletivo.

O músico já esteve em grandes palcos de São Paulo e do Brasil, como Sesc Pompeía, Cine Joia, Festival Path, Bourbon Street Festival, Locomotiva, entre outros bem como assina colaborações com diversos artistas relevantes da velha e nova escola, como Gerson King Combo, Carlos Dafé, Hyldon, BNegão, Karol Conká, Thaíde, Black Alien, entre outros. É o grande culpado por reunir estas quatro almas musicais!

Para conferir o som que surge dessa conexão, é só acessar as redes sociais do grupo e o lançamento de “Música Avançada Brasileira” nas principais plataformas digitais.

SERVIÇO | EP “Música Avançada Brasileira”, grupo Arrente

Disponível em: tratore.ffm.to/arrente

YouTubehttp://www.youtube.com/@arrentecrew

Instagramhttp://instagram.com/arrentecrew

Mais informaçõescontato.arrente@gmail.com

FICHA TÉCNICA 

Laylah Arruda – letras e voz 

Arnaldo Tifu – letras e voz 

Passarinho – letras e voz 

Caio Laser – instrumentais / produção musical

Mix/Master* – Leonardo Marques

*exceto “Boquinha” 

Mix/Master “Boquinha” – Pedro Simples

Guitarra “Boquinha” – Ivan Santarém

Figurino – SPPARIS 

Videoclipe/ Visualizer/ Fotos – Daniel Lupo e Miguel Salvatore

Conceito/Design Gráfico – Carme

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Sou um rio caudaloso

Jairo Valio: Poema ‘Sou um rio caudaloso’

Jairo Valio

Na nascente onde nasci belo em natureza linda,
Onde os passarinhos cantam na madrugada surgindo,
Ávidos peixinhos nadam na correnteza,
E desço encachoeirado batendo em pedras,
Qual criança sapeca que sorri então,
E minha beleza se mostra estonteante.

Vou caminhando abrindo espaços,
E noto que sementes caem de árvores frondosas,
Para alimentar os peixinhos que nadam em mim,
E me sinto gratificado em saciar as fomes,
De criaturinhas tão belas que a natureza me deu.

Vou ganhando forças de rios pequenos,
Que nascem nas relvas de minhas margens,
Ganhando volumes para enfrentar os desafios,
Que podem surgir num repente do homem insano,
Que poluem as águas de meus ancestrais,
Que matam suas sedes e de suas famílias,
E recebem em troca os poluentes perversos,
Matando meus peixinhos e até os passarinhos,
Que vivem em minhas águas e lhes dou sustentos.

Choro então com lágrimas sentidas,
Sem entender as falsidades,
E me quedo em silêncio agudo,
Pois não quero
ser vítima das insanidades,
E volumoso desço encachoeirado até sumir,
Nas ondas do mar que me acolhem então.

Jairo Valio

valio.jairo@gmail.com

WhatsApp: 15/99700-3572

Facebook: https://www.facebook.com/jairo.valio

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São Paulo S.A. –  A construção da obra-prima de Luiz Sergio Person

CINEMA EM TELA

Marcus Hemerly: Artigo ‘A construção da obra-prima de Luiz Sergio Person’

“recomeçar… recomeçar… mil vezes recomeçar…Recomeçar.”

Walmor Chagas em São Paulo, S/A.

Por um lado, se há o aforismo pelo qual não existe nada perfeito, de outra visão, existem composições artísticas que beiram tal definição. É o caso do longa-metragem de 1965, São Paulo, Sociedade Anônima, estreia de Luiz Sérgio Person na direção.

Analisando os históricos de bastidores, trata-se de uma película na qual não houve qualquer tipo de rusgas, atrasos ou imprevistos durante sua filmagem, demonstrando um cronograma de viés empresarial. Inclusive, uma das peculiaridades assimiladas pelo filme, é justamente o cotejo de qualidade artística e feições autorais ao aspecto comercial, pois o que se desvela é uma fita vendável e palatável a todas as audiências.

Não é sem fundamento sua pronunciada distribuição no exterior, participação em festivais, além do amealhar de estrelas da TV e teatro ainda durante sua pré-produção. Originalmente intitulado de “Agonia”, a partir de um poema de Vinícius de Moraes, conhecemos a história de Carlos, interpretado por Walmor Chagas em seu primeiro papel no cinema, que se relaciona e casa com a jovem Luciana, uma das maiores performances de Eva Wilma.

Perpassando seus conflitos internos numa narrativa não linear extremamente eficiente e inovadora, revelam-se ainda personagens secundários densos e complexos. Numa miríade de nuances e evoluções, acompanhamos o amadurecimento dos personagens transposto à tela por bem esmeradas e detalhadas evoluções de figurino e gestual.

Aspectos minuciosamente orquestrados pela direção precisa e eficaz de Person, que retornava ao Brasil após ter estudado no Centro Sperimentale di Cinematografia, em Roma, diferenciando-se dentre muitos de seus contemporâneos pelo know how e a visão, repise-se, artística e empreendedora na arte de fazer cinema.

É possível asseverar que o projeto desde a concepção do argumento e roteiro, com a sagaz mudança posterior do título, escolha de elenco a partir de suas potencialidades, (inclusive para fins de publicidade), fazem de “São Paulo, SA” um dos filmes mais bem sucedidos do cinema nacional.

A despeito de críticas conflitantes no Brasil e no plano internacional, até mesmo indicando que o roteiro muito aproximava-se de um folhetim novelesco, é inegável que o dialogar empático com os mais diversos tipos de público, sem destoar da sofisticada forma na qual a cidade é retratada, até mesmo como um personagem autônomo, revelam a arte e precisão da produção.

Desde as externas rodadas em momentos mais lúgubres e cinzentos da capital paulista, estilo de filmar aproximando-se, ora do neorrealismo, ora do Nouvelle Vogue perpassando as cores (ou descolorir) existencialista, o que materializa é um roteiro eficiente e aprazível àqueles que apreciam a boa arte.   

A insatisfação ríspida do protagonista, e, diga-se, quase anti-herói, Carlos, a contraposição da ingênua Luciana e seu posterior despertar do casulo de ingenuidade, o industrial proeminente e trapaceiro interpretado brilhantemente por Otelo Zeloni, se amalgamam à própria cidade que serve de esteio a suas ambições, frustrações e sucessos.

Um retrato fiel de um período, orquestrado de modo lírico por uma história contada com a perfeição na qual todos os desfechos do roteiro são decupados com perícia e entrecortados com simbolismos.

De se dizer ainda, que estampando-a em tom coadjuvante, não raro até mesmo protagonista, renove-se, a cidade de São Paulo é um personagem à parte, na qual a retratação da expansão industrial automobilística em determinados momentos desvela até mesmo um tom documental.

A técnica narrativa é descrita de forma magistral por Ninho Moraes, em sua obra para a Coleção Aplauso, “Radiografia de um Filme”, (p.190), na qual disserta:

“Para ser analisado, São Paulo Sociedade Anônima coloca-se como um desafio entre cenas avulsas intercaladas na construção de um sumário narrativo. A história filmada respeita a história escrita e não propõe sequências que se liguem diretamente.

Poucas ações ocorrem sucessivamente em tempo e lugar definidos. Ao contrário de um romance ou de um filme, que narram uma história com começo, meio e fim, o roteirista- diretor olha o universo dos personagens de fora para dentro, como se fossem lembranças, os tais flashbacks, ou até mesmo um sonho ou sucessão de sonhos”.

Planos e sequências gravadas em grandes montadoras multinacionais, cenas interiores que a partir de cada angulação potencializam a fala e presença de cena dos personagens, além da trilha sonora instigante emolduram uma produção que merecidamente encabeça a lista de melhores filmes realizados em solo brasileiro.

Ressalva-se, por óbvio, impressões diversas, afinal, tal é o papel das artes, instigar sentimentos bem como reflexões/provocações. Na biografia de Walmor Chagas concebida também para a Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial, Djalma Limongi Batista, (p.47), escreve acerca de tais vertentes:

“Radicalmente, o filme de Luís Sérgio Person expressa a tensão de uma cidade latino-americana prestes a se tornar cosmopolita e megalópolis, em sua explosão industrial- financeiro-demográfica, poderosa e fatal como uma górgona hipnótica, capaz de sugar a alma e petrificar o corpo.  Metrópole a qual se ama e odeia, se quer largar e tem-se sempre que voltar – e recomeçar… Nem a Cidade do México, ou Buenos Aires, Caracas, nem o Rio de Janeiro produziram filme tão impressionantemente identificado com esse momento”.

Segue pontuando, “E, ainda mais raro, a formação de sua classe dominante – assunto tabu numa cinematografia que é sempre aplaudida, internacionalmente, quando expõe (quanto mais brutalmente melhor) a classe pobre e pra lá de oprimida. Nem sendo paulista, Walmor Chagas consegue com sua singular persona, montada quando chega a São Paulo, identificação completa com a cidade e o mais simbiótico de seus filmes”.

Interessante apontar que outra realidade seria transposta em momento ulterior por um dos discípulos de Person da faculdade de cinema da São Luiz, o festejado cineasta marginal Carlos Reichenbach, que dedicaria a ele sua obra-prima, Filme Demência.

Naquele roteiro, numa releitura contemporânea e urbana da lenda de Fausto, Reichenbach demonstraria a derrocada e crise do contexto industrial em meados dos anos 80, ao trabalhar os extremos das promessas econômicas não cumpridas, e podendo com isso, indicar a volatilidade tanto dos seres humanos, de carne e osso, quanto das selvas de pedra que os devoram na forma de leões de concreto, ou os regurgitam em alheio defenestrar.

Poema citado no texto.

Agonia  – Vinícius de Moraes

No teu grande corpo branco depois eu fiquei.

Tinha os olhos lívidos e tive medo.

Já não havia sombra em ti – eras como um grande deserto de areia

Onde eu houvesse tombado após uma longa caminhada sem noites.

Na minha angústia eu buscava a paisagem calma

Que me havias dado tanto tempo

Mas tudo era estéril e mostruoso e sem vida

E teus seios eram dunas desfeitas pelo vendaval que passara.

Eu estremecia agonizando e procurava me erguer

Mas teu ventre era como areia movediça para os meus dedos.

Procurei ficar imóvel e orar, mas fui me afogando em ti mesma

Desaparecendo no teu ser disperso que se contraía como a voragem.

Depois foi o sono, o escuro, a morte.

Quando despertei era claro e eu tinha brotado novamente

Vinha cheio do pavor das tuas entranhas.

Link para assistir ao filme pelo you tube: https://www.youtube.com/watch?v=ns-LPKhz_AE

Marcus Hemerly

marcushemerly@gmail.com

WhatsApp: 28/99994-1202

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Dias de chuva

Ivete Rosa de Souza: Crônica ‘Dias de chuva’

Foto de Ivete Rosa de Souza
Ivete Rosa de Souza

Literalmente adoro dias de chuva. Aquela preguiça boa, que nos remete ao recolhimento. A chuva me traz recordações da infância, de tomar banho na rua, pulando na enxurrada. E dos bolinhos de chuva, e o chocolate que mamãe preparava. Mas tinha que obedecer, tomar outro banho, quente desta vez. Não esquecendo de tirar o grude de traz das orelhas, e de secar o chão ao sair do banho. A tarde corria solta, a chuva mostrando a que veio, trovoadas e relâmpagos cortando o céu. Sem preocupações, o melhor era a disputa com meus irmãos, quem iria pegar o maior bolinho.

Sempre brincávamos com isso, nossa mãe fazia os bolinhos maiores ou menores, conforme colhesse a massa com a colher. Proposital ou não, sempre eram diferentes no tamanho. Isso causava um reboliço em volta da mesa.

Muitos anos se passaram, não tive o mesmo costume de fazer para meus filhos os bolinhos de chuva. Talvez, porque aqueles momentos eram nossos e da nossa mãe. Mas a chuva continua trazendo imagens daqueles momentos, tão pequenos e simples.

Felicidade é um ato tão doce e pequeno, em uma tarde de chuva, o recolhimento, a abstração de tudo. Só ficar “de boa”, como dizia meu filho na infância. Lendo, brincando, contando anedotas. Lembro dos primeiros dias de casamento, ficávamos na cama, conversando, rindo vendo TV. Depois, com os filhos a cama ficava apertada, mas ainda assim era gostoso, ficar ali fazendo nada, como diria meu esposo.

Tardes e noites abençoadas, com a chuva cantarolando no telhado. Esses dias se foram, o tempo leva os momentos, a chuva traz novos momentos. Ainda amo a chuva, mesmo que, às vezes, a natureza em fúria cause tragédias. Mas a chuva em si não é culpada, a culpa com certeza é da humanidade. A chuva é benção, é magia. Confidente dos amantes, alegria da meninada, que ainda hoje canta e dança na chuva. Que traz encantamento.

Ivete Rosa de Souza
iveterosad@gmail.com

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Contos mostram como a cooperação pode ser transformadora e está presente em atitudes simples no cotidiano

Livro ‘Te encontro em qual conto?’ faz parte de projeto que circula pelo país a partir de julho para desmistificar e difundir o conceito do cooperativismo

O livro faz parte da caravana do projeto Caminhos do Brasil, que circula por 32 cidades pelo país
Divulgação

A cooperação pode ser um instrumento transformador na sociedade e ela pode estar também mais presente no cotidiano por meio de atitudes simples, de histórias e pessoas que se conectam e se ajudam. É isso que mostra o livro ‘Te encontro em qual conto?’, obra escrita por Angela Carneiro, que faz parte do projeto idealizado pela Graviola Produções com apoio do Instituto Sicoob por meio da lei de incentivo à cultura para desmistificar e difundir o conceito do cooperativismo.

 
A cooperação, segundo a obra, é uma ferramenta que se faz presente na vida, que contribui para o desenvolvimento individual e coletivo, pois quando as pessoas se sentem acolhidas isso trabalha também a afetividade e emoções dos envolvidos.

“Eu queria conhecer mais o cooperativismo, foi uma oportunidade muito interessante, poder entrevistar as pessoas que trabalham em cooperativas e conhecer suas histórias. Os depoimentos desses trabalhadores me inspiraram a trabalhar minha criatividade de forma positiva em um ambiente de colaboração e afeto”, conta a autora, Angela Carneiro.

Dividido em 17 capítulos, os contos são baseados a partir de relatos de brasileiros de várias regiões e foram transformados em histórias que destacam a importância da cooperação no dia a dia das pessoas, trazendo novas possibilidades e soluções tanto para os negócios como para o convívio social. 

O livro faz parte da caravana do projeto Caminhos do Brasil, que circulará por 32 cidades pelo país. Além dos contos, a obra está recheada também de ilustrações inéditas com cores e formas, tudo feito por Isadora Gonzaga.

A turnê, que vai levar além do livro, um curta e roda de conversa, começou no dia 1 de julho e vai até 9 de de dezembro e passando por cidades como Pintadas (BA), São José do Cerrito (SC) e Capelinha (MG).

Para conhecer mais sobre o livro e o projeto basta acessar www.projetocaminhosdobrasil.com.br


CAMINHOS DO BRASIL

Conheça mais sobre o projeto: 

https://www.youtube.com/watch?v=LU2YcTJz5X0

https://www.instagram.com/projetocaminhosdobrasil/

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Premiada atriz Gilda Nomacce homenageada na 34º Curta Kinoforum

Gilda Nomacce já atuou em 47 curtas-metragens e transformou-se em musa de toda uma geração de jovens cineastas brasileiros

Gilda Nomacce já atuou em 47 curtas-metragens e transformou-se em musa de toda uma geração de jovens cineastas brasileiros. 

Essa premiada atriz é a grande homenageada da 34ª edição do Curta Kinoforum – Festival Internacional de Curtas de São Paulo, um dos mais importantes eventos mundiais dedicados ao filme de curta duração. 

O evento, que acontece de 24/08 a 3/09, vai exibir alguns dos trabalhos favoritos de Nomacce, que ela ajudou a selecionar.

Estão na programação “Romance”, de Karine Teles; “This is Not Dancing Days”, de Julia Katharine; “Nua por Dentro do Couro”, de Lucas Sá; “Minha Única Terra é na Lua”, de Sergio Silva; e “Saudável de Insanidade”, de Mariana Bastos e Rafael Gomes.

Gilda NOmacce

Com 21 prêmios na carreira, a atriz acumula mais de 100 personagens, já foi destaque em Cannes e está em séries da Netflix, Star+ e Disney+. Ela já participou dos festivais de Cannes e Berlim, concorreu duas vezes ao prêmio Shell de Teatro e ganhou o Troféu Candango de melhor atriz no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

O 34° Festival Internacional de Curtas de São Paulo – Curta Kinoforum é uma iniciativa da Associação Cultural Kinoforum e tem direção da produtora Zita Carvalhosa.

fotos = https://drive.google.com/drive/folders/1QMDl9wSGtZj4PfiH3hd-_9gSbcCC359d 

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